| William B. Lindsey |
Da
cacofonia acusatória ouvida no Tribunal Britânico de Lüneburg, somente duas
testemunhas, após reflexão da acusação, foram escolhidas para depor no julgamento
do Dr. Tesch e de Herr Weinbarcher. A primeira delas foi o Dr. Charles
Sigismund Bendel. Em geral, ele corroborou as graves alegações feitas por
Broad, embora tendesse a divergir em pontos específicos. Declarando-se uma
autoridade em Birkenau, ele pareceu insinuar que, como médico, obteve suas informações
por ter feito parte do “Sonderkommando,” um grupo de 900 homens que alegadamente
operava os crematórios, ou por ter estado no comando desse grupo. A partir de
seu testemunho, parece que o termo alemão para essa unidade de comando pode ter
sido “Hilflinger,” ou “ajudantes.” Ele afirmou que, durante os quase doze meses
em que esteve em Birkenau, os alemães mataram um milhão de pessoas com Zyklon B
e que ele realizou autópsias em algumas dessas vítimas. Maio, junho e julho de
1944, asseverou ele, foram os meses de maior atividade assassina. No pico, em
junho, 25.000 pessoas foram mortas a cada dia. Entre maio e junho de 1944,
declarou ele, 400.000 foram mortas, e outras 80.000 entre 15 de julho e 1º de
setembro de 1944. O Dr. Bendel alegou ter testemunhado o próprio processo de
extermínio, que, segundo ele, foi realizado por voluntários da SS. Transportes
com 300 pessoas ou menos eram fuzilados; grupos maiores eram “gaseados” nos
crematórios ou no “Bunker”. Em contraste com Broad, o Dr. Bendel estimou a
capacidade das câmaras de gás dos crematórios I e II de Birkenau em 2.000 cada.
Os crematórios III e IV de Birkenau42
supostamente mantinham 1.000 cada, enquanto um “Bunker” — não o “crematório V”
de Broad — mantinha 1.000.
Bendel
testemunhou que ambas as câmaras subterrâneas dos crematórios I e II eram
usadas para gaseamento e afirmou que o gás era adicionado “pelo teto e descia
em linha reta até tocar o chão”. As 2.000 vítimas foram amontoadas nuas nessas
duas câmaras de 10 metros por 4 metros por 1,72 metros, tendo suas roupas sido
previamente retiradas para fumigação em Auschwitz-Zasole, em uma instalação conhecida
por ele. Após o assassinato, Bendel alegou que o cabelo das vítimas era cortado
e o ouro era retirado de suas próteses dentárias. Ele testemunhou que a
produção de ouro durante a existência do campo foi de 17 toneladas (17.000 kg)
provenientes de quatro milhões de vítimas.
Posteriormente,
o Dr. Bendel afirmou que, durante os dois anos inteiros de seu aprisionamento
pelos alemães, ele observou somente
uma43 fumigação de uma caserna com Zyklon B.
“Lisoform” (aparentemente um derivado de cresol semelhante ao “Lysol”) era o
material usado pelos alemães para desinfecção, disse ele. O Zyklon B era usado
exclusivamente para matar pessoas, e duas latas de 1 quilograma eram usadas em
cada uma das câmaras subterrâneas. Ele afirmou que uma lata de 1 quilograma de
Zyklon B era capaz de matar 500 pessoas,44
portanto, a uma taxa de 25.000 mortes por dia, cinquenta latas de 1 quilograma
do material eram requeridas por dia. Os corpos das vítimas eram jogados em
fossas de cremação onde, após uma hora, se transformavam em cinzas e
desapareciam.45 Por fim, o Dr. Bendel
testemunhou que o Zyklon B foi trazido para o campo em uma van da Cruz
Vermelha, mas não foi entregue pela própria Cruz Vermelha.
O
Dr. Bendel era um médico judeu-romeno que tinha sido preso em Paris em 4 de
novembro de 1943 e enviado para Drancy. Em 10 de dezembro de 1943, por não
possuir cidadania francesa e por suas atividades antigermânicas, foi deportado
para Auschwitz, no leste, por ser considerado um perigo para o esforço de
guerra alemão. Ele foi prisioneiro em Auschwitz-Zasole, Auschwitz-Buna
(Monowitz) e Auschwitz-Birkenau antes de ser evacuado para Mauthausen.
Permaneceu em Birkenau de 27 de fevereiro de 1943 a janeiro de 1944. Como
médico em Birkenau e membro — talvez até mesmo líder — do “Sonderkommando” ou “Hilflinger”
do crematório, ele mantinha uma posição invejada pelos outros prisioneiros,
pois tinha privilégios especiais (alojamento especial, alimentação especial,
etc.) e era sempre suspeito de colaborar com os alemães. Essa colaboração
parece de fato provável, pois ele admitiu em Lüneburg que ele tinha obtido sua
posição em Birkenau graças aos esforços do Dr. Mengele. É bem possível que, com
todas as doenças no campo e a eterna escassez de médicos — e considerando que
ele alegava ter realizado autópsias —, ele tenha sido um dos ajudantes ou “Hilflinger”
do Dr. Mengele.
