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sexta-feira, 8 de outubro de 2021

Karl Marx: o patriarca da esquerda judia? - Por Ferdinand Bardamu {academic auctor pseudonym}

 

 Ferdinand Bardamu
 {academic auctor pseudonym}


O livro de Kevin MacDonald intitulado The Culture of Critique (CofC) deveria ser revisado para focalizar Karl Marx, o fundador do primeiro movimento intelectual e político dos judeus de âmbito mundial? Sendo o criador judeu do socialismo “científico”, ele deu início à crítica radical da sociedade europeia que se estende ao século XXI. Embora o CofC {The Culture of Critique} aborde especificamente os movimentos intelectuais e políticos judaicos do século XX, ele certamente poderia ter ampliada sua compreensão da esquerda judaica, se Marx pudesse ser incluído no seu quadro teórico como o fundador dos movimentos intelectuais e políticos que tanto orientaram a esquerda judia no século XX.

{O livro de Kevin MacDonald intitulado The Culture of Critique foi 
banido da Amazon, mesmo sendo altamente contundente e convicente em seus
argumentos. Quais interesses os argumentos de tal livro desafiam? Veja mais em:
Amazon bane Culture of Critique e Separation and Its Discontents - Por Kevin MacDonald}.

            A primeira questão a ser levantada é se Marx se reconhecia como dirigente judeu de um movimento intelectual e político de judeus. O CofC {The Culture of Critique} de Kevin MacDonald indica os passos a seguir para a solução do problema. Examinemos detidamente as indicações de Kevin MacDonald.

A metodologia de Kevin MacDonald é bastante objetiva. O primeiro passo consiste em “identificar movimentos influentes sob direção judaica, quaisquer sejam, não importando se todos ou a maioria dos judeus participassem deles”. O segundo passo consiste em “determinar se os participantes judeus se assumiam como judeus E se, por tal participação, buscassem atender a interesses judeus”.[1] Depois, então, discutiremos a influência e o impacto desses movimentos na Europa e nos Estados Unidos.

Em vista desses critérios de Kevin MacDonald, acreditamos em que o socialismo científico de Marx atenda aos dois quesitos.

Em primeiro lugar, Marx teve participação direta na criação das principais organizações de esquerda no século XIX. A maioria das primeiras organizações socialistas sofreram influência direta de Marx, quais sejam: a Liga Comunista, cofundada por Marx e Engels em 1847; o Partido Social-Democrático da Alemanha, fundado em 1863; o Partido Socialista Trabalhista da América, fundado em 1876; o Partido dos Trabalhadores Franceses, cofundado pelo genro de Marx, Paul Lafargue, em 1880; e a Federação Social-Democrática Britânica, fundada em 1881. A maioria dessas organizações moldaria a vida política da Europa e dos Estados Unidos no século XX.

Aquele que foi o sabatigói [N.T.: no original: Shabbos Goy] de Marx por longo tempo, Engels, reconheceu a preponderância dos judeus nos movimentos esquerdistas do século XIX:

“Ademais, temos para com os judeus uma dívida de gratidão. Sem falar de Heine e Böme, Marx era de pura origem judia; Lassalle era judeu. Muitos entre os melhores da nossa gente são judeus. Meu amigo Victor Adler, que agora está cumprindo pena numa prisão em Viena por sua devoção à causa do proletariado; Eduard Bernstein, o editor da publicação londrina Sozialdemokrat, Paul Singer, um dos melhores homens no Reichstag —essas pessoas deixam-me orgulhoso por sua amizade, e todos eles são judeus! Eu mesmo fui considerado judeu pelo [semanário conservador] Gartenlaube. Na verdade, se eu tivesse de escolher, preferiria ser um judeu a ser um ‘Herr von’!” [2]

Em 1911, o sociólogo Robert Michels chamou atenção para a “abundância de judeus na direção dos partidos socialistas e revolucionários”:

“Sobretudo na Alemanha, a influência dos judeus tem sido evidente no movimento dos trabalhadores. Os dois primeiros grandes capitães, Ferdinand Lassalle e Karl Marx, eram judeus, bem assim como o contemporâneo deles Moses Hess. O primeiro eminente político da velha escola a abraçar o socialismo, Johann Jacoby, era judeu. Também Karl Höchberg, um idealista, seu pai era rico comerciante de Francoforte, fundador da primeira revista socialista publicada em língua alemã. Paul Singer, que quase sempre presidia os congressos socialistas alemães, era judeu. Entre os 81 deputados socialistas mandados ao Reichstag na penúltima eleição geral, havia nove judeus. Este número é extremamente alto, comparado com a percentagem de judeus na população da Alemanha, com o total de trabalhadores judeus e com o número de judeus no Partido Socialista.” [3]

Em segundo lugar, longe de ser um etnomasoquista antissemita, Karl Marx identificava-se fortemente como judeu e estava muito envolvido com a comunidade judaica:

“Com os judeus e a judaicidade, Marx sempre manteve laços positivos. Entre seus amigos mais próximos estavam os judeus Heinrich Heine e Ludwig Kugelmann; por certo tempo privou com Moses Hess e ajudou o ex-comunista de Colônia Abraham Jacoby a emigrar para os Estados Unidos (onde ele se tornou um médico influente).” [4]

Fato indicando forte identificação judaica é que, quando Jacoby militava pela revolução na Europa, sua agenda era a “emancipação” judaica, — a naturalização e eleitoralização dos judeus. Como no caso de Marx, seus associados mais próximos também tinham forte senso de identidade grupal judaica. Eles compartilhavam objetivos, crenças e compromissos em pró da emancipação dos judeus.

{Ao redor do judeu Karl Marx (1818-1883) estavam os campeões judeus da subversão de esquerda que era simultânea direta ou indiretamente ao empenho dos interesses do judaísmo.

Da esquerda para direita na parte superior: Ferdinand Lassalle (1825-1864) militante e vanguardista da esquerda moderada e progressista; Moses Hess (1812-1875) vanguardista do nacionalismo para os judeus e socialismo de esquerda para os demais povos; Johann Jacoby  (1805-1877) militante, político e teórico para inserir os judeus na sociedade alemã valendo-se do avanço da esquerda.

Da esquerda para direita na parte inferior: Karl Höchberg (1853-1885) revigorou a esquerda na Alemanha; Paul Singer (1844-1911), foi uma liderança de primeiro escalão no marxismo político alemão; Heinrich Heine (1797-1856), poeta de renome e influenciador de primeira grandeza da identidade judaica contra a tradição germânica.

Crédito das fotos: Ferdinand Lassalle (Wikipedia em português), Moses Hess (Wikipedia em inglês), Johann Jacoby (Wikipedia em inglês), Karl Höchberg (Wikipedia em inglês), Paul Singer (Look amd Learn), Heinrich Heine (Wikipedia em inglês)}.


A persistente crítica de Marx contra as sociedades europeias resultava dos sentimentos de sua marginalização. Ele era etnicamente judeu, fora criado numa família liberal judia conforme os valores do Iluminismo. Seu pai abraçou o universalismo iluminista por causa da marginalidade dos judeus na sociedade europeia. Em consequência de sua marginalidade social, Marx tornou-se hostil à cultura e aos valores europeus. Reagindo a isso, ele construiu uma identidade social judia positiva, retratando o comportamento judeu balizado pelo ganho financeiro como motivo de orgulho étnico, não como conduta a ser demonizada. Conforme Marx, a emancipação dos judeus não implicaria a dissolução de sua identidade étnica, antes seria resultado da futura condição proletário-comunista ou, mais precisamente, secular, das sociedades europeias, com plena aceitação dos judeus. Ele chegou a acreditar que o judaísmo secular cumpriria papel positivo nas sociedades cristãs europeias. O triunfo mundial do comunismo corresponderia à vitória mundial do judaísmo secular, deixando livres os judeus para a defesa de seus interesses coletivos em sociedades formalmente europeias ainda, mas judaizadas. Nesse particular, Marx não era diferente dos profetas hebreus — que pregavam o domínio israelita do mundo sob a realeza messiânica, a não ser pelo fato de que Marx disfarçava seu particularismo étnico judeu sob a roupagem universalista do Iluminismo liberal.

