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terça-feira, 1 de dezembro de 2020

História e Historiadores - por Revilo P. Oliver

 

Revilo P. Oliver


            Um conservador é essencialmente um homem que está disposto a aprender da experiência acumulada da humanidade. Ele deve se esforçar desapaixonada e objetivamente, e ele deve ler a partir de suas observações com uma plena consciência das limitações da razão. E ele deve, acima de tudo, ter a coragem de confrontar as realidades desagradáveis da natureza humana e o mundo no qual nós vivemos.

            Isto é o porquê a história, o vasto registro da tentativa e erro humano, é uma disciplina para conservadores. Ela necessariamente reside além das capacidades emocionais e intelectuais das crianças, selvagens, e “intelectuais liberais,” que instintivamente fogem da realidade para viver em um mundo de sonho no qual as leis da natureza podem ser suspensas pela intervenção de fadas, médicos-feiticeiros, ou “cientistas sociais.”

            A história é uma alta e árdua disciplina na qual é sempre necessária coletar e pesar dados complexos e muitas vezes elusivos, e nos quais, como em muitos outros campos de pesquisa, nós devemos frequentemente nos contentar com um cálculo de probabilidades mais que uma certeza. E quando nós tentamos extrair da história as leis do desenvolvimento histórico, descobrimos nós mesmos calculando a probabilidade das probabilidades – tão difícil e delicada tarefa que a mente humana pode estabelecer para ela própria.

            Afortunadamente para nós, nas questões práticas deste mundo, prudência e bom senso (embora qualidades um tanto incomuns) são um guia adequado e não dependem de respostas para grandes questões de filosofia. Um homem pode aprender não comprar um porco em um bolso sem encontrar solução para o problema epistemológica que Hume possuí tão claramente e que ainda permanece não solucionado. Nós podemos aprender muito da história sem responder as questões derradeiras.

            Nossas mentes, contudo, pela própria natureza delas, desejam uma filosofia coerente que irá dar conta da inteira realidade percebida. E nós vivemos em um tempo no qual nós somos constantemente confrontados pelas reivindicações, algumas obviamente mera propaganda, mas outras séria e sinceramente colocadas a diante – que este ou aquele desenvolvimento deve tomar lugar no futuro porque ele é “historicamente necessário.” Além do mais, nós vivemos em um tempo no qual tudo, exceto o não atencioso e irrefletido sentido de que nossa própria civilização está sendo erodida por vastas e obscuras forças, as quais, se não checadas, irão destruí-la totalmente – forças que nós podemos identificar e compreender somente se nós pudermos averiguar como e por que elas estão moldando nossa história. E aqui novamente nos é frequentemente dito que aquelas forças representam um destino inerente na própria civilização e, portanto, irresistível e inescapável.

            Isto é o porquê o desenvolvimento de um trabalho de filosofia da história é a mais urgente, bem como a mais difícil tarefa do pensamento do século XX.

 

Grécia e Roma

            A história como um relato raciocinado das mudanças políticas e sociais foi produto da mente grega. De fato, poderia ser argumentado que a capacidade para a história nesse sentido é exclusiva propriedade da cultura ocidental que os gregos criaram e nós herdamos – mas seria um argumento bastante longo. Não podemos indulgenciar nós mesmos nisso aqui, não mais do que nós podemos empreender um exame dos antigos historiadores. Mas nós devemos observar que as duas concepções básicas do processo histórico entre as quais a mente moderna deve escolher ambas formadas na Antiguidade Clássica. Eu meramente menciono dois historiadores que ilustram o contraste.

            Se nós considerarmos seu desapego e objetividade quase sobre-humanos, o poder intelectual que capacita-o extrair o essencial da grande massa de detalhes e então escrever concisamente do alto de complexos eventos, e sua lúcida apresentação da evidência incluída pela teoria da tese, nós devemos considerar Tucídides como o grande historiador de todos os tempos. Com perfeita precisão ele diz-nos o que aconteceu e como isso aconteceu; ele vê a realidade com um olho que nunca é borrado por uma lágrima pelo destino de seu país; e a implacável lucidez de seu intelecto é não mais perturbada por uma teoria do que era perturbada pela tentação, a qual nenhum outro escritor poderia ter resistido, adicionar no mínimo umas poucas palavras para explicar ou defender sua própria conduta como um general ou mencionar seus próprios infortúnios. Nós não podemos ler Tucídides sem profunda emoção, mas a emoção é nossa, não dele; nós não podemos lê-lo sem ponderar as lições de história, mas elas são lições que nós devemos extrair dos fatos, não aceitá-las feitas prontas do escritor.

{Busto do antigo general e historiador grego Tucídides (460-400 a.C.) do Museu Real de Ontário.
Fonte da imagem: Wikipedia em inglês.}


            O futuro sempre se assemelhará ao passado porque a natureza humana não muda; os homens serão sempre movidos pelos mesmos motivos e desejos básicos; as limitações da razão humana e da disposição humana de raciocinar constituem um tipo de fatalidade, mas os eventos da história são sempre o resultado de decisões humanas, de sabedoria ou loucas tolices, em lidar com questões que podem nunca ser calculadas com certeza no avanço porque o resultado irá em alguma extensão depender da uma chance – sobre fatores que não podem ser previstos. Nações, como os homens, podem sofrer consequências de seus próprios atos – consequências frequentemente imprevistas e algumas vezes imprevisíveis, mas não há força histórica a qual os compele a decidir como irão atuar; eles são sujeitos, portanto, a nenhum destino, além daquele que é inerente nas limitações de seus recursos morais, mentais e físicos. A história é trágica, mas sua tragédia é no estrito sentido da palavra, o resultado da cegueira humana.

            Esta concepção da história contrasta fortemente com outra, podendo ser descrita como ou mais covarde, desde que ela desloca responsabilidades, ou mais profunda, desde que ela tenta ter em conta decisões. O Sêneca velho, escrevendo sua história das Guerras Civis depois da queda da República Romana e o estabelecimento do Principado, foi certamente influenciado pela concepção estoica de um universo que opera por uma estrita necessidade mecânica em vastos ciclos de uma ecpirose à outra, repetindo-se ela própria interminavelmente. Sêneca viu no povo romano um organismo comparável a um homem e submetido, como o homem, a um tipo de desenvolvimento biológico. Roma passou sua infância sob os primeiros reis. Adolescente, a nação estabeleceu uma república e, como o infatigável vigor de um organismo, estendeu seu governo sobre as partes adjacentes da Itália; com a força e resolução da maturidade (iuventus), Roma conquistou virtualmente todo o mundo que era digno de tomar, e então, finalmente, cansada e sentindo o declínio de seus poderes, incapaz de reunir belicamente força e resolução para governar a si mesmo, ela em sua velhice (senectus) resignou-se a si mesma e a seus negócios nas mão de um guardião, encerrando sua carreira conforme ela começou, sob a tutela e governo de um monarca.

            Infelizmente, o fragmento sobrevivente da história de Sêneca não nos diz quão logo ele pensou que a decrepitude seria seguida pela morte. Nós não podemos sequer estar certo quão estritamente ele aplicou o implícito fatalismo na analogia; ele parece ter estabelecido que as nações, como os homens, poderiam em sua maturidade apressar ou retardar o iniciar da senilidade pelo cuidado que eles poderiam tomar sobre eles mesmos. Mas no melhor, a vontade e sabedoria humana podem pouco afetar a necessidade biológica que carregou todas coisas vivas para a inexorável tumba. Sêneca estava pensando em Roma, mais do que na civilização clássica como um todo, mas essa analogia antecipou o essencial do que nós agora chamamos concepção da história orgânica ou cíclica.

 

O dilema moderno

            A história moderna começa com o Renascimento, uma idade a qual pensava de si própria, conforme o nome indica, como um “renascimento” da Antiguidade Clássica. Por um longo tempo, as energias dos homens estavam concentradas em um esforço para ascender ao nível da alta civilização representada pelas grandes eras de Grécia e Roma. A mais comum metáfora descreveu a mudança cultural em termos de dia e noite: A civilização tinha alcançado o meio-dia na era de Cícero e Virgílio; a decadência do Império Romano foi o crepúsculo que precedeu a longa noite da Idade das Trevas; e o avivamento da literatura e artes que começou com Petrarca foi o alvorecer de um novo dia – o retorno do sol para iluminar a terra e levantar a mente dos homens. Esta metáfora foi pretendida marcar contrastes, não traçar uma analogia. A cultura não veio ao mundo conforme o sol levanta-se e se põe, independentemente do esforço humano; ao contrário, literatura, filosofia (incluindo o que nós agora chamamos ciência), e as artes foram produtos da mais alta e mais intensa criatividade da mente humana. Seguiu-se, portanto, que a civilização era essencialmente o corpo do conhecimento acumulado e mantido pelo intelecto e vontade do homem. Essa sensação de constante luta sob máximo esforço impedia uma concepção da história, enquanto a consciência de que o pedaço da civilização tinha sido senão quebrado durante a Idade das Trevas impedia um otimismo fácil e impensado.

            Da alvorada do Renascimento até os primeiros dias do século XX os homens pensaram da história da civilização como um continuum que poderia ser reduzido a uma linha em um gráfico. A linha começou na parte inferior em algum lugar na pré-história antes do tempo de Homero, subiu constante e regularmente ao pico na grande era de Atenas, mergulhou um pouco e então subiu novamente para a Idade Dourada de Roma, caiu regular e continuamente rumo ao zero, o qual quase é alcançado na Idade das Trevas, subindo um pouco na Idade Média tardia, e com o avivamento da aquisição de conhecimento, subiu de maneira cortante frente a um novo pico. A história assim concebida dividiu-se ela própria em três períodos: Antiga, Medieval, e Moderna.

