sábado, 28 de março de 2026

A América já tem perdido a guerra com o Irã - por Greg Johnson

 

Greg Johnson


A América perdeu a Guerra do Irã no primeiro dia.

Pirro do Epiro foi um dos maiores generais do mundo antigo. Em 279 a.C., Pirro derrotou os romanos na Batalha de Ásculo, no sul da Itália. Mas a batalha foi tão custosa para Pirro que ele comentou que mais uma “vitória” como aquela o arruinaria. Essa é a origem do termo “vitória de Pirro”, que significa uma vitória que, na verdade, é uma derrota.

A lição aqui é que o verdadeiro vencedor não é aquele que prevalece no campo de batalha, mas sim aquele que ganha poder com a luta. Por esse critério, algumas batalhas não têm vencedores. Por esse padrão, os Estados Unidos perderam a Guerra do Irã no primeiro dia.

A maior parte do poder militar é blefe, ou seja, o poder de intimidar os outros para obter obediência sem desembainhar a espada.

Por mais de meio século, os Estados Unidos construíram um arquipélago de bases militares no Oriente Médio, oferecendo proteção às monarquias do Golfo. Em troca de quê? Os EUA não importam petróleo ou gás do Golfo, embora, como todos estamos aprendendo, as exportações do Golfo ainda afetem os preços nos Estados Unidos. O quid pro quo {contrapartida} para a proteção americana é o “petrodólar.”

Mesmo que os EUA não comprem petróleo no Golfo, as compras ainda são pagas em dólares americanos. Assim, importadores como o Japão precisam primeiro comprar dólares americanos, que os estados do Golfo usam para comprar títulos do Tesouro americano e outros ativos denominados em dólares, financiando efetivamente os empréstimos dos EUA a taxas de juros mais baixas.

O sistema do petrodólar permite que os EUA mantenham déficits orçamentários e comerciais enormes e criem crédito, garantindo uma demanda global constante por dólares. Sem o fluxo constante de petrodólares retornando aos EUA, o Tesouro teria que pagar taxas de juros mais altas para honrar a imensa dívida nacional americana. Basicamente, o sistema do petrodólar mantém o governo americano solvente.

Mas a proteção que os Estados Unidos ofereceram aos países do Golfo era pura farsa. E o Irã a tem chamado agora.

Nós tivemos amplos avisos de que uma guerra contra o Irã poderia ser desastrosa para o império americano e, em particular, para o petrodólar:

O Irã alertou os Estados Unidos de que um ataque israelense-americano desencadearia retaliação contra os países do Golfo.

O Irã também nos avisou que fecharia o Estreito de Ormuz, interrompendo as exportações de petróleo, gás e outros produtos do Golfo.

Nós sabíamos que o Irã estava comprometido com estratégias de guerra assimétrica para contrabalançar o poderio militar americano, muito maior e mais caro. Nós tivemos quatro anos para aprender sobre a guerra com drones na Ucrânia. No ano passado, vimos o Irã e seus aliados exaurirem as defesas israelenses com barragens de mísseis.

Aqueles avisos foram ignorados.

O Irã agora tem destruído bases militares e instalações de radar americanas nos países do Golfo. Os Estados Unidos também enviaram armamentos para interceptar mísseis e drones dos países do Golfo em direção a Israel, por causa que Israel Primeiro.

Além disso, o Irã tem provado aos países do Golfo que pode destruir completamente suas economias e — ao atacar suas usinas de dessalinização — torná-las inabitáveis. Em resumo, o Irã pode fazer os xeiques voltarem à era dos camelos — e os Estados Unidos não os protegerão.

Desde que a guerra começou, contudo, o Irã tem aumentado suas exportações de petróleo em mais de 25%, e o preço do petróleo mais que dobrou. Petroleiros carregados com petróleo iraniano transitam com segurança pelo Estreito de Ormuz. Em suma, os Estados Unidos deram bilhões ao Irã ao iniciarem esta guerra. Além disso, os EUA não podem se dar ao luxo de interromper as exportações iranianas, porque isso elevaria ainda mais os preços globais. De fato, os EUA suspenderam as sanções ao petróleo iraniano para reduzir os preços. Os EUA podem até estar comprando petróleo iraniano, ou seja, financiando mais drones e mísseis que têm matado soldados americanos.

Tem mais, o Irã está permitindo que outros petroleiros deixem o Golfo, desde que paguem um pedágio ao Irã e que suas cargas não sejam compradas em dólares. Assim que esta guerra terminar e suas próprias indústrias de exportação voltarem a funcionar, os estados do Golfo se perguntarão por que estão aceitando petrodólares novamente se não estão recebendo nada em troca. Mas sem o petrodólar, os Estados Unidos darão passos gigantescos rumo à insolvência total.

Então, vamos fazer um balanço. Mesmo que os Estados Unidos destruam completamente o Irã no campo de batalha e Trump declare vitória, os Estados Unidos estarão mais fortes e mais seguros?

A economia global está quebrada e afundada.

Haverá fome no Terceiro Mundo.

Mais migrantes e refugiados se dirigirão para a Europa.

