sábado, 7 de dezembro de 2019

Antissemitismo: Por que ele existe? E por que ele persiste? - Por Mark Weber


Mark Weber

              Ao longo dos séculos, a hostilidade contra os judeus tem repetidamente entrado em erupção em terrível violência. Vezes após vezes os judeus têm sido expulsos dos países onde eles tinham estado vivendo. Por que o antissemitismo existe? E por que a raiva contra os judeus tem sido desencadeada, vezes após vezes, nas mais variadas nações, eras e culturas? Intimamente relacionado para isto está a mais ampla questão da relação entre judeus e não judeus – um assunto que muitos escritores e eruditos têm denominado de “a Questão Judaica.”

            Com demasiada frequência, discussões de antissemitismo e da “questão judaica” têm sido distorcidas pelo preconceito, intolerância e falta de franqueza. Mas este importante assunto merece cuidadosa, informada e honesta consideração.

            Proeminentes líderes judaicos afirmam estarem intrigados pela persistência do sentimento e comportamento antijudaico. Insistindo que antissemitismo é um preconceito irracional e sem bases, eles frequentemente comparam o antissemitismo a um misterioso vírus ou doença.

            Elie Wiesel é um dos mais bem conhecidos autores e uma das mais importantes figuras de nossa época. Seu livro de memórias de experiências dos tempos de guerra, intitulado Night, tem sido obrigatoriamente lido em muitas salas de aula. Ele é um ganhador do Prêmio Nobel da Paz, e por anos tem sido um professor na Universidade de Boston. Wiesel é considerado ser uma autoridade sobre o antissemitismo, mas ele diz que  está intrigado com isso. A fonte e a resistência do antissemitismo através da história permanece um mistério, ele disse a uma platéia na Alemanha em abril de 2004[1]. Em outro discurso ele descreve o antissemitismo como uma “doença irracional”.  Falando em uma conferência em outubro de 2002, Wiesel esteve a dizer: “O mundo tem mudado nos últimos 2.000 anos, e somente o antissemitismo tem permanecido... A única doença para a qual não tem sido encontrada sua cura é o antissemitismo[2].”

            A Anti-Defamation League {Liga Anti-Difamação} (ADL) é uma das maiores e mais influentes organizações judaico-sionistas. Ela considera ela própria o mais importante centro para monitoramento e atua combatendo o antissemitismo, educando o público sobre este perigoso fenômeno. Em seu livro de 2003, Never Again? The Threat of the New Anti-Semitism {em português publicado como Nunca Mais? A Ameaça do Novo Anti-semitismo}, o diretor nacional da ADL Abraham Foxman expressou sua grave preocupação sobre o que ele vê como o levantar de hostilidades frente aos judeus: “Eu estou convencido de que nós atualmente encaramos uma tão grande a ameaça para a salva guarda e segurança do povo judaico como a que nós encaramos nos anos da década de 1930 – se não for ainda maior[3].” Surpreendentemente, ele também afirmou estar perplexo sobre as razões para a origem e durabilidade da discórdia entre judeus e não judeus. “Eu acho o antissemitismo como uma doença,” escreve Foxman. “Antissemitismo também se assemelha a uma doença em ser fundamentalmente irracional.. é uma enfermidade espiritual e psicológica.[4]”    

            Charles Krauthammer, um influente escritor judaico americano que é um fervente defensor de Israel, está similarmente intrigado pela resistência do sentimento antijudaico. “A persistência do antissemitismo, o mais antigo dos venenos, é um dos grandes mistérios da história,” ele escreveu em uma coluna no Washington Post que também apareceu em muitos outros jornais através do país[5].”

            Wiesel, Foxman e Krauthammer, junto com outros proeminentes líderes judaico-sionistas, são incapazes – ou não querem – fornecer uma explicação para a persistência do antissemitismo. Eles acreditam, ou alegam acreditar, que por causa que isso é uma “doença” inteiramente irracional e sem fundamento, não existe relação entre o que os judeus fazem, e o que os não-judeus pensam dos judeus. Na visão deles, o conflito e tensão entre judeus e não judeus que tem persistido sobre os séculos não é causado pelo comportamento judeu e nem relacionado ao comportamento judeu.

