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| Laurent Guyénot |
Em
algum lugar da Ásia Menor, no final do século I d.C., dois filósofos, um
estoico e um platônico, estavam sentados à beira de uma praça do mercado,
cercados por uma dúzia de espectadores. Eles debatiam sobre o Logos, a Inteligência divina que governa
o céu e a terra. O platônico concebia o Logos
como um princípio intermediário entre Deus e o universo físico. O Logos, dizia ele, é a Mente de Deus, ou
a totalidade das Formas ou Ideias existentes. O estoico considerava essas
distinções arbitrárias. Como Deus é, por definição, infinito, nada está fora
Dele. Portanto, o Logos não é
distinto de Deus, nem da ordem ou harmonia (kosmos)
do mundo. Ele citou Sêneca em Sobre os
Benefícios (IV,7): “o que é a Natureza (Phusis)
senão Deus e a razão divina, que permeia o universo e todas as suas partes?”.
Portanto, Theos, Logos e Kosmos são três
aspectos diferentes, ou apenas nomes diferentes, da mesma realidade.
Nesse
momento, um judeu entre os ouvintes interrompeu os filósofos para informá-los
de que o Logos, na verdade, havia
descido do céu na forma do rei dos judeus, crucificado e ressuscitado em
Jerusalém. Todos caíram na gargalhada.
O
nome do judeu era Yohanan. Ele então começou a escrever um pergaminho que
iniciava com: “No princípio era o Logos, e o Logos estava com Deus, e o Logos
era Deus. Ele estava com Deus no princípio. Todas as coisas foram feitas por
intermédio dele; sem ele, nada do que existe teria sido feito” (João 1:1-3).
Nem
em seus mais loucamente selvagens pesadelos nossos dois filósofos poderiam
imaginar que, dois séculos depois, esse pergaminho se tornaria escritura
sagrada oficial, e a crença de que o Logos
se “fez carne” como um judeu seria declarada obrigatória em todo o Império
Romano, sob pena de morte.
Mas
essa é, em poucas palavras, o cerne da cristianização.
Há
uma cruel ironia na apropriação cristã do Logos.
Ele é comumente traduzido como “a Palavra, mas o logos grego, do qual deriva nossa palavra “lógica,” está mais
próximo de “razão.” Sejam estoicos ou platônicos, os filósofos postulavam que a
alma racional de cada homem era uma participação direta no Logos divino, razão pela qual os homens têm a capacidade de
compreender racionalmente Deus e o universo. Quando os primeiros apologistas
cristãos de língua grega culpavam os filósofos por depositarem sua fé na “razão”
em vez de em Deus, eles usavam a palavra logos
(Justino Mártir, Tatiano, Teófilo de Antioquia). Mas os mesmos autores adoravam
Jesus e afirmavam que ele era o verdadeiro e completo Logos em si mesmo. Eles mudaram o significado de Logos tão radicalmente a ponto de
afirmar que ser salvo pelo Logos requeria fé em vez de razão. O Logos, a fonte divina da razão humana,
foi sequestrado por uma religião que exige que os homens abandonem sua razão em
prol de uma fé cega em histórias impossíveis. “A sabedoria deste mundo é
loucura aos olhos de Deus”, escreveu Paulo (1 Coríntios 3:19). “É facilmente crível porque é insensata… é certa
porque é impossível”, escreveu Tertuliano (De
Carne Christi 5.4). A libido sciendi
dos filósofos foi condenada como uma vaidade mortal, uma concupiscência nascida
da nossa corrupção ou do Diabo.
É
geralmente assumido que os intelectuais cristãos que elaboraram a Cristologia
do Logos, a começar pelo autor do Evangelho
de João, foram discípulos dos filósofos gregos. Mas não é esse o caso: eles
foram discípulos de um filósofo judeu, Filo de Alexandria, que morreu por volta
de 40 d.C. Filo interpretou a Torá (e
o livro do Gênesis em particular)
através do platonismo médio de sua época. Mas ele o fez com o propósito de
demonstrar que a sabedoria judaica era mais antiga, superior e mais pura do que
a sabedoria grega — um lugar-comum na literatura judaica alexandrina. Ligando a
filosofia ao Tanakh (que ele lia na
tradução grega), Filo identificou o Logos
como o “Anjo do Senhor” ou o “Primogênito dos Anjos”, e também o chamou de
“Filho de Deus” ou “Primogênito de Deus”, bem como um “Segundo Deus” que
governa o mundo em nome de seu Pai. “E muitos são os seus nomes, pois ele é
chamado o Princípio, e o Nome de Deus, e a sua Palavra, e o Homem conforme a
sua Imagem, e aquele que vê, isto é, Israel.” O Logos é “a Imagem de Deus”; portanto, quando Gênesis 9:6 diz que Deus criou o homem à sua própria imagem,
devemos entender, argumenta Filo, que o Logos
é também o Adão celestial arquetípico, do
qual o Adão terreno, que vem depois, é uma cópia corruptível (um conceito que
encontrou espaço na epístola de Paulo aos Romanos, capítulo 5). Filo fundiu
esse conceito do Logos com a visão
profética do Filho do Homem descendo do céu no Livro de Daniel (7:13). Finalmente, Filo considera Moisés como uma
encarnação quase perfeita do Logos,
como um novo Adão.1
Filo
teve uma enorme influência em virtualmente todos os escritores cristãos, de
Paulo a Justino e Orígenes. “De fato”, escreve James Royse, “a utilização
cristã de Filo foi tão extensa que era inconcebível para alguns que Filo não
tivesse realmente se tornado cristão; e assim encontramos histórias da
conversão de Filo ao cristianismo e referências ocasionais em manuscritos ao
‘Bispo Filo’”.2 De acordo com Erwin
Goodenough, não há dúvida de que Justino, por exemplo, tomou emprestada sua
Cristologia do Logos de Filo: “como doutrina do Logos, ainda é reconhecidamente
o Logos de Filo que Justino tem em mente, embora popularizado, diluído,
intensamente personalizado e representado como encarnado no Jesus Cristo
histórico”.3 Há um elemento de engano
aqui, pois Justino nunca menciona o nome de Filo. Justino nasceu em Neápolis
(hoje Nablus), na Samaria; Ele alegava ser gentio, mas demonstra um profundo
conhecimento do judaísmo em seu Diálogo
com Trifão, e há suspeitas de que ele tenha sido um dos primeiros casos de
criptojudaísmo.
