quarta-feira, 17 de junho de 2026

{Alegadas câmaras de gás homicidas da Alemanha Nacional-Socialista} Zyklon B, Auschwitz e Bruno Tesch - parte 4 - testemunho do Dr. Charles Sigismund Bendel - por William B. Lindsey

 Continuação de {Alegadas câmaras de gás homicidas da Alemanha Nacional-Socialista} Zyklon B, Auschwitz e Bruno Tesch - parte 3 - testemunho de Perry Broad - por William B. Lindsey 

William B. Lindsey

Da cacofonia acusatória ouvida no Tribunal Britânico de Lüneburg, somente duas testemunhas, após reflexão da acusação, foram escolhidas para depor no julgamento do Dr. Tesch e de Herr Weinbarcher. A primeira delas foi o Dr. Charles Sigismund Bendel. Em geral, ele corroborou as graves alegações feitas por Broad, embora tendesse a divergir em pontos específicos. Declarando-se uma autoridade em Birkenau, ele pareceu insinuar que, como médico, obteve suas informações por ter feito parte do “Sonderkommando,” um grupo de 900 homens que alegadamente operava os crematórios, ou por ter estado no comando desse grupo. A partir de seu testemunho, parece que o termo alemão para essa unidade de comando pode ter sido “Hilflinger,” ou “ajudantes.” Ele afirmou que, durante os quase doze meses em que esteve em Birkenau, os alemães mataram um milhão de pessoas com Zyklon B e que ele realizou autópsias em algumas dessas vítimas. Maio, junho e julho de 1944, asseverou ele, foram os meses de maior atividade assassina. No pico, em junho, 25.000 pessoas foram mortas a cada dia. Entre maio e junho de 1944, declarou ele, 400.000 foram mortas, e outras 80.000 entre 15 de julho e 1º de setembro de 1944. O Dr. Bendel alegou ter testemunhado o próprio processo de extermínio, que, segundo ele, foi realizado por voluntários da SS. Transportes com 300 pessoas ou menos eram fuzilados; grupos maiores eram “gaseados” nos crematórios ou no “Bunker”. Em contraste com Broad, o Dr. Bendel estimou a capacidade das câmaras de gás dos crematórios I e II de Birkenau em 2.000 cada. Os crematórios III e IV de Birkenau42 supostamente mantinham 1.000 cada, enquanto um “Bunker” — não o “crematório V” de Broad — mantinha 1.000.

Bendel testemunhou que ambas as câmaras subterrâneas dos crematórios I e II eram usadas para gaseamento e afirmou que o gás era adicionado “pelo teto e descia em linha reta até tocar o chão”. As 2.000 vítimas foram amontoadas nuas nessas duas câmaras de 10 metros por 4 metros por 1,72 metros, tendo suas roupas sido previamente retiradas para fumigação em Auschwitz-Zasole, em uma instalação conhecida por ele. Após o assassinato, Bendel alegou que o cabelo das vítimas era cortado e o ouro era retirado de suas próteses dentárias. Ele testemunhou que a produção de ouro durante a existência do campo foi de 17 toneladas (17.000 kg) provenientes de quatro milhões de vítimas.

Posteriormente, o Dr. Bendel afirmou que, durante os dois anos inteiros de seu aprisionamento pelos alemães, ele observou somente uma43 fumigação de uma caserna com Zyklon B. “Lisoform” (aparentemente um derivado de cresol semelhante ao “Lysol”) era o material usado pelos alemães para desinfecção, disse ele. O Zyklon B era usado exclusivamente para matar pessoas, e duas latas de 1 quilograma eram usadas em cada uma das câmaras subterrâneas. Ele afirmou que uma lata de 1 quilograma de Zyklon B era capaz de matar 500 pessoas,44 portanto, a uma taxa de 25.000 mortes por dia, cinquenta latas de 1 quilograma do material eram requeridas por dia. Os corpos das vítimas eram jogados em fossas de cremação onde, após uma hora, se transformavam em cinzas e desapareciam.45 Por fim, o Dr. Bendel testemunhou que o Zyklon B foi trazido para o campo em uma van da Cruz Vermelha, mas não foi entregue pela própria Cruz Vermelha.

O Dr. Bendel era um médico judeu-romeno que tinha sido preso em Paris em 4 de novembro de 1943 e enviado para Drancy. Em 10 de dezembro de 1943, por não possuir cidadania francesa e por suas atividades antigermânicas, foi deportado para Auschwitz, no leste, por ser considerado um perigo para o esforço de guerra alemão. Ele foi prisioneiro em Auschwitz-Zasole, Auschwitz-Buna (Monowitz) e Auschwitz-Birkenau antes de ser evacuado para Mauthausen. Permaneceu em Birkenau de 27 de fevereiro de 1943 a janeiro de 1944. Como médico em Birkenau e membro — talvez até mesmo líder — do “Sonderkommando” ou “Hilflinger” do crematório, ele mantinha uma posição invejada pelos outros prisioneiros, pois tinha privilégios especiais (alojamento especial, alimentação especial, etc.) e era sempre suspeito de colaborar com os alemães. Essa colaboração parece de fato provável, pois ele admitiu em Lüneburg que ele tinha obtido sua posição em Birkenau graças aos esforços do Dr. Mengele. É bem possível que, com todas as doenças no campo e a eterna escassez de médicos — e considerando que ele alegava ter realizado autópsias —, ele tenha sido um dos ajudantes ou “Hilflinger” do Dr. Mengele.

O fantástico depoimento de Bendel pode ser desafiado por muitas transgressões factuais. Ele professava saber muito sobre a operação de matança, mas limita seus detalhes ao funcionamento dos crematórios I e II de Birkenau e omite completamente qualquer detalhe das operações nos crematórios III e IV46 e do sempre elusivo “Bunker”. Ele nem mesmo permitiu a localização do “Bunker”. Suas alegações de que ambas as salas subterrâneas em cada um dos crematórios I e II eram câmaras de gás contradizem totalmente o processo descrito pelas autoridades do Museu de Auschwitz, que afirmam que apenas uma sala, com uma pequena porta de entrada, servia a esse propósito.47 É a versão do Museu de Auschwitz que é corroborada pelas fotos da OSS/CIA divulgadas em 1979, que mostram “câmaras de gás” individuais, cada uma com quatro “dutos de gás”, anexas aos crematórios I e II.

