domingo, 25 de janeiro de 2026

{Retrospectiva 2014 - Sionismo x Irã} Bilionários {sionistas} declaram guerra ao Irã - E o governo dos Estados Unidos está ajudando - por Philip Girald

 

Philip Giraldi


Há um grupo de bilionários judeus americanos que aparentemente está fazendo o possível para impedir o avanço das negociações com o Irã, acreditando erroneamente que estão agindo em benefício de Israel. E eles também parecem contar com o apoio da Casa Branca, que, ao mesmo tempo, afirma desejar o sucesso das negociações. Essa relação peculiarmente estranha está sendo debatida em um tribunal de Manhattan,[1] onde o Departamento de Justiça busca extinguir um processo que, segundo ele, pode revelar a hipocrisia do governo em lidar com informações confidenciais, enquanto simultaneamente envia jornalistas e denunciantes para a prisão sob a acusação de terem feito o mesmo.

O poder e a riqueza dos grupos anti-Irã, bem como seu acesso privilegiado ao governo dos Estados Unidos, fazem com que uma política de distensão com o Irã, que seria uma decisão óbvia considerando os interesses tanto americanos quanto iranianos, avance aos trancos e barrancos, com o Congresso americano e grande parte da mídia firmemente alinhados para impedir o processo. O Comitê de Assuntos Públicos Israelo-Americano (AIPAC) e sua fundação educacional afiliada, que se concentraram na “ameaça iraniana” nos últimos três anos, possuem um orçamento combinado de mais de US$ 90 milhões, enquanto o Washington Institute for Near East Policy {Instituto de Washington para Políticas do Oriente Próximo} (WINEP), derivado do AIPAC, dispõe de US$ 8,7 milhões.

Os esforços do Instituto Americano de Empresas (AEI) são mais diversificados, mas uniformemente alinhados com uma postura agressiva em relação ao Oriente Médio. Seu orçamento é de US$ 45 milhões. Entre os doadores/apoiadores multimilionários identificados[2] para o AIPAC, AEI e WINEP estão Sheldon Adelson, da Las Vegas Sands, Paul Singer, do fundo de hedge Elliot Management, e Bernard Marcus, da Home Depot.

{Da esquerda para direita: O falecido judeu sionista Sheldon Adelson (1933-2021), líder mundial em jogos de azar, grande financiador eleitoral de D. Trump, mas comumente chamado de conservador; Paul Elliott Singer (1944-), judeu sionista magnata do petróleo e grande financiador eleitoral de D. Trump, cobiça recursos de outros povos, entre os quais do Irã e da Venezuela; o judeu sionista Bernard Marcus (1929-2024), bilionário do setor de construção e energia, financiador eleitoral de D. Trump. Todos os três são sionistas, todos os três financiam D. Trump, todos os três odeiam o Irã, e empreendem contra o Irã}.


{Velório do judeu sionista e rei dos jogos de azar Sheldon Adelson (1933-2021) em Israel: B. Netanyahu, líder judeu-sionista e Primeiro Ministro de Israel, presta suas condolências antes do funeral em Israel (crédito da imagem: The Times of Israel, 15 de janeiro de 2021, https://www.timesofisrael.com/sheldon-adelsons-coffin-arrives-in-israel-ahead-of-funeral-in-jerusalem/ )}

Outros think tanks de direita, incluindo o Heritage Foundation e o Hudson Foundation, em Washington, também apoiam a pressão implacável contra o Irã. Até mesmo o mais centrista Brookings Institute, adota uma postura pesada[3] em relação à política do Oriente Médio, em virtude do seu Instituto Saban, financiado pelo bilionário israelense-americano Haim Saban. E há ainda as principais organizações judaicas, como a Liga Antidifamação (ADL), a Conference of Presidents of Major Jewish Organizations {Conferência de Presidentes das Principais Organizações Judaicas} (COPHO) e o American Jewish Congress {Congresso Judaico Americano} (AJC), todas com vastos recursos e acesso incomparável à Casa Branca, ao Congresso e à mídia.

{O bilionário judeu sionista Haim Saban (1944-) exerce enorme influência nos EUA (sendo um grande doador dos democratas) a favor de Israel e contra o Irã, frequentemente indo mesmo contra os interesses americanos. Crédito da foto: The Times of Israel}

Todos os grupos pró-Israel e anti-Irã utilizam táticas de pressão no Capitólio e têm sido eficazes em dominar o debate político. Das 36 testemunhas externas[4] convocadas para depor em sete audiências no Senado sobre o Irã desde 2012, somente uma pode ser considerada sensível às preocupações iranianas. O enorme esforço de lobby permite que os grupos anti-Irã definam as políticas concretas, apresentem seus projetos de lei no Congresso e, eventualmente, vejam suas propostas aprovadas com maiorias esmagadoras tanto na Câmara quanto no Senado. É a democracia em ação se aceitarmos que o governo popular deve ser guiado por dinheiro e grupos de pressão, em vez de interesses nacionais.

Menos conhecido é o grupo {United Against Nuclear Iran}[5] Unidos Contra o Irã Nuclear (UANI), que tem um orçamento de quase US$ 2 milhões. O UANI {Unidos Contra o Irã Nuclear} está envolvido no processo judicial em Nova York. O grupo, que de alguma forma obteve o status de isenção fiscal “educacional” 501(c)(3), que, entre outras coisas, lhe permite ocultar seus doadores, tem escritórios no Rockefeller Center, na cidade de Nova York. Ele atua no Capitólio, fornecendo “testemunhos de especialistas” sobre o Irã para comissões do Congresso, incluindo “ajuda” na elaboração de leis. Em uma audiência da Comissão de Relações Exteriores do Senado sobre o Irã, em julho, todas as três testemunhas externas[6] eram do UANI {Unidos Contra o Irã Nuclear}. O grupo também atua na mídia, mas talvez seja mais conhecido por suas iniciativas de “nome e vergonha”, nas quais denuncia empresas que, segundo ele, fazem negócios com Teerã em violação às sanções dos EUA.

A UANI está sendo processada[7] pelo bilionário grego Victor Restis, que foi exposto pela própria organização em 2013. Restis alega que a exposição foi fraudulenta e realizada para prejudicar seus negócios, e entrou com uma ação exigindo que a UANI {Unidos Contra o Irã Nuclear} e o bilionário Thomas Kaplan entreguem documentos e detalhes sobre os relacionamentos de doadores da UANI {Unidos Contra o Irã Nuclear} que, segundo ele, estão ligados ao caso. Kaplan, residente em Nova York, fez sua fortuna inicial com exploração e desenvolvimento de energia. Mais recentemente, ele tem se envolvido com o comércio de metais preciosos. Sua esposa, Daphne, é israelense, e seu envolvimento[8] em diversas instituições filantrópicas judaicas, tanto nos EUA quanto em Israel, gerou comparações com o controverso e falecido negociador de commodities Marc Rich, que teria trabalhado[9] em estreita colaboração com o governo israelense em diversos projetos.

{O bilionário judeu sionista Thomas Kaplan (1962-) exerce influência global e nos EUA em think tank militar e grande empenho contra o Irã, através da organização Unidos Contra o Irã Nuclear (United Against Nuclear Iran – UANI)}.

O Departamento de Justiça gostaria que o processo contra a UANI {Unidos Contra o Irã Nuclear} fosse arquivado, pois está ciente de que os documentos descritos como “de aplicação da lei” incluem informações privilegiadas e sigilosas do Departamento do Tesouro relacionadas a indivíduos e empresas que foram investigados por violação de sanções. Passar documentos relacionados à inteligência ou à aplicação da lei para uma organização privada é ilegal, mas a única preocupação aparente do Departamento de Justiça é que essa atividade possa ser exposta. Não há indícios de que o Departamento vá processar a UANI {Unidos Contra o Irã Nuclear} por ter obtido as informações, e talvez se deva presumir que a fonte do vazamento seja o próprio Departamento do Tesouro.

