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terça-feira, 1 de dezembro de 2020

História e Historiadores - por Revilo P. Oliver

 

Revilo P. Oliver


            Um conservador é essencialmente um homem que está disposto a aprender da experiência acumulada da humanidade. Ele deve se esforçar desapaixonada e objetivamente, e ele deve ler a partir de suas observações com uma plena consciência das limitações da razão. E ele deve, acima de tudo, ter a coragem de confrontar as realidades desagradáveis da natureza humana e o mundo no qual nós vivemos.

            Isto é o porquê a história, o vasto registro da tentativa e erro humano, é uma disciplina para conservadores. Ela necessariamente reside além das capacidades emocionais e intelectuais das crianças, selvagens, e “intelectuais liberais,” que instintivamente fogem da realidade para viver em um mundo de sonho no qual as leis da natureza podem ser suspensas pela intervenção de fadas, médicos-feiticeiros, ou “cientistas sociais.”

            A história é uma alta e árdua disciplina na qual é sempre necessária coletar e pesar dados complexos e muitas vezes elusivos, e nos quais, como em muitos outros campos de pesquisa, nós devemos frequentemente nos contentar com um cálculo de probabilidades mais que uma certeza. E quando nós tentamos extrair da história as leis do desenvolvimento histórico, descobrimos nós mesmos calculando a probabilidade das probabilidades – tão difícil e delicada tarefa que a mente humana pode estabelecer para ela própria.

            Afortunadamente para nós, nas questões práticas deste mundo, prudência e bom senso (embora qualidades um tanto incomuns) são um guia adequado e não dependem de respostas para grandes questões de filosofia. Um homem pode aprender não comprar um porco em um bolso sem encontrar solução para o problema epistemológica que Hume possuí tão claramente e que ainda permanece não solucionado. Nós podemos aprender muito da história sem responder as questões derradeiras.

            Nossas mentes, contudo, pela própria natureza delas, desejam uma filosofia coerente que irá dar conta da inteira realidade percebida. E nós vivemos em um tempo no qual nós somos constantemente confrontados pelas reivindicações, algumas obviamente mera propaganda, mas outras séria e sinceramente colocadas a diante – que este ou aquele desenvolvimento deve tomar lugar no futuro porque ele é “historicamente necessário.” Além do mais, nós vivemos em um tempo no qual tudo, exceto o não atencioso e irrefletido sentido de que nossa própria civilização está sendo erodida por vastas e obscuras forças, as quais, se não checadas, irão destruí-la totalmente – forças que nós podemos identificar e compreender somente se nós pudermos averiguar como e por que elas estão moldando nossa história. E aqui novamente nos é frequentemente dito que aquelas forças representam um destino inerente na própria civilização e, portanto, irresistível e inescapável.

            Isto é o porquê o desenvolvimento de um trabalho de filosofia da história é a mais urgente, bem como a mais difícil tarefa do pensamento do século XX.

 

Grécia e Roma

            A história como um relato raciocinado das mudanças políticas e sociais foi produto da mente grega. De fato, poderia ser argumentado que a capacidade para a história nesse sentido é exclusiva propriedade da cultura ocidental que os gregos criaram e nós herdamos – mas seria um argumento bastante longo. Não podemos indulgenciar nós mesmos nisso aqui, não mais do que nós podemos empreender um exame dos antigos historiadores. Mas nós devemos observar que as duas concepções básicas do processo histórico entre as quais a mente moderna deve escolher ambas formadas na Antiguidade Clássica. Eu meramente menciono dois historiadores que ilustram o contraste.

            Se nós considerarmos seu desapego e objetividade quase sobre-humanos, o poder intelectual que capacita-o extrair o essencial da grande massa de detalhes e então escrever concisamente do alto de complexos eventos, e sua lúcida apresentação da evidência incluída pela teoria da tese, nós devemos considerar Tucídides como o grande historiador de todos os tempos. Com perfeita precisão ele diz-nos o que aconteceu e como isso aconteceu; ele vê a realidade com um olho que nunca é borrado por uma lágrima pelo destino de seu país; e a implacável lucidez de seu intelecto é não mais perturbada por uma teoria do que era perturbada pela tentação, a qual nenhum outro escritor poderia ter resistido, adicionar no mínimo umas poucas palavras para explicar ou defender sua própria conduta como um general ou mencionar seus próprios infortúnios. Nós não podemos ler Tucídides sem profunda emoção, mas a emoção é nossa, não dele; nós não podemos lê-lo sem ponderar as lições de história, mas elas são lições que nós devemos extrair dos fatos, não aceitá-las feitas prontas do escritor.

