domingo, 17 de novembro de 2019

Para quem há história? - por Mykel Alexander


 Mykel Alexander

            Indaga Oswald Spengler (1880-1936), o intuitivo filósofo da história alemão:
“Para quem há história? Pergunta paradoxal, ao que parece! Sem dúvida há história para todos, porquanto cada homem, com a totalidade de sua existência vigilante, é membro da história. Mas há grande diferença entre viver sob a impressão contínua de que a própria vida é um elemento de um ciclo vital muito mais amplo, que se estende sobre séculos ou milênios, e sentir a vida como algo completo, redondo, bem delimitado. É seguro que para esta última classe de consciência não há história universal, não existe o universo como história.”[1]
            Esta indagação de Spengler foi feita em Der Untergang des Abendlandes (1918-1922), traduzida apenas no Brasil em forma resumida como A Decadência do Ocidente, (várias edições pela Editora Zahar), obra que aborda a questão da capacidade humana de entender a História, quais seriam as dinâmicas da história, e se o homem seria capaz de determinar o momento de plenitude e decadência de uma civilização.

            Atualmente o mundo vive a epidemia das chamadas “fake news”, especialmente o Ocidente, ao mesmo tempo em que no Brasil a polaridade política entre as denominadas direita e esquerda se intensifica já flertando com o extremismo. Jornalistas e analistas em geral costumam repetir sempre que apesar de toda a polarização, o lado positivo de tal conjuntura é que nunca como antes o povo brasileiro esteve politizado e que isso é sinal de uma democracia saudável.

Oswald Spengler (1880-1936)
            A palavra “política” é originária da tradição grega, e a palavra “democracia” também. Sabem as pessoas as origens e o desenvolvimento dessas duas palavras? Sabem as pessoas os conceitos gregos vinculados a estas duas palavras?

       Certamente a quase absoluta maioria não sabe. O ensino das línguas antigas no Brasil, especialmente o latim, foi eliminado da educação brasileira. Alguém poderia alegar que o grego era ensinado em frequência mínima no território brasileiro e, portanto, o estudo das origens gregas feito no idioma grego nunca foi difundido no Brasil, havendo somente o latim, e que o latim é o idioma da tradição ocidental do Direito, procedente de Roma. Tudo isso é verdade, mas a tradição latina, especialmente a romana, ao menos indiretamente serviria para transmitir a tradição grega ao público brasileiro, particularmente devido aos escritos do grande romano Cícero (106-43 a.C.), possivelmente o principal nome que transportou a tradição filosófica, literária e de teoria política grega para Roma. Enfim, o latim foi banido do ensino brasileiro, já impedindo a compreensão das origens da tradição política greco-romana, grande base da política do Ocidente junto com a tradição germânica.

            No Ocidente a tradição política, greco-romana-germânica, de mentalidade filosófica e profunda, havia sido substituída pelos postulados iluministas que irromperam na Revolução Francesa, de mentalidade sentimentalista e superficial.

A mentalidade filosófica e profunda havia perdurado no Ocidente durante o século XIX, após a Revolução Francesa, principalmente nos estudos clássicos, especialmente na produção acadêmica alemã, austríaca, suíça, inglesa e francesa, que na época se comunicava com a política numa via de mão dupla, uma vez que não era raro políticos terem formação acadêmica e estarem íntimos dos grandes temas da humanidade.

            Tal mentalidade filosófica e profunda havia perdurado no Ocidente de modo não tão restrito aos círculos acadêmicos e políticos, alcançando as parte das massas notavelmente na Alemanha, devido aos estudos multidisciplinares nesta nação, onde a intersecção das ciências exatas, biológicas e humanas possuíam ambiente favorável já desde a educação básica, justamente pela mentalidade filosófica alemã, dado que a filosofia, em seu sentido original, grego, o qual era o eixo do saber, tinha semelhante posição na Alemanha, que, consequentemente era tido como o país mais culto do mundo.

            Mas nas massas, e em grande parte da intelectualidade ocidental, o que incluía Inglaterra, França e EUA, as ideias iluministas iam se espalhando através do século XIX e início do século XX, exortando louvores ao direito de voto do povo, cujo sistema político que acolhia tal contexto era a democracia, uma palavra grega, conforme já mencionada, e que originalmente era parte da uma visão de mundo grega, na qual ocupava uma posição pouco prestigiada, e isso  pela falta de confiança que o grego tinha em relação ao homem sem a devida formação para ser cidadão na cidade grega, isto é, na pólis, palavra que tem relação justamente com a palavra política. E se a desconfiança do grego, denominado de helênico, para com as pessoas de suas cidades cujas origens não remontavam aos primórdios de suas tradições era grande, ela era ainda maior com os não-helênicos.

O grego, isto é, o helênico, sabia que a qualidade do indivíduo era prioridade sobre a quantidade de indivíduos, basta observar que o conceito de excelência, isto é, arete, era central na tradição helênica[2]. Daí a censura dos grandes nomes gregos, isto é, helênicos, – Pitágoras, Sócrates, Platão e Aristóteles, para citar os de primeira grandeza – ao governo do povo, das massas. 

            Eis uma consideração fundamental: por massas devemos entender em sentido numérico a maioria das pessoas, e em sentido qualitativo devemos entender o que veremos nas reflexões do espanhol José Ortega & Gasset (1883-1955), um dos grandes nomes da filosofia do século XX, cujas colocações resultaram numa obra denominada A Rebelião das Massas (1927).

            Mas o que seria então esse homem massa que alude Ortega & Gasset? Eis outra consideração fundamental, desta vez na definição do próprio filósofo espanhol:
“Massa é todo aquele que não atribui a si mesmo um valor – bom ou mau – por razões especiais, mas que se sente ‘como todo mundo’ e, certamente, não se angustia com isso, sente-se bem por ser idêntico aos demais.” [3]
            Além do claro significado da definição acima, existem significados profundos para o perfil psicológico das massas, que não cabem aqui adentrar, mas para quem o queira possivelmente a mais adequada obra literária sobre isso seja a celebrada Dom Quixote, de Miguel de Cervantes (1547-1616).

