sábado, 22 de agosto de 2026

Sobre os Usos da História - por Willis A. Carto

 

Willis A. Carto


(Apresentado na Conferência Revisionista de 1981)

Eu suponho que alguém pode tornar-se bastante pessimista e desanimado diante da maneira como a verdade objetiva é distorcida e escondida para propósitos de interesses políticos e econômicos; mas há uma lição profunda a ser aprendida com esse fato. Não há razão para desânimo se aprendermos, com a musa da História, como ela tem sido perseguida e maltratada durante sua vida eterna.

A distorção da história, quando tomada em seu contexto histórico, certamente não é um fenômeno novo nem recente; é tão antiga quanto a própria linguagem. Como Spengler, Yockey e muitos outros deixam bem claro, não existe — e nunca existiu — uma fronteira definida entre a história como fato e a história como mito. Na verdade, na maioria dos casos, é praticamente impossível determinar onde uma termina e a outra começa.

Hoje, é fácil para nós acreditar, como americanos do século XX, que as ilhas do Japão não foram realmente formadas por gotas caídas da espada do deus do sol; mas observemos o seguinte: é muito mais provável que rejeitemos essa crença não por ela ser inerentemente absurda, mas sim por ser japonesa — e nós não o sermos.

Em outras palavras, é a nossa cultura que condiciona nossas mentes a aceitar ou rejeitar fatos como história ou como mito — e não, em grande parte, os fatos objetivos em si mesmos, e se você tiver alguma dificuldade com esse conceito, pense na descoberta das placas de ouro por Joseph Smith, no milagre de Fátima ou até mesmo no nascimento virginal de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo. Como cristãos, nós temos nossa própria parcela de fatos históricos que estão sujeitos a dúvidas por parte de outros.

Na luz das necessidades da cultura, nós podemos ver claramente que a história como mito não é, necessariamente, algo ruim em si. O propósito histórico da cultura é proporcionar unidade a um povo, pois a unidade traz estabilidade, ordem e, talvez, progresso. É essencial que um povo concorde quanto a uma interpretação do passado — uma interpretação que, obviamente, deve retratá-lo como admirável, e não desprezível; superior, e não inferior; nobre e corajoso, e não ignóbil e covarde. A história deve ser um espelho de si mesmo; quando não o é, significa que foi distorcida. Assim, da dupla necessidade de possuir uma história e de torná-la uma boa história, os mitos nascem. É um processo tão antigo quanto a própria linguagem.

Então nós podemos ver que a distorção histórica nasce das necessidades da própria cultura. Talvez nós possamos relevar o mito japonês sobre a origem do Japão como uma história inofensiva que — juntamente com toda uma gama de outros mitos — serviu de base para o desenvolvimento do povo japonês e para o florescimento de uma das culturas mais magníficas do mundo. Para o melhor ou para o pior, os mitos históricos japoneses ajudaram a criar o Japão, assim como os mitos cristãos e judaicos ajudaram a criar a Europa e a América que nós conhecemos. O ponto é que nós devemos julgar o mito histórico julgando seus produtos históricos, e não pelo seu conteúdo de fatos objetivos. O qual é outra maneira de dizer que as mentiras históricas são a norma.

Agora que nós temos feito essa observação, por favor note que nós não temos dito, e nós nem dizemos que mentiras, por elas mesmas, são tudo o que se encontra na história. O que nós encontramos é uma mistura de mentira e fato. Por exemplo, nós sabemos o fato objetivo de que Abraham Lincoln está morto. Analisando mais de perto, nós temos motivos para acreditar que ele foi baleado à queima-roupa no Teatro Ford, na noite de 14 de abril de 1865, por John Wilkes Booth. Isso é o que nós sabemos. Nós achamos.

É o que nós não sabemos que preocupa os estudiosos revisionistas. A interpretação ortodoxa desse evento é que Booth era um sulista obstinado que vingou a derrota da Confederação. Talvez seja verdade, mas há um século existem especulações sobre quem mais poderia estar envolvido e — o mais importante de tudo — qual teria sido o verdadeiro motivo, se é que houve outro motivo além do ódio simples e direto de Booth.

Para o propósito da democracia, é bom que Booth continue sendo visto como um “assassino solitário” — e você já ouviu essa frase antes. Assim, uma interpretação mais incisiva do ato não desperta muito interesse no sistema político estabelecido, exceto por permitir especulações ociosas de que Booth não foi morto por seus perseguidores, mas viveu o resto da vida roubando trens sob o pseudônimo de Jesse James.