Quem ou o que forneceu os documentos a um grupo de defesa privado que também é uma fundação isenta de impostos, apoiada por empresários proeminentes com interesses no Oriente Médio, não está totalmente claro, mas Restis presume que a verdade virá à tona se ele conseguir obter as provas. O processo alega que a UANI {Unidos Contra o Irã Nuclear} intimida seus alvos difamando suas práticas comerciais, além de exigir tanto um exame[10] de seus livros contábeis quanto uma auditoria realizada por um de seus próprios contadores, seguida de revisão por um “conselho independente.”

Kaplan é citado nominalmente no processo por parecer ser a figura influente por trás da UANI {Unidos Contra o Irã Nuclear}. Ele uma vez se gabou:[11] “Nós (a UANI) temos feito mais para trazer o Irã de calcanhares do que qualquer outra iniciativa do setor privado.” Kaplan também emprega como diretor ou executivo em seis de suas empresas o Diretor Executivo da UANI {Unidos Contra o Irã Nuclear}, Mark Wallace, e teria arranjado[12] a nomeação de Gary Samore, presidente do Centro Belfer de Harvard, para o cargo de Diretor Executivo.

Kaplan é um concorrente comercial de Restis, cujos advogados aparentemente buscam demonstrar duas coisas: primeiro, que o governo dos EUA tem fornecido informações, por vezes apenas parcialmente verificadas, à UANI {Unidos Contra o Irã Nuclear} para auxiliar em seu programa de “nome e vergonha”; e segundo, que a própria UANI {Unidos Contra o Irã Nuclear} é financiada por interesses comerciais partidários, como os de Kaplan, bem como por fontes estrangeiras, o que aparentemente implica Israel. Ou até mesmo o serviço de inteligência israelense Mossad. Meir Dagan, ex-chefe do Mossad, faz parte do conselho consultivo da UANI {Unidos Contra o Irã Nuclear}, que também inclui o ex-senador Joseph Lieberman e o ex-diplomata sênior Dennis Ross, ambos frequentemente acusados ​​de favorecer interesses israelenses e que podem ter fácil acesso a informações geradas pelo governo dos EUA.

E então há o Muhadedin-e-Khalq, o grupo terrorista iraniano que assassinou pelo menos seis americanos e agora auxilia o governo israelense[13] no assassinato de cientistas iranianos, uma definição clara do que constitui terrorismo. O grupo figurou na lista de organizações terroristas do Departamento de Estado de 1997 até 2012, quando a Secretária de Estado Hillary Clinton o retirou da lista em resposta às demandas de aliados de Israel no Congresso, bem como de um grande grupo de ex-funcionários do governo, muitos dos quais receberam altos honorários do grupo para atuarem como defensores. Entre os americanos pagos para defender o grupo[14] estavam os ex-diretores da CIA James Woolsey e Porter Goss, o prefeito de Nova York Rudolph Giuliani, o ex-governador de Vermont Howard Dean, o ex-diretor do FBI Louis Freeh e o ex-embaixador das Nações Unidas John Bolton. Os promotores do Muhadedin-e-Khalq no congresso e em outros lugares alegavam ser motivados principalmente pelo fato de o Muhadedin-e-Khalq ser um inimigo do regime atual em Teerã, embora seu virulento antiamericanismo e histórico terrorista o tornem um símbolo um tanto improvável para a “resistência iraniana”.

Os apoiadores do Muhadedin-e-Khalq também ignoram[15] o fato de que o grupo é administrado como um culto, executa rotineiramente dissidentes internos e praticamente não tem apoio político dentro do Irã. Mas esses são os métodos da corrupta classe política de Washington, que idolatra uma organização que deveria evitar. O braço político do Muhadedin-e-Khalq está localizado em Paris e há muito se presume que seja financiado pelo governo israelense e por pelo menos alguns dos mesmos bilionários, possivelmente incluindo seus homólogos israelenses, que apoiam a agenda anti-Irã nos Estados Unidos.

{Símbolo do grupo Muhadedin-e-Khalq, que é um grupo terrorista dentro do Irã financiado pelo sionismo contra o próprio Irã: na mentalidade propagada pelo sionismo tal terrorismo poderia ser denominado de terrorismo do “bem”}.

Os negociadores iranianos aceitaram que seu país deveria ter apenas capacidades limitadas de enriquecimento de urânio, juntamente com um rigoroso regime de inspeção, mas as negociações em Genebra se arrastam indefinidamente, enquanto os Estados Unidos continuam a hesitar, levantando novas objeções regularmente, apesar das alegações de que operam de boa fé e buscam uma solução. Que um acordo esteja ao alcance é inegavelmente verdade e seria até mesmo benéfico para Israel, pois eliminaria a opção nuclear regional, tornando muito menos provável outra guerra inútil e devastadora. Mas os homens que assinam os cheques não veem as coisas dessa maneira e, infelizmente, são eles que, com muita frequência, pagam a banda e ditam o tom.

Tradução e palavras entre chaves por Mykel Alexander

 Notas:


[5] Fonte utilizada por Philip Girald:

http://www.unitedagainstnucleariran.com/

[10] Fonte utilizada por Philip Girald:

http://www.irmep.org/uani.htm

Fonte: Billionaires Make War on Iran - And the United States Government is Helping, por Philip Giraldi, 26 de agosto de 2014, The Unz Review – An alternative media selection.

https://www.unz.com/pgiraldi/billionaires-make-war-on-iran/

Sobre o autor: Philip Giraldi (1946 –) é um ex-agente de contraterrorismo, agente da Cia e da inteligência militar dos EUA. Concluiu seu BA na Universidade de Chicago, com Mestrado e PhD na Universidade de Londres, em História Europeia. Atualmente é colunista, comentador televisivo e Diretor Executivo do Council for the National Interest. Escreveu artigos para as revistas e jornais The American Conservative magazine, The Huffington Post, e Antiwar.com para a rede midiática Hearst Newspaper. Foi entrevistado pelos jornais e revistas Good Morning America, 60 Minutes, MSNBC, Fox News Channel, National Public Radio, a Canadian Broadcasting Corporation, a British Broadcasting Corporation, al-Jazeera, al-Arabiya, Iran Daily, Russia Today, Veterans Today, Press TV. Foi conselheiro de política internacional para a campanha de Ron Paul em 2008.

___________________________________________________________________________________

Relacionado, leia também:

O ódio ao Irã inventado pelo Ocidente serve ao sonho sionista de uma Grande Israel dominando o Oriente Médio - por Stuart Littlewood

Petróleo ou 'o Lobby' {judaico-sionista} um debate sobre a Guerra do Iraque

Iraque: Uma guerra para Israel - Por Mark Weber

Por que querem destruir a Síria? - por Dr. Ghassan Nseir

{Massacres sobre os alauítas após a queda da Síria de Bashar Hafez al-Assad} - por Raphael Machado

Mudança de Regime na Síria: mais um passo em direção ao “Grande Israel” - por Alan Ned Sabrosky

Guerra de agressão não declarada dos EUA-OTAN-Israel contra a Síria: “Terrorismo da al-Qaeda” para dar um golpe de Estado contra um governo secular eleito - por Michael Chossudovsky

O Grande Israel e o Messias Conquistador - por Alexander Dugin

{Os verdadeiros terroristas} Resenha de Israel’s Sacred Terrorism, por Livia Rokach Belmon e de Blaming the Victims, por Edward Said e Christopher Hitchins - por William Grimstad

Controvérsia de Sião - por Knud Bjeld Eriksen

Sionismo e judeus americanos - por Alfred M. Lilienthal

Por trás da Declaração de Balfour A penhora britânica da Grande Guerra ao Lord Rothschild - parte 1 - Por Robert John {as demais 5 partes seguem na sequência}

Um olhar direto sobre o lobby judaico - por Mark Weber

Antissemitismo: Por que ele existe? E por que ele persiste? - Por Mark Weber

A Supressão do Cristianismo em Seu Berço - Israel não é amigo de Jesus - por Philip Giraldi

“Grande Israel”: O Plano Sionista para o Oriente Médio O infame "Plano Oded Yinon". - Por Israel Shahak - parte 1 - apresentação por Michel Chossudovsky (demais partes na sequência do próprio artigo)

Raízes do Conflito Mundial Atual – Estratégias sionistas e a duplicidade Ocidental durante a Primeira Guerra Mundial – por Kerry Bolton

Conversa direta sobre o sionismo - o que o nacionalismo judaico significa - Por Mark Weber

Judeus: Uma comunidade religiosa, um povo ou uma raça? por Mark Weber

Sionismo e o Terceiro Reich - por Mark Weber

Sionismo e Antissemitismo: Uma Estranha Aliança ao Longo da História - por Allan C. Brownfeld


quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Imigração: o racismo antibranco - por François Bousquet

 

François Bousquet


As coisas na Europa ainda não chegaram ao ponto em que se encontram na África do Sul, onde ruralistas brancos são espoliados e assassinados aos milhares. Aqui não, por enquanto … Porém as vexações, os insultos e as agressões que sofrem os brancos pelo simples fato de serem brancos, isso já chegou à Europa, isso já é parte do cotidiano ― pelo menos na França, na Inglaterra, na Alemanha, na Itália … Nesses países não há o freio relativo da imigração hispano-americana que há na Espanha, a qual não deixa de ser em boa parte de cultura branca.

