domingo, 2 de dezembro de 2018

Raízes do Conflito Mundial Atual – Estratégias sionistas e a duplicidade Ocidental durante a Primeira Guerra Mundial – por Kerry Bolton


Kerry Bolton


           Este artigo contém o que o presente assim chamou “conflito de civilizações”, ou “guerra contra o terrorismo”, e o conflito árabe-israelense tem suas origens nas maquinações secretas da {Primeira} Grande Guerra que traiu os árabes, prolongou a guerra, e estabeleceu um organismo pestilento no centro do mundo islâmico que irá aparentemente para sempre ser uma causa de conflito.

Após o prévio século de conflito entre os poderes imperiais europeus e uma agitada Arábia, a Primeira Guerra Mundial foi uma oportunidade para forjar uma talvez permanente relação cordial entre o Ocidente e os árabes. Potências imperiais ocidentais deram aos líderes árabes promessas de independência para juntar a guerra deles contra os otomanos.

Em outubro 1916 T. E. Lawrence, um agente da inteligência britânica e um dos poucos que tinha um grande conhecimento da região, viajou com o diplomata britânico Sir Ronald Storrs em uma missão para a Arábia Saudita, onde em junho 1916 Husayn ibn 'Alī, amīr de Meca, tinha proclamado uma revolta contra os turcos. Storrs e Lawrence falaram com dois dos filhos do amīr Abdullah, e Feisal, o último, então liderou uma revolta no sudoeste de Medina. No Cairo, Lawrence instou o financiamento e equipamento para esses xeiques, dispostos à revolta contra os turcos, com a promessa de independência. Ele foi enviado para o exército de Feisal como conselheiro e oficial intermediário.

No entanto, os sionistas e o Gabinete de Guerra britânico tinham alcançado um acordo de bastidores. A guerra estava indo mal para os aliados, e a única esperança era persuadir os EUA a entrar. Por outro lado, os sionistas, que tinham colocado suas esperanças no kaiser e no sultão otomano para assegurar a Palestina, tinham sido rejeitados. O sultão Abdul Hamid tinha respondido ao líder sionista Theodor Herzl que um Estado judeu na Palestina não era agradável, enquanto o seu povo havia “lutado e a fertilizada com seu sangue ... deixem os judeus possuindo seus milhões.[1]” Os líderes sionistas se aproximaram do Kaiser, que estava então tentando se alinhar com a Turquia, os sionistas alegaram que o Estado judaico na Palestina iria se tornar um posto avançado da cultura alemã[2]. O Kaiser não aquiesceu, e nem o Czar também o fez[3]. A resposta inicial dos britânicos para Herzl, através do Secretário de Colônias Joseph Chamberlain, era apoiar um Estado judaico no Quênia[4].

Thomas Edward Lawrence
(Lawrence da Arábia)
Crédito da foto Lowell Thomas
 (http://www.cliohistory.org/thomas-lawrence/show/)
[Public domain], via Wikimedia Commons
Apesar da oposição de Jamal Pasha, comandante turco da Palestina, os sionistas continuaram a lembrar os alemães e os turcos dos benefícios de um estado sionista na Palestina que poderia servir como um “contrapeso” às exigências árabes por autonomia[5]. Outros sionistas acreditavam que a Grã-Bretanha era a melhor opção para assegurar a Palestina, Vladimir Jabotinsky, fundador do movimento Sionista Revisionista, formara três batalhões judaicos que serviram com o Royal Fusiliers na Palestina em 1918[6]. Isso, no entanto, não diminui o apoio árabe para o esforço de guerra aliado, nem as promessas que foram feitas pelos aliados aos árabes. Como se verá, o desdenho sionista dos sacrifícios árabes na guerra, sob a liderança de T.E. Lawrence, foi uma das sujeiras originais contra os povos árabes.

