terça-feira, 11 de junho de 2019

{Lembrando} Julius Evola {19/05/1898-11/06/1974} - por Alain de Benoist


Alain de Benoist

“O que se vai ler diz respeito somente ao homem que, apesar de integrado ao mundo atual, no ponto mais paradoxal e problemático da vida moderna, não lhe quer, no entanto, ceder e que se sente, na sua essência, de uma raça diferente da maioria dos homens de hoje” (Cavalcare la tigre).

De barba curta e aristocrática, feições regulares, alto, o filósofo Julius Evola escrevia para um pequeno número de leitores, para os homens que ficam “de pé entre as ruínas”. Morreu em 11 de junho de 1974, aos 76 anos de idade, na sua casa de Corso Vittorio Emanuele, em Roma.

            – Cerca das 15 horas e 15 minutos, como lhe tinha sido predito e ele tão ansiosamente desejava, declara Pierre Pascal, amigo de Evola, escritor e tradutor em francês de vários dos seus livros.

Julius Evola era o mais iminente representante de um pensamento “tradicional” em Itália, o que o fez referir-se a Joseph de Maistre, Taparelli d’Azeglio e Solaro della Margherita. Foi muitas vezes comparado com o alemão Ernst Jünger ou, ainda mais corretamente, ao esoterista francês René Guénon.

No velho conflito entre os guelfos, partidários exclusivos do papado e os gibelinos, para quem o Império Romano-Germânico era ao mesmo tempo que a Igreja, uma instituição de caráter sobrenatural, Evola era partidário dos segundos.


Contra o mundo moderno

Nascido em Roma a 19 de maio de 1898, J. Evola declara-se primeiramente contra a obra de Nietzsche, Michelstäder e Otto Weininger (Geschlecht Und Charakter). Durante a Primeira Grande Guerra é oficial de artilharia na frente. Participa em seguida aos movimentos culturais de vanguarda que se desenvolvem em Itália: dadaísmo com Tristan Tzara, futurismo com Marinetti. Poemas, quadros. Em 1920 publica uma brochura sobre L’Art Abstrait, na coleção Dada de Zurique, que é a sua consagração.
Evola ainda jovem.

A sua formação científica, no entanto, leva-o mais longe. Uma primeira série de ensaios que publica, traduzem o seu interesse pela filosofia (Teoria dell'individuo assoluto, 1920), pelo esoterismo (La tradizione ermetica, 1931) e pelo movimento das idéias (Maschera e volto dello spiritualismo contemporaneo, 1932).

Dirige a revista Ur desde 1927 até 1929. Um ano mais tarde anima La Torre. “A palavra ur – explicará – é a velha denominação do ‘fogo’, mas refere-se também a tudo o que é ‘primordial’, ‘original’ (sentido que ainda conserva a língua alemã).”

Em 1934 publica uma obra capital, Rivolta contro il mondo moderno, que é uma espécie de manifesto. Aí, Evola vai descrever, como opostos, “dois tipos universais, duas categorias a priori da civilização”: o mundo moderno e o mundo da tradição – uma tradição que associa o esoterismo ocidental (aventura templária e mistério do Graal) a um retorno às fontes da antiguidade pré-cristã e de um passado “hiperbóreo”.

Logo de início, a ideia de progresso é rejeitada: “Não há nada mais absurdo que essa ideia de progresso que, com o seu corolário da superioridade da civilização moderna, criou álibis ‘positivos’ falsificando a história e insinuando nos espíritos mitos deletérios, e proclamando a sua superioridade nas encruzilhadas da ideologia plebeia que, afinal, lhe deu origem”.

Para Evola, o mundo moderno é “uma floresta petrificada tendo o centro o caos”. Daí, que a história dos últimos dois milênios seja, não de progresso, mas sim de involução.

Evola compara o Ocidente a um corpo: “Depois de ter tido os organismos vivos e móveis, estes foram tomados pela rigidez que transforma o corpo em cadáver. Depois, vem a última fase da decomposição”. “Nós entramos”, acrescenta, “no último grau de um ciclo: o reino da máquina, da expansão do materialismo e do igualitarismo são as provas evidentes disso. Em volta da cultura europeia aperta-se o torno do bolchevismo e do americanismo, ambos fundados numa concepção economista da vida. Nós vivemos na idade sombria dos velhos hindus[1] (o kali-yuga), na idade de ferro da tradição clássica, na idade do lobo da tradição nórdica. Esqueceu-se a tradição”.

1ª edição de Rivolta contro il mondo
 moderno, de 1934. Uma obra prima 
escrita quando Evola tinha 36 anos.
Dando-nos, assim, uma visão diferente da perspectiva histórica. Evola não dissimula o seu parti pris {viés} metodológico: “As questões que mais nos absorvem são aquelas em que os elementos com valor ‘histórico’ e ‘científico’ menos contam; em que tudo o que, quanto é mito, lenda ou saga, está desprovido de verdade histórica e de força demonstrativa e adquire, pelo contrário, por essa mesma razão, uma validade superior, tornando-se fonte de um conhecimento mais real e seguro. É por isso que a Roma da lenda nos falará numa linguagem mais clara do que a Roma temporal e que as lendas de Carlos Magno nos farão compreender melhor o que significava o rei para os francos, do que as crônicas e os documentos positivos da época. Não nos preocuparemos, pois, em discutir e ‘demonstrar’. As verdades que nos podem fazer compreender o mundo tradicional, não são das que se ‘aprendem’ ou se ‘discutem’. Elas apenas são ou não são: apenas podem relembrar”.

E conclui: “Só um regresso tradicional a uma nova consciência unitária europeia pode salvar o Ocidente”.

O livro produz grande celeuma desde a sua publicação. O poeta Gottfried Benn, depois de o ler, declare-se “transformado”. Na Itália as reações são menos retumbantes. Apesar de ligado a Mussolini, J. Evola conta com grande número de adversários nas fileiras do partido fascista. O filósofo Giovanni Gentile é-lhe hostil. O pessimismo aristocrático que se desprende de sua obra não é coisa que convenha a uma época triunfalista por encomenda. A sua obra intitulada Imperialismo pagano, publicada em 1928, ainda hoje nos faz os meios contraditórios rangerem os dentes.

Evola continua a interessar-se pelo esoterismo e depois da publicação de La tradizione ermetica, publica La dottrina del risveglio (1943), sobre a ascese do budismo, e ainda Lo Yoga della potenza. Em Il Mistero del Graal (1937), estuda os fundamentos da “tradição gibelina no Império”, lançando bases, também, de uma “antropologia espiritual”. A exemplo de Ludwig Ferdinand Clauss (Rasse und Seele, 1933), define a raça segundo critérios estritamente biológicos (Il mito del sangue, 1937; Sintesi di dottrina della razza, 1941)[2].