{Busto do antigo general e historiador grego Tucídides (460-400 a.C.) do Museu Real de Ontário.
Fonte da imagem: Wikipedia em inglês.}


            O futuro sempre se assemelhará ao passado porque a natureza humana não muda; os homens serão sempre movidos pelos mesmos motivos e desejos básicos; as limitações da razão humana e da disposição humana de raciocinar constituem um tipo de fatalidade, mas os eventos da história são sempre o resultado de decisões humanas, de sabedoria ou loucas tolices, em lidar com questões que podem nunca ser calculadas com certeza no avanço porque o resultado irá em alguma extensão depender da uma chance – sobre fatores que não podem ser previstos. Nações, como os homens, podem sofrer consequências de seus próprios atos – consequências frequentemente imprevistas e algumas vezes imprevisíveis, mas não há força histórica a qual os compele a decidir como irão atuar; eles são sujeitos, portanto, a nenhum destino, além daquele que é inerente nas limitações de seus recursos morais, mentais e físicos. A história é trágica, mas sua tragédia é no estrito sentido da palavra, o resultado da cegueira humana.

            Esta concepção da história contrasta fortemente com outra, podendo ser descrita como ou mais covarde, desde que ela desloca responsabilidades, ou mais profunda, desde que ela tenta ter em conta decisões. O Sêneca velho, escrevendo sua história das Guerras Civis depois da queda da República Romana e o estabelecimento do Principado, foi certamente influenciado pela concepção estoica de um universo que opera por uma estrita necessidade mecânica em vastos ciclos de uma ecpirose à outra, repetindo-se ela própria interminavelmente. Sêneca viu no povo romano um organismo comparável a um homem e submetido, como o homem, a um tipo de desenvolvimento biológico. Roma passou sua infância sob os primeiros reis. Adolescente, a nação estabeleceu uma república e, como o infatigável vigor de um organismo, estendeu seu governo sobre as partes adjacentes da Itália; com a força e resolução da maturidade (iuventus), Roma conquistou virtualmente todo o mundo que era digno de tomar, e então, finalmente, cansada e sentindo o declínio de seus poderes, incapaz de reunir belicamente força e resolução para governar a si mesmo, ela em sua velhice (senectus) resignou-se a si mesma e a seus negócios nas mão de um guardião, encerrando sua carreira conforme ela começou, sob a tutela e governo de um monarca.

            Infelizmente, o fragmento sobrevivente da história de Sêneca não nos diz quão logo ele pensou que a decrepitude seria seguida pela morte. Nós não podemos sequer estar certo quão estritamente ele aplicou o implícito fatalismo na analogia; ele parece ter estabelecido que as nações, como os homens, poderiam em sua maturidade apressar ou retardar o iniciar da senilidade pelo cuidado que eles poderiam tomar sobre eles mesmos. Mas no melhor, a vontade e sabedoria humana podem pouco afetar a necessidade biológica que carregou todas coisas vivas para a inexorável tumba. Sêneca estava pensando em Roma, mais do que na civilização clássica como um todo, mas essa analogia antecipou o essencial do que nós agora chamamos concepção da história orgânica ou cíclica.

 

O dilema moderno

            A história moderna começa com o Renascimento, uma idade a qual pensava de si própria, conforme o nome indica, como um “renascimento” da Antiguidade Clássica. Por um longo tempo, as energias dos homens estavam concentradas em um esforço para ascender ao nível da alta civilização representada pelas grandes eras de Grécia e Roma. A mais comum metáfora descreveu a mudança cultural em termos de dia e noite: A civilização tinha alcançado o meio-dia na era de Cícero e Virgílio; a decadência do Império Romano foi o crepúsculo que precedeu a longa noite da Idade das Trevas; e o avivamento da literatura e artes que começou com Petrarca foi o alvorecer de um novo dia – o retorno do sol para iluminar a terra e levantar a mente dos homens. Esta metáfora foi pretendida marcar contrastes, não traçar uma analogia. A cultura não veio ao mundo conforme o sol levanta-se e se põe, independentemente do esforço humano; ao contrário, literatura, filosofia (incluindo o que nós agora chamamos ciência), e as artes foram produtos da mais alta e mais intensa criatividade da mente humana. Seguiu-se, portanto, que a civilização era essencialmente o corpo do conhecimento acumulado e mantido pelo intelecto e vontade do homem. Essa sensação de constante luta sob máximo esforço impedia uma concepção da história, enquanto a consciência de que o pedaço da civilização tinha sido senão quebrado durante a Idade das Trevas impedia um otimismo fácil e impensado.

            Da alvorada do Renascimento até os primeiros dias do século XX os homens pensaram da história da civilização como um continuum que poderia ser reduzido a uma linha em um gráfico. A linha começou na parte inferior em algum lugar na pré-história antes do tempo de Homero, subiu constante e regularmente ao pico na grande era de Atenas, mergulhou um pouco e então subiu novamente para a Idade Dourada de Roma, caiu regular e continuamente rumo ao zero, o qual quase é alcançado na Idade das Trevas, subindo um pouco na Idade Média tardia, e com o avivamento da aquisição de conhecimento, subiu de maneira cortante frente a um novo pico. A história assim concebida dividiu-se ela própria em três períodos: Antiga, Medieval, e Moderna.