Lord Kitchener, agente britânico no Egito e mais tarde secretário de Estado da Guerra, percebeu o potencial para o apoio árabe contra os turcos. Em 31 de outubro de 1914, Kitchener enviou uma mensagem para Hussein, Sharif de Meca e custodiante dos Lugares Santos, prometendo o apoio britânico para a independência árabe em troca de apoio ao esforço de guerra dos Aliados. O Sharif foi cauteloso, conforme ele não desejou substituir o domínio turco, o qual permitiu em certa medida um autogoverno do tipo colonialismo ocidental. Neste momento, o sultão otomano tinha declarado uma jihad contra os Aliados para mobilizar o apoio árabe para a guerra, e enquanto o Sharif fingiu apoio, ele procurou as opiniões de líderes nacionalistas árabes. Em 23 de maio de 1915, os líderes árabes que formularam o Protocolo de Damasco, pediram a independência para todas as terras árabes além de Áden {uma cidade no Iêmen, 170 quilômetros a leste do estreito de Bab-el-Mandeb} e a eliminação de privilégios de estrangeiros, mas com uma orientação pró-britânica em termos de comércio e defesa.  Uma correspondência entre o Sharif Hussein e Sir Henry McMahon, comissário britânico no Cairo, durante 1915 e início de 1916, culminou na garantia McMahon de apoio britânico para a independência dentro dos limites acordados, desde que os interesses franceses não fossem debilitados[7].

Com ambos os lados satisfeitos quanto às garantias, as quais incluíram uma Palestina soberana, a revolta árabe estourou no Hejaz {uma região no oeste da Arábia Saudita que é banhada pelo mar Vermelho} em 05 de junho de 1916. Com ajuda árabe, os britânicos foram capazes de repelir a tentativa alemã de tomar Áden e bloquear o Mar Vermelho e o Oceano Índico. Isso foi decisivo[8]. Os árabes também desviaram as significativas forças turcas que haviam sido destinados a um ataque sobre o general Murray em seu avanço sobre a Palestina. O general Allenby se referiu à ajuda árabe como “inestimável”. Árabes sofreram muito com a vingança turca. Dezenas de milhares de árabes morreram de fome na Palestina e no Líbano, porque os turcos reteram os alimentos. Jamal Pasha, líder das forças turcas, registrou que ele teve que usar forças turcas contra Ibn Saud na Península Arábica quando essas tropas deveriam estar “derrotando as forças britânicas no Canal de Suez e recuperar Cairo”[9].

Lawrence em Sete Pilares da Sabedoria relacionou a importância da contribuição árabe para o esforço de guerra aliado, afirmando que “sem a ajuda árabe a Inglaterra não poderia pagar o preço de vencer seu setor turco. Quando Damasco caiu, a guerra do leste – provavelmente toda a guerra – dirigiu-se para um fim.[10]” Lawrence afirmou sobre a revolta árabe que “foi uma guerra árabe travada e liderada por árabes para um objetivo árabe da Arábia”[11]. A luta árabe tinha pouco de britânica, ou qualquer outra assistência externa. Lawrence relata em Sete Pilares com amargura e vergonha, sobre a traição dos árabes por líderes de seu país depois da guerra:
Pelo meu trabalho na frente árabe eu havia determinado a não aceitar nada. O Gabinete insurgiu os árabes a lutar por nós, por promessas definidas de autogoverno. Os árabes acreditam em pessoas, e não em instituições. Eles viram em mim um agente livre do governo britânico, e exigiram de mim um endosso de suas promessas escritas. Então eu tive que me juntar a conspiração, e, para o que a minha palavra valia, assegurei aos homens da recompensa deles. Em nossos dois anos de parceria sob fogo eles cresceram acostumados a acreditar em mim e achar meu governo, como eu mesmo, sinceros. Nesta esperança eles realizaram algumas coisas boas, mas, claro, em vez de estar orgulhoso do que fizemos juntos, eu estava amargamente envergonhado.
Era evidente desde o início que, se nós vencêssemos a guerra essas promessas seriam papeis mortos, e tivesse eu sido um conselheiro honesto dos árabes eu lhes teria aconselhado a ir para casa e não arriscar suas vidas lutando por tais coisas: mas eu salvei a mim mesmo com a esperança de que, ao liderar esses árabes loucamente na vitória final eu iria estabelecer eles, com as armas em suas mãos, e em uma posição tão assegurada (se não dominante), quando conveniente, eu iria aconselhar para as grandes potências um acordo justo das reivindicações deles. Em outras palavras, eu presumi (vendo nenhum outro líder com a vontade e poder) que eu iria sobreviver as campanhas, e ser capaz de derrotar não apenas os turcos no campo de batalha, mas o meu próprio país e seus aliados na câmara do conselho...[12]
A demissão de Sir Henry McMahon, comissário britânico no Cairo, cujas comunicações repousavam as garantias britânicas acabou definindo o cenário para a Revolta Árabe, confirmou a opinião de Lawrence em “não sinceridade essencial” da Grã-Bretanha de suas promessas aos árabes. Essa perfídia marcou Lawrence profundamente para o resto de sua vida.


