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quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

{Questão judaica e sionismo em 2002} - Weber discursa sobre o poder judaico em reunião do IHR na Virgínia -por Theodore O'Keefe (editorial)

 

Theodore O'Keefe


Em uma reunião especial do Instituto de Revisão Histórica (IHR) em Arlington, Virgínia, no sábado, 2 de março de 2002, o diretor do IHR, Mark Weber, traçou a ascensão do poder judaico nos Estados Unidos ao longo dos últimos 60 anos e enfatizou o imenso poder e influência que os judeus exercem hoje na vida política, cultural, intelectual e econômica americana.

Entre os 38 homens e mulheres que participaram desta reunião — o primeiro evento do IHR em anos na região de Washington, D.C. — estavam dois escritores de renome nacional, vários advogados e outros profissionais, e um número gratificante de pessoas jovens.

Embora os judeus façam não mais do que três ou quatro por cento da população total dos EUA, disse Weber, eles agora exercem um poder maior do que qualquer outro grupo étnico, racial ou religioso. A esse respeito, ele citou uma conversa privada de 1972 entre o presidente Richard Nixon e o proeminente líder religioso Billy Graham, que acabara de ser tornada pública, durante a qual os dois concordaram que os judeus têm um “domínio absoluto”; na mídia dos EUA, e que, como resultado, “o país está indo para o ralo”.

Em sua palestra intitulada “O Poder Judaico: Seu Significado para a América e o Mundo”, Weber disse:

As vítimas mais diretas e óbvias do poder judaico-sionista são, naturalmente, os palestinos que vivem sob o regime opressor de Israel. Mas, como o IHR tem deixado claro há anos, na verdade nós, americanos, também somos vítimas — por meio do domínio judaico-sionista sobre a mídia e da corrupção judaico-sionista organizada em nosso sistema político. Nós somos pressionados, persuadidos, bajulados e enganados a sustentar o Estado judeu, fornecendo-lhe bilhões de dólares anualmente e armamentos de última geração, e até mesmo sacrificando vidas americanas — como no ataque de Israel ao USS Liberty em 1967 — tornando-nos, assim, cúmplices de seus crimes.

A verdade é que, se aplicássemos a Israel os mesmos padrões que aplicamos à Sérvia, ao Afeganistão e ao Iraque, os bombardeiros e mísseis americanos estariam bombardeando Tel Aviv, e o primeiro-ministro israelense, Sharon, estaria atrás das grades por crimes de guerra e crimes contra a humanidade.

“Hoje, o perigo é maior do que em muitos anos”, disse Weber. “Há apenas algumas semanas, o embaixador francês em Londres, Daniel Bernard, reconheceu em privado que Israel — a quem chamou de ‘aquele paíszinho de merda’ — está ameaçando a paz mundial. ‘Por que o mundo deveria estar em perigo de uma Terceira Guerra Mundial por causa daquelas pessoas?’, disse Bernard sem rodeios. Organizações judaicas influentes e figuras políticas, e grande parte da mídia dominada por judeus, em colaboração com os líderes de Israel e apoiados pela ala pró-sionista do país, estão agora incitando nossa nação a novas guerras contra os inimigos de Israel.”

Através da história, disse Weber, os judeus exerceram repetidamente grande poder para promover interesses de grupo que são separados e, muitas vezes, contrários aos das populações não judaicas entre as quais vivem. Isso cria uma situação inerentemente injusta e instável que, como a história demonstra, nunca dura. Como Weber afirmou: “Hoje, nós testemunhamos e vivenciamos apenas a mais recente representação de um grande e trágico drama histórico que, ao longo dos séculos, se repetiu inúmeras vezes, em diversos países, culturas e épocas.”

Weber também falou sobre o trabalho e o impacto do Instituto nos recentes anos, incluindo a atenção internacional gerada pelo papel do IHR na conferência revisionista do ano passado em Beirute, que foi cancelada pelas autoridades libanesas sob pressão do governo dos EUA e de organizações sionistas. Ele também relatou os preparativos para a 14ª Conferência do IHR no sul da Califórnia, de 21 a 23 de junho.

Tradução e palavras entre chaves por Mykel Alexander

 

Fonte: Weber Speaks on Jewish Power at IHR Meeting in Virginia, por Theodore O'Keefe, From The Journal of Historical Review, março-abril, 2002 (Vol. 21, nº 2), página 3.

https://ihr.org/journal/v21n2p-3_power.html

Sobre o autor: Theodore O'Keefe, nascido em Nova Jersey (1949 -) é formado em História em Harvard e com estudos em idiomas, latim, grego, francês, alemão, espanhol, italiano e japonês. Foi membro do Institute for Historical Review, autor de vários artigos sobre história e política, e editor assistente de publicações do Journal for Historical Review

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Sionismo e Antissemitismo: Uma Estranha Aliança ao Longo da História - por Allan C. Brownfeld


domingo, 18 de janeiro de 2026

Sionismo e Antissemitismo: Uma Estranha Aliança ao Longo da História - por Allan C. Brownfeld

 

Allan C. Brownfeld


Tem, por muitos anos, sido uma tática daqueles que buscam silenciar o debate aberto e discussão da política dos EUA no Oriente Médio acusar os críticos de Israel de “antissemitismo”.

Em um artigo amplamente discutido intitulado “J’Accuse” (Commentary, setembro de 1983), Norman Podhoretz acusou os principais jornalistas, jornais e redes de televisão dos Estados Unidos de “antissemitismo” por causa de suas reportagens sobre a guerra no Líbano e suas críticas à conduta de Israel. Entre os acusados ​​estavam Anthony Lewis, do The New York Times, Nicholas von Hoffman, Joseph Harsch, do The Christian Science Monitor, Rowland Evans, Robert Novak, Mary McGrory, Richard Cohen e Alfred Friendly, do The Washington Post, e muitos outros. Esses indivíduos e suas organizações de notícias não foram criticados por reportagens ruins ou padrões jornalísticos deficientes; em vez disso, foram alvo da acusação de antissemitismo.

Podhoretz declarou: “… O princípio da sabedoria ao refletir sobre essa questão é reconhecer que a difamação de Israel é o fenômeno a ser abordado, e não o comportamento israelense que a provocou… Estamos lidando aqui com uma erupção de antissemitismo.”

