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domingo, 21 de dezembro de 2025

Revisionismo Semítico - por Germar Rudolf

 

 Germar Rudolf 


O professor de história de Jerusalém, Moshe Zimmermann, apresentou recentemente a abordagem de Israel ao Holocausto de uma forma acessível.[1] Embora a Shoah praticamente não tenha desempenhado nenhum papel na vida pública israelense até o início da década de 1960, isso mudou com o julgamento de Eichmann em 1961. Desde então, o Holocausto tornou-se cada vez mais relevante na consciência dos judeus israelenses, especialmente em dimensões míticas. Hoje, o Holocausto é percebido como o evento mais importante da história judaica, mesmo antes da fundação do Estado de Israel moderno e antes da aceitação da Torá no Monte Sinai.[2] Esse desenvolvimento é acompanhado por rituais midiáticos e políticos bem conhecidos, bem como por um programa escolar israelense especificamente voltado para o Holocausto – incluindo viagens escolares inteiras a campos de concentração na Europa. Esse programa visa alcançar a identificação e a solidariedade quase físicas dos jovens com seu próprio povo judeu por meio da revivência intensa de todas as atrocidades (reais e supostas) do Holocausto e do trauma associado.[3] O Holocausto está agora tão presente na sociedade e na política israelenses que grupos judaicos de oposição tentam combater uns aos outros usando o porrete de Auschwitz.

Já é de conhecimento geral, inclusive em Israel, que os pilares do Estado de Israel, a religião judaica e o sionismo, que o sustentaram até a década de 1960, perderam grande parte de sua viabilidade. Foram substituídos pelo Holocausto, que não só dá ao Estado de Israel sua raison d’etrê {razão de ser} através de exageros místicos, mas também é cada vez mais usado para legitimar as políticas israelenses de qualquer tipo.

Em resposta a esta entrevista, certos círculos tentaram contestar a cátedra de Moshe Zimmermann por meio de uma campanha pública, a qual foi em última análise sem sucesso.

{Moshe Zimmermann (1943) é um historiador judeu cujas observações e comentários o levaram a julgamento em Israel várias vezes.}

Não deveria ser difícil para esse grupo de israelenses críticos estabelecer contatos delicados com judeus dissidentes em países ocidentais que não se furtam ao contato com o revisionismo do Holocausto, especialmente porque a crítica à mitificação do Holocausto e a certas (más)interpretações talmúdicas da Torá são idênticas em ambos os grupos. Resta saber se esses judeus israelenses estarão preparados para criticar não apenas as consequências sociais da mistificação do Holocausto, mas também as historiográficas.

 

Revisionismo judaico-israelense

É claro que esse desenvolvimento representa perigos para os judeus em geral e para Israel em particular. Michael Wolffsohn, por exemplo, tem apontado que esse foco no Holocausto como uma espécie de religião substituta secular não só representa uma preocupante amputação do judaísmo em seus importantes elementos de religião e nacionalismo, como também dificulta a coexistência pacífica com os alemães, já que Israel depende cada vez mais da imagem dos alemães em geral e da Alemanha em particular como inimiga para justificar sua existência.[4] Pesquisas confirmam esse temor, pois mesmo antes de “Mölln” e “Solingen” [grandes ataques contra imigrantes], os alemães já tinham uma imagem muito negativa em Israel, que se deteriorou ainda mais nos últimos tempos.[5] Zimmermann também destaca que a mitificação do Holocausto dificulta o caminho para a normalização com o mundo árabe, bem como para a pacificação interna da comunidade judaica.[6] Uma crítica adicional à mistificação do Holocausto é a acusação de que o traumatismo dos judeus impede a percepção das condições políticas globais em consonância com a realidade. Em vez de, por exemplo, considerarem a opção de abandonar este pedaço de deserto semi-cultivado diante da crescente fundamentalização islâmica, as pessoas se apegam à ficção de que somente Israel pode proteger os judeus de um “novo” Holocausto. Tão ideologicamente obstinadas, preferem ser espancadas até a morte a se mudarem para países ocidentais. É precisamente esse comportamento que oferece ao potencial inimigo, a Arábia, a oportunidade fácil para “outro” Holocausto. O jornal Frankfurter Allgemeine Zeitung publicou uma reportagem intitulada “Jerusalém ou Babilônia, Israel ou a Diáspora?” sobre dissidentes judeus em Israel que consideram o Estado de Israel uma anomalia que ameaça os judeus como um todo e pregam um retorno à Diáspora:[7]

“Em Israel, Filipe II faz campanha pelo retorno dos judeus asquenazes à Europa – um programa contrário ao sionismo, que ele chama de “diasporismo”. Após a Segunda Guerra Mundial, Israel talvez tivesse sua justificativa; hoje, é “a ameaça mais séria à sobrevivência do judaísmo”.

