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sábado, 24 de outubro de 2026

Nuremberg, 16 de outubro de 1946: 80 anos de linchamento (in)justo pelos Aliados! - por Sascha A. Roßmüller

 

Sascha A. Roßmüller


Vae victis – Revanche, não justiça, foi o que determinou os julgamentos-espetáculo de Nuremberg!

A frequentemente citada arrogância do poder, a qual é caracterizada, entre outros aspectos, por um julgamento autossuficiente, feito a partir de um ponto levantado de uma presumida alta moralidade, sem a adesão de padrões de princípios legais geralmente reconhecidos ou aplicando a mesma máxima que são supostas para aplicar aos outros em si mesmo, raramente, se é que alguma vez, manifestou-se de forma tão perversa como há 80 anos atrás no Tribunal Militar Internacional de Nuremberg. O tribunal dos vencedores, o qual simultaneamente serviu como acusador e juiz, não estava preocupado com o direito internacional ou com a paz, mas, unicamente, com a destruição das instituições e das elites necessárias à existência de um Estado.

Abordemos o julgamento-espetáculo de Nuremberg relembrando, primeiramente, as palavras de Bismarck, as quais ele dirigiu aos meios de comunicação que, apresentando-se como a “opinião pública,” exigiam a punição do imperador francês Napoleão III após a Guerra Franco-Prussiana de 1870-1871 (na qual a França declarou guerra à Prússia). “Os conceitos de punição, recompensa e vingança não têm lugar na política. A política não deve imiscuir-se nas questões de Nêmesis, nem pretender atuar como juiz. Isso é o negócio da providência divina. A finalidade da política não é vingar o que aconteceu, mas garantir que tal coisa não volte a acontecer”, afirmou o chanceler da Alemanha vitoriosa. Contudo, os Julgamentos de Nuremberg não se tornaram a fundação de uma ordem legal internacional exemplar para a paz; ao contrário, o mundo sofre de uma “desordem” crônica das Nações Unidas após este “super-Versalhes’.

 


Acusador e Juiz

Os Julgamentos de Nuremberg careciam dos princípios aplicados à jurisprudência moderna. Os juízes não eram imparciais: não havia magistrados de Estados neutros, tais como a Suíça ou a Suécia, compondo o tribunal; em vez disso, o corpo de julgadores era formado exclusivamente por representantes das nações vitoriosas, as partes beligerantes. Esse grupo atuou simultaneamente como acusador e juiz, redigiu a constituição do tribunal e estabeleceu as normas de lei criminal. Em 8 de agosto de 1945, os EUA, a Rússia, a Inglaterra e a França assinaram o Acordo de Londres, que instituiu o tribunal; em Londres, eles também desenvolveram a estrutura pseudo-jurídica, o chamado Estatuto de Londres. O professor Traimin, advogado criminalista de Moscou, realizou grande parte do trabalho preliminar e é a ele atribuída a chamada “teoria da cumplicidade,” segundo a qual líderes industriais, acadêmicos, engenheiros, funcionários públicos e militares deveriam ser punidos coletivamente. Em decorrência da Lei nº 10 do Conselho de Controle Aliado, de 20 de dezembro de 1945, outros doze julgamentos contra industriais, médicos e advogados ocorreram na Alemanha. Como resultado, o golpe recaiu sobre a inteira elite alemã.

 

“Nulla poena sine lege”

O princípio jurídico “Nulla poena sine lege” foi completamente descartado por meio de uma aplicação retroativa e ilegal da lei criminal. As sentenças de aniquilação, típicas de uma justiça movida por revanche, basearam-se em leis ex post facto {com efeito retroativo}. Para punir certos crimes, como o homicídio, a legislação vigente teria sido suficiente; CONTUDO, para difamar a Alemanha, foram criados novos conceitos, utilizados como armas discursivas. Esse foi o propósito daquele tribunal, que processou condutas que não tinham sido ainda reconhecidas como atos puníveis — nem pelo direito nacional, nem pelo direito internacional, e que só foram declaradas passíveis de punição após elas terem sido cometidas. As normas processuais foram concebidas com um objetivo específico: garantir a condenação dos réus. É revelador que o Chicago Tribune, em 10 de junho de 1946, tenha noticiado que o estatuto sob o qual os réus estavam sendo julgados era uma invenção pessoal de Jackson, contrária ao direito internacional, tal como definido na Segunda Convenção de Haia. Ao inventar tal estatuto, Jackson conferiu uma aparência de legalidade a uma justiça de linchamento.

 

Tribunal militar: uma continuação dos esforços de guerra

Como um cancelamento das prévias e reconhecidas internacionalmente opiniões legais, a abolição do direito de apelo ordenado pelos Aliados deve ser também considerado. Similarmente, nenhuma revisão do julgamento jamais ocorreu, nem poderia, conforme o Estatuto de Londres a proibia preemptivamente. O rito processual seguiu, quase exclusivamente como direito processual anglo-americano, o qual qua natura {por sua própria natureza} era relativamente estranho aos advogados de defesa alemães. Além disso, os Aliados detinham o controle da vasta maioria dos documentos; a defesa usualmente costumava ter acesso a provas que poderiam exculpar os réus apenas muito tardiamente e, frequentemente somente parcialmente. Os interrogatórios das testemunhas eram conduzidos, muitas vezes, de maneiras que dificilmente se pode aceitar sem sentir profundo ultraje. Quando o Dr. Otto Stahmer, principal advogado de defesa de Hermann Göring, solicitou que especialistas em direito internacional, reconhecidos internacionalmente, revissem os fundamentos jurídicos do Estatuto, ele quase colocou o tribunal em uma situação embaraçosa; mas a corte simplesmente vetou o pedido. Em 26 de julho de 1946, o promotor-chefe norte-americano, Robert Jackson, chegou a admitir que o Tribunal de Nuremberg, enquanto tribunal militar, representava uma continuação dos esforços de guerra das nações aliadas.

 

Ausência de igualdade perante a lei

Consequentemente, crimes de guerra cometidos pelos Aliados, tais como o massacre soviético em Katyn, falsamente atribuído à Wehrmacht; a ocupação soviética do leste da Polônia; a guerra aérea irrestrita contra uma população civil indefesa, ordenada por Winston Churchill; a expulsão em massa de alemães dos territórios orientais; ou os dois bombardeios atômicos americanos, não foram objeto de processo, e à defesa sequer foi permitido apresentá-los. O artigo 8º do estatuto do tribunal estabelecia, ainda, que a alegação de cumprimento de ordens superiores não justificava a isenção de punição; pouco importava que, em contrapartida, os regulamentos militares dos EUA de 1940 e o manual britânico de 1936 determinassem o oposto. Eis, portanto, a tal igualdade perante a lei. As acusações de “conspiração contra a paz” e “preparação para uma guerra de agressão” revelaram-se construções extremamente artificiais. O princípio da compensação coletiva também era, até então, desconhecido no direito internacional. É claro que não existia, antes ou durante o julgamento, uma definição legalmente aplicável de “guerra de agressão”. Basta pensar na guerra de agressão soviética contra o leste da Polônia ou contra os Estados Bálticos. Ademais, o que na época foi enquadrado sob essa acusação passou a ser considerado, posteriormente, o mais elevado cumprimento do dever, com Israel um exemplo, elogiado por sua preparação minuciosa para a Guerra dos Seis Dias. Aqui, chegaram a ser formuladas acusações contra generais por causa de eles terem se oposto (!) a tal preparação.

