quinta-feira, 13 de março de 2025

As fornalhas de cremação de Auschwitz - parte 10 - por Carlo Mattogno e Franco Deana

 Continuação de As fornalhas de cremação de Auschwitz - parte 9 - por Carlo Mattogno e Franco Deana

Carlo Mattogno


5. Consumo de coque nas fornalhas de cremação Topf de Auschwitz e Birkenau

5.1. Equilíbrio térmico das fornalhas de cremação de mufla dupla Topf em Gusen

O fator decisivo que influencia o consumo de combustível de uma fornalha de cremação é a frequência da cremação: quanto maior a frequência, menos combustível é necessário para cada cremação individual. Por exemplo, o diagrama “Cremações subsequentes” publicado pelo Prof. P. Schläpfer em 1936 com base em experiências práticas mostra um consumo de mais de 400 kg de coque para a primeira cremação, começando com um forno frio, de cerca de 200 kg para a segunda, e pouco mais de 100 kg para a quarta cremação.117 Depois da oitava cremação, o gráfico se torna mais ou menos horizontal, atingindo um valor de 37,5 kg de coque na vigésima e última cremação.118 Isso significa que 20 cremações descontínuas separadas uma da outra por um dia ou mais teriam exigido mais de (400 × 20 =) 8.000 kg de coque, enquanto 20 cremações consecutivas em um forno quente teriam exigido apenas (37,5 × 20 =) 740 kg. Da décima cremação consecutiva em diante, o consumo de combustível foi estável porque até então o material refratário foi aquecido e absorveu apenas o calor necessário para compensar as perdas de calor devido à radiação, condução e convecção, ou seja, o forno estava em equilíbrio térmico. Portanto, para descobrir o consumo mínimo de combustível de qualquer forno de cremação, é necessário estabelecer as condições quando o forno está em equilíbrio térmico, ou seja, quando o forno emite tanto calor para o ambiente quanto recebe de volta do combustível em chamas.

Entre os poucos documentos sobreviventes relevantes sobre o Crematório de Gusen, existe uma lista compilada pelo SS-Unterscharführer Wassner, chefe daquele crematório, que documenta o número de presos cremados e o consumo de coque por cadáver no período de 26 de setembro a 12 de novembro de 1941. De acordo com este documento, 677 cadáveres foram cremados neste crematório entre 31 de outubro e 12 de novembro de 1941.119 Isso equivale a uma média de 52 cadáveres por dia, ou 26 cadáveres por dia e mufla, com um consumo total de 20.700 kg de coque, ou 30,6 kg de coque por cadáver.

Desde que esses números de consumo são baseados em dados práticos, eles são um ponto de partida precioso para o cálculo do equilíbrio de calor dos fornos Topf de Auschwitz e Birkenau. Matematicamente, o equilíbrio de calor de uma fornalha é expresso por uma equação que consiste em todas as perdas de calor, divididas em vários fatores (dissipadores de calor, por exemplo, perda por radiação, condução, gases de exaustão quentes) e todas as contribuições de calor (fontes de calor, por exemplo, combustível em chamas, caixão, cadáver)120. Exceto pelo volume de ar que passa pelo forno, que depende de como o forno é operado, todos os fatores podem ser calculados. Mas como no caso específico de Gusen o consumo de combustível é conhecido por dados empíricos, todos os fatores podem ser determinados.121

 

5.2. Equilíbrio de calor das fornalhas de cremação de mufla dupla Topf em Auschwitz

O equilíbrio de calor das fornalhas de mufla dupla Topf em Auschwitz pode ser calculado seguindo esta abordagem, levando em consideração a temperatura operacional ligeiramente diferente, o tempo de cremação e a área de superfície da fornalha.122 Nossos cálculos para o coque necessário para uma única cremação neste tipo de forno em equilíbrio térmico resultaram no seguinte:123

– cadáver normal: 23,3 kg (51,4 lbs.) de coque;

– cadáver moderadamente magro: 27,8 kg (61,3 lbs.) de coque;

– cadáver emaciado (“Muselmann”): 32,3 kg (71,2 lbs.) de coque.