O Acordo Sykes-Picot e a traição dos árabes

           No Acordo Sykes – Picot de 1916 entre Grã-Bretanha e França, “partes” da Palestina estariam sob a administração internacional sobre um acordo entre os Aliados e com os árabes representados pelo Sharif de Meca[13]. Este acordo anglo-francês já tinha as sementes da duplicidade conforme ele deu aos dois poderes controle sobre Iraque, Síria, Líbano, e Transjordânia, renegando o compromisso que tinha já sido dado pelos britânicos ao Sharif Hussein, e sem seu conhecimento. Lorde Curzon destacou que as linhas limites estabelecidas pelo Acordo Sykes-Picot indicaram “grosseira ignorância” e ele assumiu que nunca foi acreditado que o acordo iria ser implementado. O Primeiro Ministo Lloyde George considerou o Acordo Sykes-Picot tolo e desonroso, mas, no entanto, ele foi implementado depois da vitória aliada[14].

            Os bolcheviques na recém-formada União Soviética, ávidos para apresentarem-se eles mesmos como líderes de uma revolta mundial contra o colonialismo europeu, liberaram os detalhes do Acordo Sykes-Picot, e os turcos olharam a questão dos árabes em fevereiro de 1918, afirmando que eles estavam agora dispostos a reconhecerem a independência árabe. Hussein procurou esclarecimento da Grã-Bretanha, e Lorde Balfour respondeu que: “O Governo de Sua Majestade confirma as prévias promessas a respeito do reconhecimento da independência dos países árabes.[15]” Em 1918 os líderes árabes no Cairo procuraram esclarecimento da Grã-Bretanha e a britânica “Declaração dos Sete” em 16 de junho confirmou a anterior solene promessa que tinha sido feita para Hussein[16].


A Declaração de Balfour

Sir Mark Sykes, o indivíduo responsável pelo Acordo Sykes-Picot, aproximou-se do Gabinete de Guerra britânico com a sugestão de que se a Palestina fosse oferecida como uma pátria judaica, então a simpatia judaica poderia ser mobilizada para a causa aliada, e os EUA poderiam ser induzidos a se juntar ao conflito. O líder da Suprema Corte de Justiça Americana Louis Brandeis usou sua influência para induzir o presidente Woodrow Wilson a adotar uma política intervencionista[17]. Em troca do apoio sionista, os britânicos renegaram as suas promessas aos árabes e secretamente prometeram apoiar uma pátria judaica na Palestina, uma garantia que se tornou conhecida como a Declaração de Balfour. Este esquema prolongou a guerra, a qual poderia ter sido resolvida de uma forma mais equitativa para a Alemanha e Austro-Hungria e, portanto, certamente teria mudado todo o curso da história.