Sobre tão candente e aterrorizante questão, François Bousquet realizou na França ampla pesquisa de campo. Ele fala disso nesta entrevista, como também no seu último livro ― Le racisme anti-blanc (Editions de La Nouvelle Librairie). 

 

Vossia decidiu começar sua investigação sobre o racismo contra os brancos citando sondagem do portal de videojogos "jeuxvideos.com", que frequentei muito, aliás. Qual é a razão dessa escolha?

 

François Bousquet: esses foros de debate no ciberespaço são a trilha sonora de uma geração: a de uma juventude branca, masculina, não necessariamente marginal, mas sem espaço legítimo de expressão. Deve-se entender esses cibercentros como caixas de ressonância para tudo o que a mídia do estabilismo não repercute: a voz de uma França, uma juventude que vive em contato direto com o racismo antibranco nos pátios das escolas, nos estádios, nos pontos de ônibus escolares, nas ruas que as elites metropolitanas nunca pisam. Trata-se de foros que lançam debates sobre temas proibidos, embora presentes no dia-a-dia dos adolescentes brancos. Estão repletos de testemunhos. Também nessas plataformas é que esses jovens, amiúde isolados, descobrem que não são os únicos a sofrer com uma imigração extraeuropeia que impõe sua própria lei sobre os nativos. A mídia dominante, controlada pelos "bolchechiques" [N. do T.: no original: "pihoprogres"] e a velharada de 68 [N. do T: no original: "boomers"], censura veladamente tudo quanto não pertença ao seu círculo, ao passo que os telegrupos oferecem lócus de reconhecimento, com seus códigos e seu léxico americêntrico: a mofa, o sarcasmo, a ausência de filtros … Temos aí o nosso "Trump’s Troll Army". O resultado: há mais possibilidades de tomar o pulso de uma geração aí do que na Radio France ou na France Télévisions, mídias que há muito abafam qualquer voz discordante do discurso principalista. 

 

Os relatos que vossia colheu são de uma violência quase bárbara e revelam que o racismo antibranco não é fenômeno recente. Os testemunhos de sua pesquisa abarcam quase meio século, e uma das declarações mais duras de seu livro é também uma das mais antigas. Penso em Sébastien, nascido em 1976, que cresceu nos bairros conflituosos de Evry. "Eu só tinha 7 ou 8 anos, mas já sabia que me perseguiam porque sou branco", ele diz. Esse depoimento, de meado dos anos oitentas, já anunciava o destino que esperava as populações brancas nos grandes condomínios submetidos à transfusão racial. Naquela época, que forças contribuíam para que esse fenômeno fosse escamoteado?

 

François Bousquet: tais forças não apenas silenciaram isso que se passava como também tornaram possível sua ocorrência, ao modular o discurso público durante cinco décadas, abstraindo dele o problema. Seria preciso remontar a muitos anos para reconstruir a história disso, mas os anos setentas marcam uma etapa decisiva. Qual é a condição prévia para a construção de um homem novo? Ora, é a desconstrução do homem antigo. Isso é exatamente o que ocorreu naquele tempo, tanto na cultura popular quanto na erudita: minou-se metodicamente a autoestima dos franceses, reduzindo-os a uma caricatura de gabachos infames e congenitamente racistas. Tomemos como exemplo disso as seguintes porcarias: Dupont Lajoie (1975), filme infamatório antifrancês; La vie devant soi, de Émile Ajar/Romain Gary, história piegas premiada com o Goncourt de 1975 em que uma sobrevivente do "Holocausto" cria com amor o pequeno e agradecido Mohammad ― compare-se isto com o que se passou com Mireille Knoll, também sobrevivente do "Holocausto", assassinada en 2018 em Paris por seu vizinho Yacine Mihoub, que gritava "Alá akbar!"; Lily (1977), canção de propaganda por muito tempo ensinada nas escolas, que de forma sentimentaloide ― no estilo de Pierre Perret ― inculcava nos franceses a ideia de que os próprios franceses não passavam de ser malandros e racistas; ou, no âmbito universitário, um livro tão questionável como La France de Vichy (1972), do historiador ameringlês Robert Paxton, que demoniza retrospectivamente nosso país. Os exemplos poderiam ser multiplicados. Todo esse tipo de lixo foi o que formou e envenenou a mentalidade predominante na cultura em que vivemos.

 

Na década seguinte, tudo isso redundou na criação do SOS Racisme e da sua religião dos "amigos" ("Touche pas à mon pote!") ["Não mexa com o meu amigo!"]. Entrementes, os últimos brancos dos subúrbios eram trucidados (literalmente). Eis aí o teor do que conta Sébastien, que em meado dos anos oitentas estava perdido no Parc aux Lièvres [Parque das Lebres] de Évry, onde resistia à assimilação reversa como um dos últimos brancos. E quando ligava o televisor, topava com o meloso concerto dos amigos na Place de la Concorde ou com os tremolos humanitários de [Daniel] Balavoine cantando "Aziza", enquanto na vida real levava muita porrada na cabeça com monopatins e era perseguido como uma lebre por ser branco. Essa é a grande mentira de Estado do antirracismo: de toda a perseguição que se passava com os brancos nas ruas, nada era passado na televisão. 

 

Um de seus capítulos intitula-se "A teoria do grã-branco e a construção social do pequeno branco". Como o grande branco permite que se exerça o racismo contra o pequeno branco?

 

François Bousquet: o que ocorre é o seguinte: no imaginário progressista, há dois tipos de brancos: os "grandes" e os "pequenos". Os primeiros são a elite globalizada, repleta de títulos, que vive nos centros urbanos e nas zonas gentrificadas. Os segundos são caricaturados, menosprezados, invisibilizados. O primeiro tipo demoniza o segundo, atribuindo-se o papel de antirracista, quando na realidade é ele o mais eficiente agente do racismo contra os brancos. Por quê? Porque ao construir a figura repulsiva do "pequeno branco" — como campônio chovinista e grosseiro — legitima socialmente as agressões e o desprezo a que está sujeito. O grande branco lava mais branco. Esse branco dá parte de postura virtuosa denunciando suposto "privilégio branco" que na verdade só tem a ver com ele mesmo, enquanto faz que o "pequeno branco" tenha sobre si todo o peso do pecado ocidental. Ao sacrificar a maioria branca no altar das minorias santificadas, ele cria uma assimetria de que se beneficia: reforça seu capital cultural denegrindo aqueles já sem capital simbólico. Esse menoscapo social é que permite a prática do racismo antibranco, sempre e quando dirigido contra o único branco mau: o pequeno, nunca o grande. Destarte, travestido de figurino virtuoso, o grande branco alimenta o ódio contra os "pequenos pequenos". 