{O judeu Karl Marx (1818-1883) iniciou movimentos sócio-políticos que fez
 os maiores danos nos inimigos dos judeus ao longo dos séculos XIX e XX.
Fonte da imagem: domínio público Wikipedia em português}


Em A questão judaica, ele não apenas clamou pela emancipação judaica, como também desafiou o “antissemitismo”. Ele faria a mesma coisa novamente em A sagrada família, publicado em 1844. Esses ensaios foram escritos para refutar Bruno Bauer, para quem a raça judia era “horrorosa” e não teria contribuído com nada para a “construção da modernidade”.[5] Marx acreditava que o preconceito antissemita europeu poderia ser eliminado pela transformação da Europa nas utopias proletário-comunistas, por cuja tolerância poderia o judaísmo continuar a existir. Aparentemente Marx não se iludia ao combater pela emancipação dos judeus, pois ele tinha plena consciência de ser judeu e queria proteger os judeus da perseguição branca por meio do universalismo, em detrimento das maiorias europeias na própria Europa.

Os mais importantes discípulos de Marx ou eram judeus ou eram descendentes de judeus, a exemplo de Adler, Bauer, Bernstein, Luxemburgo, Lenin, Trotsky e os membros da Escola de Francforte. Apesar disso, os marxistas judeus aparentemente não ligavam importância à identidade judia de seus membros, pretendendo apresentar a luta pela emancipação judaica como parte da luta contra a sociedade burguesa. Como observou Kevin MacDonald no CofC {The Culture of Critique}, os ativistas étnicos judeus escamoteavam sua etnicidade judaica, recrutando não-judeus para servir de manequins, que vestiam de linda roupagem para disfarçar o que na realidade era um movimento judeu. Dissimulando sua judaicidade, os dirigentes marxistas puderam promover os interesses judaicos quase sem nenhuma oposição, o que lhes permitiu recrutar mais inocentes úteis entre os góis {isto é, entre os não-judeus}. Embora o socialismo moderno deva suas origens a um judeu e tenha sido dominado pelos judeus, o movimento atraiu muitos góis {os não-judeus}, alguns deles se destacaram, como Bebel e Liebknecht. Aliás, quando foi da morte de Marx em 1883, seu maior porta-voz era Engels, um sabatigói.

Marx dizia-se amigo do proletariado, mas suas relações com a comunidade judaica eram estreitas. Como todos os ativistas étnicos judeus, Marx tinha a obsessão de combater o antissemitismo onde quer que se lhe deparasse, mas para não alarmar os góis {os não-judeus}, esse combate apresentava-se de mistura com a luta contra a sociedade burguesa. O artifício prestava-se a propósito vital, já que assim Marx acobertava sua atitude adversa à sociedade europeia e ainda atraía os não-judeus para a nova fé secular judaica — não-judeus que também iriam ajudá-lo na luta contra o antissemitismo, como se apenas militassem pela revolução proletária mundial. Enquanto ínfima minoria nas sociedades europeias, os judeus sempre se serviram de não-judeus para a consecução de seus objetivos, assim fizeram os marxistas que se valeram do proletariado, assim fazem os neoconservadores que se valem dos conservadores do estabilismo {do meio sócio-político estabilizado atualmente} para favorecer Israel.

A análise e a apologética marxistas sempre tiveram por base o “cepticismo e esoterismo científicos”.[6] Como indica Kevin MacDonald no seu CofC {The Culture of Critique}, os ativistas étnicos judeus do século XX comumente lançavam mão dessas táticas mistificatórias. O capitalismo deve atender a requisitos de alto padrão para ser considerado um sistema econômico viável, apesar de sua longa história de sucesso na geração de crescimento econômico, enquanto o comunismo é sempre considerado profícuo, apesar de seus embaraçosos precedentes de estado policial autoritário, pauperização massiva, totalitarismo extremo e catástrofes ambientais. Temos aí dois pesos e duas medidas quanto ao ônus da prova que servem para apresentar o marxismo como um sistema de crenças viável. De igual modo, os apoiantes judeus de Marx argumentam, maliciosamente, que “O socialismo não fracassou, o que fracassou foi o estalinismo, isto é, a ditadura burocrática do partido”. [7]

A análise econômica de Marx era tão hegelianizante que seus críticos e adeptos não lhe puderam compreender a exata significação. Livros dele como A ideologia alemã e O capital geram ainda controvertidas interpretações. Ele vazava seu discurso em linguagem científica para cobrir suas profecias como o verniz da credibilidade. Por exemplo, o socialismo de Marx era chamado de socialismo “científico”, para que se distinguisse de suas variantes “utópicas”. O fato de apresentar sua versão do socialismo como “científica” indica que o esoterismo da linguagem de Marx era proposital, no que foi imitado pelos epígonos. Na realidade, o socialismo marxiano consistia numa espécie de culto secular da religião judia, cujos princípios dogmáticos não permitiam revisão, mesmo quando confrontados com irrefutáveis evidências em contrário. Até os nossos dias, nenhuma das leis marxistas do desenvolvimento capitalista tornou possível experiências empíricas de falsificação, nem qualquer de suas profecias foi confirmada.

É interessante notar que Franz Boas não foi o primeiro intelectual judeu a submeter a aplicação social do darwinismo a virulenta crítica intelectual; essa honraria cabe a Marx e a seu sabatigói pessoal, Engels. A princípio, eles eram adeptos entusiastas da obra de Darwin A origem das espécies. Acreditavam que a seleção natural corroborava a análise dialético-materialista do desenvolvimento histórico. Entretanto, Marx e Engels chegaram à conclusão de que a teoria de Darwin era “metafisicamente inaceitável”:

“Dado que Darwin via a luta na natureza, em grande parte, como luta entre indivíduos, sua teoria pareceu-lhes solapar a própria possibilidade da solidariedade de classe e a eliminação final do conflito humano. […] Na opinião de Marx, a deficiência mais grave da teoria de Darwin residia na ênfase posta sobre o caráter indeterminado e aleatório das mutações, implicando que no mundo para além do reino animal o progresso fosse ‘puramente acidental e não necessário’, ao contrário do que desejava Marx e exigia a sua teoria (Marx apud Feuer, 1975, página 121). O Darwinismo ameaçou a fé de Marx e Engels num processo histórico mais propício.” [8]

Em virtude de a biologia darwiniana haver limitado o poder explanatório de sua dialética histórica, Marx e Engels recorreram a causalidades ambientais e subjetivísticas:

“Em razão de que outras teorias da evolução, como as de Trémaux e Lamarck, tivessem enfatizado como causas das mutações adaptativas nas espécies ou nas raças a ação direta do meio ambiente ou a resposta automática às necessidades do organismo, tais teorias pareceram mais atraentes para Marx e Engels (como também para Stálin e Lysenko), por darem sanção ‘científica’ para a mundivisão deles.” [9]

A exemplo dos ativistas étnicos judeus que Kevin MacDonald citou no CofC {The Culture of Critique}— Boas, Lewontin, Gould etc. — Marx e Engels combateram a aplicação social do darwinismo, porque comprometia sua capacidade de impor a perspectiva ambientalista às sociedades europeias, a partir da qual projetavam a construção de nova raça humana pela manipulação do ambiente conforme as ideias marxistas. Na consecução desse objetivo, os comunistas mataram milhões de dissidentes, sem nenhum escrúpulo, abrindo caminho para o novo homem que fosse criado pelo sistema educacional comunista.

