segunda-feira, 2 de março de 2026

Quando a Diplomacia se Torna Teologia {na verdade fanatismo religioso}: Israel e o Caso Mike Huckabee. A Erosão da Ordem Jurídica - por Laala Bechetoula

 

Laala Bechetoula

Há deslizes diplomáticos.

E há momentos que revelam uma deriva estrutural dentro da própria máquina do poder.

Quando o embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee, afirmou em fevereiro de 2026 que seria “aceitável” se Israel tomasse “toda” a terra descrita na promessa bíblica a Abraão, a observação deixou de ser um comentário isolado. Tornou-se um sinal. Expôs o que acontece quando o maximalismo teológico começa a substituir a disciplina institucional na linguagem da diplomacia oficial.

A questão não é a fé.

A questão é o mandato.

A questão é a lei.

Quando essas linhas se dissolvem, a diplomacia perde a coerência — e com ela, a credibilidade.

 

A Declaração: O Que Foi Dito

Durante uma entrevista divulgada em fevereiro de 2026, Huckabee foi questionado se Israel possuía um direito bíblico sobre as terras que se estendiam do Nilo ao Eufrates. Após breve hesitação, ele respondeu que “não haveria problema” se Israel “tomasse tudo,” antes de acrescentar que tal expansão não estava em discussão.

A reação foi imediata. Governos árabes emitiram protestos formais. Organizações regionais descreveram as declarações como desestabilizadoras. Diplomatas de todo o Oriente Médio interpretaram a declaração não como especulação teológica, mas como um sinal geopolítico.

{O político e embaixador dos EUA em Israel, Mike Huckabee (1955-) leva para a política internacional fanatismo judaico-cristão-sionista ao apelar para um desenho geopolítico baseado na Bíblia. É preciso registrar que no auge do poder europeu no século XIX o judaísmo internacional através de sua liderança maldisse as posições católicas baseadas no fanatismo religioso, mas agora que o fanatismo religioso predominante é o sionista e que o direito internacional impede a pretensão bíblica sionista, os sionistas querem abandonar o direito e pedir fanatismo na política. Não é algo novo essa contradição, faz parte da narrativa da tradição judaica, através da escritura, colocar uma lei para os judeus e uma lei para os outros povos. Ver especialmente: O peso da tradição: por que o judaísmo não é como outras religiões - por Mark Weber.}

A mídia ocidental noticiou o episódio com uma clareza incomum. A Associated Press observou que os comentários “provocaram indignação entre os governos árabes e levantaram questões sobre a neutralidade diplomática dos EUA.” O Financial Times descreveu a declaração como um “desvio extraordinário da linguagem política americana estabelecida,” enquanto o The Guardian citou diplomatas que consideraram as declarações juridicamente insustentáveis ​​e politicamente desestabilizadoras. (AP News; Financial Times; The Guardian, fevereiro de 2026)

O que se seguiu foi igualmente significativo. 

Não houve correção pública imediata por parte do Departamento de Estado dos EUA, nenhum esclarecimento por parte da Casa Branca e nenhum esforço visível para distanciar a política oficial das declarações do embaixador. Em diplomacia, o silêncio não é neutro. Ele funciona como um sinal direto por si só.

Quando um embaixador expressa publicamente uma ambição territorial expansionista fundamentada em uma narrativa sagrada, a ausência de um esclarecimento institucional imediato é interpretada no exterior não como descuido, mas como tolerância. Em regiões já atentas às mudanças na postura americana, esse silêncio adquire um significado estratégico. Sugere aquiescência ou incoerência interna — ambas com consequências para a credibilidade.

Um esclarecimento posterior do próprio embaixador enfatizou que Israel não buscava expansão territorial. Mas, a essa altura, a mensagem mais importante já havia circulado. Em diplomacia internacional, a primeira declaração estabelece o contexto; o silêncio institucional determina se esse contexto se consolida na percepção.

 

Convicção Pessoal e Mandato Institucional

A questão analítica central não é retórica.

Foi este um momento de entusiasmo pessoal — ou evidência de desvio institucional?

Embaixadores não possuem um registro privado. Quando o representante credenciado dos Estados Unidos fala publicamente, suas palavras carregam autoridade institucional, independentemente do formato. Não há um parêntese rotulado como “crença pessoal” que proteja as declarações diplomáticas de seu efeito geopolítico.

O problema não é que Huckabee tenha fortes convicções religiosas sobre Israel. A tradição americana permite convicções religiosas na vida pública. O problema é que ele expressou, em sua capacidade oficial, uma visão territorial que contradiz tanto o direito internacional de longa data quanto a estrutura política que seu cargo é obrigado a representar.

