sábado, 24 de outubro de 2026

Os bancos realizam a “obra de Deus”? - por Robert Grözinger

 

Robert Grözinger


Quando então torna-se grande a inadimplência por parte dos clientes, qualquer banco acredita que alguém – o Estado ou o Banco Central – irá tirá-los do buraco. […] Portanto, os bancos realizam a “obra de Deus”? De forma alguma. Seu costume em declarar “nada” como algo de valor lembra à tentativa de Cristo, quando Jesus foi desafiado pelo diabo a transformar pedra em pão.


O moderno sistema bancário está pervertido

Segundo as palavras de um rabino, através de nosso trabalho nós nos tornamos “parceiros de Deus na obra da criação”. Talvez Lloyd Blankfein (J) tenha este ditado em mente quando declarou recentemente ao Sunday Times,[1] que os bancos realizam a obra de Deus. O chefe do Goldman Sachs desencadeou severas reações com esta declaração.

Infelizmente o artigo do Sunday Times não contribui para o esclarecimento do assunto. O autor do Times, John Arlidge, acusa o banqueiro de ter “emprestado muito dinheiro”. Porém, o que seja exatamente “muito”, ele não disse. Blankfein respondeu a Arlidge, esclarecendo a “função de um moderno sistema bancário”:

“Nós somos muito importantes. Nós ajudamos as empresas a crescer à medida que as ajudamos a conseguir capital. Com isso é possível que as pessoas tenham emprego, que geram mais crescimento e melhores condições de vida. É um ciclo positivo”.

Isto é uma formidável propaganda sucinta e expressiva para justificar a existência dos bancos. Mas o que deva ser “moderno”, em oposição à função dos bancos no século passado, o leitor não consegue concluir. Nem é perceptível, se Arlidge tenha perguntado algo parecido, nem se Blankfein discorrera sobre o tema. No mais, o artigo descreve e informa detalhadamente sobre a vida social interna dos grandes bancos norte-americanos.

O problema que o artigo do Times não aborda, é esse: O “moderno” sistema bancário tende facilmente à tentação de emprestar “muito” dinheiro, pois permite aos bancos emprestar mais do que possuem. Trata-se da chamada reserva parcial do sistema bancário, a qual é descrita pelo professor Guido Hülsmann como a perversão do sistema das instituições monetárias, de crédito e que apareceu como reação à tentação de saque por parte do Estado. O aparecimento do papel-moeda, sua total desvinculação dos valores reais, assim como o estabelecimento dos Bancos Centrais como monopólio territorial para criação de dinheiro, facilitou a manutenção deste sistema.

Este “dinheiro que surgiu do nada”, sem lastro, dos Bancos Centrais, o meio de produção do sistema bancário “moderno”, não é capital de verdade, mas sim ele transmite a ilusão de bem-estar. Esta ilusão de bem-estar leva a investimentos equivocados; estes por sua vez levam às chamadas bolhas conjunturais, que devem estourar a curto ou longo prazo, pois não existe valor real atrás das intensas linhas de créditos iniciais.

No fundo, este procedimento é uma mentira, um engodo. Sem relevar que os bancos exigem juros em troca de seus “do nada”. Juros em si não é imoral, até as igrejas pregam isso entrementes. Como única exceção permanece a igreja católica condenando a usura em alguns casos de crédito para consumo, quando ela vê uma afronta ao mandamento do amor ao próximo. Mas juros a troco de nada não é apenas um problema econômico, mas passa a ser também um problema de ordem moral.

Quando então torna-se grande a inadimplência por parte dos clientes, qualquer banco acredita que alguém – o Estado ou o Banco Central – irá tirá-los do buraco. Por este motivo, e por nenhum outro, os bancos emprestam “muito”. Primeiro porque eles têm permissão e segundo, venha o que vier, eles serão salvos – o chamado “moral Hazard”. Não é por acaso que eles acreditam nisso. Eles sabem exatamente, o Estado não pode permitir que um grande banco quebre. Os bancos segurados com apenas reservas parciais estão tão dependentes uns dos outros, que a falta de um banco através dos “créditos em cascata” provocaria dentro de poucos dias ou horas um completo colapso de todo o sistema financeiro mundial. Alega-se que o mundo esteve à beira deste colapso em outubro do ano passado.

Portanto, os bancos realizam a “obra de Deus”? De forma alguma. Seu costume em declarar “nada” como algo de valor lembra à tentativa de Cristo, quando Jesus foi desafiado pelo diabo a transformar pedra em pão. A resposta que ele recebeu foi:

“O homem não vive apenas de pão, mas de cada palavra que vem da boca de Deus”.

E quais seriam tais palavras em relação ao “moderno” sistema bancário? Em primeiro lugar seriam os mandamentos de não mentir e não roubar. Porém, ambos acontecem quando se tenta ganhar dinheiro com “nada”. Quem toma emprestado dos “modernos” bancos dinheiro parcialmente lastreado, ou seja, ilusão de bem-estar, e ele mesmo não possui uma impressora de dinheiro, este terá que pagar juros com salário de seu trabalho ou quitá-los com suas posses. Desta forma, pedra é transformada em pão, mas apenas para os bancos.