Inconsistências e impossibilidades, contudo, aparentemente não incomodaram o Dr. Bendel. Suas declarações adicionais, sob interrogatório, de que 1.000 corpos nus poderiam ser amontoados em cerca de 64 metros cúbicos “pela técnica alemã” e que “quatro milhões de pessoas que foram gaseadas em Auschwitz são as testemunhas”, intimidaram e amedrontaram completamente a defesa alemã. A defesa, precisamente nesses pontos e em muitos outros, deveria ter desmantelado seu testemunho imediatamente. Ao invés, em um ponto quando parecia que Bendel poderia ser recuado para o canto pela defesa alemã anti-NSDAP e forçado a dar uma resposta detalhada a uma pergunta sobre uma questão anterior, ele foi autorizado a fazer outra acusação horrenda e, portanto, evitou dar uma explicação detalhada de qualquer acusação. Conforme foi, suas declarações foram uma série de bônus gratificantes para o Tribunal Militar Britânico, com seu objetivo predeterminado, e a “chutzpah” triunfou novamente!48

{Sigismund Bendel (1914-?) foi um judeu nascido na Romênia e ainda jovem mudou-se para a França onde exerceu a medicina. Durante a Segunda Guerra Mundial foi capturado pelas forças alemãs e internado em campos de concentração, incluindo Auschwitz. Mesmo sendo um médico, seus testemunhos, mesmo contradizendo absurdamente as leis da natureza e as bases científicas, foram aceitos nos Julgamentos de Londres e contribuíram para a narrativa do denominado holocausto na mentalidade ocidental. Fonte da imagem: Le convoi 64: déportés et histoire.}

O Dr. Sigismund Bendel, que deu seu depoimento em francês, talvez na esperança de obter a cidadania francesa, apresentou um depoimento geralmente muito menos crível do que o de Broad. O uso de três línguas obviamente aumentou as dificuldades de tradução, mas tais dificuldades não poderiam resultar no erro grosseiro e nas fantásticas impossibilidades físicas descaradamente declaradas em seu testemunho.49

Tradução e palavras entre chaves por Mykel Alexander

Continua ...

Notas:

42 Nota de William B. Lindsey: O sistema de numeração dos crematórios no complexo de Auschwitz pode causar confusão. Na nomenclatura alemã, o crematório I ficava em Auschwitz-Zasole. Os crematórios II e III ficavam em Auschwitz-Birkenau, assim como os edifícios mencionados na literatura sobre o Holocausto como crematórios IV e V, mas pelos alemães como “Badeanstalt(en) für Sonderaktion”. Este artigo se refere aos crematórios II e III (na nomenclatura alemã de Birkenau) como nº I e nº II, respectivamente.

43 Nota de William B. Lindsey: O depoimento de Perry Broad (pp. 277-78) indica uma frequência muito maior de fumigação das casernas com Zyklon B.

44 Nota de William B. Lindsey: O valor da dose letal de 1.000 g para 500 pessoas (2 g por pessoa) estimado pelo Dr. Bendel diverge drasticamente do valor encontrado na literatura: 70 mg por pessoa, o que corresponde a 0,07 g por pessoa (ver nota 9). Qualquer procedimento razoável para matar poderia ter incluído uma “fator de segurança” de talvez cinco vezes a dose letal estimada — mas dificilmente uma fator 28 vezes maior do que o necessário!

45 Nota de William B. Lindsey: Embora a carne possa ser rapidamente convertida pelo fogo em cinzas irreconhecíveis, o mesmo não se pode dizer dos ossos. Mesmo a alegada trituração desses ossos deixaria resíduos microscópicos reconhecíveis como ossos, senão ossos humanos. O pequeno moinho de bolas encomendado pelo SS Standartenführer Blobel à Schriever & Co. em 1942 (nº 4467) dificilmente teria dado conta da multidão de cadáveres que salegadamente foram incinerados nos crematórios, muito menos daqueles alegadamente cremados em valas comuns (que supostamente “desapareceriam” nas chamas). Se o lago em Birkenau tivesse sido usado como alegado (o local de descarte de cinzas humanas), seria hoje um monte contendo milhões de fragmentos de ossos calcinados ainda reconhecíveis como ossos humanos! Se o Vístula tivesse sido usado dessa forma, seu leito estaria repleto de fragmentos acusatórios de ossos queimados até Varsóvia, se não até Danzig!

46 Nota de William B. Lindsey: Todas as referências oficiais alemãs a esses edifícios os identificavam como “Badeanstalt(en) fuer Sonderaktion” — casa(s) de banho para ação especial (ou propósito especial).

47 Nota de William B. Lindsey: Os planos originais alemães descreviam essas salas, uma para cada crematório (I e II), como “Leichenkeller” — necrotérios para cadáveres aguardando cremação. O trabalho do Dr. Robert Faurisson apoia essa descrição completamente.

48 Nota de William B. Lindsey: Tanto Bendel quanto Broad alegaram que, no procedimento de extermínio, duas latas de um quilograma de Zyklon B eram usadas em cada canal. É interessante notar que os pedidos de compra de Zyklon B feitos pela DEGESCH para os campos de Oranienburg (Sachsenhausen) e Auschwitz, datados de fevereiro a abril de 1944 e supostamente entregues por Kurt Gerstein após sua captura pelas tropas das Nações Unidas, lidavam exclusivamente com latas de 500 g. Em caso de escassez, é claro, duas latas de 500 g substituiriam uma lata de 1 kg, mas parece que somente as latas de 500 g foram enviadas, indicando que a necessidade era da lata menor. A questão obviamente surge: qual era a utilidade de uma lata de 500 g de Zyklon B nas estações de desinfecção e descontaminação (“Entwesung und Entseuchung Station”) de Auschwitz e Sachsenhausen-Oranienburg? A câmara de fumigação padrão tinha um volume de 10 metros cúbicos e exigia apenas uma lata de 200 g de Zyklon B para obter a concentração requerida de 20 g de gás Zyklon B por metro cúbico de ar. Consequentemente, presume-se que ambos os locais e/ou seus subcampos possuíam câmaras de fumigação com cerca de 25 metros cúbicos de volume. Onde estavam localizadas? Uma boa hipótese seria a “Sauna” (atualmente fechada ao público) em Birkenau, destinada aos recém-chegados, e os edifícios designados pelos alemães como “Badeanstalt(en) für Sonderaktion” (agora completamente destruídos), também em Birkenau, que provavelmente funcionavam como estações de desinfestação recorrentes para o pessoal ali internado permanentemente.

49 Nota de William B. Lindsey: Ao examinar o depoimento inteiro prestado pelo Dr. Bendel, eu não pude deixar de notar a extrema semelhança de algumas partes com as alegadas experiências do lendário Dr. Miklós Nyszli. (Para uma discussão interessante sobre Nyszli, veja Paul Rassinier, Debunking the Genocide Myth [Torrance, Calif.: Noontide Press, 1978], pp. 244-50.)

Zyklon B, Auschwitz, and Bruno Tesch, por William B. Lindsey, The Journal of Historical Review, Fall 1983 (Vol. 4, nº 3), páginas 261-303.

https://ihr.org/journal/v04p261_Lindsey.html

Sobre o autor: William B. Lindsey (19??-1993) obteve seu diploma de bacharel em ciências pela Universidade do Texas e seu doutorado em Química pela Universidade de Indiana. Trabalhou como químico pesquisador profissional em uma grande corporação por 31 anos. Como químico profissional tinha grande interesse na história da Segunda Guerra Mundial, ele tinha particular curiosidade pelas alegações de assassinatos em massa de judeus em “câmaras de gás” em Auschwitz-Birkenau, utilizando gás cianeto de hidrogênio do Zyklon B, um inseticida e pesticida comercial. Consequentemente, realizou diversas visitas de inspeção aos locais na Polônia onde supostamente ocorreram os “campos de extermínio” da guerra, incluindo Auschwitz, Auschwitz-Birkenau e Majdanek. Foi membro da comissão editorial do The Journal of Historical Review desde 1983. Em fevereiro de 1985, ele testemunhou no julgamento do Holocausto em Toronto, conduzido pelo editor germano-canadense Ernst Zündel. Lindsey foi reconhecido pelo tribunal como perito em cianeto de hidrogênio. Sua atuação baseou-se em um exame minucioso das câmaras de gás em Auschwitz, Birkenau e Majdanek, e em seus anos de experiência.

