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| Greg Johnson |
A
América perdeu a Guerra do Irã no primeiro dia.
Pirro
do Epiro foi um dos maiores generais do mundo antigo. Em 279 a.C., Pirro
derrotou os romanos na Batalha de Ásculo, no sul da Itália. Mas a batalha foi
tão custosa para Pirro que ele comentou que mais uma “vitória” como aquela o
arruinaria. Essa é a origem do termo “vitória de Pirro”, que significa uma
vitória que, na verdade, é uma derrota.
A
lição aqui é que o verdadeiro vencedor não é aquele que prevalece no campo de
batalha, mas sim aquele que ganha poder com a luta. Por esse critério, algumas
batalhas não têm vencedores. Por esse padrão, os Estados Unidos perderam a
Guerra do Irã no primeiro dia.
A
maior parte do poder militar é blefe, ou seja, o poder de intimidar os outros
para obter obediência sem desembainhar a espada.
Por
mais de meio século, os Estados Unidos construíram um arquipélago de bases
militares no Oriente Médio, oferecendo proteção às monarquias do Golfo. Em
troca de quê? Os EUA não importam petróleo ou gás do Golfo, embora, como todos
estamos aprendendo, as exportações do Golfo ainda afetem os preços nos Estados
Unidos. O quid pro quo {contrapartida}
para a proteção americana é o “petrodólar.”
Mesmo
que os EUA não comprem petróleo no Golfo, as compras ainda são pagas em dólares
americanos. Assim, importadores como o Japão precisam primeiro comprar dólares
americanos, que os estados do Golfo usam para comprar títulos do Tesouro
americano e outros ativos denominados em dólares, financiando efetivamente os
empréstimos dos EUA a taxas de juros mais baixas.
O
sistema do petrodólar permite que os EUA mantenham déficits orçamentários e
comerciais enormes e criem crédito, garantindo uma demanda global constante por
dólares. Sem o fluxo constante de petrodólares retornando aos EUA, o Tesouro teria
que pagar taxas de juros mais altas para honrar a imensa dívida nacional
americana. Basicamente, o sistema do petrodólar mantém o governo americano
solvente.
Mas
a proteção que os Estados Unidos ofereceram aos países do Golfo era pura farsa.
E o Irã a tem chamado agora.
Nós
tivemos amplos avisos de que uma guerra contra o Irã poderia ser desastrosa
para o império americano e, em particular, para o petrodólar:
O Irã alertou os Estados Unidos de que um ataque israelense-americano desencadearia retaliação contra os países do Golfo.
O Irã também nos avisou que fecharia o Estreito de Ormuz, interrompendo as exportações de petróleo, gás e outros produtos do Golfo.
Nós sabíamos que o Irã estava comprometido com estratégias de guerra assimétrica para contrabalançar o poderio militar americano, muito maior e mais caro. Nós tivemos quatro anos para aprender sobre a guerra com drones na Ucrânia. No ano passado, vimos o Irã e seus aliados exaurirem as defesas israelenses com barragens de mísseis.
Aqueles
avisos foram ignorados.
O
Irã agora tem destruído bases militares e instalações de radar americanas nos
países do Golfo. Os Estados Unidos também enviaram armamentos para interceptar
mísseis e drones dos países do Golfo em direção a Israel, por causa que Israel
Primeiro.
Além
disso, o Irã tem provado aos países do Golfo que pode destruir completamente
suas economias e — ao atacar suas usinas de dessalinização — torná-las
inabitáveis. Em resumo, o Irã pode fazer os xeiques voltarem à era dos camelos
— e os Estados Unidos não os protegerão.
Desde
que a guerra começou, contudo, o Irã tem aumentado suas exportações de petróleo
em mais de 25%, e o preço do petróleo mais que dobrou. Petroleiros carregados
com petróleo iraniano transitam com segurança pelo Estreito de Ormuz. Em suma,
os Estados Unidos deram bilhões ao Irã ao iniciarem esta guerra. Além disso, os
EUA não podem se dar ao luxo de interromper as exportações iranianas, porque
isso elevaria ainda mais os preços globais. De fato, os EUA suspenderam as
sanções ao petróleo iraniano para reduzir os preços. Os EUA podem até estar
comprando petróleo iraniano, ou seja, financiando mais drones e mísseis que têm
matado soldados americanos.
Tem
mais, o Irã está permitindo que outros petroleiros deixem o Golfo, desde que
paguem um pedágio ao Irã e que suas cargas não sejam compradas em dólares.
Assim que esta guerra terminar e suas próprias indústrias de exportação
voltarem a funcionar, os estados do Golfo se perguntarão por que estão
aceitando petrodólares novamente se não estão recebendo nada em troca. Mas sem
o petrodólar, os Estados Unidos darão passos gigantescos rumo à insolvência
total.
Então,
vamos fazer um balanço. Mesmo que os Estados Unidos destruam completamente o
Irã no campo de batalha e Trump declare vitória, os Estados Unidos estarão mais
fortes e mais seguros?
A economia global está quebrada e afundada.
Haverá fome no Terceiro Mundo.
Mais migrantes e refugiados se dirigirão para a Europa.