Para além desses discursos acadêmicos moderados, há uma abordagem muito mais radical para criticar a forma como os judeus lidam com a sua história em geral. O porta-voz aqui é, sem dúvida, o professor de química Israel Shahak, que em seu livro recentemente publicado[8] confirma que a crítica ao antissemitismo acadêmico do período de Weimar contra a religião judaica é plenamente justificada (conferir meu artigo no Staatsbriefe 8-9/1995)*1. Além disso, Shahak expande capítulos da história judaica que dificilmente podem ser encontrados em qualquer livro de história. De acordo com ele, os judeus leais ao Talmud sempre foram capazes de se oferecer aos tiranos de vários povos e épocas como colaboradores dispostos na opressão e exploração dos mais diversos povos. Como resultado, os repetidos pogroms contra os judeus pareciam ser predominantemente uma forma de resistência do povo comum contra seus opressores implacáveis. Em relação a essas observações, Shahak critica duramente a maneira como grupos judaicos ortodoxos ou de direita em Israel justificam suas políticas racistas e chauvinistas contra não judeus em geral e árabes em particular, numa continuação fiel de milhares de anos de história judaica com certas interpretações talmúdicas da Torá. O Prof. Zimmermann revelou em uma entrevista que o Prof. Shahak, muito criticado pelo público em Israel, não está sozinho nessa crítica.[9] Nela, ele compara a ideologia e a prática da política da extrema-direita israelense com as do nacional-socialismo. Ele também argumenta que é mais justificável publicar Mein Kampf em Israel do que a Bíblia, especialmente porque somente a Bíblia serve aos israelenses de extrema-direita como base ideológica para sua política. Presumir isso em relação a Mein Kampf é absurdo. Em resposta a essa entrevista, certos círculos tentaram contestar a cátedra de Moshe Zimmermann por meio de uma campanha pública, que acabou em última análise não sendo bem-sucedida.

Não deveria ser difícil para este grupo de israelenses críticos estabelecer contatos delicados com judeus dissidentes em países ocidentais que não se furtam ao contato com o revisionismo do Holocausto,[10] especialmente porque a crítica à mitificação do Holocausto e a certas (más)interpretações talmúdicas da Torá são idênticas para ambos os grupos. Resta saber se esses judeus israelenses estão, então, preparados para criticar não apenas as consequências sociais da mistificação do Holocausto, mas também as historiográficas.

 

Revisionismo Islâmico-Árabe

Até uns poucos anos atrás, o Holocausto era geralmente considerado nos países árabes como um problema dos países ocidentais, de interesse apenas periférico, por exemplo, quando Israel usou o Holocausto para justificar sua política de ocupação.[11] A crítica à mistificação do Holocausto pelos judeus e pelo mundo ocidental inteiro, bem como os consequentes problemas sociais e historiográficos, foi abordada pela primeira vez por Ahmed Rami, um marroquino exilado na Suécia.[12] Até 1993, ele dirigiu uma pequena estação de rádio na Suécia, a Radio Islam, na qual ele misturava declarações revisionistas sobre o Holocausto com conteúdo antissemita, pan-árabe e etnopluralista. A estação foi silenciada por intervenção estatal. No entanto, essas atividades rapidamente atraíram a atenção de árabes fundamentalistas, de modo que Ahmed Rami rapidamente se tornou um palestrante e colunista requisitado nesses círculos. O jornal fundamentalista Al-Shaab, publicado duas vezes por semana no Cairo e com cerca de dois milhões de exemplares, sendo o jornal de maior circulação no Magreb, publicou pela primeira vez, no verão e outono de 1993, diversos artigos sobre o revisionismo ocidental do Holocausto, incluindo uma entrevista com o major-general reformado Otto Ernst Remer[13] e o professor Robert Faurisson.[14] Como o jornal também era lido em países europeus com grandes comunidades muçulmanas, a França, em particular, estava obviamente preocupada com o impacto dessas questões e confiscou os exemplares imediatamente após a publicação. Pouco depois, vários jornalistas e membros importantes da equipe editorial do Al-Shaab foram presos pelo governo egípcio e suas casas foram revistadas. Oficialmente, a postura fundamentalista islâmica e de oposição do jornal serviu de pretexto para essas represálias, mas pode-se presumir que se tratava de uma tentativa de intimidação contra o revisionismo, possivelmente co-iniciada por avanços diplomáticos israelenses.

Pouco depois dessa aproximação entre o revisionismo ocidental do Holocausto e o fundamentalismo islâmico-pan-árabe, Israel anunciou que agora desejava negociar com a OLP um estatuto de autonomia para os palestinos. Podemos apenas especular se esses dois eventos estão causalmente ligados, embora não seja improvável.

Deve ter ficado claro para qualquer pessoa familiarizada com a dinâmica do fundamentalismo islâmico-pan-árabe que as represálias mencionadas contra o Al-Shaab não conseguiram extinguir as brasas; basta pensar nos eventos recentes na Argélia. Desde 1993, o Al-Shaab também tem lidado regularmente com questões revisionistas do Holocausto, sobretudo por meio de seu correspondente europeu, Ahmed Rami.[15] Desde o final de 1993 até o presente, a ideia de que os árabes veem o Holocausto como um problema ocidental e não têm afinidade com o revisionismo já não é verdadeira.11 A extensão em que o revisionismo se enraizou nas comunidades árabes em todo o mundo foi demonstrada no início do verão de 1995 na Grã-Bretanha, quando o governo britânico foi forçado a revogar a licença da estação de rádio Muslim Community Radio, que afirmava que o Holocausto nunca aconteceu.[16] Pouco depois, o governo britânico aprendeu que proibições governamentais não podem suprimir notícias interessantes quando o líder da organização muçulmana britânica Hizb ut-Tahrir declarou em uma coletiva de imprensa durante um evento de promoção do Islã em Londres com 3.000 participantes que o Holocausto nunca havia ocorrido. Destacadamente, com exceção de um órgão judaico,[17] toda a imprensa manteve silêncio sobre este evento.