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domingo, 14 de junho de 2026

A Crucificação do Logos: Um Golpe Judaico na Mentalidade Romana - por Laurent Guyénot

 

Laurent Guyénot


Em algum lugar da Ásia Menor, no final do século I d.C., dois filósofos, um estoico e um platônico, estavam sentados à beira de uma praça do mercado, cercados por uma dúzia de espectadores. Eles debatiam sobre o Logos, a Inteligência divina que governa o céu e a terra. O platônico concebia o Logos como um princípio intermediário entre Deus e o universo físico. O Logos, dizia ele, é a Mente de Deus, ou a totalidade das Formas ou Ideias existentes. O estoico considerava essas distinções arbitrárias. Como Deus é, por definição, infinito, nada está fora Dele. Portanto, o Logos não é distinto de Deus, nem da ordem ou harmonia (kosmos) do mundo. Ele citou Sêneca em Sobre os Benefícios (IV,7): “o que é a Natureza (Phusis) senão Deus e a razão divina, que permeia o universo e todas as suas partes?”. Portanto, Theos, Logos e Kosmos são três aspectos diferentes, ou apenas nomes diferentes, da mesma realidade.

Nesse momento, um judeu entre os ouvintes interrompeu os filósofos para informá-los de que o Logos, na verdade, havia descido do céu na forma do rei dos judeus, crucificado e ressuscitado em Jerusalém. Todos caíram na gargalhada.

O nome do judeu era Yohanan. Ele então começou a escrever um pergaminho que iniciava com: “No princípio era o Logos, e o Logos estava com Deus, e o Logos era Deus. Ele estava com Deus no princípio. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele; sem ele, nada do que existe teria sido feito” (João 1:1-3).

Nem em seus mais loucamente selvagens pesadelos nossos dois filósofos poderiam imaginar que, dois séculos depois, esse pergaminho se tornaria escritura sagrada oficial, e a crença de que o Logos se “fez carne” como um judeu seria declarada obrigatória em todo o Império Romano, sob pena de morte.

Mas essa é, em poucas palavras, o cerne da cristianização.

Há uma cruel ironia na apropriação cristã do Logos. Ele é comumente traduzido como “a Palavra, mas o logos grego, do qual deriva nossa palavra “lógica,” está mais próximo de “razão.” Sejam estoicos ou platônicos, os filósofos postulavam que a alma racional de cada homem era uma participação direta no Logos divino, razão pela qual os homens têm a capacidade de compreender racionalmente Deus e o universo. Quando os primeiros apologistas cristãos de língua grega culpavam os filósofos por depositarem sua fé na “razão” em vez de em Deus, eles usavam a palavra logos (Justino Mártir, Tatiano, Teófilo de Antioquia). Mas os mesmos autores adoravam Jesus e afirmavam que ele era o verdadeiro e completo Logos em si mesmo. Eles mudaram o significado de Logos tão radicalmente a ponto de afirmar que ser salvo pelo Logos requeria fé em vez de razão. O Logos, a fonte divina da razão humana, foi sequestrado por uma religião que exige que os homens abandonem sua razão em prol de uma fé cega em histórias impossíveis. “A sabedoria deste mundo é loucura aos olhos de Deus”, escreveu Paulo (1 Coríntios 3:19). “É facilmente crível porque é insensata… é certa porque é impossível”, escreveu Tertuliano (De Carne Christi 5.4). A libido sciendi dos filósofos foi condenada como uma vaidade mortal, uma concupiscência nascida da nossa corrupção ou do Diabo.

É geralmente assumido que os intelectuais cristãos que elaboraram a Cristologia do Logos, a começar pelo autor do Evangelho de João, foram discípulos dos filósofos gregos. Mas não é esse o caso: eles foram discípulos de um filósofo judeu, Filo de Alexandria, que morreu por volta de 40 d.C. Filo interpretou a Torá (e o livro do Gênesis em particular) através do platonismo médio de sua época. Mas ele o fez com o propósito de demonstrar que a sabedoria judaica era mais antiga, superior e mais pura do que a sabedoria grega — um lugar-comum na literatura judaica alexandrina. Ligando a filosofia ao Tanakh (que ele lia na tradução grega), Filo identificou o Logos como o “Anjo do Senhor” ou o “Primogênito dos Anjos”, e também o chamou de “Filho de Deus” ou “Primogênito de Deus”, bem como um “Segundo Deus” que governa o mundo em nome de seu Pai. “E muitos são os seus nomes, pois ele é chamado o Princípio, e o Nome de Deus, e a sua Palavra, e o Homem conforme a sua Imagem, e aquele que vê, isto é, Israel.” O Logos é “a Imagem de Deus”; portanto, quando Gênesis 9:6 diz que Deus criou o homem à sua própria imagem, devemos entender, argumenta Filo, que o Logos é também o Adão celestial arquetípico, do qual o Adão terreno, que vem depois, é uma cópia corruptível (um conceito que encontrou espaço na epístola de Paulo aos Romanos, capítulo 5). Filo fundiu esse conceito do Logos com a visão profética do Filho do Homem descendo do céu no Livro de Daniel (7:13). Finalmente, Filo considera Moisés como uma encarnação quase perfeita do Logos, como um novo Adão.1

Filo teve uma enorme influência em virtualmente todos os escritores cristãos, de Paulo a Justino e Orígenes. “De fato”, escreve James Royse, “a utilização cristã de Filo foi tão extensa que era inconcebível para alguns que Filo não tivesse realmente se tornado cristão; e assim encontramos histórias da conversão de Filo ao cristianismo e referências ocasionais em manuscritos ao ‘Bispo Filo’”.2 De acordo com Erwin Goodenough, não há dúvida de que Justino, por exemplo, tomou emprestada sua Cristologia do Logos de Filo: “como doutrina do Logos, ainda é reconhecidamente o Logos de Filo que Justino tem em mente, embora popularizado, diluído, intensamente personalizado e representado como encarnado no Jesus Cristo histórico”.3 Há um elemento de engano aqui, pois Justino nunca menciona o nome de Filo. Justino nasceu em Neápolis (hoje Nablus), na Samaria; Ele alegava ser gentio, mas demonstra um profundo conhecimento do judaísmo em seu Diálogo com Trifão, e há suspeitas de que ele tenha sido um dos primeiros casos de criptojudaísmo.

Seja como for, deve ficar claro, a partir das considerações acima, que a Cristologia do Logos é de inspiração judaica. Ela é helenística apenas no sentido de estar enraizada no judaísmo helenístico, o qual é um ramo do judaísmo, não do helenismo.

