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sexta-feira, 29 de dezembro de 2023

Israel como Um Homem: Uma Teoria do Poder Judaico - parte 2 - por Laurent Guyénot

 Continuação de Israel como Um Homem: Uma Teoria do Poder Judaico - parte 1 - por Laurent Guyénot 

Laurent Guyénot


Rede conspiratória

Não nos deixemos levar pelas nossas metáforas orgânicas. O sucesso das elites judaicas na promoção dos seus objetivos nacionais não deve ser explicado meramente por algum instinto nacional espontâneo ou alma de grupo que inconscientemente os une profundamente, a despeito das suas divisões superficiais. É verdadeiro que a força do sionismo moderno reside numa ligação orgânica e não hierárquica entre os judeus, como sublinha Gilad Atzmon: “Enquanto o organismo funciona como um todo, o órgão particular cumpre uma função elementar sem estar consciente do seu papel específico dentro do sistema inteiro.”[18] No entanto, como também sublinha Atzmon, esta unidade orgânica é criada, cultivada e utilizada pelas elites cognitivas que estão muito conscientes do poder que dela podem extrair.#6

Em outras palavras, Israel não se trata apenas de sangue, trata-se também de aliança. Os judeus religiosos acreditam que o judaísmo remonta a uma aliança mosaica entre Deus e as únicas pessoas com quem Ele realmente se importa. Mas a maior parte da elite intelectual, cultural, financeira, política ou criminosa judaica – membros dos B'nai B'rith (“Filhos da Aliança”) ou da Aliança Israelita Universal, por exemplo – assume que se trata de uma aliança de judeus entre eles mesmos.

Na prática, a misteriosa capacidade dos movimentos judaicos de conduzir a história baseia-se numa prática de rede de trabalho aperfeiçoada ao longo de 2.500 anos. A ligação em rede de trabalho étnica significa que, sem o conhecimento do público gentio, as elites judaicas coordenam os seus esforços numa questão específica, de modo a aplicar uma pressão irresistível até que o efeito desejado é obtido. Ele é realizado em todas as áreas e para os mais diversos fins, inclusive na esfera acadêmica, para criar consenso artificial. Brenton Sanderson*1 e Andrew Joyce,[19] ambos escrevendo no Occidental Observer de Kevin MacDonald, demonstraram brilhantemente como esforços concertados por parte de estudiosos judeus ao longo de algumas décadas podem transformar qualquer figura menor, como Gustav Mahler ou Baruch Spinoza, em personificações do “gênio judeu”:

“Em primeiro lugar, inflar a importância da realização intelectual ou artística de uma figura judaica até ao ponto em que esta seja considerada de magnitude de ‘mudança mundial’. Em segundo lugar, acentuar as origens judaicas e as afiliações da figura, para que a sua conquista de ‘mudança mundial’ seja considerada a expressão natural das suas origens e identidade judaicas.”[20]

O processo ilustra perfeitamente a ligação entre o aspecto da “alma nacional” do judaísmo e a sua aplicação prática em redes: para judeus comprometidos, a realização de cada judeu é uma realização judaica e uma manifestação particular da alma judaica.

Nas esferas obscuras do poder político profundo, a elite judaica#7 unem-se em círculos conspiratórios para conduzir a história na direção desejada. Uma delas foi a Ordem dos Parushim, descrita por Sarah Schmidt*2, professora de história judaica na Universidade Hebraica de Jerusalém, como “uma força secreta de guerrilha subterrânea determinada a influenciar o curso dos acontecimentos de uma forma silenciosa e anónima”. Na cerimônia de iniciação, cada novo membro recebeu como instruções:

“Até que nosso propósito seja cumprido, você será membro de uma irmandade cujo vínculo você considerará maior do que qualquer outro em sua vida – mais querido do que o da família, da escola, da nação. Ao entrar nesta irmandade, você se torna um soldado dedicado no exército de Sião.”

O iniciado respondeu jurando:

“Antes deste conselho, em nome de tudo o que considero querido e sagrado, prometo a mim mesmo, minha vida, minha fortuna e minha honra, a restauração da nação judaica. […] Comprometo-me totalmente a guardar, obedecer e manter em segredo as leis e o labor do séquito, a sua existência e os seus objetivos. Amém.”[21]

Louis Brandeis (1856-1941), nomeado na Suprema Corte por Woodrow Wilson, e seu protegido e sucessor Felix Frankfurter (1882-1965), eram membros deste círculo secreto.   “Trabalhando juntos durante um período de 25 anos, eles colocaram uma rede de discípulos em posições de influência e trabalharam diligentemente para a implementação dos programas desejados”, escreve Bruce Allen Murphy em The Brandeis/Frankfurter Connection.[22] O mentor de Brandeis, Samuel Untermeyer (1858-1940), que, segundo dizem, chantageou Wilson para nomear Brandeis, e que exerceu uma influência sem paralelo na Casa Branca até à sua morte, foi muito provavelmente um membro fundador dos Parushim.

{Samuel Untermyer (1858-1940) advogado e um dos  articuladores judeus da política interna e principalmente  externa dos EUA, e proeminente agitador contra a Alemanha}.

O grupo de discípulos íntimos de Leo Strauss, destinatários do ensinamento “esotérico” do mestre, forma outro desses círculos conspiratórios. Nada é mais revelador da sua filosofia do que a compreensão de Strauss sobre Maquiavel. Em seus Pensamentos sobre Maquiavel. Strauss define Maquiavel como o patriota do mais alto grau porque entendeu que apenas as nações podem ser imortais e que os melhores líderes são aqueles que não têm medo de condenar a sua alma individual, desde que eles não têm uma. O verdadeiro patriota não impõe limites morais ao que pode fazer pelo seu país.[23] Num artigo na Jewish World Review de 7 de junho de 1999, o discípulo de Strauss, Michael Ledeen, membro fundador do Jewish Institute for National Security Affairs {Instituto Judaico para Assuntos de Segurança Nacional} (JINSA), assume que Maquiavel deve ter sido um “judeu secreto”*3, já que “se você ouve sua filosofia política, você ouvirá música judaica.”[24]

Os Straussianos formaram o núcleo original dos neoconservadores. Em duas gerações, esta rede de menos de cem pessoas penetrou nos centros nervosos do Estado americano com o objetivo de aproveitar as alavancas das suas políticas externa e militar. A sustentabilidade transgeracional dos neoconservadores ilustra o contexto orgânico da rede judaica: Irving Kristol foi sucedido por seu filho William, Donald Kagan por seu filho Robert, Richard Pipes por seu filho Daniel e Norman Podhoretz por seu filho John e seu genro Elliott Abrams.