Seja
como for, deve ficar claro, a partir das considerações acima, que a Cristologia
do Logos é de inspiração judaica. Ela é helenística apenas no sentido de estar
enraizada no judaísmo helenístico, o qual é um ramo do judaísmo, não do
helenismo.
Homoousianos vs.
Homoianos
Dada
a influência de Filo de Alexandria na cristologia primitiva, não é surpresa que
as controvérsias cristológicas tenham sido particularmente intensas em
Alexandria. Foram o bispo Alexandre de Alexandria e seu jovem diácono Atanásio
que impuseram sua visão no Concílio de Niceia, em 325. Concedam-me com atenção
eu recontar brevemente essa história, um ponto de virada na história
intelectual ocidental — um golpe judaico na mente gentia.
A
principal questão discutida em Niceia foi a disputa de Alexandre com o
presbítero Ário, que sustentava que o Filho era inferior ao Pai que o gerou.
Alexandre e Atanásio insistiam que o Filho era coeterno com o Pai e que ambos
eram da mesma ousia (uma palavra
frequentemente usada por Filo, que significa “substância” ou “essência”). Para
esses monoteístas monomaníacos, não bastava que Jesus fosse o Filho de Deus:
ele tinha que ser “Deus verdadeiro de Deus verdadeiro,” caso contrário, os
cristãos estariam adorando um segundo deus. Alexandre e Atanásio saíram
vitoriosos, e Ário foi exilado por decreto imperial, juntamente com alguns
seguidores que não cediam.
Contudo,
muitos bispos que haviam sido coagidos a assinar o Credo Niceno posteriormente
se retrataram. Por iniciativa do bispo Eusébio de Nicomédia, surgiu um consenso
para rejeitar o uso do termo aristotélico e não evangélico ousia, declarando, em vez disso, que o Filho era simplesmente “similar”
(homoios) ao Pai — embora ainda
admitindo, contrariamente a Ário, que o Filho existia desde toda a eternidade.
Mas o fanático Atanásio — descrito por Harold Drake como “apaixonado, eloquente
e implacável”, e como possuidor de “habilidades de um lutador implacável e
político de rua” — havia sucedido Alexandre como bispo de Alexandria três anos
após Niceia, e não faria concessões.4
Em 335, Constantino, cansado de sua arrogância e violência (ele foi acusado de
instigar tumultos e assassinatos), exilou-o em Trier — o mais longe possível de
sua base egípcia. Constantino recebeu o batismo de Eusébio de Nicomédia e
morreu pouco depois, em 337. Ele foi sucedido por seus três filhos, dos quais
restavam apenas dois três anos depois: Constâncio governou o Oriente e
Constante o Ocidente, a partir de Milão.
Atanásio
tomou vantagem da morte de Constantino para retornar furtivamente a Alexandria
e reunir seus partidários, mas foi novamente banido por Constâncio, que manteve
a ortodoxia homoiana (ou homoeana) de seu pai. Contudo,
refugiou-se em Roma e obteve o apoio do bispo Júlio (ainda não “papa”), que se
ressentia de ser marginalizado das discussões que agitavam a parte grega do
Império.
Quando
Constante foi vítima de um golpe em 350, Constâncio derrotou o “usurpador” e
restaurou a unidade do Império. Um concílio foi convocado em Sírmio (hoje na
Sérvia) em 357, que afirmou que “o Pai é maior que o Filho em honra, dignidade,
esplendor, majestade e no próprio nome do Pai, como o próprio Filho
testemunhou: ‘Aquele que me enviou é maior do que eu’.” Em 360, Constâncio
presidiu pessoalmente um concílio em Constantinopla, o qual emitiu a seguinte
declaração:
Quanto ao termo “essência” (ousia), que foi adotado pelos pais sem a apropriada reflexão e, por ser desconhecido do povo, causou ofensa, porque as Escrituras não o contêm, resolveu-se que fosse removido e que no futuro não se fizesse qualquer menção a ele, visto que as Sagradas Escrituras em nenhum lugar mencionam a essência do Pai e do Filho. Nem se deve usar o termo “hipóstase” em relação ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Declaramos que o Filho é semelhante (homoios) ao Pai, como declaram e ensinam as Sagradas Escrituras.5
Após
a morte de Constâncio e o breve reinado de seu primo “apóstata” Juliano
(361–63), o Império foi novamente dividido entre dois irmãos, Valentiniano e
Valente, que se contentaram com as decisões do Concílio de Constantinopla de
360.