Quando o presidente Donald Trump declarou publicamente, em 2025, que não permitiria a anexação da Cisjordânia, essa posição fazia parte do mandato diplomático. Um embaixador que publicamente defende o direito bíblico a um território que se estende pelo Oriente Médio não está atuando dentro da margem de manobra política. Ele está ultrapassando-a.

 

A Arquitetura Jurídica

A proibição da aquisição de território pela força é o fundamento da ordem internacional pós-1945. Ela está codificada no Artigo 2(4) da Carta das Nações Unidas, a qual proíbe ameaças à integridade territorial ou à independência política de qualquer Estado.

Este princípio foi reafirmado repetidamente em relação a Israel e aos territórios conquistados em 1967:

A Resolução 242 do Conselho de Segurança da ONU afirma a “inadmissibilidade da aquisição de território por meio da guerra”.

A Resolução 497 declara a anexação das Colinas de Golã por Israel “nula e sem efeito”.

A Resolução 2334 afirma que os assentamentos israelenses em território ocupado “não têm validade jurídica”.

A Corte Internacional de Justiça, em seu parecer consultivo de 2004, confirmou que a Cisjordânia e Jerusalém Oriental permanecem território ocupado sob o direito internacional.

Estes não são textos simbólicos. Eles constituem a arquitetura jurídica do sistema internacional contemporâneo.

Sugerir — mesmo que hipoteticamente — que seria aceitável para um Estado soberano absorver vastos territórios com base em narrativas sagradas é legitimar retoricamente um cenário que violaria a proibição central que esses instrumentos visam fazer cumprir.

Um diplomata pode ter convicções religiosas.

Ele não pode colocá-las acima do direito internacional vinculativo ao falar em nome do Estado.

 

As Escrituras e seus Limites

Textos sagrados têm moldado civilizações. Ao longo da história, eles também foram usados ​​para justificar a expansão e a conquista. A ordem internacional moderna surgiu, em parte, para impedir que reivindicações teológicas determinassem fronteiras.

A Bíblia Hebraica referencia a uma aliança divina que promete terras desde o rio do Egito até o Eufrates (Gênesis 15:18). Contudo, a mesma tradição profética condiciona a posse à justiça e à responsabilidade moral. A terra, nesse contexto, é pactuada e condicional.

O Alcorão, da mesma forma, afirma a soberania divina sobre a terra e enfatiza a mordomia em vez do direito permanente: “A Deus pertence o domínio dos céus e da terra” (Alcorão 3:189).

Nenhum dos textos funciona como um registro de terras moderno. Quando um diplomata de uma república constitucional laica invoca uma narrativa sagrada como direito geopolítico, a questão não é a crença religiosa, mas sim a coerência institucional.

 

Lições Históricas

A prática diplomática reconhece há muito tempo que embaixadores que se manifestam além de suas atribuições causam danos institucionais. Quando declarações públicas contradizem a política oficial, elas exigem correção. Quando a correção não ocorre, o silêncio é interpretado como endosso.

O princípio é simples: embaixadores representam a política, não ideologias pessoais. A representação deve estar alinhada com o mandato.

 

Consequências Estratégicas

O Oriente Médio está passando por um realinhamento estrutural. As potências regionais estão diversificando suas alianças. A China avança por meio da diplomacia econômica. A Rússia mantém parcerias de segurança em múltiplos cenários. Os Estados do Golfo adotam estratégias de proteção através de diferentes blocos geopolíticos.

Nesse ambiente, a credibilidade americana depende fortemente da percepção de consistência no respeito ao direito internacional. Quando um enviado de alto escalão parece validar uma ampla pretensão territorial, os atores regionais interpretam o sinal como evidência de que o compromisso de Washington com as normas jurídicas é condicional.

A mediação torna-se difícil quando a neutralidade é questionada.

Os aliados recalibram suas estratégias quando a consistência se deteriora.

Os adversários exploram as contradições.

Por décadas, a diplomacia americana tem equilibrado o apoio à segurança de Israel com o endosso formal de acordos negociados no estabelecimento de arcabouços. Declarações como a de Huckabee desestabilizam esse equilíbrio, substituindo a ambiguidade estratégica pelo absolutismo ideológico.

 

A Ilusão da Força

A retórica maximalista é frequentemente confundida com força. Historicamente, ela produz o efeito oposto. Estados que fundem certeza teológica com ambição geopolítica restringem seu espaço diplomático e transformam disputas políticas em conflitos existenciais.

A liderança fundadora de Israel compreendeu que a legitimidade internacional e a sobrevivência estavam interligadas. O reconhecimento precedeu a consolidação. Substituir a diplomacia pragmática pelo maximalismo sagrado não é fortalecimento. É risco.

 

Realidade Multipolar

O sistema internacional não é mais unipolar. As potências emergentes observam atentamente a adesão do Ocidente às normas jurídicas. Quando os Estados Unidos demonstram seletividade na aplicação de princípios territoriais, isso acelera o realinhamento geopolítico.

