domingo, 1 de fevereiro de 2026

{Tributo a James Watson (1928-2025)} - Doze Livros Desconhecidos e Suas Verdades Raciais Suprimidas - parte 11 {J. Philippe Rushton} - por Ron Keeva Unz

 Continuação de {Tributo a James Watson (1928-2025)} - Doze Livros Desconhecidos e Suas Verdades Raciais Suprimidas - parte 10 {Richard Lynn e Tatu Vanhanen} - por Ron Keeva Unz

Ron Keeva Unz


J. Philippe Rushton e Race, Evolution, and Behavior

Passei a explicar51 então que a enorme polêmica sobre raça e QI, na verdade, desviou a atenção de uma análise racial muito mais abrangente e revolucionária, desenvolvida por um pesquisador diferente.

Eu tinha sempre estado interessado em questões raciais, e o enorme frenesi midiático de 1994 em torno de The Bell Curve naturalmente me levou a comprar um exemplar, mas achei-o pouco interessante e perdi o fôlego antes de ler as cem páginas do enorme volume de 845 páginas. Afinal, Herrnstein vinha escrevendo praticamente a mesma coisa há mais de duas décadas, começando com seu famoso artigo de 1971 na revista Atlantic Monthly, e embora ele agora tivesse compilado uma grande quantidade de evidências adicionais para corroborar seus argumentos, eles já haviam me convencido muitos anos antes.

Em contraste, outro livro que coincidentemente foi lançado quase na mesma época se enquadra em uma categoria muito diferente. Embora ele tenha recebido apenas uma fração da cobertura midiática dada ao livro de Herrnstein/Murray, eu achei Race, Evolution, and Behavior “Raça, Evolução e Comportamento”, do acadêmico canadense J. Philippe Rushton, absolutamente fascinante e o considerei um avanço seminal na teoria da evolução humana.

{John Philippe Rushton (1943-2012) foi um professor de psicologia na Universidade de Western Ontario. Suas áreas de pesquisa incluíram o altruísmo, inteligência e diferenças raciais.}
 

Após resumir os fatos científicos conhecidos sobre as principais raças da humanidade e suas diferentes características, Rushton analisou esses dados no contexto da teoria r/K, uma estrutura de adaptação biológica originalmente desenvolvida pelo pioneiro da sociobiologia E. O. Wilson, que analisa os organismos como sendo otimizados para condições ambientais específicas. Em circunstâncias de abundância de recursos, as espécies r-selecionadas enfatizam a reprodução rápida, enquanto que, se os recursos são escassos e a competição é o fator crucial, as espécies K-selecionadas focam em alto investimento parental.

Todos os humanos estão situados no extremo K do espectro, mas algumas raças mais do que outras. Ao restringir sua atenção às três mega-raças clássicas em escala continental — africanos, europeus e asiáticos orientais — Rushton analisou suas características sob essa estrutura teórica. Em cerca de sessenta traços físicos e comportamentais diferentes, os africanos invariavelmente se encontravam em uma extremidade do espectro e os asiáticos na outra, com os europeus no meio, porém muito mais próximos dos asiáticos. E, em cada caso, essas características biológicas seguiam o mesmo padrão r/K. Uma vasta quantidade de dados empíricos corroborou a conclusão de que cada raça havia desenvolvido um conjunto distinto de características influenciadas pelo ambiente.

Eu me lembro discutindo casualmente os dois livros contrastantes com um amigo acadêmico de posicionamento político moderado na época, e ambos concordamos que, embora as ideias do tão badalado Bell Curve não fossem particularmente novas nem provocativas, a pesquisa de Rushton era absolutamente fascinante e provavelmente merecedora de um Prêmio Nobel. Eu brinquei também que poderia levar pelo menos trinta anos para que um material tão controverso fosse suficientemente aceito para que ele pudesse reivindicar essa honra. Como esses prêmios não são concedidos postumamente, quando Rushton morreu de câncer em 2012, com a idade relativamente jovem de 68 anos, eu mencionei a um dos acadêmicos mais proeminentes de Harvard que minha previsão não poderia mais ser testada.

Adespeito dos aspectos chocantes da análise racial de Rushton, cujas conclusões controversas superavam em muito as afirmações bastante brandas e bem estabelecidas de Herrnstein e Murray, seu livro inicialmente recebeu um tratamento justo e até mesmo favorável, com as duas obras frequentemente mencionadas juntas em resenhas. A discussão extremamente longa na seção de resenhas de livros do New York Times de domingo abordou ambos os assuntos e, embora tenha mencionado a “tese incendiária” de Rushton, suas ideias foram tratadas de modo com pleno respeito.

Contudo, para a maioria dos leitores modernos, a discussão bastante direta de Rushton sobre as diferenças raciais no tamanho do cérebro, nos órgãos genitais e nas taxas de maturação física pode desencadear uma reação quase alérgica, parecendo representar os aspectos mais horríveis do incessantemente vilipendiado “racismo científico” das primeiras décadas do século XX. Não me surpreendeu notar que a entrada de Rushton na Wikipédia tentava, de forma tênue, ligá-lo ao Partido Nazista em seu segundo parágrafo, e muitos jornalistas seguiram uma linha de ataque muito semelhante em 1994. De fato, como seu próprio livro havia feito uso significativo da pesquisa de Rushton, Murray sentiu-se compelido a adicionar um posfácio que defendia Rushton como um “acadêmico sério”, mas muitos dos ataques mais severos a The Bell Curve ainda exploraram amplamente essa associação com Rushton.

O livro marcante de Rushton não está mais em impressão e só pode ser encontrado na Amazon a preços exorbitantes, mas, felizmente, cópias em PDF podem ser encontradas na internet, assim como edições abreviadas, que condensam seu volume de 350 páginas no equivalente a um longo artigo.

