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| Willis A. Carto |
(Apresentado na
Conferência Revisionista de 1981)
Eu
suponho que alguém pode tornar-se bastante pessimista e desanimado diante da
maneira como a verdade objetiva é distorcida e escondida para propósitos de
interesses políticos e econômicos; mas há uma lição profunda a ser aprendida
com esse fato. Não há razão para desânimo se aprendermos, com a musa da
História, como ela tem sido perseguida e maltratada durante sua vida eterna.
A
distorção da história, quando tomada em seu contexto histórico, certamente não
é um fenômeno novo nem recente; é tão antiga quanto a própria linguagem. Como
Spengler, Yockey e muitos outros deixam bem claro, não existe — e nunca existiu
— uma fronteira definida entre a história como fato e a história como mito. Na
verdade, na maioria dos casos, é praticamente impossível determinar onde uma
termina e a outra começa.
Hoje,
é fácil para nós acreditar, como americanos do século XX, que as ilhas do Japão
não foram realmente formadas por gotas caídas da espada do deus do sol; mas
observemos o seguinte: é muito mais provável que rejeitemos essa crença não por
ela ser inerentemente absurda, mas sim por ser japonesa — e nós não o sermos.
Em
outras palavras, é a nossa cultura que condiciona nossas mentes a aceitar ou
rejeitar fatos como história ou como mito — e não, em grande parte, os fatos
objetivos em si mesmos, e se você tiver alguma dificuldade com esse conceito,
pense na descoberta das placas de ouro por Joseph Smith, no milagre de Fátima
ou até mesmo no nascimento virginal de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo.
Como cristãos, nós temos nossa própria parcela de fatos históricos que estão
sujeitos a dúvidas por parte de outros.
Na
luz das necessidades da cultura, nós podemos ver claramente que a história como
mito não é, necessariamente, algo ruim em si. O propósito histórico da cultura
é proporcionar unidade a um povo, pois a unidade traz estabilidade, ordem e,
talvez, progresso. É essencial que um povo concorde quanto a uma interpretação
do passado — uma interpretação que, obviamente, deve retratá-lo como admirável,
e não desprezível; superior, e não inferior; nobre e corajoso, e não ignóbil e
covarde. A história deve ser um espelho de si mesmo; quando não o é, significa
que foi distorcida. Assim, da dupla necessidade de possuir uma história e de
torná-la uma boa história, os mitos nascem. É um processo tão antigo quanto a
própria linguagem.
Então
nós podemos ver que a distorção histórica nasce das necessidades da própria
cultura. Talvez nós possamos relevar o mito japonês sobre a origem do Japão
como uma história inofensiva que — juntamente com toda uma gama de outros mitos
— serviu de base para o desenvolvimento do povo japonês e para o florescimento
de uma das culturas mais magníficas do mundo. Para o melhor ou para o pior, os
mitos históricos japoneses ajudaram a criar o Japão, assim como os mitos
cristãos e judaicos ajudaram a criar a Europa e a América que nós conhecemos. O
ponto é que nós devemos julgar o mito histórico julgando seus produtos
históricos, e não pelo seu conteúdo de fatos objetivos. O qual é outra maneira
de dizer que as mentiras históricas são a norma.
Agora
que nós temos feito essa observação, por favor note que nós não temos dito, e
nós nem dizemos que mentiras, por elas mesmas, são tudo o que se encontra na
história. O que nós encontramos é uma mistura de mentira e fato. Por exemplo, nós
sabemos o fato objetivo de que Abraham Lincoln está morto. Analisando mais de
perto, nós temos motivos para acreditar que ele foi baleado à queima-roupa no
Teatro Ford, na noite de 14 de abril de 1865, por John Wilkes Booth. Isso é o
que nós sabemos. Nós achamos.
É
o que nós não sabemos que preocupa os estudiosos revisionistas. A interpretação
ortodoxa desse evento é que Booth era um sulista obstinado que vingou a derrota
da Confederação. Talvez seja verdade, mas há um século existem especulações
sobre quem mais poderia estar envolvido e — o mais importante de tudo — qual
teria sido o verdadeiro motivo, se é que houve outro motivo além do ódio
simples e direto de Booth.
