Alex Kurtagić |
Em
um livro que ele escreveu cerca de vinte anos atrás, Jonathan Bowden {falecido político
inglês nacionalista de tendência pagã} disse que o significado se origina na
diferença, ou desigualdade. Isso me interessa porque, antes de descobrir o
texto, fiz um argumento muito semelhante em um ensaio publicado cerca de um ano
atrás, no qual ataquei a ideia - quase universalmente aceita no Ocidente - de
que a igualdade é um bem moral.
Meu
argumento era que a natureza do valor é tanto qualitativa (subjetiva) quanto
quantitativa (objetiva). O valor qualitativo existe quando algo é especial,
quando é diferente de outros exemplos do mesmo, porque possui qualidades
especiais ou únicas. O valor quantitativo existe quando alguma coisa é
superior, quando ela é diferente de outros exemplos do mesmo, porque é mensuravelmente
melhor ou de uma maior qualidade.
Naturalmente,
o valor qualitativo algumas vezes pode ser subsumido no quantitativo, pois
alguma coisa pode ser superior porque ela é especial, da mesma maneira que o
valor quantitativo pode às vezes ser subsumido no valor qualitativo, pois
alguma coisa pode ser especial porque é superior.
Isso
sem dizer que os valores qualitativo e quantitativo não são necessariamente
intercambiáveis, mas são, no entanto, ambas as formas de valor porque são
formas de diferença e, em ambos casos, estamos falando de alguma forma de qualidade surgindo da desigualdade.
O
significado é, naturalmente, uma forma de valor - especificamente, de valor
qualitativo. Pois quando algo tem significado para nós, ele também é valioso – ele
pode não ser mensuravelmente superior a outros exemplos do mesmo, e o valor
pode não ser quantificável, mas ele existe subjetivamente, não obstante.
Segue
a partir disto que um processo de equalização envolve sempre e necessariamente
uma destruição de valor.
Não
há conservação de valor através da transferência, porque a igualdade necessita
a eliminação da diferença e a qualidade é criada na ou através da diferença, ou
desigualdade.
Por
sua vez, segue-se disso que se a vida boa é uma vida significativa, então uma vida
boa tem valor, e uma má não.
Podemos
concluir, então, que viver em igualdade é uma vida sem significado e, portanto,
uma vida sem valor para a pessoa que a vive.
Presumivelmente,
uma vida que é intercambiável com qualquer outra vida não tem valor se o custo
de substituí-la for zero. Esse nunca é o caso, portanto toda a vida tem algum
valor, por mais intercambiável que seja. Mas pode facilmente ser visto como a intercambialidade,
que depende da equivalência (isto é, igualdade), proporcionalmente reduz o valor.
Isso
pode ser o porquê a vida era tão barata sob o comunismo soviético, um sistema predicado na igualdade maximizada. As taxas de suicídio eram altas, uma vez que uma vida
sob o sistema soviético era menos valiosa para a pessoa que a vivia e o
assassinato em massa também era alto, já que a vida de outras pessoas
geralmente era menos valiosa para aqueles no comando.
Também
pode ser por isso que os humanos buscam agregar valor às suas vidas por meio de
várias estratégias de diferenciação individual ou grupal, ou desigualdade,
porque também há valor em pertencer a um grupo que é considerado superior ou
especial em alguma maneira.
Nunca
pode haver igualdade perfeita; portanto, sempre é possível encontrar maneiras
de dar sentido à vida (embora se o nível de significado é considerado
suficiente por um determinado indivíduo seja outra questão). Por outro lado, é
difícil imaginar desejar viver muito tempo em um sistema em que qualquer tipo
de diferenciação era absolutamente impossível, pois uma vida significativa
seria impossível e, assim, encontrar coisas na vida com significado. De fato, somente
um autômato seria capaz de viver dessa maneira, então nós podemos legitimamente
descrever tal existência como desumana, e um sistema perfeitamente igualitário
também como desumano.
Existe
alguma justificativa para considerar a igualdade como um bem moral absoluto -
como um bem que é digno de perseguir em todos os casos por seu próprio bem?
Parece
que não, desde que a igualdade destrói tudo o que faz a vida valer ser vivida.
Pode-se
argumentar que as políticas de igualdade trouxeram benefícios para muitos,
tornando as sociedades ocidentais muito atraentes para as pessoas que vivem ou
procuram viver nelas. No entanto, a busca de políticas de igualdade é uma das
características que diferenciam as sociedades ocidentais das contrapartes não
ocidentais; portanto, o valor das primeiras reside na desigualdade respectiva
às sociedades não ocidentais. Além disso, aqueles que adotam políticas de
igualdade no Ocidente o fazem por razões de desigualdade: sentir-se moralmente
superior, ser visto moralmente superior ou, o que é o mesmo que o último,
eliminar barreiras para um aumento contínuo do poder econômico. Portanto, não é
geralmente procurada a igualdade, mas alguma forma de superioridade, seja ela moral ou econômica.
Pior
ainda, pode-se argumentar que uma das características que os povos não
ocidentais consideram menos atraente sobre o Ocidente na modernidade liberal é
o niilismo e o materialismo superficial, ambos produtos da igualdade. A ideia
por trás do liberalismo era ‘libertar’ o indivíduo, que deveria ser a medida de
todas as coisas. Entre outros poderes externos, o indivíduo foi libertado do
transcendente, o que implica hierarquia, e sem o qual o mundo se torna
inteiramente material, e o material aumenta a fonte óbvia de melhoria na vida.
O projeto liberal tem também procurado libertar o indivíduo das identidades
coletivas de facto, baseados em fatores
fora de seu poder de controle, como raça ou gênero. No marxismo, uma ideologia
mais radicalmente igualitária, a absorção de críticas feitas ao liberalismo
resultou em uma versão mais igualitária deste último, em que se procurou também
eliminar a classe. Esse processo de ‘libertação’ tem ignorado o fato de que as
pessoas encontram significado dentro, ou contra, as categorias que procuravam desvalorizar ou eliminar. O resultado é uma perda de respeito por tudo. E é
digno de notar, neste contexto, como os imigrantes de primeira geração
geralmente temem que seus filhos percam o respeito - por eles, por si mesmos ou
por sua cultura (entendida racialmente) - através da ocidentalização, que hoje
significa liberalização.
Em
análise final, a igualdade é um anátema para a vida boa e só pode ser
considerada um mal.
Portanto,
atacar a igualdade - em todas as suas formas - é moralmente justo, e qualquer
pessoa que procure criar um futuro mais significativo deve fazê-lo de forma
aberta, orgulhosa, com vigor e com raiva.
Tradução
e palavras entre chaves por Mykel Alexander
Fonte: Equality: The Way to a Meaningless Life, por Alex
Kurtagić, 21 de fevereiro de 2013, Counter-Currents
Publishing - Books Against Time
Sobre o autor: Alex
Kurtagić (1970 – ) nasceu na Croácia filho de pais eslovenos. Devido a
profissão do pai, viajou e viveu em vários países. Tem fluência em inglês e
espanhol, e pratica o francês e alemão. Após completar os estudos nos EUA
graduou-se na Universidade de Londres (M.A. entre 2004 – 2005) em Estudos
Culturais. Também é músico, desenhista, pintor, escritor e editor (Wermod and
Wermod Publishing Group). Seus artigos são publicados nas revistas virtuais The Occidental Quarterly, Vdare, Counter Currents, Taki Mag,
e American Renaissance.
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