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| Allan C. Brownfeld |
Tem,
por muitos anos, sido uma tática daqueles que buscam silenciar o debate aberto
e discussão da política dos EUA no Oriente Médio acusar os críticos de Israel
de “antissemitismo”.
Em
um artigo amplamente discutido intitulado “J’Accuse” (Commentary, setembro de
1983), Norman Podhoretz acusou os principais jornalistas, jornais e redes de
televisão dos Estados Unidos de “antissemitismo” por causa de suas reportagens
sobre a guerra no Líbano e suas críticas à conduta de Israel. Entre os acusados
estavam Anthony Lewis, do The New York
Times, Nicholas von Hoffman, Joseph Harsch, do The Christian Science Monitor, Rowland Evans, Robert Novak, Mary
McGrory, Richard Cohen e Alfred Friendly, do The Washington Post, e muitos outros. Esses indivíduos e suas
organizações de notícias não foram criticados por reportagens ruins ou padrões
jornalísticos deficientes; em vez disso, foram alvo da acusação de
antissemitismo.
Podhoretz
declarou: “… O princípio da sabedoria ao refletir sobre essa questão é
reconhecer que a difamação de Israel é o fenômeno a ser abordado, e não o
comportamento israelense que a provocou… Estamos lidando aqui com uma erupção
de antissemitismo.”
Para
entender Norman Podhoretz e outros que se envolveram em tais acusações, devemos
reconhecer que o termo “antissemitismo” passou por uma grande transformação.
Até recentemente, os culpados dessa ofensa eram amplamente entendidos como
aqueles que, irracionalmente, não gostavam de judeus e do judaísmo. Hoje, no
entanto, o termo é usado de uma maneira muito diferente — uma que ameaça não somente
a liberdade de expressão, mas também banaliza o próprio antissemitismo.
O
antissemitismo tem sido redefinido para significar qualquer coisa que se opõe
às políticas e aos interesses de Israel. O começo dessa redefinição, pode ser
dito, data, em parte, da publicação, em 1974, do livro The New Anti-Semitism {O Novo Antissemitismo}, de Arnold Forster e
Benjamin R. Epstein, líderes da Liga Antidifamação da B'nai B'rith. A natureza
do “novo” antissemitismo, segundo Forster e Epstein, não é necessariamente a
hostilidade contra os judeus enquanto judeus, ou contra o judaísmo, mas sim uma
atitude crítica em relação a Israel e suas políticas.
Mais
tarde, Nathan Perlmutter, quando era diretor da Liga Antidifamação, afirmou que
“tem havido uma transformação do antissemitismo americano nos últimos tempos. O
preconceito antijudaico grosseiro, antes tão comum neste país, é hoje
considerado de mau gosto... Pesquisa após pesquisa indica que os judeus são um
dos grupos mais considerados da América”.
‘Posturas
Semiticamente Neutras’
Perlmutter,
contudo, recusou-se a declarar vitória sobre tal intolerância. Em vez disso,
redefiniu-a. Declarou:
A busca por paz no Oriente Médio está repleta de campos minados para os interesses judaicos… Preocupações judaicas que se deparam com as posturas semiticamente neutras daqueles que acreditam que, se Israel cedesse isto ou aquilo, o Oriente Médio se tornaria tranquilo e a rota do Ocidente para seus interesses estratégicos e lucros no Golfo Pérsico estaria segura. Mas a que custo para a segurança de Israel? A segurança de Israel, em suma, significa mais para os judeus hoje do que sua posição nas pesquisas de opinião…
O
que Perlmutter fez foi substituir o termo “interesses judaicos” pelo que são,
na realidade, “interesses israelenses”. Ao mudar os termos do debate, ele criou
uma situação em que qualquer pessoa que critique Israel se torna, ipso facto, “antissemita”.