{O judeu financista Lloyd Blankfein (1954-), ex-diretor executivo da Goldman Sachs e um dos nomes centrais na crise financeira global de 2008, chegou a declarar ao Sunday Times que “os bancos realizam a obra de Deus.”}

Além disso, encontra-se no Novo Testamento uma correspondência para o moderno sistema bancário. São os comerciantes expulsos do templo por Jesus. Os comerciantes do templo aproveitavam os privilégios concedidos pelos sacerdotes, à medida que vendiam por um período pré-estipulado oferendas a preços elevadíssimos. Em um mercado livre sem restrição de acesso, eles nunca teriam condição de manter seus preços de agiotas. É um erro equiparar os comerciantes do templo daquela época com as atuais redes de lojas ou a uma “cultura consumista”. A verdadeira base de equiparação é com os bancos centrais, enquanto a atual correspondência com os fariseus do tempo neste contexto da Bíblia são os governos ocidentais. Os bancos centrais utilizam o privilégio concedido a eles pelos governos, na prática, declarando papéis sem valor como dinheiro, para vendê-los então por um valor mais alto, ou seja, através dos bancos ou do Estado como crédito na economia e exigindo então soberanamente juros excessivos. Em um mercado livre, ao contrário, os bancos centrais compartilhariam do mesmo destino dos comerciantes do templo. Eles seriam – mesmo se apenas em sentido figurado – linchados para fora do mercado, a benefício dos comerciantes que oferecem dinheiro verdadeiro – certificados de ouro e prata – a troco de juros, que não são determinados por um órgão público qualquer, mas sim através do livre comércio de divisas.

A comparação com os sacerdotes daquela época e atuas governos é bastante oportuna também por outros motivos. A crença no Deus redentor é semelhante à crença no Estado redentor. A reação à atual crise financeira é somente um exemplo dentre vários desta forma de religião.

Os bancos realizam a obra de Deus? Somente se eles se atentarem aos mandamentos divinos. Nenhuma pessoa é livre de pecado. Mas se o pecado for levado ao nível institucional, então não há mais motivo em se falar da realização da obra de Deus.

Tradução por Marcelo Franchi

 Notas:

Fonte original: Verrichten Banken „Gottes Werk“? - Das moderne Bankwesen ist pervertiert, por Robert Grözinger, Eigentümlich Frei.

https://ef-magazin.de/2009/11/12/1642-finanzsystem-verrichten-banken-gottes-werk

Traduzido ao português por editorial Inacreditável:

https://inacreditavel.com.br/wp/os-bancos-realizam-a-obra-de-deus/

Sobre o autor: Robert Grözinger, (1965-) é graduado em economia (equivalente hoje ao Bacharel e Mestrado) pela Universität Stuttgart, jornalista freelancer, tradutor e editor-chefe da Equity & Freedom, sendo adepto da direita liberal, especialmente da Escola austríaca e da tradição Ludwig von Mises, Murray Rothbard e Hans-Hermann Hoppe. É autor de Jesus, der Kapitalist: Das christliche Herz der Marktwirtschaft, 2012; Why Libertarianism Needs Christianity to Succeed, 2020; Kulturkampf, 2025.

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Nuremberg, 16 de outubro de 1946: 80 anos de linchamento (in)justo pelos Aliados! - por Sascha A. Roßmüller

 

Sascha A. Roßmüller


Vae victis – Revanche, não justiça, foi o que determinou os julgamentos-espetáculo de Nuremberg!

A frequentemente citada arrogância do poder, a qual é caracterizada, entre outros aspectos, por um julgamento autossuficiente, feito a partir de um ponto levantado de uma presumida alta moralidade, sem a adesão de padrões de princípios legais geralmente reconhecidos ou aplicando a mesma máxima que são supostas para aplicar aos outros em si mesmo, raramente, se é que alguma vez, manifestou-se de forma tão perversa como há 80 anos atrás no Tribunal Militar Internacional de Nuremberg. O tribunal dos vencedores, o qual simultaneamente serviu como acusador e juiz, não estava preocupado com o direito internacional ou com a paz, mas, unicamente, com a destruição das instituições e das elites necessárias à existência de um Estado.

Abordemos o julgamento-espetáculo de Nuremberg relembrando, primeiramente, as palavras de Bismarck, as quais ele dirigiu aos meios de comunicação que, apresentando-se como a “opinião pública,” exigiam a punição do imperador francês Napoleão III após a Guerra Franco-Prussiana de 1870-1871 (na qual a França declarou guerra à Prússia). “Os conceitos de punição, recompensa e vingança não têm lugar na política. A política não deve imiscuir-se nas questões de Nêmesis, nem pretender atuar como juiz. Isso é o negócio da providência divina. A finalidade da política não é vingar o que aconteceu, mas garantir que tal coisa não volte a acontecer”, afirmou o chanceler da Alemanha vitoriosa. Contudo, os Julgamentos de Nuremberg não se tornaram a fundação de uma ordem legal internacional exemplar para a paz; ao contrário, o mundo sofre de uma “desordem” crônica das Nações Unidas após este “super-Versalhes’.

 


Acusador e Juiz

Os Julgamentos de Nuremberg careciam dos princípios aplicados à jurisprudência moderna. Os juízes não eram imparciais: não havia magistrados de Estados neutros, tais como a Suíça ou a Suécia, compondo o tribunal; em vez disso, o corpo de julgadores era formado exclusivamente por representantes das nações vitoriosas, as partes beligerantes. Esse grupo atuou simultaneamente como acusador e juiz, redigiu a constituição do tribunal e estabeleceu as normas de lei criminal. Em 8 de agosto de 1945, os EUA, a Rússia, a Inglaterra e a França assinaram o Acordo de Londres, que instituiu o tribunal; em Londres, eles também desenvolveram a estrutura pseudo-jurídica, o chamado Estatuto de Londres. O professor Traimin, advogado criminalista de Moscou, realizou grande parte do trabalho preliminar e é a ele atribuída a chamada “teoria da cumplicidade,” segundo a qual líderes industriais, acadêmicos, engenheiros, funcionários públicos e militares deveriam ser punidos coletivamente. Em decorrência da Lei nº 10 do Conselho de Controle Aliado, de 20 de dezembro de 1945, outros doze julgamentos contra industriais, médicos e advogados ocorreram na Alemanha. Como resultado, o golpe recaiu sobre a inteira elite alemã.