Marx era conhecido por suas tendências ditatoriais, característica que ele compartia com os ativistas étnicos judeus do CofC {The Culture of Critique}. No seu pugnaz empenho para conquistar o poder, os judeus foram acusados de autoritarismo pelos seus oponentes. Em 1850, Eduard Müller-Tellering publicou Vorgeschmack in die kuenftige deutsche Diktatur von Marx und Engels, ou A foretaste of the future German dictatorship of Marx and Engels [A pré-estreia da futura ditadura alemã de Marx e Engels], atacando Marx por sua mania de dominação. Os dois tiveram um bate-boca, que Müller-Tellering atribuiu à sede de vingança do “futuro ditador alemão” Karl Marx, motivada pelo fato de ele, Müller-Tellering, haver publicado artigo contra os judeus no próprio jornal de Marx, o Neue Rheinische Zeitung [Nova Gazeta Renana]. Segundo Müller-Tellering, o implacável e vingativo comportamento de Marx resultava da natureza dos judeus, da perversidade deles.  

A personalidade autoritária de Marx alienou dele o anarquista Mikhail Bakunin (1814-1876), que escreveu o seguinte:

“Todo esse mundo judeu constitui uma só seita exploradora, um tipo de povo-vampiro, um parasito coletivo, voraz, auto-organizado não apenas por sobre as fronteiras dos Estados, mas também por sobre as diferenças de opinião política — esse mundo está, pelo menos em grande parte, à disposição de Marx e dos Rothschilds. Eu sei que os Rothschilds, reacionários como são e continuarão sendo, admiram profundamente os predicados do comunista Marx; e por sua vez o comunista Marx sente-se atraído, por interesse instintivo e respeitosa admiração, pelo gênio financeiro dos Rothschilds. A solidariedade judaica, aquela poderosa solidariedade que se manteve ao longo dos séculos, ligou Marx aos Rothschilds.” [10]

Percebe-se aí que Bakunin tinha consciência do grande número de seguidores judeus de Marx — ele sabia que o mundo judaico repartia-se entre Marx e Rothschild. Bakunin rejeitou a ditadura do proletariado de Marx, porque implicava a centralização do poder do Estado, o que levaria ao seu controle por pequena elite. Marx e Bakunin andavam sempre às turras. Bakunin lutava por uma “confederação descentralizada de comunas autônomas”, sendo atacado por Marx, para quem o melhor seria a ditadura do proletariado. Depois do embate entre os comunistas de Marx e os anarquistas de Bakunin, no Congresso de Haia de 1872 {O Congresso de Haia da Associação Internacional dos Trabalhadores, dirigido por Karl Marx e Frederik Engels*a}, Bakunin acabou sendo expulso da Primeira Internacional, por determinação pessoal de Marx.

Assim como os ativistas judeus citados no CofC {The Culture of Critique}, Marx combatia na guerra étnica contra as sociedades europeias. O seu socialismo científico ameaçava solapar a moral e as fundações intelectuais da Europa, de sorte que se transformasse numa sociedade secular para suportar indefinidamente a continuação da existência do judaísmo. Por exemplo, em O capital, a sua obra magna, Marx tentou desvelar o funcionamento dos mecanismos internos do modo de produção capitalista na Europa Ocidental, explicando por que ele entraria em colapso sob o peso de suas próprias contradições, preparando o caminho para a revolução proletária. A ditadura do proletariado era visionada como ferramenta de forte dominação, centralizada e autoritária. Quando ela foi imposta aos russos pela elite hostil {nominalmente uma elite judaica*b} que assumiu o poder a partir de 1917, teria como consequência a morte de muitos milhões e a opressão política de todos, sendo plausível supor que Marx teria ficado muito feliz se houvesse sido capaz de impor semelhante regime sobre todos os europeus. Embora a defesa que fazem os judeus do universalismo nas sociedades brancas signifique a autodestruição cultural e racial dos próprios brancos, ela enseja as condições ideais para a prosperidade judaica, ao maximizar o controle judaico sobre a população europeia inclusiva e ao minimizar o temor judaico da perseguição antissemítica.

Foi Marx quem assentou as bases ideológicas da principal corrente do ativismo étnico judeu no século XX. No quadro teórico do CofC {The Culture of Critique}, a importância de Marx é depreendida de sua condição de fundador judeu de um movimento intelectual e político judeu em meado do século XIX, cuja influência estende-se até o presente. Por exemplo, o mais influente movimento intelectual judeu contemporâneo, a Escola de Francforte, era seita marxista ortodoxa a princípio, mas revisou o marxismo, desviando-o da luta de classes para uma teoria enfatizando o etnocentrismo branco como o problema fundamental e inaugurando o que agora é frequentemente denominado de marxismo cultural.

A conclusão é que o engajamento judeu na esquerda remonta a meado do século XIX e continua exercendo influência no mundo contemporâneo, mostrando-se diante dos europeus como força opositora.

Tradução por Chauke Stephan Filho

Palavras entre chaves por Mykel Alexander


Notas

[1] Nota de Ferdinand Bardamu: Kevin Macdonald, Culture of critique, páginas 11-2. 

[2] Nota de Ferdinand Bardamu: Frederick Engels, “On anti-semitism”. Arbeiter-Zeitung, nº 19, 9 de maio de 1890. Disponível em: https://www.marxists.org/archive/marx/works/1890/04/19.htm  

[3] Nota de Ferdinand Bardamu: Robert Michels, Political Parties. página 246.  

[4] Nota de Ferdinand Bardamu: Jerrold Seigel, Marx’s Fate. Página 114.  

[5] Nota de Ferdinand Bardamu: Karl Marx e Frederick Engels, The Holy Family. Marxists.org, 2019. Disponível em: www.marxists.org/archive/marx/works/1845/holy-family/ch04.htm.

[6] Nota de Ferdinand Bardamu: Kevin Macdonald, Culture of critique, páginas 122.  

[7] Nota de Ferdinand Bardamu: , Ernest Mandel, The Roots of the Present Crisis in the Soviet Economy (1991). Disponível em: https://www.marxists.org/archive/mandel/1991/xx/sovecon.html   

[8] Nota de Ferdinand Bardamu: Howard Kaye, Social Meaning of Modern Biology, página 25. 

[9] Nota de Ferdinand Bardamu: Howard Kaye, Social Meaning of Modern Biology, página 25. 

[10] Nota de Ferdinand Bardamu: Hal Draper, Karl Marx’s Theory of Revolution, volume 4, página 596. 

*b Nota de Mykel Alexander: Sobre a elite judaica articulando e protagonizando a tomada de poder na Rússia em 1917:

- A liderança judaica na Revolução Bolchevique e o início do Regime soviético - Avaliando o gravemente lúgubre legado do comunismo soviético - por Mark Weber, 14 de novembro de 2020, World Traditional Front.

https://worldtraditionalfront.blogspot.com/2020/11/a-lideranca-judaica-na-revolucao.html

- Líderes do bolchevismo {comunismo marxista} - Por Rolf Kosiek, 19 de setembro de 2021, World Traditional Front.

https://worldtraditionalfront.blogspot.com/2021/09/lideres-do-bolchevismo-por-rolf-kosiek.html

- Wall Street & a Revolução Russa de março de 1917 – por Kerry Bolton, 23 de setembro de 2018, World Traditional Front.

https://worldtraditionalfront.blogspot.com/2018/09/wall-street-revolucao-russa-de-marco-de.html

- Wall Street e a Revolução Bolchevique de Novembro de 1917 – por Kerry Bolton, 14 de outubro de 2018, World Traditional Front.

https://worldtraditionalfront.blogspot.com/2018/10/wall-street-e-revolucao-bolchevique-de.html

- Mentindo sobre o judaico-bolchevismo {comunismo-marxista} - Por Andrew Joyce, Ph.D. {academic auctor pseudonym}, 26 de setembro de 2021, World Traditional Front.

https://worldtraditionalfront.blogspot.com/2021/09/mentindo-sobre-o-judaico-bolchevismo.html

 


Bibliografia:

BLUMENBERG, Werner. Eduard Von Müller-Tellering: Verfasser Des Ersten Antisemitischen Pamphlets Gegen Marx. Bulletin of the International Institute of Social History, v. 6, n. 3, 1951, p. 178-197. Disponível em: www.jstor.org/stable/44629595 .