 

O judeu Lherman, codinome Gaston Oulman

O tribunal nem mesmo conduziu a habitual investigação judicial sobre as motivações para um veredito, somente para evitar lidar com a questão da culpa de guerra. Em vez disso, o juiz Jackson alertou ao presidente dos EUA, Truman, em uma carta datada de 19 de julho de 1945, de que o julgamento causaria danos significativos caso examinasse as causas políticas da guerra. Em 8 de agosto de 1945, Jackson reiterou ao presidente Truman que não se deveria permitir que o processo resvalasse para uma discussão sobre as causas da guerra. Nessas condições, não é de surpreender que a rendição, de caráter puramente militar, tenha sido interpretada erroneamente como uma capitulação do Estado perante o direito internacional. Isso contribuiu para a instrumentalização dos vereditos de Nuremberg como justificativa para a expulsão e o assassinato de alemães oriundos dos territórios orientais. Naquela época, NÃO existia cobertura midiática alemã independente. O reportar focava exclusivamente nas teses da acusação. O oficial de propaganda dos Aliados responsável junto ao Tribunal Militar Internacional (TMI) era o vigarista Gaston Oulman, cujo nome verdadeiro era Jo Lherman, e que tinha registros criminais por diversos delitos contra o patrimônio, crimes financeiros e pela falsificação de sua tese de doutorado. Esse judeu tornou-se a principal fonte de informação para o povo alemão.

 

{O oficial de propaganda dos Aliados responsável junto ao Tribunal Militar Internacional (TMI) era o vigarista Gaston Oulman, o qual também se apresentava com o nome de Jo Lherman embora nascido como Walter Ullmann (1898–1949), “e que tinha registros criminais por diversos delitos contra o patrimônio, crimes financeiros e pela falsificação de sua tese de doutorado. Esse judeu tornou-se a principal fonte de informação para o povo alemão”, comenta Sascha A. Roßmüller. Informações sobre Gaston Oulman/ Jo Lherman/ Walter Ullmann em: https://gedenkbuch.saarbruecken.de/en/memorial_book/person_details/person-36139 e também em: https://intotheclarities.com/2017/01/18/a-preface-to-walter-ullmann-part-1-of-2/}

Plano Morgenthau e Plano Hooton

O tribunal dos vencedores, presumindo um julgamento que, sob a pretensão de uma moralidade superior, carecia de ética, foi caracterizado por uma parcialidade cínica, orientada por objetivos específicos, e por uma arrogante autossuficiência de estar certo. Apenas o juiz americano Charles F. Wennerström teve a coragem de criticar os métodos processuais da acusação, ao menos em retrospecto. Em 16 de outubro de 1946, dez das sentenças de morte impostas nos chamados Julgamentos de Nuremberg contra altos dirigentes do Reich Alemão foram executadas por enforcamento no Palácio da Justiça de Nuremberg. Várias execuções não foram imediatamente fatais, devido a uma altura de queda insuficiente, o que fez com que os condenados agonizassem por até 15 minutos. O senador Robert A. Taft, de Ohio, declarou em um discurso em outubro de 1946, entre outras coisas: “A morte dos onze condenados na forca é uma mancha na América que pesará sobre nós por muito tempo”. Cegos pelo ódio, os executores do Plano Morgenthau deram vazão à sua sede de revange, típica do Antigo Testamento. Em tempo, o promotor-chefe americano, Robert Jackson, fora anteriormente conselheiro do já mencionado Morgenthau, de quem se originou o notório Plano Morgenthau. A desindustrialização da Alemanha e a migração de substituição, observadas nos dias atuais, parecem ser uma implementação tardia dos Planos Morgenthau e Hooton.

Tradução e palavras entre chaves por Mykel Alexander

 

Fonte: Nuremburg, October 16, 1946: 80 Years of Allied Lynch (In)justice!, por Sascha Roßmüller, 17 de outubro de 2026, The Occidental Observer

https://www.theoccidentalobserver.net/2026/10/17/nuremberg-october-16-1946-80-years-of-allied-lynch-injustice/

Sobre o autor: Sascha A. Roßmüller (1972-) é um político e comentarista político alemão, com conclusão de ensino secundário na prova do ensino alemão básico de abitur, para ciências econômicas do Anton-Bruckner-Gymnasium em Straubing. Possui formação profissionalizante (técnico) como jardineiro de paisagismo (Landschaftsgärtner). É autor de Europe contra EU: Let´s Break Away from Brussels, 2018; Geopolitische Zeitenwende: Multipolarität statt Imperialismus, 2019; Kultur - Asthetik - Identittät - Blütenlese des Abendlandes, 2025. 

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sábado, 30 de dezembro de 2023

Israel como Um Homem: Uma Teoria do Poder Judaico - parte 3 - por Laurent Guyénot

 Continuação de Israel como Um Homem: Uma Teoria do Poder Judaico - parte 2 - por Laurent Guyénot

Laurent Guyénot

 

O problema do individualismo cristão

A mensagem do Evangelho é a antítese do materialismo judaico. O ensinamento de Jesus de “ajuntai para vós tesouros no céu” (Mateus 6:20–21) contrasta com a ganância de Jeová pelas “riquezas de todas as nações” (Ageu 2:7–8). A ênfase de Jesus na salvação pessoal também vem acompanhada de uma forte hostilidade aos laços de sangue,[30] e Paulo ensina que renascer através de Cristo cancela solidariedades étnicas, hierarquias sociais e até mesmo identidades de género:

“Não há judeu nem grego, não há escravo nem livre, não há homem nem mulher; pois todos vós sois um só em Cristo Jesus. E se vós sois de Cristo, então sois descendência de Abraão, herdeiros segundo a promessa.”  (Gálatas 3:28-29).