            Essa concepção linear da história foi simplesmente tomada por concedida pelos historiadores. Guicciardini, Juan de Mariana, Thuanus, Gibbon, e Macaulay diferem grandemente um do outro em perspectiva, mas eles todos consideram a concepção linear como apodítica.

 

{O italiano Francesco Guicciardini (1483-1540), o espanhol Juan de Mariana  (1544-1624), e o francês Jacques Auguste de Thou (Thuanus) (1553-1617), foram proeminentes na  formação da concepção histórica da Idade Moderna. Estátua de Francesco Guicciardini, em Florença, na Galeria Uffizi, foto via Wikipedia em italiano; Monumento à Juan de Mariana no município de Talavera de la Reina, foto via Wikipedia em inglês; Monumento à Jacques Auguste de Thou (Thuanus), no Hotel de Ville, Paris, foto via Wikipedia em inglês.}


{Os inglêses Edward Gibbon (1737-1794) e Thomas Babington Macaulay (1800-1859), dois dos mais proeminentes formadores da concepção histórica contemporânea. Arte respectivamente de  Joshua Reynolds  (1723–1792), Wikipedia em inglês, e John Partridge (?-1872), Wikipedia em inglês.}

Apreensões do porvir

            O século XIX trouxe ao Ocidente a garantia da superioridade miliar sobre todos os outros povos do mundo. Parecia certo que o homem branco, graças a sua tecnologia, governaria para sempre o globo e suas populações apinhadas. E desta confiança jorrou uma euforia louca sobre a cabeça de uma bizarra noção de que progresso era inevitável e automático; que a civilização, ao invés de ser uma criação frágil e preciosa que o homem deve trabalhar muito duro para manter e mesmo mais dura para melhorá-la, tinha se tornado autoperpetuante e auto-ampliada; e que a linha no gráfico, tendo subido mais alto que o mais alto ponto atingido na antiguidade, estava destinada a mover para cima para sempre e sempre. Esta extravagante fantasia infantil, para ser certo, não se impôs nas melhores mentes do século (por exemplo, Buckhardt), mas como um vinho inebriante, intoxicou muitos escritores (por exemplo, Herbert Spencer) que passaram por sérios pensadores no dia deles. E serviu para sugerir às mentes reflexivas a questão se era ou não um destino inerente na natureza dos próprios processos históricos como distintos da sabedoria ou insensatez das decisões feitas pelo homem.

            Frente ao fim do século, profundas apreensões do porvir que poderiam não mais ser reprimidas encontraram expressão em trabalhos tais como La civilisation et ses lois de Theodore Funck-Brentano, The Law of Civilization and Decay de Brook Adams, e The Degradation of Democratic Dogma de Henry Adams. Ninguém pensou de duvidar da supremacia do Ocidente ou sua perpetuidade, mas os homens começaram a pensar reflexivamente se a civilização não estava caindo para um nível inferior. E para encontrar uma resposta, eles buscaram estabelecer uma “ciência da história” – o que agora é chamado historionomia em inglês e metahistória em francês – a qual averiguaria as leis naturais que governam o desenvolvimento da civilização.

            Na véspera da Primeira Guerra Mundial, umas poucas mentes dignas de atenção, prescientes da vinda da catástrofe, formularam a questão histórica em termos mais drásticos e fundamentais: Era a civilização do Ocidente mortal e já estava ficando velha? Iria um viajante de algum futuro e alienígena civilização meditar entre as ruínas empoeiradas de Nova Iorque e Londres e Paris como Volney tinha meditado entre as ruínas da Babilônia, Baalbec, e Persépolis – e talvez, como Volney, acalmar-se ele próprio com ilusões de que sua civilização poderia resistir, embora todos seus predecessores tinham deixado apenas montões de pedras quebradas para atestar que eles tinham existido uma vez.

   

Poder no mundo

            Nós devemos compreender que a ameaçadora severa questão assim posada era naquele tempo, e permanece mesmo hoje, inteiramente uma questão de decadência interna – de uma doença ou debilidade da mente e vontade ocidentais. Não era então, e não tinha ainda se tornado uma questão de força relativa ao resto do mundo. O poder das nações do Ocidente era, e é, simplesmente esmagador.

            Em 1914, os homens debatiam se a Rússia era ou não parte do mundo ocidental. Assumindo que não era, era óbvio que havia somente duas nações não-ocidentais na terra que possuíam a capacidade militar e industrial de oferecer séria resistência para mesmo uma noção de médio tamanho do Ocidente. E nem Rússia nem Japão poderiam ter esperado derrotar uma potência maior ocidental, exceto formando uma aliança com outro poder maior da Europa ou América. E a despeito de todos os esforços do Ocidente para destruir ele próprio em guerras fratricidas e ao exportar sua tecnologia e sua riqueza para outros povos, que permanece em grande parte verdadeiro até hoje.

            A retirada do Ocidente tem sido auto-imposta, e nós não devemos permitir que os guinchos de “liberais” distraiam nossa atenção daquele óbvio e fundamental fato. A Grã-Bretanha, por exemplo, estava em nenhum sentido compelido a desistir da Índia como colônia. Durante o grande motim indiano de 1857, cinquenta mil soldados britânicos abriram seu caminho através do inteiro subcontinente indiano, e em pouco mais que um ano reduziu à completa submissão sua população de mais de cem milhões. E isto, nota bene, foi feito em um tempo quando a única arma básica de guerra era o rifle, de modo que um homem com um rifle num lado correspondia igualmente a um homem com rifle no outro lado, exceto tanto quanto a disciplina e inteligência individual pode fazer alguma diferença no uso da arma comum e universalmente obtida. Em 1946, a Grã-Bretanha, com todas as armas que são por sua própria natureza um monopólio das grandes nações, poderia ter extinguido num sopro em umas poucas semanas a mais formidável revolta que Nehru e sua gangue poderiam concebivelmente ter instigado e organizado.

            O poder ainda é nosso. A maior parte do globo repousa aberta para nossa tomada, se nós como uma nação resolvermos tomá-la. A despeito de todos esforços frenéticos em Washington para sabotar os Estados Unidos pelos passados trinta anos, e está ainda além da dúvida que se nós tivéssemos então em mente, nós poderíamos, por exemplo, simplesmente tomar o inteiro continente da África, exterminar a população nativa; e fazer a vasta e rica área uma nova fronteira para a expansão de nosso próprio povo. Nenhum poder na terra – certamente nem o Soviete que nós temos tão diligentemente nutrido e construído com nossos recursos – ousaria se opor a nós. Para ser certo, há boas razões para não anexar a África, mas se nós estamos a pensar claramente sobre nosso lugar no mundo, nós devemos compreender que a carência de poder não é um deles.

            Que o mundo ocidental, com seu monopólio virtual dos instrumentos de poder, deveria se encolher servilmente perante as horas pelas quais sentiu somente desprezo quando era menos forte do que é agora, é uma prova óbvia que nossa civilização está sofrendo de alguma doença fatal ou decadência que tem nos privado – temporariamente ou permanentemente – da inteligência e da vontade de viver. Toda filosofia da história, ou, se você preferir, todo sistema de historionomia, é simplesmente um esforço para diagnosticar nossa doença de que padecemos – para dizer-nos, em efeito, se a debilidade e enervação do Ocidente é o resultado de uma doença curável ou de uma deterioração irreversível.

 

Compreensão histórica

            As questões sociais e políticas de nosso dia são primariamente problemas históricos. Para pensar sobre elas racionalmente, nós devemos começar por consultar o registro da experiência humana no passado. E nós logo percebemos que se somente soubéssemos suficiente sobre história – e a entendêssemos – nós teríamos as respostas para todas nossas questões.

            Eventos únicos são sempre incompreensíveis. E cada mudança é única até que ela tem sido repetida com suficiente frequência para ser reconhecida como formando parte de algum padrão inteligível. Nós não poderíamos identificar mesmo uma sensação tão simples em nossos corpos como fome, se não a experimentássemos mil vezes e observado que uma boa refeição invariavelmente a abolia – por enquanto.

            Nenhum homem vive o suficiente para ver com seus próprios olhos um padrão de mudança na sociedade. Ele é como o mosquito que nasce à tarde e morre ao pôr-do-sol, e que, portanto, não importa o quão inteligente ele possa ser, nunca poderá descobrir, ou mesmo suspeitar, que o dia e noite vêm em regular alternância. Diferente do mosquito, contudo, o homem pode consultar a experiência das comparativamente poucas gerações de suas espécies que têm lhe precedido durante o comparativamente breve período de cerca de cinco mil anos no qual os seres humanos têm tido o poder de deixar registros para a instrução da posteridade deles.

            Isto, infelizmente, não é suficiente história para dar respostas positivas e indubitáveis para muitas de nossas questões – mas é tudo o que nós temos. O historiador hoje está frequentemente na posição dos filósofos gregos que tentaram decidir se o sistema solar era geocêntrico ou heliocêntrico, e poderia não alcançar uma definitiva conclusão simplesmente porque não há disponível no mundo um registro de observações suficientemente exatas registradas sobre um período de tempo suficientemente longo.

O historiador moderno que tenta explanar a ascensão e queda das civilizações pode possivelmente encontrar a explanação certa, mas se o faz – e se ele é realmente um historiador – ele sabe que, no melhor, ele está na posição de Aristarco, quem primeiro sistematizou e formulou a teoria heliocêntrica, e quem primeiro tinha sabido que a teoria poderia não ser provada durante seu próprio tempo de vida ou por muitos anos a vir. (Ou seja, não até que a paralaxe {cálculo utilizado para medir a distância das estrelas utilizando o movimento da Terra em sua órbita} anual de ao menos uma estrela fixa tenha sido determinada. Isto foi realizado pela primeira vez por Bessel em 1838 – três séculos após Copérnico.) O que Aristarco não podia prever, naturalmente, era que o nível de civilização iria flutuar tanto que levaria vinte e um séculos antes que o homem pudesse ter certeza de que ele tinha estado certo.