Agora, você pode ter a opinião que quiser sobre o Islã. O fato é que os líderes islâmicos e pan-árabes estão reconhecendo cada vez mais que é a mistificação do Holocausto por Israel e pelo mundo ocidental que se opõe à promoção de seus interesses. Como o Holocausto é cada vez mais citado como a principal razão para a existência do Estado de Israel e, portanto, como a justificativa para a supremacia ocidental no Oriente Médio, o nacionalismo árabe e o islamismo radical tiveram que reconhecer, mais cedo ou mais tarde, o revisionismo do Holocausto como uma alavanca decisiva para afirmar seus interesses contra Israel e o Ocidente. Não se pode, portanto, descartar que o Islã seja a porta de entrada pela qual o revisionismo do Holocausto também começará sua marcha para o mundo ocidental, já que todas as outras portas serão bloqueadas pela força. É de ser esperado que as ideias que surgem entre alguns muçulmanos a respeito do tratamento dos judeus israelenses nem sempre sejam muito humanas, mesmo que muitos líderes muçulmanos afirmem o contrário.17

 

Um Consenso Revisionista Básico

Como um cientista revisionista na tradição ética do Ocidente cristão, confronta-se com a questão da minha própria responsabilidade ética em vista desses desenvolvimentos nos povos semitas do Oriente Médio.[18] Como cientista, inicialmente eu fico um tanto perplexo com os resultados dessa Caixa de Pandora que foi aberta. No entanto, também aqui, resultados satisfatórios podem ser alcançados se examinarmos criticamente os tabus tradicionais de nossa sociedade e estivermos preparados para abandoná-los, se necessário. Isso inclui, por exemplo, o fato de que a existência do Estado de Israel não é mais um sacrilégio do que a dos extintos Estados da União Soviética, da Tchecoslováquia ou da Iugoslávia.

A religião que sustenta o Estado de Israel, o judaísmo, está sendo minada pela crescente secularização. O sionismo, que ganhou grande parte de seu ímpeto com a identidade religiosa dos judeus, também está sofrendo como um resultado. Como demonstrado, o Holocausto está substituindo cada vez mais a fragilidade desses dois pilares. O antissemitismo como fonte de identidade e, em particular, a visão historicamente negativa da Alemanha como inimiga comum, ocupam o primeiro lugar nos mitos de legitimação do Estado de Israel.

É evidente que o desenvolvimento teológico no ambiente árabe de Israel aponta exatamente para o oposto, ou seja, uma crescente orientação para as raízes religiosas do Islã.

O revisionismo do Holocausto está, portanto, destruindo o único pilar viável da identidade israelense na atualidade. Também mina a ainda ilimitada disposição do Ocidente em apoiar Israel e dá ao islamismo fundamentalista um ímpeto mortal contra Israel.

Os revisionistas ocidentais do Holocausto, portanto, se deparam com as seguintes questões: o que Israel significa para eles e como devem eles se comportar aqui?

Objetivamente falando, Israel é um enclave ocidental no Oriente Árabe, um corpo estrangeiro semelhante ao Estado religioso cristão na época das Cruzadas. Em ambos os casos, foi justificado por motivos fanáticos (pseudo)religiosos e, graças aos enormes esforços voluntários (ou supostamente voluntários) do Ocidente, manteve-se como um bastião contra os árabes por várias décadas. Com o fim da euforia religiosa, porém, o destino do bastião estava selado.

Mas pode isso ser considerado tão indiferentemente? O que aconteceria se a existência do Estado de Israel chegasse ao fim? Em primeiro lugar, é improvável que o fim de Israel ocorra de forma repentina. Em vez disso, a pressão árabe aumentará, o apoio ocidental diminuirá e a disposição dos israelenses, em sua maioria europeus, de fazer sacrifícios por seu pedaço de terra cultivada se esvairá, independentemente de o revisionismo do Holocausto prevalecer ou não. Em qualquer caso, é preciso evitar que os acontecimentos cheguem a um ponto crítico e, por exemplo, levem a uma guerra ou mesmo a um conflito nuclear nesta região. Além disso, a Europa e a América do Norte precisam estar preparadas para receber de volta seus filhos que estão no exterior – incluindo, e principalmente, a Alemanha. Esperamos que isso não seja um problema, pois, se as visões do revisionismo do Holocausto prevalecerem, os seguidores de uma determinada religião não terão amigos em todos os lugares. Mas, novamente, não existe culpa coletiva, e o perdão e a misericórdia distinguem o cristianismo do judaísmo do “olho por olho, dente por dente.”

O único problema é domar os fundamentalistas árabes radicais, muitos dos quais querem expulsar todos os judeus para o mar, seja fisicamente ou, pelo menos, culturalmente. Isso não serve aos interesses de ninguém, porque qualquer um que finja se defender da mentira do Holocausto está se prejudicando gravemente se planejar ou permitir um futuro Holocausto real. Isso sem falar nas consequências eticamente indefensáveis ​​de uma política tão radical.

Com isso em mente, nós devemos também considerar se uma cooperação frutífera entre alemães e judeus em pé de igualdade é possível na Europa Central no futuro, e se essa não é, de fato, a única maneira de avançar caso a situação no Oriente Médio continue a se desenvolver como antes.[19] O que nós precisamos entre alemães não judeus e judeus é uma reconciliação baseada na parceria e na verdade como ponto de partida para um futuro comum e construtivo que nos una mais estreitamente do que muitos de ambos os lados talvez desejem. Assim, nós temos a escolha entre a mentira infinita aqui, o ódio infinito ali e a tentativa de uma existência baseada na parceria entre os dois.

O fato de existirem abordagens comuns para este caminho é demonstrado pelos revisionistas judeu-israelenses que, como os profetas da antiguidade, cutucam a ferida purulenta do autoengrandecimento judaico, alinhando-se, assim, com os revisionistas islâmico-árabes ocidentais e moderados, que estão também em dissidência com o público. Este deveria ser um ponto de partida comum para moldar o futuro.