A religião de Israel é indistinguível de um forte sentido de unidade racial. Em contraste, o Cristianismo é hostil, para dizer o mínimo, ao conceito de raça. A doutrina católica, em particular, desenvolveu uma concepção atomística, não genética e igualitária da alma humana que não pode dar conta da complexidade múltiplas camadas da psique humana, ou das “lealdades invisíveis” que ligam cada um aos seus antepassados, para usar um termo de Ivan Boszormenyi-Nagy.[1] Agostinho, a maior referência do catolicismo medieval, construiu um muro entre os vivos e os mortos, denunciando qualquer troca de ideias entre os dois mundos como obra do diabo. E assim, ao corroer os laços de solidariedade entre os mortos e os vivos, a qual constitui uma parte importante dos cultos públicos e privados nas sociedades tradicionais, o catolicismo transformou gradualmente a “morte solidária” em “morte solitária”, nas palavras de Philippe Ariès.[2]

Por estas razões, tem sido contestado que o Cristianismo lançou as bases para o individualismo ocidental moderno –uma base de fundo de mente coletiva, ironicamente. O antropólogo Louis Dumont explica em seu O Individualismo: uma Perspectiva Antropológica da Ideologia Moderna que as sociedades tradicionais são holísticas e hierárquicas: subordinam o indivíduo à comunidade e atribuem ao indivíduo um valor que depende do seu papel social. Tais sociedades admitem que alguns indivíduos abandonam a sua existência social em busca da iluminação individual, desde que esses indivíduos não desafiem a ordem social e a sua dinâmica holística, permanecendo como exceções que confirmam a regra. O Cristianismo, de acordo com Dumont, perturbou esse equilíbrio civilizacional ao enfatizar que a salvação deste mundo é assunto de todos. Todo cristão é definido como um “eu-em-relação-com-Deus”, mesmo que não renuncie ao mundo como um eremita ou um monge, e assim ele se torna um “indivíduo-no-mundo”. Por estágios, “o holismo terá desaparecido completamente da ideologia” e “o indivíduo do mundo exterior terá se tornado o indivíduo moderno, do mundo interior”.[33]

A Igreja forneceu um novo quadro holístico para substituir os antigos, enfatizando que a comunidade de cristãos forma o “corpo de Cristo”. Mas quando este corpo orgânico começou a desintegrar-se, tudo o que restou foi o individualismo e o igualitarismo. Foi então que surgiram estranhas teorias políticas, sustentando que o homem não é um animal social por natureza, mas um indivíduo egoísta que se envolve em contratos sociais apenas por interesse próprio.[34] Thomas Hobbes (1588-1679), o primeiro teórico do “contrato social”, ensinou que, no estado de natureza, “o homem é um lobo para o homem” e só concorda em abrir mão de parte da sua liberdade individual por medo de uma morte violenta. Depois de Hobbes veio Adam Smith (1723-1790), que também postulou que cada ser humano é motivado exclusivamente pelo seu próprio lucro, mas apostou que numa sociedade de livre concorrência, a soma dos egoísmos individuais criará uma sociedade justa. Nós conhecemos o resultado: o domínio do dinheiro dessocializou completamente o homem ocidental, com a mais pequena unidade orgânica, a família nuclear, a sobreviver despojada de quase tudo.

​            Há certamente alguma verdade na relação de causa e efeito entre o cristianismo e o individualismo moderno. Mas as evidências devem ser cuidadosamente pesadas. Nós devemos ter em conta o fato de que a sociedade medieval ocidental, embora cristã, era fortemente orgânica e holística. O individualismo é um fenômeno moderno. A questão pode ser colocada desta forma: a civilização europeia foi holística graças ao cristianismo, ou a despeito do cristianismo? A segunda parece ser o caso: o feudalismo, com o seu complexo tecido social, baseava-se num antigo ethos indo-europeu que era fortemente desaprovado pela Igreja. Enfatizou a solidariedade étnica, reconheceu que o espírito não é independente do sangue e considerou a vingança dos parentes um dever sagrado. Os seus valores no cerne eram heroicos, representando um delicado equilíbrio entre holismo e individualismo. Desde os tempos antigos, um herói é um indivíduo excepcional que, tendo incorporado o ideal mais elevado da sua comunidade e/ou sacrificado a sua vida por isso, continua a empoderar a sua comunidade após a morte.[35] Embora o Cristianismo tenha incorporado parcialmente cultos heroicos com os santos e suas relíquias, estreitou consideravelmente o conceito: o martírio é o único caminho heroico dentro do cristianismo.

​            Ainda assim, pode ser um exagero atribuir inteiramente a culpa do individualismo ocidental ao cristianismo, conforme faz Dumont. É até duvidoso que as teorias do “contrato social” sejam de inspiração cristã. Eles surgiram na Inglaterra profundamente judaizada de Oliver Cromwell e podem ser vistos como ataques judaicos à substância orgânica das nações cristãs. Hobbes era um puritano, mas as suas ideias religiosas são tão tipicamente judaicas (“o Reino de Deus foi instituído pela primeira vez pelo ministério de Moisés sobre os judeus”, afirma ele) que alguns especularam sobre a sua possível origem marrana.[36]

É impossível, penso eu, chegar a qualquer conclusão simples sobre os méritos e fracassos do cristianismo, porque não podemos distinguir objetivamente o que pertence ao cristianismo e o que não pertence em nenhuma das realizações da cristandade.[37] Nenhuma civilização pode prosperar sem uma religião pública. Se outra religião poderia ter feito melhor para a cristandade do que o cristianismo é uma questão fútil. O papel que o cristianismo desempenhou no declínio e na queda da cristandade é igualmente sem sentido. No entanto, os desafios enfrentados pela nossa civilização hoje exigem sérias investigações antropológicas sobre o legado e as deficiências do cristianismo, e uma busca de soluções.#10

 

Reação holística alemã

Deveríamos pelo menos aprender com a história recente. Um exemplo disso é a forma como a cultura alemã tentou resistir ao poder dissolvente do mercantilismo inglês e do Iluminismo francês. A reação alemã está ligada ao nome de Johann Gottfried von Herder (1744-1803), discípulo de Kant e mentor de Hegel, Nietzsche, Goethe e muitos outros. No seu ensaio Também uma filosofia da história para a formação da humanidade (1784-91), Herder critica as teorias políticas contratualistas e substitui a antropologia individualista do Iluminismo, que postula uma natureza humana invariável, por uma tipologia de nações.  As nações são vistas como seres coletivos, cada uma com um “gênio” particular forjado pela raça, pela geografia e pela história. Contra a escola francesa, que sustentava que a nacionalidade de uma pessoa é acidental, Herder insistiu que as qualidades essenciais de um indivíduo são determinadas pela sua nacionalidade. Ele é o iniciador do que é chamado de teoria étnica das nacionalidades. Sua noção de Volk está na origem de uma importante corrente do Romantismo e também influenciou o Idealismo de Shelling. Herder também influenciou profundamente Hegel (1770-1831), cuja filosofia da história representa o ápice do nacionalismo alemão, com seu conceito de Estado como “a marcha de Deus na terra”, e seu conceito de “homem histórico mundial” se desdobrando na história.