Credibilidade é capital estratégico. Uma vez perdida, não pode ser facilmente restaurada.

Este episódio não é meramente controvérsia retórica.

Trata-se de uma quebra estrutural da disciplina diplomática.

 

Acerto de Contas Estratégico

A questão em jogo não é teologia. É integridade institucional.

Um embaixador representa a ordem constitucional de seu Estado. Essa ordem se baseia na lei, não na revelação; na soberania negociada, não em direitos sagrados. No momento em que a diplomacia oficial começa a ecoar o absolutismo civilizacional, ela deixa de funcionar como mediação e se torna alinhamento.

Os Estados podem sobreviver à controvérsia.

Eles não sobrevivem à erosão sustentada de sua credibilidade.

Se a linguagem da geografia divina substituir a linguagem do direito internacional na representação oficial, as consequências não permanecerão retóricas. Elas remodelarão alianças, enfraquecerão a mediação e acelerarão a fragmentação geopolítica.

Este episódio não deve ser descartado como uma observação isolada.

Ele deve ser compreendido como um alerta.

Porque quando a lei cede à crença na condução da diplomacia, o próprio poder começa a perder sua âncora.

E em um mundo que já caminha para a tensão multipolar, a falta de âncora não é força. É vulnerabilidade.

Tradução e palavras entre chaves por Mykel Alexander

 

Fonte: When Diplomacy Becomes Theology: Israel and The Mike Huckabee Affair. The Erosion of Legal Order, por Laala Bechetoula, 28 de fevereiro de 2026, Global Research.

https://www.google.com/search?q=Laala+Bechetoula&sourceid=chrome&ie=UTF-8

Laala Bechetoula é um jornalista e escritor argelino, analista de política argelina especializado em geopolítica do Oriente Médio, política externa ocidental e a questão palestina. É autor de The Book of Gaza Hashem: A Testament Written in Olive Wood and Ash.

 ___________________________________________________________________________________

Relacionado, leia também:

O Evangelho de Gaza - O que devemos aprender com as lições bíblicas de Netanyahu - por Laurent Guyénot

A Psicopatia Bíblica de Israel - por Laurent Guyénot

Israel como Um Homem: Uma Teoria do Poder Judaico - parte 1 - por Laurent Guyénot (Demais partes na sequência do próprio artigo)

O peso da tradição: por que o judaísmo não é como outras religiões - por Mark Weber

Sionismo, Cripto-Judaísmo e a farsa bíblica - parte 1 - por Laurent Guyénot (as demais partes na sequência do próprio artigo)

O truque do diabo: desmascarando o Deus de Israel - Por Laurent Guyénot - parte 1 (Parte 2 na sequência do próprio artigo)

Libertando a América de Israel - por Paul Findley

Deus, os judeus e nós – Um Contrato Civilizacional Enganoso - por Laurent Guyénot

Desde há dois anos {da incursão do Hamas sobre Israel em 07 de outubro} - por Israel Shamir

{Israel, lobby sionista, fanatismo cristão e censura no meio acadêmico} - O fim da liberdade acadêmica - por Christopher Hedges e Maura Finkelstein

{Israel, lobby sionista e fanatismo} Abolição da Primeira Emenda - por Christopher Hedges

O ódio ao Irã inventado pelo Ocidente serve ao sonho sionista de uma Grande Israel dominando o Oriente Médio - por Stuart Littlewood

A interferência global dos EUA está tornando o país cada vez mais detestado entre as nações - por aiatolá Seyyed Ali Khamenei

Petróleo ou 'o Lobby' {judaico-sionista} um debate sobre a Guerra do Iraque

Iraque: Uma guerra para Israel - Por Mark Weber

O afrouxamento do controle – Uma oportunidade histórica para resolver a questão palestina após o colapso do sionismo na batalha de narrativas - conclusões autorizadas pela publicidade da liderança iraniana Ali Khamenei.

O Grande Israel e o Messias Conquistador - por Alexander Dugin

“Grande Israel”: O Plano Sionista para o Oriente Médio O infame "Plano Oded Yinon". - Por Israel Shahak - parte 1 - apresentação por Michel Chossudovsky (demais partes na sequência do próprio artigo)

Raízes do Conflito Mundial Atual – Estratégias sionistas e a duplicidade Ocidental durante a Primeira Guerra Mundial – por Kerry Bolton

Conversa direta sobre o sionismo - o que o nacionalismo judaico significa - Por Mark Weber

Judeus: Uma comunidade religiosa, um povo ou uma raça? por Mark Weber

Controvérsia de Sião - por Knud Bjeld Eriksen

Sionismo e judeus americanos - por Alfred M. Lilienthal

Um olhar direto sobre o lobby judaico - por Mark Weber

Antissemitismo: Por que ele existe? E por que ele persiste? - Por Mark Weber

Por trás da Declaração de Balfour A penhora britânica da Grande Guerra ao Lord Rothschild - parte 1 - Por Robert John {as demais 5 partes seguem na sequência}