            Felizmente, uma explicação razoável para este duradouro fenômeno tem sido provida por uma das figuras judaicas mais influente e proeminente da história moderna: Theodor Herzl, o fundador do moderno movimento sionista. Ele expôs seus pontos de vista num livro, escrito em alemão, intitulado The Jewish State (Der Judenstaat) {que foi publicado em português como O Estado Judeu}. Publicado em 1896, este trabalho é o manifesto básico do movimento sionista. Um ano e meio depois ele convocou a primeira conferência internacional sionista.


 {Theodor Herzl (1860-1904), o fundador formal do moderno movimento sionista afirmou:}
“A questão judaica existe onde quer que os judeus vivam em números visíveis,”

            Em seu livro Herzl explicou que independentemente de onde eles vivem, ou da cidadania deles, os judeus constituem não meramente uma comunidade religiosa, mas uma nacionalidade, um povo. Ele usou a palavra alemã, Volk. Onde quer que um grande número de judeus viva entre não-judeus, ele disse, o conflito é não somente provável, mas é inevitável. “A questão judaica existe onde quer que os judeus vivam em números visíveis,” ele escreveu. “Onde isso não existir, isso é trazido pelos judeus que vem chegando... eu acredito que eu compreendo o antissemitismo, o qual é um fenômeno muito complexo. Eu considero este desenvolvimento como um judeu, sem ódio ou medo[6].”

            Em seus escritos públicos e privados, Herzl explicou que o antissemitismo não é uma aberração, mas sim a natural resposta dos não-judeus para o comportamento e atitude alienígena judaico. O sentimento antijudaico, ele disse, não é devido a ignorância ou fanatismo, conforme muitos têm reclamado. Ao invés, ele concluiu, o antigo e aparentemente insolúvel conflito entre judeus e não-judeus é totalmente compreensível, porque os judeus são um distinto e separado povo, com interesses que são diferentes, e os quais estão frequentemente em conflito com os interesses dos povos entre os quais eles vivem.

            O sentimento antijudaico na era moderna, acredita Herzl, surgiu da “emancipação” dos judeus nos séculos 18 e 19, os quais libertaram eles da vida confinada do gueto e trouxeram eles para a moderna sociedade urbana e aos negócios direto com a classe média de não-judeus. O antissemitismo, escreveu Herzl, é “ uma compreensível reação para os defeitos judaicos.” Em seu diário ele escreveu: “Eu acho que os antissemitas estão completamente dentro de seus direitos[7].”

            Herzl sustentou que os judeus devem parar de fingir – tanto para eles mesmos e para os não-judeus – que eles são como todos os outros, e ao invés devem francamente reconhecer que eles são um povo distinto e separado, com distintos e separados objetivos e interesses. A única solução viável a longo prazo, ele disse, é a dos judeus reconhecerem a realidade e viverem, finalmente, como um povo “normal” num estado separado que seja deles próprios. Em uma carta para o Czar da Rússia, Herzl escreveu que o sionismo é a “solução final para a questão judaica[8].”

            O primeiro presidente de Israel, Chaim Weizmann, expressou uma similar visão. Em suas memórias, ele escreveu: “Sempre que a quantidade de judeus em qualquer país alcança o ponto de saturação, aquele país reage contra eles... {esta} reação... não pode ser olhada como antissemitismo no sentido ordinário ou vulgar desta palavra; esta {reação} é uma concomitante universal econômica e social da imigração judaica, e nós não podemos remover ela[9].”


{Chaim Weizmann (1874-1952), uma das lideranças máximas dos judeus no
século XX,  afirmou:  "sempre que a quantidade de judeus em qualquer
país alcança   o ponto  de saturação, aquele país reage contra eles [...]"
      
      Tal franqueza é rara. Somente ocasionalmente os líderes judeus de hoje explicam o antissemitismo como uma reação para com o comportamento dos judeus. Uma das mais ricas e influentes figuras no mundo de hoje é George Soros, o financista bilionário de nascimento húngaro. Geralmente ele evita destacar suas ligações para com a comunidade judaica, e somente raramente frequenta reuniões puramente judaicas. Mas em novembro de 2003 ele dirigiu um encontro da “Jewish Funders Network” em Nova Iorque. Quando ele foi questionado sobre o antissemitismo na Europa, Soros não respondeu dizendo que ele {o antissemitismo} é uma “doença irracional. Ao invés, ele disse que ele {o antissemitismo} é o resultado das medidas políticas de Israel e dos Estados Unidos. “Existe um ressurgimento do antissemitismo na Europa. As medidas políticas da administração Bush e da administração Sharon {Primeiro Ministro de Israel entre 2001 e 2006} contribuíram para isto,” ele disse. “Se nós mudarmos aquela direção, então o antissemitismo irá diminuir,” ele continuou. “Eu não consigo ver como se poderia confrontar isso diretamente [10].”