A
tática de usar o termo “antissemitismo” como arma contra dissidentes não é
nova. Dorothy Thompson, a distinta jornalista que foi uma das primeiras
inimigas do nazismo, viu-se criticando as políticas de Israel pouco depois de
sua criação. Apesar de sua valente cruzada contra Hitler, ela também foi alvo
da acusação de “antissemitismo”. Em uma carta ao The Jewish Newsletter (6 de abril de 1951), ela escreveu:
Realmente, eu acho que se deve continuar a enfatizar o extremo prejuízo causado à comunidade judaica por rotular pessoas como eu de antissemitas… O Estado de Israel precisa aprender a viver na mesma atmosfera de liberdade de crítica que todos os outros Estados do mundo devem suportar… Há muitos assuntos sobre os quais escritores neste país estão, por causa dessas pressões, se tornando covardes e evasivos. Mas as pessoas não gostam de ser covardes e evasivas; cada vez que alguém cede a tal pressão, se enche de autodesprezo, e esse autodesprezo se manifesta em ressentimento contra aqueles que o causaram.
Um
quarto de século depois, o colunista Carl Rowan (Washington Star, 5 de fevereiro de 1975) relatou:
Quando eu escrevi minha coluna recente sobre o que eu percebo como uma sutil erosão do apoio a Israel nesta cidade, eu não tinha ilusões quanto à reação que receberia. Eu estava preparado para uma enxurrada de cartas e jornais que publicariam minha coluna me acusando de ser “antissemita”... As correspondências recebidas confirmaram minhas piores expectativas... Essa lamúria e essas acusações infundadas são uma maneira certeira de transformar amigos em inimigos.
O
que poucos americanos entendem é que houve uma longa aliança histórica — do
final do século XIX até hoje — entre o sionismo e antissemitas de fato — desde
aqueles que planejaram pogroms na Rússia czarista até a própria Alemanha
nazista. A razão da afinidade que muitos líderes sionistas sentiam pelos antissemitas
torna-se clara à medida que essa história se revela.
Theodor Herzl
Quando
Theodor Herzl, o fundador do sionismo político moderno, trabalhava em Paris
como correspondente de um jornal vienense, ele mantinha contato próximo com os principais
antissemitas da época. Em sua biografia de Herzl, The Labirinth of Exile {O Labirinto do Exílio}, Ernst Pawel relata
que aqueles que financiavam e editavam La
Libre Parole, um semanário dedicado “à defesa da França católica contra
ateus, republicanos, maçons e judeus”, convidavam Herzl para suas casas
regularmente.
Aludindo
a esses conservadores e suas publicações, Pawel escreve que Herzl “se viu
cativado” por esses homens e suas ideias:
A La France Juive {França Judaica} [de Édouard Drumont] lhe pareceu uma obra brilhante e — assim como a notória Questão Judaica de [Eugen] Dühring dez anos depois — despertou emoções poderosas e contraditórias… Em 12 de junho de 1895, enquanto trabalhava em Der Judenstaat {O Estado Judeu}, [Herzl] anotou em seu diário: “muito da minha atual liberdade conceitual eu devo a Drumont, porque ele é um artista”. O elogio parece extravagante, mas Drumont o retribuiu no ano seguinte com uma resenha brilhante do livro de Herzl em La Parole Libre.
No
fim, argumenta Pawel, “Paris mudou Herzl, e os antissemitas franceses minaram a
irônica complacência do judeu que se dizia não judeu”. Contudo, Herzl não
estava totalmente descontente com o antissemitismo. Em uma carta particular a
Moritz Benedikt, escrita nos últimos dias de 1892, ele afirma: “Eu não
considero o movimento antissemita totalmente prejudicial. Ele inibirá a
ostentação de riqueza, refreará o comportamento inescrupuloso de financistas
judeus e contribuirá de muitas maneiras para a educação dos judeus… Nesse
aspecto, parece estarmos em acordo”.
