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segunda-feira, 23 de março de 2026

As Forças de Defesa de Israel ameaçam com a ‘eliminação’ líderes russos que ‘desejam mal a Israel’ - por Wyatt Reed (editorial Grayzone)

 

Wyatt Reed
 

A ameaça velada de Israel a Moscou surgiu logo após a mídia russa alertar que as câmeras de trânsito em Moscou eram vulneráveis ​​às mesmas técnicas que Israel supostamente usou para monitorar a residência do aiatolá Khamenei antes de assassiná-lo.

A porta-voz militar israelense, Anna Ukolova, provocou indignação em Moscou depois de ameaçar que autoridades russas que “desejam mal a Israel” poderiam estar sujeitas a “eliminação”, enquanto sugeria ainda que Israel poderia invadir câmeras de circuito fechado de televisão russas para identificar e rastrear alvos.

Questionada por um jornalista da emissora de rádio russa RBC sobre se Israel tinha acesso às câmeras de trânsito russas, Ukolova declinou-se a responder[1] diretamente, mas advertiu que “a eliminação de Khamenei demonstra que nossas capacidades são sérias” e que “ninguém que nos deseje mal ficará deixado de lado”.

Ela adicionou, ominosamente: “Eu espero que Moscou não deseje mal a Israel neste momento – eu gostaria de acreditar nisso”.

Em resposta a uma postagem[2] do filósofo russo Alexander Dugin, que escreveu que a porta-voz das Forças de Defesa de Israel ameaçou que “autoridades russas [serão] mortas se assumirem uma posição anti-Israel”, Ukolova afirmou[3] que Dugin estava espalhando “notícias falsas”. Mas recusou-se a esclarecer como suas declarações foram interpretadas incorretamente. 

A porta-voz das Forças de Defesa de Israel (IDF), Anna Ukolova, ameaçou, em entrevista à rádio russa RBC, que autoridades russas seriam mortas caso adotassem uma posição anti-Israel na guerra. Ela afirmou que Israel controla todas as câmeras de segurança na Rússia e poderia facilmente atingir quem quisesse, inclusive Putin.

 

{Postagem de Alexander Dugin no X: "A porta-voz das Forças de Defesa de Israel (IDF), Anna Ukolova, ameaçou, em entrevista à rádio russa RBC, que autoridades russas seriam mortas caso adotassem uma posição anti-Israel na guerra. Ela afirmou que Israel controla todas as câmeras de segurança na Rússia e poderia facilmente atingir quem quisesse, inclusive Putin."}

As declarações de Ukolova vieram poucos dias depois da revelação de que um grande número de câmeras de segurança russas possivelmente utilizava o BriefCam – um software israelense de análise de vídeo que corresponde à descrição de um programa que o regime de Netanyahu teria usado[4] para rastrear os movimentos de iranianos nos arredores da residência do Líder Supremo do Irã antes de assassiná-lo durante o ataque surpresa de 28 de fevereiro.

Em 12 de março, o veículo de comunicação russo Mash[5] revelou que o software israelense BriefCam “tem sido usado na Rússia por provedores privados desde a década de 2010”. Fundado na Universidade Hebraica de Jerusalém, em Israel, em 2007, o BriefCam usa inteligência artificial para permitir que os usuários “revisem horas de vídeo em minutos” e “tornem seus vídeos pesquisáveis, acionáveis ​​e quantificáveis”. Em 2024, o BriefCam foi absorvido por uma subsidiária holandesa do Grupo Canon, chamada Milestone Systems, que se compromete publicamente[6] a “ampliar o que organizações de qualquer porte podem ver, fazer e alcançar com vídeo”.

“Nossa tecnologia patenteada VIDEO SYNOPSIS® condensa horas de vigilância em um breve resumo, sobrepondo múltiplos eventos — cada um marcado com seu carimbo de data/hora original — em um único quadro, permitindo filtrá-los por tipo de objeto e atributos”, anuncia a página da BriefCam.[7] Uma análise[8] da Al Jazeera revelou que esses atributos incluem “gênero, faixa etária, vestimenta, padrões de movimento e tempo gasto em dado local”.