            O historiador, embora ciente que sua hipótese deva permanecer uma hipótese em seu tempo, pode extrair uma analogia em termos de uma certeza histórica. Quando a humanidade civilizada perdeu interesse no problema que Aristarco tentou resolver com sua teoria não verificável, ela estava encabeçando rumo a uma Idade das Trevas na qual o homem esqueceu os fatos que tinham sido averiguados – uma época tão estultificada que os homens esqueceram que eles tinham uma vez sabido que a terra era um globo, e então tiveram uma recaída para a primitiva noção que ela era plana.

Tradução e palavras entre chaves por Mykel Alexander

 


Este ensaio foi publicado no The Journal of Historical Review, setembro-outubro. 1994 (Vol. 14, n° 5), páginas 23-27. É de um texto mais extenso, publicado pela primeira vez em 1963, que foi reimpresso na antologia America’s Decline: The Education of a Conservative (1982), páginas 182-183, 187-189, 190-191 e 212-213.

http://ihr.org/other/HistoryHistoriansOliver

 

Sobre o autor: Revilo P. Oliver (1910-1994) foi um estudioso americano de estatura internacional, ensinou Clássicos na Universidade de Illinois por 32 anos. Ele conhecia doze idiomas e escreveu artigos em quatro deles para publicações acadêmicas nos EUA e na Europa. Oliver obteve seu doutorado na Universidade de Illinois em 1940 e, em 1947, iniciou sua carreira de professor no departamento de Clássicos de lá. Durante o início da década de 1950 ele era tanto um membro da Guggenheim como da Fulbright.

Uma estilista brilhante e meticulosa, a escrita de Oliver pode ser elegante e erudita ou sarcástica e cortante. Entre 1955 e 1959, ele colaborou com frequência na National Review de William Buckley. Ele ajudou a organizar a sociedade anticomunista John Birch e por alguns anos serviu como membro do seu Conselho Nacional. Oliver foi um colaborador frequente do American Opinion, principal periódico da sociedade até 1966, quando renunciou após um desacordo político com o fundador Robert Welch.

            Ele era amigo e apoiador do Institute for Historical Review. De 1980 até sua morte, ele foi membro do Comitê Consultivo Editorial do Journal of Historical Review. 

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sexta-feira, 8 de maio de 2020

Oswald Spengler: crítica e homenagem - por Revilo Oliver


Revilo Oliver

Concebida antes da Primeira Guerra Mundial, é a obra magistral de Oswald Spengler, Der Untergang des Abendlandes (Munique, 1918)[1]. Lida neste país principalmente na tradução brilhantemente fiel de Charles Francis Atkinson, The Decline of the West (Nova Iorque, dois volumes, 1926-28), a morfologia da história de Spengler foi a grande conquista intelectual de nosso século. Qualquer que seja a nossa opinião sobre seus métodos ou conclusões, não podemos negar que ele foi o Copérnico da historionomia. Todos os escritos subsequentes sobre a filosofia da história podem ser descritos como uma crítica ao The Decline of the West.

Spengler, tendo formulado uma história universal, empreendeu uma análise das forças operando no mundo imediatamente contemporâneo. Isso ele expôs em uma obra magistral, Die Jahre der Entscheidung, da qual apenas o primeiro volume poderia ser publicado na Alemanha (Munique, 1933) e traduzido para o inglês (The Hour of Decision Nova Iorque, 1934)[2]. Bastava-se ler este brilhante trabalho, com sua análise lúcida de forças que até os observadores agudos não perceberam até 25 ou 30 anos mais tarde, e com sua previsão que eventos subsequentes agora se mostraram absolutamente corretos, para reconhecer que seu autor foi uma das grandes mentes políticas e filosóficas do Ocidente. Deve-se lembrar, no entanto, que a incrível precisão de sua análise da situação contemporânea não prova necessariamente a validade de sua morfologia histórica.

A publicação do primeiro volume de Spengler em 1918 lançou uma súbita enxente de controvérsia que continua até os dias atuais. Manfred Schroeter, em Der Streit um Spengler (Munique, 1922), pôde dar uma prévia das críticas que apareceram em pouco mais de três anos; hoje, uma mera bibliografia, se razoavelmente completa, levaria anos para compilar e provavelmente chegaria a oitocentas ou mil páginas impressas.

Spengler naturalmente provocou enxames de patetas carentes de julgamento, que ficaram particularmente irritados com sua sugestão imoral e prepóstera de que poderia haver outra guerra na Europa, quando todos sabiam que não poderia haver nada além da Paz Mundial depois de 1918, porque Papai Noel tinha acabado de trazer uma nova, boa e brilhante “Liga das Nações”. Tais caixas de diálogo “liberais” estão sempre fazendo barulho, mas ninguém com o menor conhecimento da história humana prestaram atenção nelas, exceto como sintomas.

Infelizmente, críticas muito mais inteligentes à Spengler foram motivadas pela insatisfação emocional com suas conclusões. Em um artigo na Antiquity de 1927, o erudito R.S. Collingwood, de Oxford, chegou ao ponto de afirmar que os dois volumes de Spengler não haviam lhe dado “uma única ideia genuinamente nova” e que ele “ própria havia a realizado há muito tempo” – e, é claro, rejeitou – mesmo as análises detalhadas de Spengler de culturas individuais. Conforme um breve olhar no trabalho de Spengler será suficiente para mostrar, essa afirmação é menos plausível do que uma alegação de saber tudo o que está contido na Décima Segunda Edição da Encyclopaedia Britannica. Collingwood, o autor do Speculum Mentis e outras obras filosóficas, deve ter sido atormentado por ressentimentos emocionais tão fortes que ele não podia ver o quão vaidosa, arrogante e improvável sua vaidade pareceria para a maioria dos leitores.

Agora é um truísmo que o “pessimismo” e o “fatalismo” de Spengler tenham sido um choque insuportável para as mentes alimentadas na ilusão do século XIX de que tudo ficaria cada vez melhor para sempre e sempre. A interpretação cíclica da história de Spengler afirmava que uma civilização era um organismo com um tempo de vida definido e fixo, passando da infância à senescência e morte por uma necessidade interna comparável à necessidade biológica que decreta o desenvolvimento do organismo humano da imbecilidade infantil à senil decrepitude. Napoleão, por exemplo, era a contraparte de Alexandre no mundo antigo.

Oswald Spengler

Nós estávamos agora, portanto, em uma fase da vida civilizacional em que as formas constitucionais são suplantadas pelo prestígio dos indivíduos. Em 2000, seremos “contemporâneos” com a Roma de Sulla, o Egito da Décima Oitava Dinastia e a China na época em que os “Estados contendores” foram soldados em um império. Isso significa que enfrentamos uma era de guerras mundiais e, o que é pior, guerras civis e proscrições, e que por volta de 2060 o Ocidente (se não for destruído por seus inimigos alienígenas) se unirá sob o domínio pessoal de um César ou Augusto. Essa não é uma perspectiva agradável.


Grandeza ou otimismo

A única questão perante nós, no entanto, é se Spengler está correto em sua análise. Os homens racionais consideram irrelevante o fato de que suas conclusões não são encantadoras. Se um médico informar que você tem sintomas de arteriosclerose, ele pode ou não estar certo em seu diagnóstico, mas é absolutamente certo que você não pode se rejuvenescer dando um tapa na cara dele.

Penso que todo observador desapegado de nosso tempo concorda que o “pessimismo” de Spengler despertou emoções que impossibilitam a consideração racional. Estou inclinado a acreditar que o nível moral de seu pensamento foi um obstáculo maior. Seu “fatalismo” não era do tipo consolador que permite que os homens levantem as mãos e se esquivem de responsabilidades. Considere, por exemplo, as linhas finais de seus Men and Technics (Nova Iorque, 1932)[3]:
O perigo já é tão grande, para todo indivíduo, toda a classe, toda o povo, que nutrir qualquer ilusão que seja é deplorável. O tempo não deixa ele mesmo ser interrompido; não há questão de recuo prudente ou renúncia sábia. Somente os sonhadores acreditam que há uma saída. Otimismo é covardia.
Nós nascemos neste tempo e devemos bravamente seguir o caminho para o fim destinado. Não há outro caminho. Nosso dever é manter a posição perdida, sem esperança, sem resgate, como aquele soldado romano cujos ossos foram encontrados em frente a uma porta em Pompéia, que, durante a erupção do Vesúvio, morreu em seu posto porque se esqueceram de liberá-lo. Isso é grandeza. É isso que significa ser um raça-pura. O fim honroso é a única coisa que não pode ser tirada de um homem.
Agora, se o prognóstico austero e severo que está por trás dessa conclusão é ou não correto, nenhum homem apto a viver o presente pode ler essas linhas sem sentir seu coração elevado pelo grande ethos de uma cultura nobre – a força espiritual do Ocidente que pode conhecer tragédia e não ter medo. E, simultaneamente, esse pronunciamento afronta à histeria o epiceno homúnculo entre nós, os covardes que esperam apenas fugir com segurança na escuridão e se infiltrar na decadência de uma cultura infinitamente além da compreensão deles.

Esse contraste é em si mesmo um dado muito significativo para uma estimativa da condição atual de nossa civilização…


Três pontos de crítica

As críticas a Spengler, portanto, para que não pareçam meras discussões sobre detalhes, devem lidar com as principais premissas. Agora, até onde posso ver, a tese de Spengler pode ser contestada em três pontos realmente fundamentais, a saber:

          (1) Spengler considera cada civilização como uma entidade fechada e isolada, animada por uma ideia dominante, ou Weltanschauung, que é sua “alma”. Por que devem as ideias, ou conceitos, as criações impalpáveis ​​da mente humana, passar por uma evolução orgânica como se estivessem vivendo um protoplasma, que, como substância material, está compreensivelmente sujeito a alterações químicas e, portanto, leis biológicas? Essa objeção lógica não é conclusiva: os homens podem observar as marés, por exemplo, e até prever, sem poder explicar o que as causa. Mas quando devemos deduzir as leis históricas das quatro das cinco civilizações das quais temos algum conhecimento bastante preciso, não temos repetições suficientes de um fenômeno para calcular sua periodicidade com segurança, se não sabemos por que isso acontece.