Por anos, a pesquisa e os escritos de Rushton atraíram forte hostilidade, com esquerdistas organizados tentando, sem sucesso, fazer com que sua universidade canadense o demitisse de sua cátedra, e políticos proeminentes chegando a sugerir que ele fosse investigado e processado por violações das abrangentes leis canadenses contra crimes de ódio. Incessantemente perseguido ou ignorado pela corrente política estabelecida, enquanto saudado por sua genialidade pela comunidade racialista,52 as próprias visões ideológicas de Rushton podem ter se alterado gradualmente como consequência. Logo no início de seu livro de 1995, ele argumentou que o uso de sua pesquisa científica por nacionalistas étnicos era “problemático”, mas em 2002 ele assumiu a presidência do Pioneer Fund e alguns anos depois tornou-se um palestrante frequente em conferências racialistas de direita, momento em que passei a considerá-lo um nacionalista branco declarado.

Tradução e palavras entre chaves por Mykel Alexander

Continua...

 Notas:


51 Fonte utilizada por Ron Keeva Unz: White Racialism in America, Then and Now, por Ron Keeva Unz, 05 de outubro de 2020, The Unz Review – An Alternative Media Selection.

https://www.unz.com/runz/white-racialism-in-america-then-and-now/#philippe-rushton-r-k-theory-and-accelerated-evolution

Fonte: American Pravda: Twelve Unknown Books and Their Suppressed Racial Truths, por Ron Keeva Unz, 17 de novembro de 2025, The Unz Review – An Alternative Media Selection.

https://www.unz.com/runz/american-pravda-twelve-unknown-books-and-their-suppressed-racial-truths/

Sobre o autor: Ron Keeva Unz (1961 -), de nacionalidade americana, oriundo de família judaica da Ucrânia, é um escritor e ativista político. Possui graduação de Bachelor of Arts (graduação superior de 4 anos nos EUA) em Física e também em História, pós-graduação em Física Teórica na Universidade de Cambridge e na Universidade de Stanford, e já foi o vencedor do primeiro lugar na Intel / Westinghouse Science Talent Search. Seus escritos sobre questões de imigração, raça, etnia e política social apareceram no The New York Times, no Wall Street Journal, no Commentary, no Nation e em várias outras publicações.

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quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

{Questão judaica e sionismo em 2002} - Weber discursa sobre o poder judaico em reunião do IHR na Virgínia -por Theodore O'Keefe (editorial)

 

Theodore O'Keefe


Em uma reunião especial do Instituto de Revisão Histórica (IHR) em Arlington, Virgínia, no sábado, 2 de março de 2002, o diretor do IHR, Mark Weber, traçou a ascensão do poder judaico nos Estados Unidos ao longo dos últimos 60 anos e enfatizou o imenso poder e influência que os judeus exercem hoje na vida política, cultural, intelectual e econômica americana.

Entre os 38 homens e mulheres que participaram desta reunião — o primeiro evento do IHR em anos na região de Washington, D.C. — estavam dois escritores de renome nacional, vários advogados e outros profissionais, e um número gratificante de pessoas jovens.

Embora os judeus façam não mais do que três ou quatro por cento da população total dos EUA, disse Weber, eles agora exercem um poder maior do que qualquer outro grupo étnico, racial ou religioso. A esse respeito, ele citou uma conversa privada de 1972 entre o presidente Richard Nixon e o proeminente líder religioso Billy Graham, que acabara de ser tornada pública, durante a qual os dois concordaram que os judeus têm um “domínio absoluto”; na mídia dos EUA, e que, como resultado, “o país está indo para o ralo”.

Em sua palestra intitulada “O Poder Judaico: Seu Significado para a América e o Mundo”, Weber disse:

As vítimas mais diretas e óbvias do poder judaico-sionista são, naturalmente, os palestinos que vivem sob o regime opressor de Israel. Mas, como o IHR tem deixado claro há anos, na verdade nós, americanos, também somos vítimas — por meio do domínio judaico-sionista sobre a mídia e da corrupção judaico-sionista organizada em nosso sistema político. Nós somos pressionados, persuadidos, bajulados e enganados a sustentar o Estado judeu, fornecendo-lhe bilhões de dólares anualmente e armamentos de última geração, e até mesmo sacrificando vidas americanas — como no ataque de Israel ao USS Liberty em 1967 — tornando-nos, assim, cúmplices de seus crimes.

A verdade é que, se aplicássemos a Israel os mesmos padrões que aplicamos à Sérvia, ao Afeganistão e ao Iraque, os bombardeiros e mísseis americanos estariam bombardeando Tel Aviv, e o primeiro-ministro israelense, Sharon, estaria atrás das grades por crimes de guerra e crimes contra a humanidade.

“Hoje, o perigo é maior do que em muitos anos”, disse Weber. “Há apenas algumas semanas, o embaixador francês em Londres, Daniel Bernard, reconheceu em privado que Israel — a quem chamou de ‘aquele paíszinho de merda’ — está ameaçando a paz mundial. ‘Por que o mundo deveria estar em perigo de uma Terceira Guerra Mundial por causa daquelas pessoas?’, disse Bernard sem rodeios. Organizações judaicas influentes e figuras políticas, e grande parte da mídia dominada por judeus, em colaboração com os líderes de Israel e apoiados pela ala pró-sionista do país, estão agora incitando nossa nação a novas guerras contra os inimigos de Israel.”

Através da história, disse Weber, os judeus exerceram repetidamente grande poder para promover interesses de grupo que são separados e, muitas vezes, contrários aos das populações não judaicas entre as quais vivem. Isso cria uma situação inerentemente injusta e instável que, como a história demonstra, nunca dura. Como Weber afirmou: “Hoje, nós testemunhamos e vivenciamos apenas a mais recente representação de um grande e trágico drama histórico que, ao longo dos séculos, se repetiu inúmeras vezes, em diversos países, culturas e épocas.”

Weber também falou sobre o trabalho e o impacto do Instituto nos recentes anos, incluindo a atenção internacional gerada pelo papel do IHR na conferência revisionista do ano passado em Beirute, que foi cancelada pelas autoridades libanesas sob pressão do governo dos EUA e de organizações sionistas. Ele também relatou os preparativos para a 14ª Conferência do IHR no sul da Califórnia, de 21 a 23 de junho.