Em 1945, Evola encontra-se em Viena por altura de um violento bombardeio. Ferido na coluna vertebral, Evola é hospitalizado por vários meses. Ficará com os membros inferiores paralisados.

Regressa a Itália em 1948, e dois anos depois apresenta novas ideias que desenvolverá mais tarde na obra Gli uomini e le rovine (1953), num pequeno ensaio intitulado Orientamenti, undici punti. A este seguem-se: Metafisica del sesso (1958), Cavalcare la tigre (1961), Il cammino del cinabro (1963), L'arco e la clava (1968), etc.


O Estado orgânico

No livro Gli uomini e le rovine, Evola aborda diretamente a questão política, dirigindo-se à jovem direita italiana e propondo-lhe “uma visão geral da vida e uma doutrina rigorosa do Estado”. Ao Estado moderno ele opõe o ideal de Estado orgânico cantado já por Vico e Fustel de Coulanges: o Estado em que cada um tem o seu lugar – como, no organismo cada órgão tem o seu. O Estado, diz ele, é o conjunto tanto espiritual como “físico”. Não é “o reflexo” da sociedade, é o agente que transforma e estrutura essa sociedade e que, apontando-lhe um destino, faz de um agregado sem coesão um verdadeiro conjunto elevado à dignidade de político.
“O fundamento de qualquer Estado verdadeiro”, escreve Evola, “é a transcendência do seu princípio, quer dizer, do princípio da soberania, da autoridade e da legitimidade. Por exemplo, a antiga noção romana de impérium pertence essencialmente ao domínio do sagrado: antes de significar um sistema de hegemonia territorial supranacional, designa sobretudo o puro poder do comando, a força quase mística e a auctoritas próprias daquele que exerce as funções e a qualidade de chefe, tanto na ordem religiosa e guerreira, como na família patrícia (a gens) e no Estado (a república).”
O Estado aparece, assim, como uma noção essencialmente masculina. As suas relações como povo (a pátria, a nação), são análogas às do homem para com a mulher, do pater famílias como a família, e, no domínio das crenças indo-européias, do céu com a terra. “É assim que, na Roma antiga, a noção de Estado e de impérium, de poder sagrado, se ligava fortemente ao culto simbólico das divindades viris do céu, da luz e do mundo superior, por oposição à região obscura das Mães e das divindades infernais gregas.”
Só quando os recursos do impéruim se esgotaram e a população não estava em estado de perceber o que isto significava, é que os chefes de Estado, não conseguindo tirar a sua legitimidade “do alto”, se viram obrigado a ir buscá-las “em baixo”: foi a democracia, o cesarismo, a ditadura e a tirania – sistemas diferentes, mas cuja força provém do demos e que levam ao comunismo, cujo objetivo confesso é a supressão do Estado.
De passagem, J. Evola denuncia a ilusão igualitária como um simples absurdo lógico: “Vários seres iguais não seriam ‘vários, mas um. Querer a ‘igualdade de vários’ implica uma contradição nos termos. Pelo contrário, numa sociedade hierarquizada, podem conceber-se facilmente diferentes ‘níveis de igualdade’: quando a ideia hierárquica, no passado, era reconhecida a noção de ‘par’ e de ‘igual’ significaram muitas vezes uma ideia aristocrática. Em Esparta, o título de omoioi, de ‘iguais’, aplicava-se exclusivamente à elite que detinha o poder, título revogável em caso de indignidade por parte de detentor. Da mesma forma, na antiga Inglaterra, o título de pair (peer), foi, como se sabe, reservado aos lordes.”
Já Jean-Batista Vico, inspirador de Montesquieu, dizia: “Os homens querem primeiro a liberdade dos corpos e depois das almas, ou seja, a liberdade do pensamento e a igualdade com os outros; em seguida querem ultrapassar os iguais; e, finalmente, colocar os seus superiores por baixo deles” (Scienza Nuova, II, 23).
Ao mesmo tempo, Evola preocupa-se em distinguir o elitismo do bonapartismo e do maquiavelismo. Considera Bonaparte o sucessor dos condottieri da Renascença, dos tribunos da plebe romana e dos “tiranos populares” surgidos na Grécia antiga depois do declínio das aristocracias. Há bonapartismo todas as vezes que o chefe retira sua autoridade de outro que não ele, cada vez que se apresenta como “filho do povo” e não como “o representante de uma humanidade mais perfeita, que afirma um princípio superior”. “Enquanto que o conceito tradicional de soberania e autoridade implica distância”, escreve Evola, “porque é o sentimento da distância que provoca nos inferiores a veneração, o respeito natural, uma disposição instintiva para a obediência e lealdade para com o chefe, neste caso tudo se passa inversamente: de um lado o poder, a abolição da distância e do outro a aversão a ela. O chefe bonapartista ... ignora o princípio qual quanto maior for a base mais alto se deve manter o cume. Sucumbo do complexo de “popularidade”, o bonapartista faz questão de todas as manifestações que lhe possam dar a certeza, ainda que ilusória, de que o povo o segue e o aprova. Neste caso, é o superior que precisa do inferior para experimentar o sentimento do seu próprio valor e não o contrário, como seria normal.”
Evola toma, assim, partido por uma ascese do poder: “É bom que a superioridade e o poder se associem, mas com a condição de que o poder se funda na superioridade e não a superioridade no poder. E cita Platão: “Os verdadeiros chefes são aqueles que apenas assumem o poder por necessidade, porque não conhecem nem melhores nem iguais a quem essa tarefa possa ser confiada” (Republica, 347 c).