          (2) Uma dificuldade muito mais grave surge do fato histórico que nós temos já mencionados. Por cinco séculos, pelo menos, os homens do Ocidente consideraram a civilização moderna como um renascimento ou prolongamento da antiguidade greco-romana. Spengler, como a própria base de sua hipótese, considera o mundo clássico como uma civilização distinta e alheia à nossa – uma civilização que, como a egípcia, viveu, morreu, e agora se foi. Era dominada por uma Weltanschauung completamente diferente e, consequentemente, os homens instruídos da Europa e da América, que durante cinco séculos acreditavam na continuidade, estavam apenas sofrendo de uma ilusão ou alucinação.

Mesmo se admitirmos que, no entanto, ainda estamos diante de um fenômeno histórico único. As civilizações egípcia, babilônica, chinesa, hindu e árabe (“magiana”) são todas consideradas por Spengler (e outros proponentes de uma estrutura orgânica da cultura) como organismos únicos e não relacionados: cada um surgiu sem derivar seus conceitos de outra civilização (ou, alternativamente, vendo seus próprios conceitos nos registros de uma civilização anterior), e cada um morreu sem deixar descendência (ou, alternativamente, nenhuma civilização subsequente pensava em ver neles seus próprios conceitos). Simplesmente não há paralelo ou precedente para o relacionamento (real ou imaginário) que liga a cultura greco-romana à nossa.

Desde que Spengler escreveu, uma grande descoberta histórica complicou ainda mais a questão. Sabemos agora que os povos micênicos eram gregos, e é virtualmente certo que os elementos essenciais de sua cultura sobreviveram à desintegração causada pela invasão dórica e foram a base da cultura grega posterior. (Para um bom resumo, veja Leonard R. Palmer, Mycenaeans and Minoans, Londres, 1961). Portanto, temos uma sequência que, até onde sabemos, é única:

Micênico → Idade das Trevas → Greco-Romano → Idade das Trevas → Moderno. Se essa é uma civilização, ela tem tido uma vida criativa muito mais longa do que a de qualquer outra que até agora apareceu no mundo. Se for mais de uma, as inter-relações formam uma exceção à lei geral de Spengler e sugerem a possibilidade de que uma civilização, se morrer por algum tipo de processo quase biológico, pode, em alguns casos, ter um poder quase biológico de reprodução.

A exceção se torna ainda mais notável se, diferentemente de Spengler, considerarmos fundamentalmente importante o conceito de autogoverno, que pode estar presente até nos tempos micênicos (ver L.R. Palmer, Mycenaeans and Minoans). Democracias e repúblicas constitucionais são encontradas apenas no mundo greco-romano e no nosso; essas instituições parecem ter sido incompreensíveis para outras culturas.

(3) Para todos os fins práticos, Spengler ignora diferenças hereditárias e raciais. Ele até usa a palavra “raça” para representar uma diferença qualitativa entre os membros do que deveríamos chamar de mesma raça, e nega que essa diferença seja, em qualquer extensão significativa, causada pela hereditariedade. Ele considera as raças biológicas plásticas e mutáveis, mesmo em suas características físicas, sob a influência de fatores geográficos (incluindo o solo, que se diz afetar o organismo físico através dos alimentos) e do que Spengler chama de “uma força cósmica misteriosa” que nada tem a ver com biologia. A única unidade real é cultural, isto é, as ideias e crenças fundamentais compartilhadas pelos povos que formam uma civilização. Assim, Spengler, que faz aquelas sujeitas ao crescimento e decaimento quase biológico, estranhamente rejeita como insignificante os achados da ciência biológica concernente aos organismos vivos.

É verdade, é claro, que o homem é em parte um ser espiritual. Disso, as pessoas que têm fé religiosa não precisam de garantia. Outros, a menos que estejam determinados a negar cegamente as evidências diante de nós, devem admitir a existência de fenômenos do tipo descrito por Franz E. Winkler, MD, em Man the Bridge Between Two Worlds (Nova Iorque, Harper, 1960) e, é claro, por muitos outros escritores. E todo historiador sabe que nenhuma das culturas superiores poderia existir, se os seres humanos fossem meramente animais.

Mas também é verdade que a ciência da genética, fundada pelo padre Mendel há apenas um século e quase totalmente negligenciada até os primeiros anos do século XX, determinou leis biológicas que só podem ser negadas negando a realidade do mundo físico. Toda pessoa educada sabe que a cor dos olhos de um homem, a forma dos lóbulos das orelhas e todas as outras características fisiológicas são determinadas por fatores hereditários. É virtualmente certo que a capacidade intelectual também é produzida por herança, e há uma quantidade razoável de evidências que indicam que mesmo as capacidades morais são igualmente inatas.

O poder de intervenção do homem no desenvolvimento das qualidades herdadas parece ser inteiramente negativo, fornecendo assim outra prova melancólica de que a engenhosidade humana pode facilmente destruir o que nunca pode criar. Qualquer tolo com uma faca pode, em três minutos, tornar a mulher mais bonita para sempre horrível, e um de nossos “especialistas em saúde mental”, mesmo sem usar uma faca, pode destruir rápida e permanentemente o melhor intelecto. E parece que intervenções menos drásticas, por meio da educação e outro controle do ambiente, podem perverter ou deformar temporariamente ou mesmo permanentemente, mas são impotentes para criar capacidades que um indivíduo não herdou de ancestrais próximos ou mais remotos.

Os fatos estão fora de questão, embora a Polícia Secreta na Rússia Soviética e os esquadrões de cuspidores “liberais” nos Estados Unidos tenham conseguido manter esses fatos longe do público em geral nas áreas que controlam. Mas nenhuma quantidade de terrorismo pode alterar as leis da natureza. Para uma exposição legível da genética, veja Nature e Fate’s Man, de Garrett Hardin (Nova Iorque, Rinehart, 1959)[4], que está sujeita apenas à reserva de que as leis da genética, como as leis da química, são verificadas por observação todos os dias, enquanto a doutrina da evolução biológica é necessariamente uma hipótese que não pode ser verificada por experimento.


O fator raça

Também está fora de dúvida que as raças da humanidade diferem muito na aparência física, na suscetibilidade para doenças específicas e na capacidade intelectual média. Há indícios de que elas diferem também na organização nervosa e, possivelmente, nos instintos morais[5]. Seria um milagre se não fosse assim, pois, como é sabido, as três raças primárias eram distintas e separadas no momento em que homens inteligentes apareceram pela primeira vez neste planeta, e assim permanecem desde então. As diferenças são tão pronunciadas e estáveis ​​que os proponentes da evolução biológica acham cada vez mais necessário postular que as diferenças remontam a espécies que precederam o aparecimento do homo sapiens. (Veja a edição nova e revisada de The Story of Man, do Dr. Carleton S. Coon, Nova Iorque, Knopf, 1962).[6]

Que tais diferenças existam é sem dúvida deplorável. Certamente é deplorável que todos os homens morram, e há pessoas que consideram deplorável a existência de diferenças, tanto anatômicas quanto espirituais, entre homens e mulheres. No entanto, nenhuma quantidade de mentiras combinadas de “liberais” e nenhuma quantidade de decretos da Gangue Warren [Suprema Corte] mudará, no mínimo, as leis da natureza.

Agora, sabemos muito sobre genética, tanto individual quanto racial, e essas incertezas permitem estimativas muito diferentes da importância relativa de fatores biologicamente determinados e conceitos culturais no desenvolvimento de uma civilização. Nosso único argumento aqui é que é altamente improvável que fatores biológicos não tenham nenhuma influência sobre a origem e o curso das civilizações. E na medida em que eles influenciam, a teoria de Spengler é defeituosa e provavelmente enganosa.


Insights profundos

Poder-se-ia adicionar alguns pontos menores às três objeções expostas acima, mas serão suficientes para mostrar que a historionomia spengleriana não pode ser aceita como uma certeza. É, contudo, uma grande formulação filosófica que coloca questões de extrema importância e aprofunda nossa percepção da causalidade histórica. Nenhum estudante de história precisou de Spengler para lhe dizer que um declínio da fé religiosa necessariamente enfraquece os laços morais que tornam possível a sociedade civilizada. Porém, a demonstração de Spengler de que esse declínio parece ter ocorrido em um ponto definido no desenvolvimento de várias civilizações fundamentalmente diferentes com, é claro, religiões radicalmente diferentes nos fornece dados que devemos levar em consideração quando tentamos verificar as verdadeiras causas do declínio. E sua posterior observação que o declínio era eventualmente seguido por uma varredura do reavivamento da crença religiosa é igualmente significante.  

Por mais errado que ele possa estar em relação a algumas coisas, Spengler nos deu insights profundos sobre a natureza de nossa própria cultura. Mas, para ele, nós poderíamos ter ficado acreditando que nossa grande tecnologia era apenas uma questão de economia – de tentar fazer mais coisas mais baratas. Mas ele nos mostrou, penso eu, que nossa tecnologia tem um significado mais profundo – que, para nós, os homens da civilização ocidental, responde a certa necessidade espiritual inerente a nós, e que derivamos de seus triunfos como a satisfação análoga àquela que é derivada de boa música ou grande arte.

Oswald Arnold Gottfried Spengler (29 de Maio de 1880 - 8 de Maio de 1936)

E Spengler, acima de tudo, tem nos forçado a investigar a natureza da civilização e a nos perguntar por que meios – se houver – podemos consertar e preservar os longos e estreitos diques que sozinhos nos protegem do vasto e turbulento oceano de barbárie eterna. Por isso, nós devemos sempre honrá-lo.