Tradução e palavras entre chaves por Mykel Alexander

 

Fonte: Weber Speaks on Jewish Power at IHR Meeting in Virginia, por Theodore O'Keefe, From The Journal of Historical Review, março-abril, 2002 (Vol. 21, nº 2), página 3.

https://ihr.org/journal/v21n2p-3_power.html

Sobre o autor: Theodore O'Keefe, nascido em Nova Jersey (1949 -) é formado em História em Harvard e com estudos em idiomas, latim, grego, francês, alemão, espanhol, italiano e japonês. Foi membro do Institute for Historical Review, autor de vários artigos sobre história e política, e editor assistente de publicações do Journal for Historical Review

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domingo, 25 de janeiro de 2026

{Retrospectiva 2014 - Sionismo x Irã} Bilionários {sionistas} declaram guerra ao Irã - E o governo dos Estados Unidos está ajudando - por Philip Girald

 

Philip Giraldi


Há um grupo de bilionários judeus americanos que aparentemente está fazendo o possível para impedir o avanço das negociações com o Irã, acreditando erroneamente que estão agindo em benefício de Israel. E eles também parecem contar com o apoio da Casa Branca, que, ao mesmo tempo, afirma desejar o sucesso das negociações. Essa relação peculiarmente estranha está sendo debatida em um tribunal de Manhattan,[1] onde o Departamento de Justiça busca extinguir um processo que, segundo ele, pode revelar a hipocrisia do governo em lidar com informações confidenciais, enquanto simultaneamente envia jornalistas e denunciantes para a prisão sob a acusação de terem feito o mesmo.

O poder e a riqueza dos grupos anti-Irã, bem como seu acesso privilegiado ao governo dos Estados Unidos, fazem com que uma política de distensão com o Irã, que seria uma decisão óbvia considerando os interesses tanto americanos quanto iranianos, avance aos trancos e barrancos, com o Congresso americano e grande parte da mídia firmemente alinhados para impedir o processo. O Comitê de Assuntos Públicos Israelo-Americano (AIPAC) e sua fundação educacional afiliada, que se concentraram na “ameaça iraniana” nos últimos três anos, possuem um orçamento combinado de mais de US$ 90 milhões, enquanto o Washington Institute for Near East Policy {Instituto de Washington para Políticas do Oriente Próximo} (WINEP), derivado do AIPAC, dispõe de US$ 8,7 milhões.

Os esforços do Instituto Americano de Empresas (AEI) são mais diversificados, mas uniformemente alinhados com uma postura agressiva em relação ao Oriente Médio. Seu orçamento é de US$ 45 milhões. Entre os doadores/apoiadores multimilionários identificados[2] para o AIPAC, AEI e WINEP estão Sheldon Adelson, da Las Vegas Sands, Paul Singer, do fundo de hedge Elliot Management, e Bernard Marcus, da Home Depot.

{Da esquerda para direita: O falecido judeu sionista Sheldon Adelson (1933-2021), líder mundial em jogos de azar, grande financiador eleitoral de D. Trump, mas comumente chamado de conservador; Paul Elliott Singer (1944-), judeu sionista magnata do petróleo e grande financiador eleitoral de D. Trump, cobiça recursos de outros povos, entre os quais do Irã e da Venezuela; o judeu sionista Bernard Marcus (1929-2024), bilionário do setor de construção e energia, financiador eleitoral de D. Trump. Todos os três são sionistas, todos os três financiam D. Trump, todos os três odeiam o Irã, e empreendem contra o Irã}.


{Velório do judeu sionista e rei dos jogos de azar Sheldon Adelson (1933-2021) em Israel: B. Netanyahu, líder judeu-sionista e Primeiro Ministro de Israel, presta suas condolências antes do funeral em Israel (crédito da imagem: The Times of Israel, 15 de janeiro de 2021, https://www.timesofisrael.com/sheldon-adelsons-coffin-arrives-in-israel-ahead-of-funeral-in-jerusalem/ )}

Outros think tanks de direita, incluindo o Heritage Foundation e o Hudson Foundation, em Washington, também apoiam a pressão implacável contra o Irã. Até mesmo o mais centrista Brookings Institute, adota uma postura pesada[3] em relação à política do Oriente Médio, em virtude do seu Instituto Saban, financiado pelo bilionário israelense-americano Haim Saban. E há ainda as principais organizações judaicas, como a Liga Antidifamação (ADL), a Conference of Presidents of Major Jewish Organizations {Conferência de Presidentes das Principais Organizações Judaicas} (COPHO) e o American Jewish Congress {Congresso Judaico Americano} (AJC), todas com vastos recursos e acesso incomparável à Casa Branca, ao Congresso e à mídia.

{O bilionário judeu sionista Haim Saban (1944-) exerce enorme influência nos EUA (sendo um grande doador dos democratas) a favor de Israel e contra o Irã, frequentemente indo mesmo contra os interesses americanos. Crédito da foto: The Times of Israel}

Todos os grupos pró-Israel e anti-Irã utilizam táticas de pressão no Capitólio e têm sido eficazes em dominar o debate político. Das 36 testemunhas externas[4] convocadas para depor em sete audiências no Senado sobre o Irã desde 2012, somente uma pode ser considerada sensível às preocupações iranianas. O enorme esforço de lobby permite que os grupos anti-Irã definam as políticas concretas, apresentem seus projetos de lei no Congresso e, eventualmente, vejam suas propostas aprovadas com maiorias esmagadoras tanto na Câmara quanto no Senado. É a democracia em ação se aceitarmos que o governo popular deve ser guiado por dinheiro e grupos de pressão, em vez de interesses nacionais.