 

5.3. Equilíbrio de calor das fornalhas de cremação Topf de três e oito muflas

A fornalha de mufla tripla foi derivada de uma fornalha de mufla dupla, inserindo uma terceira mufla entre eles. As duas muflas externas se comportavam como as de uma fornalha de mufla dupla, mas liberavam gases de fumaça de alta temperatura para a mufla central. Para permitir a cremação de um corpo na mufla central, um excesso de ar de combustão passava pelas muflas externas, de modo que seus gases de exaustão contivessem oxigênio em quantidades suficientes para cremar um corpo na mufla central. Por esse motivo, a quantidade de ar de combustão não era proporcional ao ar da fornalha de mufla dupla, o que nos impede de fazer um cálculo exato do equilíbrio de calor dessa fornalha. Tudo o que podemos dizer com certeza é que o consumo de coque da fornalha de mufla tripla deve ter sido ligeiramente maior do que o de uma fornalha de mufla dupla devido ao aumento das perdas de calor resultantes de um fluxo de ar ligeiramente maior, e que houve perdas adicionais de radiação e condução da mufla central, que podem ser calculadas. Portanto, a equação para calcular o valor mínimo teórico de consumo de coque para uma fornalha de mufla tripla do tipo Auschwitz é:

 


C2 = consumo de coque por cadáver de uma fornalha de mufla dupla;

Vls3 – Vls2 = diferença de perdas de calor por radiação e condução entre uma fornalha de mufla dupla e uma de mufla tripla;

C3 = consumo de coque por cadáver de uma fornalha de mufla tripla;

ηHu = eficiência do coque.

Assim, o consumo teórico mínimo de coque por cadáver em uma fornalha de mufla tripla era 2/3 do valor de uma fornalha de mufla dupla mais a quantidade de coque para compensar as perdas adicionais de calor da terceira mufla por radiação e condução. Nossos resultados são:

– corpo normal: ≥17 kg (37,5 lbs.) de coque;

– corpo moderadamente magro: ≥20 kg (44,1 lbs.) de coque;

– corpo emaciado (“Muselmann”): ≥23 kg (50,7 lbs.) de coque.

As fornalhas de oito muflas consistiam em dois pares de fornalhas de mufla dupla conectados. Como os gases de combustão da primeira mufla passavam para a segunda mufla, considerações semelhantes se aplicam a este tipo de fornalha: os gases de fumaça da primeira mufla precisavam conter uma quantidade mínima de oxigênio suficiente para a combustão do cadáver na segunda mufla. Como um mínimo teórico de consumo de coque por cadáver para este tipo de forno, nós assumimos metade daquela da fornalha de mufla dupla:

– corpo normal: 23,3 ÷ 2 ≈ 12 kg (26,5 lbs.) de coque;

– corpo moderadamente fino: 27,8 ÷ 2 ≈ 14 kg (30,9 lbs.) de coque;

– corpo emaciado (“Muselmann”): 32,3 ÷ 2 ≈ 16 kg (35,7 lbs.) de coque.

 

5.4. Observações sobre o consumo de coque das fornalhas de tripla e oito muflas

Em um memorando (Aktenvermerk) de 17 de março de 1943, editado pelo funcionário público Jährling “baseado em dados da Topf & Söhne Company”,124 o consumo de coque dos quatro crematórios de Birkenau é estimado em 7.840 kg de coque por dia. Este documento merece uma análise mais de perto. Em relação ao consumo de coque, ele se refere a “10 Feuerungen = 350 kg/stdl.” (10 lareiras = 350 kg/h), o que significa que cada lareira das cinco fornalhas de mufla tripla do Crematório II e III deveria consumir 35 kg/h de coque;125 o mesmo número de 35 kg/h por lareira é dado para as duas fornalhas de oito muflas localizadas nos Crematórios IV e V. Este documento também afirma que a quantidade de coque necessária durante a operação contínua (“bei Dauerbetrieb”) é de apenas 2/3 em comparação com uma operação descontínua, o que é explicado pelo fato de o forno estar em equilíbrio térmico, conforme explicado acima.

A redução do consumo de coque durante 12 horas de atividade em 1/3, de 4.200 para 2.800 kg, significa que durante as cremações descontínuas, (4.200 – 2.800 =) 1.400 kg de coque foram necessários para reaquecer as cinco fornalhas,126 enquanto os 2.800 kg restantes foram usados ​​para as cremações reais. Isso resulta nos seguintes números:

 

TAXA DE PRODUÇÃO DE COQUE DAS LAREIRAS

COQUE POR HORA, MUFLA E CADÁVER

OPERAÇÃO CONTÍNUA: 2/3

fornalha de mufla tripla

70 kg/h

23.3 kg/h

15.6 kg/h

fornalha de oito muflas

140 kg/h

17.5 kg/h

11.7 kg/h

 

Os dados na última coluna para operações contínuas são muito próximos daqueles calculados acima para cadáveres normais127 e confirmam a precisão dos nossos cálculos de equilíbrio de calor para as fornalhas de três e oito muflas. O desafio aqui era operar as lareiras de tal forma que elas realmente consumissem menos coque por vez durante as operações contínuas. Reduzir a tiragem da chaminé era quase impossível, e reduzir a quantidade de coque colocada na grelha, ou ajustar a quantidade de ar fluindo para o gerador de gás na ausência de quaisquer instrumentos de medição, exigia habilidade, experiência e boa vontade por parte dos operadores internos, o que não poderia ser confiável. 