O caminho à frente é rochoso. O Tribunal Regional de Stuttgart considerou declarações em meus documentos particulares, semelhantes às acima mencionadas, como prova de antissemitismo e, portanto, como prova da minha culpa (Ref. nº 17 KLs 83/94).

Tradução e palavras entre chaves por Mykel Alexander

Notas

[1] Nota de Germar Rudolf: Moshe Zimmermann, “Israels Umgang mit dem Holocaust”, em: Rolf Steininger (ed.), Der Umgang mit dem Holocaust, Vol. 1, Böhlau, Vienna, 1994, pp. 387-406

[2] Nota de Germar Rudolf: Yair Auron, Jewish-Israeli Identity, Tel Aviv, 1993, pp. 105, 109.

[3] Nota de Germar Rudolf: Chaim Schatzker, Aus Politik und Zeitgeschichte, 40(15) (1990) pp. 19-23, esp. pp. 22 e seguinte.

[4] Nota de Germar Rudolf: Frankfurter Allgemeine Zeitung, 15 de abril de 1993; na mesma linha Amos Elon em Frankfurter Allgemeine Zeitung, 28 de junho de 1993, p. 28.

[5] Nota de Germar Rudolf: Moshe Zimmermann, “Israels Umgang mit dem Holocaust”, em: Rolf Steininger (ed.), Der Umgang mit dem Holocaust, Vol. 1, Böhlau, Vienna, 1994, pp. 404 e seguintes; idem, Aus Politik und Zeitgeschichte, 42(1-2) (1992) pp. 33-43, aqui p. 34.

[6] Nota de Germar Rudolf: Moshe Zimmermann, “Israels Umgang mit dem Holocaust”, em: Rolf Steininger (ed.), Der Umgang mit dem Holocaust, Vol. 1, Böhlau, Vienna, 1994, p. 390.

[7] Nota de Germar Rudolf: Jörg von Uthmann, Frankfurter Allgemeine Zeitung, 14 de maio de 1993, p. 29.

[8] Nota de Germar Rudolf: Israel Shahak, Jewish History, Jewish Religion, Pluto Press, Londres, 1994; Shahak também enviou uma coletânea de suas cartas aos editores de jornais israelenses, bem como outros comentários sobre o assunto, que também valem a pena ler.

*1 Fonte utilizada por Germar Rudolf: On the Causes of Hostility towards Jews, por Germar Rudolf, 1 de setembro de 1995.

https://codoh.com/library/document/on-the-causes-of-hostility-towards-jews/

                “Zu den Ursachen der Judenfeindschaft,” Staatsbriefe, Vol. 6, No. 8-9, 1995, pp. 56-63; arquivado em:

https://web.archive.org/web/vho.org/D/Staatsbriefe/Rudolf6_89.html

[9] Nota de Germar Rudolf: Yerushalayim, 28 de abril de 1995, citado de acordo com Collection: The Zimmerman Affair, por Israel Shahak.

[10] Nota de Germar Rudolf: Os nomes de Jean-Gabriel Cohn-Bedit, Noam Chomsky, David Cole, Roger G. Dommerque Polacco de Ménasce e Horst Lummert devem ser mencionados aqui.

[11] Nota de Germar Rudolf: Azmi Bishara, “Die Araber und der Holocaust”, em Rolf Steininger (ed.), Der Umgang mit dem Holocaust, Vol. 1, Böhlau, Vienna, 1994, S. 407-429.

[12] Nota de Germar Rudolf: Ahmed Rami, Vad är Israel?, Kultur Förlag, Stockholm, 1988; idemIsraels makt i Sverigeibid., 1989; idemEt live för frihetibid., 1989; idemJudisk häxprocess i Sverigeibid., 1990.

[13] Nota de Germar Rudolf: Al-Shaab, July 20 & 23, 1993; esta entrevista foi publicada em alemão.: Yassir Kamal (ed.), Das Remer-Interview mit Al-Shaab, Cromwell Press, London, 1993.

[14] Nota de Germar Rudolf: Al-Shaab, 31 de agosto de 1993.

[15] Nota de Germar Rudolf: O primeiro artigo de Ahmed Rami sobre revisionismo do Holocausto foi dedicado ao papel do Institute for Historical Review nos EUA e foi publicado no Al-Shaab em 24 de agosto de 1993.

11 Nota de Germar Rudolf: Azmi Bishara, “Die Araber und der Holocaust”, em Rolf Steininger (ed.), Der Umgang mit dem Holocaust, Vol. 1, Böhlau, Vienna, 1994, S. 407-429.

[16] Nota de Germar Rudolf: The Britisch Nationalist, junho de 1995, p. 3.

[17] Nota de Germar Rudolf: Jewish Chronicle (Londres), 18 de agosto de 1995.

17 Nota de Germar Rudolf: Jewish Chronicle (Londres), 18 de agosto de 1995.

[18] Nota de Germar Rudolf: Ver sobre isto: Germar Rudolf, “Wissenschaft und ethische Verantwortung”, em: Andreas Molau (ed.), Opposition für Deutschland, Druffel-Verlag, Berg am Starnberger See, 1995, pp. 260-288.

[19] Nota de Germar Rudolf: Veja a primeira seção da minha contribuição. “The Controversy about the Extermination of the Jews: An Introduction”, em: G. Rudolf (ed.), Dissecting the Holocaust: The Growing Critique of ‘Truth’ and ‘Memory’, 4ª ed., Armreg, London, 2024, pp. 15 e seguinte {há edições posteriores revistas e ampliadas}.