O
fantástico depoimento de Bendel pode ser desafiado por muitas transgressões
factuais. Ele professava saber muito sobre a operação de matança, mas limita
seus detalhes ao funcionamento dos crematórios I e II de Birkenau e omite
completamente qualquer detalhe das operações nos crematórios III e IV46 e do sempre elusivo “Bunker”. Ele nem
mesmo permitiu a localização do “Bunker”. Suas alegações de que ambas as salas
subterrâneas em cada um dos crematórios I e II eram câmaras de gás contradizem
totalmente o processo descrito pelas autoridades do Museu de Auschwitz, que
afirmam que apenas uma sala, com uma pequena porta de entrada, servia a esse
propósito.47 É a versão do Museu de Auschwitz que é
corroborada pelas fotos da OSS/CIA divulgadas em 1979, que mostram “câmaras de
gás” individuais, cada uma com quatro “dutos de gás”, anexas aos crematórios I
e II.
Inconsistências
e impossibilidades, contudo, aparentemente não incomodaram o Dr. Bendel. Suas
declarações adicionais, sob interrogatório, de que 1.000 corpos nus poderiam
ser amontoados em cerca de 64 metros cúbicos “pela técnica alemã” e que “quatro
milhões de pessoas que foram gaseadas em Auschwitz são as testemunhas”,
intimidaram e amedrontaram completamente a defesa alemã. A defesa, precisamente
nesses pontos e em muitos outros, deveria ter desmantelado seu testemunho
imediatamente. Ao invés, em um ponto quando parecia que Bendel poderia ser recuado
para o canto pela defesa alemã anti-NSDAP e forçado a dar uma resposta
detalhada a uma pergunta sobre uma questão anterior, ele foi autorizado a fazer
outra acusação horrenda e, portanto,
evitou dar uma explicação detalhada de qualquer
acusação. Conforme foi, suas declarações foram uma série de bônus gratificantes
para o Tribunal Militar Britânico, com seu objetivo predeterminado, e a “chutzpah”
triunfou novamente!48
| {Sigismund Bendel (1914-?) foi um judeu nascido na Romênia e ainda jovem mudou-se para a França onde exerceu a medicina. Durante a Segunda Guerra Mundial foi capturado pelas forças alemãs e internado em campos de concentração, incluindo Auschwitz. Mesmo sendo um médico, seus testemunhos, mesmo contradizendo absurdamente as leis da natureza e as bases científicas, foram aceitos nos Julgamentos de Londres e contribuíram para a narrativa do denominado holocausto na mentalidade ocidental. Fonte da imagem: Le convoi 64: déportés et histoire.} |
O
Dr. Sigismund Bendel, que deu seu depoimento em francês, talvez na esperança de
obter a cidadania francesa, apresentou um depoimento geralmente muito menos
crível do que o de Broad. O uso de três línguas obviamente aumentou as
dificuldades de tradução, mas tais dificuldades não poderiam resultar no erro
grosseiro e nas fantásticas impossibilidades físicas descaradamente declaradas
em seu testemunho.49
Tradução
e palavras entre chaves por Mykel Alexander
42 Nota de William B. Lindsey: O
sistema de numeração dos crematórios no complexo de Auschwitz pode causar
confusão. Na nomenclatura alemã, o crematório I ficava em Auschwitz-Zasole. Os
crematórios II e III ficavam em Auschwitz-Birkenau, assim como os edifícios
mencionados na literatura sobre o Holocausto como crematórios IV e V, mas pelos
alemães como “Badeanstalt(en) für Sonderaktion”. Este artigo se refere aos
crematórios II e III (na nomenclatura alemã de Birkenau) como nº I e nº II,
respectivamente.
43 Nota de William B. Lindsey: O
depoimento de Perry Broad (pp. 277-78) indica uma frequência muito maior de
fumigação das casernas com Zyklon B.
44 Nota de William B. Lindsey: O
valor da dose letal de 1.000 g para 500 pessoas (2 g por pessoa) estimado pelo
Dr. Bendel diverge drasticamente do valor encontrado na literatura: 70 mg por
pessoa, o que corresponde a 0,07 g por pessoa (ver nota 9). Qualquer
procedimento razoável para matar poderia ter incluído uma “fator de segurança”
de talvez cinco vezes a dose letal estimada — mas dificilmente uma fator 28
vezes maior do que o necessário!
45 Nota de William B. Lindsey: Embora
a carne possa ser rapidamente convertida pelo fogo em cinzas irreconhecíveis, o
mesmo não se pode dizer dos ossos. Mesmo a alegada trituração desses ossos
deixaria resíduos microscópicos reconhecíveis como ossos, senão ossos humanos.