Menos conhecido é o grupo {United Against Nuclear Iran}[5] Unidos Contra o Irã Nuclear (UANI), que tem um orçamento de quase US$ 2 milhões. O UANI {Unidos Contra o Irã Nuclear} está envolvido no processo judicial em Nova York. O grupo, que de alguma forma obteve o status de isenção fiscal “educacional” 501(c)(3), que, entre outras coisas, lhe permite ocultar seus doadores, tem escritórios no Rockefeller Center, na cidade de Nova York. Ele atua no Capitólio, fornecendo “testemunhos de especialistas” sobre o Irã para comissões do Congresso, incluindo “ajuda” na elaboração de leis. Em uma audiência da Comissão de Relações Exteriores do Senado sobre o Irã, em julho, todas as três testemunhas externas[6] eram do UANI {Unidos Contra o Irã Nuclear}. O grupo também atua na mídia, mas talvez seja mais conhecido por suas iniciativas de “nome e vergonha”, nas quais denuncia empresas que, segundo ele, fazem negócios com Teerã em violação às sanções dos EUA.

A UANI está sendo processada[7] pelo bilionário grego Victor Restis, que foi exposto pela própria organização em 2013. Restis alega que a exposição foi fraudulenta e realizada para prejudicar seus negócios, e entrou com uma ação exigindo que a UANI {Unidos Contra o Irã Nuclear} e o bilionário Thomas Kaplan entreguem documentos e detalhes sobre os relacionamentos de doadores da UANI {Unidos Contra o Irã Nuclear} que, segundo ele, estão ligados ao caso. Kaplan, residente em Nova York, fez sua fortuna inicial com exploração e desenvolvimento de energia. Mais recentemente, ele tem se envolvido com o comércio de metais preciosos. Sua esposa, Daphne, é israelense, e seu envolvimento[8] em diversas instituições filantrópicas judaicas, tanto nos EUA quanto em Israel, gerou comparações com o controverso e falecido negociador de commodities Marc Rich, que teria trabalhado[9] em estreita colaboração com o governo israelense em diversos projetos.

{O bilionário judeu sionista Thomas Kaplan (1962-) exerce influência global e nos EUA em think tank militar e grande empenho contra o Irã, através da organização Unidos Contra o Irã Nuclear (United Against Nuclear Iran – UANI)}.

O Departamento de Justiça gostaria que o processo contra a UANI {Unidos Contra o Irã Nuclear} fosse arquivado, pois está ciente de que os documentos descritos como “de aplicação da lei” incluem informações privilegiadas e sigilosas do Departamento do Tesouro relacionadas a indivíduos e empresas que foram investigados por violação de sanções. Passar documentos relacionados à inteligência ou à aplicação da lei para uma organização privada é ilegal, mas a única preocupação aparente do Departamento de Justiça é que essa atividade possa ser exposta. Não há indícios de que o Departamento vá processar a UANI {Unidos Contra o Irã Nuclear} por ter obtido as informações, e talvez se deva presumir que a fonte do vazamento seja o próprio Departamento do Tesouro.

Quem ou o que forneceu os documentos a um grupo de defesa privado que também é uma fundação isenta de impostos, apoiada por empresários proeminentes com interesses no Oriente Médio, não está totalmente claro, mas Restis presume que a verdade virá à tona se ele conseguir obter as provas. O processo alega que a UANI {Unidos Contra o Irã Nuclear} intimida seus alvos difamando suas práticas comerciais, além de exigir tanto um exame[10] de seus livros contábeis quanto uma auditoria realizada por um de seus próprios contadores, seguida de revisão por um “conselho independente.”

Kaplan é citado nominalmente no processo por parecer ser a figura influente por trás da UANI {Unidos Contra o Irã Nuclear}. Ele uma vez se gabou:[11] “Nós (a UANI) temos feito mais para trazer o Irã de calcanhares do que qualquer outra iniciativa do setor privado.” Kaplan também emprega como diretor ou executivo em seis de suas empresas o Diretor Executivo da UANI {Unidos Contra o Irã Nuclear}, Mark Wallace, e teria arranjado[12] a nomeação de Gary Samore, presidente do Centro Belfer de Harvard, para o cargo de Diretor Executivo.

Kaplan é um concorrente comercial de Restis, cujos advogados aparentemente buscam demonstrar duas coisas: primeiro, que o governo dos EUA tem fornecido informações, por vezes apenas parcialmente verificadas, à UANI {Unidos Contra o Irã Nuclear} para auxiliar em seu programa de “nome e vergonha”; e segundo, que a própria UANI {Unidos Contra o Irã Nuclear} é financiada por interesses comerciais partidários, como os de Kaplan, bem como por fontes estrangeiras, o que aparentemente implica Israel. Ou até mesmo o serviço de inteligência israelense Mossad. Meir Dagan, ex-chefe do Mossad, faz parte do conselho consultivo da UANI {Unidos Contra o Irã Nuclear}, que também inclui o ex-senador Joseph Lieberman e o ex-diplomata sênior Dennis Ross, ambos frequentemente acusados ​​de favorecer interesses israelenses e que podem ter fácil acesso a informações geradas pelo governo dos EUA.

E então há o Muhadedin-e-Khalq, o grupo terrorista iraniano que assassinou pelo menos seis americanos e agora auxilia o governo israelense[13] no assassinato de cientistas iranianos, uma definição clara do que constitui terrorismo. O grupo figurou na lista de organizações terroristas do Departamento de Estado de 1997 até 2012, quando a Secretária de Estado Hillary Clinton o retirou da lista em resposta às demandas de aliados de Israel no Congresso, bem como de um grande grupo de ex-funcionários do governo, muitos dos quais receberam altos honorários do grupo para atuarem como defensores. Entre os americanos pagos para defender o grupo[14] estavam os ex-diretores da CIA James Woolsey e Porter Goss, o prefeito de Nova York Rudolph Giuliani, o ex-governador de Vermont Howard Dean, o ex-diretor do FBI Louis Freeh e o ex-embaixador das Nações Unidas John Bolton. Os promotores do Muhadedin-e-Khalq no congresso e em outros lugares alegavam ser motivados principalmente pelo fato de o Muhadedin-e-Khalq ser um inimigo do regime atual em Teerã, embora seu virulento antiamericanismo e histórico terrorista o tornem um símbolo um tanto improvável para a “resistência iraniana”.