O nacionalismo alemão floresceu sem necessidade de rejeitar o cristianismo. Talvez seja porque o luteranismo alemão tinha um forte sabor nacional, tal como o cristianismo ortodoxo russo hoje, mas não como o do catolicismo francês, o qual sempre exigiu lealdade a um poder estrangeiro e transnacional com sede no Vaticano. Por outro lado, seria difícil afirmar que o cristianismo desempenhou qualquer papel significativo no germanismo do século XVIII.

Hitler foi um produto desse movimento. “Ein Reich, ein Volk, ein Führer” é uma expressão de uma doutrina orgânica completa, assim como o slogan nazista Volksgemeinschaft (“comunidade do povo”). Em Mein Kampf, Hitler elogia a disposição do ariano em “colocar todas as suas habilidades a serviço da comunidade”.[38] Curiosamente, em 1939, o Rabino Harry Waton escreveu o seguinte sobre Hitler e o nazismo:

“O nazismo é uma imitação do judaísmo; O nazismo adotou os princípios e ideias do judaísmo para destruir o judaísmo e os judeus.”

“A filosofia nazista começa com o postulado: o sangue de uma raça determina a natureza, o curso da evolução e o destino dessa raça. […] conscientemente ou não, os nazistas tiraram essa teoria da própria Bíblia.”

Waton adiciona ainda:

“A declaração de Hitler de que a consciência judaica é um veneno para as raças arianas é a visão mais profunda que o mundo ocidental já alcançou na sua própria natureza; e a sua capacidade de perceber isso é a prova do seu génio, bem como o segredo do seu poder e do curioso fascínio que a sua personalidade exerce. […] não é o poder prático ou a riqueza dos judeus que ele teme, mas o caráter da mente judaica. […] É a penetração oculta do espírito judaico na mente gentia que é o perigo; e é um perigo porque a mente ‘ariana’ não consegue resistir, mas deve sucumbir.”[39]

Waton estava errado sobre a fonte dos pontos de vista de Hitler: eles não se originavam na Bíblia Hebraica.[40] Nem deviam nada ao Evangelho. Eles se inspiraram na mesma corrente cultural de Herder, que tinha como fonte principal uma mentalidade heroica pré-cristã. Além disso, as noções antropológicas de Hitler baseavam-se em princípios universais que a maioria dos intelectuais judeus do mesmo período conheciam muito bem, mas preferiam que os gentios não conhecessem.

{O judeu e rabino Harry Waton (1871-1959) observou “{...} É a penetração oculta do espírito judaico na mente gentia que é o perigo; e é um perigo porque a mente ‘ariana’ não consegue resistir, mas deve sucumbir.” Ver nota 39.}


Interessantemente, dois dos mais importantes fundadores da sociologia e antropologia modernas – o estudo científico das sociedades como sistemas holísticos que determinam os comportamentos e padrões de pensamento dos indivíduos – são judeus alemães (embora nenhum deles expressasse simpatia pelos judeus): Emile Durkheim (1858-1917) e Ludwig Gumplowicz (1838-1909). Aqui está uma citação representativa de Gumplowicz:

“O grande erro da psicologia individualista é a suposição de que o homem pensa. […]. pois não é o próprio homem que pensa, mas a sua comunidade social. A fonte de seus pensamentos está no meio social em que ele vive, na atmosfera social a qual ele respira, e ele não pode pensar em nada além do que as influências de seu ambiente social, concentradas nas necessidades de seu cérebro. […]. O indivíduo simplesmente desempenha o papel do prisma que recebe os raios, os dissolve de acordo com leis fixas e os deixa sair novamente em uma direção predeterminada e com uma cor predeterminada.”[41]

Gumplowicz, professor de ciência política em Graz, caiu agora em descrédito porque as suas teorias mostram demasiada proximidade com as de Hitler. No seu livro principal, The Struggle of Races (1883), Gumplowicz formula a lei natural do “singenismo” (do grego syngenea, que significa parentesco). Singenismo refere-se a um conjunto de fatores que unem membros de uma mesma raça (“raça” tendo então um significado um tanto perdido, não muito diferente de “povo” ou “nação”). Na origem da formação do sentimento singênico está sobretudo a consanguinidade, mas também a educação, a língua, a religião, os costumes, a lei e o modo de vida (até os hábitos culinários). Em outras palavras, os sentimentos singênicos baseiam-se tanto na semelhança física quanto na semelhança intelectual.

As nações ocidentais sofrem atualmente de um enfraquecimento patológico da coesão singênica, resultante principalmente – mas não exclusivamente – da imigração em massa. Kevin MacDonald refere-se a vários estudos independentes que mostram que a heterogeneidade racial enfraquece o tecido social e reforça o individualismo. O sociólogo Robert Putnam, por exemplo, mostra que:

“A imigração e a diversidade étnica tendem a reduzir a solidariedade social e o capital social. Novas evidências provenientes dos EUA sugerem que em bairros com diversidade étnica, os residentes de todas as raças tendem a ‘agachar-se’. A confiança (até mesmo da própria raça) é menor, o altruísmo e a cooperação comunitária são mais raros e os amigos são mais e mais poucos.”[42]

A vontade dos europeus de acolher os migrantes do Terceiro Mundo aos milhões, em nome de princípios morais universalistas herdados do cristianismo, juntamente com a criminalização de qualquer expressão de orgulho branco, é, portanto, uma forma de “altruísmo patológico”.[43]

O cristianismo não é o único responsável por este estado de coisas. De fato, corroeu o singenismo étnico tradicional e, a longo prazo, enfraqueceu o nosso sistema imunitário coletivo através do seu cocktail de individualismo e universalismo. Mas o agente patológico em si não é endógeno ao cristianismo: como MacDonald também documentou, as elites judaicas têm sido as principais promotoras da imigração em massa e as fabricantes do consentimento público para estas políticas (ver “The Tactics of Immigration”).[44] Ao fazê-lo, eles debilitaram os organismos nacionais que procuram vampirizar, ao mesmo tempo que reforçaram a vitalidade singênica do seu próprio organismo parasita nacional.

Tradução e palavras entre chaves por Mykel Alexander

Notas

[30] Nota de Laurent Guyénot: Mateus 19:10-12, Mateus 19:29, Mateus 22:30, Mateus 24:19, Marcos 13:17, Lucas 14:26, Lucas 21:23, Lucas 23:29, 1 Coríntios 7:1-8. 