 

Homoousianos vs. Homoianos

Dada a influência de Filo de Alexandria na cristologia primitiva, não é surpresa que as controvérsias cristológicas tenham sido particularmente intensas em Alexandria. Foram o bispo Alexandre de Alexandria e seu jovem diácono Atanásio que impuseram sua visão no Concílio de Niceia, em 325. Concedam-me com atenção eu recontar brevemente essa história, um ponto de virada na história intelectual ocidental — um golpe judaico na mente gentia.

A principal questão discutida em Niceia foi a disputa de Alexandre com o presbítero Ário, que sustentava que o Filho era inferior ao Pai que o gerou. Alexandre e Atanásio insistiam que o Filho era coeterno com o Pai e que ambos eram da mesma ousia (uma palavra frequentemente usada por Filo, que significa “substância” ou “essência”). Para esses monoteístas monomaníacos, não bastava que Jesus fosse o Filho de Deus: ele tinha que ser “Deus verdadeiro de Deus verdadeiro,” caso contrário, os cristãos estariam adorando um segundo deus. Alexandre e Atanásio saíram vitoriosos, e Ário foi exilado por decreto imperial, juntamente com alguns seguidores que não cediam.

Contudo, muitos bispos que haviam sido coagidos a assinar o Credo Niceno posteriormente se retrataram. Por iniciativa do bispo Eusébio de Nicomédia, surgiu um consenso para rejeitar o uso do termo aristotélico e não evangélico ousia, declarando, em vez disso, que o Filho era simplesmente “similar” (homoios) ao Pai — embora ainda admitindo, contrariamente a Ário, que o Filho existia desde toda a eternidade. Mas o fanático Atanásio — descrito por Harold Drake como “apaixonado, eloquente e implacável”, e como possuidor de “habilidades de um lutador implacável e político de rua” — havia sucedido Alexandre como bispo de Alexandria três anos após Niceia, e não faria concessões.4 Em 335, Constantino, cansado de sua arrogância e violência (ele foi acusado de instigar tumultos e assassinatos), exilou-o em Trier — o mais longe possível de sua base egípcia. Constantino recebeu o batismo de Eusébio de Nicomédia e morreu pouco depois, em 337. Ele foi sucedido por seus três filhos, dos quais restavam apenas dois três anos depois: Constâncio governou o Oriente e Constante o Ocidente, a partir de Milão.

Atanásio tomou vantagem da morte de Constantino para retornar furtivamente a Alexandria e reunir seus partidários, mas foi novamente banido por Constâncio, que manteve a ortodoxia homoiana (ou homoeana) de seu pai. Contudo, refugiou-se em Roma e obteve o apoio do bispo Júlio (ainda não “papa”), que se ressentia de ser marginalizado das discussões que agitavam a parte grega do Império.

Quando Constante foi vítima de um golpe em 350, Constâncio derrotou o “usurpador” e restaurou a unidade do Império. Um concílio foi convocado em Sírmio (hoje na Sérvia) em 357, que afirmou que “o Pai é maior que o Filho em honra, dignidade, esplendor, majestade e no próprio nome do Pai, como o próprio Filho testemunhou: ‘Aquele que me enviou é maior do que eu’.” Em 360, Constâncio presidiu pessoalmente um concílio em Constantinopla, o qual emitiu a seguinte declaração:

Quanto ao termo “essência” (ousia), que foi adotado pelos pais sem a apropriada reflexão e, por ser desconhecido do povo, causou ofensa, porque as Escrituras não o contêm, resolveu-se que fosse removido e que no futuro não se fizesse qualquer menção a ele, visto que as Sagradas Escrituras em nenhum lugar mencionam a essência do Pai e do Filho. Nem se deve usar o termo “hipóstase” em relação ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Declaramos que o Filho é semelhante (homoios) ao Pai, como declaram e ensinam as Sagradas Escrituras.5

Após a morte de Constâncio e o breve reinado de seu primo “apóstata” Juliano (361–63), o Império foi novamente dividido entre dois irmãos, Valentiniano e Valente, que se contentaram com as decisões do Concílio de Constantinopla de 360.

Mas o partido niceno permaneceu influente. De suas cidades de exílio (ele foi exilado cinco vezes), Atanásio escreveu e distribuiu inúmeras cartas atacando os homoianos, a quem sempre chamava de “arianos” (injustamente, já que “não há evidências de que o cristianismo homoiano tivesse qualquer ligação direta com os ensinamentos de Ário”, de acordo com Peter Heather).6 Seu tratado mais influente, a Carta sobre os Decretos do Concílio de Niceia, é uma defesa do concílio em 32 capítulos. O partido niceno reconquistou o poder sob o jovem imperador do Ocidente, Gratiano (367–383), que nomeou Teodósio para o Oriente.

Esse foi o fim do período de 40 anos de ortodoxia imperial homoiana. Gratiano e Teodósio declararam o cristianismo niceno a única forma legal de cristianismo (Édito de Tessalônica, 380). Atanásio foi canonizado e todos os seus inimigos foram expurgados. O credo homoiano foi chamado de “blasfêmia de Sírmio”, e a fórmula homoousiana foi confirmada e complementada no Concílio de Constantinopla convocado por Teodósio em 381.

A triunfante Igreja Nicena tornou-se rica e poderosa. Esta foi a época de Ambrósio, Jerônimo, Agostinho, Paulino de Nola, Martinho de Tours, Prisciliano de Ávila e outros autores prolíficos cuja literatura se tornou patrimônio sagrado da Igreja, enquanto os escritos de seus oponentes foram vítimas de expurgo cultural. Sobre os clérigos vitoriosos, Peter Brown escreve:

Esses homens eram ultras. Eles eram conhecidos por sua lealdade inabalável ao Credo Niceno. [...] Eles estavam preparados para rejeitar a instituição eclesiástica estabelecida por Constantino e seu filho Constâncio II como uma tirania antiquada e arrogante. [...] Embora fossem poucos em número, destacavam-se por suas conexões com pessoas ricas e poderosas.7

 

A Cristianização do Conhecimento

Essa história é o antecedente de fundo para uma profunda transformação na estrutura cognitiva dos europeus. Essa transformação é o tema do livro de Mark Letteney, The Christianization of Knowledge in Late Antiquity: Intellectual and Material Transformations {A Cristianização do Conhecimento na Antiguidade Tardia: Transformações Intelectuais e Materiais} (Cambridge UP, 2023).