Voltando ao século XX, a obra em questão de Ortega & Gasset é posterior à de Spengler, fornecendo de certa maneia respostas à indagação “Para quem há história?”.

            Quando Spengler coloca que algumas pessoas vivem
 “[...] sob a impressão contínua de que a própria vida é um elemento de um ciclo vital muito mais amplo, que se entende sobre séculos ou milênios [...]”
            Enquanto outras pessoas vivem
“[...] a vida como algo completo, redondo, bem delimitado.”
            Ele conclui que:
“[...] É seguro que para esta última classe de consciência não há história universal, não existe o universo como história.”
            Examinando o perfil psicológico do primeiro tipo de pessoa, se pode afirmar que esta é a que sabe que seu momento histórico é o resultado da soma de várias forças em tensão, as quais se desenvolvem e acumulam durante um período temporal que nem sempre pode ser determinado, mas inapelavelmente ultrapassa a geração dessa pessoa, bem como a imediata geração precedente, isto é, a dos pais desta pessoa. Ter consciência disso significa muito mais do que as pessoas hoje, a maioria, suspeita. Tal indivíduo que possui essa consciência pode até não ser necessariamente um grande protagonista da história, mas com o mínimo de compromisso com a linhagem ou tradição da qual pertença ele já é um protagonista em certa medida. Há aqui, na postura de tal indivíduo, um compromisso com a transmissão dum legado que conecta com o presente um modo de ser e costumes típicos de uma determinada tradição pretérita, e visando legá-la aos tempos futuros.

            Por outro lado, a pessoa que vive “[...] a vida como algo completo, redondo, bem delimitado.”,  possui um perfil psicológico diferente, uma vez que no sentido em questão, o histórico, lhe é indiferente o vínculo com um legado que conecta com o presente um modo de ser e costumes típicos de uma determinada tradição pretérita, consequentemente não visando legá-la aos tempos futuros. Tal perfil psicológico em termos de sociedade não possui memória, ignorando a história, e isso tem implicações muito mais profundas do que a esmagadora, quase absoluta, maioria suspeita.

            Observa Gasset:
“[Wolfgang] Kohler e outros demonstraram como o chimpanzé e o orangotango não se diferenciam do homem por aquilo que, a rigor, chamamos de inteligência, mas porque têm muito menos memória do que nós. Os animais se defrontam a cada manhã com o fato de terem esquecido quase tudo o que viveram no dia anterior, e seu intelecto tem que trabalhar sobre um material mínimo de experiências. Da mesma forma, o tigre de hoje é idêntico ao de seis mil anos atrás, porque cada tigre tem que começar de novo a ser tigre, como se antes nunca tivesse existido outro. O homem, ao contrário, devido a seu poder de lembrar, acumula seu próprio passado, toma posse dele e o aproveita. O homem nunca é um primeiro homem: desde o início já existe a partir de um certo nível de passado acumulado. Este é o tesouro único do homem, seu privilégio e sua marca. E, de todo esse tesouro, a maior riqueza não consiste no que parece certo e digno de ser conservado: o mais importante é a memória dos erros, que nos permite não cometê-los. O verdadeiro tesouro do homem é o tesouro de seus erros, a longa experiência decantada gota a gota durante milênios.”[4]
            Completa Gasset:
“Romper a continuidade com o passado, querer começar de novo, é aspirar a descer e plagiar o orangotango.”[5]
            Não concordo com Ortega & Gasset quando ele afirma que “[...] de todo esse tesouro, a maior riqueza não consiste no que parece certo e digno de ser conservado: o mais importante é a memória dos erros, que nos permite não cometê-los.” Entendo, por motivos que não cabem aqui aprofundar, que tanto a memória do “certo e digno” como a memória “dos erros” possuem suma importância. Com a consciência do “certo e digno” se tem o rumo da criação e da vida, e com a consciência “dos erros” se conhece os desvios que levam à dissolução e à morte. O essencial que aponto para a observação de Ortega & Gasset é que a pessoa que não tem memória histórica possui muito menos chances de ter discernimento tanto do “certo e digno” como “dos erros”, do que a pessoa que tem memória histórica.

            O tipo de perfil psicológico sem memória histórica se enquadra no que Ortega & Gasset tornou célebre como o homem massa, cuja falta de memória era consequência, no contexto da época contemporânea, do que ele aponta abaixo:
“Nas escolas que foram motivo de orgulho para o século passado, não foi possível fazer mais do que ensinar às massas as técnicas da vida moderna, mas não se conseguiu educa-las. Foram dados a elas instrumentos para viverem intensamente, mas não a sensibilidade para os grandes deveres históricos; nelas se inocularam, atropeladamente, o orgulho e o poder dos meios modernos, mas não o espírito. Por isso não se interessam pelo espírito, e as novas gerações dispõem-se a tomar a direção do mundo como se o mundo fosse um paraíso sem pegadas antigas, sem problemas tradicionais e complexos.” [6]
            Mas tais reservas em relação ao homem massa não podem ser consideradas apenas como um recorte das crises da Idade Contemporânea, haja visto, por exemplo, a já mencionada censura dos helênicos gregos à demagogia e à adulação das massas. O perfil do homem massa faz parte da Natureza, está incluído na espécie humana, e na realidade trata-se de um problema atemporal, presente em qualquer época, sendo gravado como algo generalizável. Isso Ortega & Gasset percebeu bem quando afirmou:
“E é indubitável que a divisão mais radical que deve ser feita na humanidade é dividi-la em duas classes de criaturas: as que exigem muito de si mesmas e se acumulam de dificuldades e deveres, e as que não exigem de si nada de especial, para as quais viver é ser a cada instante o que já são, sem esforço para o aperfeiçoamento de si próprias, bóias que vão à deriva.” [7] 
            Novamente para além do claro significado da definição acima, existem significados profundos para o perfil psicológico das massas, que não cabem aqui adentrar, mas basta afirmar que toda sociedade, política e cultura tradicionais partem em sua fundamentação da consideração acima, e para quem queira se aprofundar na questão, indubitavelmente a referência primordial no Ocidente é Platão (428-348 a.C.), especialmente sua obra A República.