Para entender Norman Podhoretz e outros que se envolveram em tais acusações, devemos reconhecer que o termo “antissemitismo” passou por uma grande transformação. Até recentemente, os culpados dessa ofensa eram amplamente entendidos como aqueles que, irracionalmente, não gostavam de judeus e do judaísmo. Hoje, no entanto, o termo é usado de uma maneira muito diferente — uma que ameaça não somente a liberdade de expressão, mas também banaliza o próprio antissemitismo.

O antissemitismo tem sido redefinido para significar qualquer coisa que se opõe às políticas e aos interesses de Israel. O começo dessa redefinição, pode ser dito, data, em parte, da publicação, em 1974, do livro The New Anti-Semitism {O Novo Antissemitismo}, de Arnold Forster e Benjamin R. Epstein, líderes da Liga Antidifamação da B'nai B'rith. A natureza do “novo” antissemitismo, segundo Forster e Epstein, não é necessariamente a hostilidade contra os judeus enquanto judeus, ou contra o judaísmo, mas sim uma atitude crítica em relação a Israel e suas políticas.

Mais tarde, Nathan Perlmutter, quando era diretor da Liga Antidifamação, afirmou que “tem havido uma transformação do antissemitismo americano nos últimos tempos. O preconceito antijudaico grosseiro, antes tão comum neste país, é hoje considerado de mau gosto... Pesquisa após pesquisa indica que os judeus são um dos grupos mais considerados da América”.

 

Posturas Semiticamente Neutras’

Perlmutter, contudo, recusou-se a declarar vitória sobre tal intolerância. Em vez disso, redefiniu-a. Declarou:

A busca por paz no Oriente Médio está repleta de campos minados para os interesses judaicos… Preocupações judaicas que se deparam com as posturas semiticamente neutras daqueles que acreditam que, se Israel cedesse isto ou aquilo, o Oriente Médio se tornaria tranquilo e a rota do Ocidente para seus interesses estratégicos e lucros no Golfo Pérsico estaria segura. Mas a que custo para a segurança de Israel? A segurança de Israel, em suma, significa mais para os judeus hoje do que sua posição nas pesquisas de opinião…

O que Perlmutter fez foi substituir o termo “interesses judaicos” pelo que são, na realidade, “interesses israelenses”. Ao mudar os termos do debate, ele criou uma situação em que qualquer pessoa que critique Israel se torna, ipso facto, “antissemita”.

A tática de usar o termo “antissemitismo” como arma contra dissidentes não é nova. Dorothy Thompson, a distinta jornalista que foi uma das primeiras inimigas do nazismo, viu-se criticando as políticas de Israel pouco depois de sua criação. Apesar de sua valente cruzada contra Hitler, ela também foi alvo da acusação de “antissemitismo”. Em uma carta ao The Jewish Newsletter (6 de abril de 1951), ela escreveu:

Realmente, eu acho que se deve continuar a enfatizar o extremo prejuízo causado à comunidade judaica por rotular pessoas como eu de antissemitas… O Estado de Israel precisa aprender a viver na mesma atmosfera de liberdade de crítica que todos os outros Estados do mundo devem suportar… Há muitos assuntos sobre os quais escritores neste país estão, por causa dessas pressões, se tornando covardes e evasivos. Mas as pessoas não gostam de ser covardes e evasivas; cada vez que alguém cede a tal pressão, se enche de autodesprezo, e esse autodesprezo se manifesta em ressentimento contra aqueles que o causaram.

Um quarto de século depois, o colunista Carl Rowan (Washington Star, 5 de fevereiro de 1975) relatou:

Quando eu escrevi minha coluna recente sobre o que eu percebo como uma sutil erosão do apoio a Israel nesta cidade, eu não tinha ilusões quanto à reação que receberia. Eu estava preparado para uma enxurrada de cartas e jornais que publicariam minha coluna me acusando de ser “antissemita”... As correspondências recebidas confirmaram minhas piores expectativas... Essa lamúria e essas acusações infundadas são uma maneira certeira de transformar amigos em inimigos.

O que poucos americanos entendem é que houve uma longa aliança histórica — do final do século XIX até hoje — entre o sionismo e antissemitas de fato — desde aqueles que planejaram pogroms na Rússia czarista até a própria Alemanha nazista. A razão da afinidade que muitos líderes sionistas sentiam pelos antissemitas torna-se clara à medida que essa história se revela.

 

Theodor Herzl

Quando Theodor Herzl, o fundador do sionismo político moderno, trabalhava em Paris como correspondente de um jornal vienense, ele mantinha contato próximo com os principais antissemitas da época. Em sua biografia de Herzl, The Labirinth of Exile {O Labirinto do Exílio}, Ernst Pawel relata que aqueles que financiavam e editavam La Libre Parole, um semanário dedicado “à defesa da França católica contra ateus, republicanos, maçons e judeus”, convidavam Herzl para suas casas regularmente.

Aludindo a esses conservadores e suas publicações, Pawel escreve que Herzl “se viu cativado” por esses homens e suas ideias:

A La France Juive {França Judaica} [de Édouard Drumont] lhe pareceu uma obra brilhante e — assim como a notória Questão Judaica de [Eugen] Dühring dez anos depois — despertou emoções poderosas e contraditórias… Em 12 de junho de 1895, enquanto trabalhava em Der Judenstaat {O Estado Judeu}, [Herzl] anotou em seu diário: “muito da minha atual liberdade conceitual eu devo a Drumont, porque ele é um artista”. O elogio parece extravagante, mas Drumont o retribuiu no ano seguinte com uma resenha brilhante do livro de Herzl em La Parole Libre.

No fim, argumenta Pawel, “Paris mudou Herzl, e os antissemitas franceses minaram a irônica complacência do judeu que se dizia não judeu”. Contudo, Herzl não estava totalmente descontente com o antissemitismo. Em uma carta particular a Moritz Benedikt, escrita nos últimos dias de 1892, ele afirma: “Eu não considero o movimento antissemita totalmente prejudicial. Ele inibirá a ostentação de riqueza, refreará o comportamento inescrupuloso de financistas judeus e contribuirá de muitas maneiras para a educação dos judeus… Nesse aspecto, parece estarmos em acordo”.