Mas
o partido niceno permaneceu influente. De suas cidades de exílio (ele foi
exilado cinco vezes), Atanásio escreveu e distribuiu inúmeras cartas atacando
os homoianos, a quem sempre chamava
de “arianos” (injustamente, já que “não há evidências de que o cristianismo homoiano tivesse qualquer ligação direta
com os ensinamentos de Ário”, de acordo com Peter Heather).6
Seu tratado mais influente, a Carta sobre
os Decretos do Concílio de Niceia, é uma defesa do concílio em 32
capítulos. O partido niceno reconquistou o poder sob o jovem imperador do
Ocidente, Gratiano (367–383), que nomeou Teodósio para o Oriente.
Esse
foi o fim do período de 40 anos de ortodoxia imperial homoiana. Gratiano e Teodósio declararam o cristianismo niceno a
única forma legal de cristianismo (Édito de Tessalônica, 380). Atanásio foi
canonizado e todos os seus inimigos foram expurgados. O credo homoiano foi chamado de “blasfêmia de
Sírmio”, e a fórmula homoousiana foi
confirmada e complementada no Concílio de Constantinopla convocado por Teodósio
em 381.
A
triunfante Igreja Nicena tornou-se rica e poderosa. Esta foi a época de
Ambrósio, Jerônimo, Agostinho, Paulino de Nola, Martinho de Tours, Prisciliano
de Ávila e outros autores prolíficos cuja literatura se tornou patrimônio
sagrado da Igreja, enquanto os escritos de seus oponentes foram vítimas de
expurgo cultural. Sobre os clérigos vitoriosos, Peter Brown escreve:
Esses homens eram ultras. Eles eram conhecidos por sua lealdade inabalável ao Credo Niceno. [...] Eles estavam preparados para rejeitar a instituição eclesiástica estabelecida por Constantino e seu filho Constâncio II como uma tirania antiquada e arrogante. [...] Embora fossem poucos em número, destacavam-se por suas conexões com pessoas ricas e poderosas.7
A Cristianização do
Conhecimento
Essa
história é o antecedente de fundo para uma profunda transformação na estrutura
cognitiva dos europeus. Essa transformação é o tema do livro de Mark Letteney, The Christianization of Knowledge in Late
Antiquity: Intellectual and Material Transformations {A Cristianização do
Conhecimento na Antiguidade Tardia: Transformações Intelectuais e Materiais}
(Cambridge UP, 2023).
Letteney
analisa o pensamento e documenta as intrigas dos radicais cristãos liderados
por Atanásio de Alexandria. Como nós acabamos de ver, eles foram marginalizados
pelo já idoso Constantino, seus filhos e seus sucessores, para só reconquistarem
o favor imperial sob Graciano e Teodósio. Por último, eles conseguiram expurgar
a Igreja de seus inimigos e impor não apenas seu dogma, mas também seu conceito
de verdade e seu método para encontrá-la: “um conjunto de práticas escolares
concebidas para a disputa teológica tornou-se generalizado e central do final
do século IV até meados do século V, como resultado do domínio cristão niceno”.8 A agregação e a destilação de tradições
autorizadas, em vez do uso da razão, tornaram-se o procedimento padrão para a
aquisição de conhecimento, mesmo em assuntos seculares. “A cristianização do
império não afetou apenas o discurso público sobre o que poderia ser verdade,
mas também a maneira como os estudiosos buscavam provar seus argumentos”,
segundo Letteney. “Os cristãos nicenos, ao ascenderem a posições de poder,
mudaram a forma como toda uma cultura escolástica abordava a criação, a
verificação e a disseminação de fatos”. Em poucas décadas, “a cultura livresca
cristã tornou-se a cultura livreira romana”.9
O
novo método consistia em subordinar a verdade à autoridade. No fundamento do
conhecimento estão as escrituras. Por serem declaradas inspiradas por Deus,
elas são, por definição, “a verdade”. Então, vêm as interpretações das
Escrituras feitas pelos primeiros Padres da Igreja, que precisam ser reunidas e
classificadas, um processo que Letteney chama de “agregação”. As interpretações
que são aprovadas como “inspiradas pelo Espírito Santo” são as que devem ser
consideradas confiáveis. Estas, por sua vez, precisam ser sintetizadas em
fórmulas dogmáticas, que são promulgadas e tornadas juridicamente vinculativas.
Se, como inevitavelmente acontece, essas fórmulas dogmáticas estiverem sujeitas
a interpretações conflitantes, novas vozes autorizadas precisam afirmar sua
interpretação correta. E assim por diante. “A assunção de que agregação,
destilação e promulgação são ferramentas acadêmicas centrais se espalhou a
partir do Concílio de Niceia, primeiro entre os cristãos e, eventualmente, por
todo o espectro da produção acadêmica da Era Teodosiana.”10
O
que é irônico — e despercebido por Letteney — é que o grupo niceno, a força
motriz dessa corrupção do logos humano, era também o grupo com o argumento escritural
mais fraco: é óbvio que os homoianos estavam certos ao acusar os homoousianos
de violarem os Evangelhos ao tornarem Jesus plenamente Deus. O método cristão
triunfante de obter conhecimento foi, desde o início, uma cultura de engano.