O
livro de Herzl, Der Judenstaat (“O
Estado Judeu”), foi amplamente criticado pelos judeus influentes da época, que
se consideravam cidadãos franceses, alemães, ingleses ou austríacos e judeus
por religião — sem qualquer interesse em um Estado judeu separado. Os
antissemitas, por outro lado, acolheram com entusiasmo a obra de Herzl. Os
argumentos de Herzl, como aponta Pawel, eram “praticamente indistinguíveis
daqueles usados pelos antissemitas”. Uma das primeiras resenhas apareceu no Westungarischer Grenzbote, um jornal
antissemita publicado em Bratislava por Ivan von Simonyi, membro da Dieta
Húngara. Ele elogiou tanto o livro quanto Herzl, e ficou tão entusiasmado que
fez uma visita pessoal a Herzl. Herzl escreveu em seu diário:
Meu estranho seguidor, o antissemita de Bratislava, Ivan von Simonyi, veio me ver. Um sexagenário hipermercurial e hiperloquaz, com uma estranha simpatia pelos judeus. Oscila entre discursos perfeitamente racionais e completos absurdos, acredita na acusação de assassinato ritual e, ao mesmo tempo, apresenta as ideias modernas mais sensatas. Me adora.
Após
o bárbaro pogrom de Kishinev, em abril de 1901, no qual centenas de judeus
foram mortos ou feridos, Herzl foi à Rússia para negociar com V. K. Plehve, o
ministro do Interior russo que havia incitado o pogrom. Herzl disse ao líder
cultural judeu Chaim Zhitlovsky: “Eu tenho uma promessa absolutamente
vinculativa de Plehve de que ele conseguirá uma carta para a Palestina para nós
em, no máximo, 15 anos. Há uma condição, porém: os revolucionários devem cessar
sua luta contra o governo russo.”
Zhitlovsky,
indignado com Herzl por negociar com um assassino de judeus e ciente de que
Herzl havia sido enganado, persuadiu-o a abandonar a ideia. Ainda assim, os
líderes sionistas na Rússia concordaram com o governo que a verdadeira
responsabilidade pelos pogroms recaía sobre o Bund Judeu, um grupo socialista
que defendia reformas democráticas no regime czarista. Os sionistas queriam que
os judeus se mantivessem afastados da política russa até o momento de partir
para a Palestina.
O
chefe da polícia secreta de Moscou, S.V. Zubatov, simpatizava com o sionismo
como forma de silenciar os opositores judeus do regime czarista repressivo. Em
seu livro The Fate of The Jews {O
Destino dos Judeus}, Roberta Strauss Feuerlicht relata que:
O sionismo apelava grandemente para o chefe de polícia Zubatov, como atrai todos os antissemitas, porque leva o problema judaico para outro lugar. Tanto Zubatov quanto os sionistas queriam destruir o Bund: Zubatov para proteger seu país e os sionistas para proteger o deles. O sucesso do sionismo se baseia em um índice de miséria judaica; quanto maior a miséria, maior o desejo de emigrar. A última coisa que os sionistas queriam era melhorar as condições na Rússia. Os sionistas serviam a Zubatov como espiões da polícia e sabotadores do Bund…
Em
seu livro História Judaica, Religião
Judaica, Israel Shahak destaca que:
Relações estreitas entre sionistas e antissemitas têm sempre existido; exatamente como alguns conservadores europeus, os sionistas pensavam que podiam ignorar o caráter “demoníaco” do antissemitismo e usar os antissemitas para seus próprios fins… Herzl aliou-se ao notório Conde von Plehve, o ministro antissemita do czar Nicolau II; Jabotinsky fez um pacto com Petlyura, o líder ucraniano reacionário cujas forças massacraram cerca de 100.000 judeus entre 1918 e 1921… Talvez o exemplo mais chocante desse tipo seja a alegria com que os líderes sionistas na Alemanha acolheram a ascensão de Hitler ao poder, porque compartilhavam sua crença na primazia da “raça” e sua hostilidade à assimilação dos judeus entre os “arianos”. Eles parabenizaram Hitler por seu triunfo sobre o inimigo comum — as forças do liberalismo.