O livro de Herzl, Der Judenstaat (“O Estado Judeu”), foi amplamente criticado pelos judeus influentes da época, que se consideravam cidadãos franceses, alemães, ingleses ou austríacos e judeus por religião — sem qualquer interesse em um Estado judeu separado. Os antissemitas, por outro lado, acolheram com entusiasmo a obra de Herzl. Os argumentos de Herzl, como aponta Pawel, eram “praticamente indistinguíveis daqueles usados ​​pelos antissemitas”. Uma das primeiras resenhas apareceu no Westungarischer Grenzbote, um jornal antissemita publicado em Bratislava por Ivan von Simonyi, membro da Dieta Húngara. Ele elogiou tanto o livro quanto Herzl, e ficou tão entusiasmado que fez uma visita pessoal a Herzl. Herzl escreveu em seu diário:

Meu estranho seguidor, o antissemita de Bratislava, Ivan von Simonyi, veio me ver. Um sexagenário hipermercurial e hiperloquaz, com uma estranha simpatia pelos judeus. Oscila entre discursos perfeitamente racionais e completos absurdos, acredita na acusação de assassinato ritual e, ao mesmo tempo, apresenta as ideias modernas mais sensatas. Me adora.

Após o bárbaro pogrom de Kishinev, em abril de 1901, no qual centenas de judeus foram mortos ou feridos, Herzl foi à Rússia para negociar com V. K. Plehve, o ministro do Interior russo que havia incitado o pogrom. Herzl disse ao líder cultural judeu Chaim Zhitlovsky: “Eu tenho uma promessa absolutamente vinculativa de Plehve de que ele conseguirá uma carta para a Palestina para nós em, no máximo, 15 anos. Há uma condição, porém: os revolucionários devem cessar sua luta contra o governo russo.”

Zhitlovsky, indignado com Herzl por negociar com um assassino de judeus e ciente de que Herzl havia sido enganado, persuadiu-o a abandonar a ideia. Ainda assim, os líderes sionistas na Rússia concordaram com o governo que a verdadeira responsabilidade pelos pogroms recaía sobre o Bund Judeu, um grupo socialista que defendia reformas democráticas no regime czarista. Os sionistas queriam que os judeus se mantivessem afastados da política russa até o momento de partir para a Palestina.

O chefe da polícia secreta de Moscou, S.V. Zubatov, simpatizava com o sionismo como forma de silenciar os opositores judeus do regime czarista repressivo. Em seu livro The Fate of The Jews {O Destino dos Judeus}, Roberta Strauss Feuerlicht relata que:

O sionismo apelava grandemente para o chefe de polícia Zubatov, como atrai todos os antissemitas, porque leva o problema judaico para outro lugar. Tanto Zubatov quanto os sionistas queriam destruir o Bund: Zubatov para proteger seu país e os sionistas para proteger o deles. O sucesso do sionismo se baseia em um índice de miséria judaica; quanto maior a miséria, maior o desejo de emigrar. A última coisa que os sionistas queriam era melhorar as condições na Rússia. Os sionistas serviam a Zubatov como espiões da polícia e sabotadores do Bund…

Em seu livro História Judaica, Religião Judaica, Israel Shahak destaca que:

Relações estreitas entre sionistas e antissemitas têm sempre existido; exatamente como alguns conservadores europeus, os sionistas pensavam que podiam ignorar o caráter “demoníaco” do antissemitismo e usar os antissemitas para seus próprios fins… Herzl aliou-se ao notório Conde von Plehve, o ministro antissemita do czar Nicolau II; Jabotinsky fez um pacto com Petlyura, o líder ucraniano reacionário cujas forças massacraram cerca de 100.000 judeus entre 1918 e 1921… Talvez o exemplo mais chocante desse tipo seja a alegria com que os líderes sionistas na Alemanha acolheram a ascensão de Hitler ao poder, porque compartilhavam sua crença na primazia da “raça” e sua hostilidade à assimilação dos judeus entre os “arianos”. Eles parabenizaram Hitler por seu triunfo sobre o inimigo comum — as forças do liberalismo.

 

“Nós, Judeus”

O Dr. Joachim Prinz, um rabino sionista alemão que posteriormente emigrou para os Estados Unidos, onde se tornou vice-presidente do Congresso Judaico Mundial e líder da Organização Sionista Mundial, publicou em 1934 o livro Wir Juden (“Nós, Judeus”) para celebrar a chamada Revolução Alemã de Hitler e a derrota do liberalismo. Ele escreveu:

O significado da Revolução Alemã para a nação alemã ficará claro, eventualmente, para aqueles que a criaram e moldaram sua imagem. Seu significado para nós deve ser exposto ali: a sorte do liberalismo está perdida. A única forma de vida política que ajudou na assimilação judaica afundou.

A vitória do nazismo descartou a assimilação e o casamento inter-religioso como opções para os judeus. “Nós não estamos descontentes com isso”, disse o Dr. Prinz. No fato de os judeus serem forçados a se identificarem como judeus, ele via “a plena realização de nossos desejos”. Além disso, ele afirma:

Nós queremos que a assimilação seja substituída por uma nova lei: a declaração de pertencimento à nação judaica e à raça judaica. Um Estado construído sobre o princípio da pureza da nação e da raça só pode ser honrado e respeitado por um judeu que declare seu pertencimento à sua própria raça. Tendo assim se declarado, ele jamais será capaz de demonstrar lealdade falha para com o Estado. O Estado não pode desejar outros judeus, a não ser aqueles que se declarem pertencentes à sua nação...

O Dr. Shahak compara a simpatia inicial de Prinz pelos nazistas com a de muitos que abraçaram a visão sionista, sem compreender plenamente as possíveis implicações: “É claro que o Dr. Prinz, como muitos outros simpatizantes e aliados do nazismo, não percebeu aonde aquele movimento estava levando...”

 

Proposta de Aliança Sionista-Nazista

Ainda assim, em janeiro de 1941, o grupo sionista LEHI, cujo líder, Yitzhak Shamir, viria a se tornar primeiro-ministro de Israel, contatou os nazistas, usando o nome de sua organização matriz, o Irgun (NMO). O adido naval da embaixada alemã na Turquia transmitiu a proposta do LEHI a seus superiores na Alemanha. Parte da proposta dizia:

É frequentemente afirmado nos discursos e pronunciamentos dos principais estadistas da Alemanha Nacional Socialista que uma Nova Ordem na Europa exige, como pré-requisito, a solução radical da questão judaica por meio da evacuação. A evacuação das massas judaicas da Europa é uma condição essencial para a solução da questão judaica. Isso só poderá ser possível e plenamente realizado por meio do assentamento dessas massas na pátria do povo judeu, a Palestina, e pelo estabelecimento de um Estado judeu em suas fronteiras históricas.