Tais redes de judeus inteligentes, tribais, maquiavélicos e conspiratórios são a chave para a extraordinária unidade do judaísmo mundial. Podemos comparar a estrutura da comunidade judaica com esferas orbitais concêntricas num campo gravitacional, com a ideologia e as profecias de Jeová no cerne: nas esferas internas está a minoria de elite para quem o judaísmo e Israel são preocupações permanentes; nas esferas exteriores estão os judeus “moles”, que só são mantidos em órbita pela baixa gravidade e prováveis de romperem e saírem fora. Como judeus plenamente assimilados, eles desempenham um papel importante nas relações públicas, e a maioria deles ainda pode ser mobilizada quando necessário sob a bandeira da luta contra o antissemitismo.[25]

Portanto, o judaísmo é também um sistema de controle mental das massas judaicas pelas elites judaicas.#8 Enquanto nas sociedades europeias os extremos tendem a ser marginalizados, Kevin MacDonald salienta que na comunidade judaica o oposto é verdadeiro:

“Em todos os momentos de virada, foram os elementos mais etnocêntricos – poderíamos chamá-los de radicais – que têm determinado a direção da comunidade judaica e eventualmente ganharam o dia. […] O movimento radical começa entre os segmentos mais comprometidos da comunidade judaica, depois se espalha e eventualmente se torna dominante dentro da comunidade judaica. […] Os judeus que não concordam com o que é agora uma posição dominante são expulsos da comunidade, rotulados como “judeus que se odeiam” ou pior, e relegados à impotência.”[26]

Isto tem acontecido desde o exílio babilónico, quando a obsessão de Ezequiel com a pureza do sangue e do culto prevaleceu sobre a tentativa de reforma de Jeremias, do sacerdotalismo para uma religião mais interna, moral e universal. Conforme escreveu o estudioso bíblico Karl Budde: “a tendência para o completo isolamento de Israel dos pagãos e para evitar toda poluição passou das visões de Ezequiel para os livros de leis práticas”, fazendo Ezequiel o verdadeiro “pai do Judaísmo”.[27] A mesma obsessão é o tema central do Livro de Esdras. Ao saber que os judaico-babilônicos já retornados à Palestina recorreram a casamentos mistos e que “a raça santa foi contaminada pelo povo do país”, Esdras os fez jurar que “mandariam embora todas as esposas estrangeiras e seus filhos”. (Esdras 9:2; 10:3). Três séculos mais tarde, no mesmo espírito, os Macabeus lideraram uma sangrenta guerra civil contra os judeus assimilacionistas para estabelecer a sua dinastia hasmoniana. O Livro dos Jubileus, deste período, proclama:

“E se houver alguém em Israel que quiser dar sua filha ou sua irmã a algum homem da semente dos gentios, certamente morrerá, e eles o apedrejarão; porque ele causou vergonha em Israel; e queimarão a mulher no fogo, porque desonrou o nome da casa de seu pai, e será desarraigada de Israel” (30:7).

Assim, a coesão da comunidade judaica é sempre mantida pelos judeus mais empenhados entre as elites, através de um terror paranoico de extermínio combinado com um complexo de superioridade. Podem nem todos eles concordarem sobre “o que é bom para os Judeus” num determinado momento, mas estão todos absolutamente comprometidos com o grandioso destino de Israel. E em momentos críticos da história, eles são capazes de forçar os judeus do mundo a agir “como um homem” (Juízes 20:1). Um bom exemplo é a campanha lançada contra a Alemanha em março de 1933, depois de Hitler se ter tornado Chanceler do Reich, através de um artigo de primeira página*4 no Daily Express britânico intitulado “Judea Declars War on Germany.#9 Judeus de todo o mundo, uni-vos” e proclamando: “O povo israelita em todo o mundo declara guerra económica e financeira contra a Alemanha. Catorze milhões de judeus dispersos por todo o mundo uniram-se como um homem para declarar guerra aos perseguidores alemães dos seus correligionários.” Samuel Untermeyer, que liderou o ataque, chamou de “traidores da sua raça”*5 todos os judeus que se recusaram a aderir ao boicote alemão.[28]

Estes levitas eternos que controlam o resto dos judeus são os que têm uma mentalidade mais bíblica: como David Ben-Gurion em 1936, eles dizem: “A Bíblia é o nosso mandato”.*6 Eles também são os mais endogâmicos. Ainda hoje, dentro da comunidade judaica, a endogamia é ainda mais intensa à medida que se sobe na hierarquia social. Dos 58 casamentos contraídos pelos descendentes de Mayer Rothschild, metade foi entre primos. No espaço de pouco mais de cem anos, eles se casaram 16 vezes entre primos de primeiro grau, enquanto que admitiram na linhagem alguns aristocratas goy {não judeus} extraídos a dedo.[29] O padrão, mais uma vez, é bíblico: a endogamia é tão altamente valorizada na Bíblia que ela supera a proibição do incesto tal como é entendida pela maioria das culturas. Abraão se casa com sua meia-irmã Sara.#10 Seu filho Isaque se casa com Rebeca, filha de seu primo Betuel (cuja mãe, Milca, havia se casado com seu tio Naor). E o filho de Isaque, Jacó, casou-se com as duas filhas de seu tio materno, Labão.   Sem falar de Judá, fundador dos judaítas (mais tarde judeus), que concebe com sua nora Tamar.