Direito às armas e dever militar
O “estilo militar”, que não é senão uma das facetas dos valores heróicos, não deve, da mesma forma, confundir-se com o militarismo ou com a guerra: “A ideia guerreira não se reduz a um materialismo, nem é sinônimo de exaltação do uso brutal da força e da violência destrutiva. A formação calma, consciente e dominada do ser interior e do comportamento, o amor pela distância, pela hierarquia, pela ordem, a faculdade de subordinar o elemento passional e individualista de si mesmo a princípios e fins superiores, sobretudo aos da honra e do dever, são elementos essenciais a esta ideia e o fundamento de um estilo preciso, que viria a perder-se quando estes Estados, em que tudo isto pertencia a uma severa e longa tradição quase de casta, foram substituídos por democracias tradicionalistas, em que o dever do serviço militar substituiu o direito às armas.”
Hoje, lembra Julius Evola, as guerras estão longe de ter desaparecido, antes pelo contrário: tornaram-se totais. Elas atingem o conjunto da população, que, em virtude do princípio igualitário, é obrigada a vestir o uniforme – toca a totalidade dos civis.
O homem da elite, para Evola, não é portanto nem o homem de exceção, nem o brilhante orador e nem sequer o gênio. É “aquele em que se revela uma tradição e uma ‘raça de espírito’, aquele que deve a sua grandeza não ao homem, mas sim ao princípio, à ideia, numa certa impessoalidade soberana”. Os critérios decisivos são aqui, antes da inteligência, o caráter e a forma do espírito, porque “a visão do mundo (Weltanschauung) pode ser mais clara num homem sem instrução do que num escritor, mais firme num soldado, num membro de família aristocrática ou num camponês fiel à terra do que num intelectual burguês, num professor ou num jornalista.”
A “visão de mundo” também não é qualquer coisa individual. Também ela procede de uma tradição, “resultante orgânica das forças às quais um tipo de civilização deve a forma que lhe é própria.”
“A cultura”, acrescenta Evola, “não cessa de ser um perigo para quem tem uma visão de mundo, porque essa pessoa dispõe de uma configuração interior que lhe serve de guia seguro para discernir (como em todos os processos orgânicos), o que pode ser assimilável e o que deve ser rejeitado (...). Uma das consequências mais graves da ‘livre cultura’ ao alcance de todos, é que os espíritos incapazes de discriminar segundo julgamento acertado, os espíritos que ainda não possuem forma própria, são os que se encontram mais desarmados no plano espiritual, para fazer face a todos os tipos de influências.”
Julius Evola volta afirmar que não se dirige às massas, mas sim aos égrégoroi: àqueles que trazem consigo a ideia de uma regeneração; àqueles que, depois de terem “cristalizado” na história, ainda se mantêm de pé. (“Resta saber quantos homens ainda se mantêm de pé por entre as ruínas para compreenderem.”) Evola diz a esses homens bem-nascidos que é inútil resistir directamente ao caos reinante: a corrente é demasiado forte para ser reprimida. Mas vale que se esforcem por tomar o comando de um processus que se considera inevitável. “É preciso determinar até que ponto se pode tirar partido das perturbações destruidoras; até que ponto, graças a uma firmeza interior e a uma orientação no sentido da transcendência, o não-humano do mundo moderno, em vez de levar ao sub-humano (como na maioria das formas atuais), pode favorecer as experiências de uma vida superior e de uma liberdade também superior.”
Um ditado do Extremo Oriente resume este conselho: “Cavalgar o tigre”, para o impedir de morder, e, talvez, para o poder dirigir na sua correria.

Evola em 1973. Um ano antes de falecer,
e completamente lúcido com 75 anos.
Conseguir uma ultrapassagem por cima
O que, portanto, Evola propõe, é uma contestação radical da sociedade burguesa, mas uma contestação inversa à que hoje vemos, e que não passa da sua antítese relativa. Não é, aliás, a burguesia como classe que Evola ataca, mas sim a burguesia como forma de espírito, como “tudo o que sai da mentalidade burguesa com o seu conformismo, os seus prolongamentos psicológicos e românticos, o seu moralismo e a sua preocupação por uma vidinha segura, em que o materialismo fundamental encontra a sua compensação no sentimentalismo e na grandiloquência humanitária e democrática.”
E tal como, precisa ele, “a burguesia nas civilizações tradicionais ocupava um lugar intermediário entre a aristocracia guerreira e política e o povo, também existem duas maneiras – uma positiva e outra negativa – de ultrapassá-la com categoria e de tomar posição contra o tipo, a civilização, os valores e o espírito burgueses. A primeira possibilidade consiste em seguir uma direção que leva ainda mais abaixo, que dizer, aos valores sociais marxistas opostos àquilo que se chama “decadentismo burguês” (...). O resultado não poderá ser senão uma nova regressão: vai-se em direção a algo que se situa abaixo da pessoa e não acima dela...”
“Mas existe outra possibilidade: uma exigência e uma luta contra o espírito burguês, contra o individualismo e o falso idealismo, mais decididos que os dos movimentos de esquerda, mas, desta vez, orientados para o alto. Esta segunda possibilidade obriga-nos a retomar e assumir, uma forma natural e clara, sem retórica nem grandiloquência, os valores heróicos e aristocráticos. Porque podemos deste modo manter a distância em relação a tudo o que não passa de humano e principalmente subjetivo; podemos desprezar o conformismo burguês, o seu egoismozinho e seu moralismozinho; podemos assumir um estilo ativo de impersonalidade, amar o que é essencial e real (no sentido superior), pondo de parte as brumas do sentimentalismo e as estruturas intelectualistas; podemos consagrar-nos a uma ‘desmistificação’ radical – tudo isso mantendo-nos de pé, sentindo a evidência daquilo que na vida vai para o além da vida e extraindo daí regras precisas para a ação e comportamento.”

Era do partido da estrela polar
Julius Evola vivia retirado há trinta anos, com as duas pernas paralisadas, entre os seus quadros, os seus livros e os amigos que ainda o visitavam, quando chegou o momento da sua morte. Tendo tornado-se mestre da maneira de pensar duma parte da direita italiana e, sobretudo de um número crescente de jovens, não cessou de ser atacado pela esquerda que fingia ver nele o ideólogo de uma nova Ordem de Sainte Vehme[3]. Ficou sempre impassível, visto ter optado, de uma vez para sempre, por não se deixar arrastar para o campo da polemica.
– O homem que tem virtude não discute, dizia ele citando o Lao-Tse.
Um livro de homenagem, publicado em 1973, orientado por Gianfranco de Turris (Testimonianze su Evola), mostra bem a influência que ele exercia.
Pierra Pascal compara a expressão grave e altaneira de Evola com a de Montherlant: dois gigantes solitários .
– Eram os dois, diz ele, do partido da estrela polar.

Julius Evola 19/05/1898-11/06/1974
Um dos faróis da regeneração humana na Idade das Trevas atual

{Bibliografia}
Les Hommes au Milleu des Ruines”, ensaio de Julius Evola, Sept Couleurs, 252 páginas.
Testimonianze su Evola”, ensaios publicados sobre a direção de Gianfranco de Turris, Ed. Mediterranee, Roma, 235 páginas.

Um dos últimos livros de Evola publicados na Itália é uma coletânea de artigos: “Ricognizioni” (Mediterranee, Roma, 1974). Na França, para além de “Les Hommes au Milieu des Ruines”, existem traduções de “La Doctrine de l’Eveil” (Adyar, 1956, 2° edição: Archè, Milano, 1976), “Métaphysique du Sexe” (Payot, 1959 e 1976), “La Tradition Hermétique” (Ed. Tradicionnelles, 1961 e 1968), “Chevaucher le Tigre” (La Colombe, 1964), “Le Mystère du Graal” (Ed. Traditionnelles, 1967), “Le Yoga Tantrique” (Fayard, 1971), “Révolte Contre l’Homme Moderne” (Ed. De l’Homme, Bruxelles, 1972), “Masques et Visages du Spiritualisme Contemporain” (Ed. De l’Homme, Bruxelles, 1972).