 

“Nulla poena sine lege”

O princípio jurídico “Nulla poena sine lege” foi completamente descartado por meio de uma aplicação retroativa e ilegal da lei criminal. As sentenças de aniquilação, típicas de uma justiça movida por revanche, basearam-se em leis ex post facto {com efeito retroativo}. Para punir certos crimes, como o homicídio, a legislação vigente teria sido suficiente; CONTUDO, para difamar a Alemanha, foram criados novos conceitos, utilizados como armas discursivas. Esse foi o propósito daquele tribunal, que processou condutas que não tinham sido ainda reconhecidas como atos puníveis — nem pelo direito nacional, nem pelo direito internacional, e que só foram declaradas passíveis de punição após elas terem sido cometidas. As normas processuais foram concebidas com um objetivo específico: garantir a condenação dos réus. É revelador que o Chicago Tribune, em 10 de junho de 1946, tenha noticiado que o estatuto sob o qual os réus estavam sendo julgados era uma invenção pessoal de Jackson, contrária ao direito internacional, tal como definido na Segunda Convenção de Haia. Ao inventar tal estatuto, Jackson conferiu uma aparência de legalidade a uma justiça de linchamento.

 

Tribunal militar: uma continuação dos esforços de guerra

Como um cancelamento das prévias e reconhecidas internacionalmente opiniões legais, a abolição do direito de apelo ordenado pelos Aliados deve ser também considerado. Similarmente, nenhuma revisão do julgamento jamais ocorreu, nem poderia, conforme o Estatuto de Londres a proibia preemptivamente. O rito processual seguiu, quase exclusivamente como direito processual anglo-americano, o qual qua natura {por sua própria natureza} era relativamente estranho aos advogados de defesa alemães. Além disso, os Aliados detinham o controle da vasta maioria dos documentos; a defesa usualmente costumava ter acesso a provas que poderiam exculpar os réus apenas muito tardiamente e, frequentemente somente parcialmente. Os interrogatórios das testemunhas eram conduzidos, muitas vezes, de maneiras que dificilmente se pode aceitar sem sentir profundo ultraje. Quando o Dr. Otto Stahmer, principal advogado de defesa de Hermann Göring, solicitou que especialistas em direito internacional, reconhecidos internacionalmente, revissem os fundamentos jurídicos do Estatuto, ele quase colocou o tribunal em uma situação embaraçosa; mas a corte simplesmente vetou o pedido. Em 26 de julho de 1946, o promotor-chefe norte-americano, Robert Jackson, chegou a admitir que o Tribunal de Nuremberg, enquanto tribunal militar, representava uma continuação dos esforços de guerra das nações aliadas.

 

Ausência de igualdade perante a lei

Consequentemente, crimes de guerra cometidos pelos Aliados, tais como o massacre soviético em Katyn, falsamente atribuído à Wehrmacht; a ocupação soviética do leste da Polônia; a guerra aérea irrestrita contra uma população civil indefesa, ordenada por Winston Churchill; a expulsão em massa de alemães dos territórios orientais; ou os dois bombardeios atômicos americanos, não foram objeto de processo, e à defesa sequer foi permitido apresentá-los. O artigo 8º do estatuto do tribunal estabelecia, ainda, que a alegação de cumprimento de ordens superiores não justificava a isenção de punição; pouco importava que, em contrapartida, os regulamentos militares dos EUA de 1940 e o manual britânico de 1936 determinassem o oposto. Eis, portanto, a tal igualdade perante a lei. As acusações de “conspiração contra a paz” e “preparação para uma guerra de agressão” revelaram-se construções extremamente artificiais. O princípio da compensação coletiva também era, até então, desconhecido no direito internacional. É claro que não existia, antes ou durante o julgamento, uma definição legalmente aplicável de “guerra de agressão”. Basta pensar na guerra de agressão soviética contra o leste da Polônia ou contra os Estados Bálticos. Ademais, o que na época foi enquadrado sob essa acusação passou a ser considerado, posteriormente, o mais elevado cumprimento do dever, com Israel um exemplo, elogiado por sua preparação minuciosa para a Guerra dos Seis Dias. Aqui, chegaram a ser formuladas acusações contra generais por causa de eles terem se oposto (!) a tal preparação.

 

O judeu Lherman, codinome Gaston Oulman

O tribunal nem mesmo conduziu a habitual investigação judicial sobre as motivações para um veredito, somente para evitar lidar com a questão da culpa de guerra. Em vez disso, o juiz Jackson alertou ao presidente dos EUA, Truman, em uma carta datada de 19 de julho de 1945, de que o julgamento causaria danos significativos caso examinasse as causas políticas da guerra. Em 8 de agosto de 1945, Jackson reiterou ao presidente Truman que não se deveria permitir que o processo resvalasse para uma discussão sobre as causas da guerra. Nessas condições, não é de surpreender que a rendição, de caráter puramente militar, tenha sido interpretada erroneamente como uma capitulação do Estado perante o direito internacional. Isso contribuiu para a instrumentalização dos vereditos de Nuremberg como justificativa para a expulsão e o assassinato de alemães oriundos dos territórios orientais. Naquela época, NÃO existia cobertura midiática alemã independente. O reportar focava exclusivamente nas teses da acusação. O oficial de propaganda dos Aliados responsável junto ao Tribunal Militar Internacional (TMI) era o vigarista Gaston Oulman, cujo nome verdadeiro era Jo Lherman, e que tinha registros criminais por diversos delitos contra o patrimônio, crimes financeiros e pela falsificação de sua tese de doutorado. Esse judeu tornou-se a principal fonte de informação para o povo alemão.