À
medida que se tornou procedimento padrão, isso foi transposto para todos os
domínios do conhecimento. A partir de então, “afirmações de verdade universal
passaram a ser baseadas em uma compilação de fontes e na agregação de opiniões
anteriores sobre o assunto em questão”.11
Essa estrutura de conhecimento peculiarmente cristã não permaneceu por muito tempo restrita ao domínio dos teólogos. Uma maneira de pensar sobre a verdade — incluindo um interesse fundamental na própria verdade universal como uma busca digna e valiosa — extrapolou o ambiente rarefeito das disputas teológicas e alcançou outros domínios do conhecimento. Através de toda a paisagem ideológica e intelectual do império teodosiano, estudiosos buscaram verdades universais em suas próprias áreas de especialização, utilizando um método de agregação, destilação e promulgação que foi inicialmente concebido para resolver uma complexa disputa teológica. Tanto estudiosos cristãos quanto tradicionalistas adotaram esse método em obras de direito, história e outros campos. … A proliferação de um regime escolástico que começou como uma ferramenta teológica em domínios “seculares” é um aspecto da cristianização. Isso nos mostra como os modos de pensamento dominantes podem ser transportados de um campo de investigação para outro.12
Como
exemplo da mentalidade moldada pelo totalitarismo niceno, Letteney menciona o
monge Vicente de Lérins, da Gália, que morreu por volta de 445. Ele escreveu
para si mesmo dois lembretes sobre “como e por qual regra certa (digamos, geral
e comum) eu poderia distinguir a verdade da fé católica da falsidade da heresia
depravada”. Examinando o campo de “homens eminentes em santidade e em
conhecimento”, ele chegou à conclusão de que poderia detectar a heresia e
permanecer puro em sua própria fé com referência a dois recursos: primeiro, a
“autoridade da lei divina” e “segundo, a tradição da comunidade católica”.13
Isso
pode ser contrastado com a maneira como os filósofos não cristãos conduziam sua
própria busca pela verdade, confiando em seu acesso direto ao Logos. Letteney toma como exemplo o
neoplatônico Proclo, “um dos poucos tradicionalistas francos na órbita da corte
de Teodósio II”. Ele inicia suas Dez
Questões sobre a Providência, escritas por volta da morte de Teodósio II
(c. 450), com uma apologia que parece uma crítica direta à metodologia cristã:
Interroguemo-nos, então, se isso não for problema, e levantemos questões no segredo de nossa mente e, assim, tentemos nos exercitar na resolução desses problemas. Não faz diferença se discutirmos o que foi dito por pensadores anteriores ou não. Contanto que digamos o que corresponde à nossa própria visão, podemos parecer dizer e escrever essas visões como se fossem nossas.14
Proclo
é o último platônico cujas obras sobreviveram. Quando o imperador Justiniano
fechou a Academia em 529, os membros restantes buscaram proteção sob o rei
persa Cosroes I, levando consigo todos os pergaminhos preciosos que conseguiram
encontrar. As obras do próprio Proclo provavelmente teriam desaparecido se não
fosse por um de seus discípulos do final do século V ou início do século VI,
que astutamente escreveu sob o pseudônimo de Dionísio, o Areopagita,
apropriando-se da identidade de um personagem convertido por Paulo em Atenas,
conforme Atos 17:34, enganando assim os guardiões da ortodoxia cristã com seus
próprios critérios de verdade. Durante a Idade Média, esse corpus pseudo-dionisíaco foi considerado como tendo quase
autoridade apostólica e, por incorporar um grande número dos princípios
metafísicos de Proclo, permitiu que ele se passasse por um proto-cristão e que
sua obra fosse contrabandeada para bibliotecas cristãs.
A Distinção Mosaica
versus a Distinção Socrática
Letteney
observa que o novo conceito paradigmático e a prática da verdade impostos pelos
literatos cristãos são contundentemente semilares à mentalidade talmúdica que
se desenvolveu no mundo judaico durante o mesmo período (o Talmude Palestino foi compilado na Galileia entre o final do século
IV e o início do século V). Essa observação surge quase como uma reflexão
tardia para Letteney, e em vez de investigar as causas dessa semelhança, ele
simplesmente a considera como evidência de “como uma estrutura de conhecimento
peculiarmente teodosiana influencia o Talmude Palestino”.
Ao situar o Talmude Palestino em seu contexto escolástico teodosiano, nós podemos reconhecê-lo como um projeto particularmente romano e teodosiano. A correlação sugere que as práticas desenvolvidas dentro de um império cristão, oferecendo práticas intelectuais cristianizadas em todo o panorama escolástico, passaram a influenciar até mesmo a produção acadêmica de “rabinos [que] proclamavam seu afastamento da cultura romana normativa em cada linha que escreviam”, como Seth Schwartz argumenta corretamente.15
Eu
duvido que Letteney tenha compreendido corretamente qual das duas estruturas
cognitivas — judaica ou cristã — influenciou a outra. Descrever o Talmud como
um “projeto particularmente romano” é forçar a credulidade. Teoricamente, é
possível que os autores do Talmud tenham sido influenciados por controvérsias
doutrinárias cristãs durante a era teodosiana, uma vez que, segundo Jacob
Neusner, “o judaísmo como o conhecemos nasceu no encontro com o cristianismo
triunfante”.16 No entanto, Letteney
está se referindo aqui a uma tradição literária judaica conhecida como midrash,
que se desenvolveu nas escolas de Rabi Ismael e Rabi Akiva no início do século
II, um período em que os apologistas cristãos ainda usavam métodos exegéticos
judaicos, como ilustrado pelo Diálogo com
Trifão, o Judeu de Justino de Nablus (c. 160).