Sir Mark Sykes, militar e político inglês
foi um dos agentes da traição inglesa ao
acordo entre árabes e ingleses.
Foto da revista Time.
Samuel Landman, um líder sionista na Grã-Bretanha, relatou que várias tentativas foram feitas para trazer os EUA para a guerra mundial, apelando para “a opinião judaica influente”, mas estas tinham falhado.  James A. Malcolm, assessor do governo britânico em assuntos orientais, que sabia que o presidente Wilson estava sob a influência do chefe de justiça Brandeis, convenceu Sykes, e, em seguida, Picot e Goût da embaixada francesa em Londres, que a única maneira de obter os EUA para a guerra era assegurar o apoio da judiaria americana, com a promessa de apoio dos Aliados para um Estado judeu na Palestina[18]. Landman afirma que depois de alcançar um “acordo de cavalheiros” com os líderes sionistas, instalações de comunicação à cabo foram dadas a estes líderes sionistas através do Ministério da Guerra, do Ministério das Relações Exteriores e das legações e embaixadas britânicas, para comunicar o acordo aos sionistas em todo o mundo. Landman comenta que “a mudança de opinião publica e oficial” refletida na imprensa americana a favor da adesão dos Aliados na guerra, foi “tão gratificante quanto surpreendentemente rápida.[19]” Assim, o poder real dos sionistas, mesmo neste estágio, sobre a imprensa e política era evidente, como foi observado por Landman. Da subsequente declaração Balfour Landman afirma:
A principal consideração dada pelo povo judeu, representado na época pelos líderes da Organização Sionista foi sua ajuda em trazer o Presidente Wilson para o auxílio dos aliados... A prioridade do Tratado Sykes-Picot de 1916, era que o Norte da Palestina era para ser politicamente desatado e incluído na Síria (esfera francesa) de modo que o Lar Nacional Judaico devesse compreender toda a Palestina de acordo com a promessa anteriormente feita para eles por seus serviços através dos governos britânico, Aliado e Americano e de dar pleno efeito para a Declaração de Balfour, os termos dos quais tinham sido estabelecidos e conhecidos por todos os aliados e associados beligerantes, incluindo os árabes, antes de serem feitos públicos[20].
A alegação de Landman e outros sionistas de que essas relações entre sionistas e aliados para entregar a Palestina para os sionistas era conhecida dos árabes é um absurdo, mas tem permanecido uma base de propaganda pró-Israel. Mesmo a Declaração de Balfour se refere somente ao apoio britânico para um Estado judeu na Palestina, tão quanto conforme isto não intrometesse nos direitos dos palestinos. Conforme mostrado acima, os líderes árabes não iriam consentir uma pátria judaica na Palestina, até mesmo para a extensão limitada enganosamente afirmada pelo acordo de Balfour. Landman refere-se a promessas da “inteira Palestina” sendo feitas para os sionistas. A Declaração inequivocamente afirma não mais e nem menos que:
O governo de sua Majestade vê favoravelmente o estabelecimento na Palestina de um lar nacional para o povo judeu, e irá usar seus melhores esforços para facilitar a realização desse objetivo, sendo claramente entendido que nada será feito a qual possa prejudicar os direitos civis e religiosos das comunidades não-judaicas na Palestina, ou os direitos e estatuto político usufruídos pelos judeus em qualquer outro país[21].
O comandante britânico na Palestina, D. G. Hogarth, foi instruído para assegurar a Hussein que qualquer assentamento de judeus na Palestina não seria permitido a agir em detrimento dos palestinos. Hussein, por sua parte estava disposto a permitir os judeus estabelecerem-se Palestina e permitir-lhes acesso aos lugares sagrados, mas não aceitaria um Estado judeu. Hogarth relatou que as promessas feitas para ambos árabes e judeus não eram simultaneamente conciliáveis[22].

Disponibilizado na wikipédia

Estas maquinações foram confirmadas por Lloyd George à Comissão real Palestina em 1937, cujo relatório afirma que George disse à Comissão que se os Aliados apoiassem uma pátria judaica na Palestina os líderes sionistas tinham prometido “reunir o sentimento e apoio judaico ao redor de todo o mundo para a causa aliada. Eles mantiveram a palavra deles.[23]

Mesmo depois de os bolcheviques revelarem estes acordos secretos, os árabes continuaram a lutar, devido a garantias aliadas que nem Sykes-Picot, nem a Declaração de Balfour “prejudicaria as promessas que tinham sido feitas a eles”. Entre as numerosas reiterações de apoio dos Aliados para a causa árabe, a Declaração anglo-francesa de 09 de novembro de 1918 afirmou claramente que a França e a Grã-Bretanha iriam apoiar o estabelecimento de “governos e administrações indígenas na Síria (a qual incluiu a Palestina) e na Mesopotâmia (Iraque)[24]”. Com tais garantias a luta árabe contra os turcos era de crucial importância para os Aliados.


James A. Malcolm

O livro de memórias de James A. Malcolm, assessor do governo britânico em assuntos do Oriente, na Declaração de Balfour, confirma todas as alegações de Landman[25]. Malcolm afirma que seu pai era de origem armênia, e a família tendo se estabelecido séculos anteriormente na Pérsia, onde eram estreitamente íntimos ao Sassoons, a dinastia {judaica} de comércio de ópio, que se tornou um poder na política britânica. A família de Malcolm também serviu como intermediária entre a comunidade judaica local e outro luminar judaico, Sir Moses Montefiore, na Inglaterra. Quando Malcolm chegou a Londres em 1881 para a sua educação, ele foi colocado sob a guarda de Sir Albert Sassoon, e entrou em contato com os sionistas em um estágio inicial. Malcolm agiu oficialmente para os interesses armênios na Terra Santa fazendo intermédio com os Governos britânico e francês, e estava em contato 'frequente' com o Gabinete Oficial britânico, Ministério Exterior e o Ministério da Guerra, embaixadas francesa e outras embaixadas aliadas em Londres, e se reuniu com autoridades francesas em Paris[26]. Estas responsabilidades trouxeram Malcolm 'em estreita relação com Sir Mark Sykes, subsecretário do Gabinete de Guerra para o Oriente Próximo, e com M. Gout, seu equivalente no Quai d'Orsay {é uma designação que muitos franceses associam ao Ministério das Relações Exteriores}, e M. Georges Picot, conselheiro na embaixada francesa de Londres’[27].