            Essa concepção linear da história foi simplesmente tomada por concedida pelos historiadores. Guicciardini, Juan de Mariana, Thuanus, Gibbon, e Macaulay diferem grandemente um do outro em perspectiva, mas eles todos consideram a concepção linear como apodítica.

 

{O italiano Francesco Guicciardini (1483-1540), o espanhol Juan de Mariana  (1544-1624), e o francês Jacques Auguste de Thou (Thuanus) (1553-1617), foram proeminentes na  formação da concepção histórica da Idade Moderna. Estátua de Francesco Guicciardini, em Florença, na Galeria Uffizi, foto via Wikipedia em italiano; Monumento à Juan de Mariana no município de Talavera de la Reina, foto via Wikipedia em inglês; Monumento à Jacques Auguste de Thou (Thuanus), no Hotel de Ville, Paris, foto via Wikipedia em inglês.}


{Os inglêses Edward Gibbon (1737-1794) e Thomas Babington Macaulay (1800-1859), dois dos mais proeminentes formadores da concepção histórica contemporânea. Arte respectivamente de  Joshua Reynolds  (1723–1792), Wikipedia em inglês, e John Partridge (?-1872), Wikipedia em inglês.}

Apreensões do porvir

            O século XIX trouxe ao Ocidente a garantia da superioridade miliar sobre todos os outros povos do mundo. Parecia certo que o homem branco, graças a sua tecnologia, governaria para sempre o globo e suas populações apinhadas. E desta confiança jorrou uma euforia louca sobre a cabeça de uma bizarra noção de que progresso era inevitável e automático; que a civilização, ao invés de ser uma criação frágil e preciosa que o homem deve trabalhar muito duro para manter e mesmo mais dura para melhorá-la, tinha se tornado autoperpetuante e auto-ampliada; e que a linha no gráfico, tendo subido mais alto que o mais alto ponto atingido na antiguidade, estava destinada a mover para cima para sempre e sempre. Esta extravagante fantasia infantil, para ser certo, não se impôs nas melhores mentes do século (por exemplo, Buckhardt), mas como um vinho inebriante, intoxicou muitos escritores (por exemplo, Herbert Spencer) que passaram por sérios pensadores no dia deles. E serviu para sugerir às mentes reflexivas a questão se era ou não um destino inerente na natureza dos próprios processos históricos como distintos da sabedoria ou insensatez das decisões feitas pelo homem.

            Frente ao fim do século, profundas apreensões do porvir que poderiam não mais ser reprimidas encontraram expressão em trabalhos tais como La civilisation et ses lois de Theodore Funck-Brentano, The Law of Civilization and Decay de Brook Adams, e The Degradation of Democratic Dogma de Henry Adams. Ninguém pensou de duvidar da supremacia do Ocidente ou sua perpetuidade, mas os homens começaram a pensar reflexivamente se a civilização não estava caindo para um nível inferior. E para encontrar uma resposta, eles buscaram estabelecer uma “ciência da história” – o que agora é chamado historionomia em inglês e metahistória em francês – a qual averiguaria as leis naturais que governam o desenvolvimento da civilização.

            Na véspera da Primeira Guerra Mundial, umas poucas mentes dignas de atenção, prescientes da vinda da catástrofe, formularam a questão histórica em termos mais drásticos e fundamentais: Era a civilização do Ocidente mortal e já estava ficando velha? Iria um viajante de algum futuro e alienígena civilização meditar entre as ruínas empoeiradas de Nova Iorque e Londres e Paris como Volney tinha meditado entre as ruínas da Babilônia, Baalbec, e Persépolis – e talvez, como Volney, acalmar-se ele próprio com ilusões de que sua civilização poderia resistir, embora todos seus predecessores tinham deixado apenas montões de pedras quebradas para atestar que eles tinham existido uma vez.

   

Poder no mundo

            Nós devemos compreender que a ameaçadora severa questão assim posada era naquele tempo, e permanece mesmo hoje, inteiramente uma questão de decadência interna – de uma doença ou debilidade da mente e vontade ocidentais. Não era então, e não tinha ainda se tornado uma questão de força relativa ao resto do mundo. O poder das nações do Ocidente era, e é, simplesmente esmagador.

            Em 1914, os homens debatiam se a Rússia era ou não parte do mundo ocidental. Assumindo que não era, era óbvio que havia somente duas nações não-ocidentais na terra que possuíam a capacidade militar e industrial de oferecer séria resistência para mesmo uma noção de médio tamanho do Ocidente. E nem Rússia nem Japão poderiam ter esperado derrotar uma potência maior ocidental, exceto formando uma aliança com outro poder maior da Europa ou América. E a despeito de todos os esforços do Ocidente para destruir ele próprio em guerras fratricidas e ao exportar sua tecnologia e sua riqueza para outros povos, que permanece em grande parte verdadeiro até hoje.