A cultura do engano de Israel - por Christopher Hedges

A Crítica de Acusação de Antissemitismo: A legitimidade moral e política de criticar a Judiaria - por Paul Grubach

Táticas do Lobby Judaico na Supressão da Liberdade de Expressão - por Tony Martin

Argumentos contra O PROJETO DE LEI nº 192 de 2022 (PL 192/2022) que propõe criminalizar o questionamento do alegado HOLOCAUSTO, o que, por consequência, inclui criminalizar também quaisquer exames críticos científicos refutando a existência do alegado HOLOCAUSTO – por Mykel Alexander

Liberdade para a narrativa da História - por Antonio Caleari

A mentira a serviço de “um bem maior” - Por Antônio Caleari

Relacionado, leia também sobre a questão judaica, sionismo e seus interesses globais ver, incluindo a Palestina:

Quem são os Palestinos? - por Sami Hadawi

Palestina: Liberdade e Justiça - por Samuel Edward Konkin III

Memorando para o presidente {Ronald Reagan, tratando da questão Palestina-Israel} - quem são os palestinos? - por Issah Nakheleh

Congresso Mundial Judaico: Bilionários, Oligarcas, e influenciadores - Por Alison Weir

Historiadores israelenses expõem o mito do nascimento de Israel - por Rachelle Marshall

Resenha de: A Legacy of Hate: Anti-Semitism in America {Um legado de ódio: antissemitismo na América}, de Ernest Volkman - por Louis Andrew Rollins

Resenha de The Fateful Triangle: The United States, Israel & The Palestinians {O Triângulo Fatídico: Os Estados Unidos, Israel e os Palestinos} de Noam Chomsky por Louis Andrew Rollins

Resenha de THE DECADENCE OF JUDAISM IN OUR TIME {A DECADÊNCIA DO JUDAÍSMO EM NOSSO TEMPO}, de Moshe Menuhin, por David McCalden (escrito sob o pseudônimo Lewis Brandon)

Resenha de GENOCIDE IN THE HOLY LAND {GENOCÍDIO NA TERRA SANTA}, Rabbi Moshe Schonfeld, Neturei Karta dos EUA - por Bezalel Chaim

Genocídio em Gaza - por John J. Mearsheimer

{Retrospectiva 2023 - Genocídio em Gaza} - Morte e destruição em Gaza - por John J. Mearsheimer

O Legado violento do sionismo - por Donald Neff

{Retrospectiva 1946 – terrorismo judaico-sionista} - O Ataque ao Hotel Rei David em Jerusalém - por W. R. Silberstein

Crimes de Guerra e Atrocidades-embustes no Conflito Israel/Gaza - por Ron Keeva Unz

A cultura do engano de Israel - por Christopher Hedges

Será que Israel acabou de experimentar uma “falha de inteligência” ao estilo do 11 de Setembro? Provavelmente não. Aqui está o porquê - por Kevin Barrett

Residentes da faixa de Gaza fogem do maior campo de concentração do mundo - A não-violência não funcionou, então eles tiveram que atirar para escapar - por Kevin Barrett

Por Favor, Alguma Conversa Direta do Movimento pela Paz - Grupos sionistas condenam “extremistas” a menos que sejam judeus - por Philip Giraldi

A Supressão do Cristianismo em Seu Berço - Israel não é amigo de Jesus - por Philip Giraldi

Estranhezas da Religião Judaica - Os elementos surpreendentes do judaísmo talmúdico - parte 1 - Por Ron Keeva Unz

Ex-rabino-chefe de Israel diz que todos nós, não judeus, somos burros, criados para servir judeus - como a aprovação dele prova o supremacismo judaico - por David Duke

Grande rabino diz que não-judeus são burros {de carga}, criados para servir judeus - por Khalid Amayreh

{Massacres sobre os alauítas após a queda da Síria de Bashar Hafez al-Assad} - por Raphael Machado

Mudança de Regime na Síria: mais um passo em direção ao “Grande Israel” - por Alan Ned Sabrosky

Guerra de agressão não declarada dos EUA-OTAN-Israel contra a Síria: “Terrorismo da al-Qaeda” para dar um golpe de Estado contra um governo secular eleito - por Michael Chossudovsky

Por que querem destruir a Síria? - por Dr. Ghassan Nseir

Sionismo e o Terceiro Reich - por Mark Weber

O Mito do extermínio dos judeus – Parte 1.1 {nenhum documento sequer visando o alegado extermínio dos judeus foi jamais encontrado} - por Carlo Mattogno

O que é ‘Negação do Holocausto’? - Por Barbara Kulaszka