Tradução de Leonardo Campos via Sentinela .
Revisão de Mykel Alexander

Apêndice

Revilo Oliver sobre História

O desenvolvimento de uma filosofia da história funcional é a tarefa mais urgente e difícil do pensamento do século XX.

O futuro sempre se parecerá com o passado, porque a natureza humana não muda.

As questões sociais e políticas de nossos dias são todas principalmente problemas históricos. Para pensar sobre eles racionalmente, devemos começar consultando o registro da experiência humana no passado. E logo percebemos que, se soubéssemos o suficiente sobre a história – e a entendêssemos -, nós teríamos as respostas para todas as nossas perguntas.

Nenhum homem vive o suficiente para contemplar com seus próprios olhos um padrão de mudança na sociedade. Ele é como ao mosquito que nasce à tarde e morre ao pôr do sol, e que, portanto, por mais inteligente que seja, nunca poderia descobrir, ou mesmo suspeitar, que dia e noite alternam regularmente. Ao contrário do mosquito, no entanto, o homem pode consultar a experiência das relativamente poucas gerações de sua espécie que o precederam durante o período comparativamente breve de cerca de cinco mil anos em que os seres humanos tiveram o poder de deixar registros para a instrução de sua posteridade.

Tradução de Leonardo Campos via Sentinela.
Revisão de Mykel Alexander


Notas


[1] Nota de Mykel Alexander: Em português foi publicado pela editora Zahar (várias edições) como A Decadência do Ocidente, porém apenas numa edição resumida.

[2] Nota de Mykel Alexander: Em português foi publicado como Anos de Decisão – A Alemanha e a evolução histórico-mundial, Edições Meridiano, Porto Alegre, 1941, tradução de Herbert Caro.

[3] Nota de Mykel Alexander: Em português foi publicado como O Homem e a Técnica, Guimarães Editora, Lisboa, 1993 (ao menos duas edições), tradução do alemão ao português por João Botelho e prefácio de Luis Furtado.

[4] Nota de Mykel Alexander: Sobre a influência da genética na humanidade ver especialmente o trabalho mais recente de Nicholas Wade, Uma herança incômoda, Editora Três Estrelas, São Paulo, 2016. Tradução do original em inglês por Pedro Sette-Câmara.

[5] Nota de Mykel Alexander: Novamente, sobre a influência da genética na humanidade ver Nicholas Wade, Uma herança incômoda, Editora Três Estrelas, São Paulo, 2016. Tradução do original em inglês por Pedro Sette-Câmara.

[6] Nota de Mykel Alexander: Em português foi publicado como a história do homem, Editora Itatiaia, Belo Horizonte, 1960, traduzido do inglês ao português por Milton Amado. Contudo esta tradução não procede da edição revisada de 1962, mas certamente da primeira edição de 1954.




Fonte: Este ensaio, originalmente escrito e publicado em 1963, é da antologia America's Decline: The Education of a Conservative (1982), páginas 193-200. Apareceu no The Journal of Historical Review, março-abril de 1998 (Vol. 17, nº 2), páginas 10-13.

Sobre o autor: Revilo P. Oliver (1910-1994) foi um estudioso americano de estatura internacional, ensinou Clássicos na Universidade de Illinois por 32 anos. Ele conhecia doze idiomas e escreveu artigos em quatro deles para publicações acadêmicas nos EUA e na Europa. Oliver obteve seu doutorado na Universidade de Illinois em 1940 e, em 1947, iniciou sua carreira de professor no departamento de Clássicos de lá. Durante o início da década de 1950 ele era tanto um membro da Guggenheim como da Fulbright.

Uma estilista brilhante e meticulosa, a escrita de Oliver pode ser elegante e erudita ou sarcástica e cortante. Entre 1955 e 1959, ele colaborou com frequência na National Review de William Buckley. Ele ajudou a organizar a sociedade anticomunista John Birch e por alguns anos serviu como membro do seu Conselho Nacional. Oliver foi um colaborador frequente do American Opinion, principal periódico da sociedade até 1966, quando renunciou após um desacordo político com o fundador Robert Welch.

         Ele era amigo e apoiador do Institute for Historical Review. De 1980 até sua morte, ele foi membro do Comitê Consultivo Editorial do Journal of Historical Review.

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Para quem há história? - por Mykel Alexander

domingo, 17 de novembro de 2019

Para quem há história? - por Mykel Alexander

Publicado originalmente em 17 de novembro de 2019 e revisado em 22 de maio de 2020

 Mykel Alexander

                   Indaga Oswald Spengler (1880-1936), o intuitivo filósofo da história alemão:
“Para quem há história? Pergunta paradoxal, ao que parece! Sem dúvida há história para todos, porquanto cada homem, com a totalidade de sua existência vigilante, é membro da história. Mas há grande diferença entre viver sob a impressão contínua de que a própria vida é um elemento de um ciclo vital muito mais amplo, que se estende sobre séculos ou milênios, e sentir a vida como algo completo, redondo, bem delimitado. É seguro que para esta última classe de consciência não há história universal, não existe o universo como história.”[1]
            Esta indagação de Spengler foi feita em Der Untergang des Abendlandes (1918-1922), traduzida no Brasil apenas em forma resumida como A Decadência do Ocidente, (várias edições pela Editora Zahar), obra que aborda as questões da capacidade humana de entender a História, de quais seriam as dinâmicas da história, de se o homem seria capaz de determinar o momento de plenitude e decadência de uma civilização.

            Após a Primeira Guerra Mundial, quando Spengler publicou esta obra em dois volumes (o primeiro em 1918, e o segundo em 1922), a opinião geral era que o desastre ocorrido teria despertado a humanidade para a consciência, e que, recobrada do susto, a humanidade iria voltar para um caminho de prosperidade, mas Der Untergang des Abendlandes estimava que ao contrário da prosperidade iria vir uma decadência e dissolução da sociedade ocidental. Não irei adentrar nos eventos que posteriormente foram surgindo e que trouxeram componentes de corrupção e degradação da sociedade ocidental, tais como a difusão do marxismo, psicanálise, movimentos de minorias baseados em subversão, economia baseada em juros, negação do conhecimento das tradições humanas (especialmente à greco-romana dentro do contexto ocidental) fundidos num caldeirão de materialismo que promove os baixos instintos sobre a consciência mais elevada do homem, e rotulados cada qual ou na chamada direita (liberais) ou na chamada esquerda (marxistas, freudianos, e membros da Escola de Frankfurt), mas apenas salientarei que os extremos das tais direita e esquerda se consolidaram em interesses geopolíticos entre OTAN e URSS cuja ameaça de guerra nuclear mantinha desperta a consideração de uma destruição não só do Ocidente, mas do mundo.

Oswald Arnold Gottfried Spengler
(29 de Maio de 1880 –  8 de Maio de 1936)

            Com o fim da URSS, com a unificação das Alemanhas, e com desmembramento dos países marxistas tais como Tchecoslováquia e Iugoslávia, tais países daí restabelecidos, destacadamente a Rússia, voltaram a recuperar suas identidades originais, anteriores ao advento do marxismo na forma de sovietismo. Disso resultou que a polaridade entre OTAN (liderada pelos EUA sob a influência de Israel) e URSS não mais existia obviamente, a partir dos anos da década de 1990. Desde então a ideia de “decadência do Ocidente” passou a ficar esquecida.

            Contudo, com o fortalecimento da Rússia não mais soviética, e da China mais voltada a sua natureza original do que das ideologias marxistas e maoístas, a OTAN (liderada pelos EUA sob a influência de Israel) passa a sentir seu poder no Ocidente e no mundo ameaçado por tais potências sob as quais seus dirigentes não possuem controle.


Qual o conteúdo das discussões políticas?

            É então que chegamos a atualidade, do Ocidente, e, necessariamente, do Brasil também. É inegável que o mundo vive a epidemia das chamadas “fake news”, especialmente o Ocidente, ao mesmo tempo em que no Brasil a polaridade política entre as denominadas direita e esquerda se intensifica já flertando com o extremismo. Jornalistas e analistas em geral costumam repetir sempre que, apesar de toda a polarização, o lado positivo de tal conjuntura é que nunca como antes o povo brasileiro esteve politizado e que isso é sinal de uma democracia saudável.

            Todavia o tempo é capaz de exercer um duplo efeito na humanidade, a saber, ou aperfeiçoamento através da experiência dos anos vividos, que é um efeito benéfico, ou o esquecimento do saber no decorrer de décadas, séculos e milênios, que é um efeito deletério.

            A palavra “política” é originária da tradição grega, e a palavra “democracia” também. Sabem as pessoas as origens e o desenvolvimento dessas duas palavras? Sabem as pessoas os muitos conceitos gregos vinculados a estas duas palavras? Sabem as pessoas a relação entre tais conceitos e a vivência política na conjuntura da época originária de tais palavras? Sabem as pessoas o significado a democracia em seu contexto original?

            Certamente a quase absoluta maioria não sabe, e o andamento da educação no Brasil não favorece tal saber. Vejamos a seguintes digressões que entendo como fundamentais para parte da ignorância das pessoas no Brasil sobre o significado das palavras, e necessariamente dos respectivos conceitos, política e democracia.