Tradução e palavras entre chaves por Mykel Alexander

Continua em As fornalhas de cremação de Auschwitz - parte 11 - por Carlo Mattogno e Franco Deana

Notas

117 Nota de Carlo Mattogno: Diagram intitulado “Einäscherungen hintereinander,” em Paul Schläpfer, “Über den Bau und den Betrieb von Krematoriumsöfen,” reimpresso a partir de Jahresbericht des Verbandes Schweizerischer Feuerbestattungsvereine, Zürich 1937, página 36.

118 Nota de Carlo Mattogno: Naturalmente é necessário sempre adicionar o calor produzido pelo caixão.

119 Nota de Carlo Mattogno: ÖDMM (Öffentliches Denkmal und Museum Mauthausen, Memorial Público e Museu de Mauthausen), Archiv, B 12/31.

120 Nota de Carlo Mattogno: O cálculo do equilíbrio térmico foi realizado de acordo com o método desenvolvido por W. Heepke em seu artigo “Die neuzeitlichen Leicheneinäscherungsöfen mit Koksfeuerung, deren Wärmebilanz und Brennstoffverbrauch,” em: Feuerungstechnik, 21(8/9), 1933.

121 Nota de Carlo Mattogno: Com base no modelo de W. Heepke, “Die neuzeitlichen Leicheneinäscherungsöfen mit Koksfeuerung, deren Wärmebilanz und Brennstoffverbrauch,” em: Feuerungstechnik, 21(8/9), 1933, a equação fundamental do Forno Gusen que expressa o consumo médio de coque de uma cremação é:

 


com L = diferença de calor dos gases de combustão entre a entrada e a saída + pequenas perdas; W2 = calor de vaporização da água do cadáver; W2a = calor necessário para levar o vapor de água até a temperatura dos gases de combustão que saem; W3 = calor das cinzas quando extraídas da fornalha; Vls = perda de calor da fornalha por radiação e condução; W7 = poder calorífico do corpo (e caixão, se aplicável); ηHu = eficiência do coque.

122 Nota de Carlo Mattogno: Em nosso cálculo (The Cremation Furnaces of Auschwitz: A Technical and Historical Study, 3 Vols., Castle Hill Publishers, Uckfield, 2015), nós também fizemos alguns ajustes na equação de W. Heepke para perdas que ele não levou em consideração, veja lá.

123 Nota de Carlo Mattogno: C. Mattogno, F. Deana, The Cremation Furnaces of Auschwitz: A Technical and Historical Study, 3 Vols., Castle Hill Publishers, Uckfield, 2015, páginas 346-368, aqui { Germar Rudolf (editor) Dissecting the Holocaust - The Growing Critique of ‘Truth’ and ‘Memory’, Castle Hill Publishers, 2019} página 368. Assume-se: para cadáveres normais um peso de 70 kg; para cadáveres moderadamente magros um peso de 55 kg, com perda de 25% de proteína e 30% de gordura corporal; para o cadáver emaciado 40 kg, com perda de 50% de proteína e 60% de gordura corporal.

124 Nota de Carlo Mattogno: APMO, BW 30/7/34, página 54.

125 Nota de Carlo Mattogno: Cada crematório tinha cinco fornalhas com um total de dez lareiras, duas em cada fornalha.

126 Nota de Carlo Mattogno: Todo o material refratário até o ponto de equilíbrio térmico.

127 Nota de Carlo Mattogno: Como os consumos relativos das fornalhas de mufla dupla – e das duas muflas externas das fornalhas de mufla tripla – são conhecidos, o consumo de 15,6 kg por hora e mufla só pode se referir a um cadáver normal; se se referisse a um cadáver moderadamente magro, a mufla central da fornalha de mufla tripla não só não consumiria energia, mas na verdade economizaria energia equivalente a quase 11 kg de coque; se se referisse a um cadáver emaciado, a economia de energia seria de quase 20 kg de coque. Portanto, nenhum desses dois casos pode ser verdadeiro.

Fonte: Carlo Mattogno e Franco Deana, em Germar Rudolf (editor) Dissecting the Holocaust - The Growing Critique of ‘Truth’ and ‘Memory’, Castle Hill Publishers, P.O. Box 243, Uckfield, TN22 9AW, UK; novembro, 2019. Capítulo The Cremation Furnaces of Auschwitz.