A proposta do LEHI continua: “O NMO {Irgun} … é bem familiar da boa vontade do Governo do Reich Alemão e de suas autoridades em relação à atividade sionista dentro da Alemanha e aos planos de emigração sionista.” Prossegue afirmando:

O estabelecimento do Estado judeu histórico em bases nacionais e totalitárias, vinculado por um tratado com o Reich Alemão, seria do interesse do fortalecimento da futura posição de poder da Alemanha no Oriente Médio… O NMO {Irgun} na Palestina oferece-se para participar ativamente da guerra ao lado da Alemanha… A cooperação do movimento de libertação israelense também estaria em consonância com um dos discursos recentes do Chanceler do Reich Alemão, no qual Hitler enfatizou que qualquer combinação e qualquer aliança seriam firmadas para isolar a Inglaterra e derrotá-la.

Os nazistas rejeitaram essa proposta de aliança porque, segundo relatos, eles consideravam o poderio militar do Lehi “insignificante”. [Para mais informações, consulte: M. Weber, “Sionismo e o Terceiro Reich”]*1

O rabino David J. Goldberg, em seu livro To the Promised Land: A History of Zionist Thought {À Terra Prometida: Uma História do Pensamento Sionista}, ele discute a vida e o pensamento do líder do revisionismo sionista, Vladimir Jabotinsky, que exerceu grande influência sobre a vida de Menachem Begin. “Os princípios básicos da filosofia política de Jabotinsky”, escreve Goldberg, 

são a submissão ao conceito primordial de pátria: a lealdade a um líder carismático e a subordinação do conflito de classes aos objetivos nacionais. Jabotinsky ficou irritado quando, mais de 20 anos depois, foi acusado de imitar Mussolini e Hitler. Sua irritação era justificada: ele os havia previsto… Dado que, para Jabotinsky, ecoando Garibaldi, “não há valor no mundo maior do que a nação e a pátria”, não é de todo surpreendente que ele tenha recomendado uma aliança com um nacionalista ucraniano antissemita. Em 1911, em um ensaio intitulado “O Jubileu de Schevenko”, ele elogiou o poeta ucraniano xenófobo por seu espírito nacionalista, apesar das “explosões de fúria descontrolada contra os poloneses, os judeus e outros vizinhos”, e por provar que a alma ucraniana possui um “talento para a criatividade cultural independente, que alcança a esfera mais elevada e sublime”.

Em uma resenha do livro In Memory’s Kitchen: A Legacy From The Women of Terezin {Na Cozinha da Memória: Um Legado das Mulheres de Terezin}, Lore Dickstein, escrevendo para o The New York Times Book Review, observa que “Anny Stern foi uma das sortudas. Em 1939, após meses de dificuldades com a burocracia nazista, com o exército alemão de ocupação em seu encalço, ela fugiu da Tchecoslováquia com seu filho pequeno e emigrou para a Palestina. Na época da partida de Anny, a política nazista incentivava a emigração. ‘Você é sionista?’, perguntou Adolf Eichmann, especialista de Hitler em assuntos judaicos. ‘Sim, sou’, ela respondeu. ‘Ótimo’, disse ele, ‘eu também sou sionista. Quero que todos os judeus partam para a Palestina’.”

 

Uma “Relação Próxima”

Muitos comentaristas já apontaram a estreita relação entre o sionismo e o nazismo. Ambas as ideologias concebem os judeus de forma étnica e nacionalista. De fato, o teórico nazista Alfred Rosenberg frequentemente citava autores sionistas para sustentar sua tese de que os judeus não podiam ser alemães.

Em seu estudo, The Meaning of Jewish History {O Significado da História Judaic}, o rabino Jacob Agus apresenta a seguinte avaliação:

Em sua formulação extrema, os sionistas políticos concordavam com o ressurgimento do antissemitismo nas seguintes proposições: 1. Que a emancipação dos judeus na Europa foi um erro. 2. Que os judeus só podem atuar nas terras da Europa como uma influência disruptiva. 3. Que todos os judeus do mundo constituíam um único “povo”, apesar de suas diversas filiações políticas. 4. Que todos os judeus, diferentemente dos outros povos da Europa, eram únicos e inintegráveis. 5. Que o antissemitismo era a expressão natural do sentimento de pertencimento das nações europeias e, portanto, ineradicável.

O teórico nazista Rosenberg, que foi executado em consequência de sua condenação por crimes de guerra nos julgamentos de Nuremberg, declarou, sob interrogatório direto [em 15 de abril de 1946], que havia estudado os escritos de historiadores judeus. Ele prosseguiu:

Parecia-me que, após uma época de generosa emancipação no decorrer dos movimentos nacionais do século XIX, uma parte importante da nação judaica reencontrou sua própria tradição e natureza, e se segregou cada vez mais conscientemente de outras nações. Era um problema que foi discutido em muitos congressos internacionais, e [Martin] Buber, em particular, um dos líderes espirituais do judaísmo europeu, declarou que os judeus deveriam retornar ao solo da Ásia, pois somente lá poderiam ser encontradas as raízes do sangue judaico e do caráter nacional judaico.

 

Aliança de Longa Data

Em 1941, Feyenwald, o nazista, republicou a seguinte declaração de Simon Dubnow, historiador e autor sionista:

A assimilação é uma traição comum contra a bandeira e os ideais do povo judeu... Ninguém pode “tornar-se” membro de um grupo nacional, como uma família, tribo ou nação. Pode-se obter os direitos e privilégios da cidadania de uma nação estrangeira, mas não se pode apropriar também de sua nacionalidade. Certamente, o judeu emancipado na França se autodenomina francês de fé judaica. Isso, porém, significaria que ele se tornou parte da nação francesa, professando a fé judaica? De modo algum... Um judeu... mesmo que tenha nascido na França e ainda viva lá, apesar disso, permanece membro da nação judaica.

Os sionistas têm enfatizado repetidamente — e continuam a fazê-lo — que, do seu ponto de vista, os judeus estão em “exílio”, fora do “Estado judeu”. Jacob Klatzkin, um dos principais escritores sionistas, declarou: “Nós somos simplesmente estrangeiros, somos um povo forasteiro entre vocês, e enfatizamos, desejamos continuar assim”. Essa perspectiva sionista tem sido uma visão minoritária entre os judeus desde sua formulação até os dias de hoje.

Quando o termo “antissemitismo” é usado levianamente para silenciar aqueles que criticam o governo de Israel e suas políticas, é importante notar que a história de aliança do sionismo com o antissemitismo real é antiga, e isso se deve precisamente ao fato de que o sionismo e o antissemitismo compartilham uma visão dos judeus que a vasta maioria dos judeus nos Estados Unidos e em outras partes do mundo sempre rejeitou.