 Democracia é uma palavra grega, e política também, embora a prática da política tenha se consolidado no ocidente através dos fundamentos do direito romano, este em grande parte da tradição latina romana pagã e depois com a tradição latina cristã, então, a política ocidental desde o Império Romano pagão, passando pelo Império Romano Cristão, depois pela Idade Média e Idade Moderna, desenvolveu-se valendo-se em grande parte do idioma latim. Na verdade, o idioma grego tinha uso corrente vasto até o fim do período helenístico, ao redor do século II a.C. quando a difusão do idioma latim passou gradualmente a ganhar importância conforme a República de Roma foi se consolidando como potência no Mediterrâneo, e com o advento do Império Romano se expandindo no continente europeu o idioma latim foi se estabelecendo, e se fixando como idioma oficial da política europeia através da Igreja Católica durante a Idade Média após a dissolução do Império Romano. O idioma grego só voltou a ter grande importância no Ocidente a partir do Renascimento na Itália do século XV. A palavra grega democracia nem na Grécia Antiga tinha tanto prestígio, e foi mais alardeada no início do século XX apenas, e quase sempre descontextualizada de suas origens e significados vinculados.

Como minha crítica é a de as pessoas não conhecerem as origens dos significados das palavras democracia e política com suas respectivas implicações, é claro que para superarem isso necessitariam conhecer o idioma grego e também o idioma latim, dada as interconexões históricas de tais idiomas no contexto europeu e ocidental.

Mas em que medida, no caso do Brasil, os idiomas grego e latim foram ensinados às massas?

Na primeira metade do século XIX os idiomas latim e grego eram dominantes nas escolas secundárias, e na segunda metade do mesmo século chegaram a estar presentes em 7 (latim) e 3 (grego) anos de estudo. A partir de 1915 o latim ocupava só 3 anos de estudo e o grego foi retirado totalmente. A partir de 1929 o latim constava em 4 anos de estudo[2]. Na Reforma Francisco de Campos, em 1931 e na Reforma Capanema, em 1942, o idioma latim ainda constava como obrigatório na escola secundária, mas o idioma grego era opcional.

Alguém até poderia alegar que o grego, a partir do século XX, era ensinado em frequência mínima no território brasileiro e, portanto, o estudo das origens gregas feito no idioma grego nunca fora realmente difundido no Brasil, e que a única perda real teria sido então somente o latim, o idioma da tradição ocidental do Direito, procedente de Roma. Para o ocidental o ideal é que se estudasse grego e latim, como veículo de toda tradição greco-romana, mas se no Brasil tínhamos bem estabelecido apenas o latim, isso não poderia ser desculpa para não termos acesso às questões que fundamentavam o que era no contexto grego a democracia originalmente, pois a tradição latina, especialmente a romana, ao menos indiretamente serviria para transmitir a tradição grega ao público brasileiro, especialmente devido aos escritos do grande romano Cícero (106-43 a.C.), certamente o principal nome que transportou a tradição filosófica, literária e de teoria política grega para Roma.

No entanto, a partir de 1961 o latim, como anteriormente o idioma grego, também passou a ser opcional e rapidamente seu aporte à formação do brasileiro foi diminuindo[3] até o momento atual em que até nas universidades ele agoniza. Assim, ao invés de ser adicionado o estudo literário grego na educação brasileira, completando assim uma formação literária greco-romana, dando base para conhecer através do grego a tradição grega, e, consequentemente, as origens da democracia de modo profundo, o latim foi praticamente banido do ensino brasileiro, impedindo até compreensão indireta das origens da tradição política grega, via intermediação da tradição latina-romana.

Em suma, foi feita uma retirada da tradição literária greco-romana da educação de base, impedindo o íntimo contato do indivíduo brasileiro com as origens legítimas da democracia e do direito ocidental. O resultado disso tudo é que o que as pessoas discutem quando usam as palavras política e democracia são conteúdos quase sem conexão alguma com os conceitos legítimos e originários, baseando-se em camadas e camadas de distorções literárias, falsificações literárias e nas chamadas fake News oriundas dos mais diversos interesses.

Ainda se deve acrescentar, um registo fundamental, que o Ocidente surgido após o colapso do Império Romano teve como fundamento, além de valores greco-romanos, a tradição germânica, mais ou menos diretamente, conforme o contexto de cada nação.


Algumas discussões qualificadas na Idade Contemporânea

            No Ocidente a tradição política, greco-romana-germânica, de mentalidade filosófica e profunda, havia sido substituída pelos postulados iluministas que irromperam na Revolução Francesa, de mentalidade sentimentalista e superficial[4]. Um efeito, talvez o principal, de tal sentimentalismo e superficialidade foi o de, diante das reivindicações de harmonizar a inegável desigualdade entre homens e raças através da justiça, simplesmente negar a realidade de tais desigualdades e passarem a afirmar que todos homens e raças são iguais[5]. Como será abordado abaixo, dentro da temática de compreensão histórica, a realidade da desigualdade entre os homens é evidente, e isso se baseando em premissas abundantes bem como em consequências lógicas.

Se o iluminismo inseriu superficialidade e sentimentalismo no Ocidente, por outro lado, a mentalidade filosófica e profunda ainda permanecia existindo no Ocidente durante o século XIX, principalmente nos estudos clássicos, especialmente na produção acadêmica alemã, austríaca, suíça, inglesa e francesa, que na época se comunicava com a política numa via de mão dupla, uma vez que não era raro políticos terem formação acadêmica e estarem íntimos dos grandes temas da humanidade. Assim a experiência prática política e o conhecimento filosófico se juntavam em muitos indivíduos que eram concomitantemente políticos e acadêmicos. Em outras palavras, os políticos do século XIX tinham tanto uma noção das exigências da realidade diária da vida política, como possuíam em certa medida conhecimentos dos fundamentos legítimos e originais do que era a política e a democracia originários da Antiguidade greco-romana.

            No que se refere as discussões entre os indivíduos não especializados, tal mentalidade filosófica e profunda havia perdurado no Ocidente de modo não tão restrito aos círculos acadêmicos e políticos, alcançando as parte das massas notavelmente na Alemanha, devido aos estudos multidisciplinares nesta nação, onde a intersecção das ciências exatas, biológicas e humanas possuíam ambiente favorável já desde a educação básica, justamente pela mentalidade filosófica alemã, dado que a filosofia, em seu sentido original, grego, o qual era o eixo e ponto de partida do saber, tinha semelhante posição na Alemanha, considerada então como o país mais culto do mundo. A discussão política qualificada na Alemanha era, portanto, precedida necessariamente por outra característica grega que também os alemães possuíam, a saber, a mentalidade filosófica.


Indivíduos e massas na discussão política, e um pouco de História

            Evitei me referir às pessoas não especializadas em política, mas que discutiam com satisfatória propriedade a política, usando a palavra “massas”, e preferi usar a palavra “indivíduos”. Irei abordar as “massas” ainda mais a frente, mas por “massas”, agora, basta entender como “massas” as pessoas que discutiam política sem, contudo, buscarem um conhecimento minimamente satisfatório.

Nas massas, e em grande parte da intelectualidade ocidental, o que incluía Inglaterra, França e EUA, as ideias iluministas iam se espalhando através do século XIX e início do século XX, exortando louvores ao direito de voto do povo, cujo sistema político que acolhia tal contexto era a democracia, uma palavra grega, conforme já mencionada, e que originalmente era parte da uma visão de mundo grega, na qual ocupava, contudo, uma posição pouco prestigiada, e isso  pela falta de confiança que o grego tinha em relação ao homem sem a devida formação para ser cidadão na cidade-Estado grega, isto é, na pólis (palavra que tem relação justamente com a palavra política).

Há ainda um ponto fundamental que é necessário ser registrado: se a desconfiança do grego, não qualquer grego, mas o denominado de helênico, isto é, o grego de origem nórdica, para com as pessoas de suas cidades cujas origens não remontavam aos primórdios de suas tradições era grande, ela era ainda maior com os gregos não-helênicos, ou de origem não nórdica. Não cabe aqui aprofundar sobre as origens dos povos gregos e de suas realizações, mas basta saber que tais origens possuíam importância fundamental no contexto e desenvolvimento da cultura e civilização grega.

O grego, isto é, o helênico, sabia que a qualidade do indivíduo era prioridade sobre a quantidade de indivíduos. Para tanto basta observar que o conceito de excelência, em idioma grego a contido na palavra arete, era central na tradição helênica[6]. Daí a censura dos grandes nomes gregos, isto é, helênicos, – Pitágoras, Sócrates, Platão e Aristóteles, para citar os de primeira grandeza – ao governo do povo, das massas

            Eis uma consideração fundamental: por massas devemos entender em sentido numérico a maioria das pessoas, e em sentido qualitativo devemos entender o que veremos nas reflexões do espanhol José Ortega & Gasset (1883-1955), um dos grandes nomes da filosofia do século XX, cujas colocações resultaram numa obra denominada A Rebelião das Massas (1927).


O homem massa
            
            Mas o que seria então esse homem massa que alude Ortega & Gasset? Eis outra consideração fundamental, desta vez na definição do próprio filósofo espanhol:
“Massa é todo aquele que não atribui a si mesmo um valor – bom ou mau – por razões especiais, mas que se sente ‘como todo mundo’ e, certamente, não se angustia com isso, sente-se bem por ser idêntico aos demais.” [7]
            Além do claro significado da definição acima, existem significados profundos para o perfil psicológico das massas, que não cabem aqui adentrar, mas para quem o queira, possivelmente a mais adequada obra literária sobre isso seja a celebrada Dom Quixote, de Miguel de Cervantes (1547-1616).

Voltando ao século XX, a obra em questão de Ortega & Gasset é posterior à de Spengler, e curiosamente fornecendo de certa maneia respostas à indagação “Para quem há história?”.