O anglo-armênio James Aratoon Malcolm, o primeiro a direita, influente 
 agente da poderosa família judaica Sassoon, equivalente no Oriente
 aos Rothschild no Ocidente, foi decisivo para fazer as articulações judaicas
que favoreceram o sionismo em detrimento dos acordos entre palestinos e 
europeus durante a Primeira Guerra Mundial.
É aqui que Malcolm introduz um dos primeiros insultos sionistas contra os árabes em justificar sua proposição para Sir Mark Sykes que os EUA poderiam ser trazidos para a guerra, se os britânicos prometessem a Palestina para os judeus como um lar nacional. Os esforços para garantir apoio judeu nos EUA tinham falhado ate agora por causa da "tendência muito pró-alemã entre os ricos banqueiros americanos judeus e casas de notas promissórias, quase todos de origem alemã, e entre os jornalistas judeus que pegaram as dicas deles"[28]. Foi então que o inteiro imbróglio do Oriente Médio para o presente foi urdido por Malcolm com Sykes e demais envolvidos. Malcolm escreve:
 Eu informei a ele [Sykes] que havia uma maneira de fazer a judiaria americana completamente pró-aliado, e fazê-los conscientes de que só uma vitória dos Aliados poderia ser um benefício permanente para os judeus de todo o mundo. Eu disse para ele, “você está indo no caminho errado sobre isso. Os bem-sucedidos judeus ingleses que você encontra e o clero judaico não são os verdadeiros líderes do povo judeu. Você tem esquecido o que a chamada da nacionalidade significa. Você conhece o movimento Sionista?” Sir Mark admitiu ignorância deste movimento e eu lhe disse algo sobre isso e conclui dizendo: “Você pode ganhar a simpatia dos judeus em toda parte, em uma maneira somente, e esta maneira é oferecer tentar e assegurar a Palestina para eles[29]”.
Em uma longa nota Malcolm deprecia a revolta árabe e sua contribuição para os aliados, que contradiz os relatos por Lawrence em Seven Pillars, e as avaliações dos líderes militares britânicos naquele teatro de guerra. Malcolm escreve:
No início da guerra os árabes e seus amigos britânicos representaram que eles estavam numa posição para render uma assistência muito grande no Oriente Médio. Foi na força dessas representações e pretensões que a promessa contida na carta MacMahon ao Rei Hussein foi feita. Subsequentemente foi achado que os árabes foram incapazes de “entregar a mercadoria” e a então-chamada “Revolta no deserto’ foi nada senão uma miragem. O esforço deles, no seu máximo, nunca ultrapassou setecentos homens de tribo, mas frequentemente menos de 300, que se engajaram sobre o deserto algumas centenas de milhas atrás da linha de combate reportando por dever feito em “pagamento por diária” de trabalho. Por isso, eles receberam uma remuneração de £200.000 por mês em ouro real, a qual foi entregue a eles no Aqaba {é uma porção do mar Vermelho}. Esta soma representava uma remuneração para todos os membros da tribo de mais do que o salário de um marechal de campo britânico. O próprio Lawrence não fez segredo de seu profundo desapontamento com o fracasso árabe para levar a frente o seus combates. Que Hussein e Feyzal não estavam em condições de dar qualquer ajuda efetiva foi feito depois abundantemente claro pelo fato de que Ibn Saud {líder saudita de então} foi facilmente capaz de conduzir Hussein para fora de seu reino[30].
 Basil Liddell Hart
Foto wikipédia
Deve ser notado que Malcolm afirma que Lawrence estava “profundamente desapontado” com os árabes. Conforme Seven Pillars, e a amargura ao longo da vida de Lawrence na traição dos árabes, Malcolm esta escrevendo desinformação sobre os árabes que tem desde então se tornado rebites servidos pelos sionistas e seus apologistas gentis. 