Naquele
período, o cristianismo estava apenas começando a se desvencilhar de sua matriz
judaica, e o processo ainda não havia terminado na era teodosiana. Até o final
do século IV, como nos lembra Rodney Stark, as comunidades cristãs ainda
“continham muitos membros de ascendência judaica relativamente recente, que
mantinham laços familiares e de associação com judeus não cristãos e que,
portanto, ainda conservavam um aspecto distintamente judaico em seu
cristianismo”.17 João Crisóstomo, que se
tornou arcebispo de Constantinopla em 397, queixou-se de que os cristãos ainda
estavam imitando os judeus. Assim, se o método argumentativo da
intelectualidade nicena é tão semelhante ao Talmude,
isso apenas confirma que o cristianismo não apenas nasceu, mas cresceu em um
ambiente intelectual judaico, e que a “cristianização do conhecimento” foi, na
verdade, uma judaização do espírito ocidental. Pode-se argumentar que a
rejeição do compromisso homoiano
pelos ultraconservadores nicenos surgiu de uma obsessão monoteísta judaica: era
imperativo que Cristo e Deus fossem um, para que a adoração cristã não fosse
dirigida a algum outro ser que não Deus.
O
que Letteney chama de “cristianização do conhecimento”, o egiptólogo alemão Jan
Assmann consideraria um efeito da “distinção mosaica”, que significa “a ideia
de uma Verdade exclusiva e enfática que separa Deus de tudo o que não é Deus e,
portanto, não deve ser adorado”.18 Em The Price of Monotheism, Assmann
contrapõe a distinção mosaica ao que ele chama de “distinção parmenidiana”, em
referência ao seu suposto pioneiro Parmênides, no século VI a.C., ou mais
simplesmente a “distinção socrática”, em homenagem ao seu defensor mais famoso.
Com esse termo, Assmann se refere ao conceito revolucionário de conhecimento
introduzido pelos gregos, difundido pela conquista de Alexandre e adotado pelos
romanos:
Ao traçar uma linha divisória entre o “pensamento selvagem” — os modos tradicionais e míticos de produção do mundo — e o pensamento lógico, que se submete ao princípio da não contradição, essa restrição ao pensamento coloca a cognição, a validação e o conhecimento em um patamar completamente novo. O novo conceito de conhecimento introduzido pelos gregos não é menos revolucionário em sua natureza do que o novo conceito de religião introduzido pelos judeus e representado pelo nome de Moisés. Ambos os conceitos são caracterizados por um impulso sem precedentes à diferenciação, à negação e à exclusão.
Mas
há mais em disputa do que uma mera analogia entre esses dois conceitos: eles
são, em si mesmos, modos de cognição incompatíveis, e dessa incompatibilidade
surgiu a oposição entre fé e razão que se tornou constitutiva da cultura cristã
heleno-judaica.
O novo conceito [grego] de conhecimento tem como seu corolário o fato de se definir em contraposição a um contraconceito igualmente novo, o de “fé”. Fé, nesse novo sentido, significa considerar algo como verdadeiro, algo que, mesmo que eu não possa estabelecer sua veracidade em bases científicas, ainda assim reivindica uma verdade de altíssima autoridade. Conhecimento não é idêntico à fé, pois diz respeito a uma verdade que é meramente relativa e refutável, mas ainda assim determinável e criticamente verificável; fé não é idêntica ao conhecimento, pois diz respeito a uma verdade que é criticamente não verificável, mas ainda assim absoluta, irrefutável e revelada. Antes dessa distinção, não existiam nem o conceito de conhecimento que é constitutivo da ciência, nem o conceito de fé que é constitutivo da religião revelada. Conhecimento e fé, e portanto ciência e religião, eram uma e a mesma coisa.”19
Se
Letteney tivesse lido Assmann, ele talvez tivesse percebido que o novo conceito
de verdade e conhecimento promovido pelo partido niceno e contraposto ao logos
grego não era, de fato, um conceito novo, mas sim a introdução na cultura
romana da antiga mentalidade judaica. Ele teria então reconhecido que, se os
talmudistas e os Padres nicenos pensavam de maneira semelhante, era porque
estes últimos eram fundamentalmente judeus em sua estrutura mental.
A
distinção socrática é o fundamento da cultura helenística, que por sua vez é a
matriz da civilização romana. A distinção mosaica é “o fundamento da identidade
de Israel”20, mas o cristianismo
também se baseia nela. A distinção mosaica é o “ciúme” do Deus hebraico, que
não foi domesticado pela paternidade no cristianismo. A luta era dirigida tanto
contra o Deus cósmico dos filósofos quanto contra os deuses antropomórficos dos
templos (sobre o monoteísmo filosófico greco-romano, ver Peter Van Nuffelen e
Stephen Mitchell, eds., One God: Pagan
Monotheism in the Roman Empire, 1–4th cent. A.D., Cambridge UP, 2010).
Mesmo
embora tréguas e até alianças tenham sido forjadas durante a Idade Média entre
a teologia cristã e a filosofia grega (com base em Aristóteles), o resultado a
longo prazo dessa luta foi privar a filosofia do direito de abordar questões
metafísicas de forma autônoma. Infelizmente, a filosofia respondeu entrando em
guerra, não apenas contra a teologia, mas contra a própria ideia de Deus. Esta
é, a meu ver, uma das grandes tragédias do Ocidente.
A Ressurreição Judaica
O
fundamento judaico do cristianismo vai além do Concílio de Niceia, é claro. Não
é falso dizer que, como homem nascido de um Pai divino e imortalizado pela
morte, Jesus se enquadra na categoria dos heróis ou semideuses gregos; mas, se
examinarmos a versão cristã, descobriremos alguma coisa de longe mais judaica.