Letteney analisa o pensamento e documenta as intrigas dos radicais cristãos liderados por Atanásio de Alexandria. Como nós acabamos de ver, eles foram marginalizados pelo já idoso Constantino, seus filhos e seus sucessores, para só reconquistarem o favor imperial sob Graciano e Teodósio. Por último, eles conseguiram expurgar a Igreja de seus inimigos e impor não apenas seu dogma, mas também seu conceito de verdade e seu método para encontrá-la: “um conjunto de práticas escolares concebidas para a disputa teológica tornou-se generalizado e central do final do século IV até meados do século V, como resultado do domínio cristão niceno”.8 A agregação e a destilação de tradições autorizadas, em vez do uso da razão, tornaram-se o procedimento padrão para a aquisição de conhecimento, mesmo em assuntos seculares. “A cristianização do império não afetou apenas o discurso público sobre o que poderia ser verdade, mas também a maneira como os estudiosos buscavam provar seus argumentos”, segundo Letteney. “Os cristãos nicenos, ao ascenderem a posições de poder, mudaram a forma como toda uma cultura escolástica abordava a criação, a verificação e a disseminação de fatos”. Em poucas décadas, “a cultura livresca cristã tornou-se a cultura livreira romana”.9

{Atanásio I de Alexandria (296-373 d.C.), retratado na imagem, foi um dos luminares do cristianismo e do catolicismo. De sua liderança o fanatismo cristão contribuiu para dar continuidade ao processo de corrupção do conceito racional do logos e espírito gregos cujo início coube ao judeu Fílon de Alexandria (15 a.C.-50 d.C.), e que em última instãncia influiu no fanatismo ocidental até a atualidade.} 

O novo método consistia em subordinar a verdade à autoridade. No fundamento do conhecimento estão as escrituras. Por serem declaradas inspiradas por Deus, elas são, por definição, “a verdade”. Então, vêm as interpretações das Escrituras feitas pelos primeiros Padres da Igreja, que precisam ser reunidas e classificadas, um processo que Letteney chama de “agregação”. As interpretações que são aprovadas como “inspiradas pelo Espírito Santo” são as que devem ser consideradas confiáveis. Estas, por sua vez, precisam ser sintetizadas em fórmulas dogmáticas, que são promulgadas e tornadas juridicamente vinculativas. Se, como inevitavelmente acontece, essas fórmulas dogmáticas estiverem sujeitas a interpretações conflitantes, novas vozes autorizadas precisam afirmar sua interpretação correta. E assim por diante. “A assunção de que agregação, destilação e promulgação são ferramentas acadêmicas centrais se espalhou a partir do Concílio de Niceia, primeiro entre os cristãos e, eventualmente, por todo o espectro da produção acadêmica da Era Teodosiana.”10

O que é irônico — e despercebido por Letteney — é que o grupo niceno, a força motriz dessa corrupção do logos humano, era também o grupo com o argumento escritural mais fraco: é óbvio que os homoianos estavam certos ao acusar os homoousianos de violarem os Evangelhos ao tornarem Jesus plenamente Deus. O método cristão triunfante de obter conhecimento foi, desde o início, uma cultura de engano.

À medida que se tornou procedimento padrão, isso foi transposto para todos os domínios do conhecimento. A partir de então, “afirmações de verdade universal passaram a ser baseadas em uma compilação de fontes e na agregação de opiniões anteriores sobre o assunto em questão”.11

Essa estrutura de conhecimento peculiarmente cristã não permaneceu por muito tempo restrita ao domínio dos teólogos. Uma maneira de pensar sobre a verdade — incluindo um interesse fundamental na própria verdade universal como uma busca digna e valiosa — extrapolou o ambiente rarefeito das disputas teológicas e alcançou outros domínios do conhecimento. Através de toda a paisagem ideológica e intelectual do império teodosiano, estudiosos buscaram verdades universais em suas próprias áreas de especialização, utilizando um método de agregação, destilação e promulgação que foi inicialmente concebido para resolver uma complexa disputa teológica. Tanto estudiosos cristãos quanto tradicionalistas adotaram esse método em obras de direito, história e outros campos. … A proliferação de um regime escolástico que começou como uma ferramenta teológica em domínios “seculares” é um aspecto da cristianização. Isso nos mostra como os modos de pensamento dominantes podem ser transportados de um campo de investigação para outro.12

Como exemplo da mentalidade moldada pelo totalitarismo niceno, Letteney menciona o monge Vicente de Lérins, da Gália, que morreu por volta de 445. Ele escreveu para si mesmo dois lembretes sobre “como e por qual regra certa (digamos, geral e comum) eu poderia distinguir a verdade da fé católica da falsidade da heresia depravada”. Examinando o campo de “homens eminentes em santidade e em conhecimento”, ele chegou à conclusão de que poderia detectar a heresia e permanecer puro em sua própria fé com referência a dois recursos: primeiro, a “autoridade da lei divina” e “segundo, a tradição da comunidade católica”.13

Isso pode ser contrastado com a maneira como os filósofos não cristãos conduziam sua própria busca pela verdade, confiando em seu acesso direto ao Logos. Letteney toma como exemplo o neoplatônico Proclo, “um dos poucos tradicionalistas francos na órbita da corte de Teodósio II”. Ele inicia suas Dez Questões sobre a Providência, escritas por volta da morte de Teodósio II (c. 450), com uma apologia que parece uma crítica direta à metodologia cristã:

Interroguemo-nos, então, se isso não for problema, e levantemos questões no segredo de nossa mente e, assim, tentemos nos exercitar na resolução desses problemas. Não faz diferença se discutirmos o que foi dito por pensadores anteriores ou não. Contanto que digamos o que corresponde à nossa própria visão, podemos parecer dizer e escrever essas visões como se fossem nossas.14

Proclo é o último platônico cujas obras sobreviveram. Quando o imperador Justiniano fechou a Academia em 529, os membros restantes buscaram proteção sob o rei persa Cosroes I, levando consigo todos os pergaminhos preciosos que conseguiram encontrar. As obras do próprio Proclo provavelmente teriam desaparecido se não fosse por um de seus discípulos do final do século V ou início do século VI, que astutamente escreveu sob o pseudônimo de Dionísio, o Areopagita, apropriando-se da identidade de um personagem convertido por Paulo em Atenas, conforme Atos 17:34, enganando assim os guardiões da ortodoxia cristã com seus próprios critérios de verdade. Durante a Idade Média, esse corpus pseudo-dionisíaco foi considerado como tendo quase autoridade apostólica e, por incorporar um grande número dos princípios metafísicos de Proclo, permitiu que ele se passasse por um proto-cristão e que sua obra fosse contrabandeada para bibliotecas cristãs.


A Distinção Mosaica versus a Distinção Socrática

Letteney observa que o novo conceito paradigmático e a prática da verdade impostos pelos literatos cristãos são contundentemente semilares à mentalidade talmúdica que se desenvolveu no mundo judaico durante o mesmo período (o Talmude Palestino foi compilado na Galileia entre o final do século IV e o início do século V). Essa observação surge quase como uma reflexão tardia para Letteney, e em vez de investigar as causas dessa semelhança, ele simplesmente a considera como evidência de “como uma estrutura de conhecimento peculiarmente teodosiana influencia o Talmude Palestino”.