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DRAPER, Hal. State and Bureaucracy. New York; London: Monthly Review Press, 1977. (Karl Marx’s theory of revolution, v. 1).

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FINE, Robert, PHILIP, Spencer. Antisemitism and the Left : On the Return of the Jewish Question. Manchester, UK, Manchester University Press, 2018. Disponível em: www.manchesteropenhive.com/view/9781526104960/9781526104960.00007.xml. Acesso em: 13 DEZ 2019.

KAYE, Howard. Social meaning of modern biology: from social darwinism to sociobiology. Routledge, 2017.

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MARX, Karl. On The Jewish Question by Karl Marx. Marxists.org, 2019. Disponível em: www.marxists.org/archive/marx/works/1844/jewish-question/ . Acesso em: 13 DEZ 2019.

________ The Holy Family by Marx and Engels. Marxists.org, 2019. Disponível em: www.marxists.org/archive/marx/works/1845/holy-family/ch04.htm . Acesso em: 13 DEZ 2019.

________. Early Texts. Translated and Edited by David McLellan. Oxford: Basil Blackwell, 1971.

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WARTENBERG, Thomas E. “Species-Being” and “Human Nature” in Marx. Human Studies, v. 5, n. 1, Dec. 1982, p. 77-95, 10.1007/bf02127669. Acesso em: 26 NOV 2019.

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Fonte em português:

Karl Marx: o patriarca da esquerda judia?, 22 de março de 2020, O Sentinela – Mídia Crítica Independente.

https://www.osentinela.org/karl-marx-o-patriarca-da-esquerda-judia/ 

Fonte em inglês:

Karl Marx: Founding Father of the Jewish Left?, por Ferdinand Bardamu, 04 de Janeiro de 2020, The Occidental Observer.

https://www.theoccidentalobserver.net/2020/01/04/karl-marx-founding-father-of-the-jewish-left/

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terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Esquecendo Rosa Luxemburgo (05/03/1871 – 15/01/1919) – por Alex Kurtagić

Publicado originalmente em 2015
Alex Kurtagić

             Nós celebramos hoje a morte de Rosa Luxemburgo, que morreu hoje há 96 anos. Ela foi uma teórica marxista, ideóloga, agitadora, e traidora condenada, que estava envolvida com vários grupos terroristas de extrema esquerda. Ela co-fundou a Liga Espartaquista e mais tarde o Partido Comunista da Alemanha.

           Rosa Vermelha, como é conhecida, nasceu em uma família judia próspera em Zamość, no Reino da Polônia, que na época era controlada pela Rússia. A caçula de cinco filhos, seu pai era Eliasz Luxemburgo, foi um comerciante de madeira; sua mãe era Line Löwenstein.

            Sua infância foi sem intercorrências, exceto por uma doença no quadril aos 5 anos que a confinou em sua cama por um ano, e deixou-a com as pernas de comprimentos diferentes, e, portanto, manca. Com 9 anos, ela estava matriculada em Gymnasium, uma escola para meninas em Varsóvia. E nos próximos anos, tudo correu bem.

No entanto, não demorou muito para que Rosa caísse em más companhias. Em 1886, com a tenra idade de 15 anos, Rosa juntou-se ao Primeiro Proletariado, um grupo fundado por Ludwik Warynski, que já tinha ficha criminal e, mais tarde, iria morrer na prisão. Este grupo era aliado da Narodnaya Volya, uma organização terrorista de extrema-esquerda russa, que já contava com o assassinato do czar Alexandre II a seu crédito. O primeiro ato político de Rosa foi organizar uma greve geral. Felizmente, foi um desastre: o partido foi destruído e quatro de seus membros condenados à morte. No entanto, Rosa, impenitente e, aparentemente, com a consciência limpa, continuou a reunir-se em segredo com outros criminosos.

Ela continuou sua educação, que, infelizmente, ela iria depois dar uso maligno. Em 1887 obteve seu Matura, equivalente a um diploma do ensino médio, mas por volta de 1889 ela percebeu a proximidade da polícia, então ela enganou um padre bem-intencionado para contrabandeá-la para fora da Polônia. Esta delinquente juvenil, para dizer o mínimo, foi para a Suíça, onde ela se matriculou na Universidade de Zurique e estudou Staatswissenschaft {Ciência Política}. As memórias inéditas de Julian Marchlewski, um colega, mostram que Rosa pensava que era melhor do que alguns dos seus professores.

Era pedir muito que ela retornasse ao caminho certo dela, pois enquanto era uma estudante universitária que ela conheceu outro mau elemento: Anatoly Lunacharsky, que se tornou marxista aos quinze anos e não falhou em obter um diploma, e Leo Jogiches, um jovem e amargurado homem que já tinha se envolvido em todos os tipos de atividades conspiratórias e obscuras e, não menos importante, com um histórico de prisões. O vadio Jogiches se tornaria amante de Rosa e colaborador de longa data, apesar do relacionamento tempestuoso deles.

Em 1893, a dupla dinâmica, juntamente com o comunista polonês Julian Marchlewski, que mais tarde iria se juntar aos bolcheviques, formaram um partido político, chamado de Social Democracia do Reino da Polônia (SDKP), apoiado em uma plataforma marxista internacional. O trio também fundou um folheto político antinacionalista, Sprawa Robotnicza.

Em 1897, Rosa Vermelha defendeu sua tese de doutorado, e a Universidade de Zurique concedeu-lhe um grau de Doutora em Direito – profundamente irônico, dado que ela passou toda a sua carreira engajada em atividades ilegais.

Em 1898, Rosa decidiu transferir suas operações para a Alemanha, onde ela iria trabalhar com o Partido Social Democrata Alemão (não é irônico como essas organizações sequestraram a palavra "democracia" para tornarem-se aparentemente aceitáveis?). Nessa época, ela sabia que suas violações persistentes iriam ganhar o interesse das autoridades alemãs, e que, como uma estrangeira, ela provavelmente seria deportada. Sua solução foi entrar em um falso casamento com o filho de um amigo, um Gustav Lubeck, exclusivamente com o fim de obter a cidadania alemã. O esquema funcionou, apesar de os dois conspiradores nunca viverem juntos, permitindo a Rosa tornar-se uma maldição em seu novo país.

Não muito tempo depois, seu discurso, Reforma ou Revolução, foi publicado. Ele serviu a um propósito útil, no entanto, ele manteve socialistas divididos sobre a doutrina.

A partir de 1900, Rosa usou sua caneta para atacar não somente seus companheiros socialistas, mas também o seu país de adoção. Claro, ela foi presa não menos que três vezes em três anos (1904-6), mas a megera foi além do que se esperava, e em 1907 ela até mesmo viajou para Londres para assistir o 5° Congresso do Partido do Partido Democrata da Rússia, onde conheceu Lenin. Nesse mesmo ano, no 2° Congresso Internacional realizado em Stuttgart, ela convenceu todos os partidos europeus de extrema-esquerda para parar a próxima guerra mundial. O objetivo era bom, apesar das motivações nefastas, pois ninguém realmente precisava de uma guerra civil europeia, mas, no final, este sucesso momentâneo entre seus colegas de diálogos revelou-se mais um fracasso, como veremos daqui a pouco.

Durante este período, Rosa ensinou marxismo e economia em um centro de doutrinação do SPD. Dele veio Friedrich Ebert, o primeiro presidente da República de Weimar. Ela encontrou tempo para escrever um livro, chamado A Acumulação de Capital, publicado em 1913, uma densa, difícil, e ingrata dissertação crítica ao capitalismo, malvista no futuro. E ela também foi enviada como representante do SPD de vários congressos socialistas europeus. Apesar de sua agitação para greves contra a guerra, quando esta eclodiu o SPD apoiou-a ao máximo, juntamente com os traidores socialistas franceses, que tinham até então apoiado sua linha. Depois de contemplar brevemente suicídio, ela decidiu ficar por aqui e seguir em frente, tornando-se ainda mais um incômodo.