            Retornando à Idade Contemporânea, as observações de Ortega & Gasset feitas quase um século atrás são muito mais válidas hoje, uma vez que as considerações que seguem abaixo – sobre o homem massa, ou sobre as pessoas que vivem “[...] a vida como algo completo, redondo, bem delimitado.”, conforme as palavras de Spengler, sem se inquietar sobre o desenvolvimento humano – são muito mais alarmantes atualmente do que há 100 anos.
“Que aspecto tem a vida desse homem multitudinário que com progressiva abundância o século XIX vai engendrando? Inicialmente, um aspecto de ilimitada facilidade material. O homem médio nunca pôde resolver com tanta folga seu problema econômico. Enquanto as grandes fortunas minguavam proporcionalmente e a existência dos operários das fábricas se tornava mais dura, o homem médio de qualquer classe social encontrava seu horizonte econômico cada vez mais amplo. A cada dia agregava um novo luxo ao conjunto de seu padrão de vida. Cada dia sua posição era mais segura e independente do arbitro alheio. O que antes teria sido considerado um benefício da sorte que inspirava humilde gratidão ao destino converteu-se num direito que não se agradece, mas se exige.” [8]    
“[...] de fato, o homem vulgar, ao se encontrar com este mundo técnica e socialmente tão perfeito, pensa que foi criado pela Natureza, e nunca se lembra dos esforços geniais de indivíduos excepcionais que a sua criação pressupõe. Menos ainda admitirá a ideia de que todas essas facilidades continuam se apoiando em certas virtudes raras dos homens, cuja menor falta ocasionaria o imediato desaparecimento dessa magnífica construção.
Isso nos leva a pontar no diagrama psicológico do homem-massa atual dois primeiros traços: a livre expansão de seus desejos vitais, portanto, de sua pessoa, e a radical ingratidão para com tudo que tornou possível a facilidade de sua existência. Essas duas características compõem a conhecida psicologia da criança mimada. E, de fato, que a utilizasse como quadrícula para ver através dela a alma das massas atuais não erraria. Herdeiro de um passado longo e genial – genial de inspirações e de esforços –, o novo vulgo foi mimado pelo mundo à sua volta. Mimar é não limitar os desejos, dar a um ser a impressão de que tudo lhe é permitido, que não é obrigado a nada. A criatura submetida a esse regime não tem noção de seus próprios limites. Por se evitar qualquer pressão à sua volta, qualquer choque com outros seres, chega a acreditar efetivamente que só ele existe, e se acostuma a não considerar os demais, principalmente a não considerar ninguém como superior a ele. Essa sensação de superioridade alheira só lhe poderia ser proporcionada por quem, mais que ele, o obrigasse a renunciar a algum desejo, a se restringir, a se conter. Assim teria aprendido essa lição essencial: ‘Ali eu paro e começa outro que pode mais que eu. No mundo, pelo visto, há dois: Eu e outro superior a mim.’ Ao homem médio de outras épocas essa sabedoria elementar era ensinada cotidianamente por seu mundo, porque era um mundo toscamente organizado, onde as catástrofes eram freqüentes e não havia nada seguro, abundante nem estável. Mas as novas massas encontram uma paisagem cheia de possibilidades e, além de tudo, segura, e tudo isso rápido, à sua disposição, sem depender de seu esforço prévio, como o sol se encontra no alto sem que tenha sido preciso que o levantássemos nos ombros. Nenhum ser humano agradece a outro o ar que respira, porque o ar não foi fabricado por ninguém: pertence ao conjunto do que ‘está aí’, do que dizemos ‘é natural’, porque não falha. Essas massas mimadas são bem pouco inteligentes para acreditar que essa organização material e social, posta à sua disposição como o ar, é da mesma origem que este, já que, pelo visto, também não falha, e é quase tão perfeita como a natural.
Minha tese é, portanto, a seguinte: a própria perfeição com que o século XIX organizou certas esferas da vida é a origem do fato de que as massas beneficiárias não a considerem como organização, mas como natureza. Assim se explica e se define o absurdo estado de ânimo que essas massas revelam: não se preocupam com nada além de seu bem-estar e ao mesmo tempo não são solidárias com as causas desse bem-estar. Como não vêem nas vantagens da civilização uma invenção e uma construção prodigiosas, que só podem ser mantidas com grandes esforços e cuidados, acham que seu papel se resume em exigi-las peremptoriamente como se fossem direitos naturais. Nas agitações provocadas pela escassez as massas populares costumam procurar pão, e o meio que empregam costuma ser o de destruir as padarias. Isto pode servir como símbolo do comportamento que, em proporções mais vastas e sutis, têm as massas atuais para com a civilização que as alimenta.” [9]
            Repitamos a indagação de Spengler:

Para quem há história?

            Não é certamente para quem acha que ao “ao se encontrar com este mundo técnica e socialmente tão perfeito, pensa que foi criado pela Natureza, e nunca se lembra dos esforços geniais de indivíduos excepcionais que a sua criação pressupõe” e que também “não se preocupam com nada além de seu bem-estar e ao mesmo tempo não são solidárias com as causas desse bem-estar”, conforme observou Ortega & Gasset.