         Os líderes da comunidade judaica reagiram raivosamente para com as observações de Soros. Elan Steinberg, conselheiro sênior no World Jewish Congress (e ex-diretor executivo desta influente organização), disse: “Vamos compreender as coisas claramente: Antissemitismo não é causado por judeus; ele é causado por antissemitas.” Abraham Foxman chamou os comentários de Soros de “absolutamente obscenos.” O diretor da ADL foi a dizer: “Ele se utilizou do estereótipo. É uma simplista, contraproducente, tendenciosa e preconceituosa percepção do que ocorre mundo afora. Está culpando a vítima por todas as hostilidades contra Israel e contra o povo judaico [11].”

           A maioria das pessoas prontamente aceitam que os sentimentos positivos dos não-judeus diante dos judeus têm alguma base no comportamento judaico. Mas os líderes judeus como Foxman, Wiesel e Steinberg parecem indispostos a aceitar que os sentimentos negativos frente aos judeus possam similarmente ter bases no comportamento judaico.

            Junto com todos outros comportamentos sociais através dos tempos, o conflito entre judeus e não-judeus tem uma evidente e compreensível base na história e na natureza humana. Os registros históricos sugerem que a persistência do antissemitismo através dos séculos está enraizada na maneira incomum que os judeus se relacionam com os não-judeus.

            Líderes israelenses e judaico-sionistas afirmam que os judeus constituem um “povo” ou uma “nação” – que é, um distinto grupo de nacionalidade para o qual os judeus de todos os lugares devem sentir e expressaram uma lealdade primária[12]. Alguns líderes judaico-americanos têm sido explícitos sobre isso. Louis Brandeis, um membro da Corte Suprema de Justiça dos EUA e líder americano-sionista, disse: “Vamos todos nós reconhecer que nós judeus somos uma distinta nacionalidade da qual cada judeu, seja qual for seu país, sua posição ou oposição de crença, é necessariamente um membro[13].” Stephen Wise, presidente do Congresso Judaico Americano e do Congresso Judaico Mundial, disse num comício em Nova Iorque em junho de 1938: “Eu não sou um cidadão americano de fé judaica. Eu sou um judeu... Hitler estava certo em uma coisa. Ele afirma que o povo judeu é uma raça, e nós somos uma raça.[14].” De acordo com esta perspectiva, os líderes também dizem que os estado sionista representa não apenas seus próprios cidadãos judeus, mas os judeus de todos os lugares[15].”

            Enquanto afirmando – normalmente somente entre eles mesmos – que os judeus são membros de uma separada nacionalidade para a qual eles devem sentir e expressar uma lealdade primordial, os sionistas simultaneamente insistem que os judeus devem ser acolhidos com plenos e iguais direitos de cidadãos seja em qual for o país que eles desejem viver. Enquanto judeus sionistas nos EUA, tais como Abraham Foxman, falam de “povo judaico” como uma distinta nacionalidade, eles também reivindicam que os judeus são americanos como todos os demais, e insistem que aos judeus, incluindo judeus sionistas, devem ser concedidos todos os direitos de cidadãos americanos, sem obstáculos, sociais, legais ou institucionais para com o poder e influência judaica na vida americana. Em resumo, os líderes e organizações judaico-sionistas (tais como o Congresso Judaico Mundial e o Comitê Judaico Americano) exigem completos direitos para os judeus sionistas não somente no “país deles”, Israel, mas em todos os lugares.

            As principais organizações judaico-sionistas, e mais amplamente, a organizada comunidade judaica, também promove “pluralismo”, “tolerância” e “diversidade” nos Estados Unidos e em outros países. Eles acreditam que isto é útil para os judeus. “A sociedade pluralista americana é o coração da segurança judaica,” escreveu Abraham Foxman. “A longo prazo,” explicou o diretor da ADL, “isto tem feito a vida judaico-americana uma positiva experiência única na história da diáspora e a qual tem nos habilitado sermos um importante aliado para o Estado de Israel, é a saúde de uma pluralista, tolerante e inclusiva sociedade americana[16].”