Rosa começou a organizar manifestações contra a guerra, incitando os jovens a tornar-se objetores de consciência e desobedecer a ordens. Sem surpresa, ela foi presa novamente, mas não por tempo suficiente (apenas um ano). Seu advogado de defesa, Paul Levi, também era seu amante, e se tornaria líder do Partido Comunista da Alemanha depois de sua morte, alguns anos mais tarde. Enquanto preso, ela escreveu outro livro, A Acumulação de Capital: Anti Crítica, que foi publicado em 1915 e desde então foi esquecido. A última impressão aconteceu há mais de 40 anos. (Aliás, os leitores raramente veem seus livros na Amazon - a vida é muito curta, ao que parece.)

Juntamente com Karl Liebknecht, Clara Zetkin e Franz Mehring, ela fundou o Die Internationale, o grupo que viria a ser a Liga Espartaquista dois anos depois. Liebknecht era um advogado, que jogou fora sua carreira defendendo criminosos de esquerda até que ele mesmo se tornou um criminoso, e acabou sendo julgado por alta traição e condenado a quatro anos de prisão. Clara Zetkin foi uma das primeiras feministas do estoque rústico, que tiveram filhos fora do casamento antes de se casar um gigolô – o pintor sem inspiração George Friedrich-Zundel que tinha quase a metade de sua idade. Franz Mehring, embora mais velho, não era de forma alguma mais sábio: ele simpatizava com os bolcheviques e foi um prazer ver a Rússia sob sua mão de ferro. Esta gangue desagradável publicou o ​​folhetim agitador pretensiosamente chamado "Spartacus". Ironicamente, seus esforços contribuíram para a criação de Adolf Hitler. Será que ele não reclamaria sobre as greves contra a guerra, particularmente das greves nas fábricas de munições, organizado pela vontade de Luxemburgo e cia. enquanto jovens alemães morriam nas trincheiras e estavam sob fogo inimigo? Escusado será dizer que as autoridades alemãs fizeram a única coisa a se fazer neste caso, e prenderam Rosa e Liebknecht por dois anos e meio. Era o esperado.


A judia Rosa Luxemburgo (05/03/1871-15/01/1919)
Agitadora, acadêmica, política, marxista, terrorista e comunista.

Enquanto estava na prisão, ela continuou escrevendo artigos tediosos, que eram então contrabandeados para fora por seus cúmplices e publicados ilegalmente. Ela criticou as políticas dos bolcheviques após a Revolução de Outubro (de outra maneira muito bem-vindos, em sua opinião), a que Lênin e Trotsky responderam, em essência, que suas ideias do marxismo estavam ultrapassadas e ela não sabia o que estava falando: as circunstâncias nessa época tinham forçado táticas mais vigorosas.

Em sequência a uma dissidência com o SPD, membros contrários à guerra descontentes criaram uma nova organização, em 1915, o Partido Social Democrata Independente, ou USPD. Foi fundada por Hugo Haase, um advogado e ideólogo de esquerda que mais tarde (sem sucesso) iria defender Liebknecht. A Liga Espartaquista era afiliada a este grupo desde 1917. A associação cresceu e, no final, eles se reconciliaram com o SPD em tempo de se tornar parte do governo temporário – O Conselho de Deputados do Povo – que se seguiu à revolução de novembro de 1918. Esta entidade temporária, liderada por Ebert e Haase, substituiu o governo imperial da Alemanha, com o que mais tarde ficou conhecido como a República de Weimar.

Com o governo revolucionário agora no poder, Rosa foi solta em novembro de 1918. No dia seguinte, Liebknecht, que também havia sido solto, arrogantemente proclamou a Freie Republik Socialistische em Berlim. Os dois reorganizaram a Liga Espartaquista e lançaram um outro folhetim ideológico, o Red Flag. Sua principal preocupação era fazer com que os seus companheiros políticos escapassem de serem desertores: eles exigiram anistias e a abolição da pena capital. Em meados de dezembro, eles foram capazes de anunciar um novo programa político. E pouco mais de duas semanas depois, eles participaram de um congresso compreendendo eles próprios, os socialistas independentes, e os comunistas internacionais da Alemanha (IKD). Essa quadrilha podre formou o Partido Comunista da Alemanha (KPD), que nomeou o traidor Liebknecht como seu líder.

Os sete principais relatórios foram dados por membros da Liga Espartaquista. A contribuição de Rosa foi o delineamento do programa do partido.

Rosa queria que o KPD fizesse parte da Assembleia Nacional de Weimar, mas ainda havia alguma justiça deixada no mundo, pois ela foi derrotada e o KPD, em um acesso de raiva, boicotou as eleições.

Como era de se esperar, o KPD foi uma organização criminosa, comprometido com uma tomada violenta do poder. Outra onda de violência varreu Berlim. E com o recente precedente da revolução bolchevique, o governo de Weimar ficou preocupado com algo semelhante acontecer na Alemanha. Portanto, o ex-aluno de Rosa, Ebert, ordenou que os Freikorps, o grupo paramilitar anticomunista, destruíssem a revolução. O Freikorps era composto por veteranos de guerra ainda equipados com armas militares, que facilmente esmagaram o levante. Rosa e Liebknecht foram capturados, interrogados sob tortura, e executados com um tiro no cérebro. Seus corpos foram tratados como o que eram, obviamente, e considerando o devido desrespeito: Rosa foi jogada em um canal, com pesos amarrados em seus pulsos e tornozelos, e Liebknecht foi enviado como indigente a um necrotério.

Isso serviu como desculpa para mais violência e ataques pelo KPD. Felizmente, eles finalmente se esgotaram depois de um tempo e foi o fim de tudo. A contagem final era de 100 civis mortos.

Depois o governo de Ebert fingiu indignação com o tratamento dado aos dois criminosos condenados. Um soldado e um tenente envolvidos na morte deles foram presos. No entanto, em suas memórias, o capitão Waldemar Pabst, comandante dos Freikorps Garde-Kavallerie-Schützendivision, que conquistou os comunistas ex-presidiários, afirmou que o chanceler Ebert e o então ministro da Defesa, Gustav Noske, ambos líderes do SPD, aprovaram as ações empreendidas. Vemos então que a política socialista era um negócio tão sujo como o dos comunistas.

Os corpos foram posteriormente recuperados e enterrados no Cemitério Central de Friedrichsfelde, em Berlim. Aparentemente sem vergonha alguma, socialistas e comunistas vão desde então em peregrinação a este local todos os anos.

Por mais que pareça que Rosa Vermelha tenha falhado em todos os seus esforços, ela ainda conseguiu causar danos imensos por ajudar e organizar socialistas e comunistas na Alemanha. O KPD serviu de base para a SED, com o qual os soviéticos governaram na ditadura comunista da Alemanha Oriental após a Segunda Guerra Mundial. Torna-se evidente a partir da biografia de Luxemburgo escrita por Elzbieta Ettinger que, no final, tudo se resumia à sua incapacidade de transcender seu sentimento de não nacionalidade. Por isso, e como vimos repetidamente nesta série, muitos pagaram pelas inadequações sociopatas do uma pessoa.

Ignorados e reprimidos pela maioria dos comunistas por um longo tempo, seus escritos têm recebido atenção atualmente por acadêmicos, alguns dos quais agora a consideram um ícone. No final, parece que Rosa teve grande charme – depois que ela morreu.