Ora, não é realmente significativo para o nosso destino se Jesse James era ou não John Wilkes Booth. Tais curiosidades rendem bons livros, filmes e histórias, pois servem mais para entreter do que para instruir. A questão adentra no mítico — e por um lado inofensivo, vale ressaltar, visto que mitos podem ser prejudiciais, inofensivos ou até mesmo benéficos. A dúvida sobre a verdadeira identidade de Booth é aquele tipo de questão enganosa que serve para entreter produtores de Hollywood, cartunistas e historiadores do sistema político estabelecido, mas que carece totalmente de relevância quando nós consideramos os motivos de maior peso que podem ter figurado o evento.

Tem sido sussurrado por muitos anos que o assassinato de Lincoln resultou lucros bilionários para banqueiros determinados a impedir que a emissão de Greenbacks — papel-moeda emitido pelo governo ao custo de nenhum juros para os contribuintes, em vez de cédulas emitidas por bancos privados mediante cobrança de juros — se tornasse uma prática nacional; tal prática teria custado aos banqueiros não apenas lucros monetários, mas também o controle sobre a política econômica e governamental. E eu digo “sussurros” porque a quantidade de livros que levantam questões como essas — em comparação com o volume de livros os quais falham em tais questões, devido ao preconceito do sistema político estabelecido — é infinitesimal.

{O presidente dos EUA Abraham Lincoln (1809-1865) é um exemplo de assassinato em que os contexto mais profundo é evitado de ser abordado, inclusive nas produções de Hollywood, precisamente no que concerne o plano de A. Lincoln de papel moeda sem juros (denominados de Greenbacks), o que desafiava o sistema financeiro internacional, proeminentemente liderado e composto pelo judaísmo internacional, na época, pelas casas bancárias Rothschild, Sassoon, Warburg entre outras tantas, sediadas principalmente em Londres. Trata-se de que tanto Hollywood como o sistema financeiro internacional, ambos controlados pelo judaísmo internacional, não querem que as pessoas compreendam o papel deletério para os povos que tem o sistema financeiro baseado em juros.}

Aqui agora está o ponto central de tudo isso. Uma interpretação da história que atribui o devido e omitido peso ao papel oculto dos banqueiros nos assuntos públicos é totalmente incompatível com o nosso atual sistema, dito “democrático” — o qual, em sua essência, é simplesmente o domínio de um consenso formado por grupos de pressão minoritários e de interesses específicos, e certamente não um governo do povo, pelo povo e para o povo; e os banqueiros desempenham um papel central nessa coalizão. Assim, o mito do “assassino solitário” encaixa-se na democracia, enquanto o mito da “conspiração” ou dos “banqueiros” encaixa-se no populismo; contudo, talvez nunca saibamos qual interpretação representa a verdade objetiva, ou se existe alguma outra interpretação que o seja. Por exemplo, aos olhos dos republicanos abolicionistas — ou “liberais” —, Lincoln era um obstáculo à Reconstrução. Para os comunistas, o assassinato de Lincoln foi, talvez, obra de industriais do Norte que o viam como um entrave aos seus planos de reduzir os salários dos trabalhadores. As formas de se utilizar a história são infinitas.

O mito mais difundido e prejudicial da atualidade é, naturalmente, o do chamado “Holocausto” e todas as fábulas a ele associadas. Graças às pesquisas de um pequeno grupo de homens extremamente corajosos — que literalmente arriscaram suas carreiras e vidas para documentar a verdade —, nossa compreensão não apenas da Segunda Guerra Mundial, de suas causas, eventos e desfecho, tem sido aprimorada, mas algo mais: nossa Weltanschauung {visão de mundo} atual difere drasticamente da visão daqueles que não são tão esclarecidos quanto nós. O mito do Holocausto tem beneficiado seus propagadores como poucas mentiras na história têm feito. Nós, contribuintes das nações ocidentais, enviamos quantias incalculáveis ​​de bilhões para Israel por causa desse mito. Os criadores do mito lucraram, ao contrário daqueles que têm sido e estão sendo vitimados por ele. Além do ônus financeiro, um problema ainda mais grave é o perigo constante de uma guerra nuclear, visto que estamos militarmente envolvidos no Oriente Médio apenas para proteger Israel. Talvez este exemplo nos permita ver como as mentiras provocam guerras, pois a culpa por um conflito nuclear no Oriente Médio recairá exclusivamente sobre aqueles que, neste momento, lucram com a mentira do “Holocausto.”