Dirigida por Paolo Andriani, a Fundação Julius Evola propõe-se velar pela conservação dos livros e manuscritos deixados por Evola, e “defender os valores de uma cultura conforme a tradição”. A Fundação instalou a sede no antigo domicílio do escritor (Corso Vittorio Emanuele, 197, Roma).
Foi publicada em 1977, nas edições Copernic, uma obra coletiva sobre “Julius Evola. L’Homme et l’Ouevre”. Podem aí ler-se textos de Jean Varenne, Michel Angebert, Pierra Pascal, Renato Del Ponte, Robert de Herte e Vintila Horia.



Notas


[1] Nota do editor: Na tradução do francês ao português foi colocado originalmente índios e não hindus, este último termo opção que escolhi como editor para não deixar espaço para confusão entre índios e os povos indo-europeus.

[2] Nota do editor: É preciso fazer um esclarecimento, pois na realidade o trabalho de Julius Evola Il mito del sangue (O mito do sangue), de 1937 é uma análise das diversas concepções raciais que registravam decisiva, mas não única, importância ao fator biológico na apreciação racial, e o trabalho de Ludwig Ferdinand Clauss, um dos principais nomes da Alemanha de Hitler na questão racial, era revolucionário justamente por priorizar o componente psicológico, sendo, portanto, uma contraparte aos outros eruditos e cientistas raciais da Alemanha que priorizavam componente biológico. Posteriormente, Evola escreveu o trabalho racial que trazia as concepções dele próprio, Sintesi di dottrina della razza (Síntese da doutrina da raça), de 1941, na qual o homem é delineado em suas partes transcendental, psicológica e biológica.

[3] Nota do editor: Refere-se à uma organização medieval remontando ao início da Idade Média no período de Carlos Magno, porém com heranças mais arcaicas, que atuava na Europa, especialmente na Alemanha, impondo severa patrulha sobre os costumes de então.


Fonte: Nova Direita Nova Cultura – Antologia crítica das ideias contemporâneas; Editora Afrodite, 1981, Lisboa – Portugal. Este capítulo foi traduzido da edição francesa ao português por Maria João de Serpa Pacheco de Amorim.
Edição do artigo e palavras entre chaves por Mykel Alexander. Isso inclui a escolha pelos nomes das obras de Evola no decorrer do artigo no original italiano e não francês como fez Benoist.  


Nota do editor: Em português das obras de Julius Evola vertidas a partir do italiano temos:
A Tradição Hermética, Edições 70, Lisboa, 1971, tradução de Maria Teresa Simões.
O Mistério do Graal, Editora Pensamento, São Paulo, 1972, tradução de Pier Luigi Cabram.
Revolta contra o Mundo Moderno, Publicações Dom Quixote, Lisboa, 1989, Tradução de José Colaço Barreiros.
Metafísica do Sexo, Editora Vega, Lisboa, 1993 (2ª edição), tradução de Elisa Teixeira Pinto.
Revolta contra o Mundo Moderno, Editora Irget, São Paulo, 2010, Edição de Luiz Pontual.

Sobre o autor: Alain de Benoist (1943 – ) é um acadêmico e jornalista francês formado em Direito (Universidade de Paris, especializado em Direito Constitucional) e Filosofia (Universidade de Sorbonne, especializado em Sociologia e História das Religiões). De vasta obra literária, escreveu mais de 60 livros assim como ultrapassou a marca de 4500 artigos escritos, 50 teses universitárias, e 140 reportagens, e na atualidade é uma das mais respeitadas autoridades sobre a cultura ocidental. Por quatro anos foi editor da revista semanal L'Observateur europée, depois foi editor da L'Echo de la presse et de la publicité's, em 1969 assumiu o cargo de editor da Nouvelle Ecole, cargo que ocupa até hoje, e desde 1988 tem sido editor da revista Krisis.
Dentre seus livros foram traduzidos para português:
Nova Direita Nova Cultura – Antologia crítica das ideias contemporâneas; Editora Afrodite, 1981, Lisboa – Portugal.
Comunismo e nazismo – 25 reflexões sobre o totalitarismo no século XX (1917 – 1989), Editora Hugin, 1989, Lisboa – Portugal.
Odinismo e Cristianismo no Terceiro Reich – a Suástica contra a Irminsul – Editora Antagonista, 2009, Portugal; capítulo A fábula de um “paganismo nazi”.
Para Além dos Direitos Humanos – defender as liberdades – Editora Austral, Porto Alegre, 2013.

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quinta-feira, 6 de junho de 2019

As mentiras sobre a Segunda Guerra Mundial - Paul Craig Roberts


Paul Craig Roberts

           No imediato período posterior de uma guerra a história não pode ser escrita. O lado perdedor não tem ninguém para falar por isto. Os historiadores do lado vencedor são constrangidos por anos de propaganda de guerra que demonizou o inimigo enquanto obscurecia os crimes do lado vitorioso. As pessoas querem usufruir o bem-estar sobre a vitória delas, não aprender que o lado delas foi responsável pela guerra ou que a guerra poderia ter sido evitada, exceto pelas agendas ocultas dos líderes delas. Os historiadores são também constrangidos pela indisponibilidade de informação. Para esconder erros, corrupção e crimes, os governantes trancam documentos por décadas. Memórias de participantes não são ainda escritas. Diários são perdidos ou retidos por medo de punição elo praticado. É dispendioso e consome tempo localizar testemunhas, e convencê-las responder questões, especialmente aquelas que estão do lado perdedor. Qualquer relato que desafia o “relato feliz” requer uma grande quantidade confirmação dos documentos oficiais, entrevistas, cartas, diários, e memórias, e mesmo isso não será suficiente. Para a história da Segunda Guerra Mundial na Europa, estes documentos podem estar espalhados desde a Nova Zelândia e Austrália através do Canadá e EUA passando por Grã-Bretanha e Europa até a Rússia. Um historiador no rastro da verdade enfrenta longos anos de extenuante investigação e desenvolvimento da perspicácia para julgar e assimilar a evidência que ele descobre em uma imagem verdadeira do que aconteceu. A verdade é sempre imensamente diferente da propaganda de guerra do vencedor.

            Conforme relatei recentemente, Harry Elmer Barnes foi o primeiro historiador americano a fornecer uma história da Primeira Guerra Mundial que foi baseada em fontes primárias. Seu relato verídico diferiu tão substancialmente da propaganda de guerra que ele foi chamado de todo nome no livro[1].