Acesse o livro gratuitamente no site oficial:

https://holocausthandbooks.com/index.php?main_page=1&page_id=1  

Sobre os autores: Franco Deana foi um engenheiro italiano. Carlo Mattogno nasceu em 1951 em Orvietto, Itália. Pesquisador revisionista, ele empreendeu estudos em filosofia (incluindo estudos linguísticos em grego, latim e hebraico bem como estudos orientais e religiosos)  e em estudos militares (estudou em três escolas militares). Desde 1979 dedica-se aos estudos revisionistas, tendo estado associado com o jornal francês Annales d’Histoire Revisionniste bem como com o The Journal of Historical Review.

Dentre seus mais de 20 livros sobre a temática do alegado holocausto estão: 

The Real Auschwitz Chronicle: The History of the Auschwitz Camps, 2 volumes, Castle Hill Publishers (Bargoed, Wales, UK), 2023.

Auschwitz: the first gassing – rumor and reality; Castle Hill, 4ª edição, corrigida, 2022.

Curated Lies – The Auschwitz Museum’s Misrepresentations, Distortions and Deceptions; Castle Hill, 2ª edição revisada e expandida, 2020.

Auschwitz Lies – Legends, Lies, and Prejudices on the Holocaust; Castle Hill, 4ª edição, revisada, 2017. (Junto de Germar Rudolf).   

Debunking the Bunkers of Auschwitz – Black Propaganda versus History; Castle Hill, 2ª edição revisada, 2016.

Inside the Gas Chambers: The Extermination of Mainstream Holocaust Historiography, 2ª edição corrigida, 2016.

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O que é o Holocausto? - lições sobre holocausto - por Germar Rudolf

O que é ‘Negação do Holocausto’? - Por Barbara Kulaszka

O Primeiro Holocausto - por Germar Rudolf

O Primeiro Holocausto – e a Crucificação dos judeus deve parar - parte 1 - Por Olaf Rose (Parte 2 na sequência do próprio artigo)

O Holocausto de Seis Milhões de Judeus — na Primeira Guerra Mundial - por Thomas Dalton, Ph.D. {academic auctor pseudonym}

O Mito do extermínio dos judeus – Parte 1.1 {nenhum documento sequer visando o alegado extermínio dos judeus foi jamais encontrado} - por Carlo Mattogno (demais partes na sequência do próprio artigo)


Sobre o revisionismo em geral e o revisionismo do alegado Holocausto ver:

Uma breve introdução ao revisionismo do Holocausto - por Arthur R. Butz

{Retrospectiva Revisionismo em ação na História} – Definindo evidência - por Germar Rudolf

{Retrospectiva Revisionismo em ação na História} – Tipos e hierarquia de evidências - por Germar Rudolf

Por que o revisionismo do Holocausto? - por Theodore J. O'Keefe

Revisionismo e Promoção da Paz - parte 1 - por Harry Elmer Barnes

Revisionismo e Promoção da Paz - parte 2 - por Harry Elmer Barnes

O “Holocausto” colocado em perspectiva - por Austin Joseph App

A controvérsia internacional do “holocausto” - Arthur Robert Butz

Contexto e perspectiva na controvérsia do ‘Holocausto’ - parte 1 - por Arthur R. Butz

Contexto e perspectiva na controvérsia do ‘Holocausto’ - parte 2 - por Arthur R. Butz

O Relatório Leuchter: O Como e o Porquê - por Fred A. Leuchter

Sobre a importância do revisionismo para nosso tempo - por Murray N. Rothbard


Sobre as alegadas câmaras de gás nazistas homicidas ver:

As câmaras de gás: verdade ou mentira? - parte 1 - por Robert Faurisson (primeira de seis partes, as quais são dispostas na sequência).

A Mecânica do gaseamento - Por Robert Faurisson

O “problema das câmaras de gás” - Por Robert Faurisson

As câmaras de gás de Auschwitz parecem ser fisicamente inconcebíveis - Por Robert Faurisson

O Relatório Leuchter: O Como e o Porquê - por Fred A. Leuchter

A técnica e a química das ‘câmaras de gás’ de Auschwitz - por Germar Rudolf - Parte 1 - Introdução (demais partes na sequência do próprio artigo)


segunda-feira, 10 de março de 2025

{Massacres sobre os alauítas após a queda da Síria de Bashar Hafez al-Assad} - por Raphael Machado

 

Raphael Machado


Os alauítas são um dos grupos etnorreligiosos mais interessantes do Oriente Médio.

Não há suficientes pesquisas genéticas sobre eles para delimitar sua origem anterior ao surgimento de sua religião, mas o pouco que foi feito indica uma origem intermediária entre cristãos libaneses e cipriotas, na qual certamente há elementos assírios e hititas.