 

{O oficial de propaganda dos Aliados responsável junto ao Tribunal Militar Internacional (TMI) era o vigarista Gaston Oulman, o qual também se apresentava com o nome de Jo Lherman embora nascido como Walter Ullmann (1898–1949), “e que tinha registros criminais por diversos delitos contra o patrimônio, crimes financeiros e pela falsificação de sua tese de doutorado. Esse judeu tornou-se a principal fonte de informação para o povo alemão”, comenta Sascha A. Roßmüller. Informações sobre Gaston Oulman/ Jo Lherman/ Walter Ullmann em: https://gedenkbuch.saarbruecken.de/en/memorial_book/person_details/person-36139 e também em: https://intotheclarities.com/2017/01/18/a-preface-to-walter-ullmann-part-1-of-2/}

Plano Morgenthau e Plano Hooton

O tribunal dos vencedores, presumindo um julgamento que, sob a pretensão de uma moralidade superior, carecia de ética, foi caracterizado por uma parcialidade cínica, orientada por objetivos específicos, e por uma arrogante autossuficiência de estar certo. Apenas o juiz americano Charles F. Wennerström teve a coragem de criticar os métodos processuais da acusação, ao menos em retrospecto. Em 16 de outubro de 1946, dez das sentenças de morte impostas nos chamados Julgamentos de Nuremberg contra altos dirigentes do Reich Alemão foram executadas por enforcamento no Palácio da Justiça de Nuremberg. Várias execuções não foram imediatamente fatais, devido a uma altura de queda insuficiente, o que fez com que os condenados agonizassem por até 15 minutos. O senador Robert A. Taft, de Ohio, declarou em um discurso em outubro de 1946, entre outras coisas: “A morte dos onze condenados na forca é uma mancha na América que pesará sobre nós por muito tempo”. Cegos pelo ódio, os executores do Plano Morgenthau deram vazão à sua sede de revange, típica do Antigo Testamento. Em tempo, o promotor-chefe americano, Robert Jackson, fora anteriormente conselheiro do já mencionado Morgenthau, de quem se originou o notório Plano Morgenthau. A desindustrialização da Alemanha e a migração de substituição, observadas nos dias atuais, parecem ser uma implementação tardia dos Planos Morgenthau e Hooton.

Tradução e palavras entre chaves por Mykel Alexander

 

Fonte: Nuremburg, October 16, 1946: 80 Years of Allied Lynch (In)justice!, por Sascha Roßmüller, 17 de outubro de 2026, The Occidental Observer

https://www.theoccidentalobserver.net/2026/10/17/nuremberg-october-16-1946-80-years-of-allied-lynch-injustice/

Sobre o autor: Sascha A. Roßmüller (1972-) é um político e comentarista político alemão, com conclusão de ensino secundário na prova do ensino alemão básico de abitur, para ciências econômicas do Anton-Bruckner-Gymnasium em Straubing. Possui formação profissionalizante (técnico) como jardineiro de paisagismo (Landschaftsgärtner). É autor de Europe contra EU: Let´s Break Away from Brussels, 2018; Geopolitische Zeitenwende: Multipolarität statt Imperialismus, 2019; Kultur - Asthetik - Identittät - Blütenlese des Abendlandes, 2025. 

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quinta-feira, 22 de outubro de 2026

{Multiculturalismo artificial e falta de soberania nacional} Por que a França está queimando? Por David Skrbina

 

David Skrbina 


Dificilmente é novidade observar que muitas nações europeias enfrentam dificuldades no momento. Inflação, desemprego, crises orçamentárias e custos elevados de energia estão cobrando seu preço. Muitos governos estão também sofrendo uma crise de credibilidade, ao adotarem medidas extremas e antidemocráticas para tomar ações para protegerem-se contra a “extrema-direita” — e, ao fazê-lo, acabam paralisados, tanto por divisões internas quanto por uma liderança fraca. Além disso, as nações europeias tomaram, coletivamente, decisões desastrosas em sua política externa: apostaram tudo no apoio e na defesa da Ucrânia, não fizeram nada para se opor aos crimes contra a humanidade cometidos por Israel na Palestina, e nada fizeram para contestar a guerra ilegal e antiética travada pelos EUA e por Israel contra o Irã; elas estão perdendo em todas essas três frentes, de uma vez.

Dentre todas as nações que atravessam uma crise no momento, nenhuma está em situação pior do que a França. Distúrbios por todo a nação são notícia diariamente, e o governo, até agora, tem se mostrado totalmente incapaz de oferecer uma resposta adequada. A cobertura jornalística e as análises são abomináveis; ninguém apresentou nada além de avaliações superficiais sobre a situação (“salas de aula superlotadas”, “programas sociais com financiamento insuficiente”, “alto custo de vida”, etc.).

Uma abordagem óbvia para entender por que a França se encontra, de forma singular, em uma situação única tão ruim é examinar os dados demográficos sociais subjacentes. Mesmo a mais breve inquirição nessa linha é esclarecedora.

Eu proponho a hipótese de que a estabilidade ou a instabilidade social de uma nação ocidental está relacionada à presença de fatores demográficos não ocidentais — ou, em termos simples, ao número de pessoas de origem étnica não ocidental. As nações com o menor número de indivíduos não ocidentais desfrutarão de maior estabilidade e harmonia, enquanto aquelas com um contingente maior sofrerão com mais descontentamento e instabilidade. É o que assim defendo.

Ao longo de, pelo menos, o último século, três grupos demográficos não ocidentais estiveram, historicamente, no centro da desordem social na Europa: judeus, negros e muçulmanos. Portanto, como uma avaliação inicial e rápida da situação, pode-se simplesmente analisar o número de representantes de cada um desses três grupos étnicos nas nações europeias e, em seguida, buscar correlações com a instabilidade social.