Os apoiadores do Muhadedin-e-Khalq também ignoram[15] o fato de que o grupo é administrado como um culto, executa rotineiramente dissidentes internos e praticamente não tem apoio político dentro do Irã. Mas esses são os métodos da corrupta classe política de Washington, que idolatra uma organização que deveria evitar. O braço político do Muhadedin-e-Khalq está localizado em Paris e há muito se presume que seja financiado pelo governo israelense e por pelo menos alguns dos mesmos bilionários, possivelmente incluindo seus homólogos israelenses, que apoiam a agenda anti-Irã nos Estados Unidos.

{Símbolo do grupo Muhadedin-e-Khalq, que é um grupo terrorista dentro do Irã financiado pelo sionismo contra o próprio Irã: na mentalidade propagada pelo sionismo tal terrorismo poderia ser denominado de terrorismo do “bem”}.

Os negociadores iranianos aceitaram que seu país deveria ter apenas capacidades limitadas de enriquecimento de urânio, juntamente com um rigoroso regime de inspeção, mas as negociações em Genebra se arrastam indefinidamente, enquanto os Estados Unidos continuam a hesitar, levantando novas objeções regularmente, apesar das alegações de que operam de boa fé e buscam uma solução. Que um acordo esteja ao alcance é inegavelmente verdade e seria até mesmo benéfico para Israel, pois eliminaria a opção nuclear regional, tornando muito menos provável outra guerra inútil e devastadora. Mas os homens que assinam os cheques não veem as coisas dessa maneira e, infelizmente, são eles que, com muita frequência, pagam a banda e ditam o tom.

Tradução e palavras entre chaves por Mykel Alexander

 Notas:


[5] Fonte utilizada por Philip Girald:

http://www.unitedagainstnucleariran.com/

[10] Fonte utilizada por Philip Girald:

http://www.irmep.org/uani.htm

Fonte: Billionaires Make War on Iran - And the United States Government is Helping, por Philip Giraldi, 26 de agosto de 2014, The Unz Review – An alternative media selection.

https://www.unz.com/pgiraldi/billionaires-make-war-on-iran/

Sobre o autor: Philip Giraldi (1946 –) é um ex-agente de contraterrorismo, agente da Cia e da inteligência militar dos EUA. Concluiu seu BA na Universidade de Chicago, com Mestrado e PhD na Universidade de Londres, em História Europeia. Atualmente é colunista, comentador televisivo e Diretor Executivo do Council for the National Interest. Escreveu artigos para as revistas e jornais The American Conservative magazine, The Huffington Post, e Antiwar.com para a rede midiática Hearst Newspaper. Foi entrevistado pelos jornais e revistas Good Morning America, 60 Minutes, MSNBC, Fox News Channel, National Public Radio, a Canadian Broadcasting Corporation, a British Broadcasting Corporation, al-Jazeera, al-Arabiya, Iran Daily, Russia Today, Veterans Today, Press TV. Foi conselheiro de política internacional para a campanha de Ron Paul em 2008.

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quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Imigração: o racismo antibranco - por François Bousquet

 

François Bousquet


As coisas na Europa ainda não chegaram ao ponto em que se encontram na África do Sul, onde ruralistas brancos são espoliados e assassinados aos milhares. Aqui não, por enquanto … Porém as vexações, os insultos e as agressões que sofrem os brancos pelo simples fato de serem brancos, isso já chegou à Europa, isso já é parte do cotidiano ― pelo menos na França, na Inglaterra, na Alemanha, na Itália … Nesses países não há o freio relativo da imigração hispano-americana que há na Espanha, a qual não deixa de ser em boa parte de cultura branca.

Sobre tão candente e aterrorizante questão, François Bousquet realizou na França ampla pesquisa de campo. Ele fala disso nesta entrevista, como também no seu último livro ― Le racisme anti-blanc (Editions de La Nouvelle Librairie). 

 

Vossia decidiu começar sua investigação sobre o racismo contra os brancos citando sondagem do portal de videojogos "jeuxvideos.com", que frequentei muito, aliás. Qual é a razão dessa escolha?

 

François Bousquet: esses foros de debate no ciberespaço são a trilha sonora de uma geração: a de uma juventude branca, masculina, não necessariamente marginal, mas sem espaço legítimo de expressão. Deve-se entender esses cibercentros como caixas de ressonância para tudo o que a mídia do estabilismo não repercute: a voz de uma França, uma juventude que vive em contato direto com o racismo antibranco nos pátios das escolas, nos estádios, nos pontos de ônibus escolares, nas ruas que as elites metropolitanas nunca pisam. Trata-se de foros que lançam debates sobre temas proibidos, embora presentes no dia-a-dia dos adolescentes brancos. Estão repletos de testemunhos. Também nessas plataformas é que esses jovens, amiúde isolados, descobrem que não são os únicos a sofrer com uma imigração extraeuropeia que impõe sua própria lei sobre os nativos. A mídia dominante, controlada pelos "bolchechiques" [N. do T.: no original: "pihoprogres"] e a velharada de 68 [N. do T: no original: "boomers"], censura veladamente tudo quanto não pertença ao seu círculo, ao passo que os telegrupos oferecem lócus de reconhecimento, com seus códigos e seu léxico americêntrico: a mofa, o sarcasmo, a ausência de filtros … Temos aí o nosso "Trump’s Troll Army". O resultado: há mais possibilidades de tomar o pulso de uma geração aí do que na Radio France ou na France Télévisions, mídias que há muito abafam qualquer voz discordante do discurso principalista. 

 

Os relatos que vossia colheu são de uma violência quase bárbara e revelam que o racismo antibranco não é fenômeno recente. Os testemunhos de sua pesquisa abarcam quase meio século, e uma das declarações mais duras de seu livro é também uma das mais antigas. Penso em Sébastien, nascido em 1976, que cresceu nos bairros conflituosos de Evry. "Eu só tinha 7 ou 8 anos, mas já sabia que me perseguiam porque sou branco", ele diz. Esse depoimento, de meado dos anos oitentas, já anunciava o destino que esperava as populações brancas nos grandes condomínios submetidos à transfusão racial. Naquela época, que forças contribuíam para que esse fenômeno fosse escamoteado?