            A retirada do Ocidente tem sido auto-imposta, e nós não devemos permitir que os guinchos de “liberais” distraiam nossa atenção daquele óbvio e fundamental fato. A Grã-Bretanha, por exemplo, estava em nenhum sentido compelido a desistir da Índia como colônia. Durante o grande motim indiano de 1857, cinquenta mil soldados britânicos abriram seu caminho através do inteiro subcontinente indiano, e em pouco mais que um ano reduziu à completa submissão sua população de mais de cem milhões. E isto, nota bene, foi feito em um tempo quando a única arma básica de guerra era o rifle, de modo que um homem com um rifle num lado correspondia igualmente a um homem com rifle no outro lado, exceto tanto quanto a disciplina e inteligência individual pode fazer alguma diferença no uso da arma comum e universalmente obtida. Em 1946, a Grã-Bretanha, com todas as armas que são por sua própria natureza um monopólio das grandes nações, poderia ter extinguido num sopro em umas poucas semanas a mais formidável revolta que Nehru e sua gangue poderiam concebivelmente ter instigado e organizado.

            O poder ainda é nosso. A maior parte do globo repousa aberta para nossa tomada, se nós como uma nação resolvermos tomá-la. A despeito de todos esforços frenéticos em Washington para sabotar os Estados Unidos pelos passados trinta anos, e está ainda além da dúvida que se nós tivéssemos então em mente, nós poderíamos, por exemplo, simplesmente tomar o inteiro continente da África, exterminar a população nativa; e fazer a vasta e rica área uma nova fronteira para a expansão de nosso próprio povo. Nenhum poder na terra – certamente nem o Soviete que nós temos tão diligentemente nutrido e construído com nossos recursos – ousaria se opor a nós. Para ser certo, há boas razões para não anexar a África, mas se nós estamos a pensar claramente sobre nosso lugar no mundo, nós devemos compreender que a carência de poder não é um deles.

            Que o mundo ocidental, com seu monopólio virtual dos instrumentos de poder, deveria se encolher servilmente perante as horas pelas quais sentiu somente desprezo quando era menos forte do que é agora, é uma prova óbvia que nossa civilização está sofrendo de alguma doença fatal ou decadência que tem nos privado – temporariamente ou permanentemente – da inteligência e da vontade de viver. Toda filosofia da história, ou, se você preferir, todo sistema de historionomia, é simplesmente um esforço para diagnosticar nossa doença de que padecemos – para dizer-nos, em efeito, se a debilidade e enervação do Ocidente é o resultado de uma doença curável ou de uma deterioração irreversível.

 

Compreensão histórica

            As questões sociais e políticas de nosso dia são primariamente problemas históricos. Para pensar sobre elas racionalmente, nós devemos começar por consultar o registro da experiência humana no passado. E nós logo percebemos que se somente soubéssemos suficiente sobre história – e a entendêssemos – nós teríamos as respostas para todas nossas questões.

            Eventos únicos são sempre incompreensíveis. E cada mudança é única até que ela tem sido repetida com suficiente frequência para ser reconhecida como formando parte de algum padrão inteligível. Nós não poderíamos identificar mesmo uma sensação tão simples em nossos corpos como fome, se não a experimentássemos mil vezes e observado que uma boa refeição invariavelmente a abolia – por enquanto.

            Nenhum homem vive o suficiente para ver com seus próprios olhos um padrão de mudança na sociedade. Ele é como o mosquito que nasce à tarde e morre ao pôr-do-sol, e que, portanto, não importa o quão inteligente ele possa ser, nunca poderá descobrir, ou mesmo suspeitar, que o dia e noite vêm em regular alternância. Diferente do mosquito, contudo, o homem pode consultar a experiência das comparativamente poucas gerações de suas espécies que têm lhe precedido durante o comparativamente breve período de cerca de cinco mil anos no qual os seres humanos têm tido o poder de deixar registros para a instrução da posteridade deles.

            Isto, infelizmente, não é suficiente história para dar respostas positivas e indubitáveis para muitas de nossas questões – mas é tudo o que nós temos. O historiador hoje está frequentemente na posição dos filósofos gregos que tentaram decidir se o sistema solar era geocêntrico ou heliocêntrico, e poderia não alcançar uma definitiva conclusão simplesmente porque não há disponível no mundo um registro de observações suficientemente exatas registradas sobre um período de tempo suficientemente longo.

O historiador moderno que tenta explanar a ascensão e queda das civilizações pode possivelmente encontrar a explanação certa, mas se o faz – e se ele é realmente um historiador – ele sabe que, no melhor, ele está na posição de Aristarco, quem primeiro sistematizou e formulou a teoria heliocêntrica, e quem primeiro tinha sabido que a teoria poderia não ser provada durante seu próprio tempo de vida ou por muitos anos a vir. (Ou seja, não até que a paralaxe {cálculo utilizado para medir a distância das estrelas utilizando o movimento da Terra em sua órbita} anual de ao menos uma estrela fixa tenha sido determinada. Isto foi realizado pela primeira vez por Bessel em 1838 – três séculos após Copérnico.) O que Aristarco não podia prever, naturalmente, era que o nível de civilização iria flutuar tanto que levaria vinte e um séculos antes que o homem pudesse ter certeza de que ele tinha estado certo.