Ao situar o Talmude Palestino em seu contexto escolástico teodosiano, nós podemos reconhecê-lo como um projeto particularmente romano e teodosiano. A correlação sugere que as práticas desenvolvidas dentro de um império cristão, oferecendo práticas intelectuais cristianizadas em todo o panorama escolástico, passaram a influenciar até mesmo a produção acadêmica de “rabinos [que] proclamavam seu afastamento da cultura romana normativa em cada linha que escreviam”, como Seth Schwartz argumenta corretamente.15

Eu duvido que Letteney tenha compreendido corretamente qual das duas estruturas cognitivas — judaica ou cristã — influenciou a outra. Descrever o Talmud como um “projeto particularmente romano” é forçar a credulidade. Teoricamente, é possível que os autores do Talmud tenham sido influenciados por controvérsias doutrinárias cristãs durante a era teodosiana, uma vez que, segundo Jacob Neusner, “o judaísmo como o conhecemos nasceu no encontro com o cristianismo triunfante”.16 No entanto, Letteney está se referindo aqui a uma tradição literária judaica conhecida como midrash, que se desenvolveu nas escolas de Rabi Ismael e Rabi Akiva no início do século II, um período em que os apologistas cristãos ainda usavam métodos exegéticos judaicos, como ilustrado pelo Diálogo com Trifão, o Judeu de Justino de Nablus (c. 160).

Naquele período, o cristianismo estava apenas começando a se desvencilhar de sua matriz judaica, e o processo ainda não havia terminado na era teodosiana. Até o final do século IV, como nos lembra Rodney Stark, as comunidades cristãs ainda “continham muitos membros de ascendência judaica relativamente recente, que mantinham laços familiares e de associação com judeus não cristãos e que, portanto, ainda conservavam um aspecto distintamente judaico em seu cristianismo”.17 João Crisóstomo, que se tornou arcebispo de Constantinopla em 397, queixou-se de que os cristãos ainda estavam imitando os judeus. Assim, se o método argumentativo da intelectualidade nicena é tão semelhante ao Talmude, isso apenas confirma que o cristianismo não apenas nasceu, mas cresceu em um ambiente intelectual judaico, e que a “cristianização do conhecimento” foi, na verdade, uma judaização do espírito ocidental. Pode-se argumentar que a rejeição do compromisso homoiano pelos ultraconservadores nicenos surgiu de uma obsessão monoteísta judaica: era imperativo que Cristo e Deus fossem um, para que a adoração cristã não fosse dirigida a algum outro ser que não Deus.

O que Letteney chama de “cristianização do conhecimento”, o egiptólogo alemão Jan Assmann consideraria um efeito da “distinção mosaica”, que significa “a ideia de uma Verdade exclusiva e enfática que separa Deus de tudo o que não é Deus e, portanto, não deve ser adorado”.18 Em The Price of Monotheism, Assmann contrapõe a distinção mosaica ao que ele chama de “distinção parmenidiana”, em referência ao seu suposto pioneiro Parmênides, no século VI a.C., ou mais simplesmente a “distinção socrática”, em homenagem ao seu defensor mais famoso. Com esse termo, Assmann se refere ao conceito revolucionário de conhecimento introduzido pelos gregos, difundido pela conquista de Alexandre e adotado pelos romanos:

Ao traçar uma linha divisória entre o “pensamento selvagem” — os modos tradicionais e míticos de produção do mundo — e o pensamento lógico, que se submete ao princípio da não contradição, essa restrição ao pensamento coloca a cognição, a validação e o conhecimento em um patamar completamente novo. O novo conceito de conhecimento introduzido pelos gregos não é menos revolucionário em sua natureza do que o novo conceito de religião introduzido pelos judeus e representado pelo nome de Moisés. Ambos os conceitos são caracterizados por um impulso sem precedentes à diferenciação, à negação e à exclusão.

Mas há mais em disputa do que uma mera analogia entre esses dois conceitos: eles são, em si mesmos, modos de cognição incompatíveis, e dessa incompatibilidade surgiu a oposição entre fé e razão que se tornou constitutiva da cultura cristã heleno-judaica.

O novo conceito [grego] de conhecimento tem como seu corolário o fato de se definir em contraposição a um contraconceito igualmente novo, o de “fé”. Fé, nesse novo sentido, significa considerar algo como verdadeiro, algo que, mesmo que eu não possa estabelecer sua veracidade em bases científicas, ainda assim reivindica uma verdade de altíssima autoridade. Conhecimento não é idêntico à fé, pois diz respeito a uma verdade que é meramente relativa e refutável, mas ainda assim determinável e criticamente verificável; fé não é idêntica ao conhecimento, pois diz respeito a uma verdade que é criticamente não verificável, mas ainda assim absoluta, irrefutável e revelada. Antes dessa distinção, não existiam nem o conceito de conhecimento que é constitutivo da ciência, nem o conceito de fé que é constitutivo da religião revelada. Conhecimento e fé, e portanto ciência e religião, eram uma e a mesma coisa.”19

Se Letteney tivesse lido Assmann, ele talvez tivesse percebido que o novo conceito de verdade e conhecimento promovido pelo partido niceno e contraposto ao logos grego não era, de fato, um conceito novo, mas sim a introdução na cultura romana da antiga mentalidade judaica. Ele teria então reconhecido que, se os talmudistas e os Padres nicenos pensavam de maneira semelhante, era porque estes últimos eram fundamentalmente judeus em sua estrutura mental.

A distinção socrática é o fundamento da cultura helenística, que por sua vez é a matriz da civilização romana. A distinção mosaica é “o fundamento da identidade de Israel”20, mas o cristianismo também se baseia nela. A distinção mosaica é o “ciúme” do Deus hebraico, que não foi domesticado pela paternidade no cristianismo. A luta era dirigida tanto contra o Deus cósmico dos filósofos quanto contra os deuses antropomórficos dos templos (sobre o monoteísmo filosófico greco-romano, ver Peter Van Nuffelen e Stephen Mitchell, eds., One God: Pagan Monotheism in the Roman Empire, 1–4th cent. A.D., Cambridge UP, 2010).

Mesmo embora tréguas e até alianças tenham sido forjadas durante a Idade Média entre a teologia cristã e a filosofia grega (com base em Aristóteles), o resultado a longo prazo dessa luta foi privar a filosofia do direito de abordar questões metafísicas de forma autônoma. Infelizmente, a filosofia respondeu entrando em guerra, não apenas contra a teologia, mas contra a própria ideia de Deus. Esta é, a meu ver, uma das grandes tragédias do Ocidente.

 

A Ressurreição Judaica

O fundamento judaico do cristianismo vai além do Concílio de Niceia, é claro. Não é falso dizer que, como homem nascido de um Pai divino e imortalizado pela morte, Jesus se enquadra na categoria dos heróis ou semideuses gregos; mas, se examinarmos a versão cristã, descobriremos alguma coisa de longe mais judaica.