            A verdade é raramente bem-vinda. David Irving, sem qualquer dúvida o melhor historiador da parte europeia da Segunda Guerra Mundial, aprendeu sob grandes expensas próprias, que desafiadores de mitos não ficam impunes. No entanto, Irving perseverou. Se você quer escapar das mentiras sobre a Segunda Guerra Mundial que ainda direcionam nosso desastroso curso, você somente necessita estudar dois livros de David Irving: Hitler’s War e o primeiro volume de sua biografia de Churchill, Churchill’s War: The Struggle for Power

            Irving é o historiador que passou décadas rastreando diários, sobreviventes, e demandando a liberação de documentos oficiais. Ele é o historiador que encontrou o diário de Rommel e os diários de Goebbels, o historiador que conseguiu entrar nos arquivos soviéticos, e assim por diante. Ele está familiarizado com mais fatos reais sobre a Segunda Guerra Mundial que o resto dos historiadores combinado. O famoso estudioso britânico da história militar, Sir John Keegan, escreveu no Times Literary Supplement: “Dois livros destacam-se da vasta literatura da Segunda Guerra Mundial: The Struggle for Europe de Chester Wilmot, publicado em 1952, e Hitler’s War de David Irving.

            Apesar de muitos elogios, hoje Irving é demonizado e tem que publicar seus próprios livros.

            Irei evitar a história de como isto veio a ocorrer, mas, sim, você adivinhou, foram os sionistas. Você simplesmente não pode dizer nada que altera a imagem propagandista de história deles.

            A seguir, eu vou apresentar qual é a minha impressão de ler estes dois trabalhos magistrais. O próprio Irving é muito escasso em opiniões. Ele apenas fornece os fatos de documentos oficiais, registros interceptados, diários, cartas e entrevistas.

            A Segunda Guerra Mundial foi a guerra de Churchill, não a de Hitler. Irving fornece fatos documentados do qual o leitor não pode evitar esta conclusão. Churchill conseguiu sua guerra, pela qual ele ansiava, por causa do Tratado de Versalhes que despojou a Alemanha de seu território alemão e injustamente e irresponsavelmente impôs humilhação sobre a Alemanha.

            Hitler e a Alemanha Nacional Socialista (nazi é a referência para Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães) são as entidades mais demonizadas da história. Qualquer pessoa que encontre qualquer bem em Hitler ou na Alemanha é instantaneamente demonizada. A pessoa se torna um pária independentemente dos fatos. Irving está muito consciente disso. Toda vez que seu relato fatual de Hitler começa a mostrar uma pessoa muito diferente da imagem demonizada, Irving se vale de alguma linguagem negativa acerca de Hitler.

            Similarmente para Winston Churchill. Toda vez que o relato fatual demonstra uma pessoa muito diferente do ícone adorado, Irving se vale de alguma linguagem apreciativa.

            Isto é o que um historiador tem de fazer para sobreviver dizendo a verdade.

            Para ser claro, no que segue, eu estou meramente relatando o que parece para mim ser a conclusão dos fatos documentados apresentados nestes dois trabalhos de estudo. Eu estou meramente relatando o que eu compreendo ter a pesquisa de Irving estabelecido. Você lê os livros e chega a sua própria conclusão.

            A Segunda Guerra Mundial foi iniciada pela declaração britânica e francesa de guerra sobre a Alemanha, não por uma blitzkrieg surpresa da Alemanha. A derrota total e colapso dos exércitos britânicos e franceses foi o resultado da Grã-Bretanha declarar uma guerra pela qual a Grã-Bretanha estava despreparada para lutar e da tolice da França presa por um tratado com os britânicos, que rapidamente deserdaram seu aliado francês, deixando a França sob a misericórdia da Alemanha.

            A misericórdia da Alemanha era substancial. Hitler deixou uma grande parte da França e das colônias francesas não ocupadas e seguras da guerra sob um governo semi-independente sob Petain. Por seu serviço em proteger uma aparência de independência francesa, Petain foi sentenciado à morte por Charles de Gaulle depois da guerra por colaboração com a Alemanha, uma acusação injusta.

            Na Grã-Bretanha Churchill estava fora do poder. Ele imaginou que uma guerra o colocaria de volta no poder. Nenhum britânico poderia igualar a retórica e discursos de Churchill. Ou determinação. Churchill desejava poder, e ele queria para reproduzir os incríveis feitos militares de deu ilustre ancestral, o Duque de Marlborough, cuja biografia Churchill estava escrevendo e que derrotou após anos de luta militar o poderoso Rei Sol da França, Luís XIV, o governante da Europa.

            Em contraste ao aristocrata britânico, Hitler era um homem do povo. Ele atuou para o povo alemão. O Tratado de Versalhes tinha desmembrado a Alemanha. Partes da Alemanha foram confiscadas e dadas para França, Bélgica, Dinamarca, Polônia e Tchecoslováquia.  Conforme a Alemanha não tinha realmente perdido a guerra, sendo ocupante do território estrangeiro quando a Alemanha concordou com um armistício enganoso, a perda de aproximadamente 7 milhões alemães para a Polônia e Tchecoslováquia, onde os alemães foram abusados, não foi considerado uma saída justa.

            O programa de Hitler era colocar a Alemanha de volta junta novamente. Ele foi bem-sucedido até sem guerra até chegar à Polônia. As demandas de Hitler eram justas e realistas, mas Churchill, financiado pelo Grupo Focus, com dinheiro judaico, colocou tal pressão sobre o primeiro ministro Chamberlain que Chamberlain interveio nas negociações polaco-alemãs e emitiu uma garantia britânica para a ditadura militar polonesa se a Polônia recusasse a liberar território e populações alemãs.

            Os britânicos não tinham maneira de honrar a garantia, mas a ditadura militar polonesa carecia de inteligência para perceber isso. Consequentemente, a ditadura polonesa recusou o pedido da Alemanha.

            A partir deste erro de Chamberlain e da estúpida ditadura polonesa, surgiu o acordo Ribbentrop/Molotov que a Alemanha e a União Soviética dividiriam a Polônia entre eles mesmos. Quando Hitler atacou a Polônia, a Grã-Bretanha e infelizes franceses declararam guerra à Alemanha por causa da não aplicável garantia britânica. Mas os britânicos e franceses foram cuidadosos em não declarar guerra à União Soviética por ocupar a parte oriental da Polônia.

            Assim, a Grã-Bretanha foi responsável pela Segunda Guerra Mundial, primeiro por estupidamente interferir nas negociações germano-polacas, e, segundo, declarando guerra à Alemanha.

            Churchill estava focado na guerra com a Alemanha, na qual ele pretendia por anos precedendo a guerra. Mas Hitler não queria qualquer guerra com a Grã-Bretanha ou com a França, e nunca pretendeu invadir a Grã-Bretanha. A ameaça de invasão foi uma quimera conjurada por Churchill para unir a Inglaterra atrás dele. Hitler expressou sua visão que o Império Britânico era essencial para a ordem no mundo, e que na sua ausência os europeus perderiam sua supremacia mundial. Após o desbarato alemão sobre os exércitos francês e inglês, Hitler ofereceu uma extraordinariamente generosa paz à Grã-Bretanha. Ele disse que não queria nada da Grã-Bretanha, mas apenas o retorno das colônias alemãs. Ele comprometeu as forças armadas alemãs em defesa do Império Britânico, e disse que iria reconstituir ambos estados polonês e tcheco e deixá-los-ia aos seus próprios critérios. Ele disse a seus associados que a derrota do Império Britânico não faria nada pela Alemanha e tudo pela Rússia bolchevique e Japão.