            O historiador, embora ciente que sua hipótese deva permanecer uma hipótese em seu tempo, pode extrair uma analogia em termos de uma certeza histórica. Quando a humanidade civilizada perdeu interesse no problema que Aristarco tentou resolver com sua teoria não verificável, ela estava encabeçando rumo a uma Idade das Trevas na qual o homem esqueceu os fatos que tinham sido averiguados – uma época tão estultificada que os homens esqueceram que eles tinham uma vez sabido que a terra era um globo, e então tiveram uma recaída para a primitiva noção que ela era plana.

Tradução e palavras entre chaves por Mykel Alexander

 


Este ensaio foi publicado no The Journal of Historical Review, setembro-outubro. 1994 (Vol. 14, n° 5), páginas 23-27. É de um texto mais extenso, publicado pela primeira vez em 1963, que foi reimpresso na antologia America’s Decline: The Education of a Conservative (1982), páginas 182-183, 187-189, 190-191 e 212-213.

http://ihr.org/other/HistoryHistoriansOliver

 

Sobre o autor: Revilo P. Oliver (1910-1994) foi um estudioso americano de estatura internacional, ensinou Clássicos na Universidade de Illinois por 32 anos. Ele conhecia doze idiomas e escreveu artigos em quatro deles para publicações acadêmicas nos EUA e na Europa. Oliver obteve seu doutorado na Universidade de Illinois em 1940 e, em 1947, iniciou sua carreira de professor no departamento de Clássicos de lá. Durante o início da década de 1950 ele era tanto um membro da Guggenheim como da Fulbright.

Uma estilista brilhante e meticulosa, a escrita de Oliver pode ser elegante e erudita ou sarcástica e cortante. Entre 1955 e 1959, ele colaborou com frequência na National Review de William Buckley. Ele ajudou a organizar a sociedade anticomunista John Birch e por alguns anos serviu como membro do seu Conselho Nacional. Oliver foi um colaborador frequente do American Opinion, principal periódico da sociedade até 1966, quando renunciou após um desacordo político com o fundador Robert Welch.

            Ele era amigo e apoiador do Institute for Historical Review. De 1980 até sua morte, ele foi membro do Comitê Consultivo Editorial do Journal of Historical Review. 

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domingo, 10 de maio de 2020

Sobre conservadorismo e liberalismo - por Revilo P. Oliver


Revilo P. Oliver
Conservadorismo

            Conservadorismo, quando esta palavra foi primeiro usada num sentido político, corretamente implicou na manutenção das instituições governamentais e sociais existentes e sua preservação de todas inovações indesejáveis e mudanças substanciais. Na Europa e nos Estados Unidos, contudo, o termo tem agora adquirido um significado linguisticamente muito impróprio e diferente: ele implica a restauração das instituições políticas e sociais que foram radicalmente subvertidas e alteradas para produzir as instituições governamentais e sociais que agora existem.

            Estritamente falando, portanto, “conservadorismo” tem vindo, paradoxalmente, a significar reação, um esforço para expurgar da organização política e social da nação os deletérios acréscimos e mudanças revolucionárias impostas sobre ela nos tempos recentes, e restaurá-la ao seu prístino estado no qual ela existiu em algum tempo definido precisa ou vagamente no passado. As pessoas que agora chamam a elas mesmas conservadoras, se elas querem dizer o que se propõem, são realmente reacionárias, mas afastassem-se da palavra mais sincera como prejudicial na propaganda.

            Eu comecei como um conservador americano: eu desejei preservar a sociedade americana na qual eu cresci, não porque eu estava inconsciente de suas muitas e grosseiramente grandes deficiências, mas porque eu a vi ameaçada pela agitação astuciosamente instigada para mudanças que a destruiriam inevitavelmente e poderiam ultimamente resultar numa reversão total ao barbarismo. E com a euforia da juventude, eu imaginei que a estrutura existente, se preservada da subversão, iria, sob o impacto de os previsíveis e historicamente inevitáveis eventos, acomodar-se ela própria às realidades do mundo físico e biofísico e talvez dar para a nação uma era de grandeza romana.

            Ao longo dos anos, conforme a fatal subversão procedia gradualmente, implacavelmente, e frequentemente furtivamente, e foi impensadamente aceita por uma população carente de força de iniciativa ou incapaz de pensar claramente, eu tornei-me crescentemente consciente que “conservadorismo” era um termo impróprio, mas eu entretive-me numa esperança de que a corrente do pensamento e sentimento representados pela palavra poderia ser bem-sucedida em restaurar ao menos os elementos essenciais da sociedade cuja suplantação eu lastimava. E quando eu finalmente decidi envolver-me eu mesmo em esforço político e agitação, eu comecei uma educação em realidades políticas muito cara e dolorosa.   