O que torna a fé cristã fundamentalmente judaica é a sua própria essência, a mensagem central que os missionários judeus pregaram aos gentios nos dois primeiros séculos. Em uma palavra: ressurreição (anastasis). “Se não há ressurreição dos mortos, também Cristo não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, a nossa pregação é inútil, e a fé que vocês têm é inútil” (1 Coríntios 15:13-14). A ressurreição dos mortos é uma crença judaica que surgiu por volta do século II a.C., mas está essencialmente enraizada na antropologia materialista da Torá. De acordo com Gênesis 3, a morte foi resultado da desobediência de Adão e Eva, e não parte da “natureza” humana, como pretendido por Deus. Homens e mulheres foram criados por Deus fisicamente imortais, mas tornaram-se mortais pela transgressão dos primeiros ancestrais, e nenhuma imortalidade espiritual foi introduzida para compensar a mortalidade física. A morte significa simplesmente dar o último suspiro e “voltar ao pó” (Gênesis 3:19). Segue-se, portanto, que uma vida após a morte só pode ser imaginada como uma ressurreição do corpo. Isso acontecerá nos Últimos Dias, quando a maldição do Jardim do Éden será revertida e a morte vencida. Esse tema não aparece em nenhum lugar das escrituras hebraicas antes do Livro de Daniel, em termos ambíguos: “Dos que dormem na terra do pó, muitos ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e desgraça eterna” (12:2). A ressurreição dos mortos no fim dos tempos tornou-se um tema central do judaísmo farisaico.

Paulo era fariseu. Embora ele escrevesse em grego, usando conceitos gregos, ele entendia Gênesis 3 literalmente: “pois por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, e assim a morte se espalhou por toda a humanidade” (Romanos 5:12). Paulo proclamava que Jesus havia vencido a morte por meio de sua ressurreição, de modo que os cristãos também poderiam ressuscitar quando Cristo retornasse. Como ele esperava que isso acontecesse muito em breve, garantiu aos seus convertidos que, se ainda estivessem vivos nessa época, viveriam para sempre. Sua declaração mais explícita sobre esse assunto encontra-se em 1 Tessalonicenses 4:14-17.

Nós cremos que Jesus morreu e ressuscitou, e que da mesma forma Deus trará, mediante Jesus, os que nele adormeceram. Podemos afirmar isso com base no próprio ensinamento do Senhor: que nós, os que estivermos vivos para a vinda do Senhor, de modo nenhum teremos vantagem sobre os que adormeceram. Ao sinal da voz do Arcanjo e do toque da trombeta de Deus, o próprio Senhor descerá do céu; os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro, e somente depois disso nós, os que estivermos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, para o encontro com o Senhor nos ares. Assim estaremos para sempre com o Senhor.

Como Paulo indica claramente, você não pode saber isso apenas pela razão. Você sabe isso pela autoridade das Escrituras. Visto que a Ressurreição é a própria essência da fé cristã, ela representou o golpe mortal para o logos greco-romano, o verdadeiro milagre da evolução humana. Ao aceitar a Ressurreição judaica, Roma vendeu sua alma ao deus judaico da irracionalidade.

 

A civilização europeia como um palimpsesto

Geralmente falando, não houve filosofia independente durante a Idade Média, visto que a filosofia (incluindo a “filosofia natural”, hoje chamada de “ciência”) era considerada subordinada à teologia. Isso era especialmente verdadeiro no Ocidente, onde a erudição helenística não exercia o mesmo contrapeso que no Oriente. Na primeira metade do século IX, o bispo Amalário de Metz foi questionado sobre suas visões heterodoxas por uma comissão chefiada pelo teólogo Floro de Lyon: “Perguntaram-lhe onde havia lido essas coisas. Então ele, com bastante contenção na fala, respondeu que não as havia tirado das escrituras, nem dos ensinamentos transmitidos pelos Padres universais, nem mesmo de hereges, mas sim que as havia lido em sua própria mente (in suo spiritu)”. Ao que os padres reunidos responderam em uníssono: “Eis, de fato, o espírito do erro (spiritus erroris)!”21

Era, na realidade, o espírito da filosofia. Esse espírito jamais morreu. A filosofia simplesmente caiu em um sono profundo. “Tendo cutucado o dedo na teologia cristã, a filosofia adormeceu por cerca de mil anos até ser despertada pelo beijo de Descartes”, escreveu Anthony Gottlieb em O Sonho da Razão.22 A alegoria é excelente, exceto por Descartes no papel de Príncipe Encantado: a Academia Platônica de Florença foi criada quase dois séculos antes de seu Discurso sobre o Método. Foi o Renascimento que despertou a Bela Adormecida greco-romana e fundou a civilização ocidental.*1

A despeito do que os cristãos costumam ouvir, o conflito entre a Igreja e a Academia (ou seja, a Filosofia) durante o Renascimento não foi, de forma alguma, um conflito entre a crença em Deus e ateísmo. O ateísmo era quase inexistente nos debates do século XV, assim como na Antiguidade. O ateísmo ganhou algum terreno no século seguinte, mas humanistas como Erasmo e Thomas More o consideravam pior do que o fanatismo religioso. Os cientistas acreditavam em Deus, e isso ainda se verificava no século XVII: Isaac Newton, o maior gênio científico de sua época, era intensamente religioso.

Contudo, a ideia de Deus defendida por esses homens de saber estava movendo-se cada vez mais da doutrina cristã e aproximava-se da filosofia grega: não se tratava do Deus de Moisés, que profere regras, mandamentos e dogmas arbitrários, mas do Deus de Platão, dos estoicos e de Cícero, cujo Logos governava o mundo e inspirava a razão humana. A vida do matemático francês Blaise Pascal é uma ilustração dramática dessa tensão dialética entre duas ideias de Deus. Pascal era um gênio de grande renome. Mas, em 1654, aos 31 anos, teve uma experiência mística e renunciou ao “Deus dos filósofos” em favor do Deus dos Evangelhos. Deixou de contribuir para a ciência e morreu de uma doença neurológica aos 39 anos. Pascal personifica a luta entre a Razão e a Revelação, tema central do drama ocidental.

Outra boa metáfora para isso é o Palimpsesto de Arquimedes.*2 Trata-se de um livro de orações copiado em pergaminho em Constantinopla, no século XIII, em grego. Em 1906, o estudioso dinamarquês Johan Ludvig Heiberg encontrou, sob o texto visível, duas obras de Arquimedes que se acreditava perdidas, e a única edição original grega sobrevivente de sua obra Sobre os Corpos Flutuantes. Arquimedes de Siracusa (c. 287–c. 212)! Nenhum outro gênio helenístico se compara a ele. “Foi uma passagem de Arquimedes que levou Copérnico à hipótese do universo heliocêntrico”, lembra-nos Louis Rougier em The Genius of the West,*3 e “foi Arquimedes quem ensinou Leonardo da Vinci, Benedetti e Galileu a usar a matemática em seus estudos da natureza”.23 Pense nisso: monges condenando ao esquecimento eterno obras de Arquimedes, e a ciência moderna trazendo-as de volta à vida.

A civilização ocidental é um palimpsesto: o que foi reescrito ainda pode ser recuperado: somos fundamentalmente greco-romanos, não judaico-cristãos.

Tradução e palavras entre chaves por Mykel Alexander




Notas:

1 Nota de Laurent Guyénot: Philo, On the Confusion of Tongues 146, and On Flight and Finding, 101, citado e resumido a partir de Jean Daniélou, Philo of Alexandria, Cascade Books, 2014, pp. 134, 169, 67, 123, 167 e Marija Todorovka, “The concepts of the Logos in Philo of Alexandria”, Živa Antika 65 (2015), pp. 37-56.

2 Nota de Laurent Guyénot: James R. Royse, The Spurious Texts of Philo of Alexandria: A Study of Textual Transmission and Corruption, Brill, 1991, p. 1.