O aclamado historiador militar britânico capitão Basil Liddell Hart[31], comentarista chefe militar com as forças aliadas durante a Primeira Guerra Mundial, reitera a efetividade da Revolta Árabe e sua contribuição para o esforço de guerra aliado:
Nas semanas cruciais, enquanto o ataque de Allenby estava sendo preparado e durante a sua investida, aproximadamente metade das forças turcas ao sul de Damasco estavam distraídas pelas forças árabes... O que ausência destas forças significava para o sucesso do ataque de Allemby é fácil ver. Nem terminou a operação árabe quando ele tinha aberto o caminho. Nessa questão, foram os árabes que destruíram fora quase totalmente o Quarto exército, as ainda intactas forças que podiam ter barrado o caminho para a vitória final. O desgaste, a tensão corporal e mental em homens e material aplicado pelos árabes, preparou o caminho que produziu derrota deles (dos turcos)[32].
Clubb e Evans, no livro deles sobre Lawrence na Conferência de Paz de Paris resumem a importância da revolta árabe: “Graças a Lawrence e os árabes, os britânicos não só bem sucedidamente invadiram a Palestina no Outono de 1917, mas continuaram ao norte em Jerusalém, atingindo a cidade em 11 de dezembro. De lá eles avançaram para Damasco, em setembro de 1918, bem no coração da Síria[33]”.

O pequeno exército Feisal adotou métodos de guerrilha que puxaram abaixo o exército turco, acertando em pontes e trens. Em 6 de julho de 1917, depois de uma marcha de dois meses, as forças árabes capturaram Aqaba, na ponta norte do Mar Vermelho. Depois disso, Lawrence procurou coordenar as ações árabes com os avanços do General Allenby em direção a Jerusalém. Em novembro Lawrence foi capturado em Dar'a pelos turcos enquanto fazia o reconhecimento da área vestido como um beduíno. Reconhecido, ele foi brutalizado por seus captores antes de escapar. Em agosto Lawrence participou da parada da vitória através de Jerusalém, em seguida, retornou às forças de Feisal que pressionavam o norte. Nesse agora Lawrence tornou-se tenente-coronel e tinha sido condecorado com a Ordem de Serviços Distintos.

O exército árabe chegou a Damasco, em outubro de 1918. Lawrence tinha bem-sucedidamente estabelecido um governo em Damasco, o qual era para servir como o centro de um Estado árabe unificado sob o Rei Feisal. Tendo estabelecido a ordem na Síria Lawrence entregou a regência para Feisal. Contudo, o Acordo Sykes-Picot entre a França e a Grã-Bretanha tinha incumbido a Síria como parte do domínio francês. As forças francesas destituíram o governo que Lawrence tinha estabelecido para Feisal como o centro de um estado árabe unificado com muito derramamento de sangue. Eles deram a Feisal o Iraque. Uma nação árabe unida, graças a perfídia anglo-francesa e maquinações sionistas, não era para acontecer. A historia que conhecemos hoje foi moldada nas salas dos fundos por lobistas, políticos e diplomatas em desprezo pelos árabes.  

Lawrence voltou à Grã-Bretanha pouco antes do armistício. Em uma audiência real em 30 de outubro de 1918, ele educadamente recusou a Order of Bath {uma ordem cavalheiresca e ritualística} e a Ordem de Serviços Distintos que era para ser concedida a ele pelo rei, deixando George V, como o Rei, a declarar “{fiquei} segurando a caixa {de condecorações} na minha mão.” Lawrence foi desmobilizado como tenente-coronel em julho 1919.

A Comissão árabe para a Conferência de Paz de Versalhes e seus assessores. Emir Feisal no centro a frente, em cima da esquerda para a direita temos Mohammed Haidar Rustum Bey de Baalbek, brigadeiro-general Pasha Nuri Said, capitão Pisani, TE Lawrence e capitão Hassan Bey Kadri.  Pelo fotógrafo americano oficial [de domínio público], via Wikimedia Commons.
Naquele ano Lawrence, vestido com traje beduíno, participou da Conferência de Paz de Paris como delegado na comitiva do príncipe Feisal, com a aprovação do governo britânico. Ele fez lobby em vão pela independência árabe, e contra o mandato francês que foi imposto sobre a Síria e o Líbano. Clubb e Evans:
Nos primeiros dias da conferência, Lawrence e Feisal procuraram apresentar o caso deles para independência árabe em qualquer lugar a qualquer hora, para quem quisesse ouvir, com delegados e pessoas da imprensa, em quartos privados e salões de chá. Eles encontraram uma plateia favorável conforme as pessoas estavam curiosas em saber sobre o régio árabe e seu paladino inglês. Quando não estavam cortejando suas audiências, Feisal e Lawrence ocupavam-se preparando a declaração que iria ser proferida na conferência[34].
Contudo, os franceses tentavam desviar e frustrar Feisal em cada turno, e os britânicos insistiram que a Palestina não fazia parte de qualquer acordo que tinha sido feito com os árabes durante a guerra[35]. Enquanto os franceses foram insistentes na primazia do Acordo Sykes-Picot nas suas relações com os árabes, os britânicos haviam feito promessas conflitantes para interesses diferentes, incluindo declarações contraditórias sobre a situação da Palestina. O Escritório Anglo-Indiano (o qual nunca tinha estado em favor do apoio britânico para uma revolta árabe) considerou a presença de Lawrence em Paris como “maligna”, e que a sua opinião não estava de acordo com a política britânica. Lawrence foi mantido fora da delegação britânica que se encontrou novamente em Paris em 1919 para discutir a questão da Síria e França com Feisal. Quando Feisal retornou a Damasco ele declarou a Síria ser independente em 7 de março de 1920 e foi declarado rei da Síria, a qual incluía Palestina e o Líbano. As forças francesas atacaram e Feisal foi deposto em 24 de Julho de 1920, forçado ao exílio na Itália[36], mas foi empossado como Rei da Mesopotâmia em 1921 com o apoio da Grã-Bretanha[37].