Originalmente implantado[9] pelo Ministério da Habitação e Construção de Israel para proteger assentamentos ilegais em Jerusalém Oriental ocupada, o BriefCam tem sido usado por governos em todo o mundo, incluindo[10] os do Reino Unido, Nova Zelândia, Paquistão, Israel, México, Emirados Árabes Unidos, Canadá, Indonésia, Singapura, Tailândia, Brasil, Alemanha, África do Sul, Holanda, Austrália, Japão, Índia, Espanha e Taiwan. Também foi implantado nos EUA, com a polícia de Hartford, Connecticut, adotando[11] o software em 2022. Em 2025, um tribunal francês considerou ilegal o uso do BriefCam pelo governo, citando múltiplas violações[12] das leis de privacidade francesas e europeias.

Até o momento desta publicação, o BriefCam parece estar incorporado em dezenas de sistemas de monitoramento por vídeo, incluindo o próprio sistema de vigilância VMS XProtect da Milestone.

Um vídeo promocional mostra os inúmeros sistemas de vigilância nos quais a BriefCam opera.

Segundo o portal russo Mash, diversas empresas, instituições e edifícios importantes de Moscou utilizam o sistema de vigilância VMS XProtect, incluindo o Instituto de Biofísica Teórica e Experimental da Academia Russa de Ciências, um arranha-céu de 72 andares chamado "Eurásia" e um enorme centro de exposições conhecido como Centro Zotov. Embora a Milestone tenha encerrado oficialmente suas operações na Rússia em 2022, em meio à guerra na Ucrânia, o Mash relata que alguns distribuidores de software na Rússia “ainda oferecem a instalação do software hackeado e ocultam isso na documentação.”

Tradução e palavras entre chaves por Mykel Alexander

 Notas


[4] Fonte utilizada por Wyatt Reed:

https://archive.is/yobMx

[5] Fonte utilizada por Wyatt Reed:

https://t.me/mash/72597

[8] Fonte utilizada por Wyatt Reed: Blood tech: UK’s use of Israeli spyware that helps underpin a genocide

Despite its public objections to Israel’s actions, the UK is buying spyware developed and tested on Palestinians, por Simon Speakman Cordall, 26 de fevereiro de 2026, Aljazeera.

https://www.aljazeera.com/news/2026/2/26/blood-tech-the-uk-and-the-israeli-spyware-that-helps-underpin-genocide

IDF Threatens 'Elimination' for Russian Leaders Who 'Wish Israel Ill', por Wyatt Reed,19 de março de 2026, The Unz Review – An Alternative Media Selection.

https://www.unz.com/article/idf-threatens-elimination-for-russian-leaders-who-wish-israel-ill/

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segunda-feira, 22 de agosto de 2022

Darya Dugina vai voar como uma águia num céu de outro mundo - por Pepe Escobar

 

Pepe Escobar


            Darya Dugina, 30 anos, filha de Alexander Dugin, uma jovem inteligente, forte, efervescente e empreendedora, que conheci em Moscovo e que tive a honra de acarinhar como amiga, foi brutalmente assassinada.

Como jovem jornalista e analista, podia-se ver que ela esculpiria para si própria um caminho brilhante em direcção a um amplo reconhecimento e respeito (aqui está ela sobre o feminismo).

Há não muito tempo o FSB esteve directamente empenhado em desmantelar tentativas de assassinato organizados pelo SBU contra jornalistas russos, como no caso de Olga Skabaeyeva e Vladimir Soloviev. É espantoso que Dugin e a sua família não estivessem protegidos pelo aparelho de inteligência/segurança russo.

Os factos-chave da tragédia já foram estabelecidos. Um SUV Land Cruiser Prado, propriedade de Dugin e com Darya ao volante, explodiu numa auto-estrada perto da aldeia de Bolchie Vyazemy, a pouco mais de 20 km de Moscovo.