            Winston Churchill manteve as ofertas de paz de Hitler como segredo conforme ele poderia e foi bem-sucedido em seus esforços para bloquear qualquer paz. Churchill queria guerra, em grande parte, parece, para sua própria glória. Franklin Delano Roosevelt secretamente encorajou Churchill em sua guerra, mas sem fazer qualquer compromisso em nome da Grã-Bretanha. Roosevelt sabia que a guerra iria alcançar seu próprio objetivo de levar a Grã-Bretanha à bancarrota e destruir o Império Britânico, e que o dólar americano herdaria a poderosa posição da libra britânica de ser a moeda reserva vigorando no mundo. Uma vez que Churchill tinha enredado a Grã-Bretanha na guerra, ela não poderia vencer por si própria, FDR começou a distribuir ajuda em troca de preços extremamente altos – por exemplo, 60 destroieres americanos desatualizados e em grande parte inúteis para as bases navais britânicas no Atlântico. FDR atrasou o Lend-Lease até que a desesperada Grã-Bretanha tivesse entregue US$ 22 bilhões de ouro britânico mais US$ 42 milhões em ouro que a Grã-Bretanha tinha na África do Sul. Então começou a venda forçada de investimentos britânicos mares afora. Por exemplo, a empresa de posse britânica Viscose Company, a qual valia US$ 125 milhões em 1940, que não tinha débitos e detinha US$ 40 milhões em títulos do governo, foi vendida para a Casa Morgan por US$ 37 milhões. Foi um tal ato de roubalheira que os britânicos acabaram conseguindo cerca de dois terços do valor da empresa para entregar a Washington em pagamento de munições de guerra. A ajuda americana estava também “condicionada à Grã-Bretanha desmantelar o sistema de preferência imperial ancorada no acordo de Ottawa de 1932.” Para Cordell Hull, o auxílio americano foi “uma faca para abrir a casca de ostra, o Império.” Churchill viu isso vindo, mas ele estava longe demais para fazer qualquer coisa a não ser pleitear com FDR: Seria errado, Churchill escreveu para Roosevelt, se “a Grã-Bretanha fosse despojada de seus bens vendáveis de modo que após a vitória ser feita com nosso sangue, a civilização salva, e o tempo ganho para os Estados Unidos estarem plenamente armados contra todas as eventualidades, nós devêssemos ficar despojados até o osso.”

              Um longo ensaio poderia ser escrito sobre como Roosevelt despiu a Grã-Bretanha de seus bens e poder mundial. Irving escreve que em uma era de gângsteres estadistas, Churchill não estava na liga de Roosevelt. A sobrevivência do Império Britânico não era uma prioridade para FDR. Ele considerava Churchill como um alvo de influência – pouco confiável e bêbado a maior parte do tempo. Irving relata que a política de DSR era pagar apenas o suficiente para dar a Churchill “o tipo de apoio que uma corda dá a um homem enforcado.” Roosevelt buscou “sua subversão do Império através da guerra.” Eventualmente Churchill percebeu que Washington estava em guerra com a Grã-Bretanha mais impetuosamente que estava Hitler. A grande ironia era que Hitler tinha oferecido a Churchill paz e a sobrevivência do Império. Quando ficou tarde demais, Churchill chegou à conclusão que o conflito com a Alemanha era uma guerra “muito desnecessária”. Pat Buchanan também vê isso nesta maneira também[2].

            Hitler proibiu o bombardeio de áreas civis de cidades britânicas. Foi Churchill que iniciou este crime de guerra, mais tarde emulado pelos americanos. Churchill manteve o bombardeio de civis alemães em segredo do povo britânico e trabalhou para impedir a Cruz Vermelha do monitoramento de ataques aéreos de modo que ninguém soubesse que ele estava bombardeando áreas residenciais civis, não de produção para guerra. O propósito do bombardeamento de Churchill – primeiro as bombas incendiárias para colocar tudo em chamas, e então altos explosivos para impedir os bombeiros de controlar os incêndios – foi provocar um ataque alemão sobre Londres, o qual Churchill calculou que iria ligar o povo britânico à ele e criaria simpatia nos EUA pela Grã-Bretanha que ajudaria Churchill a puxar os Estados Unidos para a guerra. Um ataque britânico assassinou 50,000 pessoas em Hamburgo, e um subsequente ataque sobre Hamburgo causou a morte de 40.000 civis. Churchill também ordenou que gás venenoso fosse adicionado ao bombardeio incendiário nas áreas residenciais civis alemãs e que Roma fosse bombardeada até às cinzas. A força Área Britânica recusou ambas ordens. No final da guerra, os britânicos e americanos destruíram a bela cidade barroca de Dresden, queimando e sufocando 100,000 pessoas no ataque. Depois de meses de bombardeios incendiários sobre a Alemanha, incluindo Berlim, Hitler cedeu aos seus generais e respondeu na mesma moeda. Churchill foi bem-sucedido. A história veio a ser “a Blitz de Londres,” não a blitz britânica na Alemanha.

            Como Hitler na Alemanha, Churchill assumiu a direção da guerra. Ele funcionava mais como um ditador que ignorou os serviços armados que como um ministro aconselhado pelos líderes militares do país. Ambos líderes podiam estar corretos nas avaliações dos oficiais comandantes deles, mas Hitler era um estrategista de guerra muito melhor que Churchill, para quem nada funcionava. A desventura de Churchill na Primeira Guerra Mundial em Gallipoli era então adicionada na introdução das tropas britânicas na Noruega, Grécia, Creta, Síria – todas falhas e decisões ridículas – e o fiasco de Dakar. Churchill também se virou sobre a França, destruindo a frota francesa e vida de 1.600 marinheiros por causa de seu medo pessoal, infundado, que Hitler iria violar seu tratado com a França e confiscar a frota. Qualquer desses percalços churchillianos poderia ter resultado em um voto de não confiança, mas com Chamberlain e Halifax fora do caminho, não havia liderança alternativa. De fato, a carência de liderança é razão pela qual nem o gabinete nem os militares poderiam resistir a Churchill, uma pessoa de determinação de ferro.

            Hitler também era uma pessoa de determinação de ferro, e ele desgastou a si próprio e a Alemanha com sua determinação. Ele nunca queria a guerra com a Inglaterra e França. Isso foi atividade de Churchill, não de Hitler. Como Churchill, que tinha o povo britânico atrás dele, Hitler tinha o povo alemão atrás dele, porque ele se pois de pé pela Alemanha e tinha reconstruído a Alemanha do estupro e ruína do Tratado de Versalhes. Mas Hitler, não um aristocrata como Churchill, mas de origens baixas e ordinárias, nunca teve a lealdade de muito dos oficiais militares prussianos aristocráticos, aqueles com “von” antes do nome deles. Ele estava aflito com traidores na Abwehr, sua inteligência militar, incluindo seu diretor, o almirante Canaris. Na frente russa no último ano, Hitler foi traído por generais que abriram avenidas para os russos para dentro da indefesa Berlim.