            Desde que eu tenho mantido posições de alguma importância em vários daqueles considerados os mais promissores movimentos “conservadores” nos Estados Unidos, pelos quais eu fui em uma ou outra maneira um porta-voz, e eu fui ao mesmo tempo um observador atento de muitas organizações comparáveis e oposição efetiva a todos tais esforços, amigos têm me convencido que um relato sucinto e cândido de minha educação política pode fazer alguma contribuição para o registro histórico do “conservadorismo” americano, se devesse alguém em um futuro imprevisível futuro ser interessado em estudar sua ascensão e queda.

            Eu acho que eu posso reivindicar sem falta de modéstia que eu sempre vi a realidade mais claramente que qualquer um da procissão de dispersos “líderes” autoproclamados que, inspirados pelas esperanças ilusórias e certezas imaginadas, erigiram-se para “salvar a nação,” saídos afligidos de sua pequena hora no sombrio momento de um teatro quase vazio, e desaparecidos, algumas vezes pateticamente, na obscuridade da qual eles vieram. O que eu não ouso afirmar é que eu já vi a realidade tão claramente como alguns dos homens de raciocínio agudo e sólido que cinicamente – exploraram – exploram – o resíduo de sentimento patriótico e confuso instinto de autopreservação que permanece nos americanos brancos que ainda respondem a uma ou outra variedade da propaganda da “ala direita”.

            Um aviso explícito: este escrito pode vir para as mãos de leitores para os quais ele não foi pretendido. Eu não proponho entreter com anedotas ou acalmar recontando qualquer dos contos de fadas os quais os americanos parecem nunca se cansar. Se estas páginas são dignas de serem lidas afinal, elas lidam com um problema que é estritamente intelectual e histórico, e elas são, portanto, endereçadas somente para comparativamente poucos indivíduos que são dispostos e capazes de considerar tais questões objetiva e desapaixonadamente, pensando exclusivamente em termos de fatos demonstráveis e razão, e sem referência aos desejos emocionais e fixações emocionais que são comumente chamados de “fé” ou “ideais.” Não é meu propósito causar dificuldades na placidez de muitos que se encolhem diante das realidades desagradáveis e poupam-se elas mesmas do desconforto da cogitação, ao assegurar a elas mesmas que algum salvador, mais comumente Jesus ou Marx, tinha prometido que a terra, se não o universo inteiro, irá brevemente ser rearranjada para se adequar aos seus gostos. Conforme {o Nobel de literatura de 1907, o inglês Rudyard} Kipling disse dos fanáticos de sua época, eles devem se manterem fieis a sua fé, qualquer que seja o custo da racionalidade deles: “Se elas desejam uma coisa, elas declaram-na verdadeira. Se eles não desejam-na, embora esta fosse a própria morte, eles clamam em voz alta, ‘isso nunca tem acontecido’.”

            Pessoas que não são capazes de objetividade ou são indispostos a perturbar seu repouso cerebral ao encarar fatos desagradáveis não devem nunca ler páginas que não podem senão perturbar eles emocionalmente. Se eles assim fizerem, devem culpar a curiosidade que lhes impeliu a ler palavras que não eram pretendidas a eles. O leitor tem sido avisado.


Liberalismo

           “Liberalismo” é uma religião sucedânea que foi ideada no fim do século XVIII e ele originalmente incluía um vago deísmo. Como o cristianismo do qual ele surgiu, ele se dividiu em várias seitas e heresias, tais como jacobinismo, fouierismo, owenismo, socialismo Fabiano, marxismo, e coisas do tipo. A doutrina dos cultos “liberais” é essencialmente o cristianismo despojado de sua crença nos seres sobrenaturais, mas retendo suas superstições sociais, as quais eram originalmente derivadas, e necessariamente dependentes, dos supostos desejos de um deus. Assim o “liberalismo,” o resíduo do cristianismo, é, apesar do fervor com o qual seus votantes mantém sua fé, meramente um absurdo lógico, uma série de deduções de uma premissa que tinha sido negada.

            A dependência dos cultos “liberais” sobre uma fé cega e irracional foi ao longo do tempo obscurecida ou escondida por sua professada estima pela ciência objetiva a qual eles usaram como uma polêmica arma contra o cristianismo ortodoxo, tal como os protestantes assumiram a restauração copernicana da astronomia heliocêntrica como uma arma contra os católicos, que tinham imprudentemente decidido que a terra poderia ser impedida de girar ao redor do Sol ao desafiar as Escrituras Sagradas, queimando homens inteligentes na estaca ou torturando eles até que eles não mais sustentassem suas opiniões heréticas. Os protestantes piedosos naturalmente teriam preferido uma pequena terra aconchegante, tal como seu deus descreveu em seu livro sagrado, mas eles viram a vantagem de um apelo para nosso respeito racial para realidade observada para alistar apoio, enquanto simultaneamente estigmatizavam seus rivais como ignorantes obscurantistas e ridículos resmungões.