[31] Nota de Laurent Guyénot: Ivan Boszormenyi-Nagy, Invisible Loyalties: Reciprocity in Intergenerational Family Therapy, Harper & Row, 1973, página 56. 

[32] Nota de Laurent Guyénot: Philippe Ariès, L’Homme devant la mort, tome 1: Le Temps des gisants, Seuil, 1977. 

[33] Nota de Laurent Guyénot: Louis Dumont, “The Christian Beginnings: From the Outworldly Individual to the Individual-in-the-world,” in Essays on Individualism: Modern Ideology in Anthropological Perspective, University of Chicago Press, 1992, páginas 23-59. 

[34] Nota de Laurent Guyénot: T. D. Weldon conceituou de forma útil a oposição entre teorias políticas “orgânicas” e “mecânicas”, em States and Morals: A Study in Political Conflicts, McGraw-Hill Book Company, 1947 (on archive.org). 

[35] Nota de Laurent Guyénot: Lewis Richard Farnell, Greek Hero Cults and Ideas of Immortality (1921) Adamant Media Co., 2005. 

[36] Nota de Laurent Guyénot: Robert Kraynak, “The Idea of the Messiah in the Theology of Thomas Hobbes,” Jewish Political Studies Review, Fall 1992, em jcpa.org. 

[37] Nota de Laurent Guyénot: Karl Marx, On the Jewish Question, 1843, em www.marxists.org/archive .

{Esta nota consta nas notas do texto de Laurent Guyénot, porém não está marcada no texto do artigo, portanto foi alocada por critério do tradutor ao identificar a passagem com a colocação de Karl Marx: “O assim chamado Estado cristão constitui, na verdade, a negação cristã do Estado, mas jamais a realização estatal do cristianismo.” Karl Marx, Sobre a Questão Judaica, Boitempo Editorial, 2010 (Tradução de Nélio Schneider), São Paulo, página 43}. 

#10 Nota de Mykel Alexander: As investigações sobre o legado e deficiências do cristianismo foram consideradas posteriormente, ao menos em parte, pelo próprio Laurent Guyénot:

- Sionismo, Cripto-Judaísmo e a farsa bíblica - parte 1, por Laurent Guyénot, 26 de março de 2023, World Traditional Front. (Demais partes na sequência do próprio artigo).

https://worldtraditionalfront.blogspot.com/2023/03/sionismo-cripto-judaismo-e-farsa.html

- O truque do diabo: desmascarando o Deus de Israel - parte 1, por Laurent Guyénot, 09 de abril de 2023, World Traditional Front. (Demais partes na sequência do próprio artigo).

https://worldtraditionalfront.blogspot.com/2023/04/o-truque-do-diabo-desmascarando-o-deus.html

- O Gancho Sagrado - O Cavalo de Tróia de Jeová na Cidade dos Gentios {os não-judeus} – parte 1, por Laurent Guyénot, 22 de abril de 2023, World Traditional Front. (Demais partes na sequência do próprio artigo).

https://worldtraditionalfront.blogspot.com/2023/04/o-santo-gancho-o-cavalo-de-troia-de.html

- Como Jeová Conquistou Roma - Cristianismo e a Grande Mentira - parte 1 - Jeová como uma mentira, por Laurent Guyénot, 06 de maio de 2023, World Traditional Front. (Demais partes na sequência do próprio artigo).

https://worldtraditionalfront.blogspot.com/2023/05/como-jeova-conquistou-roma-cristianismo.html

- Uma visão bizantina da Rússia e da Europa, por Laurent Guyénot, 17 de junho de 2023, World Traditional Front. (Demais partes na sequência do próprio artigo).

https://worldtraditionalfront.blogspot.com/2023/06/uma-visao-bizantina-da-russia-e-da.html

- O Berço Árabe de Sião - Moisés, Maomé e Wahabi-Sionismo - parte 1, por Laurent Guyénot, 11 de julho de 2023, World Traditional Front. (Demais partes na sequência do próprio artigo).

https://worldtraditionalfront.blogspot.com/2023/07/o-berco-arabe-de-siao-moises-maome-e.html

- O Império Falido - A origem medieval da desunião europeia - parte 1, por Laurent Guyénot, 23 de julho de 2023, World Traditional Front. (Demais partes na sequência do próprio artigo).

https://worldtraditionalfront.blogspot.com/2023/07/o-imperio-falido-origem-medieval-da.html

- Sangue diluído {pelo cristianismo em geral, e pelo papado medieval em especial}, por Laurent Guyénot, 06 de agosto de 2023, World Traditional Front. (Demais partes na sequência do próprio artigo).

https://worldtraditionalfront.blogspot.com/2023/08/sangue-diluido-pelo-cristianismo-em.html

- Neo-Bizantinismo da Rússia {tradicionalismo russo contra decadência global}, por Laurent Guyénot, 16 de agosto de 2023, World Traditional Front.

https://worldtraditionalfront.blogspot.com/2023/08/neo-bizantinismo-da-russia-por-laurent.html  

[38] Nota de Laurent Guyénot: Hitler, Mein Kampf, Complete and Unabridged, Raynal & Hitchcock, 1941 (archive.org), páginas 408-409.  

[39] Nota de Laurent Guyénot: Harry Waton, A Program for the Jews and an Answer to All Anti-Semites, 1939 (archive.org), páginas 54, 64–67, 200.  

[40] Nota de Laurent Guyénot: Carta a Martin Bormann datada de 3 de fevereiro de 1945, citada em Gunnar Heinsohn, “What makes the Holocaust a uniquely unique genocide?,” Journal of Genocide Research, novembro de 2000, página 411–413, on migs.concordia.ca.

{Esta nota consta nas notas do texto de Laurent Guyénot, porém não está marcada no texto do artigo, portanto foi alocada por critério do tradutor ao identificar a passagem com o contexto}.  

[41] Nota de Laurent Guyénot: Ludwig Gumplowicz, Outlines of Sociology (1899), Transaction Books, 1980 (on books.google.com), páginas 240, 760.  

[42] Nota de Laurent Guyénot: Robert D. Putnam, “E Pluribus Unum: Diversity and Community in the Twenty‐first Century,” 15 de junho de 2007, em https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1111/j.1467-9477.2007.00176.x  

[43] Nota de Laurent Guyénot: O trabalho padrão sobre altruísmo patológico é: Barbara Oakley, Ariel Knafo, Guruprasad Madhavan e David Sloan Wilson (Eds.), Pathological Altruism, Oxford University Press, 2012.  

[44] Nota de Laurent Guyénot: Kevin MacDonald, The Culture of Critique: Toward an Evolutionary Theory of Jewish Involvement in Twentieth-Century Intellectual and Political Movements, Praeger, 1998, kindle 2013, capítulo 7, “Jewish Involvement in Shaping U.S. Immigration Policy.”  