Ambos vinham de um festival familiar, onde Dugin tinha dado uma palestra. No último minuto, Darya levou o SUV e Dugin seguiu-a num outro carro. De acordo com testemunhas oculares, houve uma explosão debaixo do SUV, que foi imediatamente engolido pelas chamas e atingiu um edifício à beira da estrada. O corpo de Darya ficou carbonizado para além do reconhecimento.

O Comité de Investigação russo rapidamente estabeleceu que o artefacto – aproximadamente 400gr de TNT, não encapsulado – foi plantado debaixo do fundo do SUV, do lado do condutor.

Os inspectores consideram que se tratou de um atentado premeditado com carro armadilhado.

O que ainda não se sabe é se o dispositivo estava ligado a um temporizador ou se algum capanga nas proximidades pressionou o botão.

O que já se sabe é que Alexander Dugin era um alvo na lista da Myrotvorets. A Myrotvorets é um Centro de Investigação de Sinais de Crimes contra a Segurança Nacional da Ucrânia. Trabalha lado a lado com a NATO {OTAN} recolhendo informações sobre “terroristas pró-russos e separatistas”.

Denis Pushilin, o chefe do RPD {República Popular de Donetsk}, não levou tempo a acusar “os terroristas do regime ucraniano” pelo assassinato de Darya. A inestimável Maria Zakharova foi mais, ora bem, diplomática: ela disse que se a liderança ucraniana for confirmada, isso irá configurar uma política de terrorismo de Estado destacada por Kiev.

 

Uma guerra existencial

Em vários ensaios – sendo este, discutivelmente, o mais essencial – Dugin tinha deixado bem clara a enormidade do que estava em jogo. Esta é uma guerra de ideias. E uma guerra existencial: A Rússia contra o Ocidente colectivo, liderado pelos Estados Unidos.

O SBU, a NATO {OTAN}, ou muito provavelmente a combinação – considerando que o SBU é ordenado pela CIA e pelo MI6 {Serviço Secreto da Grã-Bretanha} – não optou por atacar Putin, Lavrov, Patrushev ou Shoigu. Visaram um filósofo e acabaram por assassinar a sua filha – o que o tornou ainda mais doloroso. Atacaram um intelectual que formulava ideias. Provando mais uma vez que a Cultura Ocidental do Cancelamento se metastatiza no Cancelamento da Pessoa.

Darya Dugina e Alexander Dugin


É óptimo e elegante que o Ministério da Defesa russo esteja prestes a iniciar a produção do hipersónico Sr. Zircon, uma vez que continua a produzir muito Srs. Khinzals. Ou que três interceptores supersónicos Mig-31 foram enviados para Kaliningrado equipados com Khinzals {míssieis balísticos hipersônicos lançados pelo ar com capacidade nuclear} e colocados em serviço de combate 24 horas por dia, 7 dias por semana.

O problema é que as regras mudaram – e a combinação SBU/NATO {OTAN}, enfrentando um indescritível desastre no Donbass, está a aumentar a sabotagem, o contra-intel e o contra-diversionário.

Começaram por bombardear território russo; espalharam-se pelo Donbass – como na tentativa de matar o presidente da câmara de Mariupol, Konstantin Ivachtchenko; até lançaram drones contra a sede da frota do Mar Negro em Sebastopol; e agora – com a tragédia de Darya Dugina – estão às portas de Moscovo.

A questão não é que tudo isto seja irrelevante em termos de alteração dos factos no terreno imposta pela Operação Militar Especial. A questão é que uma próxima série de psyops sangrentas {estratégias psicológicas de formação de opinião das pessoas} concebidas para puro efeito de relações públicas pode tornar-se extremamente dolorosa para a opinião pública russa – o que exigirá um castigo devastador.