            Os votantes do “liberalismo” teriam preferido muito ter várias espécies humanas criadas especialmente para formar uma raça dotada das qualidades fictícias queridas às extravagantes crenças “liberais”, mas os cultistas viram a vantagem de endossar os achados de geologia e biologia, incluindo a evolução das espécies, em suas polêmicas contra o cristianismo ortodoxo, para mostrar o absurdo da versão judaica do mito da criação sumério. A hipocrisia da devoção professada ao conhecimento científico foi feita inconfundível quando os “liberais” começaram seus esforços frenéticos e frequentemente históricos para suprimir o conhecimento científico sobre genética e a obviamente inata diferença entre as espécies humanas e entre os indivíduos de qualquer espécie[1].

            No presente, os “liberais” são limitados a gritarem agudamente e cuspir quando eles são confrontados com fatos inconvenientes, mas ninguém que lhes tinha ouvido em ação pode ter falhado em noticiar quão exasperado eles são pelas limitações que têm assim até agora lhes impedido de queimar biólogos e outros homens racionais na estaca.

            É desnecessário se dilatar sobre as superstições do “liberalismo.” Elas são óbvias no culto das palavras sagradas. “Liberais” estão sempre conversando sobre “toda humanidade,” um termo o qual tem um significado específico, como fazem termos paralelos na biologia, tal como “todos marsupiais” ou “todas espécies do gênero Canis,” mas os fanáticos dão ao termo um significado místico e especial, derivado do mito zorostriano de “toda humanidade” e sua contra parte na especulação estóica, mas absurdo quando usada por pessoas que negam a existência de Ahura Mazada ou uma divindade comparável que poderia ter alegadamente imposto uma unidade transcendental sobre a diversidade manifesta das várias espécies humanas.

            Os “liberais” reclamam sobre “direitos humanos” com o fervor de um evangelista que apela para o que Moisés supostamente disse, mas um momento para se pensar é o suficiente para mostrar que, na ausência de um deus que pode ser presumido ter decretado tais direitos, os únicos direitos são aqueles os quais os cidadãos de uma sociedade estável, por acordo ou por um longo tempo de uso que tem adquirido a força da lei, conferem sobre eles próprios; e enquanto os cidadãos podem mostrar bondade para alienígenas, escravos, e cavalos, estes seres podem não ter direitos. Além disso, nas sociedades que têm sido tão subjugadas pela conquista ou pela manipulação astuciosa das massas, em que os indivíduos não mais têm direitos constitucionais, que não são sujeitos a revogação pela violência ou em nome do “bem-estar social,” não existem direitos, estritamente falando, e portanto, não existem cidadãos – somente massas existindo em um estado de igualdade indiscriminada da qual os sonhos “liberais” e, naturalmente, um estado de escravidão de fato, que seus mestres podem considerá-lo um expediente, como nos Estados Unidos no presente, para fazer relativamente leve até que os animais sejam quebrados no jugo.

            Os “liberais” balbuciam sore “Um Mundo,” o qual é para ser uma “democracia universal” e é “inevitável,” e eles assim descrevem-na nos próprios termos nos quais a noção foi formulada, dois mil anos atrás, por Fílon, o judeu, o qual ele astutamente deu um colorido estico ao velho sonho judaico de um globo no qual todas as raças inferiores obedeceriam aos mestres que Jeová, por um acordo em aliança, nomeou para governá-los. E os cultos “liberais”, tendo rejeitado a doutrina cristã do “pecado original,” o qual, embora baseado em um apalermado mito sobre Adão e Eva, correspondia razoavelmente bem aos fatos da natureza humana, tendo mesmo revertido os mais perniciosos aspectos do cristianismo, os quais o senso comum tinha mantido em controle na Europa até o Século XVIII; e eles abertamente exibem a mórbida fascinação cristã com o que seja humildemente baixo, proletário, inferior, irracional, reduzido em qualidade, deformado, e degenerado. A grande preocupação choramingosa com o refugo biológico, usualmente levado ao enjoo com tais palavras sem sentido como “desprivilegiado,” faria sentido, se ela tivesse sido decretada por um deus que perversamente escolheu se tornar encarnado entre a mais pestilenta das raças humanas[2] e selecionar seus discípulos entre os resíduos iletrados até dessa peuplade {tribo}, mas desde que os “liberais” reivindicam ter rejeitado a crença em tal divindade, a superstição deles é exposta como tendo nenhuma outra base do que o próprio ressentimento sobre seus apostadores e de seus interesses profissionais em explorar a capacidade de ingenuidade de seus compatriotas.