Fonte: Israel as One Man: A Theory of Jewish Power, por Laurent Guyénot, 10 de junho de 2019,  The Unz Review – An Alternative Media Selection.

https://www.unz.com/article/israel-as-one-man/

Sobre o autor: Laurent Guyénot (1960-) possuí mestrado em Estudos Bíblicos e trabalho em antropologia e história das religiões, tendo ainda o título de medievalista (PhD em Estudos Medievais em Paris IV-Sorbonne, 2009) e de engenheiro (Escola Nacional de Tecnologia Avançada, 1982).

Entre seus livros estão:

LE ROI SANS PROPHETE. L'enquête historique sur la relation entre Jésus et Jean-Baptiste, Exergue, 1996.

Jésus et Jean Baptiste: Enquête historique sur une rencontre légendaire, Imago Exergue, 1998.

Le livre noir de l'industrie rose – de la pornographie à la criminalité sexuelle, IMAGO, 2000.

Les avatars de la réincarnation: une histoire de la transmigration, des croyances primitives au paradigme moderne, Exergue, 2000.

Lumieres nouvelles sur la reincarnation, Exergue, 2003.

La Lance qui saigne: Métatextes et hypertextes du Conte du Graal de Chrétien de Troyes, Honoré Champion, 2010.

La mort féerique: Anthropologie du merveilleux (XIIᵉ-XVᵉ siècle), Gallimard, 2011.

JFK 11 Septembre: 50 ans de manipulations, Blanche, 2014.

Du Yahvisme au sionisme. Dieu jaloux, peuple élu, terre promise: 2500 ans de manipulations, Kontre Kulture, Kontre Kulture, 2016. Tem edição em inglês: From Yahweh to Zion: Jealous God, Chosen People, Promised Land...Clash of Civilizations, Sifting and Winnowing Books, 2018.

Petit livre de - 150 idées pour se débarrasser des cons, Le petit livre, 2019.

“Our God is Your God Too, But He Has Chosen Us”: Essays on Jewish Power, AFNIL, 2020.

Anno Domini: A Short History of the First Millennium AD, 2023.

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Relacionado, leia também sobre a questão judaica, sionismo e seus interesses globais ver:

 “Pós-escrito para ‘O Enigma de Três Mil Anos’” - por Igor Shafarevich

 Lev Gumilev e a Quimera Cazar {judaica} Por Laurent Guyénot

 O peso da tradição: por que o judaísmo não é como outras religiões - por Mark Weber

Sionismo, Cripto-Judaísmo e a farsa bíblica - parte 1 - por Laurent Guyénot (as demais partes na sequência do próprio artigo)

O truque do diabo: desmascarando o Deus de Israel - Por Laurent Guyénot - parte 1 (Parte 2 na sequência do próprio artigo)





terça-feira, 22 de junho de 2021

História alemã a partir de uma nova perspectiva - Revisado por Charles E. Weber

 

Charles E. Weber

Geschichte Der Deutschen, do Prof. Hellmut Diwald. 766 páginas 16½ × 24 cm com 837 ilustrações (principalmente nas margens) e 25 mapas. Copyright 1978 por Verlag Ullstein GmbH, Frankfurt am Main, Berlim, Viena: Propylaen Verlag. Preço {na época do artigo} de aproximadamente $ 28.

Revisado por Charles E. Weber

A Geschichte der Deutschen (História dos Alemães) do professor Hellmut Diwald representa um marco na área das histórias gerais ilustradas da nação alemã publicadas durante o período do pós-guerra (1945 em diante).

Uma combinação de três características notáveis faz este trabalho inovador no que diz respeito à escrita da história na República Federal Alemã: Suas ilustrações e mapas em preto e branco de alta qualidade, os quais reforçam de forma bastante eficientemente o valor do texto, sua mais notável abordagem retrógrada, a qual nos remete ao início do século X, e sobretudo seu texto, relativamente livre da abordagem masoquista que os alemães têm tido tendência para sua própria história desde 1945. No entanto, o livro não nega os aspectos problemáticos da história alemã, incluindo conflitos debilitantes que os alemães tinham tido entre eles próprios.

Inovador conforme o livro possa ser (no que diz respeito às publicações produzidas na República Federal Alemã), ele tem um antecedente. No primeiro exame do livro, fiquei surpreso com algumas semelhanças que ele tem com outro livro, publicado em 1944, quando o Propylaen Verlag estava localizada em Berlim. Este livro, Gestalt und Wandel des Reiches (Forma e Desenvolvimento do Reich) de Hans Hagemeyer, foi a última grande história pictórica da Alemanha publicada antes que as esmagadoras forças britânicas, americanas e soviéticas finalmente foram bem sucedidas em esmagar a resistência militar de uma Alemanha à qual eles acordaram nem mesmo o mínimo de misericórdia e cuja resistência desesperada foi estimulada pelo plano Morgenthau criminalmente irresponsável rubricado por Roosevelt em 1944. Em um exame mais atento, eu notei que uma série de ilustrações no livro de Diwald foram aparentemente preparadas a partir das mesmas fotografias usadas para o livro de Hagemeyer. Até mesmo alguns dos títulos das divisões são semelhantes: Die Salier, Die Sachsen (página 733; Die Zeit der Salier und Sachsen em Hagemeyer); Das Staufenreich (página 703; Die Zeit der Staufer em Hagemeyer); etc.

Eu não vou me ficar acomodado nas fases anteriores da história alemã cobertas por Diwald, isto é, do início do século X até a época da aproximação da Primeira Guerra Mundial. É suficiente dizer que essas fases da história alemã são tratadas de uma forma estimulante, maneira perceptiva com um importante reforço pela qualidade das ilustrações pelas quais a Propylaen Verlag tem há muito tempo sido justamente famosa. Em vez disso, eu preferiria me concentrar nas fases mais recentes da história alemã, incluindo as duas guerras mundiais e suas consequências e o desenvolvimento das três repúblicas (Federal, “Democrática Alemã” e Austríaca) do que restou do território do Reich. Não somente Diwald devota bem mais de um terço de seu espaço ao período após 1900 ou mais, mas esse tratamento encontrou fortes protestos de alguns setores. De acordo com uma história publicada no National-Zeitung de 16 de fevereiro de 1979, a comunidade judaica de Berlim ficou tão pessimamente perturbada com a publicação do livro que obteve de Axel Springer (a quem a Propylaen Verlag está associada) um pedido de desculpas e uma promessa para trazer à tona uma versão fortemente modificada e “melhorada” da obra. De passagem, podemos notar que Diwald dedica uma quantidade um tanto pequena de espaço à história dos judeus em terras alemãs.