            Por algum tempo, a ADL tem promovido o slogan “Diversidade é nossa força.”  De acordo com este lema, o qual alegam ter inventado, a ADL tem devotado esforços e recursos para persuadir americanos – especialmente jovens americanos – para acolher e abraçar uma mais social, cultural e racial “diversidade[17].”

            Esta campanha tem sido muito bem-sucedida . Políticos e educadores americanos, e virtualmente todos os meios de comunicação de massas dos EUA promovem “diversidade”, “multiculturalismo” e “pluralismo”, e retratam aqueles que não abraçam estes objetivos como possuidores de ódio e ignorantes. Ao mesmo tempo, influentes organizações judaico-sionistas tais como o Comitê Israelense Americano de Assuntos Públicos {a AIPAC – American Israel Public Affairs Committee} insistem que os EUA devem reconhecer e defender Israel como um estado judaico étnico-religioso[18]. Pluralismo e diversidade, assim parece, são somente para os não-judeus. O que é bom para os judeus em sua própria terra natal, os líderes judaico-sionistas parecem dizer, não é o pluralismo e a diversidade, mas um nacionalismo tribal.

            O que os judeus pensam é importante porquê a comunidade judaica tem poder para realizar seus objetivos. Em um discurso marcante em maio de 2013, o Vice-Presidente {dos EUA} Joe Biden disse que o “imenso” e “descomunal” papel judaico nos meios de comunicação de massa dos EUA e na vida cultural tem sido o único e mais importante fator em formar as atitudes americanas no século passado, e em conduzir as maiores mudanças culturais e políticas. “Aposto que 85 por cento daquelas mudanças [politico-sociais], sejam em Hollywood ou meios de comunicação sociais, são consequências dos líderes judaicos na indústria. A influência é imensa,” ele disse. “A herança judaica moldou o que somos – todos nós, nós, eu – tanto ou mais que qualquer outro fator nos últimos 223 anos. E isso é um fato,” acrescentou[19].

            Biden não é o único em reconhecer esta influência. “Não faz sentido algum tentar negar a realidade dos poder judaico e sua proeminência na cultura popular,” escreveu Michael Medved, um bem conhecido autor judaico e crítico de filmes, em 1996[20]. Joel Stein, um colunista para o Los Angeles Times, escreveu em 2008: “Como um orgulhoso judeu, eu quero que a América saiba sobre nossa realização. Sim, nós controlamos Hollywood... eu não me importo se os americanos pensem que nós controlamos as notícias, Hollywood, Wall Street ou o governo. Eu só me importo que nós consigamos manter-nos os controlando[21].”

            Mesmo que os judeus tenham mais influência e poder na vida cultural e política nos EUA que qualquer outro grupo étnico ou religioso, os grupos judeus se sentem desconfortáveis quando os não-judeus apontam isso. Na verdade, diz Foxman e a ADL, um sinal claro que alguém é um antissemita é se ele concorda com a afirmação que “judeus têm muito poder em nosso país hoje.[22]” Para Foxman, aparentemente, nunca pode haver “demais” poder e influência judaica.

            O antissemitismo não é uma “doença” misteriosa. Conforme Herzl e Weizmann sugeriram, e conforme a história mostra, o que é frequentemente chamado de antissemitismo é a atitude natural e compreensível das pessoas frente a uma minoria com lealdades particulares que possuem grande e desproporcionais poderes para seus próprios interesses, e não para o bem comum.

Tradução e palavras entre chaves por Mykel Alexander


Notas


[1] Nota do autor: “Wiesel Calls for 'Manifesto' on Anti-Semitism.” The Jewish Federations of North America. 30 de Abril, 2004.
                 
[2] Nota do autor:  “A Call to Conscience: Nobel Laureate Elie Wiesel Opens ADL Conference on Global Anti-Semitism.” Anti-Defamation League. 31 de outubro, 2002.
                 
[3] Nota do autor: Abraham H. Foxman. Never Again?: The Threat of the New Anti-Semitism. (HarperCollins, 2003), p. 4.

[4] Nota do autor: Abraham H. Foxman. Never Again? (2003), pp. 42, 43.

[5] Nota do autor: Charles Krauthammer, “How to fight academic bigotry,” The Washington Post, 9 de janeiro, 2014.

[7] Nota do autor: Kevin MacDonald, Separation and Its Discontents (Praeger,1998), pp. 45, 48. Ref. citada: R. Kornberg, Theodore Herzl (1993), p. 183.