A Pax Americana pode estar em ruínas. Eu detesto o império americano e, a longo prazo, ele precisa ser desmantelado. Mas, a curto prazo, nós começaremos a sentir sua falta quando conflitos começarem a surgir em lugares dos quais você nunca ouviu falar. Além disso, há outras coisas que eu quero fazer primeiro, e prefiro me desvincular do império de forma cuidadosa e deliberada, em vez de vê-lo simplesmente colapsar.
O petrodólar pode estar em ruínas. É um sistema fundamentalmente injusto que precisa ser substituído, mas, enquanto isso, haverá muito sofrimento. Novamente, os Estados Unidos têm problemas mais urgentes, e eu prefiro desmantelar o petrodólar de forma deliberada, em vez de vê-lo simplesmente colapsar.
O pior de tudo é que a esquerda quase certamente retornará ao poder nos Estados Unidos, o que significa que o que restou das conquistas positivas de Trump — fechamento de fronteiras, deportações, revogação de iniciativas anti-brancos — será revertido.
Então
não, a América não ficará mais forte e segura por causa desta guerra. Nós
perdemos. Nós perdemos no primeiro dia. Porque a única maneira de vencer esta
guerra era não tê-la começado. Além disso, este resultado era totalmente
previsível. Havia pessoas no Pentágono, até mesmo na Casa Branca, que sabiam
disso. Então, por que a guerra aconteceu?
A
resposta simples é que esta guerra nunca teve como objetivo beneficiar os
Estados Unidos. Ela nunca teria acontecido se tivéssemos priorizado os
interesses dos Estados Unidos. Tudo se resumia a beneficiar Israel, às custas
dos Estados Unidos e do resto do mundo. Isso é tão óbvio que até o New York Times está noticiando.
De
acordo com pesquisas da Liga Antidifamação, os judeus sabem que seu poder nos
Estados Unidos está diminuindo. Seus apoiadores são, em sua maioria, da geração
Baby Boomer, que está chegando aos 80 anos e começando a falecer. Assim,
Netanyahu e sua equipe estavam com pressa de espremer uma última guerra dos
Estados Unidos, antes de descartarem o que restava da casca seca.
Então,
quem são os vencedores da Guerra do Irã?
Israel está sendo devastado pela retaliação iraniana, mas conta com a reconstrução de tudo às custas dos EUA, e também tem um limiar bastante baixo para vencer esta guerra. Para que os EUA se sentissem bem com esta guerra, precisariam ver o Irã transformado em uma democracia liberal. Israel simplesmente quer ver o Irã destruído, como aconteceu com o Iraque e a Síria. Isso é fácil de alcançar. Se Israel estiver apenas menos devastado que o Irã, será relativamente mais poderoso e seguro.
A Rússia está vencendo porque os preços do petróleo e do gás estão subindo, as sanções à exportação estão sendo suspensas e o material que poderia estar ajudando a Ucrânia está sendo desviado para a Guerra do Irã.
A China é a maior vencedora. Como a China é a principal rival global dos EUA, ela se torna mais forte e mais segura simplesmente por não fazer nada, enquanto os EUA desperdiçam sua riqueza e poder no Golfo. Quando tudo isso terminar, a China parecerá uma aliada e parceira comercial muito mais confiável.
Francamente,
Trump parece ter enlouquecido. Ainda assim, ele tem bom senso suficiente para
perceber a enrascada em que se meteu. Mas não vê nenhuma saída. Israel
continuará a intensificar a guerra até que alguém em Washington tenha a coragem
de dizer “não”, o que provavelmente exigirá a remoção de Netanyahu do poder.
Na
ausência disso, Trump deve simplesmente esperar e rezar, daí suas mentiras
frenéticas e improvisações.
| {O presidente dos D. Trump se perde cada dia mais em mentiras e improvisações} |
Com
o que ele está contando? Ele não pode ir à bancarrota para sair desse problema.
Trump
tem 79 anos. Como qualquer outro gastador de sua geração, ele provavelmente se
consola com a ideia de que estará morto antes que os Estados Unidos enfrentem
as consequências totais de sua insensatez.
Enquanto
isso, ele está postando sobre negociações imaginárias para manipular os
mercados de ações e commodities, enquanto seus amigos judeus lucram bilhões com
a volatilidade.
Basicamente,
ele se juntou à pilhagem.
Eu
desisti de ter esperança de que nós sejamos governados por pessoas que se
importam com o futuro da América. Mas se existe alguém na Casa Branca que ao
menos se importa com o próprio futuro, Trump precisa ser destituído do poder.
E
é melhor que isso aconteça logo. De preferência antes que Trump transforme as
tropas terrestres americanas em bucha de canhão para drones iranianos. Como
manter uma autoimagem positiva é o objetivo primordial de todo narcisista,
Trump começará a culpar as pessoas ao seu redor conforme a situação piorar. Em um
certo ponto, as coisas virão abaixo num “Trump ou nós.”
Tradução
e palavras entre chaves por Mykel Alexander
Fonte: America
Has Already Lost the Iran War, por Greg Johnson, 27 de março de 2027, Counter Currents.
https://counter-currents.com/2026/03/america-has-already-lost-the-iran-war/
Sobre o autor: Greg
Johnson é americano, tem Ph.D. em Filosofia da Catholic University of America,
e é editor do site Counter Currents
Publishing.
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