Tradução por Daniel Falkenberg




Sobre ou autor: Alex Kurtagić (1970 – ) nasceu na Croácia filho de pais eslovenos. Devido a profissão do pai, viajou e viveu em vários países. Tem fluência em inglês e espanhol, e pratica o francês e alemão. Após completar os estudos nos EUA graduou-se na Universidade de Londres (M.A. entre 2004 – 2005) em Estudos Culturais. Também é músico, desenhista, pintor, escritor e editor (Wermod and Wermod Publishing Group). Seus artigos são publicados nas revistas virtuais The Occidental QuarterlyVdareCounter CurrentsTaki Mag, e American Renaissance.


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terça-feira, 9 de outubro de 2018

Esquecendo Che Guevara (14/06/1928 – 09/10/1967) – por Alex Kurtagić

publicado originalmente pelo autor em 2014


Alex Kurtagić
            Ernesto “Che” Guevara finalmente morreu há 47 anos. Guevara foi um revolucionário marxista, assassino de massas e guerrilheiro, cuja aparência estilizada tornou-se sinônimo de rebelião da juventude no Ocidente, ao mesmo tempo o símbolo do triunfo e da derrota da ideologia marxista. Até esta data, esquerdistas ocidentais e mesmo a UNESCO continuam a venerar este homem como uma espécie de santo secular.

            Guevara nasceu na Argentina, o mais velho de cinco filhos. Seus pais, Ernesto Guevara Lynch e Célia de la Serna y Llosa, eram de ascendência irlandesa e basca. Infelizmente, esta família de classe média alta também estava encantada com a política esquerdista (uma maneira burguesa de comprar virtude), e seu pai, um firme defensor dos comunistas durante a Guerra Civil Espanhola até abriu a casa da família aos veteranos do conflito, o então jovem Ernestito, que poderia ter sido um médico respeitável, e escritor de viagens bem-sucedido quando crescido, não teve essa chance.

            Se ao menos ele tivesse sido estúpido e um fraco! Mas não. Guevara era brilhante e corajoso fisicamente. Aprendeu xadrez cedo e começou a participar em torneios a partir dos 12 anos. Ele também era um leitor voraz e erudito, gerenciando a acumular ao longo de sua vida milhares de livros, muito louváveis, mas alguns de outros comunistas e até mesmo alguns de Freud. Ele também se destacou como atleta, apesar dos ataques de asma, praticando uma variedade de esportes e ganhando uma reputação como jogador brutal da rugby union. De fato, sua fúria em campo o levou a ser apelidado de Fuser (o furioso Serna). Além disso, ele também gostava de fotografar – uma habilidade abundantemente utilizada mais tarde.

            Em 1948, Guevara se matriculou na Universidade de Buenos Aires. Ele sonhava em se tornar um médico. No entanto, ele também sonhou em explorar o mundo e embarcou em uma série de viagens por toda a América do Sul. Seu cérebro já envenenado de culpa burguesa pela ideologia marxista, o que poderia ter sido uma experiência enriquecedora, em vez disso, transformou-se em um período de ódio. Na sua primeira viagem, em 1950, ele ligou um motor a sua bicicleta e viajou às áreas rurais do norte da Argentina. Em seguida, ele ficou um ano fora da universidade para passar nove meses em uma viagem de 5000 milhas de moto com seu amigo Alberto Granado, seis anos mais velho. O objetivo inicial era passar algumas semanas como voluntário em uma colônia de leprosos no Peru, nas margens do Rio Amazonas, mas a partir daí eles continuaram a viagem através do Equador, Colômbia, Venezuela e Panamá, terminando em Miami, nos Estados Unidos, antes de retornar para casa. Foi neste último trecho que Guevara se convenceu a deixar a medicina. Na mina de Chuquicamata no norte do Chile, ele ficou irado devido as condições de trabalho dos mineiros. No deserto do Atacama, ele se irritou com o desamparado de um casal comunista. E nos Andes, ele ficou irado com a pobreza dos camponeses agricultores. Tudo isso ele culpou ao capitalismo. Ele veio conceber que a América Hispânica devia se tornar uma terra sem fronteiras, tendo sua libertação através de uma revolução armada. Por outro lado, seu amigo mais velho e mais construtivo, embora de acordo de com seu ponto de vista inflexível, passou a desfrutar de uma carreira de mérito como um médico, cientista e bioquímico, abraçando mais postos de prestígio do que ele pudesse ter feito de bom, equipando a Cuba com um exército de médicos bem treinados e sendo co-fundador da Sociedade Cubana de Genética, da qual ele serviu como seu primeiro presidente. Em suma, ele usou sua inteligência e experiência para melhorar a vida de multidões.

            Mas Guevara não seguiu este bom exemplo. Logo que obteve seu diploma em 1953, partiu para uma terceira viagem, desta vez para Bolívia, Peru, Equador, Panamá, Costa Rica, Nicarágua, Honduras e El Salvador. Em dezembro, ele estava na Costa Rica, atravessando os “domínios” da United Fruit Company. Lá, ele estava irritado mais uma vez pelas práticas desta gigante corporação americana e, adotando um jeito de caçador, jurou sobre o retrato de Stalin que ele não descansaria até que os tentáculos do imperialismo americano fossem esmagados.




            Agora, a United Fruit Company, que tinha operações na região e era especialista em frutas tropicais (bananas em particular), tinha um histórico em xeque. Por um lado, ela construiu ferrovias e fundou inúmeras escolas. Por outro lado, ela tomou as vastas porções de terras não cultivadas e impediu o governo local de construir autoestradas para manter seu monopólio de comércio. A empresa foi frequentemente castigada por intelectuais e ativistas de esquerda.

            Nessa época, Jacobo Árbenz foi presidente da Guatemala, tendo sido eleito com promessas de “reforma agrária”. Sua interpretação da reforma agrária, no entanto, significava expropriar porções de terra não cultivadas de grandes empresas e dá-las aos camponeses sem-terra. O limiar de área mínima não era grande: 2,7 km² ou uma milha ao quadrado. Compensação não devia ser conforme o valor de mercado, mas de acordo com a declaração do imposto de renda de 1952, que foi uma maneira inteligente de garantir o pagamento mínimo, sem argumentos e não sob a forma de pagamento em dinheiro, mas em títulos de 25 anos com 3% de juros, o que significava uma perda líquida. Guevara certamente gostou da ideia e assim foi a Guatemala, para “aperfeiçoar-se” e tornar-se um revolucionário completo.

            Enquanto estava na Cidade da Guatemala, conheceu Hilda Gadea Acosta, uma economista peruana e líder comunista com contatos que achava útil. Ela lhe apresentou a vários funcionários de alto nível do governo Árbenz e de exilados cubanos, ligados à Fidel Castro. Foram eles que o apelidaram de “Che”, em referência ao seu uso frequente do termo (o equivalente argentino para “cara” ou “mano”). Para fazer face às despesas, Guevara procurou um estágio de médico, mas sem sucesso. Ninguém o queria, e ele viveu na penúria. Pouco tempo depois, o governo Árbenz teve a entrega de um carregamento de armas da Tchecoslováquia comunista, que foi observado pela CIA. O governo de Eisenhower tomou uma posição contra ter um cabeça fraca comunista na Guatemala, então Árbenz foi retirado e um liberal pró-americano instalou-se em seu lugar. Depois que Árbenz se escondeu na embaixada mexicana, Guevara foi chamado para a resistência. Isto foi documentado. No entanto, logo que a camarada Gadea foi presa ele se enfurnou na embaixada argentina, onde ele permaneceu até conseguir um salvo-conduto para que ele pudesse fugir para o México. Uma vez lá, casou com a camarada Gadea.