Não cabe aqui procurar o porquê dessa tendência, pois é uma questão ampla e profunda, todavia, muito clara para as civilizações tradicionais, mas ignorada pelas massas devido à própria psicologia inerente das massas, conforme exposto acima. O porquê das massas atuarem assim, para ser compreendido necessita um aprofundamento na psicologia e na antropologia clássica, com base em Platão (428-348 a.C.)  e Aristóteles (384-322 a.C.), na antropologia da Idade Contemporânea em Max Scheler (1874-1928), e na psicologia de massas de Gustave Le Bon (1841-1931), José Ingenieros (1877-1925) e, claro, do próprio José Ortega & Gasset (1883-1955).

José Ortega & Gasset (1883-1955)
            Mas, algo faltou! Se a história não é para o tipo de pessoa de mente curta, delimitada por ela própria, segundo Spengler, o que vale dizer a maioria, as massas, segundo Ortega & Gasset, ela vale para o outro tipo de pessoa, a que Spengler delineou como a que está “[...] sob a impressão contínua de que a própria vida é um elemento de um ciclo vital muito mais amplo, que se entende sobre séculos ou milênios [...]”, cujo perfil psicológico tende a se enquadrar na que Ortega & Gasset entende serem “as que exigem muito de si mesmas e se acumulam de dificuldades e deveres.”

            A indagação de Spengler, que abriu essa exposição, procede, como mencionado, de sua obra Der Untergang des Abendlandes (A Decadência do Ocidente), escrita na véspera do momento decisivo do Ocidente, que entre tantos méritos que possui, está o de refutar a concepção de evolução humana progressista e linear, a qual ganhou forma consolidada nos postulados Iluministas e globalistas desde a Revolução Francesa no século XVIII. Spengler traz novamente a atenção para a importância das forças que criam e sustentam as civilizações bem como a corrupção de tais forças, o que leva ao declínio e dissolução das civilizações, não na dinâmica linear, mas sim cíclica. Em tal obra estão premissas e considerações, explícitas e implícitas, incluindo as de teor antropológico, psicológico, filosófico e histórico que realçam a dinâmica profunda do nascimento, desenvolvimento, plenitude, decadência e morte das civilizações. Não é algo totalmente inédito, apenas foi configurado por Spengler numa didática conforme a necessidade da época. Platão, por exemplo, traçou minuciosa e profundamente na sua obra A República tal dinâmica, mostrando a interrelação entre a psicologia do indivíduo e a psicologia das massas configurando a mentalidade política do Estado refletindo a soma da mentalidade de seus habitantes.  

            A mentalidade Iluminista e globalista tem aversão a realidade histórica cíclica, pois isso implica admitir que as suas teorias evolutivas são falhas e que existe decadência, e se existe decadência, existem os melhores e os piores também. Para a mentalidade Iluminista e globalista a ameaça não são apenas as teorias evolutivas que apontam homens superiores e inferiores, mas também as concepções que mostram a decadência e insustentabilidade de um modo de ser, no caso o modo de ser iluminista e globalista, mas principalmente por mostrar que as civilizações tradicionais, como a egípcia e a greco-romana, por exemplo, possuíam mais acertos em suas concepções como um todo do que a civilização que a globalização pretende formar.

            De qualquer maneira, as forças globalistas possuem como uma de suas principais estratégias fomentar a desinformação e a mentira, por isso atacam e deformam a história constantemente, mas mais ainda, omitem a história e tentam apagar a memória da humanidade, por isso vale reiterar o que Ortega & Gasset observou:
“O homem nunca é um primeiro homem: desde o início já existe a partir de um certo nível de passado acumulado. Este é o tesouro único do homem, seu privilégio e sua marca.”
            O homem não-massificado, o que tem visão histórica, tanto o de Spengler como o de Ortega & Gasset, difere do homem massificado, das massas, por não se auto-enganar.
“Todo aquele que se colocar diante da existência numa atitude séria e plenamente responsável sentirá um certo tipo de insegurança que o leva a permanecer atento.” [10]  
            Na colocação acima de Ortega & Gasset estão premissas fundamentais aliadas da busca pela verdade, tanto filosófica como histórica. Seriedade, responsabilidade e atenção diante da existência, e quem tem visão histórica sabe que a própria existência não é algo espontâneo surgido do mero acaso, mas sim da sucessão de esforços de geração após geração, uma consciência que o homem massa faz questão de não possuir, por isso a história não pertence ao homem massa. A este lhe é reservado ser orangotango.


Notas


[1] Nota do autor: Oswald Spengler, La Decadencia de Ocidente, Editorial Mundo Nuevo, Santiago, 1938, 2ª edição. Traduzido do alemão por Manuel Garcia Morente. Tomo I/IV, introdução, epígrafe 4, páginas 26-27.

[2] Nota do autor: Werner Jaeger, Paidéia – A Formação do Homem Grego, Ed. Martins Fontes, 5ª Edição, São Paulo, 2010. Originalmente escrito em alemão, em três partes 1933-1944-1947, tradução de Artur M. Parreira. Ver particularmente os capítulos: introdução; lugar dos Gregos na história da educação; Nobreza e arete; Cultura e educação na nobreza homérica; Homero como educador.

[3] Nota do autor: José Ortega Y Gasset, A Rebelião das Massas, Editora Martins Fontes, São Paulo, 2007, 3ª edição. Traduzido do original em espanhol por Marylene Pinto Michael. Página 45.

[4] Nota do autor: José Ortega Y Gasset, A Rebelião das Massas, Editora Martins Fontes, São Paulo, 2007, 3ª edição. Traduzido do original em espanhol por Marylene Pinto Michael. Páginas 33-34.

[5] Nota do autor: José Ortega Y Gasset, A Rebelião das Massas, Editora Martins Fontes, São Paulo, 2007, 3ª edição. Traduzido do original em espanhol por Marylene Pinto Michael. Página 34.

[6] Nota do autor: José Ortega Y Gasset, A Rebelião das Massas, Editora Martins Fontes, São Paulo, 2007, 3ª edição. Traduzido do original em espanhol por Marylene Pinto Michael. Página 81.