[8] Nota do autor: Memo of Nov. 22, 1899. R. Patai, ed., The Complete Diaries of Theodor Herzl (New York: 1960), Vol. 3, p. 888. Também citado em: M. Weber, “Zionism and the Third Reich,” The Journal of Historical Review, Julho-Agosto 1993, p. 29. ( http://www.ihr.org/jhr/v13/v13n4p29_Weber.html).

[9] Nota do autor: Chaim Weizmann, Trial and Error (1949), p. 90. Quoted in: Albert S. Lindemann, The Jew Accused (Cambridge University Press, 1991), p. 277.

[10] Nota do autor: Uriel Heilman, Jewish Telegraphic Agency (JTA). “In Rare Jewish Appearance, George Soros Says Jews and Israel Cause Anti- Semitism.” Nov. 10, 2003
(http://www.jta.org/2003/11/10/archive/in-rare-jewish-appearance-george-soros-says-jews-and-israel-cause-anti-semitism).

[11] Nota do autor: U. Heilman, JTA. “In Rare Jewish Appearance, George Soros Says Jews and Israel Cause Anti-Semitism.” Nov. 10, 2003. 

[12] Nota do autor: Abraham H. Foxman. Never Again? (2003), pp. 18, 4.

[13]  Nota do autor: Louis D. Brandeis, “The Jewish Problem and How to Solve It.” Discurso de 25 de abril, 1915.

[14]  Nota do autor: “Dr. Wise Urges Jews to Declare Selves as Such,” New York Herald Tribune, 13 de junho, 1938, p. 12.

[15] Nota do autor: Israel ainda diz falar em nome dos judeus que viveram e morreram antes que o estado foi estabelecido. “Holocaust Victims Given Posthumous Citizenship by Israel,” The Associated Press, Los Angeles Times, 9 de maio, 1985.       
(
http://articles.latimes.com/1985-05-09/news/mn-6754_1_posthumous-citizenship)
               
See also: M. Weber , “West Germany's Holocaust Payoff to Israel and World Jewry,” The Journal of Historical Review, verão de 1988.

[16] Nota do autor: Foxman carta de 11 de novembro, 2005. Publicada no The Jerusalem Post, de 18 de novembro de 2005.

[17] Nota do autor: ADL On the Frontline (Nova Iorque), Verão de 1997, p. 8. Esta edição do boletim da ADL também observou com algum orgulho que o Presidente Clinton, em seu discurso “State of the Union” de fevereiro de 1997, tinha dado um impulso inesperado para o que a ADL chama de “linha temática da ADL”. Neste discurso, Clinton disse: “Meus companheiros americanos, nós devemos nunca, jamais acreditar que nossa diversidade é uma fraqueza. É a nossa grande força.”

[18] Nota do autor: Ver o discurso  pelo Embaixador dos EUA Daniel B. Shapiro de 6 de setembro de 2011. Ver também: M. Weber, “Behind the Campaign For War Against Iran.” The Journal of Historical Review abril de 2013.

[19] Nota do autor: Jennifer Epstein, “Biden: 'Jewish heritage is American heritage',” Politico, 21 de maio, 2013.
Daniel Halper, “Biden Talks of 'Outsized Influence' of Jews: 'The Influence Is Immense',” The Weekly Standard, 22 de maio, 2013.

[20] Nota do autor: M. Medved, “Is Hollywood Too Jewish?,” Moment, Vol. 21, No. 4 (1996), p. 37. 

[21] Nota do autor: J. Stein, “How Jewish Is Hollywood?,” Los Angeles Times, 19 de dezembro, 2008.
(http://www.latimes.com/news/opinion/commentary/la-oe-stein19-2008dec19,0,4676183.column ).

[22] Nota do autor: Abraham H. Foxman. Never Again? (2003), p. 14.



Leituras recomendadas:

Norman F. Cantor. The Sacred Chain: A History of the Jews. New York: Harper, 1994.

Benjamin Ginsberg. The Fatal Embrace: Jews and the State. The Univ. of Chicago Press, 1993.

Peter Harrison, “What Causes Anti-Semitism?” Review of Macdonald’s Separation and Its Discontents. The Journal of Historical Review, May-June 1998. 


Stanley Hornbeck. Review of Macdonald’s The Culture of Critique. American Renaissance, June 1999.