Se nós fizermos uma análise, mesmo que superficial, dessas três etnias, constatamos que três nações possuem as maiores populações: Alemanha, Reino Unido e França. (Excluo desta análise os microestados europeus, como Mônaco e Andorra, bem como a Rússia, a Ucrânia e a Turquia — países que, segundo alguns critérios, são considerados “europeus”.) Por um lado, isso não surpreende, visto que essas são as três nações mais populosas; portanto, seria de nós esperarmos que eles abrigassem um número elevado de integrantes de todos os grupos minoritários. Ainda, um grande número gera um “efeito de massa”, especialmente quando concentrado dentro de uma mesma nação. Esse é um conceito bem estabelecido, conhecido por diversas denominações — como “teoria da massa crítica” ou “teoria da aglomeração” — e presente em vários campos da filosofia social. Como exemplo, a Hungria possui uma proporção maior de judeus do que a Alemanha; no entanto, os judeus húngaros não dispõem do capital social ou da energia coletiva que o grupo, numericamente maior, de judeus alemães possui. Da mesma forma, a Suécia apresenta uma porcentagem de muçulmanos (8%) superior à da Alemanha ou do Reino Unido, mas, devido ao seu número reduzido efeito é menor em geral.

Minhas estimativas para cada grupo étnico são as seguintes; nos casos em que encontrei uma faixa de valores, utilizei os números mais altos, partindo do pressuposto de que os dados “oficiais” são, quase certamente, subestimados:

Judeus:

Alemanha          170.000

Reino Unido       310.000

França              600.000

Negros:

Alemanha          1.000.000

Reino Unido       3.000.000

França              5.500.000

Muçulmanos:

Reino Unido       4.100.000

Alemanha          5.600.000

França              6.600.000

 

 


 

  

Um fato que salta aos olhos é que a França, de longe, possui a maior quantidade de cada um desses três grupos étnicos que geram tensões — De fato, tem o maior número entre todas as nações europeias. Vale ressaltar que isso não é algo evidente, especialmente se considerarmos que a França possui a menor população dentre as três nações aqui mencionadas.

Esses dados estão apresentados nos gráficos abaixo: primeiro, para negros e muçulmanos; em seguida, para judeus.

De acordo com a minha tese de que estes grupos étnicos específicos têm sido, tradicionalmente, os mais problemáticos na Europa, seria de esperar — dados estes números — que a França sofresse com o maior nível de discórdia e agitação social; e, de fato, parece ser esse o caso atualmente. Não se trata de um fenômeno recente; os problemas vêm se preparando por lá há bem mais de um século. A colonização intensiva, tanto do norte da África quanto da África subsaariana, teve início para a França na década de 1830 e estendeu-se por boa parte do século XX; historicamente, sabe-se que as colônias constituem o fator impulsionador inicial da imigração não ocidental. Quanto aos judeus, eles começaram a chegar ao país em grande número por volta de 1700, com o contingente atingindo quase 100 mil pessoas no final do século XIX. Foi nessa época que críticos como Eduard Drumont escreveram sua obra de referência, La France juive, (1886), argumentando que, já naquela data, a sociedade francesa sofria de uma corrupção em larga escala. Drumont alegou, inclusive, que os judeus detinham pouco mais da metade de toda a riqueza da França, apesar de representarem uma minoria de apenas 0,2% — uma situação surpreendente.

Em qualquer caso, essas condições claramente cobraram seu preço. Pela minha análise, a França encontra-se hoje em um estado quase terminal. Já é bastante grave ter, entre essas três minorias, a maior representatividade de qualquer uma delas; mas, para uma única nação, abrigar a maior parcela das três é algo catastrófico a longo prazo. Pela minha tese, a França não tem esperança de estabilidade social; um declínio contínuo é inevitável, a menos que o país reduza drasticamente o número de integrantes desses três grupos.

Sob as condições atuais, com uma eleição presidencial prevista para daqui a seis meses, parece provável que Marine Le Pen se torne presidente. Se eu fosse seu conselheiro, sugeriria uma linha de ação radical: elaborar um plano para reduzir esses três grupos em 90% no prazo de quatro anos. Tal medida certamente levaria a um ressurgimento milagroso da França, e a própria Le Pen seria aclamada como uma verdadeira heroína nacional — uma espécie de Charles Martel e Joana d'Arc em uma só pessoa. Veremos como ela se sairá nessa frente.

Finalmente, eu observo, sem fazer comentários — que os Estados Unidos possuem grandes contingentes de cada uma dessas três minorias: 6 milhões de muçulmanos, 7 milhões de judeus e 53 milhões de negros. Deixo ao leitor a tarefa de comparar esses números com os da França e avaliar as perspectivas futuras da América.

Tradução e palavras entre chaves por Mykel Alexander

 

Fonte: Why France is Burning, por David Skrbina, 20 de outubro de 2026, The Occidental Observer.

https://www.theoccidentalobserver.net/2026/10/20/why-france-is-burning/

Sobre o autor: David Skrbina, pseudônimo Thomas Dalton, (1960-) é professor sênior de filosofia na Universidade de Michigan em Dearborn. Suas áreas de pesquisa incluem filosofia da mente, filosofia da tecnologia e ética ambiental. Ele é autor de Panpsychism in the West (MIT Press—2ª edição, 2017) e editor de Mind That Abides: Panpsychism in the New Millennium (2009; John Benjamins). Também é autor do livro recente The Metaphysics of Technology (2015; Routledge) e editou uma série de quatro livros didáticos para cursos de graduação em filosofia. O Dr. Skrbina foi professor visitante de filosofia na Michigan State University, na Eastern Michigan University e na Universidade de Gent, na Bélgica. Também tem escrito ou editado vários livros e artigos sobre política, história e religião, com foco especial no nacional-socialismo na Alemanha. Seus trabalhos incluem uma nova série de traduções de Mein Kampf e os livros Eternal Strangers (2020), The Jewish Hand in the World Wars (2019) e Debating the Holocaust (4ª edição 2020). Mais recentemente, ele editou uma nova edição da obra clássica de Rosenberg, Mito do Século XX, um novo livro de charges políticas, Pan-Judah!, e a crítica definitiva Unmasking Anne Frank. Todas essas obras estão disponíveis em www.clemensandblair.com. Visite Holocaust Handbooks & Documentaries https://holocausthandbooks.com/ 

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domingo, 18 de outubro de 2026