Tradução e palavras entre chaves por Mykel Alexander

Continua em Israel como Um Homem: Uma Teoria do Poder Judaico - parte 3 - por Laurent Guyénot

Notas

[18] Nota de Laurent Guyénot: Gilad Atzmon, The Wandering Who? A Study of Jewish Identity Politics, Zero Books, 2011, página 21. 

#6 Nota de Mykel Alexander: Sobre a questão da atuação das lideranças judaicas sobre a sociedade judaica através da história, ver como introdução:

- Controvérsia de Sião, por Knud Bjeld Eriksen, 02 de novembro de 2018, World Traditional Front.

https://worldtraditionalfront.blogspot.com/2018/11/controversia-de-siao-por-knud-bjeld.html  

- Judeus: Uma comunidade religiosa, um povo ou uma raça?, por Mark Weber, 02 de junho de 2019, World Traditional Front.

https://worldtraditionalfront.blogspot.com/2019/06/judeus-uma-comunidade-religiosa-um-povo.html 

- O peso da tradição: por que o judaísmo não é como outras religiões, por Mark Weber, 05 de novembro de 2023, World Traditional Front.

https://worldtraditionalfront.blogspot.com/2023/11/o-peso-da-tradicao-por-que-o-judaismo.html    

[19] Nota de Laurent Guyénot: Andrew Joyce, “Pariah to Messiah: The Engineered Apotheosis of Baruch Spinoza,” partes 1 a 3, The Occidental Observer, 05 de maio de 2019.

https://www.theoccidentalobserver.net/2019/05/05/pariah-to-messiah-the-engineered-apotheosis-of-baruch-spinoza-part-1-of-3/  

[20] Nota de Laurent Guyénot: Brendon Sanderson, “Why Mahler? Norman Lebrecht and the Construction of Jewish Genius,” The Occidental Oberver, 13 de abril de 2011.  

#7 Nota de Mykel Alexander:  Sobre a questão da atuação das lideranças judaicas sobre a sociedade judaica através da história, ver como introdução:

- Controvérsia de Sião, por Knud Bjeld Eriksen, 02 de novembro de 2018, World Traditional Front.

https://worldtraditionalfront.blogspot.com/2018/11/controversia-de-siao-por-knud-bjeld.html  

- Judeus: Uma comunidade religiosa, um povo ou uma raça?, por Mark Weber, 02 de junho de 2019, World Traditional Front.

https://worldtraditionalfront.blogspot.com/2019/06/judeus-uma-comunidade-religiosa-um-povo.html 

- O peso da tradição: por que o judaísmo não é como outras religiões, por Mark Weber, 05 de novembro de 2023, World Traditional Front.

https://worldtraditionalfront.blogspot.com/2023/11/o-peso-da-tradicao-por-que-o-judaismo.html    

*2 Fonte utilizada por Laurent Guyénot:

https://ifamericaknew.org/history/parushim.html  

[21] Nota de Laurent Guyénot: Sarah Schmidt, “The ‘Parushim’: A Secret Episode in American Zionist History,” American Jewish Historical Quarterly 65, nº 2, dezembro de 1975, páginas 121–139, em https://ifamericansknew.org/history/parushim.html  

[22] Nota de Laurent Guyénot: Bruce Allen Murphy, The Brandeis/Frankfurter Connection: The Secret Political Activities of Two Supreme Court Justices, Oxford University Press, 1982, página 10.  

[23] Nota de Laurent Guyénot: Leo Strauss, Thoughts on Machiavelli, University of Chicago Press, 1978, página 42.  

*3 Fonte utilizada por Laurent Guyénot:

https://www.jewishworldreview.com/0699/machiavelli1.asp  

[24] Nota de Laurent Guyénot: Michael Ledeen, “What Machiavelli (A Secret Jew?) Learned from Moses,” Jewish World Review, 7 de junho de 1999, em:

 www.jewishworldreview.com/0699/machiavelli1.asp  

[25] Nota de Laurent Guyénot: Daniel Elazar, Community and Polity: Organizational Dynamics of American Jewry, 1976, citado em Kevin MacDonald, Separation and Its Discontents: Toward an Evolutionary Theory of Anti-Semitism, Praeger, 1998, kindle 2013, k. 6668–91.  

#8 Nota de Mykel Alexander:  Sobre a questão da atuação das lideranças judaicas sobre a sociedade judaica através da história, ver como introdução:

- Controvérsia de Sião, por Knud Bjeld Eriksen, 02 de novembro de 2018, World Traditional Front.

https://worldtraditionalfront.blogspot.com/2018/11/controversia-de-siao-por-knud-bjeld.html  

- Judeus: Uma comunidade religiosa, um povo ou uma raça?, por Mark Weber, 02 de junho de 2019, World Traditional Front.

https://worldtraditionalfront.blogspot.com/2019/06/judeus-uma-comunidade-religiosa-um-povo.html 

- O peso da tradição: por que o judaísmo não é como outras religiões, por Mark Weber, 05 de novembro de 2023, World Traditional Front.

https://worldtraditionalfront.blogspot.com/2023/11/o-peso-da-tradicao-por-que-o-judaismo.html   

[26] Nota de Laurent Guyénot: Kevin MacDonald, Cultural Insurrections: Essays on Western Civilizations, Jewish Influence, and Anti-Semitism, The Occidental Press, 2007, páginas 90-91.  

[27] Nota de Laurent Guyénot: Karl Budde, Religion of Israel to the Exile, Putnam’s Sons, 1899 (archive.org), páginas 206-207.  

#9 Nota de Mykel Alexander:  Ver especialmente:

- A declaração judaica de guerra contra a Alemanha nazista - O boicote econômico de 1933, por Matthew Raphael Johnson, 111 de julho de 2023, World Traditional Front.

https://worldtraditionalfront.blogspot.com/2023/06/a-declaracao-judaica-de-guerra-contra.html  

*5 Fonte utilizada por Laurent Guyénot:

http://www.sweetliberty.org/issues/israel/untermeyer.htm  

[28] Nota de Laurent Guyénot: Detalhe em meu livro, From Yahweh to Zion, 2018, pp. 260-261.  