[7] Nota do autor: José Ortega Y Gasset, A Rebelião das Massas, Editora Martins Fontes, São Paulo, 2007, 3ª edição. Traduzido do original em espanhol por Marylene Pinto Michael. Página 45.

[8] Nota do autor: José Ortega Y Gasset, A Rebelião das Massas, Editora Martins Fontes, São Paulo, 2007, 3ª edição. Traduzido do original em espanhol por Marylene Pinto Michael. Página 86.

[9] Nota do autor: José Ortega Y Gasset, A Rebelião das Massas, Editora Martins Fontes, São Paulo, 2007, 3ª edição. Traduzido do original em espanhol por Marylene Pinto Michael. Páginas 89-91.

[10] Nota do autor: José Ortega Y Gasset, A Rebelião das Massas, Editora Martins Fontes, São Paulo, 2007, 3ª edição. Traduzido do original em espanhol por Marylene Pinto Michael. Página 74.



Sobre o autor: Mykel Alexander possui Licenciatura em História (Unimes, 2018), Licenciatura em Filosofia (Unimes, 2019) e Bacharel em Farmácia (Unisantos, 2000).
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Os povos brancos e suas realizações estão encaminhados para a lixeira da história - por Paul Craig Roberts

sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Os povos brancos e suas realizações estão encaminhados para a lixeira da história - por Paul Craig Roberts


Paul Craig Roberts

            O mundo ocidental está colapsando tão rapidamente que eu estou com medo de sobreviver a ele.

            As prostitutas da imprensa e políticos ocidentais têm demonizado Putin, Maduro, Irã, e Trump à mesma extensão como a corte de historiadores propagandísticos patrióticos têm demonizado Adolf Hitler. Mas ninguém é tão demonizado como o povo branco, e a coisa curiosa é que ela é uma alto-demonização – brancos demonizando brancos.

            Pode-se entender porque as ex-colônias britânicas e francesas da África, passando pelo Oriente Médio até a Índia, e a ex-colônia de Washington nas Filipinas e seus estados marionetes na América Latina, olhariam com desfavor sobre as faces brancas e usariam uma linguagem áspera. Mas por que o New York Times, CNN, NPR, e professores brancos através do sistema universitário, conselhos escolares, políticos brancos tais como Macron da França e a Comunidade Europeia de Jean Claude Juncker e a Alemanha de Merkel e uma ampla variedade de políticos britânicos e escandinavos demonizam o povo branco? Na Escandinávia, uma mulher loira que denuncia seu estupro pela mais recente onda de “migrantes” do terceiro mundo[1], convidados para dentro do país por políticos escandinavos enlouquecidos é desconsiderada como se fosse uma racista[2]. Pessoas escandinavas disseram-me que está se tornando difícil reportar qualquer crime por migrantes conforme o relatório se aproxima de ser um crime de ódio.

            Por que a história falsa é criada afim de apoiar este ódio dos povos brancos? Não muito tempo atrás eu escrevi sobre um homem branco que escreveu no CouterPunch que Robert E. Lee possuía 200 escravos e gostava de abusar deles. Eu indiquei que Lee gastou sua vida, até a secessão da Virgínia, como um oficial do Exército dos EUA lutando pelo império dos EUA contra o México e contra os “índios” nativos. Ele nunca teve 200 escravos ou uma plantação. Ele era um oficial dos EUA que era tão altamente considerado por Washington que a ele foi oferecida um comando da União quando o Norte decidiu invadir o Sul afim de preservar o Império[3].

            A história falsa sobre Lee é apenas um exemplo. Eu a usei porque ela demonstra quão ultrajantes são as mentiras que agora consistem em “história” americana. Apesar de não serem ligadas a quaisquer fatos, elas ainda assim entram nos livros de história.

            Estudos negros evitam o fato de que os capitães britânicos nos mares que trouxeram escravos africanos para as colônias que mais tarde se tornaram os Estados Unidos compraram os escravos negros do rei negro de Dahomey, que capturou seus companheiros negros em guerras de escravos contra outras tribos negras. Os Estados Unidos têm criado gerações inteiras de histórias falsas que os povos brancos odiavam os negros e decidiram capturar eles na África e fazer escravos deles afim de vencê-los e abusá-los.

            Então, como a diversidade e multiculturalismo trabalham para produzir uma sociedade habitável quando a educação e entretenimento ensinam que os povos brancos são racistas?[4]

            Qualquer resposta de brancos às acusações é considerada ser prova que eles são racistas que não reconhecem seus pecados e não se arrependem deles com reparações de alto custo e automutilação.

            A diversidade tem se tornado um valor tão grande que as grandes universidades têm decidido destruir elas mesmas a fim de promover diversidade. A Universidade de Oxford, a universidade mais famosa do mundo, tem decidido abaixar seus padrões afim de promover a diversidade. Sobre o curso dos próximos quatro anos a Oxford está para rejeitar 25% dos candidatos qualificados afim de abrir espaço para candidatos que são “privados” por causa de padrões que causam “desigualdade.”[5]

            Adeus ao valor de uma educação em Oxford. O uma vez prestigiado diploma está se tornando igualado com aquele de uma faculdade comunitária, o Céu proíbe que exista alguma coisa mais senão igualdade. Os pais que sacrificaram para enviar seus filhos para escolas privadas para preparar eles para o sucesso em Oxford, têm desperdiçado seu sacrifício e seu dinheiro, porque as qualificações dos 25% de suas crianças para admissão são irrelevantes para a admissão de diversidade. Quanto menor sua pontuação, mais diversificado e mais favorecido você é.