Para
o propósito da democracia, é bom que Booth continue sendo visto como um “assassino
solitário” — e você já ouviu essa frase antes. Assim, uma interpretação mais
incisiva do ato não desperta muito interesse no sistema político estabelecido,
exceto por permitir especulações ociosas de que Booth não foi morto por seus
perseguidores, mas viveu o resto da vida roubando trens sob o pseudônimo de
Jesse James.
Ora,
não é realmente significativo para o nosso destino se Jesse James era ou não
John Wilkes Booth. Tais curiosidades rendem bons livros, filmes e histórias,
pois servem mais para entreter do que para instruir. A questão adentra no
mítico — e por um lado inofensivo, vale ressaltar, visto que mitos podem ser
prejudiciais, inofensivos ou até mesmo benéficos. A dúvida sobre a verdadeira
identidade de Booth é aquele tipo de questão enganosa que serve para entreter
produtores de Hollywood, cartunistas e historiadores do sistema político
estabelecido, mas que carece totalmente de relevância quando nós consideramos
os motivos de maior peso que podem ter figurado o evento.
Tem
sido sussurrado por muitos anos que o assassinato de Lincoln resultou lucros
bilionários para banqueiros determinados a impedir que a emissão de Greenbacks
— papel-moeda emitido pelo governo ao custo de nenhum juros para os
contribuintes, em vez de cédulas emitidas por bancos privados mediante cobrança
de juros — se tornasse uma prática nacional; tal prática teria custado aos
banqueiros não apenas lucros monetários, mas também o controle sobre a política
econômica e governamental. E eu digo “sussurros” porque a quantidade de livros
que levantam questões como essas — em comparação com o volume de livros os
quais falham em tais questões, devido ao preconceito do sistema político
estabelecido — é infinitesimal.
Aqui
agora está o ponto central de tudo isso. Uma interpretação da história que
atribui o devido e omitido peso ao papel oculto dos banqueiros nos assuntos
públicos é totalmente incompatível com o nosso atual sistema, dito “democrático”
— o qual, em sua essência, é simplesmente o domínio de um consenso formado por
grupos de pressão minoritários e de interesses específicos, e certamente não um
governo do povo, pelo povo e para o povo; e os banqueiros desempenham um papel
central nessa coalizão. Assim, o mito do “assassino solitário” encaixa-se na
democracia, enquanto o mito da “conspiração” ou dos “banqueiros” encaixa-se no
populismo; contudo, talvez nunca saibamos qual interpretação representa a
verdade objetiva, ou se existe alguma outra interpretação que o seja. Por exemplo,
aos olhos dos republicanos abolicionistas — ou “liberais” —, Lincoln era um
obstáculo à Reconstrução. Para os comunistas, o assassinato de Lincoln foi,
talvez, obra de industriais do Norte que o viam como um entrave aos seus planos
de reduzir os salários dos trabalhadores. As formas de se utilizar a história
são infinitas.
O
mito mais difundido e prejudicial da atualidade é, naturalmente, o do chamado “Holocausto”
e todas as fábulas a ele associadas. Graças às pesquisas de um pequeno grupo de
homens extremamente corajosos — que literalmente arriscaram suas carreiras e
vidas para documentar a verdade —, nossa compreensão não apenas da Segunda
Guerra Mundial, de suas causas, eventos e desfecho, tem sido aprimorada, mas
algo mais: nossa Weltanschauung {visão
de mundo} atual difere drasticamente da visão daqueles que não são tão
esclarecidos quanto nós. O mito do Holocausto tem beneficiado seus propagadores
como poucas mentiras na história têm feito. Nós, contribuintes das nações
ocidentais, enviamos quantias incalculáveis de bilhões para Israel por causa
desse mito. Os criadores do mito lucraram, ao contrário daqueles que têm sido e
estão sendo vitimados por ele. Além do ônus financeiro, um problema ainda mais
grave é o perigo constante de uma guerra nuclear, visto que estamos
militarmente envolvidos no Oriente Médio apenas para proteger Israel. Talvez
este exemplo nos permita ver como as mentiras provocam guerras, pois a culpa
por um conflito nuclear no Oriente Médio recairá exclusivamente sobre aqueles
que, neste momento, lucram com a mentira do “Holocausto.”