*6 Fonte utilizada por Laurent Guyénot: Ben-Gurion Recognized Biblical Claim to Israel, 08 de janeiro de 1997, The New York Times.

https://www.nytimes.com/1997/01/08/opinion/l-ben-gurion-recognized-biblical-claim-to-israel-078662.html  

[29] Nota de Laurent Guyénot: Nota de Laurent Guyénot: Kevin MacDonald, A People That Shall Dwell Alone, op. cit., k. 5044–53. Kevin MacDonald, Separation and Its Discontents: Toward an Evolutionary Theory of Anti-Semitism, Praeger, 1998, kindle 2013 k. 3975–4004.  

#10 Nota de Mykel Alexander:  É preciso registrar que nas tradições ocorrem relações entre deuses, expostas muitas vezes por representações antropomóficas, em que pais e mães e filhos e filhas, primos e primas são narrados como tendo relações em que geram prole, contudo, em muitos casos tratam-se nitidamente de imperativos universais, como o deus da luz “fecundou” a deusa terra ou deusa mãe, ou os “testículos” de tal deus caiu sobre a deusa mar e nasceu daí uma espuma representando determinada deusa. Para uma apreciação da simbologia universal ver como introdução Mircea Eliade, História das Crenças e das Ideias Religiosas, 3 volumes. No entanto, quanto a tradição judaica, é preciso considerar que determinados personagens bíblicos, especialmente os de Gênesis e Êxodo, remontam em certas partes tanto a tradição universal, especialmente suméria, hurita, cananeia, assíria e babilônica, as quais penetraram na tradição do reino de Israel, e que foi utilizada em certa medida pelos judeus, do vizinho reino da Judeia levando aos escritores do Antigo Testamento ao redor dos séculos VI a.C. – III a.C. a historicizarem representações divinas como personagens históricos. Consideradas tais premissas, isto não impede que a endogamia da tradição judaica tenha ocorrido desde tempos muito antigos, independentemente de narrativas endogâmicas bíblicas se valerem também da utilização de símbolos de divindades como se fossem indivíduos da sociedade judaica, tal como no núcleo familiar de Abraão, como no exemplo utilizado por Laurent Guyénot, que possui mais teor mítico do que terreno. No entanto, o efeito psicológico de considerar endogamias não como ocorrendo entre forças divinas, mas sim entre famílias humanas, aprovadas pelos líderes judaicos através do tempo, faz tal prática se inserida e aceita como parte da tradição, o que é justamente o ponto realçado por Laurent Guyénot.

 

Fonte: Israel as One Man: A Theory of Jewish Power, por Laurent Guyénot, 10 de junho de 2019,  The Unz Review – An Alternative Media Selection.

https://www.unz.com/article/israel-as-one-man/

Sobre o autor: Laurent Guyénot (1960-) possuí mestrado em Estudos Bíblicos e trabalho em antropologia e história das religiões, tendo ainda o título de medievalista (PhD em Estudos Medievais em Paris IV-Sorbonne, 2009) e de engenheiro (Escola Nacional de Tecnologia Avançada, 1982).

Entre seus livros estão:

LE ROI SANS PROPHETE. L'enquête historique sur la relation entre Jésus et Jean-Baptiste, Exergue, 1996.

Jésus et Jean Baptiste: Enquête historique sur une rencontre légendaire, Imago Exergue, 1998.

Le livre noir de l'industrie rose – de la pornographie à la criminalité sexuelle, IMAGO, 2000.

Les avatars de la réincarnation: une histoire de la transmigration, des croyances primitives au paradigme moderne, Exergue, 2000.

Lumieres nouvelles sur la reincarnation, Exergue, 2003.

La Lance qui saigne: Métatextes et hypertextes du Conte du Graal de Chrétien de Troyes, Honoré Champion, 2010.

La mort féerique: Anthropologie du merveilleux (XIIᵉ-XVᵉ siècle), Gallimard, 2011.

JFK 11 Septembre: 50 ans de manipulations, Blanche, 2014.

Du Yahvisme au sionisme. Dieu jaloux, peuple élu, terre promise: 2500 ans de manipulations, Kontre Kulture, Kontre Kulture, 2016. Tem edição em inglês: From Yahweh to Zion: Jealous God, Chosen People, Promised Land...Clash of Civilizations, Sifting and Winnowing Books, 2018.

Petit livre de - 150 idées pour se débarrasser des cons, Le petit livre, 2019.

“Our God is Your God Too, But He Has Chosen Us”: Essays on Jewish Power, AFNIL, 2020.

Anno Domini: A Short History of the First Millennium AD, 2023.

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Relacionado, leia também sobre a questão judaica, sionismo e seus interesses globais ver:

 “Pós-escrito para ‘O Enigma de Três Mil Anos’” - por Igor Shafarevich

 Lev Gumilev e a Quimera Cazar {judaica} Por Laurent Guyénot

 O peso da tradição: por que o judaísmo não é como outras religiões - por Mark Weber

Sionismo, Cripto-Judaísmo e a farsa bíblica - parte 1 - por Laurent Guyénot (as demais partes na sequência do próprio artigo)

O truque do diabo: desmascarando o Deus de Israel - Por Laurent Guyénot - parte 1 (Parte 2 na sequência do próprio artigo)




sexta-feira, 8 de outubro de 2021

Karl Marx: o patriarca da esquerda judia? - Por Ferdinand Bardamu {academic auctor pseudonym}

 

 Ferdinand Bardamu
 {academic auctor pseudonym}


O livro de Kevin MacDonald intitulado The Culture of Critique (CofC) deveria ser revisado para focalizar Karl Marx, o fundador do primeiro movimento intelectual e político dos judeus de âmbito mundial? Sendo o criador judeu do socialismo “científico”, ele deu início à crítica radical da sociedade europeia que se estende ao século XXI. Embora o CofC {The Culture of Critique} aborde especificamente os movimentos intelectuais e políticos judaicos do século XX, ele certamente poderia ter ampliada sua compreensão da esquerda judaica, se Marx pudesse ser incluído no seu quadro teórico como o fundador dos movimentos intelectuais e políticos que tanto orientaram a esquerda judia no século XX.