Mesmo concentrando nossa atenção no período após cerca de 1900 (ou seja, a seção intitulada Das Zeitalter der grossen Kriege, pp.21-288), seria escassamente possível fazer justiça aqui ao tratamento massivo de Diwald desse período. Em nosso breve espaço, nós podemos meramente dar uma amostra do tratamento de Diwald de alguns pontos importantes.

Para enfatizar a natureza do divisor de águas do ano de 1945, Diwald começa seu relato com uma descrição de Yalta, com sua localização remota e clima quase tropical, onde três velhos homens provocaram uma divisão diabolicamente irresponsável do mundo em fevereiro de 1945.

          A abordagem ingênua e cheia de ilusões do mortalmente doente Roosevelt a Stalin é descrita (páginas 21 e seguintes). A inconsistência cínica de Churchill, por outro lado, é exemplificada por sua famosa observação de 30 de julho de 1952, que (em vista das políticas soviéticas do pós-guerra) o porco errado tinha sido trucidado, um erro cometido no curso de uma guerra que a Grã-Bretanha declarou-se contra a Alemanha em 3 de setembro de 1939 e a qual custou cerca de 50 milhões de vidas (página116)

Quanto ao espírito que atualmente prevalece na República Federal, Diwald caracteriza seus cidadãos como cautelosos, bastante indiferentes a questões intelectuais e culturais e comparáveis a pessoas prestes a receber ou já recebendo uma pensão (páginas 122-123).

Quanto à duvidosa base legal das sentenças impostas pelo Tribunal Militar de Nuremberg em 1º de outubro de 1946, o senador Taft, de Ohio, é citado longamente. O Papa Pio XII também é citado como expressando suas reservas em 1953 sobre a validade dos julgamentos. Diwald, na verdade, dedica muita atenção à base jurídica defeituosa desses julgamentos. Nos julgamentos subsequentes de supostos criminosos de guerra, os americanos, de acordo com declarações oficiais, executaram mais pessoas do que a Grã-Bretanha, a França e a União Soviética juntas (páginas 126-136).

No que diz respeito à invasão alemã da Polônia, que começou em 1 de setembro de 1939, Diwald aponta que a recalcitrância polonesa em relação aos compromissos propostos pela Alemanha em fontes de tensões germano-polonesas foi reforçada por uma garantia britânica de apoio aos poloneses dada na primeira metade de março de 1939 (página 140). Quando a Grã-Bretanha demandou que as forças alemãs fossem retiradas da Polônia dentro de duas horas, sob a ameaça de uma declaração de guerra contra a Alemanha, Hitler ficou estupefato com a perspectiva de uma guerra com a Grã-Bretanha (página 145).

Em abril de 1940, as forças alemãs eram escassamente capazes de bater as forças britânicas que já haviam sido reunidas para a invasão da Noruega (páginas 147-148). Mesmo após a eclosão da guerra, Hitler repetidamente tentou chegar a um acordo com a Grã-Bretanha, mas a ajuda dada por Roosevelt à Grã-Bretanha muito antes de dezembro de 1941, impediu um acordo que teria levado ao fim da trágica guerra entre nações fraternas (página 158).

Não obstante a hostilidade do nacional-socialismo para com os judeus, Diwald afirma com lisura (página 164) que nem um único “campo de extermínio” jamais existiu na Alemanha. Ele também menciona o fato altamente significativo de que, em 28 de dezembro de 1942, o Reichsfuhrer SS Heinrich Himmler ordenou que o número de mortes nos campos de concentração fosse reduzido a qualquer preço depois que uma epidemia de tifo devastadora eclodiu em Birkenau (página 165) A asserção de Diwald parece estar de acordo com uma declaração publicada no Westdeutsche Zeitung de 7 de fevereiro de 1979, por uma cidadã israelense e ex-presidiária de Auschwitz, segundo a qual ela nunca tinha ouvido falar das câmaras de gás ali até depois de sua libertação.

Diwald nota a culpa que Hitler dirigiu contra os judeus pela situação catastrófica da Alemanha em seu testamento datado de 29 de abril de 1945, e menciona a bem-conhecida teoria do bode expiatório (página 163). Em minha opinião, entretanto, essa teoria é muito simplista. Depois de 1918, uma grande hostilidade contra os judeus foi encontrada não apenas na Alemanha, mas também na Áustria, Hungria, repúblicas bálticas, Polônia e Romênia. Muitos europeus de classe média perceberam o comunismo e sua brutalidade quase ilimitada como sendo uma responsabilidade dos judeus que dominaram o Estado soviético, especialmente em seus primeiros anos. Além disso, o papel altamente desproporcional dos judeus em questões comerciais, financeiras e monetárias os fez vulneráveis ​​à culpa generalizada naquelas terras onde a hiperinflação destruiu os ativos das classes médias e causou grande amargura nelas. De fato, provavelmente não é coincidência que a hostilidade mais virulenta contra os judeus na Europa fosse encontrada precisamente nos países que tiveram as piores hiperinflações, notadamente Alemanha, Áustria, Hungria, a Cidade Livre de Danzig, Polônia, Lituânia e Rússia. Não nos esqueçamos de que, depois de 22 de junho de 1941, o avanço das forças armadas alemãs foi recebido como libertador do odiado governo comunista, especialmente nos estados bálticos e na Ucrânia, áreas que haviam sofrido em grande medida com a brutalidade dos líderes comunistas. Em nenhum caso, a hostilidade europeia generalizada contra os judeus durante as décadas de 1920 e 1930 deve ser considerada um fenômeno exclusivamente alemão, nem baseado principalmente em tradições eclesiásticas, católicas ou luteranas. Foi um fenômeno essencialmente secular.

Existem algumas omissões marcantes no tratamento de Diwald da Segunda Guerra Mundial e suas consequências encharcadas de sangue. Não encontro qualquer referência ao Plano Morgenthau, o esquema diabólico que foi sem dúvida responsável por muito derramamento de sangue inútil e desperdício de ativos econômicos, tanto americanos quanto alemães. Embora não haja menção à Operação Keelhaul como tal, são fornecidos muitos detalhes das traições britânicas de prisioneiros de guerra que se renderam a eles. Os sérvios e croatas, por exemplo, foram entregues a Tito, que assassinou um número inacreditavelmente grande deles. Os britânicos também foram responsáveis ​​por atirar em um grande número de cossacos anticomunistas que preferiram a morte a serem entregues ao Exército Vermelho (páginas 123-124). Três exércitos alemães restantes na área da Boêmia e da Morávia no final da guerra com cerca de 1,2 milhão de soldados foram colocados em campos soviéticos, onde a maioria deles morreu. Diwald também não menciona o número bastante considerável de homens recrutados nos Países Baixos e na Escandinávia que lutaram ao lado das forças alemãs na Rússia. Nós tendemos a esquecer que quase toda a Europa tinha se juntado à cruzada contra o comunismo em 1942, uma cruzada que sem dúvida teria sido bem-sucedida sem a intervenção americana.