 

"A maioria dos jovens com quem conversei nunca havia questionado sua identidade até que passou a sofrer o racismo antibranco", vossia escreveu. Para explicar tal mecanismo, vossia retomou a interpretação de Gilles-William Goldnadel [advogado e censor judeu]. Ele sustenta que o superego inculpador deles não lhes permitia pensar em si mesmos como brancos (vergonha do "holocausto", do colonialismo, da escravidão …). Então, dada a culpa inculcada nos europeus, eles só poderão ganhar consciência étnica se sofrerem a violência racista?

 

François Bousquet: esse é o grande paradoxo da França e da Europa: todos os povos da terra têm conciência de sua identidade, a não ser nós mesmos. Ou melhor: somos proibidos de tê-la. Os outros são estimulados a se proclamar árabes, africanos, muçulmanos, transexuais, "quires" ou seja lá o que for … Mas os europeus não podem ser … europeus! Se intentam assumir sua condição de brancos, são denunciados como autores de uma lista de crimes "imprescritíveis". Esse tipo de repressão impede-os de alcançar a consciência de si mesmos. O resultado: só descobrem quem são tomando porrada no meio da cara. Obtive essa informação da maioria dos meus entrevistados na investigação que fiz. Nenhum deles era militante, ninguém se atribuía nenhuma identidade. Nem sequer tinham pensado nisso. Num belo dia, porém, isso caiu em cima deles na forma de agressão. Foi a violência sofrida o que lhes obrigou ao autorreconhecimento e à reação, mas ainda com certo sentimento de culpa. Assim se passa porque a única consciência identitária permitida é a consciência infeliz, culpável, etnomasoquista. Trata-se de suicídio étnico, pois bem se sabe que o povo privado do direito de amar a si mesmo está fadado a desaparecer.

 

No capítulo "A farsa da mescla", vossia escreve que "o separatismo não é tendência, é mecânica". Os homens não se mesclam. Quando podem, fogem dos bairros tomados de imigrantes. Até as áreas ditas "multiculturais" têm o espaço público segregado: "cinquenta metros de um lado, a progressia chique; cinquenta metros do outro, o Paristão". Como vossia explica que os mais progressistas são os que menos convivem com a diversidade?

 

François Bousquet: a mescla é a grande farsa da nossa época. Celebram-na nos estúdios de televisão, ensinam-na nas escolas, invocam-na como esconjuro moral. Na vida cotidiana, porém, ninguém acredita nela, principalmente aqueles que fizeram da diversidade um dogma. Os apóstolos mais fervorosos da convivência são os defensores de um distanciamento social que não ousa dizer sem nome. Os alteristas afagam a diversidade com a mão esquerda, mas na hora de escolher a escola de seus filhos ou assinar um contrato para dar de aluguel a sua casa, eles a apedrejam com a mão direita. A distribuição de vagas escolares converte-se numa estratégia de evasão reservada aos iniciados. E quem conhece melhor o sistema ― e os jeitinhos de levar vantagem nele — do que os progressistas? No terreno, a mescla não resiste à realidade. O multiculturalismo pode ser vivido, no máximo, como experiência musical, gastronômica ou turística, mas nunca como vida cotidiana compartida. Nas redes sociais, as pessoas trocam receitas orientais, mostram suas fotos em espetáculos de rap, exaltam a alogenização, mas em outros âmbitos vivem entre a gente de sua igualha. A fronteira está em toda parte: na rua, numa estação do metrô, no preço dos imóveis. De um lado, a progressia festiva; de outro, o Paristão; a distância física entre ambos não chega a cinquenta ou cem metros, mas a distância social é enorme. A segregação parece não existir, mas predomina nas decisões tocantes aos aspectos mais importantes da vida: a habitação, o trabalho, a escola dos filhos. O universalismo republicano nunca funcionou, a não ser quando se tratava de assimilar os próximos: italianos, espanhóis, portugueses. 

 

No momento da agressão, muitas vítimas ignoravam o caráter racista da violência sofrida. Era como se o racismo antibranco fosse alguma coisa impossível, inconcebível. Que consequências psicológicas sofrem as vítimas do racismo antibranco diante do seu não reconhecimento?

 

François Bousquet: as consequências são as de uma dupla negação, se me permite a expressão. Em primeiro lugar, ocorre a negação oficial, imposta pelo discurso dominante "explicando" que não há nem pode haver nenhum racismo contra os brancos. Em segundo lugar, ocorre a negação da parte das próprias vítimas, mais insidiosa, que funciona como mecanismo de defesa imunodeficiente. Explico melhor: para muitos, o primeiro impacto do racismo antibranco vem de não compreenderem o que estão vivendo. A violência sofrida é de natureza racial, mas esta é uma palavra que as vítimas estão proibidas de pronunciar. Foi-lhes ensinado que nenhum branco pode ser vítima do racismo. Assim, as vítimas brancas do racismo ficam sem palavras para verbalizar o que se passa com elas, ficam sem ferramentas conceituais para entender o fenômeno. A negação impede que o discurso seja confrontado com a realidade, e com isso o sentimento é recalcado no mais profundo do inconsciente. Assim se passou com Nicolas, cujo testemunho eu recolhi. Estudou num instituto em Crépy-en-Valois, a uma hora de trem de Paris. Durante um ano, suportou humilhações, golpes e insultos por ser branco. Mas o mais terrível não é isso. Ainda pior foi que acabou abraçando a causa de seus verdugos, chegando ao ponto de se integrar no mundo deles e adotar seus códigos, sua linguagem, sua cultura. Isso eu ouvi dele. Renegou completamente tudo o que ele mesmo era pela paz social, ou seja, por uma forma de tranquilidade interior que não podia questionar. Essa é a síndrome de Estocolmo em sua versão multicultural, que chamo de síndrome de Estocolmistão. Para esses adolescentes, a sobrevivência passa pelas leis da imitação. Adotam as normas culturais impostas pelo ocupante. Sabem que resistir implica se expor. O processo é tremendamente perverso: produz reféns que, para não sofrerem mais, passam ao autoconvencimento de que eles mesmos escolheram a sua condição. Isso dura até que um acontecimento ― no caso de Nicolas foram os atentados de 2015 ― rompe o véu da mentira. Mas a que preço? Dez anos, vinte anos perdidos, às vezes mais. Nicolas conseguiu se libertar de sua prisão psicossocial, mas quantos serão os que não conseguem? 

 

O transporte escolar, o trajeto para o trabalho ou colégio, a universidade, os centros de acolhimento, os vestiários, os centros de formação … o racismo antibranco evidencia-se em todo espaço de convivência … Burlar o processo formal de atribuição de vagas escolares não parece suficiente para escapar às agressões. Até Aurore Bergé, titular do ministério de Luta contra a Discriminação, conta que "cuspiram" nela e a xingaram de "francesa suja". Que branco pode escapar hoje em dia ao racismo contra os brancos?

 

François Bousquet: quem pode escapar ao racismo contra os brancos? Ninguém, a julgar pelo que se passou com Aurore Bergé, ministra "vitalícia" do macronismo. Não obstante, ela mesma se nega a ver nisso uma forma de racismo antibranco ― ao contrário de Sophie Primas (porta-voz do Governo). Aurore Bergé não é nenhuma exceção. Quantos "bolchechiques", agredidos ou humilhados, preferem buscar desculpas para os seus agressores? Os esquerdistas festivos sempre recitam os mantras politicamente corretos do besteirol miserabilista: a guetização, a pobreza, a discriminação, como se os imigrantes tivessem direito a uma espécie de imunidade moral e gozassem de permissão para agredir com total impunidade.

 

O racismo antibranco não caiu do céu. Ele é subproduto do desequilíbrio demográfico sem precedentes, suscitado pela imigração massiva e contínua, que transforma as maiorias em minorias no seu próprio território, bairro após bairro, escola após escola. Enquanto durar a recusa de barrar a imigração torrencial, o racismo contra os brancos seguirá prosperando. Não se trata de acidente, senão do sintoma de uma sociedade fragmentada, fraturada, abandonada a uma guerra de todos contra todos, estando a maioria de ontem convertida nos párias de hoje. Que é o multiculturalismo? uma sociedade sem coerência, sem projeto comum, sem futuro, ou seja, o multiculturalismo é a própria ausência de sociedade. O mesmo é dizer que vivemos num paiol de pólvora. Enquanto continuarmos sem atacar o problema da imigração, o tabu seguirá existindo. Romper com a censura exige abrir a caixa-preta da imigração massiva, uma política demográfica antinacional que as elites sacralizaram nos últimos quarenta anos. 