Oficialmente, o grupo nasce a partir do xiismo duodecimano há 1.200 anos após a morte do 11º Imã, quando se declara a ocultação do 12º Imã e o clérigo Ibn Nusayr declara ser seu representante - reivindicação rejeitada pela liderança xiita, o que leva à excomunhão de Ibn Nusayr e seus seguidores. O grupo, então, passa a se concentrar na zona costeira e montanhosa de onde hoje é a Síria e gradualmente a população local vai se convertendo.

Não obstante, existem bons motivos para considerar como plausíveis as teses que indicam uma forte influência do Cristianismo, do Zoroastrismo e do Neoplatonismo nas origens dos alauítas. Alguns estudiosos inclusive associam, de forma controversa, as raízes espirituais alauítas (também conhecidos como nusairitas) aos antigos nazarenos (uma das seitas de cristãos que preservavam parte dos costumes judaicos), outros chegaram à conclusão de que eles descendem de nestorianos convertidos ao xiismo.

O pilar de sua metafísica é a crença de que todo homem é um “anjo” expulso do Céu por desobediência, precisando passar por ciclos de metempsicose em busca da redenção e da restauração de sua natureza divina, após o quê o homem passa a ser visível para os outros homens sob a forma de uma estrela na abóbada celeste. Essa redenção é gnóstica, se dá pela recuperação de um conhecimento perdido que só pode ser acessado iniciaticamente sob a orientação de um shaykh.

O seu entendimento de Deus é trinitário e apofático {definição obtida por meio de negação, afirmando-se o que Ele não é}. Deus cria por uma emanação luminosa, com a Criação se desdobrando em graus a partir dele, com a maior distância implicando também uma inferioridade. Seus atributos são majoritariamente “negativos”, ele é fundamentalmente desconhecido e incognoscível racionalmente, e por isso ele é chamado de “A Ausência”. A Trindade alauíta é composta por duas emanações da fonte, e essas três “pessoas” recebem o nome de Ma'na (Sentido), Ism (Nome) e Bab (Porta).

Como o mundo material é maximamente distante de Ma'na, ele é fundamentalmente maligno e corrupto (em contraposição ao Céu) e, por isso, é absolutamente impossível que Alá possa encarnar fisicamente. É importante pontuar isso porque para os alauítas, Ali é a manifestação de Deus, mas em algo que se assemelha ao docetismo gnóstico, Ali não tinha corpo e jamais padeceu das necessidades corpóreas.

O mundo, por sua vez, se desenvolve em espiral, em emanações e retrações cíclicas, que não obstante culminam em um momento escatológico derradeiro. Por conta de sua perspectiva cíclica do tempo, festas sazonais que celebram as mudanças na natureza são importantes.

Em tese, eles aderem aos cinco pilares do Islã: shahada, salat, sawm, zakat e hajj, mas dão interpretações esotéricas próprias para cada um deles. No que concerne o hajj (peregrinação), por exemplo, eles a interpretam como sendo algo que se dá no interior do homem, e consideram a peregrinação exterior a Meca como pecado gravíssimo.

E é nesses costumes práticos que abundam outros elementos muito próximos do Cristianismo: eles celebram uma missa na qual consagram o pão e o vinho (que eles bebem normalmente, diferentemente dos outros muçulmanos), eles celebram as datas importantes de Jesus Cristo, bem como têm um feriado em homenagem a Maria Madalena, creem na intercessão de santos (inclusive de São Jorge [Khidr]). Uma fonte do século XIX diz, inclusive, que entre os santos venerados pelos alauítas estaria Platão. Outros elementos curiosos é o seu enterro, que se dá em sarcófagos.

Todas as informações, porém, são sempre bastante difíceis de confirmar precisamente pelo fato de que os alauítas são, simultaneamente, uma etnia, uma religião e uma ordem iniciática. E apesar dos alauítas tenderem a uma postura quietista, gradualmente a seita também foi se militarizando, provavelmente por causa do contexto regional conflituoso. Na Guerra Síria, por exemplo, se destacaram as figuras de diversos shaykhs-guerreiros que interpretavam a sua luta como uma jihad.

{Alauítas}

A imagem que se tem de conclusão é algo muito mais complexo do que costuma ser apresentado quando se fala na “seita do Assad” e que expressa um sincretismo espiritual que, em alguma medida, é típico do próprio “caldeirão espiritual” do Levante, onde uma miríade de religiões e seitas se influenciam mutuamente desde a aurora das civilizações médio-orientais.

De um modo geral, porém, os alauítas representam um oásis de sabedoria, espiritualidade e refinamento metafísico no mar obscuro de obtusidade e materialismo que vemos na ascensão do wahhabismo.

É um grupo, portanto, que merece ser defendido e apoiado contras essas hordas infra-humanas que tomaram o poder após a queda de Assad.