“Nós, Judeus”
O
Dr. Joachim Prinz, um rabino sionista alemão que posteriormente emigrou para os
Estados Unidos, onde se tornou vice-presidente do Congresso Judaico Mundial e
líder da Organização Sionista Mundial, publicou em 1934 o livro Wir Juden (“Nós, Judeus”) para celebrar
a chamada Revolução Alemã de Hitler e a derrota do liberalismo. Ele escreveu:
O significado da Revolução Alemã para a nação alemã ficará claro, eventualmente, para aqueles que a criaram e moldaram sua imagem. Seu significado para nós deve ser exposto ali: a sorte do liberalismo está perdida. A única forma de vida política que ajudou na assimilação judaica afundou.
A
vitória do nazismo descartou a assimilação e o casamento inter-religioso como opções
para os judeus. “Nós não estamos descontentes com isso”, disse o Dr. Prinz. No
fato de os judeus serem forçados a se identificarem como judeus, ele via “a plena
realização de nossos desejos”. Além disso, ele afirma:
Nós queremos que a assimilação seja substituída por uma nova lei: a declaração de pertencimento à nação judaica e à raça judaica. Um Estado construído sobre o princípio da pureza da nação e da raça só pode ser honrado e respeitado por um judeu que declare seu pertencimento à sua própria raça. Tendo assim se declarado, ele jamais será capaz de demonstrar lealdade falha para com o Estado. O Estado não pode desejar outros judeus, a não ser aqueles que se declarem pertencentes à sua nação...
O
Dr. Shahak compara a simpatia inicial de Prinz pelos nazistas com a de muitos
que abraçaram a visão sionista, sem compreender plenamente as possíveis
implicações: “É claro que o Dr. Prinz, como muitos outros simpatizantes e
aliados do nazismo, não percebeu aonde aquele movimento estava levando...”
Proposta de Aliança
Sionista-Nazista
Ainda
assim, em janeiro de 1941, o grupo sionista LEHI, cujo líder, Yitzhak Shamir,
viria a se tornar primeiro-ministro de Israel, contatou os nazistas, usando o
nome de sua organização matriz, o Irgun (NMO). O adido naval da embaixada alemã
na Turquia transmitiu a proposta do LEHI a seus superiores na Alemanha. Parte
da proposta dizia:
É frequentemente afirmado nos discursos e pronunciamentos dos principais estadistas da Alemanha Nacional Socialista que uma Nova Ordem na Europa exige, como pré-requisito, a solução radical da questão judaica por meio da evacuação. A evacuação das massas judaicas da Europa é uma condição essencial para a solução da questão judaica. Isso só poderá ser possível e plenamente realizado por meio do assentamento dessas massas na pátria do povo judeu, a Palestina, e pelo estabelecimento de um Estado judeu em suas fronteiras históricas.
A
proposta do LEHI continua: “O NMO {Irgun} … é bem familiar da boa vontade do
Governo do Reich Alemão e de suas autoridades em relação à atividade sionista
dentro da Alemanha e aos planos de emigração sionista.” Prossegue afirmando:
O estabelecimento do Estado judeu histórico em bases nacionais e totalitárias, vinculado por um tratado com o Reich Alemão, seria do interesse do fortalecimento da futura posição de poder da Alemanha no Oriente Médio… O NMO {Irgun} na Palestina oferece-se para participar ativamente da guerra ao lado da Alemanha… A cooperação do movimento de libertação israelense também estaria em consonância com um dos discursos recentes do Chanceler do Reich Alemão, no qual Hitler enfatizou que qualquer combinação e qualquer aliança seriam firmadas para isolar a Inglaterra e derrotá-la.