Este capítulo da história, raramente discutido, merece estudo, pois ilumina muitas verdades relevantes para o debate em curso, tanto em relação à política para o Oriente Médio quanto à verdadeira natureza dos judeus e do judaísmo.

Tradução e palavras entre chaves por Mykel Alexander

 Notas:


*1 Fonte utilizada por Allan C. Brownfeld: Sionismo e o Terceiro Reich, por Mark Weber, 21 de junho de 2023, World Traditional Front.

https://worldtraditionalfront.blogspot.com/2023/06/sionismo-e-o-terceiro-reich-por-mark.html

Fonte: Zionism and Anti-Semitism: A Strange Alliance Through History, por Allan C. Brownfeld, The Journal for Historical Review, janeiro-fevereiro de 1999 (Vol. 18, nº 1), páginas 22 e seguintes. Este artigo foi reproduzido da edição de julho-agosto de 1998 do The Washington Report on Middle East Affairs.

https://ihr.org/journal/v18n1p22_Brownfeld.html

Sobre o autor: Allan C. Brownfeld obteve seu bacharelado pela Faculdade de William e Mary, seu diploma de Direito pela Faculdade de Direito Marshall-Wythe da Faculdade de William e Mary e seu mestrado em Governo e Política pela Universidade de Maryland. Ele atuou no corpo docente da Escola Episcopal de Santo Estêvão, em Alexandria, Virgínia, e do University College da Universidade de Maryland.

O Sr. Brownfeld escreveu para muitos jornais como, The Washington Evening Star e The Phoenix Gazette, entre outros. Escreveu colunas semanais no jornal do Capitólio, o Roll Call, na The Yale Review e no Modern Age, entre outros. Escreveu para The Washington Report on Middle East Affairs. O Sr. Brownfeld atuou como membro da equipe da Subcomissão de Segurança Interna do Senado dos EUA, também atuou como Assistente do Diretor de Pesquisa da Conferência Republicana da Câmara e como consultor de membros do Congresso e do Vice-Presidente dos Estados Unidos. É autor de cinco livros: Hung Up On Freedom (1969), The New Left (1978), Dossier On Douglas (1970) entre outros. 

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quinta-feira, 29 de agosto de 2024

‘Por medo dos judeus’ - por Joseph Sobran

 

Joseph Sobran


A notícia de que eu me dirigiria ao Institute of Historical Review chegou a algumas pessoas como, bem, uma notícia. Foi mencionado no jornal judeu Forward e no sionista Wall Street Journal OnLine. Os editores de duas revistas conservadoras telefonaram-me e escreveram-me para expressar a sua preocupação de que eu pudesse prejudicar a minha reputação, tal como ela é, ao falar com “negacionistas do Holocausto”.

Eu não estou certo por que isso deveria importar. Mesmo afirmando que eu estava falando para um público de má reputação, espero ser julgado pelo que digo, e não por quem o digo. Eu noto que meus inimigos escreveram muito sobre mim, mas eles raramente me citam diretamente.

Por que não? Se eu mesmo sou tão infame, eu devo, pelo menos ocasionalmente, dizer coisas infames. Será possível que o que digo seja mais convincente e forte do que eles gostam de admitir?

Meus inimigos são sempre bem-vindos para citar qualquer coisa que eu diga, se ousarem. Eu diria as mesmas coisas a eles, e eles poderão considerar minhas observações ao Institute for Historical Review como dirigidas a eles também. Eu não estava falando apenas para “negacionistas do Holocausto”, mas também para crentes no Holocausto.

Por causa de que eu suportei difamações e ostracismo pelas minhas críticas a Israel e ao seu lobby americano, algumas pessoas atribuem-me coragem. Sinto-me lisonjeado, claro, mas este elogio, quer eu o mereça ou não, implica que é profissionalmente perigoso para um jornalista criticar Israel. Isso diz muito a você.

Mas se eu sou “corajoso”, como você chama Mark Weber e o Institute for Historical Review? Eles foram manchados de forma muito pior do que eu; além disso, eles foram seriamente ameaçados de morte. Seus escritórios foram bombardeados. Eles pelo menos recebem crédito pela coragem? De jeito nenhum. Eles permanecem quase universalmente vilificados.

Quando eu conheci Mark, há muitos anos, eu esperava encontrar um fanático delirante que odiava os judeus, tal é a reputação genérica de “negadores do Holocausto”. Fiquei imediata e subsequentemente impressionado ao descobrir que ele era exatamente o oposto: um homem educado, bem-humorado, espirituoso e erudito, que habitualmente falava com contensão e medida, mesmo sobre inimigos que adorariam vê-lo morto. O mesmo se aplica a outros membros do Instituto. Em meus muitos anos de convivência com eles, nunca ouvi nenhum deles dizer algo que atingisse contundentemente a um a um ouvinte sem preconceitos como irracional ou preconceituoso.

Eram os seus inimigos que eram fanáticos delirantes e cheios de ódio, incapazes de discutir com os “negadores do Holocausto” numa linguagem comedida, sem hipérboles selvagens, acusações soltas e mentiras descaradas. Eu comecei a me perguntar: se eles não conseguem dizer a verdade sobre os “negacionistas do Holocausto”, como poderão dizer a verdade sobre o próprio Holocausto?

Mesmo que o Holocausto tivesse realmente acontecido, como eu presumi, talvez devesse ser estudado com uma racionalidade crítica que obviamente faltava à maioria dos seus crentes. Afinal de contas, mesmo os crimes de Stalin podem ser exagerados, compreensivelmente, pelas suas vítimas. Como diz Milton: “Deixe a verdade e a falsidade lutarem; quem já viu a verdade piorar em um encontro livre e aberto?” Mesmo aqueles que estão errados podem ter algo a dizer, algum esclarecimento marginal a oferecer. Por que tapar nossos ouvidos contra eles?

Porque é que é “antijudaico” concluir, a partir da evidência, que os números padrão de judeus assassinados são imprecisos, ou que o regime de Hitler, por ruim que fosse em muitos aspectos, não tinha, de fato, intenção de extermínio racial? Certamente estas são conclusões controversas; mas se for assim, deixe a controvérsia aumentar. Não há perigo em permitir que isso prossiga. Poderia ser diferente se negar o Holocausto pudesse de alguma forma afetar o curso dos acontecimentos, uma vez que a negação dos crimes de Stalin pelo New York Times na década de 1930 o ajudou a continuar a cometê-los. Porque é que o Institute for Historical Review é notório, enquanto o Times, apesar do seu apoio ativo a Stalin no auge do seu poder, continua a ser um pilar de respeitabilidade?