 

Os seus entrevistados falaram de situações de violência extrema, de racismo quase instintivo da parte de grupos ou até indivíduos que agridem franceses pacíficos, isolados, inocentes. Para além das interpretações "revanchistas" versando a escravidão, a colonização, quais os móbiles do racismo antibranco?

 

François Bousquet: não devemos aceitar o pensamento vitimista da escravidão, da colonização, que reduz o racismo antibranco a uma vingança histórica. Tal esquema interpretativo, difundido pelo discurso da descolonização, é um engano intelectual. Aqueles que entrevistei na minha pesquisa dão prova disso. O branco é molestado nas ruas, nas escolas, nos estádios, sem que a vítima tenha provocado nada. A agressão antibranca é gratuita, impulsiva, bestial. O verdadeiro motor desse ódio não está no passado, não é o passivo do passado, é o ressentimento. Nietzsche expôs o fulcro da questão. O ressentimento é a paixão das almas malnascidas. É um ódio macerado no fracasso e dirigido contra aqueles percebidos como superiores, não porque o sejam necessariamente, mas porque encarnam uma imagem invejada que não nos atrevemos a reconhecer. O ressentimento deseja o que odeia e odeia o que deseja. Nisso consiste a triste paixão das sociedades multiculturais. Nasce da comparação. Não se alimenta da colonização (isso já passou), mas se nutre do fracasso, do aqui e agora, a começar do fracasso na escola. Desse insucesso escolar nos primeiros anos surge a raiva que só se extravasa na violência racial gratuita. 

 

Em "Séance de lynchage; la tombe du collégien inconnu" [Sessão de linchamento: o túmulo do colegial desconhecido], vossia retira vários cadáveres do armário midiático. Aponta o artigo do Le Monde intitulado "O fantasma do racismo antibranco", que relata a violência inaudita de hordas suburbanas contra estudantes que protestavam contra a lei Fillon em 2005. No ano seguinte, os jovens franceses voltaram a apanhar dos "bandidos" alógenos quando protestavam contra o CPE [Contrato de Primeiro emprego]. Vossia cita Patrick Buisson, que acusou Nicolas Sarkozy, então ministro do Interior e rival de Villepin, de haver permitido que "bandos de negros e árabes agredissem os jovens brancos e ter, ao mesmo tempo, avisado fotógrafos da Paris Match que incidentes graves poderiam ocorrer". Assim, há vinte anos, o famoso diário e o futuro presidente da França tinham consciência da existência do racismo antibranco. Como explica essa tomada de consciência tão passageira quanto oportunista dessas elites francesas? [Com o longo preâmbulo dessa pergunta, o entrevistador parece sugerir que, quando foi conveniente como tática de luta política, as elites chegaram a reconhecer e manipular o racismo antibranco contra os seus rivais.]

 

François Bousquet: vossia tem razão: a lucidez midiática e política de 2005 e 2006 foi tão breve quanto oportunista: não passou de dois artigos em Le Monde e uma reportagem em Paris Match. Nada mais. Depois disso, o caso foi encerrado como o esquife de um cadáver. Desde então, silêncio sepulcral. O abafador é o "racismo estrutural", que falseia o estudo do conflito étnico, impedindo que se leve em conta o racismo antibranco. O tal "racismo sistêmico" é logro teórico (mais um!): supõe que todas as estruturas sociais ― escola, polícia, administração etc. ― estão atravessadas de racismo inconsciente, mas onipresente, sempre em benefício dos brancos. Não obstante, devemos considerar o que se passa na realidade do espaço público. Quem controla os bairros hoje? Quem controla as ruas? Quem impõe a lei nos vestiários, nos institutos, nos estádios, no transporte coletivo? Serão os "dominantes", os "opressores" brancos, assim como fantasia a turma da Faculdade de Ciências Políticas? NÃO! Se algo há de "estrutural" é o antirracismo alçado à condição de religião de Estado, antirracismo que classifica as vítimas segundo critérios étnicos, que fabrica hierarquias memoriais, que cancela os brancos das estatísticas para provar os seus preconceitos. Nesse sentido, pode-se dizer que o único racismo estrutural existente é o racismo contra os brancos.

 Tradução por Chauke Stephan Filho

____________________________

Fonte: El Manifiesto | Autor: François Bousquet | Título original (espanhol): La gran sustitución lleva al gran racismo antiblanco | Data de publicação: 1.o de junho de 2025 | Versão brasileira e tradução: Chauke Stephan Filho.

 

Sobre o autor: François Bousquet (1968-) é jornalista, ensaísta e editor francês formado em Letras. Foi editor-chefe da revista Éléments desde setembro de 2017. Foi jornalista de diversas revistas, incluindo Le Figaro Magazine, Valeurs actuelles e Le Spectacle du Monde. Entre julho de 2018 e maio de 2024, também dirigiu a livraria La Nouvelle Librairie em Paris, da qual é um dos principais cofundadores. Suas obras e ensaios concentram-se em tradicionalismo e crítica ao multiculturalismo.

___________________________________________________________________________________

Relacionado, leia também:

{Tributo a James Watson (1928-2025)} - Doze Livros Desconhecidos e Suas Verdades Raciais Suprimidas - parte 1 {Lothrop Stoddard e Edward A. Ross}- por Ron Keeva Unz (Demais partes na sequência do próprio artigo)

A Sabedoria dos Antigos: Cidades-Estado Gregas como Estados-étnicos - Por Guillaume Durocher {academic auctor pseudonym}

Biopolítica, racialismo, e nacionalismo na Grécia Antiga: Uma visão sumária - Por Guillaume Durocher {academic auctor pseudonym}

A noção de diversidade racial na academia alemã e na legislação nacionalsocialista - parte 2 - Por Tomislav Sunić

A noção de diversidade racial na academia alemã e na legislação nacionalsocialista -  parte 1 - Por Tomislav Sunić

A cultura ocidental tem morrido uma morte politicamente correta - Paul Craig Roberts

Raça e Crime na América - Por Ron Keeva Unz

Judeus, comunistas e o ódio genocida nos "Estudos sobre a branquitude” - Por Andrew Joyce, Ph.D., {academic auctor pseudonym}

Harvard odeia a raça branca? – Por Paul Craig Roberts

Migrantes: intervenções “humanitárias” geralmente fazem as coisas piores – Entrevista com Alain de Benoist

Monoteísmo x Politeísmo – por Tomislav Sunić

Politeísmo e Monoteísmo - Por Mykel Alexander

Oswald Spengler: crítica e homenagem - por Revilo Oliver

Noções de cultura e civilização em Oswald Spengler - Por Mario Góngora

Oswald Spengler: Uma introdução para sua Vida e Idéias - por Keith Stimely

Para quem há história? - por Mykel Alexander

O peso da tradição: por que o judaísmo não é como outras religiões, por Mark Weber

Deus, os judeus e nós – Um Contrato Civilizacional Enganoso - por Laurent Guyénot

Sionismo, Cripto-Judaísmo e a farsa bíblica - parte 1 - por Laurent Guyénot

O truque do diabo: desmascarando o Deus de Israel - Por Laurent Guyénot - parte 1

O Gancho Sagrado - O Cavalo de Tróia de Jeová na Cidade dos Gentios {os não-judeus} - por Laurent Guyénot - parte 1


domingo, 18 de janeiro de 2026

Sionismo e Antissemitismo: Uma Estranha Aliança ao Longo da História - por Allan C. Brownfeld

 

Allan C. Brownfeld


Tem, por muitos anos, sido uma tática daqueles que buscam silenciar o debate aberto e discussão da política dos EUA no Oriente Médio acusar os críticos de Israel de “antissemitismo”.