{O livro de Kevin MacDonald intitulado The Culture of Critique foi 
banido da Amazon, mesmo sendo altamente contundente e convicente em seus
argumentos. Quais interesses os argumentos de tal livro desafiam? Veja mais em:
Amazon bane Culture of Critique e Separation and Its Discontents - Por Kevin MacDonald}.

            A primeira questão a ser levantada é se Marx se reconhecia como dirigente judeu de um movimento intelectual e político de judeus. O CofC {The Culture of Critique} de Kevin MacDonald indica os passos a seguir para a solução do problema. Examinemos detidamente as indicações de Kevin MacDonald.

A metodologia de Kevin MacDonald é bastante objetiva. O primeiro passo consiste em “identificar movimentos influentes sob direção judaica, quaisquer sejam, não importando se todos ou a maioria dos judeus participassem deles”. O segundo passo consiste em “determinar se os participantes judeus se assumiam como judeus E se, por tal participação, buscassem atender a interesses judeus”.[1] Depois, então, discutiremos a influência e o impacto desses movimentos na Europa e nos Estados Unidos.

Em vista desses critérios de Kevin MacDonald, acreditamos em que o socialismo científico de Marx atenda aos dois quesitos.

Em primeiro lugar, Marx teve participação direta na criação das principais organizações de esquerda no século XIX. A maioria das primeiras organizações socialistas sofreram influência direta de Marx, quais sejam: a Liga Comunista, cofundada por Marx e Engels em 1847; o Partido Social-Democrático da Alemanha, fundado em 1863; o Partido Socialista Trabalhista da América, fundado em 1876; o Partido dos Trabalhadores Franceses, cofundado pelo genro de Marx, Paul Lafargue, em 1880; e a Federação Social-Democrática Britânica, fundada em 1881. A maioria dessas organizações moldaria a vida política da Europa e dos Estados Unidos no século XX.

Aquele que foi o sabatigói [N.T.: no original: Shabbos Goy] de Marx por longo tempo, Engels, reconheceu a preponderância dos judeus nos movimentos esquerdistas do século XIX:

“Ademais, temos para com os judeus uma dívida de gratidão. Sem falar de Heine e Böme, Marx era de pura origem judia; Lassalle era judeu. Muitos entre os melhores da nossa gente são judeus. Meu amigo Victor Adler, que agora está cumprindo pena numa prisão em Viena por sua devoção à causa do proletariado; Eduard Bernstein, o editor da publicação londrina Sozialdemokrat, Paul Singer, um dos melhores homens no Reichstag —essas pessoas deixam-me orgulhoso por sua amizade, e todos eles são judeus! Eu mesmo fui considerado judeu pelo [semanário conservador] Gartenlaube. Na verdade, se eu tivesse de escolher, preferiria ser um judeu a ser um ‘Herr von’!” [2]

Em 1911, o sociólogo Robert Michels chamou atenção para a “abundância de judeus na direção dos partidos socialistas e revolucionários”:

“Sobretudo na Alemanha, a influência dos judeus tem sido evidente no movimento dos trabalhadores. Os dois primeiros grandes capitães, Ferdinand Lassalle e Karl Marx, eram judeus, bem assim como o contemporâneo deles Moses Hess. O primeiro eminente político da velha escola a abraçar o socialismo, Johann Jacoby, era judeu. Também Karl Höchberg, um idealista, seu pai era rico comerciante de Francoforte, fundador da primeira revista socialista publicada em língua alemã. Paul Singer, que quase sempre presidia os congressos socialistas alemães, era judeu. Entre os 81 deputados socialistas mandados ao Reichstag na penúltima eleição geral, havia nove judeus. Este número é extremamente alto, comparado com a percentagem de judeus na população da Alemanha, com o total de trabalhadores judeus e com o número de judeus no Partido Socialista.” [3]

Em segundo lugar, longe de ser um etnomasoquista antissemita, Karl Marx identificava-se fortemente como judeu e estava muito envolvido com a comunidade judaica:

“Com os judeus e a judaicidade, Marx sempre manteve laços positivos. Entre seus amigos mais próximos estavam os judeus Heinrich Heine e Ludwig Kugelmann; por certo tempo privou com Moses Hess e ajudou o ex-comunista de Colônia Abraham Jacoby a emigrar para os Estados Unidos (onde ele se tornou um médico influente).” [4]

Fato indicando forte identificação judaica é que, quando Jacoby militava pela revolução na Europa, sua agenda era a “emancipação” judaica, — a naturalização e eleitoralização dos judeus. Como no caso de Marx, seus associados mais próximos também tinham forte senso de identidade grupal judaica. Eles compartilhavam objetivos, crenças e compromissos em pró da emancipação dos judeus.

{Ao redor do judeu Karl Marx (1818-1883) estavam os campeões judeus da subversão de esquerda que era simultânea direta ou indiretamente ao empenho dos interesses do judaísmo.

Da esquerda para direita na parte superior: Ferdinand Lassalle (1825-1864) militante e vanguardista da esquerda moderada e progressista; Moses Hess (1812-1875) vanguardista do nacionalismo para os judeus e socialismo de esquerda para os demais povos; Johann Jacoby  (1805-1877) militante, político e teórico para inserir os judeus na sociedade alemã valendo-se do avanço da esquerda.

Da esquerda para direita na parte inferior: Karl Höchberg (1853-1885) revigorou a esquerda na Alemanha; Paul Singer (1844-1911), foi uma liderança de primeiro escalão no marxismo político alemão; Heinrich Heine (1797-1856), poeta de renome e influenciador de primeira grandeza da identidade judaica contra a tradição germânica.