            Esses eventos confirmam a visão de Guevara sobre os Estados Unidos como uma potência imperialista. Nenhuma grande novidade. Ainda, eles adicionaram combustível ao seu ódio, e quando ele deixou a Guatemala, tinha absoluta certeza de que o marxismo armado e violento era o caminho a seguir. De alguma forma, Guevara, campeão dos pobres, optou por não notar que comunismo já tinha empobrecido e semeado a morte de milhões em toda Eurásia, e apesar de ser um rato de biblioteca, posteriormente também decidiu não tomar conhecimento do romance de Alexander Solzhenitsyn, One Day in the Life of Ivan Denisovich, que estava disponível a partir de 1963 em três traduções diferentes e podia ter-lhe ensinado uma coisa ou outra sobre o paraíso dos trabalhadores. Para ele, Lenin e a psicanálise freudiana faziam muito mais sentido.

            Enquanto esteve no México, realizou vários trabalhos. Trabalhou no Hospital Geral, foi docente da Universidade Autônoma do México e foi empregado como um fotógrafo de notícias para a Latina News Agency. Ele estava tão perturbando com a pobreza ao seu redor, que numa paroxística busca de virtude, tão cultural no pensamento da classe média profissional de colarinho branco, foi para a África para ajudar os pobres de lá. Infelizmente, teria sido melhor ele ter as carnes putrefatas de malária nas florestas equatoriais, ou como beneficiário de dardos envenenados dos pigmeus mbuti, Guevara preferiu, em vez disso, renovar sua amizade com os comunistas cubanos exilados. Em 1955 ele conheceu Raúl Castro, que o apresentou ao seu irmão Fidel. Os dois atingiram uma amizade instantânea, e no final da noite Guevara foi inscrito como membro do Movimento 26 de Julho de Castro, determinado a ajudar a derrubar o governo liberal de Batista, apoiado pelos EUA, em Cuba. Guevara se submeteu ao treinamento de guerrilha com tal zelo furioso que, até o final do curso, ele tinha passado todos os guerrilheiros, deixando Alberto Bayo, seu instrutor, estupefato e admirado.

            Inicialmente, Guevara era para ser um médico de campo, mas uma vez que o tiroteio começou, ele abandonou seus suprimentos médicos e pegou uma caixa de munição caída de um camarada em fuga. O guerrilheiro comunista estava nascendo.

            Durante a revolução, Guevara exibiu imensa energia e ousadia. Chegando a beirar imprudência, mas ambos os seus camaradas e, pelo menos em uma ocasião também seus adversários, temeram sua superioridade máscula. Infelizmente, ele parecia ter a capacidade de dobrar o espaço em torno dele, porque as balas teimosamente escapavam de sua anatomia. Guevara também virara professor e passava as horas ociosas lendo clássicos e poesia lírica para seus camaradas. Pérolas para os porcos, obviamente, para qualquer um que dê uma olhada num guerrilheiro marxista latino americano – ou apenas comunistas bandidos em geral, em qualquer lugar. Da mesma forma, organizou escolas para elevar a alfabetização entre os camponeses nas montanhas, apenas para que pudesse mais facilmente doutrina-los com O Capital.

            Uma área em que Guevara verdadeiramente se distinguiu foi em lidar com aqueles que encontravam maneiras mais confortáveis para encher a barriga, ou porque aqueles o que percebiam o mal da ideologia marxista, e foram considerados traidores. Havia pouco que Guevara gostava mais do que de caçá-los e fuzila-los na hora, às vezes se aventurando a deixá-los puxar o gatilho. Só precisamos ler um único relato clinico sobre o primeiro incidente para compreender a vida sem sentido deste homem. Recordando a cena em que um guia do exército camponês, Eutimio Guerra, admitiu sua traição, implorando que sua vida fosse liquidada rapidamente, Guevara escreveu:
            “Eu acabei com o problema dando-lhe um tiro com uma pistola calibre 32 no lado direito do cérebro, com orifício de saída no lobo temporal direito. ”
            Um movimento sociopata exige um líder sociopata, então não é novidade, a metodologia de Guevara provou ser eficaz.

            E isso não foi tudo: Guevara ainda teve tempo de ter uma amante, enquanto sua esposa o esperava no México. Naturalmente, isso acabou em divórcio. Assim encontramos aqui novamente o padrão habitual dos fanáticos da esquerda radical: um amor sem limites para a humanidade abstrata, relacionamentos disfuncionais em casa.

            No fim, não através de proezas militares, mas por covardia de Batista, Guevara chegou à Havana. O Batista corrupto tinha até então já pousado em segurança na República Dominicana, com os bolsos pesados com 300 milhões de dólares, e empanturrados com 2000 vidas da revolução. Seis dias mais tarde, Castro adentrou na cidade.

            Reconhecendo os talentos de Guevara, Castro nomeou-o comandante da fortaleza-prisão La Cabaña. Mas não antes de instituir a pena de morte: era hora para execuções sumárias, ou melhor, o assassinato em massa, porque não houve o devido processo e o escopo nem foi aberto. Guevara, é claro, se destacou em seu novo posto. E para o deleite do seu movimento, a população estava latindo de todo coração por sangue, e aprovava os ex-funcionários da ditadura de Batista em linha defronte os esquadrões de tiro de Guevara. Entre aqueles que foram assassinados estava Rigoberto Hernandez, um ex-zelador de 17 anos de idade, com dificuldades de aprendizagem, que foi baleado devido ser um “agente plantador de bombas da CIA”. Claramente, Guevara se considerava um Robespierre latino-americano. Ao longo do tempo, o número de assassinados, lá e em outros lugares, chegaria bem próximo aos cinco dígitos.

            Guevara foi então enviado para os países do Pacto de Bandung. Enquanto no Japão, o hipócrita assassino ousou escrever: “A fim de combater melhor para a paz, é preciso olhar para Hiroshima”. Quando ele voltou, encontrou Castro com maior poder político, assim, o real motivo de sua missão diplomática na distante Ásia tornou-se aparente.

            Além de seu Reino de Sangue, Guevara também implementou a “reforma agrária”. Ele treinou um exército de 100.000 homens, a fim de alcançar este objetivo a ponto de bala. Grandes posses foram apreendidas com compensação mínimas, rompidas e distribuídas aos agricultores de subsistência. Mais ou menos como Robert Mugabe{guerrilheiro e político do Zimbábue} tinha feito em sua parte do mundo.

            Mas nós temos que dar a Guevara algum crédito, porque durante este período inicial da ditadura militar de Castro, ele juntamente com as milícias de expropriação, brigadas organizadas de alfabetização, conseguiu aumentar a taxa de alfabetização na ilha que era entre 60% a 76% para 96%. Ao mesmo tempo, temos que nos perguntar, para que? Porque ele, o inimigo da classe média, também instituiu políticas de admissão racistas para as universidades, priorizando a cor de pele mais qualificações, e fez o ensino superior universal para que todos os jovens tivessem a ideologia marxista, o igualitarismo radical, e o materialismo dialético pulsante em seu cérebro.

            Embora totalmente sem qualificação ou experiência em serviços bancários ou de negócios, e totalmente ignorante dos princípios econômicos mais elementares, Guevara foi colocado no comando da economia cubana, nomeado por Castro como Ministro das Indústrias, Ministro das Finanças e Presidente do Banco Nacional (Para mostrar o seu desdém para o dinheiro, ele assinava as notas do banco como “Che”). Resultado? Ele rebaixou a economia. Produtividade despencou. Absenteísmo disparou. Investidores ocidentais fugiram. E a ilha tornou-se dependente das fracas economias do bloco comunista.

            Guevara não só destruiu a economia cubana, ele também quase destruiu o planeta. Ele foi o arquiteto da relação soviético-cubana. Isto eventualmente desencadeou a crise dos mísseis cubanos, quando os soviéticos trouxeram para a ilha mísseis balísticos com ogivas nucleares. A crise trouxe o mundo à beira de um confronto termonuclear. No final, a União Soviética retirou os mísseis, e uma linha direta nuclear foi criada entre Washington e Moscou. Guevara, no entanto, ficou enfurecido, e disse em uma entrevista para um jornal comunista britânico sem importância, que se os mísseis estivessem sob o controle de Cuba, Castro teria lançado todos eles. Para ele, pela utopia socialista valeria a pena perder “milhões de vítimas da guerra atômica”. Este é o pietista que apenas três anos antes tinha dito para olhar Hiroshima para a paz.