Em um artigo amplamente discutido intitulado “J’Accuse” (Commentary, setembro de 1983), Norman Podhoretz acusou os principais jornalistas, jornais e redes de televisão dos Estados Unidos de “antissemitismo” por causa de suas reportagens sobre a guerra no Líbano e suas críticas à conduta de Israel. Entre os acusados ​​estavam Anthony Lewis, do The New York Times, Nicholas von Hoffman, Joseph Harsch, do The Christian Science Monitor, Rowland Evans, Robert Novak, Mary McGrory, Richard Cohen e Alfred Friendly, do The Washington Post, e muitos outros. Esses indivíduos e suas organizações de notícias não foram criticados por reportagens ruins ou padrões jornalísticos deficientes; em vez disso, foram alvo da acusação de antissemitismo.

Podhoretz declarou: “… O princípio da sabedoria ao refletir sobre essa questão é reconhecer que a difamação de Israel é o fenômeno a ser abordado, e não o comportamento israelense que a provocou… Estamos lidando aqui com uma erupção de antissemitismo.”

Para entender Norman Podhoretz e outros que se envolveram em tais acusações, devemos reconhecer que o termo “antissemitismo” passou por uma grande transformação. Até recentemente, os culpados dessa ofensa eram amplamente entendidos como aqueles que, irracionalmente, não gostavam de judeus e do judaísmo. Hoje, no entanto, o termo é usado de uma maneira muito diferente — uma que ameaça não somente a liberdade de expressão, mas também banaliza o próprio antissemitismo.

O antissemitismo tem sido redefinido para significar qualquer coisa que se opõe às políticas e aos interesses de Israel. O começo dessa redefinição, pode ser dito, data, em parte, da publicação, em 1974, do livro The New Anti-Semitism {O Novo Antissemitismo}, de Arnold Forster e Benjamin R. Epstein, líderes da Liga Antidifamação da B'nai B'rith. A natureza do “novo” antissemitismo, segundo Forster e Epstein, não é necessariamente a hostilidade contra os judeus enquanto judeus, ou contra o judaísmo, mas sim uma atitude crítica em relação a Israel e suas políticas.

Mais tarde, Nathan Perlmutter, quando era diretor da Liga Antidifamação, afirmou que “tem havido uma transformação do antissemitismo americano nos últimos tempos. O preconceito antijudaico grosseiro, antes tão comum neste país, é hoje considerado de mau gosto... Pesquisa após pesquisa indica que os judeus são um dos grupos mais considerados da América”.

 

Posturas Semiticamente Neutras’

Perlmutter, contudo, recusou-se a declarar vitória sobre tal intolerância. Em vez disso, redefiniu-a. Declarou:

A busca por paz no Oriente Médio está repleta de campos minados para os interesses judaicos… Preocupações judaicas que se deparam com as posturas semiticamente neutras daqueles que acreditam que, se Israel cedesse isto ou aquilo, o Oriente Médio se tornaria tranquilo e a rota do Ocidente para seus interesses estratégicos e lucros no Golfo Pérsico estaria segura. Mas a que custo para a segurança de Israel? A segurança de Israel, em suma, significa mais para os judeus hoje do que sua posição nas pesquisas de opinião…

O que Perlmutter fez foi substituir o termo “interesses judaicos” pelo que são, na realidade, “interesses israelenses”. Ao mudar os termos do debate, ele criou uma situação em que qualquer pessoa que critique Israel se torna, ipso facto, “antissemita”.

A tática de usar o termo “antissemitismo” como arma contra dissidentes não é nova. Dorothy Thompson, a distinta jornalista que foi uma das primeiras inimigas do nazismo, viu-se criticando as políticas de Israel pouco depois de sua criação. Apesar de sua valente cruzada contra Hitler, ela também foi alvo da acusação de “antissemitismo”. Em uma carta ao The Jewish Newsletter (6 de abril de 1951), ela escreveu:

Realmente, eu acho que se deve continuar a enfatizar o extremo prejuízo causado à comunidade judaica por rotular pessoas como eu de antissemitas… O Estado de Israel precisa aprender a viver na mesma atmosfera de liberdade de crítica que todos os outros Estados do mundo devem suportar… Há muitos assuntos sobre os quais escritores neste país estão, por causa dessas pressões, se tornando covardes e evasivos. Mas as pessoas não gostam de ser covardes e evasivas; cada vez que alguém cede a tal pressão, se enche de autodesprezo, e esse autodesprezo se manifesta em ressentimento contra aqueles que o causaram.

Um quarto de século depois, o colunista Carl Rowan (Washington Star, 5 de fevereiro de 1975) relatou:

Quando eu escrevi minha coluna recente sobre o que eu percebo como uma sutil erosão do apoio a Israel nesta cidade, eu não tinha ilusões quanto à reação que receberia. Eu estava preparado para uma enxurrada de cartas e jornais que publicariam minha coluna me acusando de ser “antissemita”... As correspondências recebidas confirmaram minhas piores expectativas... Essa lamúria e essas acusações infundadas são uma maneira certeira de transformar amigos em inimigos.

O que poucos americanos entendem é que houve uma longa aliança histórica — do final do século XIX até hoje — entre o sionismo e antissemitas de fato — desde aqueles que planejaram pogroms na Rússia czarista até a própria Alemanha nazista. A razão da afinidade que muitos líderes sionistas sentiam pelos antissemitas torna-se clara à medida que essa história se revela.

 

Theodor Herzl

Quando Theodor Herzl, o fundador do sionismo político moderno, trabalhava em Paris como correspondente de um jornal vienense, ele mantinha contato próximo com os principais antissemitas da época. Em sua biografia de Herzl, The Labirinth of Exile {O Labirinto do Exílio}, Ernst Pawel relata que aqueles que financiavam e editavam La Libre Parole, um semanário dedicado “à defesa da França católica contra ateus, republicanos, maçons e judeus”, convidavam Herzl para suas casas regularmente.

Aludindo a esses conservadores e suas publicações, Pawel escreve que Herzl “se viu cativado” por esses homens e suas ideias:

A La France Juive {França Judaica} [de Édouard Drumont] lhe pareceu uma obra brilhante e — assim como a notória Questão Judaica de [Eugen] Dühring dez anos depois — despertou emoções poderosas e contraditórias… Em 12 de junho de 1895, enquanto trabalhava em Der Judenstaat {O Estado Judeu}, [Herzl] anotou em seu diário: “muito da minha atual liberdade conceitual eu devo a Drumont, porque ele é um artista”. O elogio parece extravagante, mas Drumont o retribuiu no ano seguinte com uma resenha brilhante do livro de Herzl em La Parole Libre.

No fim, argumenta Pawel, “Paris mudou Herzl, e os antissemitas franceses minaram a irônica complacência do judeu que se dizia não judeu”. Contudo, Herzl não estava totalmente descontente com o antissemitismo. Em uma carta particular a Moritz Benedikt, escrita nos últimos dias de 1892, ele afirma: “Eu não considero o movimento antissemita totalmente prejudicial. Ele inibirá a ostentação de riqueza, refreará o comportamento inescrupuloso de financistas judeus e contribuirá de muitas maneiras para a educação dos judeus… Nesse aspecto, parece estarmos em acordo”.

O livro de Herzl, Der Judenstaat (“O Estado Judeu”), foi amplamente criticado pelos judeus influentes da época, que se consideravam cidadãos franceses, alemães, ingleses ou austríacos e judeus por religião — sem qualquer interesse em um Estado judeu separado. Os antissemitas, por outro lado, acolheram com entusiasmo a obra de Herzl. Os argumentos de Herzl, como aponta Pawel, eram “praticamente indistinguíveis daqueles usados ​​pelos antissemitas”. Uma das primeiras resenhas apareceu no Westungarischer Grenzbote, um jornal antissemita publicado em Bratislava por Ivan von Simonyi, membro da Dieta Húngara. Ele elogiou tanto o livro quanto Herzl, e ficou tão entusiasmado que fez uma visita pessoal a Herzl. Herzl escreveu em seu diário:

Meu estranho seguidor, o antissemita de Bratislava, Ivan von Simonyi, veio me ver. Um sexagenário hipermercurial e hiperloquaz, com uma estranha simpatia pelos judeus. Oscila entre discursos perfeitamente racionais e completos absurdos, acredita na acusação de assassinato ritual e, ao mesmo tempo, apresenta as ideias modernas mais sensatas. Me adora.