Crédito das fotos: Ferdinand Lassalle (Wikipedia em português), Moses Hess (Wikipedia em inglês), Johann Jacoby (Wikipedia em inglês), Karl Höchberg (Wikipedia em inglês), Paul Singer (Look amd Learn), Heinrich Heine (Wikipedia em inglês)}.


A persistente crítica de Marx contra as sociedades europeias resultava dos sentimentos de sua marginalização. Ele era etnicamente judeu, fora criado numa família liberal judia conforme os valores do Iluminismo. Seu pai abraçou o universalismo iluminista por causa da marginalidade dos judeus na sociedade europeia. Em consequência de sua marginalidade social, Marx tornou-se hostil à cultura e aos valores europeus. Reagindo a isso, ele construiu uma identidade social judia positiva, retratando o comportamento judeu balizado pelo ganho financeiro como motivo de orgulho étnico, não como conduta a ser demonizada. Conforme Marx, a emancipação dos judeus não implicaria a dissolução de sua identidade étnica, antes seria resultado da futura condição proletário-comunista ou, mais precisamente, secular, das sociedades europeias, com plena aceitação dos judeus. Ele chegou a acreditar que o judaísmo secular cumpriria papel positivo nas sociedades cristãs europeias. O triunfo mundial do comunismo corresponderia à vitória mundial do judaísmo secular, deixando livres os judeus para a defesa de seus interesses coletivos em sociedades formalmente europeias ainda, mas judaizadas. Nesse particular, Marx não era diferente dos profetas hebreus — que pregavam o domínio israelita do mundo sob a realeza messiânica, a não ser pelo fato de que Marx disfarçava seu particularismo étnico judeu sob a roupagem universalista do Iluminismo liberal.

{O judeu Karl Marx (1818-1883) iniciou movimentos sócio-políticos que fez
 os maiores danos nos inimigos dos judeus ao longo dos séculos XIX e XX.
Fonte da imagem: domínio público Wikipedia em português}


Em A questão judaica, ele não apenas clamou pela emancipação judaica, como também desafiou o “antissemitismo”. Ele faria a mesma coisa novamente em A sagrada família, publicado em 1844. Esses ensaios foram escritos para refutar Bruno Bauer, para quem a raça judia era “horrorosa” e não teria contribuído com nada para a “construção da modernidade”.[5] Marx acreditava que o preconceito antissemita europeu poderia ser eliminado pela transformação da Europa nas utopias proletário-comunistas, por cuja tolerância poderia o judaísmo continuar a existir. Aparentemente Marx não se iludia ao combater pela emancipação dos judeus, pois ele tinha plena consciência de ser judeu e queria proteger os judeus da perseguição branca por meio do universalismo, em detrimento das maiorias europeias na própria Europa.

Os mais importantes discípulos de Marx ou eram judeus ou eram descendentes de judeus, a exemplo de Adler, Bauer, Bernstein, Luxemburgo, Lenin, Trotsky e os membros da Escola de Francforte. Apesar disso, os marxistas judeus aparentemente não ligavam importância à identidade judia de seus membros, pretendendo apresentar a luta pela emancipação judaica como parte da luta contra a sociedade burguesa. Como observou Kevin MacDonald no CofC {The Culture of Critique}, os ativistas étnicos judeus escamoteavam sua etnicidade judaica, recrutando não-judeus para servir de manequins, que vestiam de linda roupagem para disfarçar o que na realidade era um movimento judeu. Dissimulando sua judaicidade, os dirigentes marxistas puderam promover os interesses judaicos quase sem nenhuma oposição, o que lhes permitiu recrutar mais inocentes úteis entre os góis {isto é, entre os não-judeus}. Embora o socialismo moderno deva suas origens a um judeu e tenha sido dominado pelos judeus, o movimento atraiu muitos góis {os não-judeus}, alguns deles se destacaram, como Bebel e Liebknecht. Aliás, quando foi da morte de Marx em 1883, seu maior porta-voz era Engels, um sabatigói.

Marx dizia-se amigo do proletariado, mas suas relações com a comunidade judaica eram estreitas. Como todos os ativistas étnicos judeus, Marx tinha a obsessão de combater o antissemitismo onde quer que se lhe deparasse, mas para não alarmar os góis {os não-judeus}, esse combate apresentava-se de mistura com a luta contra a sociedade burguesa. O artifício prestava-se a propósito vital, já que assim Marx acobertava sua atitude adversa à sociedade europeia e ainda atraía os não-judeus para a nova fé secular judaica — não-judeus que também iriam ajudá-lo na luta contra o antissemitismo, como se apenas militassem pela revolução proletária mundial. Enquanto ínfima minoria nas sociedades europeias, os judeus sempre se serviram de não-judeus para a consecução de seus objetivos, assim fizeram os marxistas que se valeram do proletariado, assim fazem os neoconservadores que se valem dos conservadores do estabilismo {do meio sócio-político estabilizado atualmente} para favorecer Israel.

A análise e a apologética marxistas sempre tiveram por base o “cepticismo e esoterismo científicos”.[6] Como indica Kevin MacDonald no seu CofC {The Culture of Critique}, os ativistas étnicos judeus do século XX comumente lançavam mão dessas táticas mistificatórias. O capitalismo deve atender a requisitos de alto padrão para ser considerado um sistema econômico viável, apesar de sua longa história de sucesso na geração de crescimento econômico, enquanto o comunismo é sempre considerado profícuo, apesar de seus embaraçosos precedentes de estado policial autoritário, pauperização massiva, totalitarismo extremo e catástrofes ambientais. Temos aí dois pesos e duas medidas quanto ao ônus da prova que servem para apresentar o marxismo como um sistema de crenças viável. De igual modo, os apoiantes judeus de Marx argumentam, maliciosamente, que “O socialismo não fracassou, o que fracassou foi o estalinismo, isto é, a ditadura burocrática do partido”. [7]