Fonte: Semitic Revisionism, por Germar Rudolf, 01 de novembro de 1995, CODOH.

https://codoh.com/library/document/semitic-revisionism/

Semitischer Revisionismus,” Staatsbriefe, Vol. 6, No. 11, 1995, pp. 25-27

https://web.archive.org/web/vho.org/D/Rudolf6_11.html

Sobre o autor: Germar Rudolf nasceu em 1964 em Limburg, Alemanha. Ele estudou química na Universidade de Bonn, onde ele graduou-se em 1989 com um diploma comparável ao grau de PhD no EUA. De 1990 – 1993 ele preparou uma tese de PhD (na graduação alemã) no Instituto Max Planck, paralelo a isso Rudolf preparou um relatório especial sobre as questões químicas e técnicas das alegadas câmaras de gás de Auschwitz, The Rudolf Report. Como a conclusão era de que as instalações de Auschwitz e Birkenau não eram para propósitos de extermínio em massa ele teve que enfrentar perseguições e encontrou exílio na Inglaterra onde fundou a editora Castle Hill. Por pressão do desgoverno alemão por extradição ele teve que fugir em 1999 para o EUA em busca de asilo político. No EUA casou e tornou-se cidadão americano em 2005, mas imediatamente a isso foi preso e subsequentemente deportado para Alemanha onde cumpriu 44 meses de prisão por seus escritos acadêmicos, muitos deles feitos no EUA onde não são ilegais. Atualmente ele reside no norte do estado de Nova York. Entre suas principais obras estão:

Dissecting the Holocaust, 1ª edição 2003 pela Theses & Dissertations Press, EUA. 3ª edição revisada, Castle Hill, Uckfield (East Sussex), 2019.

The Chemistry of Auschwitz: The Technology and Toxicology of Zyklon B and the Gas Chambers – A Crime-Scene Investigation, Castle Hill, Uckfield (East Sussex), 3ª edição revisada e expandida (março de 2017).

Lectures on Holocaust (1ª ed. 2005) 3ª edição revisada e expandida, Castle Hill, Bargoed, 2023.

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domingo, 21 de setembro de 2025

O mito Churchill sob fogo cerrado - entrevista com David Irving

 

 David Irving


[Em fevereiro de 1988, o jornal O Globo entrevistou o escritor britânico David Irving sobre seu novo livro A Guerra de Churchill {The Churchill’s War}. Baseado em ampla documentação pessoal do ex-primeiro-ministro, Irving acusa Churchill de ser o responsável direto pela transformação de um conflito regional entre Alemanha e Polônia, em um conflito de escala mundial, onde mais de 50 milhões de pessoas viriam a perder suas vidas.]

 

A entrevista

O Globo: O senhor diria que houve censura ao seu livro?

David Irving: Claro, não há diferença entre a censura a historiadores na Rússia ou aqui, apenas o método. Lá eles proíbem o livro, aqui os editores não publicam. Sempre tive problemas com os editores ingleses, mas meus livros sempre foram publicados. E todos foram comentados pela imprensa. Anualmente são publicados 40 mil livros na Inglaterra, mas apenas cem merecem críticas literárias. Os outros recebem completo silêncio. Mas, repito, todos os meus livros anteriores foram comentados pela imprensa, menos “Churchill’s War”. O editor literário do “Sunday Telegraph” me informou numa carta: “Tomamos em novembro a decisão de não comentar o seu livro”

O Globo: Mas a que o senhor atribui isso?

David Irving: No ano passado, surgiu um livro do Conde Nicholas Tolstoy, que agora é cidadão inglês, sobre as ligações de Harold MacMillan com crimes cometidos perto do fim da guerra. MacMillan foi Primeiro-Ministro deste país mas, na época, era um funcionário político britânico na Iugoslávia e na Áustria. E ordenou o retorno de 50 mil iugoslavos sabendo que eles corriam o risco de ser executados, como realmente o foram em sua maioria. Pois bem, o livro saiu, mas durante três meses os jornais o ignoraram. Ai aconteceram coisas estranhas. A Federação dos Estudantes conservadores publicou na primeira página de seu jornal um foto de MacMillan com o título “Este homem é um criminoso de guerra?”. O Partido Conservador foi à justiça para tentar impedir a distribuição do jornal. Os jornais tiveram de informar sobre isso e, depois de uma semana, saiu um artigo no “Times”, dizendo que devíamos estar todos envergonhados por fingir que o livro não existia. Com meu livro está acontecendo uma situação semelhante. Ele chegou aqui em novembro, mas só em janeiro os jornais admitiram sua existência.

O Globo: Isso nunca lhe acontecera antes?

David Irving: Tive um problema há 15 anos com o livro “A destruição do comboio PQ 17”. O comandante da escolta do comboio, Capitão Jack Broome, alegou que eu o culpava pelo desastre. Embora negássemos a acusação, eu e o editor perdemos na justiça por 4 a 3. Tive de pagar 50 mil libras e quase fiquei arruinado. Foi a única vez que enfrentei um processo em 25 anos de carreira. Meu livro “A guerra de Hitler” também teve problemas. Em todas as minhas pesquisas para esse livro nunca encontrei a menor prova de que Hitler tenha dado uma instrução pessoal para o extermínio dos judeus. E eu já ofereci um prêmio a quem apresentar qualquer documento sobre isso. Mas o meio acadêmico é dividido sobre a questão do holocausto. Foi obra de um louco ou foi um movimento histórico?

O Globo: Mas quais seriam as razões para o que acontece com “A guerra de Churchill”?

