Escreveu o historiador e filósofo
platônico Plutarco de Queroneia (46 d.C.-120d.C) sobre o que se passou em Atenas ao redor de 476-475
a.C. quando o estadista e general ateniense, filho de Milcíades, herói da
Batalha de Maratona, foi encarregado de encontrar o corpo de lendário herói
Teseu. No contexto, somente após, e não antes, de Atenas ser liberada por Teseu
da pilhagem e violência dos salteadores, a antes incapaz facção citadina
ateniense de precursores da democracia vociferou contra o heroísmo e a favor do
voto democrático, e aproveitando-se da ausência de Teseu conspirou contra
este. Teseu preferiu se auto exilar e refugiou-se na ilha de Ciro, onde o rei
local, Licomedes, com receio da liderança de Teseu, traiu-o empurrando-o de um
penhasco. Teseu, cuja vida se confunde entre o mito e a história, foi o libertador
de Atenas da brutalidade das hordas de bestiais e cruéis errantes descendentes
do colapso civilizatório da Idade do Bronze, ainda que com seus méritos e
deméritos, traz o inconfundível fulminante brilho e magnanimidade arianas, em
que homens se fazem sobrehumanos, resplandecendo com o heroísmo a imortalidade
que trazem na própria alma. Conta Plutarco:
Depois das Guerra Médicas, sendo arconte Fedón e com motivo de uma consulta dos atenienses, a Pítia lhes prescreveu recobrar os ossos de Teseu e, depositando-os com grandes honras entre eles, conservá-los, Mas havia dificuldades para encontrar a Tumba e resgatá-los, devido á insociabilidade e barbárie dos dólopes.
Agora bem, Cimon, quando se apoderou da ilha, segundo se tem escrito no livro concernindo àquele, e enquanto punha todo seu empenho em descobri-la, no entanto uma águia picotava com seu bico, segundo dizem, certo lugar com forma de colina e o arranhava com suas garras por alguma divina casualidade, compreendeu o sinal e escavou. E foi encontrado o féretro de um corpo de grande tamanho e, a seu lado, uma lança de bronze e uma espada.
Conduzidos estes por Cimon em seu trirreme com grande alegria os receberam os atenienses, em meio de vistosas procissões e magníficos sacrifícios, seguros de que era ele quem retornava à cidade.
Jaz no centro da cidade, junto ao atual ginásio e sua tumba é lugar de refúgio para a servidão e para todos os débeis e quantos têm medo aos mais poderosos, posto que também Teseu foi amparo e defensor e acolhia com grande humanidade as súplicas dos mais débeis.
Tradução por Mykel Alexander
| Os feitos de Teseu, em uma kílix ática de figuras vermelhas, c. 440–430 a.C. (Museu Britânico) |
Fonte:
PLUTARCO, VIDAS PARALELAS, tomo I/VIII,
editorial Gredos, introdução geral, tradução e notas por Aurelio Pérez Jiménez,
Madrid, 1985;
Mykel
Alexander possui Licenciatura em História (Unimes, 2018), Licenciatura em
Filosofia (Unimes, 2019) e Bacharel em Farmácia (Unisantos, 2000).
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