Como
o Institute for Historical Review se encaixa nesse cenário? Nosso lugar é certo.
Há um vácuo na historiografia que precisa ser preenchido, e é isso que nós
estamos fazendo. Nós vemos a história como parte de nossa cultura ocidental —
não como uma arma política para fanáticos de minorias, nem como um grito de
guerra para políticos ambiciosos, fabricantes de armas e belicistas, nem como
algo confinado a uma “torre de marfim” (um compartimento segregado e desconectado
de conhecimento arcano). Nós estamos aqui para garantir que aqueles que desejam
usar a história para servir aos seus próprios fins egoístas sejam confrontados
e refutados por pesquisas acadêmicas; pois nós acreditamos que os melhores,
mais úteis e mais duradouros mitos históricos baseiam-se em fatos, não em
mentiras.
Como
revisionistas, nós compreendemos claramente a importância fundamental do nosso
trabalho. As mentiras do passado estão transformando rapidamente o nosso mundo
em uma selva, justamente quando nossos cientistas e técnicos estão abrindo um
universo de possibilidades infinitamente expandido. O golfo entre o nosso sistema
político estabelecido corrupto e em putrefação e a nossa ciência física já se
mede em anos-luz, e a velocidade com que se afastam um do outro só aumenta. Mas
é justamente isso que nos dá a promessa e a certeza de que o futuro nos reserva
uma vitória incondicional; pois, na guerra entre um sistema social corrupto e
agonizante e a tecnologia, a tecnologia deve inevitavelmente vencer. O declínio
de sistemas sociais doentes e retardados é a própria matéria da história — algo
que já ocorreu mil vezes —, ao passo que o ímpeto do progresso tecnológico é
agora tão poderoso e irresistível que nada pode contê-lo.
Nesse
sentido, nós, revisionistas, estamos fazendo muito mais do que simplesmente “estabelecer
corretamente o passado”, como dizem; nós estamos fazendo mais do que servir de
contraponto à mídia, mais do que defender fisicamente a Primeira Emenda com
nossos próprios corpos, mais do que educar os educadores e até mais do que
simplesmente dizer a verdade. Nós estamos literalmente construindo de fato as
fundações para o futuro — um futuro o qual será baseado em mitos construtivos,
e não destrutivos; em um corpo de moralidade e moras sociais, baseados no que é
bom para os povos do Ocidente, em vez daquilo que favorece grupos de pressão de
minorias, banqueiros, ideologias distorcidas ou interesses alienígenas.
Os
usos da história são muitos e variados. Nossa tarefa, tal como eu a compreendo,
é supervisioná-la de modo que ela seja utilizada de responsável e construtivamente.
Tradução
e palavras entre chaves por Mykel Alexander
Fonte: On the Uses of
History, por Willis A. Carto, The Journal
of Historical Review, vol. 3, nº1, pp. 27-30.
https://vho.org/GB/Journals/JHR/3/1/Carto27-30.html
Sobre o autor: Willis
A. Carto (1926-2015) desde jovem se interessou por política, e Robert R. McCormick
do Chicago Tribune, foi uma
importante influência. Ainda na juventude publicou em sua editora caseira o
jornal Canteen Chronicle. Servindo
nas forças armadas americanas W. A. Carto combateu nas Filipinas, o que lhe
rendeu as condecorações militares Purple Heart e Combat Infantry Badge. Ele
frequentou a graduação em Direito por cinco semestres, mas não concluiu a
graduação. A partir da década de 1950 foi um ativista nacionalista, um defensor
da Primeira Emenda, sendo uma liderança na National Youth Alliance, National
Alliance. Ele ainda contribuiu na fundação Populist Party. Também dirigiu
vários periódicos, incluindo Right, Liberty Letter, The American Mercury, The
Spotlight e American Free Press,
entre outros. A partir da década de 1960 W. A. Carter passou a admirar o
trabalho de Francis Parker Yockey e divulgar a obra deste através da fundação
de sua editora, a Noontide Press. A partir de então W. A Carto entrou em atrito
com o judaísmo internacional, particularmente com a Anti-Defamation League. Em 1979 ele fundou o Institute for Historical
Review. Em um 1994, após dissenções de anos com membros do Institute for
Historical Review, ele funda a The Barnes
Review.
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