Palavras entre chaves e itálicos por Mykel Alexander

 

Sobre o autor: Raphael Machado é graduado em Direito e é um estudioso das tradições universais.


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Relacionado, leia também sobre a questão judaica, sionismo e seus interesses globais ver:

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Guerra de agressão não declarada dos EUA-OTAN-Israel contra a Síria: “Terrorismo da al-Qaeda” para dar um golpe de Estado contra um governo secular eleito - por Michael Chossudovsky

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A Psicopatia Bíblica de Israel - por Laurent Guyénot

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O truque do diabo: desmascarando o Deus de Israel - Por Laurent Guyénot - parte 1 (Parte 2 na sequência do próprio artigo)

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Resenha de THE DECADENCE OF JUDAISM IN OUR TIME {A DECADÊNCIA DO JUDAÍSMO EM NOSSO TEMPO}, de Moshe Menuhin, por David McCalden (escrito sob o pseudônimo Lewis Brandon)

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 Genocídio em Gaza - por John J. Mearsheimer

{Retrospectiva 2023 - Genocídio em Gaza} - Morte e destruição em Gaza - por John J. Mearsheimer

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{Retrospectiva 1946 – terrorismo judaico-sionista} - O Ataque ao Hotel Rei David em Jerusalém - por W. R. Silberstein

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Controvérsia de Sião - por Knud Bjeld Eriksen

Sionismo e judeus americanos - por Alfred M. Lilienthal

Por trás da Declaração de Balfour A penhora britânica da Grande Guerra ao Lord Rothschild - parte 1 - Por Robert John {as demais 5 partes seguem na sequência}

Um olhar direto sobre o lobby judaico - por Mark Weber


Ex-rabino-chefe de Israel diz que todos nós, não judeus, somos burros, criados para servir judeus - como a aprovação dele prova o supremacismo judaico - por David Duke

Grande rabino diz que não-judeus são burros {de carga}, criados para servir judeus - por Khalid Amayreh

Sionismo e o Terceiro Reich - por Mark Weber 

O Mito do extermínio dos judeus – Parte 1.1 {nenhum documento sequer visando o alegado extermínio dos judeus foi jamais encontrado} - por Carlo Mattogno

 O que é ‘Negação do Holocausto’? - Por Barbara Kulaszka


domingo, 9 de março de 2025

Correspondência não respondida {Conselho de Educação de Pasadena (11 de dezembro de 1980) – referente a que livros devem ser permitidos para os estudos sobre o alegado holocaust judaico} - questionamento 8 - por David McCalden


{Introdução por Mykel Alexander: Abaixo segue continuação da polêmica sobre o artigo (The men who whitewash Hitler, New Statesman de 2 de novembro de 1979) de Gitta Sereny, celebrada escritora judia da segunda metade do século XX, e que foi confrontado com cartas de três autores revisionistas (Dr. Arthur R. Butz, Richard Verrall e Dr. Robert Faurisson.

As mencionadas cartas com os argumentos revisionistas não foram publicadas pelo New Statesman, e também Bruce Page, então o editor do New Statesman preferiu evadir-se da própria polêmica do assunto em questão, sem enfrentá-la em suas questões centrais.

Para ler o artigo de Gitta Sereny ver: Os Homens que “passaram o pano” para Hitler {com análise crítica revisionista} - Por Gitta Sereny

Para ler a carta nº 1 ver: Cartas {questionando a veracidade do alegado Holocausto} ao ‘New Statesman’ (que nunca foram publicadas) - parte 1 - por Dr. Arthur R. Butz 

Para ler a carta nº 2 ver: Cartas {questionando a veracidade do alegado Holocausto} ao ‘New Statesman’ (que nunca foram publicadas) - parte 2 - por Richard Verrall 

Para ler a carta nº 3 ver: Cartas {questionando a veracidade do alegado Holocausto} ao ‘New Statesman’ (que nunca foram publicadas) – parte 3 – por Robert Faurisson 

Para ler a carta adicional de Richard Verrall ver: Carta para o New Statesman a partir do editor do Spearhead - Por Richard Verrall .                            

 

É preciso registrar que os argumentos revisionistas colocados abaixo incluem apenas as cartas datadas até 1980, excluindo os estudos posteriores do próprio Robert Faurisson, bem como os de Carlo Mattogno e como os de Germar Rudolf, os quais acumulam evidencias e refutações em sua maioria irrefutáveis. Ver especialmente as publicações da série Holocaust Handbooks: https://holocausthandbooks.com/ }

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David McCalden

O Secretário

Conselho de Educação

Pasadena, CA 91101

11 de dezembro de 1980

Senhores:

Eu noto que o Conselho de Educação de Pasadena está contemplando em introduzir “Estudos do Holocausto” no currículo de inglês. Um dos títulos mencionados foi o Diário de Anne Frank.