{URSS e o terrorismo judaico-bolchevique} Três comunistas judeus selvagens - parte 1 - introdução e Mikhail Vikhman, por Karl Nemmersdorf

 

 Karl Nemmersdorf

Introdução

Em meu artigo anterior (“Bolcheviques Judeus e Assassinatos em Massa: Rozalia Zemliachka e os Judeus Responsáveis ​​pelo Banho de Sangue na Crimeia, 1920”)*1, eu descrevi um grupo de judeus comunistas e o massacre que perpetraram nos primeiros anos do domínio bolchevique na Rússia. Sobre os trinta e cinco anos que compreenderam os governos de Lenin e Stalin, ocorreram centenas de massacres semelhantes, realizados por várias equipes de oficiais da Cheka-OGPU-NKVD (com significativa representação judaica ou até mesmo liderança direta), atuando em todas as regiões da URSS. Esses massacres clamam por mais atenção, e eu espero escrever sobre outros deles. Entretanto, por ora, eu descreverei três executores judeus depravados, cada um deles merecedor de infâmia e execração: Mikhail Vikhman, Revekka Plastinina-Maizel e Isai Berg. Vikhman foi um comissário de destaque da Cheka em Odessa e na Crimeia entre 1919 e 1921, onde ele executou pessoalmente, a tiros, centenas de vítimas, incluindo algumas de altíssima patente. (Sua carreira posterior reserva uma ironia notável.) Plastinina-Maizel foi uma funcionária do Partido que assassinou barbaramente milhares de pessoas no Extremo Norte da Rússia, juntamente com seu companheiro, um oficial desequilibrado da Cheka. Mais tarde, ela desfrutou de uma carreira no mais alto escalão do judiciário soviético — um fato que ilustra bem as perversidades da sociedade soviética. Berg, um oficial de destaque da NKVD em Moscou e executor durante o Grande Terror, já goza de certa notoriedade entre anticomunistas por ter sido o pioneiro no uso de caminhões de gás para fins homicidas, concebidos para auxiliá-lo em sua tarefa habitual: organizar a execução de quase vinte mil pessoas no local de extermínio de Butovo, entre 1937 e 1938. Esses três judeus, sozinhos, são responsáveis ​​pela morte de mais de vinte mil pessoas; seus nomes deveriam ser tão conhecidos quanto os de Eichmann ou Mengele — e por melhores razões.

 

Mikhail Vikhman

Mikhail Vikhman nasceu em 1888, em Astracã ou nas proximidades, às margens do Mar Cáspio. Seu pai, Moisey, era comerciante de peixes. Mikhail formou-se na Realschule*2 de Astracã em 1907 e trabalhou como eletricista até ser convocado para o serviço militar em 1912. Serviu em um batalhão de sapadores,1 lutou na Primeira Guerra Mundial e foi condecorado com a Cruz de São Jorge (4ª classe). Com a chegada da Revolução, ascendeu rapidamente a cargos de poder, atuando inicialmente como chefe de polícia em Tsaritsyn (Stalingrado).2 Em 1918, já havia aderido aos bolcheviques, tornado-se um chekista; participou da repressão a uma revolta cossaca e, como comandante do 1º Regimento de Partidários Vermelhos, combateu na Ucrânia contra diversas forças antibolcheviques. Na primavera de 1919, ele tornou-se o líder da Cheka em Odessa, a terceira maior cidade na Ucrânia. Aquele que antes fora um cabo sapador detinha agora o poder de vida e morte sobre quase meio milhão de pessoas. (A cidade tinha uma grande população judaica, assim como também a sua Cheka.) Ali, ele ganhou fama não como um administrador sábio ou promotor do bem comum, mas como um assassino em massa sanguinário. Sergei Melgunov, em The Red Terror in Russia, relata que Vikhman empregava seis executores, mas “entrava nas celas e massacrava prisioneiros para seu próprio prazer.”3 No verão de 1919, quarenta ou cinquenta prisioneiros eram fuzilados todas as noites, e ex-oficiais do Exército Branco eram mortos ao serem “acorrentados a pranchas e empurrados muito lentamente para dentro de fornalhas...”4 Uma fonte afirma que Vikhman fuzilou mais de 200 pessoas durante sua permanência em Odessa, incluindo o ex-chefe de polícia Barão Sergei Vasilyevich van der Hoeven (1865–1919) e o reitor da Universidade de Novorossiysk, Sergei Levashov.5 Melgunov apresenta outro relato, tristemente típico daquela era:

... há registro de um caso em que, quando a tampa de um caixão se abriu lentamente e dele surgiu o grito Meus camaradas, eu ainda estou vivo!”, enviou-se uma mensagem telefônica à Cheka, em que se extraiu a réplica: “Resolvam isso com um tijolo”; um apelo posterior ao próprio chefe da Cheka [Vikhman] provocou a piada: “Suponho que devamos requisitar o melhor cirurgião de Odessa?”; e, finalmente, um funcionário da Cheka teve de ser enviado ao local para disparar contra a vítima uma segunda vez com um revólver.6

Vikhman parece ter trabalhado em Odessa durante parte do ano de 1920, mas, na primavera de 1921, ele tornou-se o chefe da Cheka regional da Crimeia.7 O Exército Vermelho havia conquistado a Crimeia recentemente, e forças bolcheviques, sob a liderança de dois judeus repugnantes — Bela Kun e Rozalia Zemliachka —, haviam submetido a península a uma devastação aterradora. Agora, Vikhman, outro judeu sem remorso, comandava todas as forças da Cheka na península, e as matanças prosseguiam. Remanescentes das forças Brancas haviam buscado refúgio nas colinas para travar uma guerra de guerrilha (tanto para sobreviver quanto para resistir ao domínio comunista), e Vikhman organizou tropas para eliminá-los; os capturados eram liquidados. Os comunistas consideraram que muitos outros mereciam a morte, e Vikhman emprestou sua mão e sua pistola Mauser à tarefa. Entre outros, ele executou a tiros os ex-ministros ucranianos Alexander Ragoza e Komorny. Anos mais tarde, declarou que, na Crimeia, havia executado pessoalmente “muitas centenas” de “inimigos do poder soviético... cujo número exato está gravado na minha Mauser e na minha carabina de combate.”8