Os
nazistas rejeitaram essa proposta de aliança porque, segundo relatos, eles consideravam
o poderio militar do Lehi “insignificante”. [Para mais informações, consulte:
M. Weber, “Sionismo e o Terceiro Reich”]*1
O rabino David J. Goldberg, em seu livro To the Promised Land: A History of Zionist Thought {À Terra Prometida: Uma História do Pensamento Sionista}, ele discute a vida e o pensamento do líder do revisionismo sionista, Vladimir Jabotinsky, que exerceu grande influência sobre a vida de Menachem Begin. “Os princípios básicos da filosofia política de Jabotinsky”, escreve Goldberg,
são a submissão ao conceito primordial de pátria: a lealdade a um líder carismático e a subordinação do conflito de classes aos objetivos nacionais. Jabotinsky ficou irritado quando, mais de 20 anos depois, foi acusado de imitar Mussolini e Hitler. Sua irritação era justificada: ele os havia previsto… Dado que, para Jabotinsky, ecoando Garibaldi, “não há valor no mundo maior do que a nação e a pátria”, não é de todo surpreendente que ele tenha recomendado uma aliança com um nacionalista ucraniano antissemita. Em 1911, em um ensaio intitulado “O Jubileu de Schevenko”, ele elogiou o poeta ucraniano xenófobo por seu espírito nacionalista, apesar das “explosões de fúria descontrolada contra os poloneses, os judeus e outros vizinhos”, e por provar que a alma ucraniana possui um “talento para a criatividade cultural independente, que alcança a esfera mais elevada e sublime”.
Em
uma resenha do livro In Memory’s Kitchen:
A Legacy From The Women of Terezin {Na Cozinha da Memória: Um Legado das
Mulheres de Terezin}, Lore Dickstein, escrevendo para o The New York Times Book Review, observa que “Anny Stern foi uma das
sortudas. Em 1939, após meses de dificuldades com a burocracia nazista, com o
exército alemão de ocupação em seu encalço, ela fugiu da Tchecoslováquia com
seu filho pequeno e emigrou para a Palestina. Na época da partida de Anny, a
política nazista incentivava a emigração. ‘Você é sionista?’, perguntou Adolf
Eichmann, especialista de Hitler em assuntos judaicos. ‘Sim, sou’, ela
respondeu. ‘Ótimo’, disse ele, ‘eu também sou sionista. Quero que todos os
judeus partam para a Palestina’.”
Uma “Relação Próxima”
Muitos
comentaristas já apontaram a estreita relação entre o sionismo e o nazismo.
Ambas as ideologias concebem os judeus de forma étnica e nacionalista. De fato,
o teórico nazista Alfred Rosenberg frequentemente citava autores sionistas para
sustentar sua tese de que os judeus não podiam ser alemães.
Em
seu estudo, The Meaning of Jewish History
{O Significado da História Judaic}, o rabino Jacob Agus apresenta a seguinte
avaliação:
Em sua formulação extrema, os sionistas políticos concordavam com o ressurgimento do antissemitismo nas seguintes proposições: 1. Que a emancipação dos judeus na Europa foi um erro. 2. Que os judeus só podem atuar nas terras da Europa como uma influência disruptiva. 3. Que todos os judeus do mundo constituíam um único “povo”, apesar de suas diversas filiações políticas. 4. Que todos os judeus, diferentemente dos outros povos da Europa, eram únicos e inintegráveis. 5. Que o antissemitismo era a expressão natural do sentimento de pertencimento das nações europeias e, portanto, ineradicável.
O
teórico nazista Rosenberg, que foi executado em consequência de sua condenação
por crimes de guerra nos julgamentos de Nuremberg, declarou, sob interrogatório
direto [em 15 de abril de 1946], que havia estudado os escritos de historiadores
judeus. Ele prosseguiu:
Parecia-me que, após uma época de generosa emancipação no decorrer dos movimentos nacionais do século XIX, uma parte importante da nação judaica reencontrou sua própria tradição e natureza, e se segregou cada vez mais conscientemente de outras nações. Era um problema que foi discutido em muitos congressos internacionais, e [Martin] Buber, em particular, um dos líderes espirituais do judaísmo europeu, declarou que os judeus deveriam retornar ao solo da Ásia, pois somente lá poderiam ser encontradas as raízes do sangue judaico e do caráter nacional judaico.