            Os piores erros de Hitler foram sua aliança com a Itália e sua decisão de invadir a Rússia. Ele também se enganou ao permitir os britânicos irem para Dunquerque. Ele os deixou ir porque não queria arruinar a chance de terminar a guerra ao humilhar os britânicos pela derrota do inteiro exército deles. Mas com Churchill não existia chance para paz. Ao não destruir o exército britânico, Hitler impulsionou Churchill, que transformou a evacuação em britânicos heroicos que sustentaram a vontade de lutar.

            Não é claro por que Hitler invadiu a Rússia. Uma possível razão é a informação pobre ou intencionalmente enganosa da Abwehr sobre a capacidade militar russa. Hitler mais tarde disse aos seus associados que ele nunca teria invadido se ele tivesse conhecido o enorme tamanho do exército russo e a extraordinária capacidade dos soviéticos de produzir tanques e aeronaves[3]. Alguns historiadores têm concluído que a razão de Hitler ter invadido a Rússia era que ele concluiu que os britânicos não concordariam em terminar a guerra porque eles esperavam a Rússia entrar na guerra ao lado da Grã-Bretanha. Portanto, Hitler decidiu impedir essa possibilidade conquistando a Rússia. Um russo tem escrito que Hitler atacou porque Stalin estava preparando para atacar a Alemanha[4]. Stalin teria consideráveis forças bem avançadas, mas faria mais sentido para Stalin esperar até o Ocidente devorar a si próprio em mútua sangria, dando passo adentro depois e pegando tudo que ele queria. Ou talvez Stalin estava posicionando-se para ocupar parte da Europa Oriental afim de colocar mais espaço entre a União Soviética e Alemanha.

             Qualquer que tenha sido a razão para a invasão, o que derrotou Hitler foi o mais precoce dos invernos russos em 30 anos. Parou tudo em seus caminhos antes do bem planejado e bem-sucedido cerco pudesse ser completado. O rigoroso inverno que imobilizou os alemães deu tempo para Stalin se recuperar.

            Por causa da Aliança de Hitler com Mussolini, que carecia de uma efetiva força de combate, os recursos necessários para a frente de combate russo foram duas vezes drenados para resgatar a Itália. Por causa das desventuras de Mussolini, Hitler teve de drenar tropas, tanques e aeronaves da invasão russa para resgatar a Itália na Grécia e no norte da África, e ocupar Creta. Hitler fez este erro por lealdade a Mussolini. Mais tarde na guerra quando os contra-ataques russos estavam empurrando os alemães para fora da Rússia, Hitler teve que desviar recursos militares preciosos para resgatar Mussolini de ser preso e ocupar a Itália para impedir sua rendição. A Alemanha simplesmente carecia de recursos militares e força humana para lutar em uma frente russa de 1600 quilômetros, e também na Grécia e Norte da África, ocupar parte da França, e defender homens contra a invasão americana-britânica da Normandia e Itália.

            O exército alemão era uma força de combate magnífica, mas estava sobrecarregado por muitas frentes, muito pouco equipamento, e comunicações descuidadas. Os alemães nunca pegaram apesar de muitas evidências que os britânicos podiam ler sua criptografia. Assim, os esforços para abastecer Rommel no norte da África foram impedidos pela marinha britânica.

            Irving nunca diretamente aborda em nenhum livro o Holocausto. Ele documenta o massacre de muitos judeus, mas o quadro que emerge da evidência fatual é que o holocausto do povo judeu era diferente da história oficial sionista.

            Nenhum plano alemão, ou ordens de Hitler, ou de Himmler ou de qualquer outra pessoa jamais foram encontradas para um holocausto organizado por gás e cremação de judeus. Isto é extraordinário, pois um uso massivo de recursos e transporte iria ter requerido organização, orçamento e recursos massivos. O que os documentos mostram é o plano de Hitler para realocar os judeus europeus para Madagascar após o fim da guerra. Com o sucesso inicial da invasão na Rússia, este plano foi alterado para enviar os judeus europeus para os bolcheviques judeus na parte oriental da Rússia que Hitler deixaria para Stalin. Existem ordens documentadas dadas por Hitler que impedem massacres de judeus. Hitler disse repetidamente que “o problema judaico[5]” seria resolvido depois da guerra.

            Parece que a maioria dos massacres sobre judeus foram cometidos por administradores políticos alemães dos territórios ocupados do leste para os quais judeus da Alemanha e França foram enviados para realocação. Ao invés de lidar com a inconveniência, alguns dos administradores os alinharam e atiraram em trincheiras abertas. Outros judeus foram vítimas dos aldeões russos que há muito sofriam com os administradores judaico-bolcheviques.

            Os “campos da morte” eram, de fato, campos de trabalho. Auschwitz, por exemplo, hoje um museu do Holocausto, foi um local da fábrica de borracha artificial essencial para a Alemanha. A Alemanha estava desesperada por uma força de trabalho. Uma significante porcentagem do trabalho alemão de produção para a guerra tinha sido liberada para o Exército para preencher os buracos nas linhas alemãs da frente de batalha russa. Os locais de produção de guerra, tais como Auschwitz, tinham como força de trabalho refugiados deslocados de seus lares pela guerra, judeus para serem deportados depois do fim da guerra, e qualquer um mais que pudesse ser forçado ao trabalho. A Alemanha desesperadamente necessitava qualquer força de trabalho que ela pudesse conseguir.

            Cada campo tinha crematórios. O propósito deles não era exterminar populações, mas eliminar os mortos pelo flagelo do tifo, mortes naturais, e outras doenças. Refugiados eram de todas as partes, e eles traziam doenças e germes com eles. As horríveis fotos de massas de corpos mortos esqueléticos que são ditas serem evidência do extermínio organizado dos judeus são de fato de internos dos campos que morreram de tifo e de fome nos últimos dias da guerra quando a Alemanha estava desorganizada e desprovido de remédios e alimentos para os campos de trabalho. Os grandes e nobres vitoriosos ocidentais eles mesmos bombardearam os campos de trabalho e contribuíram para as mortes dos internos.

            Os dois livros sobre os quais eu tenho relatado totalizam 1.663 páginas, e existem dois mais volumes da biografia de Churchill. Esta massiva e historicamente documentada informação parecia provável de ir parar no porão da história, por ser inconsistente tanto para com a auto justificação do Ocidente como para o capital humano dos historiadores da corte. Os fatos são muito caros para serem conhecidos. Mas os historiadores têm começado a adicionar suas próprias contas as informações descobertas por Irving. É preciso um bravo historiador para elogiá-lo, mas eles podem citá-lo e plagiá-lo.