O Holocausto nunca tem sido um interesse que me consome. Mas, ao ler o Journal of Historical Review ao longo dos anos, eu encontrei nele a mesma virtude calma de racionalidade crítica que eu tenho encontrado no próprio Mark. E isso foi aplicado a muitos outros assuntos além da questão de saber se Hitler tinha tentado exterminar os judeus. Um artigo publicado sobre Abraham Lincoln há alguns anos me levou a revisar a minha inteira visão sobre Lincoln e me estimulou a escrever um livro sobre ele. [Robert Morgan, “Abraham Lincoln e a questão racial”.]1

A missão do Institute for Historical Review não pode ser resumida de forma justa como “negação do Holocausto”. A sua real missão é criticar a sufocante ideologia progressista que infectou e distorceu a narração da história no nosso tempo. Mas é claro que o seu ceticismo específico da história padrão do Holocausto é considerado uma blasfémia e valeu-lhe o temido epíteto de antissemitismo.

Não muito tempo atrás, o único rótulo mais letal para a reputação de uma pessoa era o de molestador de crianças, mas, como muitos homens do clero estão agora descobrindo, existe esta diferença: um molestador de crianças pode esperar uma segunda chance.

Há também outra diferença. Nós temos uma ideia bastante clara do que é abuso sexual infantil. Ninguém sabe realmente o que é “antissemitismo”. Meu antigo chefe, Bill Buckley, escreveu um livro inteiro chamado In Search of Anti-Semitism sem se preocupar em definir o antissemitismo.

Na época eu pensei que isso era um descuido. Eu estava errado. A palavra perderia sua utilidade se fosse definida. Como eu observei na minha pequena contribuição para o livro, um “antissemita” costumava significar um homem que odiava os judeus. Agora significa um homem que é odiado pelos judeus.

Eu duvido, de fato, eu não consigo imaginar, que alguém associado ao Institute for Historical Review tenha alguma vez feito mal a outro ser humano por ele ser judeu. Na verdade, o Institute for Historical Review nunca foi acusado de nada além de crimes de pensamento.

O mesmo é verdade para mim. Ninguém jamais me acusou da menor indecência pessoal para com um judeu. A minha principal ofensa, ao que parece, foi insistir que o Estado de Israel tem sido um “aliado” dispendioso e traiçoeiro dos Estados Unidos. Desde o último 11 de Setembro, eu penso que isso é inegável. Mas ainda não recebi um único pedido de desculpas por ter estado certo.

Se eu odiasse os judeus en masse, sem distinção, eu seria culpado de muitas coisas. Obviamente eu seria culpado de injustiça e falta de caridade para com os judeus como seres humanos. Eu também seria culpado de estupidez intencional. Mais pessoalmente, eu seria culpado de ingratidão para com os meus benfeitores – o que Dante, no seu Inferno, classifica como o pior de todos os pecados – uma vez que muitos dos meus benfeitores, em grandes e pequenos aspectos, têm sido judeus.

Além disso, eu estaria a tornar-me exatamente o homem que os meus inimigos sionistas gostariam que eu fosse; um homem como eles, em quem as hostilidades étnicas têm prioridade sobre todos os outros valores e considerações. Eu os justificaria por me tratarem como um inimigo. Na verdade, eu iria mais longe e diria que estaria ajudando a justificar o Estado de Israel. Eu considero que se eu lutar contra essas pessoas nos termos delas, elas têm já vencido.

O que é exatamente “antissemitismo”? Uma definição padrão do dicionário é “hostilidade ou discriminação contra os judeus como grupo religioso ou racial”. Como isso se aplica a mim nunca foi explicado. A minha “hostilidade” para com Israel não é um desejo de guerra, mas de neutralidade – proveniente de um sentimento de traição, desperdício e vergonha. Os nossos políticos venais alinharam-nos com um país estrangeiro que se comporta de forma desonrosa. A maioria dos alegados “antissemitas” estremeceria se os judeus de qualquer lugar fossem tratados como Israel trata os seus súditos árabes. Além disso, Israel traiu repetidamente o seu único benfeitor, os Estados Unidos. Eu tenho já aludido ao lugar que Dante reserva a quem trai os seus benfeitores.

Estes são fatos morais óbvios. Ainda, não são apenas os políticos que têm medo de apontá-los; o mesmo acontece com a maioria dos jornalistas – as pessoas que deveriam ser suficientemente independentes para dizerem coisas que os políticos não se podem dar ao luxo de dizer. Nos meus trinta anos de jornalismo, nada me surpreendeu mais do que o medo predominante na profissão de ofender os judeus, especialmente os judeus sionistas.

O medo do rótulo de antissemita é o medo do poder que se acredita estar por trás dele: o poder judaico. No entanto, isso ainda não é mencionável no jornalismo. É como se os jornalistas esportivos que cobrem o basquete profissional fossem proibidos de mencionar que o Los Angeles Lakers estava em primeiro lugar.

Tem havido uma mudança qualitativa que é absolutamente assustadora no conservadorismo americano em geral. O “medo dos judeus”, para usar a frase tantas vezes repetida no Evangelho segundo João, parece ter provocado uma reorientação do tom, dos próprios princípios, do conservadorismo de hoje. O ceticismo duro, a inteligência crítica e a ironia saudável de homens como James Burnham, Willmoore Kendall e o jovem Buckley tem dado caminho ao filossemitismo acrítico de George Will, Cal Thomas, Rush Limbaugh e, claro, do último Buckley – homens que farão tudo o que for preciso, mesmo absurdo e desonroso, para evitar o aterrorizante rótulo de antissemita.

Já foi considerado “antissemita” imputar “dupla lealdade” aos judeus – isto é, afirmar que a maioria dos judeus americanos divide a sua lealdade entre os Estados Unidos e Israel. Isso agora é passado. Hoje, a maioria dos políticos assume, como é natural, que Israel comanda a lealdade primária dos eleitores judeus. Eles são acusados ​​de “antissemitismo” por fazerem isso? Esta suposição custa-lhes votos judaicos? De jeito nenhum! Lealdade dupla, nada! A lealdade dupla seria uma melhoria!

Mais uma vez, é uma necessidade prática saber o que seria suicídio profissional dizer. Nenhum político em sã consciência acusaria os judeus de darem a sua lealdade primária a Israel; mas a maioria dos políticos age como se fosse esse o caso. E eles são bem sucedidos.