Em adição a ocupação soviética de parte da Finlândia, toda a Estônia, Letônia e Lituânia e a parte oriental da Romênia até o verão de 1940 (página 154), o medo de Hitler de uma coalizão dos Estados Unidos com a União Soviética, com base nas informações sobre conversas secretas entre as duas potências, foi um dos fatores decisivos o qual levou Hitler a dar a ordem de invadir a Rússia em 22 de junho de 1941 (página 157).

Com relação ao desenvolvimento do nacional-socialismo antes da guerra, Diwald aponta (página 227) pontua que movimentos similares a ele eram encontrados na Turquia (sob Kemal Ataturk); Itália (sob Mussolini), Hungria, Iugoslávia e Polônia. Ele também poderia ter apontado, contudo, que uma série de paralelos entre o nacional-socialismo e o New Deal de Roosevelt podem ser observados, especialmente no que diz respeito às políticas monetárias, econômicas e até artísticas. Basta comparar a pintura típica dos projetos do WPA {Works Progress Administration, a principal agência criada pelo New Deal} com a qual era incentivada pelos nacional-socialistas, ambos com forte tendência ao realismo socialista.

Diwald dedica pouca atenção a um dos aspectos mais distintos e significativos do nacional-socialismo, nominalmente o esforço para usar a informação médica científica para melhorar a qualidade genética da população alemã. A melhor exposição desse esforço que conheço é encontrada no livro do Professor Otmar von Verschuer, M.D. (1896–1969), Leitfaden der Rassenhygiene (Princípios de Eugenia), cuja segunda edição foi publicada pela Georg Thieme Verlag em Leipzig em 1944. O professor von Verschuer, aliás, era uma autoridade reconhecida nesta área mesmo antes de 1933.

O artigo 231 do “Tratado” de Versalhes forçou a Alemanha a admitir a responsabilidade pelo início da Primeira Guerra Mundial. Diwald (página 248) aponta que os julgamentos de Nuremberg de 1945-1946 foram simplesmente um procedimento variante usado contra a Alemanha para obter o mesmo resultado. Sem dúvida, uma das causas da Primeira Guerra Mundial foi o distanciamento da Grã-Bretanha pela Alemanha nos campos da indústria e do comércio (delineado por Diwald nas páginas 268–270).

Pude encontrar apenas um erro factual feito por Diwald, nominalmente, a legenda errada abaixo da ilustração na página 211, a qual menciona o “rápido declínio do Rentenmark alemão”. O Rentenmark, contudo, foi na verdade a unidade que substituiu o antigo Mark {a moeda marco alemão}, que havia se tornado praticamente inútil no final de 1923.

A terminologia de Diwald em si é digna de nota. Ele ocasionalmente usa a palavra bolschewistisch, que dificilmente é uma palavra da moda hoje. Ao se referir ao que é oficialmente chamado de “República Democrática Alemã”, Diwald frequentemente usa o termo Mitteldeutschland, afirmando que os territórios perdidos a leste da Linha Oder-Neisse também fazem parte do reino alemão e da tradição histórica.

Embora Diwald não inclua notas de rodapé ou bibliografia (um recurso frustrante), este revisor não pode escapar da impressão de que os escritos de historiadores revisionistas nos países de língua inglesa podem tê-lo encorajado a ter ousado uma abordagem mais nova da história alemã com ênfase nacionalista, uma abordagem a qual dificilmente seria possível há apenas cinco anos na República Federal, cujas universidades estão amplamente permeadas influências marxistas. Exemplos de tais escritos Revisionistas são aqueles de Austin J. App (A Straight Look at the Third Reich et al.), John Beaty (The Iron Curtain Over America), Arthur R. Butz (The Hoax of the Twentieth Century), Benjamin Colby (‘Twas a Famous Victory) and A. J. P. Taylor (The Origins of the Second World War).

{Hellmut Diwald (1924-1993) foi um historiador tcheco-alemão e professor
 de história medieval e moderna na Universidade de Erlangen-Nuremberg de 1965 a 1985.
Fonte da imagem da foto de 1983 - Alamy}


Desde 1945, a atmosfera nas zonas de ocupação da Alemanha e, posteriormente, na República Federal (ver a introdução de Diwald, páginas 15-16) tem sido tal que os escritos históricos que não condenaram os desenvolvimentos históricos alemães anteriores a 1945 e usam a história como um meio de auto-apagamento provavelmente não seriam publicados. Na verdade, parece que a história de uma forma desequilibrada ou mesmo falsificada tem sido frequentemente usada como uma arma insidiosa em uma guerra contínua e sem ceder em força e severidade contra a nação alemã, útil como poderia ter sido para pacificar os alemães a ponto de torná-los dispostos suportar as condições quase cartaginesas que lhes foram impostas pelos vencedores. Em vista das séries de televisão mais recentes, versões da história alemã foram usadas até mesmo como meio de desmoralização psicológica e manipulação política contra a maioria dos componentes étnicos em outros países cujas populações são principalmente caucasianas {ou seja, contra as pessoas brancas}. Em vista dessas circunstâncias, o trabalho de Diwald é uma contribuição significativa para a escrita histórica alemã das últimas três décadas. Ela merece uma tradução para o inglês o mais rápido possível, porque poderia remover as vendas dos olhos de muitas pessoas que estariam dispostas a fazer avaliações imparciais da história.

Tradução e palavras entre chaves por Mykel Alexander

 


Fonte: German history from a new perspective, revisão por Charles E. Weber, The Journal of Historical Review, volume 1, nº 1, primavera de 1980, página 81.

Disponível on line em: http://vho.org/GB/Journals/JHR/1/1/Weber81.html

Sobre o autor: Nascido em Cincinnati, Ohio, o Dr. Charles E. Weber serviu no Exército dos EUA durante a Segunda Guerra Mundial. Ele trabalhou em várias missões de inteligência, incluindo o exame dos registros do Comando Supremo Alemão (OKW) no Centro de Documentos de Fechenheim em conexão com os Julgamentos de Nuremberg. Ele obteve seu Ph.D. da University of Cincinnati em 1954 e lecionou na University of Cincinnati, na University of Missouri, na Louisiana State University e na University of Tulsa, onde atuou como chefe do Departamento de Línguas Modernas. Ele contribuiu para vários periódicos acadêmicos, incluindo The Journal of Historical Review, The Freeman e The Numismatist.

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