            Por toda Inglaterra, ou como agora é chamada Reino Unido, as universidades estão sendo destruídas, como nos EUA. Não somente existe exemplo de Oxford, mas o mesmo está acontecendo em toda a Inglaterra e nos EUA. A Universidade de Nottingham tem destruído ela própria. Por exemplo, o departamento de Filosofia da Universidade foi classificado, o que significava que um diploma avançado significava alguma coisa sobre a perícia de seus graduados no assunto.

            Mas a “diversidade” interveio, e a bolsa de estudos levou o golpe. Os professores com um sólido histórico de pesquisa foram descartados e a diversidade não qualificada foi empregada nos lugares deles. Consequentemente, a universidade perdeu sua posição para seu Ph.D. em filosofia.

            Isso afetou adversamente os graduados que pagaram o dinheiro de seus pais e os anos de suas vidas pelos seus diplomas, um valor o qual a administração corrupta da universidade jogou fora afim de agradar a “diversidade.”

            Longe de gozar da supremacia, aos homens brancos é negada a igualdade. Eles são discriminados nas admissões e empregos na universidade. A liberdade de expressão é negada a eles. Segundo as esposas de militares, aos homens brancos estão sendo negadas as promoções enquanto os militares alcançam o equilíbrio da diversidade. O Google demitiu homens brancos por declararem fatos básicos. Enquanto os garotos da escola estão sendo ameaçados e feminizados. A acusação de supremacia branco está sendo usada para arrebanhar pessoas brancas para a parte de trás do ônibus. Enquanto eles sentam lá e chupam seus polegares, as pessoas brancas estão sendo propagandeadas para fora da existência.

            Agora que até mesmo Martin Luther King é um ‘criminoso sexual’, talvez os EUA possam parar de derrubar estátuas e ‘cancelar’ pessoas[6].

            Os meios de comunicação estão nos envenenando com Ódio![7]

Tradução por Mykel Alexander


Notas


[1] Nota do tradutor: Sobre a situação calamitosa e perigosa da Suécia ver os artigos de Ingrid Carlqvist no Gatestone Institute, um ‘think tank’ de acentuadíssima posição sionista, e que não mais conta com as publicações da jornalista sueca em questão, possivelmente pelas posições de tendências nacionalistas de Carlqvist.

[2] Nota do tradutor: Em alemão a palavra Volk (povo; nação, gente) é um substantivo raiz que origina outras palavras, tais como Völkerschaft (tribo; povo), Volkeheit (individualidade racial), völkisch (étnico), Volkssitte (costume popular), Volkstamm (tribo; raça), Volkstum (peculiaridade étnica), volkstümlich (popular).
Todas estas palavras derivadas de Volk conjugam um grupo sinérgico de outros significados que se entrelaçam. Assim, perfundem na palavra Volk o significado mais biológico que seriam das palavras raça (rasse) e sangue/linhagem (Blut), mais territorial solo (Boden), e mais transcendental e psicológico, gênio (Geist) e Kultur (cultura). Volk é uma palavra que conjuga todos significados, e em última análise significa a combinação física e metafísica, ou material/biológica e psicológica/transcendental/espiritual, de modo que todos estes pares se retroalimentam (tradução das palavras alemãs ao português a partir do Dicionário Alemão Português Leonardo Tochtrop, Editora Globo, 6ª Edição, Rio de Janeiro, 1984).
Durante os séculos XIX e XX tais palavras eram vinculadas aos vários estudos interdisciplinares respectivamente, biológicos, socioambientais, psicológicos e filosóficos/metafísicos/transcendentais, ou em outras palavras, tendendo como regra ao rigor investigativo.
 Foi por disputas geopolíticas e de concepções de mundo que ocorreram as distorções de tais estudos, que foram popularizados, de modo simplificado, como estudos raciais. As palavras racismo e racista procedem de traduções francesas do início do século XX de palavras alemãs muito tradicionais, especialmente völkisch, e elas foram a partir da década de 1920 acumulando vários significados que cada vez mais se afastavam dos significados originários em alemão. Destacadamente a palavra völkisch foi finalmente traduzida e fixada como racisme (racismo) e raciste (racista) no dicionário Larousse du XX siècle publicado em 1932 (ver Pierre-André Taguieff, The Force of Prejudice: On Racism and Its Doubles, University of Minnesota Press, Minneapolis, 2001, páginas 80-83 – consulta no google books).
As disputas entre os nacionalismos dos povos europeus, americanos, enfim, os povos brancos contra a esquerda, direita, em suma, contra a globalização difundida pelo judaísmo internacional, resultou numa intensificação deste, que vinha através dos judeus Marx, Trotsky e Freud em especial, sobre as distorções em todos os estudos disciplinares, e se alastrou com os movimentos do judaísmo internacional no meio acadêmico, especialmente com as escolas boasiana e de Frankfurt, ambas sendo vanguarda do judaísmo internacional na subversão acadêmica (nesta temática ver particularmente Kevin MacDonald, The Culture of Critique: An Evolutionary Analysis of Jewish Involvement in Twentieth-Century Intellectual and Political Movements, Praeger 1998, 1ª edição, 2002 2ª edição.).  
Portanto, a palavra racismo em suas origens antes de ser traduzida ao francês, vem de uma fonte, a alemã, de estudos interdisciplinares e não de afirmações que carecem de estudos ou fundamentos, deste modo, ser racista, ferindo profundamente a mentalidade globalista e “politicamente correta”, originalmente era estar baseado em estudos e fundamentos, e não em suposições ou afirmações sem base, em outras palavras, não é originalmente o chamado preconceito, e isto é o fundamental. Os contextos que mais envolveram a exploração de um povo sobre outro, baseados em premissas raciais, na realidade não tiveram suas verdadeiras causas nessas mesmas premissas raciais, mas sim no materialismo capitalista da direita que se valia da questão racial para justificar a exploração, enquanto que, por outro lado, mais distorções vieram pelo lado da esquerda, também materialista, que, como regra, atacou sem fundamentos investigativos legítimos os conceitos raciais, ao invés de detectar no materialismo acumulativo a causa primária da exploração (nesta temática ver particularmente Kevin MacDonald, The Culture of Critique: An Evolutionary Analysis of Jewish Involvement in Twentieth-Century Intellectual and Political Movements, Praeger 1998, 1ª edição, 2002 2ª edição.) O judaísmo internacional teve proeminência, por exemplo, no tráfico negreiro (ver especialmente Gonçalves Salvador, em Os Magnatas do Tráfico Negreiro, Edusp, São Paulo, 1973, e Os Cristãos-Novos e o comércio no Atlântico Meridional, Edusp, São Paulo, 1978), mas suas frentes que abordam a questão racial não procuram divulgar este fato devidamente.
 Ao final de tudo, a exploração baseada na distorção das premissas raciais não invalida as realidades raciais (sobre as realidades raciais ver especialmente o trabalho mais recente de Nicholas Wade, Uma herança incômoda, Editora Três Estrelas, São Paulo, 2016. Tradução do original em inglês por Pedro Sette-Câmara).