Você pode ler publicações judaicas como a Commentary durante anos, e lerá discussões intermináveis ​​sobre o que é bom para Israel, mas nunca encontrará a menor sugestão de que o que é bom para Israel pode não ser bom para a América. A possibilidade simplesmente nunca surge. O único dever discernível dos judeus, ao que parece, é olhar por Israel. Eles nunca terão que escolher entre Israel e os Estados Unidos. Chega de “canard” de lealdade dupla.

Muitas vezes eu tenho notado como os conservadores tradicionais estão ávidos e desesperados para evitar a ira judaica. Mais uma vez, eles não falam apenas favoravelmente de Israel: eles recusam-se a reconhecer qualquer custo para os interesses americanos na aliança EUA-Israel. Tratam os interesses dos dois países como idênticos; quando repreendem qualquer um dos governos, é sempre – sempre – o governo dos EUA por não apoiar o nosso “aliado confiável”. Eles estão em fuga precipitada da realidade. Não têm nada do realismo de James Burnham, cujos escritos e estilo de pensamento seriam totalmente indesejáveis ​​no movimento conservador de hoje.

Eles estão assustados. Você pode sentir isso na sua fanfarronice, no jingoísmo vicário com o qual eles se dirigem à Israel. O seu medo produz uma magreza intelectual peculiar que permeia todo o seu pensamento sobre política externa. Os individualistas foram substituídos por apparatchiks. O sionismo infiltrou-se no conservadorismo da mesma forma que o comunismo uma vez infiltrou no liberalismo.

Aqui eu deveria colocar minhas próprias cartas na mesa. Eu não sou, o céu me proíba, um “negacionista do Holocausto”. Não tenho competência acadêmica para ser um. Não leio alemão, por isso não posso avaliar as provas documentais; Não sei química, então eu não posso discutir Zyklon-B; eu não entendo a logística de exterminar milhões de pessoas em espaços pequenos. Além disso, a “negação do Holocausto” é ilegal em muitos países que posso querer visitar algum dia. Para mim, isso é prova suficiente. Um escritor israelense expressou o seu espanto face à ideia de criminalizar opiniões sobre fatos históricos, e considero-a também intrigante; mas o estado tem falado.

É claro que aqueles que afirmam o Holocausto não precisam de saber nada sobre a língua alemã, química e outros assuntos pertinentes; precisam apenas repetir o que lhes foi dito pelas autoridades. Em todas as controvérsias, a maioria das pessoas se preocupa muito menos com o que é a verdade do que com qual lado é mais seguro e mais respeitável tomar. Eles evitam assumir uma posição que possa lhes causar problemas. Tal como apenas as pessoas do lado do Eixo foram acusadas de crimes de guerra após a Segunda Guerra Mundial, apenas as pessoas que criticam os interesses judaicos são acusadas de crimes de pensamento na grande imprensa de hoje.

Então, sendo a vida tão curta como ela é, eu timidamente evito essa polêmica. É claro que também sou incompetente para julgar se o Holocausto aconteceu; então me tornei o que poderia ser chamado de “estipulador do Holocausto”. Tal como um advogado que não quer ficar atolado a debater um ponto secundário, estipulo que o relato padrão do Holocausto é verdadeiro. O que é indiscutível – a violação massiva dos direitos humanos na Alemanha de Hitler – é suficientemente ruim.

O que me interessa é o crescimento daquilo que Norman Finkelstein chamou de “Indústria do Holocausto”. Verdade ou não, a história do Holocausto teve muitos usos, alguns deles perniciosos. Atualmente, está sendo utilizado para extorquir reparações e para denegrir reputações, por exemplo. Daniel Goldhagen publicará em breve um livro culpando os ensinamentos centrais da Igreja Católica pelo Holocausto. Este é apenas o projeto mais ambicioso de uma escola de pensamento, em grande parte mas não exclusivamente judaica, que vê o Cristianismo como a fonte de todo o “antissemitismo”.

Portanto, se quiser evitar ser chamado de “antissemita”, o caminho mais seguro é renunciar ao cristianismo. Se este é um caminho seguro para a sua alma imortal é uma questão que Goldhagen não aborda. O importante é evitar a censura judaica. Obviamente, este tipo de pensamento pressupõe o medo cristão dos judeus. Os próprios judeus não ignoram o poder judaico; alguns deles têm uma confiança bastante exagerada nele.

Mas o principal uso da história do Holocausto é reforçar a legitimidade do estado de Israel. De acordo com essa visão, o Holocausto prova que a existência judaica está sempre em perigo, a menos que os judeus tenham seu próprio estado em sua própria terra natal. O Holocausto se destaca como a objetificação histórica do eterno “antissemitismo” de todos os gentios do mundo. A vida judaica é uma emergência sem fim, exigindo medidas de emergência sem fim e justificando tudo feito em nome da “defesa”. Judeus e Israel não podem ser julgados por padrões normais, pelo menos até que Israel esteja absolutamente seguro — se é que isso acontece. Suas circunstâncias são para sempre anormais.

Mas as notícias diárias sugerem que Israel pode não ser realmente o lugar mais seguro para os judeus. O sonho original de Theodore Herzl era de um estado judeu onde os judeus pudessem finalmente viver as vidas normais que lhes foram negadas na Diáspora. No entanto, hoje são os judeus da Diáspora que vivem vidas relativamente normais, pelo menos no Ocidente, enquanto devem se preocupar com a própria sobrevivência de Israel. E longe de ser o estado independente que Herzl esperava, Israel depende fortemente do apoio não apenas dos judeus da diáspora, mas também de gentios estrangeiros, especialmente americanos.

Israel insiste que seu “direito de existir” nada mais é do que o direito de todas as nações da Terra de serem deixadas em paz. Esse direito é supostamente ameaçado por árabes fanáticos que querem “empurrar os judeus para o mar”, como testemunha a recente onda de terror palestino. Mas, na verdade, o alegado “direito de existir” de Israel é muito mais do que parece à primeira vista. Significa o direito de governar como judeus, desfrutando de direitos negados aos palestinos nativos.

Dizem-nos incessantemente que Israel é uma “democracia” e, portanto, o aliado natural dos Estados Unidos, cujos “valores democráticos” ele compartilha. Esta é uma afirmação muito duvidosa. Para os americanos, democracia significa governo da maioria, mas com direitos iguais para as minorias. Em Israel e nos territórios ocupados, direitos iguais para a minoria estão simplesmente fora de questão.