Eu gostaria de chamar sua atenção para o fato de que o “Diário” foi declarado falso por muitos historiadores e acadêmicos eminentes, como David Irving, Alfred M. Lilienthal, Arthur R. Butz, Robert Faurisson e John Bennett. Um processo judicial na Alemanha Ocidental concluiu que partes do diário foram escritas (na mesma caligrafia do restante do texto) com caneta esferográfica, cuja tinta não estava disponível até 1951; seis anos depois que Anne supostamente morreu de doença. Eu sugiro que você examine os artigos sobre essa descoberta no New York Post (9 de outubro), Der Spiegel (6 de outubro), Christian Science Monitor (14 de novembro) e The Spotlight (1 de dezembro). Por algum motivo, essa notícia surpreendente foi determinada como não sendo de interesse dos leitores do LA Times, Newsweek e Time.



Se o conselho decidir introduzir “Estudos do Holocausto” de algum tipo, eu espero que você seja objetivo o suficiente para incluir livros que contestem que as câmaras de gás tenham existido. Mais e mais acadêmicos ao redor do mundo estão começando a desafiar a visão politicamente estabelecida sobre a história da mesma forma que Copérnico, Galileu e Darwin desafiaram a ortodoxia científica em tempos passados. O Conselho terá a coragem de permitir que seus alunos avaliem títulos como The Hoax of the Twentieth Century, Six Million Lost & Found, Anne Frank's Diary: A Hoax e Debunking the Genocide Myth? Todos esses títulos são publicados por nós, e teremos prazer em encaminhar cópias de revisão ao Conselho gratuitamente. Enquanto isso, anexei alguma literatura descritiva.

Em um processo judicial recente em Indiana, sobre proibição de livros, o National Council of Teachers in English disse ao tribunal:

A escola pública deve ser um mercado vibrante e livre de ideias. De fato, se o “direito de ler e ser exposto a pensamentos controversos” não pode florescer na escola, as perspectivas são sombrias de que ele floresça em qualquer lugar da sociedade.

Eu estou certo de que o Conselho de Educação de Pasadena endossaria de todo o coração esta declaração de princípios, e que ouviremos de você em um futuro muito próximo.

Sinceramente

Lewis Brandon {pseudônimo de David McCalden}

Tradução e palavras entre chaves por Mykel Alexander

 

Fonte: Lewis Brandon {pseudônimo de David McCalden}, Unanswered Correspondence, The Journal for Historical Review, outono de 1981, volume 2, número 3, páginas 205-206.

https://ihr.org/journal/v02p197_butz

Sobre o autor: David McCalden (1951-1990) nasceu em Belfast, Irlanda do Norte. Frequentou a Universidade de Londres, Goldsmiths College, graduando-se em 1974 com um Certificado em Educação (Sociologia). Ele ajudou a organizar Hunt Saboteurs, um grupo contra caçadores de raposas, e editou seu diário. Em meados da década de 1970, ele atuou no National Front, um grupo nacionalista britânico. Por um tempo foi editor do Nationalist News e colaborador regular do jornal Britain First. David McCalden foi um ardente defensor dos direitos e interesses da população protestante da Irlanda do Norte. McCalden era um enérgico e tenaz intelectual que fez carreira no desconfortando os confortáveis e cômodos pontos de vista, ele se deliciava em desafiar de forma combativa as suposições ortodoxas, sendo fervorosamente antiautoritário e um defensor intransigente da liberdade de expressão e da investigação aberta.

Um ponto marcante em sua relativamente breve vida foi o de ser o fundador do Institute for Historical Review. Por dois anos e meio, e trabalhando com o pseudônimo de “Lewis Brandon.” McCalden foi o primeiro diretor do IHR. Ele organizou a primeira “Conferência Revisionista Internacional,” a principal reunião pública do IHR, realizada em setembro de 1979 na Northrop University, perto de Los Angeles. Ele supervisionou a produção de livros, fitas e folhetos revisionistas e fez aparições em programas de rádio. Em 1980 e no início de 1981, ele editou o Journal of Historical Review do IHR.

McCalden foi o autor de vários livretos, incluindo Nuremberg and Other War Crimes Trials, que apareceu em 1978 com o pseudônimo de “Richard Harwood (pseudônimo também usado pelo bacharel em História Richard Verral),” Exiles From History e The Amazing, Rapidly Shrinking ‘Holocaust’ (1987). Ele também produziu um vídeo baseado em suas visitas a Auschwitz e os locais de outros campos alemães durante a guerra, e seu exame cético das alegadas “câmaras de gás” dali.