Pese a todas polêmicas que seu nome traz, todavia, Irving deu um novo impulso às pesquisas
 históricas sobre as referidas temáticas, que não poderiam mais se sustentar seriamente
 esquivando-se com a falta de rigor investigativo que haviam se habituado antes dos trabalhos
 de Irving.

            É incrível quanto poder os sionistas obtiveram do Holocausto. Norman Finkelstein chama isso de Industria do Holocausto. Existe uma ampla evidência que judeus junto com muitos outros sofreram, mas sionistas insistem que foi uma experiência única limitada aos judeus.

            Em sua introdução de Hitler’s War[6] relata que apesar das vendas amplas de seu livro, o elogio inicial dos historiadores e o fato de que o livro era leitura obrigatória nas academias militares de Sandhurst à West Point, “eu tive minha casa destruídas por bandidos, minha família aterrorizada, meu nome manchado, meus publicadores bombardeados, e eu mesmo preso e deportado pela minúscula e democrática Áustria – um ato ilegal, decidiram seus tribunais, pelo qual os culpados ministeriais foram punidos; a pedido de acadêmicos descontentes e cidadãos influentes [sionistas], nos anos subsequentes, eu fui deportado do Canadá (em 1992), e recusado a entrar na Austrália, Nova Zelândia, África do Sul e outros países civilizados ao redor do mundo. Grupos afiliados internacionalmente circularam cartas para os bibliotecários, pedindo para este livro ser retirado das prateleiras deles.”

            Tanto pelo livre pensamento e verdade no mundo ocidental. Nada é tão pouco considerado no Ocidente como o livre pensamento, livre expressão, e verdade. No Ocidente as explicações são controladas para avançar as agendas dos grupos de interesse dominantes. Conforme Irving tem aprendido, ai de qualquer um que ficar no caminho.

Tradução por Mykel Alexander


Notas


[1] Fonte utilizada pelo autor: “The Lies That Form Our Consciousness and False Historical Awareness”, Paul Craig Roberts – Institute for Political Economy, 09/05/2019
Nota do tradutor: Em português: “As mentiras que formam nossa consciência e a falsa consciência histórica - por Paul Craig Roberts”, Paul Craig Roberts, World Traditional Front, 05/06/2019.

[2] Fonte utilizada pelo autor: Patrick J. Buchanan, Churchill, Hitler, and “The Unnecessary War”: How Britain Lost Its Empire and the West Lost the World, Crown Forum, 2008, primeira edição.

Nota do tradutor: ver “Hitler queria Guerra? - Por Patrick Joseph Buchanan”, World Traditional Front, 02/09/2018. 
https://worldtraditionalfront.blogspot.com/2018/09/hitler-queria-guerra-por-patrick-joseph.html

[3] Nota do tradutor: O jornalista mexicano Salvador Borrego, que acompanhou passo a passo o início, desenvolvimento e conclusão da Segunda Guerra Mundial, observou que, conforme também menciona Paul Craig Roberts, o serviço secreto alemão (Abwehr) estava infiltrado, um nome infiltrado é justamente o Almirante Wilhelm Canaris, e que em muitos setores a desinformação contaminava os relatórios alemães, de modo que a Alemanha, com 145 divisões preparadas para enfrentar a URSS, estimou menor, 300 divisões, do que era de fato o exército soviético com 460 divisões, na ocasião do início da guerra germano-soviética em 1941. Ver Salvador Borrego, Derrota Mundial (esta obra saiu já em várias edições desde os anos da década 1950), subcapítulo “Carne de Cañón para Frenar el Golpe Contra la URSS”.
A partir dos anos da década 1980, Vladimir Bogdanovich Rezun (nome de pena Viktor Suvorov), da Academia Diplomática Militar russa escreveu várias obras corroborando as pesquisas de Salvador Borrego.

[4] Nota do tradutor: O mesmo Salvador Borrego também chegou a mesma conclusão, conforme ele mesmo observou. A URSS tinha em 1939 65 divisões na frente ocidental na direção da Alemanha, em 1940 o número de divisões soviéticas aumentou para 153 divisões. Em 1941 a URSS possuía 160 divisões nas fronteiras em direção à Alemanha, mais 140 divisões situadas na retaguarda mais profundamente, além das reservas complementares que somavam cerca de 100 divisões, e a incessante produção militar que se ocupava em alimentar as fileiras soviéticas, as quais alcançariam 500 divisões se Hitler, com suas 145 divisões na frente soviética não iniciasse a invasão. Ver Salvador Borrego, Derrota Mundial, subcapítulo “La más grande lucha em la historia de las armas”. 

[5] Nota do tradutor: Logo em 1933, no ano que Adolf Hitler entra no poder, as lideranças da Alemanha de Hitler entraram num acordo com as lideranças judaicas sobre um esforço mútuo de ambas partes para encontrar um território para formar o Estado judaico. Ver “Zionism and the Third Reich”, Mark Weber, em The Journal of Historical Review, Julho-Agosto de 1993 (Vol. 13, Nº. 4), páginas 29-37.

 Todavia, as relações deterioraram principalmente por correntes judaicas contrárias com o projeto sionista moderno original, o do judeu Theodor Herzl, pois seria um Estado que acolheria os judeus do mundo, não mais os judeus ocupando os importantes postos nas diversas nações em que vivem, condição conhecida como Diáspora. Ver “Conversa direta sobre o sionismo - o que o nacionalismo judaico significa”, Mark Weber, em World Traditional Front, 19/05/2019.

[6] Ver “A Guerra de Hitler”, David Irving, em World Traditional Front, 20/04/2019.




Fonte: Paul Craig Roberts – Institute for Political Economy, 13/05/2019

Sobre o autor: Paul Craig Roberts (1939 – ) licenciou-se em Economia no Instituto Tecnológico da Geórgia e doutorou-se na Universidade da Virgínia. Como pós-graduado frequentou a Universidade da Califórnia, a Universidade de Berkeley e a Faculdade Merton, da Universidade de Oxford. De 1981 a janeiro de 1982 é nomeado Secretário de Estado do Tesouro para a política econômica da gestão de Ronald Reagan. Foi Distinto Investigador do Instituto Cato entre 1993 e 1996. Foi também Investigador Sênior do Instituto Hoover.


Entre seus livros estão: The New Color Line: How Quotas and Privilege Destroy Democracy (1995);The Tyranny of Good Intentions: How Prosecutors and Bureaucrats Are Trampling the Constitution in the Name of Justice (2000, e segunda edição 2008); How America was Lost. From 9/11 to the Police/Warfare State (2014).
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Hitler por Winston Churchill

A Guerra de Hitler - por David Irving

Hitler queria Guerra? - Por Patrick Joseph Buchanan