 

François Bousquet: tais forças não apenas silenciaram isso que se passava como também tornaram possível sua ocorrência, ao modular o discurso público durante cinco décadas, abstraindo dele o problema. Seria preciso remontar a muitos anos para reconstruir a história disso, mas os anos setentas marcam uma etapa decisiva. Qual é a condição prévia para a construção de um homem novo? Ora, é a desconstrução do homem antigo. Isso é exatamente o que ocorreu naquele tempo, tanto na cultura popular quanto na erudita: minou-se metodicamente a autoestima dos franceses, reduzindo-os a uma caricatura de gabachos infames e congenitamente racistas. Tomemos como exemplo disso as seguintes porcarias: Dupont Lajoie (1975), filme infamatório antifrancês; La vie devant soi, de Émile Ajar/Romain Gary, história piegas premiada com o Goncourt de 1975 em que uma sobrevivente do "Holocausto" cria com amor o pequeno e agradecido Mohammad ― compare-se isto com o que se passou com Mireille Knoll, também sobrevivente do "Holocausto", assassinada en 2018 em Paris por seu vizinho Yacine Mihoub, que gritava "Alá akbar!"; Lily (1977), canção de propaganda por muito tempo ensinada nas escolas, que de forma sentimentaloide ― no estilo de Pierre Perret ― inculcava nos franceses a ideia de que os próprios franceses não passavam de ser malandros e racistas; ou, no âmbito universitário, um livro tão questionável como La France de Vichy (1972), do historiador ameringlês Robert Paxton, que demoniza retrospectivamente nosso país. Os exemplos poderiam ser multiplicados. Todo esse tipo de lixo foi o que formou e envenenou a mentalidade predominante na cultura em que vivemos.

 

Na década seguinte, tudo isso redundou na criação do SOS Racisme e da sua religião dos "amigos" ("Touche pas à mon pote!") ["Não mexa com o meu amigo!"]. Entrementes, os últimos brancos dos subúrbios eram trucidados (literalmente). Eis aí o teor do que conta Sébastien, que em meado dos anos oitentas estava perdido no Parc aux Lièvres [Parque das Lebres] de Évry, onde resistia à assimilação reversa como um dos últimos brancos. E quando ligava o televisor, topava com o meloso concerto dos amigos na Place de la Concorde ou com os tremolos humanitários de [Daniel] Balavoine cantando "Aziza", enquanto na vida real levava muita porrada na cabeça com monopatins e era perseguido como uma lebre por ser branco. Essa é a grande mentira de Estado do antirracismo: de toda a perseguição que se passava com os brancos nas ruas, nada era passado na televisão. 

 

Um de seus capítulos intitula-se "A teoria do grã-branco e a construção social do pequeno branco". Como o grande branco permite que se exerça o racismo contra o pequeno branco?

 

François Bousquet: o que ocorre é o seguinte: no imaginário progressista, há dois tipos de brancos: os "grandes" e os "pequenos". Os primeiros são a elite globalizada, repleta de títulos, que vive nos centros urbanos e nas zonas gentrificadas. Os segundos são caricaturados, menosprezados, invisibilizados. O primeiro tipo demoniza o segundo, atribuindo-se o papel de antirracista, quando na realidade é ele o mais eficiente agente do racismo contra os brancos. Por quê? Porque ao construir a figura repulsiva do "pequeno branco" — como campônio chovinista e grosseiro — legitima socialmente as agressões e o desprezo a que está sujeito. O grande branco lava mais branco. Esse branco dá parte de postura virtuosa denunciando suposto "privilégio branco" que na verdade só tem a ver com ele mesmo, enquanto faz que o "pequeno branco" tenha sobre si todo o peso do pecado ocidental. Ao sacrificar a maioria branca no altar das minorias santificadas, ele cria uma assimetria de que se beneficia: reforça seu capital cultural denegrindo aqueles já sem capital simbólico. Esse menoscapo social é que permite a prática do racismo antibranco, sempre e quando dirigido contra o único branco mau: o pequeno, nunca o grande. Destarte, travestido de figurino virtuoso, o grande branco alimenta o ódio contra os "pequenos pequenos". 

 

"A maioria dos jovens com quem conversei nunca havia questionado sua identidade até que passou a sofrer o racismo antibranco", vossia escreveu. Para explicar tal mecanismo, vossia retomou a interpretação de Gilles-William Goldnadel [advogado e censor judeu]. Ele sustenta que o superego inculpador deles não lhes permitia pensar em si mesmos como brancos (vergonha do "holocausto", do colonialismo, da escravidão …). Então, dada a culpa inculcada nos europeus, eles só poderão ganhar consciência étnica se sofrerem a violência racista?

 

François Bousquet: esse é o grande paradoxo da França e da Europa: todos os povos da terra têm conciência de sua identidade, a não ser nós mesmos. Ou melhor: somos proibidos de tê-la. Os outros são estimulados a se proclamar árabes, africanos, muçulmanos, transexuais, "quires" ou seja lá o que for … Mas os europeus não podem ser … europeus! Se intentam assumir sua condição de brancos, são denunciados como autores de uma lista de crimes "imprescritíveis". Esse tipo de repressão impede-os de alcançar a consciência de si mesmos. O resultado: só descobrem quem são tomando porrada no meio da cara. Obtive essa informação da maioria dos meus entrevistados na investigação que fiz. Nenhum deles era militante, ninguém se atribuía nenhuma identidade. Nem sequer tinham pensado nisso. Num belo dia, porém, isso caiu em cima deles na forma de agressão. Foi a violência sofrida o que lhes obrigou ao autorreconhecimento e à reação, mas ainda com certo sentimento de culpa. Assim se passa porque a única consciência identitária permitida é a consciência infeliz, culpável, etnomasoquista. Trata-se de suicídio étnico, pois bem se sabe que o povo privado do direito de amar a si mesmo está fadado a desaparecer.