A análise econômica de Marx era tão hegelianizante que seus críticos e adeptos não lhe puderam compreender a exata significação. Livros dele como A ideologia alemã e O capital geram ainda controvertidas interpretações. Ele vazava seu discurso em linguagem científica para cobrir suas profecias como o verniz da credibilidade. Por exemplo, o socialismo de Marx era chamado de socialismo “científico”, para que se distinguisse de suas variantes “utópicas”. O fato de apresentar sua versão do socialismo como “científica” indica que o esoterismo da linguagem de Marx era proposital, no que foi imitado pelos epígonos. Na realidade, o socialismo marxiano consistia numa espécie de culto secular da religião judia, cujos princípios dogmáticos não permitiam revisão, mesmo quando confrontados com irrefutáveis evidências em contrário. Até os nossos dias, nenhuma das leis marxistas do desenvolvimento capitalista tornou possível experiências empíricas de falsificação, nem qualquer de suas profecias foi confirmada.

É interessante notar que Franz Boas não foi o primeiro intelectual judeu a submeter a aplicação social do darwinismo a virulenta crítica intelectual; essa honraria cabe a Marx e a seu sabatigói pessoal, Engels. A princípio, eles eram adeptos entusiastas da obra de Darwin A origem das espécies. Acreditavam que a seleção natural corroborava a análise dialético-materialista do desenvolvimento histórico. Entretanto, Marx e Engels chegaram à conclusão de que a teoria de Darwin era “metafisicamente inaceitável”:

“Dado que Darwin via a luta na natureza, em grande parte, como luta entre indivíduos, sua teoria pareceu-lhes solapar a própria possibilidade da solidariedade de classe e a eliminação final do conflito humano. […] Na opinião de Marx, a deficiência mais grave da teoria de Darwin residia na ênfase posta sobre o caráter indeterminado e aleatório das mutações, implicando que no mundo para além do reino animal o progresso fosse ‘puramente acidental e não necessário’, ao contrário do que desejava Marx e exigia a sua teoria (Marx apud Feuer, 1975, página 121). O Darwinismo ameaçou a fé de Marx e Engels num processo histórico mais propício.” [8]

Em virtude de a biologia darwiniana haver limitado o poder explanatório de sua dialética histórica, Marx e Engels recorreram a causalidades ambientais e subjetivísticas:

“Em razão de que outras teorias da evolução, como as de Trémaux e Lamarck, tivessem enfatizado como causas das mutações adaptativas nas espécies ou nas raças a ação direta do meio ambiente ou a resposta automática às necessidades do organismo, tais teorias pareceram mais atraentes para Marx e Engels (como também para Stálin e Lysenko), por darem sanção ‘científica’ para a mundivisão deles.” [9]

A exemplo dos ativistas étnicos judeus que Kevin MacDonald citou no CofC {The Culture of Critique}— Boas, Lewontin, Gould etc. — Marx e Engels combateram a aplicação social do darwinismo, porque comprometia sua capacidade de impor a perspectiva ambientalista às sociedades europeias, a partir da qual projetavam a construção de nova raça humana pela manipulação do ambiente conforme as ideias marxistas. Na consecução desse objetivo, os comunistas mataram milhões de dissidentes, sem nenhum escrúpulo, abrindo caminho para o novo homem que fosse criado pelo sistema educacional comunista.

Marx era conhecido por suas tendências ditatoriais, característica que ele compartia com os ativistas étnicos judeus do CofC {The Culture of Critique}. No seu pugnaz empenho para conquistar o poder, os judeus foram acusados de autoritarismo pelos seus oponentes. Em 1850, Eduard Müller-Tellering publicou Vorgeschmack in die kuenftige deutsche Diktatur von Marx und Engels, ou A foretaste of the future German dictatorship of Marx and Engels [A pré-estreia da futura ditadura alemã de Marx e Engels], atacando Marx por sua mania de dominação. Os dois tiveram um bate-boca, que Müller-Tellering atribuiu à sede de vingança do “futuro ditador alemão” Karl Marx, motivada pelo fato de ele, Müller-Tellering, haver publicado artigo contra os judeus no próprio jornal de Marx, o Neue Rheinische Zeitung [Nova Gazeta Renana]. Segundo Müller-Tellering, o implacável e vingativo comportamento de Marx resultava da natureza dos judeus, da perversidade deles.  

A personalidade autoritária de Marx alienou dele o anarquista Mikhail Bakunin (1814-1876), que escreveu o seguinte:

“Todo esse mundo judeu constitui uma só seita exploradora, um tipo de povo-vampiro, um parasito coletivo, voraz, auto-organizado não apenas por sobre as fronteiras dos Estados, mas também por sobre as diferenças de opinião política — esse mundo está, pelo menos em grande parte, à disposição de Marx e dos Rothschilds. Eu sei que os Rothschilds, reacionários como são e continuarão sendo, admiram profundamente os predicados do comunista Marx; e por sua vez o comunista Marx sente-se atraído, por interesse instintivo e respeitosa admiração, pelo gênio financeiro dos Rothschilds. A solidariedade judaica, aquela poderosa solidariedade que se manteve ao longo dos séculos, ligou Marx aos Rothschilds.” [10]

Percebe-se aí que Bakunin tinha consciência do grande número de seguidores judeus de Marx — ele sabia que o mundo judaico repartia-se entre Marx e Rothschild. Bakunin rejeitou a ditadura do proletariado de Marx, porque implicava a centralização do poder do Estado, o que levaria ao seu controle por pequena elite. Marx e Bakunin andavam sempre às turras. Bakunin lutava por uma “confederação descentralizada de comunas autônomas”, sendo atacado por Marx, para quem o melhor seria a ditadura do proletariado. Depois do embate entre os comunistas de Marx e os anarquistas de Bakunin, no Congresso de Haia de 1872 {O Congresso de Haia da Associação Internacional dos Trabalhadores, dirigido por Karl Marx e Frederik Engels*a}, Bakunin acabou sendo expulso da Primeira Internacional, por determinação pessoal de Marx.