            Podemos distinguir dois tipos de perfil psicológico de pessoas quando Spengler coloca que algumas pessoas vivem
 a) “[...] sob a impressão contínua de que a própria vida é um elemento de um ciclo vital muito mais amplo, que se entende sobre séculos ou milênios [...]”
            Enquanto outras pessoas vivem
b) “[...] a vida como algo completo, redondo, bem delimitado.”
            E ele conclui que:
“[...] É seguro que para esta última classe de consciência não há história universal, não existe o universo como história.”
            Examinando, então, o perfil psicológico do primeiro tipo de pessoa, a a), se pode afirmar que esta é a que sabe que seu momento histórico é o resultado da soma de várias forças em tensão, as quais se desenvolvem e acumulam durante um período temporal que nem sempre pode ser determinado, mas inapelavelmente ultrapassa a geração dessa pessoa, bem como a imediata geração precedente, isto é, a dos pais desta pessoa. Ter consciência disso significa muito mais do que as pessoas hoje, a maioria, suspeita. Tal indivíduo que possui essa consciência pode até não ser necessariamente um grande protagonista da história, mas com o mínimo de compromisso com a linhagem ou tradição da qual pertença ele já é um protagonista em certa medida. Há aqui, na postura de tal indivíduo, um compromisso com a transmissão dum legado que conecta com o presente um modo de ser e costumes típicos de uma determinada tradição pretérita, e visando legá-la aos tempos futuros.

            Por outro lado, a pessoa b), que vive “[...] a vida como algo completo, redondo, bem delimitado.”,  possui um perfil psicológico diferente, uma vez que no sentido em questão, o histórico, lhe é indiferente o vínculo com um legado que conecta com o presente um modo de ser e costumes típicos de uma determinada tradição pretérita, consequentemente não lhe importando legá-la aos tempos futuros. Tal perfil psicológico em termos de sociedade não possui memória, ignorando a história, e isso tem implicações muito mais profundas do que a esmagadora, quase absoluta, maioria suspeita.

            Observa Gasset:
“[Wolfgang] Kohler e outros demonstraram como o chimpanzé e o orangotango não se diferenciam do homem por aquilo que, a rigor, chamamos de inteligência, mas porque têm muito menos memória do que nós. Os animais se defrontam a cada manhã com o fato de terem esquecido quase tudo o que viveram no dia anterior, e seu intelecto tem que trabalhar sobre um material mínimo de experiências. Da mesma forma, o tigre de hoje é idêntico ao de seis mil anos atrás, porque cada tigre tem que começar de novo a ser tigre, como se antes nunca tivesse existido outro. O homem, ao contrário, devido a seu poder de lembrar, acumula seu próprio passado, toma posse dele e o aproveita. O homem nunca é um primeiro homem: desde o início já existe a partir de um certo nível de passado acumulado. Este é o tesouro único do homem, seu privilégio e sua marca. E, de todo esse tesouro, a maior riqueza não consiste no que parece certo e digno de ser conservado: o mais importante é a memória dos erros, que nos permite não cometê-los. O verdadeiro tesouro do homem é o tesouro de seus erros, a longa experiência decantada gota a gota durante milênios.”[8]
            Completa Gasset:
“Romper a continuidade com o passado, querer começar de novo, é aspirar a descer e plagiar o orangotango.”[9]
O homem massa tende a ignorar a História

            Não concordo com Ortega & Gasset quando ele afirma que “[...] de todo esse tesouro, a maior riqueza não consiste no que parece certo e digno de ser conservado: o mais importante é a memória dos erros, que nos permite não cometê-los.” Entendo, por motivos que não cabem aqui aprofundar, que tanto a memória do “certo e digno” como a memória “dos erros” possuem suma importância. Com a consciência do “certo e digno” se tem o rumo da criação e da vida, e com a consciência “dos erros” se conhece os desvios que levam à dissolução e à morte. O essencial que aponto para a observação de Ortega & Gasset é que a pessoa que não tem memória histórica possui muito menos chances de ter discernimento tanto do “certo e digno” como “dos erros”, do que a pessoa que tem memória histórica.

            O tipo de perfil psicológico sem memória histórica se enquadra no que Ortega & Gasset tornou célebre como o homem massa, cuja falta de memória era consequência, no contexto da época contemporânea, do que ele aponta abaixo:
“Nas escolas que foram motivo de orgulho para o século passado, não foi possível fazer mais do que ensinar às massas as técnicas da vida moderna, mas não se conseguiu educa-las. Foram dados a elas instrumentos para viverem intensamente, mas não a sensibilidade para os grandes deveres históricos; nelas se inocularam, atropeladamente, o orgulho e o poder dos meios modernos, mas não o espírito. Por isso não se interessam pelo espírito, e as novas gerações dispõem-se a tomar a direção do mundo como se o mundo fosse um paraíso sem pegadas antigas, sem problemas tradicionais e complexos.” [10]
            Mas tais reservas em relação ao homem massa não podem ser consideradas apenas como um recorte das crises da Idade Contemporânea, haja visto, por exemplo, a já mencionada censura dos helênicos gregos à demagogia e à adulação das massas. O perfil do homem massa faz parte da Natureza, está incluído na espécie humana, e na realidade trata-se de um problema atemporal, presente em qualquer época, sendo gravado como algo generalizável. Isso Ortega & Gasset percebeu bem quando afirmou:
“E é indubitável que a divisão mais radical que deve ser feita na humanidade é dividi-la em duas classes de criaturas: as que exigem muito de si mesmas e se acumulam de dificuldades e deveres, e as que não exigem de si nada de especial, para as quais viver é ser a cada instante o que já são, sem esforço para o aperfeiçoamento de si próprias, bóias que vão à deriva.” [11] 
            Novamente para além do claro significado da definição acima, existem significados profundos para o perfil psicológico das massas, que não cabem aqui adentrar, mas basta afirmar que toda sociedade, política e cultura tradicionais partem em sua fundamentação da consideração acima, e para quem queira se aprofundar na questão, indubitavelmente a referência primordial no Ocidente é Platão (428-348 a.C.), especialmente sua obra A República.

José Ortega y Gasset
(9 de maio de 1883 - 18 de outubro de 1955)

            Retornando à Idade Contemporânea, as observações de Ortega & Gasset feitas quase um século atrás são muito mais válidas hoje, uma vez que as considerações que seguem abaixo – sobre o homem massa, ou sobre as pessoas que vivem “[...] a vida como algo completo, redondo, bem delimitado.”, conforme as palavras de Spengler, sem se inquietar sobre o desenvolvimento humano – são muito mais alarmantes atualmente do que há 100 anos.
“Que aspecto tem a vida desse homem multitudinário que com progressiva abundância o século XIX vai engendrando? Inicialmente, um aspecto de ilimitada facilidade material. O homem médio nunca pôde resolver com tanta folga seu problema econômico. Enquanto as grandes fortunas minguavam proporcionalmente e a existência dos operários das fábricas se tornava mais dura, o homem médio de qualquer classe social encontrava seu horizonte econômico cada vez mais amplo. A cada dia agregava um novo luxo ao conjunto de seu padrão de vida. Cada dia sua posição era mais segura e independente do arbitro alheio. O que antes teria sido considerado um benefício da sorte que inspirava humilde gratidão ao destino converteu-se num direito que não se agradece, mas se exige.” [12]   
“[...] de fato, o homem vulgar, ao se encontrar com este mundo técnica e socialmente tão perfeito, pensa que foi criado pela Natureza, e nunca se lembra dos esforços geniais de indivíduos excepcionais que a sua criação pressupõe. Menos ainda admitirá a ideia de que todas essas facilidades continuam se apoiando em certas virtudes raras dos homens, cuja menor falta ocasionaria o imediato desaparecimento dessa magnífica construção.
Isso nos leva a pontar no diagrama psicológico do homem-massa atual dois primeiros traços: a livre expansão de seus desejos vitais, portanto, de sua pessoa, e a radical ingratidão para com tudo que tornou possível a facilidade de sua existência. Essas duas características compõem a conhecida psicologia da criança mimada. E, de fato, que a utilizasse como quadrícula para ver através dela a alma das massas atuais não erraria. Herdeiro de um passado longo e genial – genial de inspirações e de esforços –, o novo vulgo foi mimado pelo mundo à sua volta. Mimar é não limitar os desejos, dar a um ser a impressão de que tudo lhe é permitido, que não é obrigado a nada. A criatura submetida a esse regime não tem noção de seus próprios limites. Por se evitar qualquer pressão à sua volta, qualquer choque com outros seres, chega a acreditar efetivamente que só ele existe, e se acostuma a não considerar os demais, principalmente a não considerar ninguém como superior a ele. Essa sensação de superioridade alheira só lhe poderia ser proporcionada por quem, mais que ele, o obrigasse a renunciar a algum desejo, a se restringir, a se conter. Assim teria aprendido essa lição essencial: ‘Ali eu paro e começa outro que pode mais que eu. No mundo, pelo visto, há dois: Eu e outro superior a mim.’ Ao homem médio de outras épocas essa sabedoria elementar era ensinada cotidianamente por seu mundo, porque era um mundo toscamente organizado, onde as catástrofes eram freqüentes e não havia nada seguro, abundante nem estável. Mas as novas massas encontram uma paisagem cheia de possibilidades e, além de tudo, segura, e tudo isso rápido, à sua disposição, sem depender de seu esforço prévio, como o sol se encontra no alto sem que tenha sido preciso que o levantássemos nos ombros. Nenhum ser humano agradece a outro o ar que respira, porque o ar não foi fabricado por ninguém: pertence ao conjunto do que ‘está aí’, do que dizemos ‘é natural’, porque não falha. Essas massas mimadas são bem pouco inteligentes para acreditar que essa organização material e social, posta à sua disposição como o ar, é da mesma origem que este, já que, pelo visto, também não falha, e é quase tão perfeita como a natural.
Minha tese é, portanto, a seguinte: a própria perfeição com que o século XIX organizou certas esferas da vida é a origem do fato de que as massas beneficiárias não a considerem como organização, mas como natureza. Assim se explica e se define o absurdo estado de ânimo que essas massas revelam: não se preocupam com nada além de seu bem-estar e ao mesmo tempo não são solidárias com as causas desse bem-estar. Como não vêem nas vantagens da civilização uma invenção e uma construção prodigiosas, que só podem ser mantidas com grandes esforços e cuidados, acham que seu papel se resume em exigi-las peremptoriamente como se fossem direitos naturais. Nas agitações provocadas pela escassez as massas populares costumam procurar pão, e o meio que empregam costuma ser o de destruir as padarias. Isto pode servir como símbolo do comportamento que, em proporções mais vastas e sutis, têm as massas atuais para com a civilização que as alimenta.” [13]
           
Para quem há História?