O
que torna a fé cristã fundamentalmente judaica é a sua própria essência, a
mensagem central que os missionários judeus pregaram aos gentios nos dois
primeiros séculos. Em uma palavra: ressurreição (anastasis). “Se não há ressurreição dos mortos, também Cristo não
ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, a nossa pregação é inútil, e a fé
que vocês têm é inútil” (1 Coríntios 15:13-14). A ressurreição dos
mortos é uma crença judaica que surgiu por volta do século II a.C., mas está
essencialmente enraizada na antropologia materialista da Torá. De acordo com Gênesis
3, a morte foi resultado da desobediência de Adão e Eva, e não parte da
“natureza” humana, como pretendido por Deus. Homens e mulheres foram criados
por Deus fisicamente imortais, mas tornaram-se mortais pela transgressão dos
primeiros ancestrais, e nenhuma imortalidade espiritual foi introduzida para
compensar a mortalidade física. A morte significa simplesmente dar o último
suspiro e “voltar ao pó” (Gênesis
3:19). Segue-se, portanto, que uma vida após a morte só pode ser imaginada como
uma ressurreição do corpo. Isso acontecerá nos Últimos Dias, quando a maldição
do Jardim do Éden será revertida e a morte vencida. Esse tema não aparece em
nenhum lugar das escrituras hebraicas antes do Livro de Daniel, em termos ambíguos: “Dos que dormem na terra do
pó, muitos ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e
desgraça eterna” (12:2). A ressurreição dos mortos no fim dos tempos tornou-se
um tema central do judaísmo farisaico.
Paulo
era fariseu. Embora ele escrevesse em grego, usando conceitos gregos, ele
entendia Gênesis 3 literalmente:
“pois por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, e assim
a morte se espalhou por toda a humanidade” (Romanos
5:12). Paulo proclamava que Jesus havia vencido a morte por meio de sua
ressurreição, de modo que os cristãos também poderiam ressuscitar quando Cristo
retornasse. Como ele esperava que isso acontecesse muito em breve, garantiu aos
seus convertidos que, se ainda estivessem vivos nessa época, viveriam para
sempre. Sua declaração mais explícita sobre esse assunto encontra-se em 1 Tessalonicenses 4:14-17.
Nós cremos que Jesus morreu e ressuscitou, e que da mesma forma Deus trará, mediante Jesus, os que nele adormeceram. Podemos afirmar isso com base no próprio ensinamento do Senhor: que nós, os que estivermos vivos para a vinda do Senhor, de modo nenhum teremos vantagem sobre os que adormeceram. Ao sinal da voz do Arcanjo e do toque da trombeta de Deus, o próprio Senhor descerá do céu; os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro, e somente depois disso nós, os que estivermos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, para o encontro com o Senhor nos ares. Assim estaremos para sempre com o Senhor.
Como
Paulo indica claramente, você não pode saber isso apenas pela razão. Você sabe
isso pela autoridade das Escrituras. Visto que a Ressurreição é a própria
essência da fé cristã, ela representou o golpe mortal para o logos
greco-romano, o verdadeiro milagre da evolução humana. Ao aceitar a
Ressurreição judaica, Roma vendeu sua alma ao deus judaico da irracionalidade.
A civilização europeia
como um palimpsesto
Geralmente
falando, não houve filosofia independente durante a Idade Média, visto que a
filosofia (incluindo a “filosofia natural”, hoje chamada de “ciência”) era
considerada subordinada à teologia. Isso era especialmente verdadeiro no
Ocidente, onde a erudição helenística não exercia o mesmo contrapeso que no
Oriente. Na primeira metade do século IX, o bispo Amalário de Metz foi
questionado sobre suas visões heterodoxas por uma comissão chefiada pelo
teólogo Floro de Lyon: “Perguntaram-lhe onde havia lido essas coisas. Então
ele, com bastante contenção na fala, respondeu que não as havia tirado das escrituras,
nem dos ensinamentos transmitidos pelos Padres universais, nem mesmo de
hereges, mas sim que as havia lido em sua própria mente (in suo spiritu)”. Ao que os padres reunidos responderam em
uníssono: “Eis, de fato, o espírito do erro (spiritus erroris)!”21
Era,
na realidade, o espírito da filosofia. Esse espírito jamais morreu. A filosofia
simplesmente caiu em um sono profundo. “Tendo cutucado o dedo na teologia
cristã, a filosofia adormeceu por cerca de mil anos até ser despertada pelo
beijo de Descartes”, escreveu Anthony Gottlieb em O Sonho da Razão.22 A
alegoria é excelente, exceto por Descartes no papel de Príncipe Encantado: a
Academia Platônica de Florença foi criada quase dois séculos antes de seu Discurso sobre o Método. Foi o Renascimento
que despertou a Bela Adormecida greco-romana e fundou a civilização ocidental.*1
A
despeito do que os cristãos costumam ouvir, o conflito entre a Igreja e a
Academia (ou seja, a Filosofia) durante o Renascimento não foi, de forma
alguma, um conflito entre a crença em Deus e ateísmo. O ateísmo era quase
inexistente nos debates do século XV, assim como na Antiguidade. O ateísmo
ganhou algum terreno no século seguinte, mas humanistas como Erasmo e Thomas
More o consideravam pior do que o fanatismo religioso. Os cientistas
acreditavam em Deus, e isso ainda se verificava no século XVII: Isaac Newton, o
maior gênio científico de sua época, era intensamente religioso.