Após o bárbaro pogrom de Kishinev, em abril de 1901, no qual centenas de judeus foram mortos ou feridos, Herzl foi à Rússia para negociar com V. K. Plehve, o ministro do Interior russo que havia incitado o pogrom. Herzl disse ao líder cultural judeu Chaim Zhitlovsky: “Eu tenho uma promessa absolutamente vinculativa de Plehve de que ele conseguirá uma carta para a Palestina para nós em, no máximo, 15 anos. Há uma condição, porém: os revolucionários devem cessar sua luta contra o governo russo.”

Zhitlovsky, indignado com Herzl por negociar com um assassino de judeus e ciente de que Herzl havia sido enganado, persuadiu-o a abandonar a ideia. Ainda assim, os líderes sionistas na Rússia concordaram com o governo que a verdadeira responsabilidade pelos pogroms recaía sobre o Bund Judeu, um grupo socialista que defendia reformas democráticas no regime czarista. Os sionistas queriam que os judeus se mantivessem afastados da política russa até o momento de partir para a Palestina.

O chefe da polícia secreta de Moscou, S.V. Zubatov, simpatizava com o sionismo como forma de silenciar os opositores judeus do regime czarista repressivo. Em seu livro The Fate of The Jews {O Destino dos Judeus}, Roberta Strauss Feuerlicht relata que:

O sionismo apelava grandemente para o chefe de polícia Zubatov, como atrai todos os antissemitas, porque leva o problema judaico para outro lugar. Tanto Zubatov quanto os sionistas queriam destruir o Bund: Zubatov para proteger seu país e os sionistas para proteger o deles. O sucesso do sionismo se baseia em um índice de miséria judaica; quanto maior a miséria, maior o desejo de emigrar. A última coisa que os sionistas queriam era melhorar as condições na Rússia. Os sionistas serviam a Zubatov como espiões da polícia e sabotadores do Bund…

Em seu livro História Judaica, Religião Judaica, Israel Shahak destaca que:

Relações estreitas entre sionistas e antissemitas têm sempre existido; exatamente como alguns conservadores europeus, os sionistas pensavam que podiam ignorar o caráter “demoníaco” do antissemitismo e usar os antissemitas para seus próprios fins… Herzl aliou-se ao notório Conde von Plehve, o ministro antissemita do czar Nicolau II; Jabotinsky fez um pacto com Petlyura, o líder ucraniano reacionário cujas forças massacraram cerca de 100.000 judeus entre 1918 e 1921… Talvez o exemplo mais chocante desse tipo seja a alegria com que os líderes sionistas na Alemanha acolheram a ascensão de Hitler ao poder, porque compartilhavam sua crença na primazia da “raça” e sua hostilidade à assimilação dos judeus entre os “arianos”. Eles parabenizaram Hitler por seu triunfo sobre o inimigo comum — as forças do liberalismo.

 

“Nós, Judeus”

O Dr. Joachim Prinz, um rabino sionista alemão que posteriormente emigrou para os Estados Unidos, onde se tornou vice-presidente do Congresso Judaico Mundial e líder da Organização Sionista Mundial, publicou em 1934 o livro Wir Juden (“Nós, Judeus”) para celebrar a chamada Revolução Alemã de Hitler e a derrota do liberalismo. Ele escreveu:

O significado da Revolução Alemã para a nação alemã ficará claro, eventualmente, para aqueles que a criaram e moldaram sua imagem. Seu significado para nós deve ser exposto ali: a sorte do liberalismo está perdida. A única forma de vida política que ajudou na assimilação judaica afundou.

A vitória do nazismo descartou a assimilação e o casamento inter-religioso como opções para os judeus. “Nós não estamos descontentes com isso”, disse o Dr. Prinz. No fato de os judeus serem forçados a se identificarem como judeus, ele via “a plena realização de nossos desejos”. Além disso, ele afirma:

Nós queremos que a assimilação seja substituída por uma nova lei: a declaração de pertencimento à nação judaica e à raça judaica. Um Estado construído sobre o princípio da pureza da nação e da raça só pode ser honrado e respeitado por um judeu que declare seu pertencimento à sua própria raça. Tendo assim se declarado, ele jamais será capaz de demonstrar lealdade falha para com o Estado. O Estado não pode desejar outros judeus, a não ser aqueles que se declarem pertencentes à sua nação...

O Dr. Shahak compara a simpatia inicial de Prinz pelos nazistas com a de muitos que abraçaram a visão sionista, sem compreender plenamente as possíveis implicações: “É claro que o Dr. Prinz, como muitos outros simpatizantes e aliados do nazismo, não percebeu aonde aquele movimento estava levando...”

 

Proposta de Aliança Sionista-Nazista

Ainda assim, em janeiro de 1941, o grupo sionista LEHI, cujo líder, Yitzhak Shamir, viria a se tornar primeiro-ministro de Israel, contatou os nazistas, usando o nome de sua organização matriz, o Irgun (NMO). O adido naval da embaixada alemã na Turquia transmitiu a proposta do LEHI a seus superiores na Alemanha. Parte da proposta dizia:

É frequentemente afirmado nos discursos e pronunciamentos dos principais estadistas da Alemanha Nacional Socialista que uma Nova Ordem na Europa exige, como pré-requisito, a solução radical da questão judaica por meio da evacuação. A evacuação das massas judaicas da Europa é uma condição essencial para a solução da questão judaica. Isso só poderá ser possível e plenamente realizado por meio do assentamento dessas massas na pátria do povo judeu, a Palestina, e pelo estabelecimento de um Estado judeu em suas fronteiras históricas.

A proposta do LEHI continua: “O NMO {Irgun} … é bem familiar da boa vontade do Governo do Reich Alemão e de suas autoridades em relação à atividade sionista dentro da Alemanha e aos planos de emigração sionista.” Prossegue afirmando:

O estabelecimento do Estado judeu histórico em bases nacionais e totalitárias, vinculado por um tratado com o Reich Alemão, seria do interesse do fortalecimento da futura posição de poder da Alemanha no Oriente Médio… O NMO {Irgun} na Palestina oferece-se para participar ativamente da guerra ao lado da Alemanha… A cooperação do movimento de libertação israelense também estaria em consonância com um dos discursos recentes do Chanceler do Reich Alemão, no qual Hitler enfatizou que qualquer combinação e qualquer aliança seriam firmadas para isolar a Inglaterra e derrotá-la.

Os nazistas rejeitaram essa proposta de aliança porque, segundo relatos, eles consideravam o poderio militar do Lehi “insignificante”. [Para mais informações, consulte: M. Weber, “Sionismo e o Terceiro Reich”]*1

O rabino David J. Goldberg, em seu livro To the Promised Land: A History of Zionist Thought {À Terra Prometida: Uma História do Pensamento Sionista}, ele discute a vida e o pensamento do líder do revisionismo sionista, Vladimir Jabotinsky, que exerceu grande influência sobre a vida de Menachem Begin. “Os princípios básicos da filosofia política de Jabotinsky”, escreve Goldberg, 

são a submissão ao conceito primordial de pátria: a lealdade a um líder carismático e a subordinação do conflito de classes aos objetivos nacionais. Jabotinsky ficou irritado quando, mais de 20 anos depois, foi acusado de imitar Mussolini e Hitler. Sua irritação era justificada: ele os havia previsto… Dado que, para Jabotinsky, ecoando Garibaldi, “não há valor no mundo maior do que a nação e a pátria”, não é de todo surpreendente que ele tenha recomendado uma aliança com um nacionalista ucraniano antissemita. Em 1911, em um ensaio intitulado “O Jubileu de Schevenko”, ele elogiou o poeta ucraniano xenófobo por seu espírito nacionalista, apesar das “explosões de fúria descontrolada contra os poloneses, os judeus e outros vizinhos”, e por provar que a alma ucraniana possui um “talento para a criatividade cultural independente, que alcança a esfera mais elevada e sublime”.