Assim como os ativistas judeus citados no CofC {The Culture of Critique}, Marx combatia na guerra étnica contra as sociedades europeias. O seu socialismo científico ameaçava solapar a moral e as fundações intelectuais da Europa, de sorte que se transformasse numa sociedade secular para suportar indefinidamente a continuação da existência do judaísmo. Por exemplo, em O capital, a sua obra magna, Marx tentou desvelar o funcionamento dos mecanismos internos do modo de produção capitalista na Europa Ocidental, explicando por que ele entraria em colapso sob o peso de suas próprias contradições, preparando o caminho para a revolução proletária. A ditadura do proletariado era visionada como ferramenta de forte dominação, centralizada e autoritária. Quando ela foi imposta aos russos pela elite hostil {nominalmente uma elite judaica*b} que assumiu o poder a partir de 1917, teria como consequência a morte de muitos milhões e a opressão política de todos, sendo plausível supor que Marx teria ficado muito feliz se houvesse sido capaz de impor semelhante regime sobre todos os europeus. Embora a defesa que fazem os judeus do universalismo nas sociedades brancas signifique a autodestruição cultural e racial dos próprios brancos, ela enseja as condições ideais para a prosperidade judaica, ao maximizar o controle judaico sobre a população europeia inclusiva e ao minimizar o temor judaico da perseguição antissemítica.

Foi Marx quem assentou as bases ideológicas da principal corrente do ativismo étnico judeu no século XX. No quadro teórico do CofC {The Culture of Critique}, a importância de Marx é depreendida de sua condição de fundador judeu de um movimento intelectual e político judeu em meado do século XIX, cuja influência estende-se até o presente. Por exemplo, o mais influente movimento intelectual judeu contemporâneo, a Escola de Francforte, era seita marxista ortodoxa a princípio, mas revisou o marxismo, desviando-o da luta de classes para uma teoria enfatizando o etnocentrismo branco como o problema fundamental e inaugurando o que agora é frequentemente denominado de marxismo cultural.

A conclusão é que o engajamento judeu na esquerda remonta a meado do século XIX e continua exercendo influência no mundo contemporâneo, mostrando-se diante dos europeus como força opositora.

Tradução por Chauke Stephan Filho

Palavras entre chaves por Mykel Alexander


Notas

[1] Nota de Ferdinand Bardamu: Kevin Macdonald, Culture of critique, páginas 11-2. 

[2] Nota de Ferdinand Bardamu: Frederick Engels, “On anti-semitism”. Arbeiter-Zeitung, nº 19, 9 de maio de 1890. Disponível em: https://www.marxists.org/archive/marx/works/1890/04/19.htm  

[3] Nota de Ferdinand Bardamu: Robert Michels, Political Parties. página 246.  

[4] Nota de Ferdinand Bardamu: Jerrold Seigel, Marx’s Fate. Página 114.  

[5] Nota de Ferdinand Bardamu: Karl Marx e Frederick Engels, The Holy Family. Marxists.org, 2019. Disponível em: www.marxists.org/archive/marx/works/1845/holy-family/ch04.htm.

[6] Nota de Ferdinand Bardamu: Kevin Macdonald, Culture of critique, páginas 122.  

[7] Nota de Ferdinand Bardamu: , Ernest Mandel, The Roots of the Present Crisis in the Soviet Economy (1991). Disponível em: https://www.marxists.org/archive/mandel/1991/xx/sovecon.html   

[8] Nota de Ferdinand Bardamu: Howard Kaye, Social Meaning of Modern Biology, página 25. 

[9] Nota de Ferdinand Bardamu: Howard Kaye, Social Meaning of Modern Biology, página 25. 

[10] Nota de Ferdinand Bardamu: Hal Draper, Karl Marx’s Theory of Revolution, volume 4, página 596. 

*b Nota de Mykel Alexander: Sobre a elite judaica articulando e protagonizando a tomada de poder na Rússia em 1917:

- A liderança judaica na Revolução Bolchevique e o início do Regime soviético - Avaliando o gravemente lúgubre legado do comunismo soviético - por Mark Weber, 14 de novembro de 2020, World Traditional Front.

https://worldtraditionalfront.blogspot.com/2020/11/a-lideranca-judaica-na-revolucao.html

- Líderes do bolchevismo {comunismo marxista} - Por Rolf Kosiek, 19 de setembro de 2021, World Traditional Front.

https://worldtraditionalfront.blogspot.com/2021/09/lideres-do-bolchevismo-por-rolf-kosiek.html

- Wall Street & a Revolução Russa de março de 1917 – por Kerry Bolton, 23 de setembro de 2018, World Traditional Front.

https://worldtraditionalfront.blogspot.com/2018/09/wall-street-revolucao-russa-de-marco-de.html

- Wall Street e a Revolução Bolchevique de Novembro de 1917 – por Kerry Bolton, 14 de outubro de 2018, World Traditional Front.

https://worldtraditionalfront.blogspot.com/2018/10/wall-street-e-revolucao-bolchevique-de.html

- Mentindo sobre o judaico-bolchevismo {comunismo-marxista} - Por Andrew Joyce, Ph.D. {academic auctor pseudonym}, 26 de setembro de 2021, World Traditional Front.

https://worldtraditionalfront.blogspot.com/2021/09/mentindo-sobre-o-judaico-bolchevismo.html

 


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Fonte em português:

Karl Marx: o patriarca da esquerda judia?, 22 de março de 2020, O Sentinela – Mídia Crítica Independente.

https://www.osentinela.org/karl-marx-o-patriarca-da-esquerda-judia/ 

Fonte em inglês:

Karl Marx: Founding Father of the Jewish Left?, por Ferdinand Bardamu, 04 de Janeiro de 2020, The Occidental Observer.

https://www.theoccidentalobserver.net/2020/01/04/karl-marx-founding-father-of-the-jewish-left/

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