Contudo,
a ideia de Deus defendida por esses homens de saber estava movendo-se cada vez
mais da doutrina cristã e aproximava-se da filosofia grega: não se tratava do
Deus de Moisés, que profere regras, mandamentos e dogmas arbitrários, mas do
Deus de Platão, dos estoicos e de Cícero, cujo Logos governava o mundo e inspirava a razão humana. A vida do
matemático francês Blaise Pascal é uma ilustração dramática dessa tensão
dialética entre duas ideias de Deus. Pascal era um gênio de grande renome. Mas,
em 1654, aos 31 anos, teve uma experiência mística e renunciou ao “Deus dos
filósofos” em favor do Deus dos Evangelhos. Deixou de contribuir para a ciência
e morreu de uma doença neurológica aos 39 anos. Pascal personifica a luta entre
a Razão e a Revelação, tema central do drama ocidental.
Outra boa metáfora para isso é o Palimpsesto de Arquimedes.*2 Trata-se de um livro de orações copiado em pergaminho em Constantinopla, no século XIII, em grego. Em 1906, o estudioso dinamarquês Johan Ludvig Heiberg encontrou, sob o texto visível, duas obras de Arquimedes que se acreditava perdidas, e a única edição original grega sobrevivente de sua obra Sobre os Corpos Flutuantes. Arquimedes de Siracusa (c. 287–c. 212)! Nenhum outro gênio helenístico se compara a ele. “Foi uma passagem de Arquimedes que levou Copérnico à hipótese do universo heliocêntrico”, lembra-nos Louis Rougier em The Genius of the West,*3 e “foi Arquimedes quem ensinou Leonardo da Vinci, Benedetti e Galileu a usar a matemática em seus estudos da natureza”.23 Pense nisso: monges condenando ao esquecimento eterno obras de Arquimedes, e a ciência moderna trazendo-as de volta à vida.
A
civilização ocidental é um palimpsesto: o que foi reescrito ainda pode ser
recuperado: somos fundamentalmente greco-romanos, não judaico-cristãos.
Tradução
e palavras entre chaves por Mykel Alexander
1 Nota de Laurent Guyénot: Philo, On the Confusion of Tongues 146, and On Flight and Finding, 101, citado e
resumido a partir de Jean Daniélou, Philo
of Alexandria, Cascade Books, 2014, pp. 134, 169, 67, 123, 167 e Marija Todorovka,
“The concepts of the Logos in Philo of Alexandria”, Živa Antika 65 (2015), pp. 37-56.
2 Nota de Laurent Guyénot: James
R. Royse, The Spurious Texts of Philo of
Alexandria: A Study of Textual Transmission and Corruption, Brill, 1991, p.
1.
3 Nota de Laurent Guyénot: Erwin
R. Goodenough, The Theology of Justin
Martyr, Frommann, 1923, p. 175.
4 Nota de Laurent Guyénot: Harold
Drake, Constantine and the Bishops: The
Politics of Intolerance, John Hopkins UP, 2000, p. 4.
5 Nota de Laurent Guyénot: Timothy
D. Barnes, Athanasius and Constantius:
Theology and Politics in the Constantinian Empire, Harvard UP, 1993, p.
148.
6 Nota de Laurent Guyénot: Peter
Heather, Christendom: The Triumph of a
Religion, Knopf, 2023, Penguin Books, p. 158.
7 Nota de Laurent Guyénot: Peter
Brown, Through the Eye of a Needle:
Wealth, the Fall of Rome, and the Making of Christianity in the West, 350-550
AD, Princeton UP, 2014, p. 50.
8 Nota de Laurent Guyénot: Mark
Letteney, The Christianization of
Knowledge in Late Antiquity: Intellectual and Material Transformations,
Cambridge UP, 2023, p. 101.
9 Nota de Laurent Guyénot: Mark
Letteney, The Christianization of
Knowledge in Late Antiquity: Intellectual and Material Transformations, pp.
12, 5, 99.
10 Nota de Laurent Guyénot: Mark
Letteney, The Christianization of
Knowledge in Late Antiquity: Intellectual and Material Transformations, p.
122.
11 Nota de Laurent Guyénot: Mark
Letteney, The Christianization of
Knowledge in Late Antiquity: Intellectual and Material Transformations, p.
91.
12 Nota de Laurent Guyénot: Mark
Letteney, The Christianization of
Knowledge in Late Antiquity: Intellectual and Material Transformations, pp.
225–226.
13 Nota de Laurent Guyénot: Mark
Letteney, The Christianization of
Knowledge in Late Antiquity: Intellectual and Material Transformations, p.
89.
14 Nota de Laurent Guyénot: Mark
Letteney, The Christianization of
Knowledge in Late Antiquity: Intellectual and Material Transformations, p. 118.
15 Nota de Laurent Guyénot: Mark
Letteney, The Christianization of
Knowledge in Late Antiquity: Intellectual and Material Transformations, p.
218.
16 Nota de Laurent Guyénot: Jacob
Neusner, Judaism and Christianity in the
Age of Constantine, University of Chicago Press, 1987, p. ix.
17 Nota de Laurent Guyénot: Rodney
Stark, The Rise of Christianity: A
Sociologist Reconsiders History, Princeton UP, 1996, p. 65.
18 Nota de Laurent Guyénot: Jan
Assmann, Of God and Gods: Egypt, Israel,
and the Rise of Monotheism, The University of Wisconsin Press, 2008, p. 1.
19 Nota de Laurent Guyénot: Jan
Assmann, The Price of Monotheism,
Stanford UP, 2010, pp. 13-14.
20 Nota de Laurent Guyénot: Jan
Assmann, The Price of Monotheism, p.