[3] Fonte usada pelo autor: “Identity Politics Smears Robert E. Lee”, por Paul Craig Roberts, Institute for Political Economy, 08/04/2019.

[4] Nota do tradutor: Ver nota 2.

[5] Fonte usada pelo autor: “How Oxford University’s ‘sea change’ in admissions will work”, The Week, 21/05/2019.

[6] Fonte usada pelo autor: “Now that even MLK is a ‘sex criminal’, maybe US can stop toppling statues and ‘canceling’ people?”, RT, 28/05/2019.

[7] Fonte usada pelo autor: “The Mass Media Is Poisoning Us With Hate”, por Chris Hedges, Information Clearing House, 27/05/2019.



Fonte: Paul Craig Roberts, White Peoples and Their Achievements Are Headed for the Trash Bin of History, Institute for Political Economy, 28/05/2019.

Sobre o autor: Paul Craig Roberts (1939 – ) licenciou-se em Economia no Instituto Tecnológico da Geórgia e doutorou-se na Universidade da Virgínia. Como pós-graduado frequentou a Universidade da Califórnia, a Universidade de Berkeley e a Faculdade Merton, da Universidade de Oxford. De 1981 a janeiro de 1982 é nomeado Secretário de Estado do Tesouro para a política econômica da gestão de Ronald Reagan. Foi Distinto Investigador do Instituto Cato entre 1993 e 1996. Foi também Investigador Sênior do Instituto Hoover.

Entre seus livros estão: The New Color Line: How Quotas and Privilege Destroy Democracy (1995);The Tyranny of Good Intentions: How Prosecutors and Bureaucrats Are Trampling the Constitution in the Name of Justice (2000, e segunda edição 2008); How America was Lost. From 9/11 to the Police/Warfare State (2014).
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quarta-feira, 13 de novembro de 2019

As origens judaicas do multiculturalismo na Suécia – Por Kevin McDonald


 Kevin McDonald


            Em The Culture of Critique e outros escritos eu tenho desenvolvido a visão que os judeus e a organizada comunidade judaica foram uma condição crítica necessária para a ascensão do multiculturalismo no Ocidente. No capítulo 7[1], sobre o envolvimento judaico em moldar a política de imigração, eu foquei principalmente nos EUA, mas também tinham breve seções sobre a Inglaterra, Canadá, Austrália (grandemente elaborada recentemente em TOO por Brenton Sanderson[2]), e França.

            Uma questão que eu frequentemente chego é sobre o papel dos judeus na Suécia e outros países da Europa com relativamente poucos judeus. Agora lá tem tido uma tradução do sueco de um artigo, “Como e porquê a Suécia se tornou multicultural,” que resume o escrito acadêmico sobre o papel judaico em fazer a Suécia uma sociedade multicultural. Este artigo deve ser lido em sua totalidade, mas alguns pontos são salientados:
O judeu David Schwarz
(1928-2008)
A mudança ideológica começou em 1964 quando David Schwarz, judeu polonês e sobrevivente do Holocausto que migrou para a Suécia no início da década de 1950, escreveu o artigo “O problema da imigração na Suécia” no maior e mais importante jornal matutino da Suécia – Dagens Nyheter (“Notícias Diárias”) de propriedade judaica. Isso iniciou um rancoroso debate que tomou lugar no Dagens Nyheter, mas o qual subsequentemente continuou até em outros jornais, nas páginas editoriais e em livros...
O judeu Gunnar Heckscher
(1909-1987)
            Schwarz era de longe o mais ativo formador de opinião e foi responsável por 37 de um total de 118 contribuições para o debate da questão da imigração nos anos de 1964 – 1968. Schwarz e seus co-pensadores eram tão dominantes e agressivos que os debatedores com uma visão alternativa foram repelidos para a defensiva e sentiram seus pontos de vista suprimidos. Por exemplo, Schwarz jogou a “carta” do antissemitismo eficientemente a fim de desacreditar seus oponentes... 
Foi o conservador partido de direita que primeiro abraçou a ideia de pluralismo cultural e grandemente contribuiu para moldar a nova direção radical. É digno de mencionar que o presidente do partido de direita entre 1961 – 1965, Gunnar Heckscher, foi o primeiro líder do partido de ascendência judaica.
O judeu Stephen J. Gould
(1941-2002)
            Como nos EUA e outros lugares, os ativistas judaicos foram auxiliados pela mídia de propriedade judaica. Ativistas salientaram a necessidade de reformular a política de imigração para expiar a perseguição aos judeus – no caso da Suécia, o papel do governo sueco frente aos judeus durante a Segunda Guerra Mundial. (Similarmente, nos EUA, os judeus ativistas enfatizaram que a lei de restrição de imigração de 1924 foi motivada por antissemitismo, e muitos ativistas, incluindo o acadêmico ativista Stephen J. Gould [em seu notório The Mismeasure of Man; ver aqui, página 30 e sequência[3]] alegou que a restrição de imigração resultou nos judeus morrerem no Holocausto. Mesmo Stephen Steinlight, quem advoga restrição da imigração muçulmana [e somente imigração muçulmana], denominou a lei de 1924 como “maligna, xenofóbica, antissemita,” “vilmente discriminatória,” uma “vasta falha moral,” uma “medida política monstruosa”; ver aqui, página 5)[4].