Seymour Martin Lipset and Earl Raab. Jews and the New American Scene. Harvard University Press, 1995.

Kevin MacDonald, A People That Shall Dwell Alone: Judaism as a Group Evolutionary Strategy. Praeger, 1994.

Kevin MacDonald, Separation and Its Discontents: Toward an Evolutionary Theory of Anti-Semitism. Praeger,1998

Kevin MacDonald, The Culture of Critique: An Evolutionary Analysis of Jewish Involvement in Twentieth-Century Intellectual and Political Movements. Praeger, 1998 (Softcover edition, 2002).

W. D. Rubinstein. The Left, The Right and the Jews. New York: Universe Books, 1982.

Israel Shahak. Jewish History, Jewish Religion. London: Pluto Press, 1994.

Goldwin Smith. “The Jewish Question.” From: Essays on Questions of the Day. New York: Macmillan, 1894. (http://www.ihr.org/jhr/v17/v17n1p16_Smith.html)

Mark Weber, “A Straight Look at the Jewish Lobby”

Mark Weber, “Holocaust Remembrance: What's Behind the Campaign?” Feb. 2006.

Mark Weber, “Jews: A Religious Community, a People, or a Race?,” March-April 2000.
(http://www.ihr.org/jhr/v19/v19n2p63_Weber.html); Traduzido ao português por Mykel Alexander em World Traditional Front, 02/junho/2019, “Judeus: Uma comunidade religiosa, um povo ou uma raça?” (https://worldtraditionalfront.blogspot.com/2019/06/judeus-uma-comunidade-religiosa-um-povo.html)

Mark Weber, “Straight Talk About Zionism: What Jewish Nationalism Means.” April 2009. (http://www.ihr.org/zionism0409.html); Traduzido ao português por Mykel Alexander em World Traditional Front, 19/maio/2019, “Conversa direta sobre o sionismo - o que o nacionalismo judaico significa” (https://worldtraditionalfront.blogspot.com/2019/05/conversa-direta-sobre-o-sionismo-o-que.html)

Mark Weber, “Vice President Biden Acknowledges 'Immense' Jewish Role in American Mass Media and Cultural Life,” July 2013. (http://ihr.org/other/biden_jewish_role)



Informação Bibliográfica

Autor
Mark Weber
Título
Anti-Semitism: Why Does It Exist? And Why Does it Persist?
Fonte
The Journal for Historical Review (http://www.ihr.org)
Data
Dezembro 2013 / revisado em janeiro de 2014
Endereço



Sobre o autor: Mark weber é um historiador americano, escritor, palestrante e analista de questões atuais. Ele estudou história na Universidade de Illinois (Chicago), na Universidade de Munique (Alemanha), e na Portland State University. Ele possui um mestrado em História Europeia da Universidade de Indiana. Desde 1995 ele tem sido diretor do Institute for Historical Review, um centro independente de publicações, educação e pesquisas de interesse público, no sul da Califórnia, que trabalha para promover a paz, compreensão e justiça através de uma maior consciência pública para com o passado.
_________________________________________________________________________________

Relacionado, leia também:

Conversa direta sobre o sionismo - o que o nacionalismo judaico significa - Por Mark Weber

Judeus: Uma comunidade religiosa, um povo ou uma raça? por Mark Weber

Controvérsia de Sião - por Knud Bjeld Eriksen

Raízes do Conflito Mundial Atual – Estratégias sionistas e a duplicidade Ocidental durante a Primeira Guerra Mundial – por Kerry Bolton

domingo, 1 de dezembro de 2019

Conversações falsificadas de Rauschning com Hitler: uma atualização - Por Mark Weber

Ver parte 1 Historiador suíço expõe memórias anti-Hitler de Rauschning como fraudulentas - Por Mark Weber


Mark Weber
            Uma das fontes de informações mais amplamente citadas sobre a personalidade de Hitler e de suas intenções secretas são as supostas memórias de Hermann Rauschning, o Presidente Nacional-Socialista do Senado de Danzig[1] em 1933 – 1934 que foi expulso do movimento de Hitler pouco tempo depois e então seguiu por si mesmo uma nova vida como um anti-nazi profissional.