 

No capítulo "A farsa da mescla", vossia escreve que "o separatismo não é tendência, é mecânica". Os homens não se mesclam. Quando podem, fogem dos bairros tomados de imigrantes. Até as áreas ditas "multiculturais" têm o espaço público segregado: "cinquenta metros de um lado, a progressia chique; cinquenta metros do outro, o Paristão". Como vossia explica que os mais progressistas são os que menos convivem com a diversidade?

 

François Bousquet: a mescla é a grande farsa da nossa época. Celebram-na nos estúdios de televisão, ensinam-na nas escolas, invocam-na como esconjuro moral. Na vida cotidiana, porém, ninguém acredita nela, principalmente aqueles que fizeram da diversidade um dogma. Os apóstolos mais fervorosos da convivência são os defensores de um distanciamento social que não ousa dizer sem nome. Os alteristas afagam a diversidade com a mão esquerda, mas na hora de escolher a escola de seus filhos ou assinar um contrato para dar de aluguel a sua casa, eles a apedrejam com a mão direita. A distribuição de vagas escolares converte-se numa estratégia de evasão reservada aos iniciados. E quem conhece melhor o sistema ― e os jeitinhos de levar vantagem nele — do que os progressistas? No terreno, a mescla não resiste à realidade. O multiculturalismo pode ser vivido, no máximo, como experiência musical, gastronômica ou turística, mas nunca como vida cotidiana compartida. Nas redes sociais, as pessoas trocam receitas orientais, mostram suas fotos em espetáculos de rap, exaltam a alogenização, mas em outros âmbitos vivem entre a gente de sua igualha. A fronteira está em toda parte: na rua, numa estação do metrô, no preço dos imóveis. De um lado, a progressia festiva; de outro, o Paristão; a distância física entre ambos não chega a cinquenta ou cem metros, mas a distância social é enorme. A segregação parece não existir, mas predomina nas decisões tocantes aos aspectos mais importantes da vida: a habitação, o trabalho, a escola dos filhos. O universalismo republicano nunca funcionou, a não ser quando se tratava de assimilar os próximos: italianos, espanhóis, portugueses. 

 

No momento da agressão, muitas vítimas ignoravam o caráter racista da violência sofrida. Era como se o racismo antibranco fosse alguma coisa impossível, inconcebível. Que consequências psicológicas sofrem as vítimas do racismo antibranco diante do seu não reconhecimento?

 

François Bousquet: as consequências são as de uma dupla negação, se me permite a expressão. Em primeiro lugar, ocorre a negação oficial, imposta pelo discurso dominante "explicando" que não há nem pode haver nenhum racismo contra os brancos. Em segundo lugar, ocorre a negação da parte das próprias vítimas, mais insidiosa, que funciona como mecanismo de defesa imunodeficiente. Explico melhor: para muitos, o primeiro impacto do racismo antibranco vem de não compreenderem o que estão vivendo. A violência sofrida é de natureza racial, mas esta é uma palavra que as vítimas estão proibidas de pronunciar. Foi-lhes ensinado que nenhum branco pode ser vítima do racismo. Assim, as vítimas brancas do racismo ficam sem palavras para verbalizar o que se passa com elas, ficam sem ferramentas conceituais para entender o fenômeno. A negação impede que o discurso seja confrontado com a realidade, e com isso o sentimento é recalcado no mais profundo do inconsciente. Assim se passou com Nicolas, cujo testemunho eu recolhi. Estudou num instituto em Crépy-en-Valois, a uma hora de trem de Paris. Durante um ano, suportou humilhações, golpes e insultos por ser branco. Mas o mais terrível não é isso. Ainda pior foi que acabou abraçando a causa de seus verdugos, chegando ao ponto de se integrar no mundo deles e adotar seus códigos, sua linguagem, sua cultura. Isso eu ouvi dele. Renegou completamente tudo o que ele mesmo era pela paz social, ou seja, por uma forma de tranquilidade interior que não podia questionar. Essa é a síndrome de Estocolmo em sua versão multicultural, que chamo de síndrome de Estocolmistão. Para esses adolescentes, a sobrevivência passa pelas leis da imitação. Adotam as normas culturais impostas pelo ocupante. Sabem que resistir implica se expor. O processo é tremendamente perverso: produz reféns que, para não sofrerem mais, passam ao autoconvencimento de que eles mesmos escolheram a sua condição. Isso dura até que um acontecimento ― no caso de Nicolas foram os atentados de 2015 ― rompe o véu da mentira. Mas a que preço? Dez anos, vinte anos perdidos, às vezes mais. Nicolas conseguiu se libertar de sua prisão psicossocial, mas quantos serão os que não conseguem? 

 

O transporte escolar, o trajeto para o trabalho ou colégio, a universidade, os centros de acolhimento, os vestiários, os centros de formação … o racismo antibranco evidencia-se em todo espaço de convivência … Burlar o processo formal de atribuição de vagas escolares não parece suficiente para escapar às agressões. Até Aurore Bergé, titular do ministério de Luta contra a Discriminação, conta que "cuspiram" nela e a xingaram de "francesa suja". Que branco pode escapar hoje em dia ao racismo contra os brancos?

 

François Bousquet: quem pode escapar ao racismo contra os brancos? Ninguém, a julgar pelo que se passou com Aurore Bergé, ministra "vitalícia" do macronismo. Não obstante, ela mesma se nega a ver nisso uma forma de racismo antibranco ― ao contrário de Sophie Primas (porta-voz do Governo). Aurore Bergé não é nenhuma exceção. Quantos "bolchechiques", agredidos ou humilhados, preferem buscar desculpas para os seus agressores? Os esquerdistas festivos sempre recitam os mantras politicamente corretos do besteirol miserabilista: a guetização, a pobreza, a discriminação, como se os imigrantes tivessem direito a uma espécie de imunidade moral e gozassem de permissão para agredir com total impunidade.