É evidente que Moscovo e São Petersburgo são agora os alvos principais. O ISIS ucraniano é um passo em frente. É claro que os seus manipuladores têm uma vasta experiência sobre o assunto, em todo o Norte/Sul Global. Todas as linhas vermelhas desapareceram.

 

A chegada do ISIS ucraniano

O comediante cabeça de coca tem devidamente antecipado qualquer reacção russa, de acordo com o guião da NATO {OTAN} que ele alimenta diariamente: A Rússia pode tentar fazer algo “particularmente nojento” na próxima semana.

Isso é irrelevante. A verdadeira – ardente – questão é saber até que ponto o Kremlin e a informação russa reagirão quando a SBU/NATO {OTAN} estiver totalmente estabelecida, concebendo a trama Dugin. Isso é terrorismo de Kiev às portas de Moscovo. Isso grita “linha vermelha” em vermelho sangrento, e uma resposta ligada à promessa reiterada, pelo próprio Putin, de atingir “centros de decisão”.

Será uma decisão fatídica. Moscovo não está em guerra com as marionetas de Kiev, essencialmente – mas sim com a NATO {OTAN}. E vice-versa. Todas as apostas estão lançadas sobre a forma como a tragédia de Darya Dugina poderá eventualmente acelerar o calendário russo, em termos de uma revisão radical da sua estratégia até agora a longo prazo.

Moscovo pode decapitar a pandilha de Kiev com alguns cartões de visita hipersónicos. Contudo, isso é demasiado fácil; depois, com quem negociar o futuro da Ucrânia de Kiev?

Em contraste, não fazer essencialmente nada significa aceitar uma invasão terrorista iminente e de facto na Federação Russa: a tragédia de Darya Dugina com esteróides.

No seu penúltimo post no Telegram, Dugin voltou a enquadrar as apostas. Estes são os principais pontos de partida.

Ele apela a transformações “estruturais, ideológicas, pessoais, institucionais, estratégicas” por parte da liderança russa.

Baseando-se nas provas – desde o aumento dos ataques à Crimeia até às tentativas de provocar uma catástrofe nuclear em Zaporijia – conclui correctamente que a esfera da NATO {OTAN} “decidiu ficar do outro lado até ao fim”. Podem ser compreendidas: A Rússia na realidade (e isto não é propaganda) desafiou o Ocidente como uma civilização.

A conclusão é crua: “Portanto, temos de ir até ao fim”. Isso está relacionado com o que o próprio Putin afirmou: “Ainda não começámos realmente nada”. Dugin: “Agora temos de começar”.

Dugin propõe que o actual status quo em torno da Operação Z não pode durar mais de seis meses. Não há dúvida de que “as placas tectónicas mudaram”. Darya Dugina estará a voar como uma águia num céu de outro mundo. A questão é se a sua tragédia se tornará o catalisador para impulsionar a ambiguidade estratégica de Putin a um nível totalmente novo.

Palavras entre chaves por Mykel Alexander


Fonte: Voa como uma águia, Darya Dugina, por Pepe Escobar, 21 de agosto de 2022, Geopol.

https://geopol.pt/2022/08/21/voa-como-uma-aguia-darya-dugina/

Sobre o autor: Pepe Escobar (1954-), brasileiro, é jornalista e analista geopolítico. No Brasil, trabalhou para os jornais Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo e Gazeta Mercantil, além de ter publicado artigos na revista Carta Capital. Escreve e comenta para Asia Times, RT (Russia Today), Brasil 247, The Real News (TRNN), e Al Jazeera. Também contribui para os sites Sputnik, TomDispatch, Strategic Culture Foundation, Counterpunch, Unz Review, e outros sites e revistas da América à Ásia Oriental. Entre seus livros estão: Speedball (1987); 21 O século da Ásia (1997); Globalistan: How the Globalized World is Dissolving Into Liquid War (2007); Red Zone Blues: a snapshot of Baghdad during the surge (2007); Obama Does Globalistan (2009); Empire of Chaos (2014); 2030 (2015).

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