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Recomendado, leia também:

Correspondência não respondida {pela American Library Association (12 de novembro de 1980) – referente as ações de combate de organizações judaicas aos estudiosos e à investigação, pesquisa e divulgação de questionamentos revisionistas sobre o alegado Holocausto judaico conforme difundido} - questionamento 7 - por David McCalden

Correspondência não respondida {pela Detroit Free Press (12 de novembro de 1980) – perante os questionamentos revisionistas refutando que o alegado Holocausto judaico realmente ocorreu e as ações terroristas do Estado de Israel} - questionamento 6 por David McCalden

Correspondência não respondida {pela revista Panorama - The Television Magazine (10 de novembro de 1980) – perante os questionamentos revisionistas refutando que o alegado Holocausto judaico realmente ocorreu} - questionamento 5 por David McCalden

Correspondência não respondida {por Sr. Mork, da California State University (28 de outubro de 1980) – perante os questionamentos revisionistas refutando que o alegado Holocausto judaico realmente ocorreu} - questionamento 4 por David McCalden

Correspondência não respondida {pela mídia – HomeNews (13 setembro 1980) – perante os questionamentos revisionistas refutando que o alegado Holocausto judaico realmente ocorreu} - questionamento 3 por David McCalden

Correspondência não respondida {pela mídia – West Palm Beach Post (15 setembro 1980) – perante os questionamentos revisionistas refutando que o alegado Holocausto judaico realmente ocorreu} - questionamento 2 por David McCalden

Correspondência não respondida {pela mídia – New Statesman – perante os questionamentos revisionistas refutando que o alegado Holocausto judaico realmente ocorreu} - questionamento 1 por David McCalden

O Holocausto de Seis Milhões de Judeus — na Primeira Guerra Mundial - por Thomas Dalton, Ph.D. {academic auctor pseudonym}

Os Homens que “passaram o pano” para Hitler {com análise crítica revisionista} - Por Gitta Sereny

Campos de Concentração Nacional-Socialistas {nazistas}: lenda e realidade - parte 1 - precedentes e funções dos campos - por Jürgen Graf (demais partes na sequência do próprio artigo).

Bloco de notas sobre Auschwitz (Parte 1) Certas impossibilidades da ‘Declaração de Gerstein’ - Por Ditlieb Felderer

Bloco de notas sobre Auschwitz (Parte 2) Mais impossibilidades da ‘Declaração e Gerstein.’ - por Ditlieb Felderer

Bloco de notas sobre Auschwitz (Parte 3) - Tampos e aberturas - por Ditlieb Felderer

Bloco de notas sobre Auschwitz (Parte 4) – Portas e portinholas - por Ditlieb Felderer

Cartas {questionando a veracidade do alegado Holocausto} ao ‘New Statesman’ (que nunca foram publicadas) - parte 1 - por Dr. Arthur R. Butz

O Primeiro Holocausto - por Germar Rudolf

Revisionismo e Promoção da Paz - parte 1 - por Harry Elmer Barnes

Revisionismo e Promoção da Paz - parte 2 - por Harry Elmer Barnes

Carta para o ‘The Nation’ {sobre o alegado Holocausto} - por Paul Rassinier

Sobre a importância do revisionismo para nosso tempo - por Murray N. Rothbard

A vigilante marcação pública no revisionismo - parte 1 - por Harry Elmer Barnes

A vigilante marcação pública no revisionismo - parte 2 - por Harry Elmer Barnes

O “Holocausto” colocado em perspectiva - por Austin Joseph App

A controvérsia internacional do “holocausto” - Arthur Robert Butz

Contexto e perspectiva na controvérsia do ‘Holocausto’ - parte 1 - por Arthur R. Butz

Contexto e perspectiva na controvérsia do ‘Holocausto’ - parte 2 - por Arthur R. Butz

O Relatório Leuchter: O Como e o Porquê - por Fred A. Leuchter

O que é ‘Negação do Holocausto’? - Por Barbara Kulaszka

As câmaras de gás: verdade ou mentira? - parte 1 - por Robert Faurisson (primeira de seis partes, as quais são dispostas na sequência).

A Mecânica do gaseamento - Por Robert Faurisson

O “problema das câmaras de gás” - Por Robert Faurisson

As câmaras de gás de Auschwitz parecem ser fisicamente inconcebíveis - Por Robert Faurisson

A mentira a serviço de “um bem maior” - Por Antônio Caleari

Os Julgamentos de Nuremberg - Os julgamentos dos “crimes de guerra” provam extermínio? - Por Mark Weber

Liberdade para a narrativa da História - por Antonio Caleari