O pequeno moinho de bolas encomendado pelo SS Standartenführer Blobel à
Schriever & Co. em 1942 (nº 4467) dificilmente teria dado conta da multidão
de cadáveres que salegadamente foram incinerados nos crematórios, muito menos
daqueles alegadamente cremados em valas comuns (que supostamente “desapareceriam”
nas chamas). Se o lago em Birkenau tivesse sido usado como alegado (o local de
descarte de cinzas humanas), seria hoje um monte contendo milhões de fragmentos
de ossos calcinados ainda reconhecíveis como ossos humanos! Se o Vístula
tivesse sido usado dessa forma, seu leito estaria repleto de fragmentos acusatórios
de ossos queimados até Varsóvia, se não até Danzig!
46 Nota de William B. Lindsey: Todas
as referências oficiais alemãs a esses edifícios os identificavam como
“Badeanstalt(en) fuer Sonderaktion” — casa(s) de banho para ação especial (ou
propósito especial).
47 Nota de William B. Lindsey:
Os planos originais alemães
descreviam essas salas, uma para cada crematório (I e II), como “Leichenkeller”
— necrotérios para cadáveres aguardando cremação. O trabalho do Dr. Robert
Faurisson apoia essa descrição completamente.
48
Nota de William B. Lindsey:
Tanto Bendel quanto Broad alegaram que, no procedimento de extermínio, duas
latas de um quilograma de Zyklon B eram usadas em cada canal. É interessante
notar que os pedidos de compra de Zyklon B feitos pela DEGESCH para os campos
de Oranienburg (Sachsenhausen) e Auschwitz, datados de fevereiro a abril de
1944 e supostamente entregues por Kurt Gerstein após sua captura pelas tropas
das Nações Unidas, lidavam exclusivamente com latas de 500 g. Em caso de
escassez, é claro, duas latas de 500 g substituiriam uma lata de 1 kg, mas
parece que somente as latas de 500 g foram enviadas, indicando que a
necessidade era da lata menor. A questão obviamente surge: qual era a utilidade
de uma lata de 500 g de Zyklon B nas estações de desinfecção e descontaminação
(“Entwesung und Entseuchung Station”) de Auschwitz e Sachsenhausen-Oranienburg?
A câmara de fumigação padrão tinha um volume de 10 metros cúbicos e exigia
apenas uma lata de 200 g de Zyklon B para obter a concentração requerida de 20
g de gás Zyklon B por metro cúbico de ar. Consequentemente, presume-se que
ambos os locais e/ou seus subcampos possuíam câmaras de fumigação com cerca de
25 metros cúbicos de volume. Onde estavam localizadas? Uma boa hipótese seria a
“Sauna” (atualmente fechada ao público) em Birkenau, destinada aos
recém-chegados, e os edifícios designados pelos alemães como “Badeanstalt(en)
für Sonderaktion” (agora completamente destruídos), também em Birkenau, que
provavelmente funcionavam como estações de desinfestação recorrentes para o
pessoal ali internado permanentemente.
49
Nota de William B. Lindsey:
Ao examinar o depoimento inteiro
prestado pelo Dr. Bendel, eu não pude deixar de notar a extrema semelhança de
algumas partes com as alegadas experiências do lendário Dr. Miklós Nyszli.
(Para uma discussão interessante sobre Nyszli, veja Paul Rassinier, Debunking the Genocide Myth [Torrance,
Calif.: Noontide Press, 1978], pp. 244-50.)
Zyklon B, Auschwitz, and Bruno Tesch, por William B. Lindsey, The Journal of Historical Review, Fall 1983 (Vol. 4, nº 3), páginas 261-303.
https://ihr.org/journal/v04p261_Lindsey.html
Sobre o autor: William B. Lindsey (19??-1993) obteve seu diploma de bacharel em ciências pela Universidade do Texas e seu doutorado em Química pela Universidade de Indiana. Trabalhou como químico pesquisador profissional em uma grande corporação por 31 anos. Como químico profissional tinha grande interesse na história da Segunda Guerra Mundial, ele tinha particular curiosidade pelas alegações de assassinatos em massa de judeus em “câmaras de gás” em Auschwitz-Birkenau, utilizando gás cianeto de hidrogênio do Zyklon B, um inseticida e pesticida comercial. Consequentemente, realizou diversas visitas de inspeção aos locais na Polônia onde supostamente ocorreram os “campos de extermínio” da guerra, incluindo Auschwitz, Auschwitz-Birkenau e Majdanek. Foi membro da comissão editorial do The Journal of Historical Review desde 1983. Em fevereiro de 1985, ele testemunhou no julgamento do Holocausto em Toronto, conduzido pelo editor germano-canadense Ernst Zündel. Lindsey foi reconhecido pelo tribunal como perito em cianeto de hidrogênio. Sua atuação baseou-se em um exame minucioso das câmaras de gás em Auschwitz, Birkenau e Majdanek, e em seus anos de experiência.
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