Em uma resenha do livro In Memory’s Kitchen: A Legacy From The Women of Terezin {Na Cozinha da Memória: Um Legado das Mulheres de Terezin}, Lore Dickstein, escrevendo para o The New York Times Book Review, observa que “Anny Stern foi uma das sortudas. Em 1939, após meses de dificuldades com a burocracia nazista, com o exército alemão de ocupação em seu encalço, ela fugiu da Tchecoslováquia com seu filho pequeno e emigrou para a Palestina. Na época da partida de Anny, a política nazista incentivava a emigração. ‘Você é sionista?’, perguntou Adolf Eichmann, especialista de Hitler em assuntos judaicos. ‘Sim, sou’, ela respondeu. ‘Ótimo’, disse ele, ‘eu também sou sionista. Quero que todos os judeus partam para a Palestina’.”

 

Uma “Relação Próxima”

Muitos comentaristas já apontaram a estreita relação entre o sionismo e o nazismo. Ambas as ideologias concebem os judeus de forma étnica e nacionalista. De fato, o teórico nazista Alfred Rosenberg frequentemente citava autores sionistas para sustentar sua tese de que os judeus não podiam ser alemães.

Em seu estudo, The Meaning of Jewish History {O Significado da História Judaic}, o rabino Jacob Agus apresenta a seguinte avaliação:

Em sua formulação extrema, os sionistas políticos concordavam com o ressurgimento do antissemitismo nas seguintes proposições: 1. Que a emancipação dos judeus na Europa foi um erro. 2. Que os judeus só podem atuar nas terras da Europa como uma influência disruptiva. 3. Que todos os judeus do mundo constituíam um único “povo”, apesar de suas diversas filiações políticas. 4. Que todos os judeus, diferentemente dos outros povos da Europa, eram únicos e inintegráveis. 5. Que o antissemitismo era a expressão natural do sentimento de pertencimento das nações europeias e, portanto, ineradicável.

O teórico nazista Rosenberg, que foi executado em consequência de sua condenação por crimes de guerra nos julgamentos de Nuremberg, declarou, sob interrogatório direto [em 15 de abril de 1946], que havia estudado os escritos de historiadores judeus. Ele prosseguiu:

Parecia-me que, após uma época de generosa emancipação no decorrer dos movimentos nacionais do século XIX, uma parte importante da nação judaica reencontrou sua própria tradição e natureza, e se segregou cada vez mais conscientemente de outras nações. Era um problema que foi discutido em muitos congressos internacionais, e [Martin] Buber, em particular, um dos líderes espirituais do judaísmo europeu, declarou que os judeus deveriam retornar ao solo da Ásia, pois somente lá poderiam ser encontradas as raízes do sangue judaico e do caráter nacional judaico.

 

Aliança de Longa Data

Em 1941, Feyenwald, o nazista, republicou a seguinte declaração de Simon Dubnow, historiador e autor sionista:

A assimilação é uma traição comum contra a bandeira e os ideais do povo judeu... Ninguém pode “tornar-se” membro de um grupo nacional, como uma família, tribo ou nação. Pode-se obter os direitos e privilégios da cidadania de uma nação estrangeira, mas não se pode apropriar também de sua nacionalidade. Certamente, o judeu emancipado na França se autodenomina francês de fé judaica. Isso, porém, significaria que ele se tornou parte da nação francesa, professando a fé judaica? De modo algum... Um judeu... mesmo que tenha nascido na França e ainda viva lá, apesar disso, permanece membro da nação judaica.

Os sionistas têm enfatizado repetidamente — e continuam a fazê-lo — que, do seu ponto de vista, os judeus estão em “exílio”, fora do “Estado judeu”. Jacob Klatzkin, um dos principais escritores sionistas, declarou: “Nós somos simplesmente estrangeiros, somos um povo forasteiro entre vocês, e enfatizamos, desejamos continuar assim”. Essa perspectiva sionista tem sido uma visão minoritária entre os judeus desde sua formulação até os dias de hoje.

Quando o termo “antissemitismo” é usado levianamente para silenciar aqueles que criticam o governo de Israel e suas políticas, é importante notar que a história de aliança do sionismo com o antissemitismo real é antiga, e isso se deve precisamente ao fato de que o sionismo e o antissemitismo compartilham uma visão dos judeus que a vasta maioria dos judeus nos Estados Unidos e em outras partes do mundo sempre rejeitou.

Este capítulo da história, raramente discutido, merece estudo, pois ilumina muitas verdades relevantes para o debate em curso, tanto em relação à política para o Oriente Médio quanto à verdadeira natureza dos judeus e do judaísmo.

Tradução e palavras entre chaves por Mykel Alexander

 Notas:


*1 Fonte utilizada por Allan C. Brownfeld: Sionismo e o Terceiro Reich, por Mark Weber, 21 de junho de 2023, World Traditional Front.

https://worldtraditionalfront.blogspot.com/2023/06/sionismo-e-o-terceiro-reich-por-mark.html

Fonte: Zionism and Anti-Semitism: A Strange Alliance Through History, por Allan C. Brownfeld, The Journal for Historical Review, janeiro-fevereiro de 1999 (Vol. 18, nº 1), páginas 22 e seguintes. Este artigo foi reproduzido da edição de julho-agosto de 1998 do The Washington Report on Middle East Affairs.

https://ihr.org/journal/v18n1p22_Brownfeld.html

Sobre o autor: Allan C. Brownfeld obteve seu bacharelado pela Faculdade de William e Mary, seu diploma de Direito pela Faculdade de Direito Marshall-Wythe da Faculdade de William e Mary e seu mestrado em Governo e Política pela Universidade de Maryland. Ele atuou no corpo docente da Escola Episcopal de Santo Estêvão, em Alexandria, Virgínia, e do University College da Universidade de Maryland.

O Sr. Brownfeld escreveu para muitos jornais como, The Washington Evening Star e The Phoenix Gazette, entre outros. Escreveu colunas semanais no jornal do Capitólio, o Roll Call, na The Yale Review e no Modern Age, entre outros. Escreveu para The Washington Report on Middle East Affairs. O Sr. Brownfeld atuou como membro da equipe da Subcomissão de Segurança Interna do Senado dos EUA, também atuou como Assistente do Diretor de Pesquisa da Conferência Republicana da Câmara e como consultor de membros do Congresso e do Vice-Presidente dos Estados Unidos. É autor de cinco livros: Hung Up On Freedom (1969), The New Left (1978), Dossier On Douglas (1970) entre outros. 

___________________________________________________________________________________

Relacionado, leia também:

Sionismo e o Terceiro Reich - por Mark Weber

{Os verdadeiros terroristas} Resenha de Israel’s Sacred Terrorism, por Livia Rokach Belmon e de Blaming the Victims, por Edward Said e Christopher Hitchins - por William Grimstad

Controvérsia de Sião - por Knud Bjeld Eriksen

Sionismo e judeus americanos - por Alfred M. Lilienthal

Por trás da Declaração de Balfour A penhora britânica da Grande Guerra ao Lord Rothschild - parte 1 - Por Robert John {as demais 5 partes seguem na sequência}

Um olhar direto sobre o lobby judaico - por Mark Weber

Antissemitismo: Por que ele existe? E por que ele persiste? - Por Mark Weber

A Supressão do Cristianismo em Seu Berço - Israel não é amigo de Jesus - por Philip Giraldi

“Grande Israel”: O Plano Sionista para o Oriente Médio O infame "Plano Oded Yinon". - Por Israel Shahak - parte 1 - apresentação por Michel Chossudovsky (demais partes na sequência do próprio artigo)

Raízes do Conflito Mundial Atual – Estratégias sionistas e a duplicidade Ocidental durante a Primeira Guerra Mundial – por Kerry Bolton

Conversa direta sobre o sionismo - o que o nacionalismo judaico significa - Por Mark Weber

Judeus: Uma comunidade religiosa, um povo ou uma raça? por Mark Weber