Repitamos a indagação de Spengler:

Para quem há história?

         Não é certamente para quem acha que ao “ao se encontrar com este mundo técnica e socialmente tão perfeito, pensa que foi criado pela Natureza, e nunca se lembra dos esforços geniais de indivíduos excepcionais que a sua criação pressupõe” e que também “não se preocupam com nada além de seu bem-estar e ao mesmo tempo não são solidárias com as causas desse bem-estar”, conforme observou Ortega & Gasset.

Não cabe aqui procurar o porquê dessa tendência, pois é uma questão ampla e profunda, todavia, muito clara para as civilizações tradicionais, mas ignorada pelas massas devido à própria psicologia inerente das massas, conforme exposto acima. O porquê das massas atuarem assim, para ser compreendido necessita um aprofundamento na psicologia e na antropologia clássica, com base em Platão (428-348 a.C.)  e Aristóteles (384-322 a.C.), na antropologia da Idade Contemporânea em Max Scheler (1874-1928), e na psicologia de massas de Gustave Le Bon (1841-1931), José Ingenieros (1877-1925) e, claro, do próprio José Ortega & Gasset (1883-1955).

            Mas, algo faltou! Se a história não é para o tipo de pessoa de mente curta, delimitada por ela própria, segundo Spengler, o que vale dizer a maioria, as massas, segundo Ortega & Gasset, ela vale para o outro tipo de pessoa, a que Spengler delineou como a que está “[...] sob a impressão contínua de que a própria vida é um elemento de um ciclo vital muito mais amplo, que se entende sobre séculos ou milênios [...]”, cujo perfil psicológico tende a se enquadrar na que Ortega & Gasset entende serem “as que exigem muito de si mesmas e se acumulam de dificuldades e deveres.”

            A indagação de Spengler, que abriu essa exposição, procede, como mencionado, de sua obra Der Untergang des Abendlandes (A Decadência do Ocidente), escrita na véspera do momento decisivo do Ocidente, que entre tantos méritos que possui, está o de refutar a concepção de evolução humana progressista e linear, a qual ganhou forma consolidada nos postulados Iluministas e globalistas desde a Revolução Francesa no século XVIII. Spengler traz novamente a atenção para a importância das forças que criam e sustentam as civilizações bem como a corrupção de tais forças, o que leva ao declínio e dissolução das civilizações, não na dinâmica linear, mas sim cíclica. Em tal obra estão premissas e considerações, explícitas e implícitas, incluindo as de teor antropológico, psicológico, filosófico e histórico que realçam a dinâmica profunda do nascimento, desenvolvimento, plenitude, decadência e morte das civilizações. Não é algo totalmente inédito, apenas foi configurado por Spengler numa didática conforme a necessidade da época. Platão, por exemplo, traçou minuciosa e profundamente na sua obra A República tal dinâmica, mostrando a inter-relação entre a psicologia do indivíduo e a psicologia das massas configurando a mentalidade política do Estado refletindo a soma da mentalidade de seus habitantes.  

            A mentalidade Iluminista e globalista tem aversão a realidade histórica cíclica, pois isso implica admitir que as suas teorias evolutivas são falhas e que existe decadência, e se existe decadência, existem os melhores e os piores também. Para a mentalidade Iluminista e globalista a ameaça não são apenas as teorias evolutivas que apontam homens superiores e inferiores, mas também as concepções que mostram a decadência e insustentabilidade de um modo de ser, no caso o modo de ser iluminista e globalista, mas principalmente por mostrar que as civilizações tradicionais, como a egípcia e a greco-romana, por exemplo, possuíam mais acertos em suas concepções como um todo do que a civilização que a globalização pretende formar.

            De qualquer maneira, as forças globalistas possuem como uma de suas principais estratégias fomentar a desinformação e a mentira, por isso atacam e deformam a história constantemente, mas mais ainda, omitem a história e tentam apagar a memória da humanidade, por isso vale reiterar o que Ortega & Gasset observou:
“O homem nunca é um primeiro homem: desde o início já existe a partir de um certo nível de passado acumulado. Este é o tesouro único do homem, seu privilégio e sua marca.”
            O homem não-massificado, o que tem visão histórica, tanto o de Spengler como o de Ortega & Gasset, difere do homem massificado, das massas, por não se auto-enganar.
“Todo aquele que se colocar diante da existência numa atitude séria e plenamente responsável sentirá um certo tipo de insegurança que o leva a permanecer atento.” [14] 
            Na colocação acima de Ortega & Gasset estão premissas fundamentais aliadas da busca pela verdade, tanto filosófica como histórica. Seriedade, responsabilidade e atenção diante da existência, e quem tem visão histórica sabe que a própria existência não é algo espontâneo surgido do mero acaso, mas sim da sucessão de esforços de geração após geração, uma consciência que o homem massa faz questão de não possuir, por isso a história não pertence ao homem massa. A este lhe é reservado ser orangotango.

            Se tal conclusão é incômoda, e uma inquietação para compreender as causas de tal realidade surge, ao ocidental é recomendado buscar as explicações na tradição clássica, primariamente em Platão, que deu toda coesão e profundidade ao patrimônio tradicional de então, e particularmente o expôs em sua obra A República, onde a relação entre psicologia individual e psicologia social é delineada detida e didaticamente.


Notas


[1] Nota do autor: Oswald Spengler, La Decadencia de Ocidente, Editorial Mundo Nuevo, Santiago, 1938, 2ª edição. Traduzido do alemão por Manuel Garcia Morente. Tomo I/IV, introdução, epígrafe 4, páginas 26-27.

[2] Nota do autor: Joselita Júnia Viegas Vidotti – Rívia Dornelas, O ensino de línguas estrangeiras no Brasil – período de 1808 – 1930, HELB – História do Ensino de Línguas no Brasil, ano 1 – nº1 – 2007.

[3] Nota do autor: Leni Ribeiro Leite – Marihá Barbosa e Castro, O ensino da língua latina no Brasil: percursos e perspectivas, Universidade Federal do Espírito Santo, Clássica – revista brasileira de estudos clássicos, volume 27, nº 2 (2014).

[4] Nota do autor: O grande historiador norte-americano Revilo P. Oliver num artigo simples e direto aborda essa tendência.
Revilo P. Oliver, Sobre conservadorismo e liberalismo, World Traditional Front, 10 de maio de 2020. Traduzido por Mykel Alexander.
Este artigo é da antologia America’s Decline: The Education of a Conservative (1982), páginas 1-4, 79-83. Ele apareceu no The Journal of Historical Review, setembro-outubro de 1994 (Vol. 14, nº 5), páginas 21-23.

[5] Nota do autor: Revilo P. Oliver, Sobre conservadorismo e liberalismo, World Traditional Front, 10 de maio de 2020. Traduzido por Mykel Alexander.
Este artigo é da antologia America’s Decline: The Education of a Conservative (1982), páginas 1-4, 79-83. Ele apareceu no The Journal of Historical Review, setembro-outubro de 1994 (Vol. 14, nº 5), páginas 21-23.

[6] Nota do autor: Werner Jaeger, Paidéia – A Formação do Homem Grego, Ed. Martins Fontes, 5ª Edição, São Paulo, 2010. Originalmente escrito em alemão, em três partes 1933-1944-1947, tradução de Artur M. Parreira. Ver particularmente os capítulos: introdução; lugar dos Gregos na história da educação; Nobreza e arete; Cultura e educação na nobreza homérica; Homero como educador.

[7] Nota do autor: José Ortega Y Gasset, A Rebelião das Massas, Editora Martins Fontes, São Paulo, 2007, 3ª edição. Traduzido do original em espanhol por Marylene Pinto Michael. Página 45.

[8] Nota do autor: José Ortega Y Gasset, A Rebelião das Massas, Editora Martins Fontes, São Paulo, 2007, 3ª edição. Traduzido do original em espanhol por Marylene Pinto Michael. Páginas 33-34.

[9] Nota do autor: José Ortega Y Gasset, A Rebelião das Massas, Editora Martins Fontes, São Paulo, 2007, 3ª edição. Traduzido do original em espanhol por Marylene Pinto Michael. Página 34.

[10] Nota do autor: José Ortega Y Gasset, A Rebelião das Massas, Editora Martins Fontes, São Paulo, 2007, 3ª edição. Traduzido do original em espanhol por Marylene Pinto Michael. Página 81.

[11] Nota do autor: José Ortega Y Gasset, A Rebelião das Massas, Editora Martins Fontes, São Paulo, 2007, 3ª edição. Traduzido do original em espanhol por Marylene Pinto Michael. Página 45.

[12] Nota do autor: José Ortega Y Gasset, A Rebelião das Massas, Editora Martins Fontes, São Paulo, 2007, 3ª edição. Traduzido do original em espanhol por Marylene Pinto Michael. Página 86.

[13] Nota do autor: José Ortega Y Gasset, A Rebelião das Massas, Editora Martins Fontes, São Paulo, 2007, 3ª edição. Traduzido do original em espanhol por Marylene Pinto Michael. Páginas 89-91.

[14] Nota do autor: José Ortega Y Gasset, A Rebelião das Massas, Editora Martins Fontes, São Paulo, 2007, 3ª edição. Traduzido do original em espanhol por Marylene Pinto Michael. Página 74.



Sobre o autor: Mykel Alexander possui Licenciatura em História (Unimes, 2018), Licenciatura em Filosofia (Unimes, 2019) e Bacharel em Farmácia (Unisantos, 2000).
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