            No livro conhecido na Alemanha como Conversações com Hitler (Gespraech mit Hitler) e publicado pela primeira vez nos EUA em 1940 como The Voice of Destruction, Rauschning apresenta página após página do que é alegado ser as mais íntimas opiniões de Hitler e seus planos para o futuro, supostamente baseado em dezenas de conversas privadas ocorridas entre 1932 e 1934. Depois da guerra as memórias foram introduzidas como o documento do processo Aliado URSS-378 no principal julgamento de “crimes de guerra” em Nuremberg.  

            Entre as citações condenatórias atribuídas à Hitler por Rauschning estão estas memoráveis declarações: 
“Nós devemos ser brutais. Nós devemos recuperar uma clara consciência sobre brutalidade. Somente então podemos expulsar o carinho de nosso povo... Não me proponho a exterminar nacionalidades inteiras? Sim, isso irá dar resultados... Eu naturalmente tenho o direito de destruir milhões de homens das raças inferiores que aumentam como vermes... Sim, nós somos bárbaros. Nós queremos ser bárbaros. Isso é um título honroso.” 
            Hitler é também suposto ter confidenciado para Rauschning, um quase desconhecido oficial provincial, fantásticos planos para um império mundial germânico que iria incluir África, América do Sul, México e, eventualmente, os Estados Unidos.

            Muitos historiadores prestigiosos, incluindo Leon Poliakov, Gerhard Weinberg, Alan Bullock, Joaquim Fest, Nora Levin e Robert Payne, utilizaram citações escolhidas das memórias de Rauschning em seus trabalhos de história. Poliakov, um dos mais proeminentes escritores do Holocausto, especificamente elogiou Rauschning pela sua “excepcional precisão”, enquanto Levin, outro historiador do Holocausto vastamente lido, chamou ele de “um dos mais penetrantes analistas do período nazi.”

{Léon Poliakov (1910-1997) e Nora Levin (1916-1989)
Historiador e historiadora judaicos que recorreram  à falsificação
histórica de Hermann Rauschning e a difundiram pelo mundo.
O revisionismo histórico desvelou tal falsificação}

            Mas nem todos têm sido tão crédulos. O historiador suíço Wolfgang Haenel passou cinco anos investigando diligentemente o livro de memórias antes de anunciar suas descobertas em 1983 em uma conferência de história revisionista na Alemanha Ocidental. A renomada Conversations with Hitler [Conversações com Hitler], declarou ele, são uma fraude total. O livro não tem valor “exceto como um documento da propaganda de guerra Aliada.”

            Haenel foi capaz de estabelecer de forma conclusiva que as alegações de Rauschning de ter se encontrado com Hitler “mais que uma centena de vezes” é uma mentira. Os dois se encontraram, de fato, somente quatro vezes, e nunca a sós. As palavras atribuídas para Hitler, ele mostrou, foram simplesmente inventadas ou levantadas de muitas outras diferentes fontes, incluindo escritos de Junger[2] e Friedrich Nietzsche. Um relato de Hitler ouvindo vozes, andando a noite com gritos convulsivos e, aterrorizado, apontando para um canto vazio enquanto gritava “lá, lá no canto!” foi tomado de um conto do escritor francês Guy de Maupassant[3].

             O livro de memórias falsas foi designado para incitar a opinião pública nos países democráticos, especialmente nos Estados Unidos, em favor da guerra contra a Alemanha. O projeto foi ideia do jornalista, nascido na Hungria, Emery Reves, que dirigia uma influente agência de imprensa e propaganda anti-alemã em Paris durante os anos 1930. Haenel tem também encontrado evidência que um proeminente jornalista britânico chamado Henry Wickham-Steele ajudou produzir o livro de memórias. Wickham-Steele foi um braço direito de Sir Robert Vansittart, talvez a figura mais veementemente anti-alemã na Grã-Bretanha.

            Um relatório sobre as descobertas sensacionais de Haenel apareceu na edição de outono de 1983 no The Journal of Historical Review. Mais recentemente, os jornais periódicos semanários   mais influentes da Alemanha Ocidental, Die Zeit, e Der Spiegel (7 de setembro de 1985), têm feito longos artigos sobre a histórica farsa. Der Spiegel concluiu que as Conversations with Hitler de Rauschning “são uma falsificação, uma distorção histórica da primeira até a última página... Haenel não somente prova a falsificação, ele também mostra como a impressionante montagem foi rapidamente compilada e quais ingredientes foram misturados juntos.”