David Irving: Na Grã-Bretanha tivemos neste século apenas um herói, Winston Churchill. Em outros séculos tivemos muitos, mas neste só temos um. E estamos sentados num ninho de ilusões. Churchill começou as ilusões com seu discurso que dizia: “Lutaremos com eles nas praias”. Ainda podemos ouvir a voz dele, está nas nossas memórias e o pior é que a voz não é de Churchill, e sim de Norman Shelley, um ator que trabalhava num programa de rádio infantil. Shelley falou no lugar de Churchill, porque nosso líder estava totalmente embriagado. O próprio Shelley me contou e disse que ficou calado todos esses anos porque perderia os amigos se falasse a verdade. Meu livro sugere que a Grã-Bretanha tinha uma escolha – continuar a guerra ou aceitar a paz oferecida pela Alemanha, através de várias embaixadas, em maio e junho de 1940, logo após a queda da França e de Dunquerque. Os termos oferecidos eram generosos. Os alemães se propunham a sair da Polônia, da França e da Tchecoslováquia, retendo apenas os territórios que eles reivindicavam. Em troca a Alemanha se comprometia a atacar a Rússia e até chegaram a oferecer ajuda à Grã-Bretanha se ela fosse atacada por terceiros. Churchill chegou a dizer ao gabinete: “Acho que estaríamos errados, se não aceitássemos essa proposta”. Eu tenho o diário de Lorde Hallifax, o ministro do exterior, que confirma isso. Mas Churchill tomou o caminho oposto. Foi a guerra de Churchill em que perdemos o Império e o mundo perdeu mais de 20 milhões de vidas. Tenho também o diário de Sir John Martin, que foi o principal secretário particular de Churchill durante cinco anos. Ninguém sabia que Churchill estava lendo as mensagens alemãs decifradas que lhe eram entregues diretamente pelo MI-5 (a espionagem britânica). Churchill sabia quando Londres ia ser bombardeada e transmitia a imagem de ser corajoso. Mas na verdade a sua agenda me convenceu de que um dia, sabendo que Londres ia ser bombardeada, ele mandou desmarcar todos os compromissos e foi para o interior. No caminho, um mensageiro o alcançou com novas mensagens interceptadas em que ele soube que o bombardeio seria dirigido contra outras áreas e não Londres. Ele aí voltou e deixou que todos soubessem que ele ia ficar na capital.

O Globo: Mas como se explica que até hoje nenhum outro historiador tenha contado essa história?

David Irving: Os historiadores vivem atrás dos rabos uns dos outros e fazem citações entre si. Se você copia um livro, é plágio, mas se copia dois passa a ser pesquisa. Copiando quatro passa a ser uma ampla pesquisa. Eles não fazem pesquisa própria. Todos ficam famosos repetindo o que os outros escrevem. É um balão que vai crescendo e eu sou o alfinete que fura o balão.

O Globo: Mas Martin Gilbert, o biógrafo oficial de Churchill, é considerado um acadêmico sério…

David Irving: O professor Gilbert tem dois problemas. O primeiro é que sendo o biógrafo oficial ele tem de escrever dentro das normas que se espera de um biógrafo oficial. O segundo problema é que, sendo judeu, ele se sente incapaz de escrever com isenção sobre certos assuntos. Os judeus financiaram Churchill nos anos 30. Ele estava sem dinheiro e recebeu 50 mil libras. Até esse momento os assuntos favoritos dele eram a Índia, defesa e desarmamento. Daí em diante ele passou a ter a Alemanha como seu tema principal. Alguns editores me propuseram claramente tirar isso do livro. O professor Gilbert já deixou de comparecer a dois programas de televisão comigo, com desculpas muitos fracas. Eu quero muito debater com ele o meu livro e, também, é claro, o dele.

O Globo: E qual a razão de sua incompatibilidade com outros historiadores?

David Irving: Meus pais foram escritores, mas eu trabalhava numa siderúrgica quando alguém me contou que numa só noite de bombardeio aliado durante a Segunda Guerra, 100 mil civis haviam morrido em Dresden. Resolvi tornar-me historiador e escrever um livro sobre esse bombardeio. Eu não aprendi a mentir. Quando você entra numa universidade, recebe uma lista de livros para ler. É a história oficial. Eu não li nada. Viajo, visito os arquivos e vivo apenas dos meus livros, trabalhando sete dias por semana.

O Globo: E como se explica que a Oposição trabalhista não tenha se interessado pela censura de que o senhor se acha vítima?

David Irving: Sou um homem de direita e muita gente já me chamou de antissemita e fascista. Há sete ou oito anos a porta da frente da minha casa foi derrubada por um golpe de marreta. Uma gráfica que imprimia meus livros foi queimada. O Partido Trabalhista é grão a Winston Churchill porque em 1940 os trabalhistas estavam muito mal e Churchill os chamou para o Governo de coalizão.

O Globo: E a família de Churchill? O neto dele lhe mandou uma carta de protesto.

David Irving: E eu já respondi e mandei cópia da minha carta para todos os jornais. Eu lhe disse nessa resposta que ele, como todos os outros Churchill, é bêbado, mentiroso e adúltero.

Entrevista conduzida pelo correspondente Milton Coelho da Graça.

O Globo, 28/02/1988.