3 Nota de Laurent Guyénot: Erwin R. Goodenough, The Theology of Justin Martyr, Frommann, 1923, p. 175.

4 Nota de Laurent Guyénot: Harold Drake, Constantine and the Bishops: The Politics of Intolerance, John Hopkins UP, 2000, p. 4.

5 Nota de Laurent Guyénot: Timothy D. Barnes, Athanasius and Constantius: Theology and Politics in the Constantinian Empire, Harvard UP, 1993, p. 148.

6 Nota de Laurent Guyénot: Peter Heather, Christendom: The Triumph of a Religion, Knopf, 2023, Penguin Books, p. 158.

7 Nota de Laurent Guyénot: Peter Brown, Through the Eye of a Needle: Wealth, the Fall of Rome, and the Making of Christianity in the West, 350-550 AD, Princeton UP, 2014, p. 50.

8 Nota de Laurent Guyénot: Mark Letteney, The Christianization of Knowledge in Late Antiquity: Intellectual and Material Transformations, Cambridge UP, 2023, p. 101.

9 Nota de Laurent Guyénot: Mark Letteney, The Christianization of Knowledge in Late Antiquity: Intellectual and Material Transformations, pp. 12, 5, 99.

10 Nota de Laurent Guyénot: Mark Letteney, The Christianization of Knowledge in Late Antiquity: Intellectual and Material Transformations, p. 122.

11 Nota de Laurent Guyénot: Mark Letteney, The Christianization of Knowledge in Late Antiquity: Intellectual and Material Transformations, p. 91.

12 Nota de Laurent Guyénot: Mark Letteney, The Christianization of Knowledge in Late Antiquity: Intellectual and Material Transformations, pp. 225–226.

13 Nota de Laurent Guyénot: Mark Letteney, The Christianization of Knowledge in Late Antiquity: Intellectual and Material Transformations, p. 89.

14 Nota de Laurent Guyénot: Mark Letteney, The Christianization of Knowledge in Late Antiquity: Intellectual and Material Transformations, p. 118.

15 Nota de Laurent Guyénot: Mark Letteney, The Christianization of Knowledge in Late Antiquity: Intellectual and Material Transformations, p. 218.

16 Nota de Laurent Guyénot: Jacob Neusner, Judaism and Christianity in the Age of Constantine, University of Chicago Press, 1987, p. ix.

17 Nota de Laurent Guyénot: Rodney Stark, The Rise of Christianity: A Sociologist Reconsiders History, Princeton UP, 1996, p. 65.

18 Nota de Laurent Guyénot: Jan Assmann, Of God and Gods: Egypt, Israel, and the Rise of Monotheism, The University of Wisconsin Press, 2008, p. 1.

19 Nota de Laurent Guyénot: Jan Assmann, The Price of Monotheism, Stanford UP, 2010, pp. 13-14.

20 Nota de Laurent Guyénot: Jan Assmann, The Price of Monotheism, p. 1.

21 Nota de Laurent Guyénot: Florus of Lyon, Opuscula adversus Amalarium, 119.82a, citado em  Patrick J. Geary, Before France and Germany: The Creation and Transformation of the Merovingian World, Oxford UP, 1988, kindle l. 32. Geary, however, translates “in his own heart”, onde o texto latino diz n suo spiritu. https://la.wikisource.org/wiki/Opuscula_adversus_Amalarium

22 Nota de Laurent Guyénot: Anthony Gottlieb, The Dream of Reason: A History of Western Philosophy from the Greeks to the Renaissance, W.W. Norton & Co, 2016,, p. 359.

*1 Fonte utilizada por Laurent Guyénot: The Renaissance Genius, por Laurent Guyénot, 12 de março de 2025, The Unz Review – Na Alternative Media Selection.

https://www.unz.com/article/the-renaissance-genius/

*2 Fonte utilizada por Laurent Guyénot:

https://en.wikipedia.org/wiki/Archimedes_Palimpsest

23 Nota de Laurent Guyénot: Louis Rougier, The Genius of the West, Nash Publishing, 1971 uma edição abreviada da versão francesa, Le Génie de l’Occident, 1969). Fala de um holocausto de livros, pp. 65-66.

https://archive.org/details/geniusofwest0000roug/page/n3/mode/2up

The Crucifixion of the Logos: A Jewish Coup on the Roman Mind, por Laurent Guyénot, 18 de maio de 2026, The Unz Review – Na Alternative Media Selection.

https://www.unz.com/article/the-crucifixion-of-the-logos-a-jewish-coup-on-the-roman-mind/

Sobre o autor: Laurent Guyénot (1960-) possuí mestrado em Estudos Bíblicos e trabalho em antropologia e história das religiões, tendo ainda o título de medievalista (PhD em Estudos Medievais em Paris IV-Sorbonne, 2009) e de engenheiro (Escola Nacional de Tecnologia Avançada, 1982).

Entre seus livros estão:

LE ROI SANS PROPHETE. L'enquête historique sur la relation entre Jésus et Jean-Baptiste, Exergue, 1996.

Jésus et Jean Baptiste: Enquête historique sur une rencontre légendaire, Imago Exergue, 1998.

Le livre noir de l'industrie rose – de la pornographie à la criminalité sexuelle, IMAGO, 2000.

Les avatars de la réincarnation: une histoire de la transmigration, des croyances primitives au paradigme moderne, Exergue, 2000.

Lumieres nouvelles sur la reincarnation, Exergue, 2003.

La Lance qui saigne: Métatextes et hypertextes du Conte du Graal de Chrétien de Troyes, Honoré Champion, 2010.

La mort féerique: Anthropologie du merveilleux (XIIᵉ-XVᵉ siècle), Gallimard, 2011.

JFK 11 Septembre: 50 ans de manipulations, Blanche, 2014.

Du Yahvisme au sionisme. Dieu jaloux, peuple élu, terre promise: 2500 ans de manipulations, Kontre Kulture, Kontre Kulture, 2016. Tem edição em inglês: From Yahweh to Zion: Jealous God, Chosen People, Promised Land...Clash of Civilizations, Sifting and Winnowing Books, 2018.

Petit livre de - 150 idées pour se débarrasser des cons, Le petit livre, 2019.

“Our God is Your God Too, But He Has Chosen Us”: Essays on Jewish Power, AFNIL, 2020.

Anno Domini: A Short History of the First Millennium AD, 2023.

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O Gancho Sagrado - O Cavalo de Tróia de Jeová na Cidade dos Gentios {os não-judeus} - por Laurent Guyénot - parte 1 (demais duas partes na sequência do próprio artigo)

O Solstício de Inverno: Símbolo da antiguidade da civilização europeia – por David Duke

Traga seus mortos ... De volta ao altar da família - por Laurent Guyénot

Êxodo recorrente: Identidade judaica e Formação da História - Por Andrew Joyce, Ph.D., {academic auctor pseudonym}

O truque do diabo: desmascarando o Deus de Israel - Por Laurent Guyénot - parte 1

Jesus o judeu - por Thomas Dalton Ph.D. {academic auctor pseudonym}

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