              Existem algumas valiosas lições a serem aprendidas da história desta sórdida farsa, a qual levou mais de 40 anos para finalmente ser desmascarada: Ela mostra que mesmo as mais descaradas fraudes podem ter um tremendo impacto se ela serve a importantes interesses, que é mais fácil inventar uma grande mentira histórica que desmascarar uma e, finalmente, que todos devem ser extremamente cautelosos diante de “autorizados” retratos da emocionalmente carregada era Hitler.

            Uma nota de rodapé: Leitores interessados em um autêntico registro da personalidade e das opiniões pessoais de Hitler devem olhar para o fascinante e abrangente livro de memórias de  Otto Wagener, publicado em agosto de 1985 pela Yale University Press sobre o título de Hitler: Memoirs of a Confidant. Wagener foi o primeiro chefe do Estado Maior da SA (“tropas da tempestade”) e Diretor do Departamento de Política Econômica do Partido Nacional Socialista. Ele passou centenas de horas com Hitler entre 1929 e 1932, muitas destas horas a sós.

Tradução e palavras entre chaves por Mykel Alexander


Notas


[1]    Nota do tradutor: Danzig é uma cidade que durante o período entre a Primeira e a Segunda Guerra Mundial foi o centro de muitas disputas, de teor histórico e de questões urgentes na época, entre o Reich Alemão e a Polônia. O insucesso em resolver estas disputas pacificamente resultou no conflito entre o Reich Alemão e a Polônia, resultando na reincorporação de Danzig ao território alemão.

[2]    Nota do tradutor: Ernst Jünger (1895 – 1998) foi um escritor e ex-combatente alemão da Primeira Guerra Mundial. No período nazista serviu no exército e também como administrador de uma província da França quando esta estava ocupada pelas forças alemãs. Esteve perifericamente envolvido com a oposição à Hitler que havia dentro do Reich, e, anteriormente, em 1938, foi proibido de publicar livros.

[3]    Nota do tradutor: James Herbert Brennan que, ao contrário de muitos acadêmicos que rejeitam absolutamente temáticas não-materialistas, se aventura em considerar algumas possibilidades não-materialistas, neste caso, forças não compreendidas na maior parte da ciência contemporânea, pisou em quase todas armadilhas da desinformação e manipulação sobre o tema nazista. Neste caso, então, citações com teor macabro tiveram passagem livre, já que davam um tom de obscurantismo ou patologia mental na imagem de Adolf Hitler.
Em seu livro Occult Reich  de 1974 (publicado no Brasil como Reich Oculto, Editora Madras, São Paulo, 2007, tradução Julia Vidili), entre um mar de distorções, Brennan cita (página 65 da edição brasileira) Hermann Rauschning ao colocar a passagem que Hitler histericamente gritava para o canto vazio, passagem a qual Wolfgang Haenel desvelou como sendo um plágio que Hermann Rauschning fez de um conto de Guy de Maupassant. Além disso, Brennan utiliza durante seu livro muitas citações do livro Hitler, a Study in Tyranny, de Alan Bullock, o qual, por sua vez, também se sustenta em muitas passagens do trabalho de Hermann Rauschning, e tudo isso, lastimavelmente, com o aviso na contracapa, tanto da edição em inglês quanto da edição em português, de que o livro cita informações de fontes autênticas (na edição inglesa ainda colocam como investigado a partir de fontes de inquestionável autenticidade).
               




Sobre o autor: Mark weber é um historiador americano, escritor, palestrante e analista de questões atuais. Ele estudou história na Universidade de Illinois (Chicago), na Universidade de Munique (Alemanha), e na Portland State University. Ele possui um mestrado em História Europeia da Universidade de Indiana. Desde 1995 ele tem sido diretor do Institute for Historical Review, um centro independente de publicações, educação e pesquisas de interesse público, no sul da Califórnia, que trabalha para promover a paz, compreensão e justiça através de uma maior consciência pública para com o passado.

  
Informação Bibliográfica

Autor
Mark Weber
Título
Rauschning's Phony 'Conversations With Hitler': An Update
Fonte
The Journal for Historical Review (http://www.ihr.org)
Data
Inverno de 1985 - 1986
Fascículo
Volume 6, número 4
Localização
Página 499
Endereço
  
_________________________________________________________________________________

Relacionado, leia também:

Historiador suíço expõe memórias anti-Hitler de Rauschning como fraudulentas - Por Mark Weber

A crucificação dos judeus deve parar! - Por Mark Weber