{O judeu-bolchevique Mikhail Vikhman (1888-1963) nas mãos de interrogadores judeus-bolcheviques}

Mas houve problemas: o Comitê do Partido Bolchevique da Crimeia colocou-se de pé com a postura arrogante de Vikhman. Eles acusaram-no de prender membros do Partido e de desafiar as autoridades partidárias. Ele foi afastado do cargo e enviado para o Cáucaso, onde trabalhou na Cheka da província de Stavropol. No entanto, no final de 1921, o Partido o expulsou de suas fileiras e o desligou da Cheka.9 Foi o fim da primeira fase de sua carreira.

Vikhman retornou a Odessa e trabalhou na administração da rede de bondes da cidade, uma queda e tanto para o ameaçador e todo-poderoso executor da Cheka. Pouco tempo depois, porém, ele ganhou readmissão no Partido e até mesmo na Cheka. Depois de 1928, ele ocupou diversos cargos de nível intermediário na OGPU (organização sucessora da Cheka), em Kharkov (Ucrânia) e no Cáucaso. Ele participou da repressão a revoltas camponesas, chefiou o departamento da OGPU na cidade de Chernigov e recebeu a condecoração de “Trabalhador Honorário da Cheka-OGPU” (1932). Em 1938, ele estava trabalhando em Vinnytsia como vice-chefe da milícia do NKVD. Então, bateram à sua porta. Era 8 de julho de 1938, o auge do Grande Terror — o pico absoluto de décadas de repressão, e Stalin começava a liquidar os próprios liquidadores. Genrikh Yagoda, o chefe judeu do NKVD, havia sido fuzilado em março, e milhares de outros agentes da polícia secreta pereceriam nos anos seguintes. Agora era a vez de Vikhman: a polícia secreta revistou sua casa, apreendeu um arsenal e o levou para a prisão de Lukyanivska, em Kiev.

O Partido estava realizando um grande expurgo no NKVD ucraniano: o antigo chefe de Vikhman, o judeu Izrail Leplevsky, chefe do NKVD na Ucrânia, tinha sido substituído em janeiro, preso em abril e fuzilado em julho. O novo chefe, o russo Alexander Uspensky, tinha ordens para eliminar os homens de Leplevsky, “entre os quais se incluía um grande número de agentes judeus do NKVD”.10 Centenas foram presos, mas não todos: Leplevsky havia sido torturado durante seu interrogatório pelos agentes judeus do NKVD Lulov e Vizel,11 e Vikhman agora enfrentava uma experiência semelhante: foi torturado pelos judeus Kogan (forma russa de Cohen) e Ratner.12 Esses homens o espancaram impiedosamente e o obrigaram a permanecer de pé, ininterruptamente, por até quatro dias. (A quantas pessoas Vikhman havia feito o mesmo?) Em 17 de julho, ele cedeu e admitiu a culpa. Ele ficou gravemente lesionado, chegando a ficar incapacitado por este tratamento.

Era uma cena espantosa: na Rússia do século XX, um homem chamado Cohen — descendente da antiga linhagem sacerdotal hebraica — interrogava e torturava outro judeu; ambos eram ateus convictos e membros implacáveis ​​da mesma polícia secreta, servindo um tirano georgiano que governava a Rússia em nome do socialismo marxista!13

Vikhman, compreensivelmente, estava ultrajado por ter sido submetido a tal tratamento e recorreu a autoridades superiores. Em uma carta a um deputado do Soviete Supremo, ele mencionou seu trabalho em prol da pátria socialista, vangloriou-se de ter fuzilado centenas de inimigos do regime soviético e apelou à “justiça” e à “verdade bolchevique stalinista”.14 Em meio à sua situação desesperadora, ele de repente encontrou verdades às quais se agarrar. No fim, ele escapou do tiro na nuca: ele foi sentenciado a cinco anos (novembro de 1939) e, alguns meses depois, o Estado ordenou sua libertação, provavelmente devido à sua deterioração física. Passou o ano seguinte em um hospital neurológico, mas acabou retomando o trabalho no setor de energia elétrica soviético e em um estaleiro em sua cidade natal, Astracã. Mais tarde, aposentou-se, mas teve de vender água mineral para complementar sua parca pensão. Obteve a reabilitação política em 1956. Tratava-se de um processo no qual o Estado declarava inocentes algumas das pessoas reprimidas sob o governo de Stalin e lhes restituía os direitos, inclusive o recebimento de pensões. Os tribunais analisavam as provas e proferiam uma decisão; Vikhman viu seu nome ser “limpo” antes de morrer.15

Pergunta-se o que ele pensava sobre tudo isso ao se aproximar do fim da vida: os sonhos de um paraíso socialista, o prestígio e o poder de que ele desfrutou, as lembranças do estampido ensurdecedor de sua Mauser nos porões da morte, a amargura de sua própria prisão e tortura. E, por fim, a penúria e a debilidade física. Ele não era um intelectual; talvez dedicasse pouco tempo à reflexão, atenuando suas mágoas ao se apegar à antiga visão do socialismo — a única coisa capaz de fazer tudo aquilo parecer valer a pena. Como outros velhos burocratas stalinistas (mesmo Kaganovich e Molotov)16, ele passou o resto da vida em um apartamento surrado, à espera do cheque mensal da aposentadoria, jogando damas e lendo o Pravda. Ele morreu em 1963.17

Tradução e palavras entre chaves por Mykel Alexander

 Continua...