            A assimilação à cultura sueca foi vista como um objetivo inaceitável:
O ponto de partida foi assim uma perspectiva cultural pluralista, a qual significava que os imigrantes com massiva intervenção e suporte financeiro do governo iriam ser encorajados a preservar a cultura deles (e, portanto, sinalizam para o mundo que a Suécia é um país tolerante onde todos são bem vindos). O encontro entre a cultura sueca e as culturas das minorias iria ser enriquecedora para a comunidade como um todo e a maioria da população iria começar a se adaptar as minorias...
Não é coincidência que os judeus organizados da Europa consistentemente se dissociam eles mesmos dos críticos politicamente organizados do Islã, porque cada generalização negativa frente a um grupo que é minoria em última instância pode atingir os judeus.
            O artigo nota, e eu concordo, que os judeus são motivados pelo desejo de quebrar as sociedades etnicamente e culturalmente homogêneas por causa do medo que tais sociedades possam direcionar sobre os judeus, como ocorreu na Alemanha, 1933 – 1945, mas também por causa do ódio judaico frente à civilização cristã do Ocidente. Ele conclui por notar que, além da mídia de propriedade judaica, a influência judaica foi facilitada pela dominância da antropologia acadêmica pela escola boasiana – um movimento intelectual judeu[5] – e suas visões sobre o relativismo cultural e difamação da cultura ocidental.

            Eu concordo inteiramente que a influência judaica deriva deles sendo uma elite acadêmica e midiática, assim como a habilidade deles para desenvolver organizações ativistas altamente efetivas e bem fundadas[6]. Aqui, o papel de Bruno Kaplan do World Jewish Congress é enfatizado.

            Esta é uma importante contribuição para compreensão para o impedimento da morte do Ocidente. Desnecessário dizer, que tais análises não eliminam a óbvia necessidade para uma compreensão do porquê as culturas ocidentais têm sido unicamente suscetíveis[7] às ideologias que veem a destruição do Ocidente como um imperativo moral. No entanto, é de vital importância compreender as forças que têm ativamente atuado, procurando mover as culturas ocidentais nesta direção.

Tradução por Mykel Alexander



Notas


[1] Fonte utilizada pelo autor: Kevin MacDonald, capítulo 7 de The Culture of Critique: An Evolutionary Analysis of Jewish Involvement in Twentieth-Century Intellectual and Political Movements, Praeger 1998, 1ª edição, 2002 2ª edição. Capítulo “Jewish Involvement in Shaping U.S. Immigration Policy”.

[2] Fonte utilizada pelo autor: “, The War on White Australia: A Case Study in the Culture of Critique, Part 1 of 5”, por Brenton Sanderson (pseudônimo). The Occidental Observer, 13/08/2012.
Demais partes publicadas respectivamente em 16/08/2012, 18/08/2012, 20/08/2012, 22/08/2012.

[3] Fonte utilizada pelo autor: Kevin MacDonald, capítulo 2 de The Culture of Critique: An Evolutionary Analysis of Jewish Involvement in Twentieth-Century Intellectual and Political Movements, Praeger 1998, 1ª edição, 2002 2ª edição. Capítulo The Boasian School of Anthropology and the Decline of Darwinism in the Social Sciences.

[4] Fonte utilizada pelo autor: Kevin MacDonald, prefácio de The Culture of Critique: An Evolutionary Analysis of Jewish Involvement in Twentieth-Century Intellectual and Political Movements, Praeger 1998, 1ª edição, 2002 2ª edição.

[5] Fonte utilizada pelo autor: Kevin MacDonald, Capítulo 2 de The Culture of Critique: An Evolutionary Analysis of Jewish Involvement in Twentieth-Century Intellectual and Political Movements, Praeger 1998, 1ª edição, 2002 2ª edição. Capítulo The Boasian School of Anthropology and the Decline of Darwinism in the Social Sciences.

[6] Fonte utilizada pelo autor: Kevin MacDonald, The Occidental Quarterly, volume 3, nº 2, Understanding Jewish Influence I: Background traits for jewish activism.

[7] Fonte utilizada pelo autor: “Žižek, Group Selection, and the Western Culture of Guilt”, por Kevin MacDonald, The Occidental Observer 15/07/2014.




Fonte: The Occidental Observer 14/01/2013.

Sobre o autor: Kevin B. MacDonald (1944 – ) é um professor americano de psicologia na Universidade Estadual da Califórnia. Graduou-se em Filosofia (University of Wisconsin-Madison), fez o mestrado em Biologia (University of Connecticut), Doutorado em Ciências Biocomportamentais (University of Connecticut). É um estudioso das relações da população judaica com os povos ocidentais. É editor do periódico The Occidental Quarterly e do site The Occidental Observer.

            Entre seus principais livros estão:

            Social and Personality Development: An Evolutionary Synthesis (Plenum 1988).

            The Culture of Critique: A People That Shall Dwell Alone: Judaism As a Group Evolutionary Strategy, With Diaspora Peoples, (Praeger 1994).

            The Culture of Critique: Separation and Its Discontents Toward an Evolutionary Theory of Anti-Semitism, (Praeger 1998).

            Understanding Jewish Influence: A Study in Ethnic Activism (Praeger 2004)

            The Culture of Critique: An Evolutionary Analysis of Jewish Involvement in Twentieth-Century Intellectual and Political Movements, (Praeger 1998).

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