Como o Institute for Historical Review se encaixa nesse cenário? Nosso lugar é certo. Há um vácuo na historiografia que precisa ser preenchido, e é isso que nós estamos fazendo. Nós vemos a história como parte de nossa cultura ocidental — não como uma arma política para fanáticos de minorias, nem como um grito de guerra para políticos ambiciosos, fabricantes de armas e belicistas, nem como algo confinado a uma “torre de marfim” (um compartimento segregado e desconectado de conhecimento arcano). Nós estamos aqui para garantir que aqueles que desejam usar a história para servir aos seus próprios fins egoístas sejam confrontados e refutados por pesquisas acadêmicas; pois nós acreditamos que os melhores, mais úteis e mais duradouros mitos históricos baseiam-se em fatos, não em mentiras.

Como revisionistas, nós compreendemos claramente a importância fundamental do nosso trabalho. As mentiras do passado estão transformando rapidamente o nosso mundo em uma selva, justamente quando nossos cientistas e técnicos estão abrindo um universo de possibilidades infinitamente expandido. O golfo entre o nosso sistema político estabelecido corrupto e em putrefação e a nossa ciência física já se mede em anos-luz, e a velocidade com que se afastam um do outro só aumenta. Mas é justamente isso que nos dá a promessa e a certeza de que o futuro nos reserva uma vitória incondicional; pois, na guerra entre um sistema social corrupto e agonizante e a tecnologia, a tecnologia deve inevitavelmente vencer. O declínio de sistemas sociais doentes e retardados é a própria matéria da história — algo que já ocorreu mil vezes —, ao passo que o ímpeto do progresso tecnológico é agora tão poderoso e irresistível que nada pode contê-lo.

Nesse sentido, nós, revisionistas, estamos fazendo muito mais do que simplesmente “estabelecer corretamente o passado”, como dizem; nós estamos fazendo mais do que servir de contraponto à mídia, mais do que defender fisicamente a Primeira Emenda com nossos próprios corpos, mais do que educar os educadores e até mais do que simplesmente dizer a verdade. Nós estamos literalmente construindo de fato as fundações para o futuro — um futuro o qual será baseado em mitos construtivos, e não destrutivos; em um corpo de moralidade e moras sociais, baseados no que é bom para os povos do Ocidente, em vez daquilo que favorece grupos de pressão de minorias, banqueiros, ideologias distorcidas ou interesses alienígenas.

Os usos da história são muitos e variados. Nossa tarefa, tal como eu a compreendo, é supervisioná-la de modo que ela seja utilizada de responsável e construtivamente.

Tradução e palavras entre chaves por Mykel Alexander

 

Fonte: On the Uses of History, por Willis A. Carto, The Journal of Historical Review, vol. 3, nº1, pp. 27-30.

https://vho.org/GB/Journals/JHR/3/1/Carto27-30.html

Sobre o autor: Willis A. Carto (1926-2015) desde jovem se interessou por política, e Robert R. McCormick do Chicago Tribune, foi uma importante influência. Ainda na juventude publicou em sua editora caseira o jornal Canteen Chronicle. Servindo nas forças armadas americanas W. A. Carto combateu nas Filipinas, o que lhe rendeu as condecorações militares Purple Heart e Combat Infantry Badge. Ele frequentou a graduação em Direito por cinco semestres, mas não concluiu a graduação. A partir da década de 1950 foi um ativista nacionalista, um defensor da Primeira Emenda, sendo uma liderança na National Youth Alliance, National Alliance. Ele ainda contribuiu na fundação Populist Party. Também dirigiu vários periódicos, incluindo Right, Liberty Letter, The American Mercury, The Spotlight e American Free Press, entre outros. A partir da década de 1960 W. A. Carter passou a admirar o trabalho de Francis Parker Yockey e divulgar a obra deste através da fundação de sua editora, a Noontide Press. A partir de então W. A Carto entrou em atrito com o judaísmo internacional, particularmente com a Anti-Defamation League.  Em 1979 ele fundou o Institute for Historical Review. Em um 1994, após dissenções de anos com membros do Institute for Historical Review, ele funda a The Barnes Review.

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