O próprio governo da maioria assumiu uma forma peculiar em Israel. A maioria árabe original foi expulsa de suas casas e de sua terra natal, e mantida fora. Enquanto isso, uma “maioria” judaica foi importada artificialmente. Não apenas os primeiros imigrantes da Europa Oriental, mas todos os judeus na Terra receberam um “direito de retorno” — isto é, “retorno” a uma “pátria” em que a maioria nunca viveu e na qual nenhum de seus ancestrais jamais viveu. Um judeu do Brooklyn (cujo avô veio da Polônia) pode voar para Israel e imediatamente reivindicar direitos negados a um árabe cujo povo sempre viveu na Palestina. Nos últimos anos, Israel tem aumentado sua maioria judaica ao encorajar vigorosamente a imigração judaica, especialmente da Rússia. Ariel Sharon disse a um grupo de senadores americanos que Israel precisa de mais um milhão de imigrantes judeus.

Israel rejeita as demandas por um “direito de retorno” para os palestinos exilados desde 1948. Qual o motivo? Isso significaria “o fim do estado judeu”. Uma maioria árabe certamente rejeitaria os privilégios étnicos judeus. Se Israel permanecesse democrático, não permaneceria judeu por muito tempo. Deve ser a única “democracia” cuja existência depende da desigualdade.

Os gentios americanos, confusos com a alegação da propaganda de que uma pequena democracia sitiada está lutando por seu próprio direito de existir, ainda não descobriram que a “democracia” israelense é essencial e radicalmente diferente — até mesmo repugnante — do que eles entendem como democracia. Em outras palavras, o sionismo é uma negação das “verdades autoevidentes” da Declaração de Independência. Reconhecer essas verdades e colocá-las em prática significaria o fim de Israel como um estado judeu. Novamente, sionistas honestos e rigorosos têm sempre visto e dito isso.

Com a prestidigitação verbal em que são mestres, os israelenses sempre apelam para o Holocausto. Talvez eles tenham armas nucleares, mas sua existência é ameaçada — mais uma vez! — por garotos árabes que atiram pedras. Os árabes são os novos nazistas, repetindo e perpetuando o perigo eterno dos judeus. Israel está determinado a evitar outro Holocausto e deve esmagar a ameaça árabe por todos os meios necessários, incluindo medidas asperamente severas.

Israel sem o Holocausto é difícil de imaginar. Mas vamos tentar imaginá-lo.

Suponha que o Holocausto nunca tivesse ocorrido, nunca tivesse sido alegado, nunca tivesse sido chamado de “o Holocausto”. Imagine que nenhuma grande perseguição tivesse fornecido ao estado judeu uma desculpa especial para medidas de emergência opressivas. Em outras palavras, imagine que Israel fosse forçado a se justificar como qualquer outro estado.

Nesse caso, o tratamento de Israel às suas minorias árabes pareceria ao mundo sob uma luz muito diferente. Sua negação de direitos iguais ou mesmo básicos a essas minorias não teria a desculpa de um “Holocausto” passado ou futuro. Pessoas civilizadas esperariam que ele tratasse aqueles que governava com justiça imparcial. Privilégios especiais para judeus pareceriam uma discriminação ultrajante, não diferente de uma discriminação legal insultuosa contra judeus. O sentido — e desculpa — de crise perpétua estaria ausente. Israel poderia ser forçado ou pressionado, possivelmente contra sua vontade, a ser “normal”. Se escolhesse ser democrático, seus judeus teriam que correr o risco de serem superados em número, assim como as maiorias em outras democracias. Ninguém imaginaria que perder eleições significaria sua aniquilação.

Em suma, o Holocausto se tornou um dispositivo para isentar os judeus das obrigações humanas normais. Ele os autorizou a intimidar e chantagear, extorquir e oprimir. Tudo isso é bastante irracional, porque mesmo que seis milhões de judeus tenham sido assassinados durante a Segunda Guerra Mundial, os sobreviventes não têm o direito de cometer a menor injustiça. Se seu pai foi esfaqueado na rua, é uma pena, mas não é uma desculpa para roubar o bolso de outra pessoa.

De uma forma peculiar, a história do Holocausto promoveu não apenas pena, mas medo real dos judeus. Ela os removeu do universo do discurso moral normal. Ela os tornou vítimas de armas nucleares. Ela os tornou ainda mais perigosos do que seus inimigos sempre acusaram. Ela deu ao mundo um Israel governado por Ariel Sharon.

Benjamin Netanyahu escreveu que Israel é “parte integrante do Ocidente”. Acho que seria mais verdadeiro dizer que Israel se tornou um membro deformado do Ocidente.

Tradução e palavras entre chaves por Mykel Alexander

 

Nota

1 Fonte utilizada por Mark Weber: The ‘Great Emancipator’ and the Issue of Race - Abraham Lincoln’s Program of Black Resettlement, por Robert Morgan, The Journal of Historical Review, setembro-outubro de 1993 (Vol. 13, nº 5), páginas 4-25.

https://ihr.org/journal/v13n5p-4_Morgan.html

 

 

Fonte: Este artigo é uma adaptação de seu discurso na 14ª Conferência do IHR, em 22 de junho de 2002, em Irvine, Califórnia. Foi publicado na edição de agosto de 2002 do boletim informativo de Sobran e na edição de maio-agosto de 2002 do Journal of Historical Review do IHR.

https://ihr.org/journal/v21n3p12_sobran-html

Sobre o autor: Joseph Sobran (1946-2010) se formou na Eastern Michigan University em 1969 com um Bacharelado em Artes em Inglês. Ele estudou para um Mestrado em Inglês com concentração em estudos de Shakespeare. No final dos anos 1960, Sobran deu palestras sobre Shakespeare e Inglês em uma bolsa com a Eastern Michigan. Sobran foi um autor, colunista e palestrante. Por 21 anos, ele escreveu para a revista National Review, incluindo 18 anos como editor sênior. Por 20 anos, ele foi um colunista sindicalizado. Ele também escreveu uma coluna mensal para o jornal tradicionalista Catholic Family News. Entre seus escritos estão: Single Issues: Essays on the Crucial Social Questions (1983, Arlington House); Pensées: Notes for the reactionary of tomorrow (1985, Arlington House); Hustler: The Clinton Legacy (2000, Griffin Communications); Sobran's: The Real News of the Month (boletim informativo mensal); Joseph Sobran: The National Review Years (seleções de seu trabalho durante seu tempo no National Review, editado por Fran Griffin, 2012, Griffin Communications).

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