A Pax Americana pode estar em ruínas. Eu detesto o império americano e, a longo prazo, ele precisa ser desmantelado. Mas, a curto prazo, nós começaremos a sentir sua falta quando conflitos começarem a surgir em lugares dos quais você nunca ouviu falar. Além disso, há outras coisas que eu quero fazer primeiro, e prefiro me desvincular do império de forma cuidadosa e deliberada, em vez de vê-lo simplesmente colapsar.

O petrodólar pode estar em ruínas. É um sistema fundamentalmente injusto que precisa ser substituído, mas, enquanto isso, haverá muito sofrimento. Novamente, os Estados Unidos têm problemas mais urgentes, e eu prefiro desmantelar o petrodólar de forma deliberada, em vez de vê-lo simplesmente colapsar.

O pior de tudo é que a esquerda quase certamente retornará ao poder nos Estados Unidos, o que significa que o que restou das conquistas positivas de Trump — fechamento de fronteiras, deportações, revogação de iniciativas anti-brancos — será revertido.

Então não, a América não ficará mais forte e segura por causa desta guerra. Nós perdemos. Nós perdemos no primeiro dia. Porque a única maneira de vencer esta guerra era não tê-la começado. Além disso, este resultado era totalmente previsível. Havia pessoas no Pentágono, até mesmo na Casa Branca, que sabiam disso. Então, por que a guerra aconteceu?

A resposta simples é que esta guerra nunca teve como objetivo beneficiar os Estados Unidos. Ela nunca teria acontecido se tivéssemos priorizado os interesses dos Estados Unidos. Tudo se resumia a beneficiar Israel, às custas dos Estados Unidos e do resto do mundo. Isso é tão óbvio que até o New York Times está noticiando.

De acordo com pesquisas da Liga Antidifamação, os judeus sabem que seu poder nos Estados Unidos está diminuindo. Seus apoiadores são, em sua maioria, da geração Baby Boomer, que está chegando aos 80 anos e começando a falecer. Assim, Netanyahu e sua equipe estavam com pressa de espremer uma última guerra dos Estados Unidos, antes de descartarem o que restava da casca seca.

Então, quem são os vencedores da Guerra do Irã?

Israel está sendo devastado pela retaliação iraniana, mas conta com a reconstrução de tudo às custas dos EUA, e também tem um limiar bastante baixo para vencer esta guerra. Para que os EUA se sentissem bem com esta guerra, precisariam ver o Irã transformado em uma democracia liberal. Israel simplesmente quer ver o Irã destruído, como aconteceu com o Iraque e a Síria. Isso é fácil de alcançar. Se Israel estiver apenas menos devastado que o Irã, será relativamente mais poderoso e seguro.

A Rússia está vencendo porque os preços do petróleo e do gás estão subindo, as sanções à exportação estão sendo suspensas e o material que poderia estar ajudando a Ucrânia está sendo desviado para a Guerra do Irã.

A China é a maior vencedora. Como a China é a principal rival global dos EUA, ela se torna mais forte e mais segura simplesmente por não fazer nada, enquanto os EUA desperdiçam sua riqueza e poder no Golfo. Quando tudo isso terminar, a China parecerá uma aliada e parceira comercial muito mais confiável.

Francamente, Trump parece ter enlouquecido. Ainda assim, ele tem bom senso suficiente para perceber a enrascada em que se meteu. Mas não vê nenhuma saída. Israel continuará a intensificar a guerra até que alguém em Washington tenha a coragem de dizer “não”, o que provavelmente exigirá a remoção de Netanyahu do poder.

Na ausência disso, Trump deve simplesmente esperar e rezar, daí suas mentiras frenéticas e improvisações.

{O presidente dos D. Trump se perde cada dia mais em mentiras e improvisações}

Com o que ele está contando? Ele não pode ir à bancarrota para sair desse problema.

Trump tem 79 anos. Como qualquer outro gastador de sua geração, ele provavelmente se consola com a ideia de que estará morto antes que os Estados Unidos enfrentem as consequências totais de sua insensatez.

Enquanto isso, ele está postando sobre negociações imaginárias para manipular os mercados de ações e commodities, enquanto seus amigos judeus lucram bilhões com a volatilidade.

Basicamente, ele se juntou à pilhagem.

Eu desisti de ter esperança de que nós sejamos governados por pessoas que se importam com o futuro da América. Mas se existe alguém na Casa Branca que ao menos se importa com o próprio futuro, Trump precisa ser destituído do poder.

E é melhor que isso aconteça logo. De preferência antes que Trump transforme as tropas terrestres americanas em bucha de canhão para drones iranianos. Como manter uma autoimagem positiva é o objetivo primordial de todo narcisista, Trump começará a culpar as pessoas ao seu redor conforme a situação piorar. Em um certo ponto, as coisas virão abaixo num “Trump ou nós.”

Tradução e palavras entre chaves por Mykel Alexander

 


Fonte: America Has Already Lost the Iran War, por Greg Johnson, 27 de março de 2027, Counter Currents.

https://counter-currents.com/2026/03/america-has-already-lost-the-iran-war/

Sobre o autor: Greg Johnson é americano, tem Ph.D. em Filosofia da Catholic University of America, e é editor do site Counter Currents Publishing.

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