 

Fonte: O mito Churchill sob fogo cerrado, 19 de setembro de 2025, Inacreditável.

https://inacreditavel.com.br/wp/o-mito-churchill-sob-fogo-cerrado/

Sobre o autor: David Irving (1938 - ), nascido em Hutton (Inglaterra), filho de um comandante da Marinha Real Inglesa, cursou Física no Imperial College of Science & Technolgy e Economia na University College London, sem concluir ambos cursos por dificuldades financeiras. Ele subsequentemente ficou um ano na Alemanha trabalhando em uma fábrica de aço e aperfeiçoando sua fluência no idioma alemão. Embora sem formação acadêmica de historiador, tornou-se um pesquisador de assuntos referentes aos conflitos do século XX relacionados principalmente à Segunda Guerra Mundial e em biografias de personagens deste evento. Como característica principal de seu trabalho de pesquisa está o uso de documentos e fontes primárias referentes aos temas de que trata, o que o levou a deparar-se com inúmeras omissões e até falsificações que a falta de rigor ou de honestidade em que não poucos historiadores recaíram.

Pese a todas polêmicas que seu nome traz, todavia, Irving deu um novo impulso às pesquisas históricas sobre as referidas temáticas, que não poderiam mais se sustentar seriamente esquivando-se com a falta de rigor investigativo que haviam se habituado antes dos trabalhos de Irving.

Entre seus livros constam:

The Destruction of Dresden (1963), a qual foi traduzida ao português como A Destruição de Dresden - a Anatomia de uma Tragédia (1963, Editora Nova Fronteira), revisado em 2007 como Apocalypse 1945, The Destruction of Dresden;

Hitler's War and the War Path (2002);

Goebbels, Mastermind of Third Reich (1ª edição 1996 e 2ª edição 2014);

Göring: a Biography (1ª edição 1989 e 2ª edição 2010).

Disponíveis gratuitamente em www.fpp.co.uk/books

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sexta-feira, 8 de agosto de 2025

Nota sobre o Revisionismo de Ontem e de Hoje - por Harry Elmer Barnes

 

Harry Elmer Barnes


Um dos contrastes mais notáveis na atmosfera intelectual de hoje, quando comparada com a que se seguiu à Primeira Guerra Mundial, é a oposição muito maior à disseminação da verdade a respeito das causas da Segunda Guerra Mundial. Embora a mitologia da guerra tenha perdurado por anos após 1918, editores renomados logo passaram a ansiar por contribuições que apresentassem os fatos sobre a responsabilidade pela eclosão da guerra em 1914. O Professor Sidney B. Fay começou a publicar seus artigos revolucionários sobre as causas da Primeira Guerra Mundial na American Historical Review em julho de 1920. Hoje, é quase impossível conseguir que qualquer editora de renome ou qualquer jornal ou periódico sério publique algo que contrarie as ficções convencionais sobre a responsabilidade pela chegada da guerra em setembro de 1939 e por nossa entrada em dezembro de 1941.

Minhas duas breves contribuições ao Neorrevisionismo, oferecidas posteriormente, são sintomáticas da situação contrastante mencionada acima. Em 1924, os editores da New Republic e da The New York Times Current History Magazine me importunaram para escrever os artigos que lançaram o revisionismo em escala geral ou popular nos Estados Unidos. Em 1948, preparei a resenha de This Is Pearl, de Walter Millis, a pedido de uma de nossas principais revistas acadêmicas. Posteriormente, a submeti a um de nossos melhores periódicos liberais. Foi rejeitada por ambas, embora tivesse sido lida e altamente elogiada pela principal autoridade histórica americana em Pearl Harbor e seus antecedentes. Meu comentário sobre a renúncia de Lewis Mumford do Instituto Nacional de Artes e Letras foi submetido ao New York Herald-Tribune, ao New York Times e ao Chicago Tribune. O Herald-Tribune nem sequer acusou o recebimento. O Times se recusou a publicá-lo alegando falta de espaço. O Chicago Tribune o publicou quase sem alterações. Este último jornal é praticamente o único a abrir suas colunas para contribuições neorrevisionistas atualmente.

Mesmo neste momento, pode-se afirmar com segurança que a necessidade de pesquisar estudos revisionistas é esmagadoramente maior do que após 1918 e que os resultados, se tais estudos surgirem, serão muito mais chocantes para o público americano do que o material publicado na década de 1920. De fato, o pouco que já foi publicado sobre a Segunda Guerra Mundial é provavelmente mais desanimador do que a totalidade do revisionismo em relação a 1914 e 1917.

Mas as dificuldades em publicar qualquer verdade sobre a responsabilidade pela Segunda Guerra Mundial são praticamente insuperáveis. Embora uma importante editora nova-iorquina tenha publicado uma verdadeira biblioteca de livros revisionistas entre 1925 e 1930, praticamente nenhuma editora comercial de ponta se interessará por um livro hoje que prometa contar a verdade neste campo, não importa quão grande seja a perspectiva de vendas. Nenhuma das editoras comerciais anteriores do Dr. {Charles} Beard teria considerado seu livro sobre os antecedentes de Pearl Harbor, mas ele pôde recorrer ao corajoso e amigável chefe de uma editora universitária. O Sr. Morgenstern foi obrigado a publicar seu livro por meio de uma editora pequena e destemida. Nem todas as editoras se opõem pessoalmente ao propagar da luz, mas mesmo aquelas que são favoráveis ao Neorrevisionismo estão no mercado para lucrar. Poderosos grupos de pressão garantem que as editoras que desafiam a proibição de livros neorrevisionistas encontrem dificuldades para comercializar seus livros pelos meios de comunicação habituais. Os principais Clubes do Livro populares são controlados pelos mesmos grupos de pressão que operam o apagão e jamais considerariam, remotamente, distribuir ou recomendar um livro que se afastasse da tradição aceita sobre assuntos mundiais e responsabilidade na guerra.