Notas

*1 Fonte utilizada por Karl Nemmersdorf: {URSS e o terrorismo judaico-bolchevique} Bolcheviques judeus e assassinatos em massa: Rozalia Zemlyachka e os judeus responsáveis pelo banho de sangue na Crimeia, 1920 - parte 1 – introdução, por Karl Nemmersdorf, 30 de agosto de 2026, World Traditional Front. (Demais 4 partes na própria sequência do artigo).

https://worldtraditionalfront.blogspot.com/2026/08/urss-e-o-terrorismo-judaico-bolchevique_0748173581.html

*2 Fonte utilizada por Karl Nemmersdorf: Realschule, Internet Encyclopedia of Ukraine.

https://www.encyclopediaofukraine.com/display.asp?linkpath=pages%5CR%5CE%5CRealschule.htm

1 Nota de Karl Nemmersdorf: Sapadores são engenheiros de combate que constroem estradas, pontes e fortificações, instalam e removem campos minados, realizam demolições, etc.

2 Nota de Karl Nemmersdorf: As fontes sobre Vikhman são escassas e podem ser contraditórias. Eu tenho confiado no seguinte: 

a) Alexandra Polyak, Михаил Вихман — палач Одесской ЧК e жертва коммунистического режима (Mikhail Vikhman, Executor da Odessa Cheka e Vítima do Regime Comunista) Jan 2020. https://zaodessu.com.ua/articles/mihail-vihman-palach-odesskoj-chk-i-zhertva-kommunisticheskogo-rezhima/

b) D. Sokolov, Чекист Вихман в необычной для себя роли (Chekista Vikhman em um papel incomum) https://d-v-sokolov.livejournal.com/2189489.html?es=1

c) Tumshis M. e V. Zolotaryov, ЕВРЕИ В НКВД СССР 1936-1938 (Judeus no NKVD da URSS, 1936-1938), 2ª edição, revisada e ampliada. Moscou: Universidade Dmitry Pozharsky, 2017. Pp. 192-94.

d) Abramov, Vadim, Евреи в КГБ (Judeus na KGB). Moscou: Izdatel Bystrov, 2006. Pp. 142-43.

Abramov, Tumshis e Polyak identificam Vikhman como judeu.

3 Nota de Karl Nemmersdorf: The Red Terror in Russia (Westport, CT: Hyperion Press, 1976), 203. Melgunov foi um escritor e político russo que se opôs ao domínio bolchevique; foi preso e sentenciado à morte, mas teve a pena comutada, após o que partiu para o exterior. Ele reuniu informações de exilados russos (muitas vezes testemunhas desses eventos) —na volumosa imprensa de expatriados russos na Europa Ocidental — e o publicou em 1924.

4 Nota de Karl Nemmersdorf: George Leggett, The Cheka: Lenin’s Political Police (New York, 1981), pp. 200, 198.

5 Nota de Karl Nemmersdorf: Esta informação consta em Alexandra Polyak, Михаил Вихман — палач Одесской ЧК e жертва коммунистического режима (Mikhail Vikhman, Executor da Odessa Cheka e Vítima do Regime Comunista) Jan 2020.

6 Nota de Karl Nemmersdorf: S. Melgunov, Red Terror in Russia, p. 213.

7 Nota de Karl Nemmersdorf: Duas características do início do domínio comunista na Rússia foram a rápida ascensão de judeus medíocres a cargos de poder e a constante movimentação de pessoal para diferentes trabalhos e regiões.

8 Nota de Karl Nemmersdorf: Tumshis M. e V. Zolotaryov, ЕВРЕИ В НКВД СССР 1936-1938 (Judeus no NKVD da URSS, 1936-1938), p. 193.

9 Nota de Karl Nemmersdorf: As fontes não fornecem detalhes que possam ilustrar a estória por trás desses eventos.

10 Nota de Karl Nemmersdorf: Lynne Viola, Stalinist Perpetrators on Trial (New York: 2017), p. 27.

11 Nota de Karl Nemmersdorf: Shimon Briman, “Stalin’s terror: Jewish victims and executioners,” em Forum Daily, https://www.forumdaily.com/en/politicheskie-repressii-evrei-zhertvy-i-palachi/

12 Nota de Karl Nemmersdorf: D. Sokolov, Чекист Вихман в необычной для себя роли (Chekista Vikhman em um papel incomum).

13 Nota de Karl Nemmersdorf: É impressionante as permutações pelas quais o ideal messiânico judaico pode passar quando o seu único objeto verdadeiro é negligenciado.

14 Nota de Karl Nemmersdorf: D. Sokolov, Чекист Вихман в необычной для себя роли (Chekista Vikhman em um papel incomum).

15 Nota de Karl Nemmersdorf: Absolvido de acordo com as concepções soviéticas de justiça, é claro. Eu duvido que muitas de suas próprias vítimas tenham sido reabilitadas.

16 Nota de Karl Nemmersdorf: Kaganovich passou o restante de sua vida sozinho em um apartamento no sexto andar, no Cais Frunze, em Moscou. Assim como Molotov, ele recebia uma pensão irrisória de 120 rublos por mês. Seu apartamento era descrito como “pobre”, e ele não tinha carro nem dacha. Certamente, a situação de Vikhman não era melhor do que essa. Extraído de E. A. Rees, Iron Lazar: A Political Biography of Lazar Kaganovich, (Anthem Press, 2013), p. 268.

17 Nota de Karl Nemmersdorf: Eu não encontrei nenhum indício de que Vikhman tivesse esposa ou filhos.

Fonte: Three Savage Jewish Communists, por Karl Nemmersdorf, 30 de dezembro de 2025, The Occidental Observer.

https://www.theoccidentalobserver.net/2025/12/30/three-savage-jewish-communists/

Sobre o autor: Karl Nemmersdorf é um escritor que contribui com artigos no The Occidental Observer, sob pseudônimo em decorrência dos riscos de coerção por exposição de temas de alta polêmica.

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