1.
21 Nota de Laurent Guyénot: Florus
of Lyon, Opuscula adversus Amalarium, 119.82a, citado em Patrick J. Geary, Before France and Germany: The Creation and Transformation of the
Merovingian World, Oxford UP, 1988, kindle l. 32. Geary, however,
translates “in his own heart”, onde o texto latino diz n suo spiritu. https://la.wikisource.org/wiki/Opuscula_adversus_Amalarium
22 Nota de Laurent Guyénot: Anthony
Gottlieb, The Dream of Reason: A History
of Western Philosophy from the Greeks to the Renaissance, W.W. Norton &
Co, 2016,, p. 359.
*1 Fonte utilizada por Laurent
Guyénot: The Renaissance Genius, por Laurent Guyénot, 12 de março de 2025, The Unz Review – Na Alternative Media
Selection.
*2 Fonte utilizada por Laurent
Guyénot:
*3 Fonte utilizada por Laurent
Guyénot:
https://archive.org/details/geniusofwest0000roug/page/n3/mode/2up
23 Nota de Laurent Guyénot: Louis
Rougier, The Genius of the West, Nash
Publishing, 1971 uma edição abreviada da versão francesa, Le Génie de l’Occident, 1969). Fala de um holocausto de livros, pp.
65-66.
https://archive.org/details/geniusofwest0000roug/page/n3/mode/2up
The Crucifixion of the
Logos: A Jewish Coup on the Roman Mind, por Laurent Guyénot, 18 de maio de
2026, The Unz Review – Na Alternative
Media Selection.
https://www.unz.com/article/the-crucifixion-of-the-logos-a-jewish-coup-on-the-roman-mind/
Sobre o autor: Laurent
Guyénot (1960-) possuí mestrado em Estudos Bíblicos e trabalho em antropologia
e história das religiões, tendo ainda o título de medievalista (PhD em Estudos
Medievais em Paris IV-Sorbonne, 2009) e de engenheiro (Escola Nacional de
Tecnologia Avançada, 1982).
Entre
seus livros estão:
LE ROI SANS PROPHETE.
L'enquête historique sur la relation entre Jésus et Jean-Baptiste,
Exergue, 1996.
Jésus et Jean Baptiste:
Enquête historique sur une rencontre légendaire,
Imago Exergue, 1998.
Le livre noir de
l'industrie rose – de la pornographie à la criminalité sexuelle,
IMAGO, 2000.
Les avatars de la
réincarnation: une histoire de la transmigration, des croyances primitives au
paradigme moderne, Exergue, 2000.
Lumieres nouvelles sur
la reincarnation, Exergue, 2003.
La Lance qui saigne:
Métatextes et hypertextes du Conte du Graal de Chrétien de Troyes,
Honoré Champion, 2010.
La mort féerique:
Anthropologie du merveilleux (XIIᵉ-XVᵉ siècle), Gallimard,
2011.
JFK 11 Septembre: 50
ans de manipulations, Blanche, 2014.
Du Yahvisme au
sionisme. Dieu jaloux, peuple élu, terre promise: 2500 ans de manipulations,
Kontre Kulture, Kontre Kulture, 2016. Tem edição em inglês: From Yahweh to Zion:
Jealous God, Chosen People, Promised Land...Clash of Civilizations, Sifting
and Winnowing Books, 2018.
Petit livre de - 150
idées pour se débarrasser des cons, Le petit livre, 2019.
“Our God is Your God Too, But He Has Chosen Us”:
Essays on Jewish Power,
AFNIL, 2020.
Anno Domini: A Short History of the First Millennium
AD, 2023.
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Relacionado, leia também sobre a questão judaica, cristianismo e a tradição europeia ver:
{O verdadeiro e original Natal} Feliz Dia do Sol Invencível! - por Laurent Guyénot
O Gancho Sagrado - O Cavalo de Tróia de Jeová na Cidade dos Gentios {os não-judeus} - por Laurent Guyénot - parte 1 (demais duas partes na sequência do próprio artigo)
O Solstício de Inverno: Símbolo da antiguidade da civilização europeia – por David Duke
Traga seus mortos ... De volta ao altar da família - por Laurent Guyénot
O truque do diabo: desmascarando o Deus de Israel - Por Laurent Guyénot - parte 1
Jesus o judeu - por Thomas Dalton Ph.D. {academic auctor pseudonym}
O Império Falido - A origem medieval da desunião europeia - parte 1 - por Laurent Guyénot (demais duas partes na sequência do próprio artigo)
O mundo dos indo-europeus - Por Alain de Benoist
Monoteísmo x Politeísmo – por Tomislav Sunić
Politeísmo e Monoteísmo - Por Mykel Alexander
Israel vs. Direito Internacional: Quem vencerá? - por Laurent Guyénot
A Psicopatia Bíblica de Israel - por Laurent Guyénot
Israel como Um Homem: Uma Teoria do Poder Judaico - parte 1 - por Laurent Guyénot (Demais partes na sequência do próprio artigo)
O peso da tradição: por que o judaísmo não é como outras religiões - por Mark Weber
Sionismo, Cripto-Judaísmo e a farsa bíblica - parte 1 - por Laurent Guyénot (as demais partes na sequência do próprio artigo)
Conversa direta sobre o sionismo - o que o nacionalismo judaico significa - Por Mark Weber
Judeus: Uma comunidade religiosa, um povo ou uma raça? por Mark Weber
Controvérsia de Sião - por Knud Bjeld Eriksen