Apoio árabe para a causa aliada durante a I Guerra Mundial, e as promessas que os britânicos fizeram para os árabes, têm sido todas esquecidas, pelo menos no Ocidente. Como a história recente indica, os árabes têm negociado de boa fé com o Ocidente e foram recebidos com duplicidade e traição. Agora, o Ocidente está colhendo o que seus políticos pérfidos tinham semeado um século atrás. Não havia nada de “inevitável” sobre este “choque de civilizações”. A boa vontade existiu durante a Primeira Guerra Mundial e foi destruída por causa do sionismo.  O sicofantismo frente a Israel tem assegurado desde então que aquele acordo entre árabes e Ocidente permaneça para sempre inatingível. 

Tradução e palavras entre chaves por Mykel Alexander

Notas


[1] Nota do autor: Alfred M. Lilienthal, The Zionist Connection What Price Peace? (New York: Dodd, Mead & Co., 1978), página 11.

[2] Nota do autor: Deve-se se lembrar da presente alegação sionista que Israel é o posto avançado da “democracia” e dos “valores ocidentais” na região.

[3] Nota do autor: Alfred M. Lilienthal, The Zionist Connection What Price Peace? (New York: Dodd, Mead & Co., 1978), página 11.

[4] Nota do autor: Alfred M. Lilienthal, The Zionist Connection What Price Peace? (New York: Dodd, Mead & Co., 1978), página 11.

[5] Nota do autor: Alfred M. Lilienthal, The Zionist Connection What Price Peace? (New York: Dodd, Mead & Co., 1978), página 13.

[6] Nota do autor: Alfred M. Lilienthal, The Zionist Connection What Price Peace? (New York: Dodd, Mead & Co., 1978), página 13.

[7] Nota do autor:  Sami Hadawi, Bitter Harvest: Palestine 1914-79 (New York: Caravan Books, 1979), página 11.

[8] Nota do autor: Alfred M. Lilienthal, The Zionist Connection What Price Peace? (New York: Dodd, Mead & Co., 1978), página 17.

[9] Nota do autor:  Citado por Alfred M. Lilienthal, The Zionist Connection What Price Peace? (New York: Dodd, Mead & Co., 1978), página 17.

[10] Nota do autor:  T. E. Lawrence, Seven Pillars of Wisdom (London: Black House Publishing, 2013), página 666.

[11] Nota do autor:  T. E. Lawrence, Seven Pillars of Wisdom (London: Black House Publishing, 2013), página 29.

[12] Nota do autor:  T. E. Lawrence, Seven Pillars of Wisdom (London: Black House Publishing, 2013), página 31 e 32.

[13] Nota do autor:  Sami Hadawi, Bitter Harvest: Palestine 1914-79 (New York: Caravan Books, 1979), página 12.

[14] Nota do autor:    Sami Hadawi, Bitter Harvest: Palestine 1914-79 (New York: Caravan Books, 1979), página 12 – 13.

[15] Nota do autor:  Alfred M. Lilienthal, The Zionist Connection What Price Peace? (New York: Dodd, Mead & Co., 1978), página 18.

[16] Nota do autor:  Alfred M. Lilienthal, The Zionist Connection What Price Peace? (New York: Dodd, Mead & Co., 1978), página 18.

[17] Nota do autor: Sami Hadawi, Bitter Harvest: Palestine 1914-79 (New York: Caravan Books, 1979), página 13.

[18] Nota do autor: Samuel Landman, Great Britain, the Jews and Palestine (London: New Zionist Press, 1936), páginas 2-3. Landman foi o secretário honorário do Joint Zionist Council of the United Kingdom, 1912; membro do editorial do The Zionist 1913-1914; procurador e secretário da Zionist Organisation 1917-1922; e conselheiro da New Zionist Organisation, ca. 1930s.