            Nos anos que se seguiram, Guevara se imaginava um “estadista revolucionário de estatura mundial”. Nas Nações Unidas, vestido com uniforme militar, ele lançou uma rapsódia crítica, entronizando a igualdade e canonizando os fracos. Ele não era Jonathan Bowden {ativista político britânico nacionalista}, mas recebeu uma ovação arrebatadora. Em Nova Iorque, ele conheceu Malcolm X, é claro. E a partir de Paris, ele partiu em uma turnê que incluía as comunistas China, Coréia do Norte, e em partes da África Equatorial. Ele parou na Irlanda, mas talvez de forma reveladora, temia que seus antepassados poderiam ter sido ladrões.

            Demorou até 1965 antes de Guevara finalmente encerrar suas aparições públicas, embora, infelizmente, não por escolha própria. Ele fez um discurso em Argel, na Argélia, onde ele se queixou que a União Soviética não era marxista suficiente. Cuba era dependente do apoio financeiro da União Soviética, de modo que Castro não achou graça nenhuma. Embaraçosamente, a visão de Guevara aproximou-se à de Mao Tsé-Tung. Na verdade, ele foi um apoiador moral e entusiasta do “Grande Salto Adiante” de Mao (1956-1961), uma política fundada na coerção, terror e violência sistemática, o que, segundo o historiador Frank Dikötter, motivou uma das maiores execuções em massa da história humana.

          Apesar dos resultados catastróficos e de 18 a 45 milhões de mortos na China nessa época, Guevara desejava o “Grande Salto Adiante” para a América Latina.

            Mas mesmo um relógio quebrado está certo duas vezes por dia, e a previsão de Guevara que as repúblicas soviéticas voltariam ao capitalismo foi cumprida, de fato mais de que porque o comunismo não funciona do que a União Soviética que não era comunista o suficiente.

            De qualquer forma, parece que Castro pode ter apertado o torniquete, porque depois de Argel, Guevara desapareceu da vista do público. Isso alimentou a especulação ociosa de intelectuais de esquerda e literatos. Eventualmente, Guevara fez a coisa certa e abriu mão de todos os seus cargos no governo, de sua condição de membro do partido, e até mesmo de sua cidadania cubana.

            No entanto, nada de bom resultou disso: a sede de sangue de Guevara permaneceu insaciada, e assim, ele usou sua liberdade reconquistada para ir brincar de Tarzan no Congo. Ele deixou a esposa e os filhos para trás. Por um tempo, ele e um grupo heterogêneo de afro-cubanos colaboraram com os guerrilheiros de Laurent-Desiré Kabila, esperando que a violência iria se espalhar através das fronteiras internacionais, mas ficou desiludido com a falta de disciplina, intransigência, incompetência e liderança corrupta (o que é uma surpresa). Além disso, embora ele esperasse permanecer oculto, os americanos sabiam exatamente onde estava e tudo o que ele estava fazendo, pois eles interceptavam todas as suas informações a partir de uma base flutuante. Depois de sete meses, ele estava completamente desmoralizado, então ele pediu a seus companheiros sobreviventes para navegarem de volta para Cuba, com a intenção de permanecer na floresta e lutar até a morte sozinho. Era a melhor opção que tinha, já que manter-se em um emprego e ser pai de seus cinco filhos era tão desagradável. No entanto, e como ele admitiu, a fraqueza prevaleceu. Ele retornou em novembro de 1965.

            Ele sabia que não poderia voltar a sua antiga vida em Cuba. Castro tinha lido a carta de despedida de Guevara, que havia sido redigida para caso morresse. Portanto, Guevara foi primeiro para a Tanzânia e, em seguida, a Praga, antes de viajar por toda a Europa Ocidental para testar seu passaporte falso. Ele também viajou de volta para Cuba, ainda que brevemente e apenas para abandonar sua família para o bem dela.

            Em 1966, em local ainda desconhecido, Guevara esteve em Moçambique. Ele ofereceu seus serviços para a Frente de Libertação de Moçambique, mas o movimento de Modlane desprezou a oferta, forçando o guerrilheiro sedento por violência a buscar mortes em outros lugares.

            Foi assim que ele terminou na Bolívia, em cujas montanhas, ele organizou uma guerrilha, com o objetivo de derrubar o governo de René Barrientos. No entanto, os agricultores locais lhe deram pouca atenção e informaram as autoridades do governo. Guevara pensava que teria facilidade, no pressuposto de que o exército boliviano era desleixado e mal treinado. Em vez disso, ele encontrou-os disciplinados e bem equipados: sem que ele soubesse, os americanos estavam novamente um passo à sua frente, e vinham treinando e fornecendo as forças armadas bolivianas. Eles ainda tinham um batalhão de rangers {especialistas em luta de selva} treinados em guerra na selva. Enquanto Guevara forçava algumas pequenas escaramuças, ele foi ferido e capturado em pouco tempo. Em um esforço para salvar sua pele, o canalha suplicou-lhes para não o matar, argumentando que ele valia mais vivo do que morto. Mas Barrientos pensou o contrário e rapidamente mandou a ordem. O sargento Mario Terán ansiosamente se ofereceu para puxar o gatilho.

            O que aconteceu depois nos faz pensar o que poderia ser, se Guevara tivesse apenas conhecido o Tradicionalismo e escapado do veneno do dogma marxista, porque no fim é preciso reconhecer que, uma vez encurralado, pelo menos, o patife encontrou seu destino como homem. Terán entrou na cabana onde Guevara estava sendo mantido, e ordenou que os outros soldados saíssem. Guevara se levantou e disse: “Eu sei que você veio me matar. Atire. Faça”. Terán apontou o rifle para ele, mas sua hesitação irritou Guevara, que gritou: “Atire em mim, covarde! Você só está matando um homem”. Terán pulverizou-o com balas, mandando embora da Terra esse infeliz.

            Vale a pena ressaltar o tipo de pessoas que elogiaram Guevara como um herói: Nelson Mandela, Susan Sontag, Frantz Fanon, Jean-Paul Sartre, Ariel Dorfman e Stokely Carmichael. Só isso já diz tudo.

            Desde a década de 60, Guevara tornou-se um sinal odioso de idiotice esquerdista e consciência de moda. A ironia é que muitos daqueles que vestem uma camisa do Che ou tem pendurado no quarto um cartaz do Che sabem quase nada sobre seu ídolo além do fato de que ele era um guerrilheiro marxista – e que talvez seus pais conservadores não gostavam dele. Ainda mais irônico, é a sua glorificação de Guevara na forma de mercadoria de fato, ser feito com os símbolos de sua derrota, pois o comodato desta imagem representa, se alguma coisa, o triunfo do capitalismo americano.



            Assim, Guevara representa uma lição do que acontece quando um homem, que nasceu com boas qualidades, torna-se, por meio de azar e maus pais, um avatar do Senhor das Trevas. O libertador foi, tanto um escravo como um escravizador, pois todo comunismo era uma forma de servidão para algo pior. Por último, a cosmovisão materialista de Guevara também era sintomática de sua escravização por matéria morta, e desse modo deve servir nos exércitos dos mortos.

Tradução por Daniel Falkenberg



Sobre ou autor: Alex Kurtagić (1970 – ) nasceu na Croácia filho de pais eslovenos. Devido a profissão do pai, viajou e viveu em vários países. Tem fluência em inglês e espanhol, e pratica o francês e alemão. Após completar os estudos nos EUA graduou-se na Universidade de Londres (M.A. entre 2004 – 2005) em Estudos Culturais. Também é músico, desenhista, pintor, escritor e editor (Wermod and Wermod Publishing Group). Seus artigos são publicados nas revistas virtuais The Occidental QuarterlyVdareCounter CurrentsTaki Mag, e American Renaissance.


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