Aliança de Longa Data
Em
1941, Feyenwald, o nazista, republicou a seguinte declaração de Simon Dubnow,
historiador e autor sionista:
A assimilação é uma traição comum contra a bandeira e os ideais do povo judeu... Ninguém pode “tornar-se” membro de um grupo nacional, como uma família, tribo ou nação. Pode-se obter os direitos e privilégios da cidadania de uma nação estrangeira, mas não se pode apropriar também de sua nacionalidade. Certamente, o judeu emancipado na França se autodenomina francês de fé judaica. Isso, porém, significaria que ele se tornou parte da nação francesa, professando a fé judaica? De modo algum... Um judeu... mesmo que tenha nascido na França e ainda viva lá, apesar disso, permanece membro da nação judaica.
Os
sionistas têm enfatizado repetidamente — e continuam a fazê-lo — que, do seu
ponto de vista, os judeus estão em “exílio”, fora do “Estado judeu”. Jacob
Klatzkin, um dos principais escritores sionistas, declarou: “Nós somos
simplesmente estrangeiros, somos um povo forasteiro entre vocês, e enfatizamos,
desejamos continuar assim”. Essa perspectiva sionista tem sido uma visão
minoritária entre os judeus desde sua formulação até os dias de hoje.
Quando
o termo “antissemitismo” é usado levianamente para silenciar aqueles que
criticam o governo de Israel e suas políticas, é importante notar que a
história de aliança do sionismo com o antissemitismo real é antiga, e isso se
deve precisamente ao fato de que o sionismo e o antissemitismo compartilham uma
visão dos judeus que a vasta maioria dos judeus nos Estados Unidos e em outras
partes do mundo sempre rejeitou.
Este
capítulo da história, raramente discutido, merece estudo, pois ilumina muitas
verdades relevantes para o debate em curso, tanto em relação à política para o
Oriente Médio quanto à verdadeira natureza dos judeus e do judaísmo.
Tradução
e palavras entre chaves por Mykel Alexander
Notas:
*1 Fonte utilizada por Allan C.
Brownfeld: Sionismo e o Terceiro Reich, por Mark Weber, 21 de junho de
2023, World Traditional Front.
https://worldtraditionalfront.blogspot.com/2023/06/sionismo-e-o-terceiro-reich-por-mark.html
Fonte: Zionism and
Anti-Semitism: A Strange Alliance Through History, por Allan C. Brownfeld, The Journal for Historical Review, janeiro-fevereiro
de 1999 (Vol. 18, nº 1), páginas 22 e seguintes. Este artigo foi reproduzido da
edição de julho-agosto de 1998 do The
Washington Report on Middle East Affairs.
https://ihr.org/journal/v18n1p22_Brownfeld.html
Sobre o autor: Allan C.
Brownfeld obteve seu bacharelado pela Faculdade de William e Mary, seu diploma
de Direito pela Faculdade de Direito Marshall-Wythe da Faculdade de William e
Mary e seu mestrado em Governo e Política pela Universidade de Maryland. Ele
atuou no corpo docente da Escola Episcopal de Santo Estêvão, em Alexandria,
Virgínia, e do University College da Universidade de Maryland.
O Sr. Brownfeld escreveu para muitos jornais como, The Washington Evening Star e The Phoenix Gazette, entre outros. Escreveu colunas semanais no jornal do Capitólio, o Roll Call, na The Yale Review e no Modern Age, entre outros. Escreveu para The Washington Report on Middle East Affairs. O Sr. Brownfeld atuou como membro da equipe da Subcomissão de Segurança Interna do Senado dos EUA, também atuou como Assistente do Diretor de Pesquisa da Conferência Republicana da Câmara e como consultor de membros do Congresso e do Vice-Presidente dos Estados Unidos. É autor de cinco livros: Hung Up On Freedom (1969), The New Left (1978), Dossier On Douglas (1970) entre outros.
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