[19] Nota do autor: Samuel Landman, Great Britain, the Jews and Palestine (London: New Zionist Press, 1936), páginas 3 e 4.

[20] Nota do autor: Samuel Landman, Great Britain, the Jews and Palestine (London: New Zionist Press, 1936), página 4.

[21] Nota do autor: Lorde Balfour para Lorde Rothschild, em 2 de novembro de 1917.

[22] Nota do autor: Alfred M. Lilienthal, The Zionist Connection What Price Peace? (New York: Dodd, Mead & Co., 1978), páginas 18 e 19.

[23] Nota do autor: Palestine Royal Commission Report citada por Sami Hadawi, Bitter Harvest: Palestine 1914-79 (New York: Caravan Books, 1979), página 14.

[24] Nota do autor: Sami Hadawi, Bitter Harvest: Palestine 1914-79 (New York: Caravan Books, 1979), página 15.

[25] Nota do autor: James A. Malcolm, “Origins of the Balfour Declaration: Dr. Weizmann’s Contribution” (London, 1944). O documento inteiro pode ser lido online em: http://www.mailstar.net/malcolm.html

[26] Nota do autor: James A. Malcolm, “Origins of the Balfour Declaration: Dr. Weizmann’s Contribution” (London, 1944), página 2.

[27] Nota do autor: James A. Malcolm, “Origins of the Balfour Declaration: Dr. Weizmann’s Contribution” (London, 1944), página 2.

[28] Nota do autor: James A. Malcolm, “Origins of the Balfour Declaration: Dr. Weizmann’s Contribution” (London, 1944), página 2.

[29] Nota do autor: James A. Malcolm, “Origins of the Balfour Declaration: Dr. Weizmann’s Contribution” (London, 1944), página 2.

[30] Nota do autor: James A. Malcolm, “Origins of the Balfour Declaration: Dr. Weizmann’s Contribution” (London, 1944), nota na página 2.

[31] Nota do autor: Liddell Hart, Lawrence of Arabia (New York: Da Capo Press, 1989 [1935]).

[32] Nota do autor: Sami Hadawi, Bitter Harvest: Palestine 1914-79 (New York: Caravan Books, 1979), página 16.

[33] Nota do autor: Andrew Clubb and C. T. Evans, “T. E. Lawrence and the Arab Cause at the Paris Peace Conference.” Online em: http://www.ctevans.net/Versailles/Diplomats/Lawrence/Background.html

[34] Nota do autor: Andrew Clubb and C. T. Evans, “T. E. Lawrence and the Arab Cause at the Paris Peace Conference.” Online em: http://www.ctevans.net/Versailles/Diplomats/Lawrence/Background.html

[35] Nota do autor: Andrew Clubb and C. T. Evans, “T. E. Lawrence and the Arab Cause at the Paris Peace Conference.” Online em: http://www.ctevans.net/Versailles/Diplomats/Lawrence/Background.html
Subcapítulo “Politics gets in the way of a Settlement.”

[36] Nota do autor: Andrew Clubb and C. T. Evans, “T. E. Lawrence and the Arab Cause at the Paris Peace Conference.” Online em: http://www.ctevans.net/Versailles/Diplomats/Lawrence/Paper.html
Subcapítulo “A Death in the Family and a Parting of Ways,”

[37] Nota do autor: Andrew Clubb and C. T. Evans, “T. E. Lawrence and the Arab Cause at the Paris Peace Conference.” Online em: http://www.ctevans.net/Versailles/Diplomats/Lawrence/Postscript.html
Subcapítulo “Postscript”.




Sobre o autor: Kerry Raymond Bolton (nascido em 1956, em Wellington, Nova Zelândia) é formado em Psicologia, com pós-graduação em Sociologia, em Estudos Bíblicos e em Teologia Histórica. É colaborador do Foreign Policy Journal ( http://www.foreignpolicyjournal.com/ ), The Occidental Quarterly, Journal of Social, Political, and Economic Studies, entre outros.

Bolton é proprietário das editoras Renaissance Press e Spectrum Press. Entre seus principais livros estão: Revolution from Above (2011); Stalin: The Enduring Legacy (2012); Babel Inc. Multiculturalism, Globalisation, and the New World Order (2013); The Banking Swindle: Money Creation and the State (2013); Zionism, The Psychotic Left (2013) e  Islam and the West (2015).
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