Mesmo quando um livro como esse consegue escapar da proibição de publicação, os editores imediatamente colocam os críticos do Smearbund em ação para assassiná-lo. Além das resenhas de Edwin M. Borchard, Harry Paxton Howard e do Almirante H. E. Yarnell, o brilhante livro de Morgenstern não recebeu uma única resenha justa e honesta quando foi publicado, e o Professor George A. Lundberg achou impossível encontrar um editor que publicasse sua resenha até maio de 1948, adiando assim sua publicação para dezoito meses após a publicação do livro. Apesar de sua eminência na profissão histórica como decano dos historiadores americanos, o mesmo tratamento foi dispensado ao Dr. Beard pelos críticos do Smearbund. Mesmo homens que construíram sua reputação histórica, em parte, usando materiais históricos pessoais do Dr. Beard, não hesitaram em tentar difamar seu livro e sua reputação histórica.

De fato, os “meninos do apagão” não se contentaram em difamar aqueles que buscaram dizer a verdade sobre as causas da Segunda Guerra Mundial. Eles agora avançaram ao ponto de buscarem difamar aqueles que disseram a verdade sobre as causas da Primeira Guerra Mundial. Na reunião da Associação Histórica Americana em Boston, em dezembro de 1949, foram lidos dois artigos que buscavam minar os escritos revisionistas consagrados a respeito do prelúdio daquele conflito. Arthur M. Schlesinger Jr. chegou ao ponto de atacar aqueles que escreveram em tom revisionista sobre as causas da Guerra Civil. O próximo passo será atacar a revisão da opinião histórica em relação às causas da Revolução Americana e descobrir que, afinal, “Bog Bill” Thompson estava certo em suas opiniões sobre aquele conflito e em sua ameaça de jogar George V no Canal de Chicago. Em outras palavras, o revisionismo, que significa apenas harmonizar a história com os fatos, agora parece ser rejeitado pelos “blackout boys” como um pecado mortal contra Clio — a Musa de seu assunto.

A extensão da determinação em silenciar a verdade neste campo é revelada pelo Relatório Anual da Fundação Rockefeller de 1946 (p. 188), onde se afirma francamente que uma grande soma de dinheiro foi concedida para frustrar e conter a ascensão do revisionismo após a Segunda Guerra Mundial. Haverá uma história “oficial” ricamente subsidiada, dirigida por homens que desempenharam um papel importante na propaganda e no trabalho de inteligência dos governos britânico e americano durante a guerra. Isso é suposto estabelecer o assunto para todo tempo.

Tradução e palavras entre chaves por Mykel Alexander

 

Fonte: THE STRUGGLE AGAINST THE HISTORICAL BLACKOUT, por Harry Elmer Barnes, 5ª edição, revisada e ampliada. Autopublicado, por volta de meados de 1950 (1ª edição 1947), capítulo I, Note on Revisionism Then and Now.

Sobre o autor:  Harry Elmer Barnes (1889-1968) foi um dos estudiosos americanos mais influentes do século XX. Publicitário, historiador cultural e sociólogo, nasceu em Auburn, Nova York, em 1889. Ele recebeu seu Bacharel of Arts em 1913 e seu diploma de Master of Arts em 1914, ambos pela Syracuse University, e seu Ph.d. em 1918 de Columbia. No ano letivo de 1916/1917, ele estudou em Harvard com uma bolsa. Barnes tornou-se professor de história na Clark University antes de se mudar para o Smith College como professor de sociologia histórica em 1923. Em 1929 ele deixou o ensino para trabalhar como jornalista, escritor freelance e professor adjunto ocasional em escolas menores. A historiografia e os aspectos políticos, econômicos e culturais do pensamento e da civilização ocidentais são suas principais reivindicações de distinção. Chegou em sua carreira inclusive a se encontrar com ex-Imperador alemão Guilherme II.

O melhor volume sobre sua vida e obra é Harry Elmer Barnes: Learned Crusader (Ralph Myles, 1968). Barnes publicou mais de 30 livros, 100 ensaios e 600 artigos e resenhas de livros, muitos deles para a revista Foreign Affairs do Conselho de Relações Exteriores, onde atuou como Editor Bibliográfico. Entre seus livros constam:

The Social History of the Western World, an Outline Syllabus, New York: D. Appleton, 1921.

Sociology and Political Theory: A Consideration of the Sociological Basis of Politics, New York: A. A. Knopf, 1924.

The History and Prospects of the Social Sciences, New York: A. A. Knopf, 1925. Co-escrito com Karl Worth Bigelow e Jean Brunhes.

Psychology and History, The Century Company, 1925.

Living in the Twentieth Century: A Consideration of How We Go This Way, Indianapolis: Bobbs-Merrill, 1928

The Genesis of the World War: An Introduction to the Problem of War Guilt, New York: A. A. Knopf, 1926.

World Politics in Modern Civilization: The Contributions of Nationalism, Capitalism, Imperialism and Militarism to Human Culture and International Anarchy, New York: A. A. Knopf, 1930

The History of Western Civilization, New York: Harcourt, Brace and Company, 1935.

An Economic History of the Western World, New York: Harcourt Brace, 1937.

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As mentiras que formam nossa consciência e a falsa consciência histórica - por Paul Craig Roberts

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Hitler queria Guerra? - Por Patrick Joseph Buchanan

As origens da Segunda Guerra Mundial - Por Georg Franz-Willing

100 anos depois que os EUA se envolveram na Primeira Guerra Mundial. É hora de saber porque - Por Robert E. Hannigan

A Guerra de Hitler - por David Irving

Hitler por Winston Churchill