 

O racismo antibranco não caiu do céu. Ele é subproduto do desequilíbrio demográfico sem precedentes, suscitado pela imigração massiva e contínua, que transforma as maiorias em minorias no seu próprio território, bairro após bairro, escola após escola. Enquanto durar a recusa de barrar a imigração torrencial, o racismo contra os brancos seguirá prosperando. Não se trata de acidente, senão do sintoma de uma sociedade fragmentada, fraturada, abandonada a uma guerra de todos contra todos, estando a maioria de ontem convertida nos párias de hoje. Que é o multiculturalismo? uma sociedade sem coerência, sem projeto comum, sem futuro, ou seja, o multiculturalismo é a própria ausência de sociedade. O mesmo é dizer que vivemos num paiol de pólvora. Enquanto continuarmos sem atacar o problema da imigração, o tabu seguirá existindo. Romper com a censura exige abrir a caixa-preta da imigração massiva, uma política demográfica antinacional que as elites sacralizaram nos últimos quarenta anos. 

 

Os seus entrevistados falaram de situações de violência extrema, de racismo quase instintivo da parte de grupos ou até indivíduos que agridem franceses pacíficos, isolados, inocentes. Para além das interpretações "revanchistas" versando a escravidão, a colonização, quais os móbiles do racismo antibranco?

 

François Bousquet: não devemos aceitar o pensamento vitimista da escravidão, da colonização, que reduz o racismo antibranco a uma vingança histórica. Tal esquema interpretativo, difundido pelo discurso da descolonização, é um engano intelectual. Aqueles que entrevistei na minha pesquisa dão prova disso. O branco é molestado nas ruas, nas escolas, nos estádios, sem que a vítima tenha provocado nada. A agressão antibranca é gratuita, impulsiva, bestial. O verdadeiro motor desse ódio não está no passado, não é o passivo do passado, é o ressentimento. Nietzsche expôs o fulcro da questão. O ressentimento é a paixão das almas malnascidas. É um ódio macerado no fracasso e dirigido contra aqueles percebidos como superiores, não porque o sejam necessariamente, mas porque encarnam uma imagem invejada que não nos atrevemos a reconhecer. O ressentimento deseja o que odeia e odeia o que deseja. Nisso consiste a triste paixão das sociedades multiculturais. Nasce da comparação. Não se alimenta da colonização (isso já passou), mas se nutre do fracasso, do aqui e agora, a começar do fracasso na escola. Desse insucesso escolar nos primeiros anos surge a raiva que só se extravasa na violência racial gratuita. 

 

Em "Séance de lynchage; la tombe du collégien inconnu" [Sessão de linchamento: o túmulo do colegial desconhecido], vossia retira vários cadáveres do armário midiático. Aponta o artigo do Le Monde intitulado "O fantasma do racismo antibranco", que relata a violência inaudita de hordas suburbanas contra estudantes que protestavam contra a lei Fillon em 2005. No ano seguinte, os jovens franceses voltaram a apanhar dos "bandidos" alógenos quando protestavam contra o CPE [Contrato de Primeiro emprego]. Vossia cita Patrick Buisson, que acusou Nicolas Sarkozy, então ministro do Interior e rival de Villepin, de haver permitido que "bandos de negros e árabes agredissem os jovens brancos e ter, ao mesmo tempo, avisado fotógrafos da Paris Match que incidentes graves poderiam ocorrer". Assim, há vinte anos, o famoso diário e o futuro presidente da França tinham consciência da existência do racismo antibranco. Como explica essa tomada de consciência tão passageira quanto oportunista dessas elites francesas? [Com o longo preâmbulo dessa pergunta, o entrevistador parece sugerir que, quando foi conveniente como tática de luta política, as elites chegaram a reconhecer e manipular o racismo antibranco contra os seus rivais.]

 

François Bousquet: vossia tem razão: a lucidez midiática e política de 2005 e 2006 foi tão breve quanto oportunista: não passou de dois artigos em Le Monde e uma reportagem em Paris Match. Nada mais. Depois disso, o caso foi encerrado como o esquife de um cadáver. Desde então, silêncio sepulcral. O abafador é o "racismo estrutural", que falseia o estudo do conflito étnico, impedindo que se leve em conta o racismo antibranco. O tal "racismo sistêmico" é logro teórico (mais um!): supõe que todas as estruturas sociais ― escola, polícia, administração etc. ― estão atravessadas de racismo inconsciente, mas onipresente, sempre em benefício dos brancos. Não obstante, devemos considerar o que se passa na realidade do espaço público. Quem controla os bairros hoje? Quem controla as ruas? Quem impõe a lei nos vestiários, nos institutos, nos estádios, no transporte coletivo? Serão os "dominantes", os "opressores" brancos, assim como fantasia a turma da Faculdade de Ciências Políticas? NÃO! Se algo há de "estrutural" é o antirracismo alçado à condição de religião de Estado, antirracismo que classifica as vítimas segundo critérios étnicos, que fabrica hierarquias memoriais, que cancela os brancos das estatísticas para provar os seus preconceitos. Nesse sentido, pode-se dizer que o único racismo estrutural existente é o racismo contra os brancos.

 Tradução por Chauke Stephan Filho

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Fonte: El Manifiesto | Autor: François Bousquet | Título original (espanhol): La gran sustitución lleva al gran racismo antiblanco | Data de publicação: 1.o de junho de 2025 | Versão brasileira e tradução: Chauke Stephan Filho.

 

Sobre o autor: François Bousquet (1968-) é jornalista, ensaísta e editor francês formado em Letras. Foi editor-chefe da revista Éléments desde setembro de 2017. Foi jornalista de diversas revistas, incluindo Le Figaro Magazine, Valeurs actuelles e Le Spectacle du Monde. Entre julho de 2018 e maio de 2024, também dirigiu a livraria La Nouvelle Librairie em Paris, da qual é um dos principais cofundadores. Suas obras e ensaios concentram-se em tradicionalismo e crítica ao multiculturalismo.

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