No século XVIII, os cristãos cujo pensamento era cerebral, ao invés de glandular, perceberam que sua fé era incompatível com a realidade observada e a abandonaram relutantemente. Um desenvolvimento comparável está tomando lugar na fé minguante do “liberalismo”, e nós podemos estar certo de que, apesar do apelo do culto às massas que anseiam por uma existência sem esforço e sem mente, no nível animal, e apesar do uso prolongado de escolas públicas para deformar as mentes de todas as crianças com mitos “liberais”, o culto teria desaparecido, mas pelo apoio maciço lhe dado hoje, como aos cultos cristãos no mundo antigo, pelos judeus, que tem, por mais de dois mil anos , engordado glutonamente na venalidade, credulidade e vícios das raças que eles desprezam[3]. Em 1955, contudo, a extensão e a perfusão de seu poder nos Estados Unidos permaneceram a ser determinadas.

Há um fato crucial que não devemos deixar de fora, se nós estamos a ver a situação política como ela é, e não na anamorfose de alguma “ideologia”, isto é, linha de propaganda, seja “liberal” ou “conservadora”. O verdadeiro fulcro de poder em nossa sociedade não é nem os votantes de uma seita ideológica nem os judeus, de visão clara e perspicaz como são, mas os membros inteligentes de nossa própria raça cujo único princípio é um egoísmo não mitigável e implacável, e determinação implacável de satisfazer suas próprias ambições e cobiças a qualquer custo para sua raça, nação e até sua própria progênie. E com eles devemos considerar os burocratas, homens que, por muito ou pouco que possam pensar sobre as consequências previsíveis das políticas que realizam, são governados por uma determinação corporativa de afundar suas probóscides, cada vez mais profundamente no corpo político do qual eles extraem a alimentação deles. Nenhum desses grupos pode ser considerado “liberal” ou como tendo qualquer outra atitude política por convicção. Os primeiros são guardados pela lucidez de suas mentes, e o segundo por seus interesses coletivos, da adesão a qualquer ideologia ou outra superstição.

Tradução e palavras entre chaves por Mykel Alexander


Notas


[1] Nota do tradutor: Ver especialmente o trabalho mais recente de Nicholas Wade, Uma herança incômoda, Editora Três Estrelas, São Paulo, 2016. Tradução do original em inglês por Pedro Sette-Câmara.

[2] Nota do tradutor: Sobre a questão judaica ver:
- “Conversa direta sobre o sionismo - o que o nacionalismo judaico significa”, por Mark Weber, 19 de maio de 2019, World Traditional Front. Tradução do inglês ao português por Mykel Alexander.
Originalmente publicado como “Straight Talk About Zionism: What Jewish Nationalism Means”, por Mark Weber, 14 de abril de 2009, Institute for Historical Review.

- “Antissemitismo: Por que ele existe? E por que ele persiste?”, por Mark Weber, 07 de dezembro de 2019, World Traditional Front. Tradução do inglês ao português por Mykel Alexander.
Originalmente publicado como “Anti-Semitism: Why Does It Exist? And Why Does it Persist?”, por Mark Weber, Dezembro 2013 / revisado em janeiro de 2014, The Journal for Historical Review.

- “Controvérsia de Sião”, por Knud Bjeld Eriksen, 02 de novembro de 2018, World Traditional Front. Resumo por Knud Bjeld Eriksen, dinamarquês, bacharel em Direito. Traduzido do inglês ao português por Norberto Toedter (https://www.toedter.com.br/), e publicado posteriormente em Norberto Toedter, Outra face da Notícia, Editora do Chain, Curitiba, 2012, páginas 21-39.
Originalmente publicado em 6 de fevereiro de 1998 no site de Knud Bjeld Eriksen:

[3] Nota do tradutor: Um exemplo contundente da perspectiva das lideranças da militância sionista pode ser apreciado nos artigos abaixo:
- Grande rabino diz que não-judeus são burros {de carga}, criados para servir judeus - por Khalid Amayreh, 26 de abril de 2020, World Traditional Front. Tradução do inglês ao português por Mykel Alexander.
Orifinalmente publicado como “Major rabbi says non-Jews are donkeys, created to serve Jews”, por Khalid Amayreh, 18 de outubro de 2010, The peoples voice.

- Ex-rabino-chefe de Israel diz que todos nós, não judeus, somos burros, criados para servir judeus - como a aprovação dele prova o supremacismo judaico, por David Duke, 03 de maio de 2020, World Traditional Front. Tradução do inglês ao português por Mykel Alexander.
Originalmente publicado como Honoring Rabbi Yosef: How His Approval Proves Jewish Supremacism, por David Duke, 01 de outubro de 2014, David Duke.




Fonte: Este artigo é da antologia America’s Decline: The Education of a Conservative (1982), páginas 1-4, 79-83. Ele apareceu no The Journal of Historical Review, setembro-outubro de 1994 (Vol. 14, nº 5), páginas 21-23.

Sobre o autor: Revilo P. Oliver (1910-1994) foi um estudioso americano de estatura internacional, ensinou Clássicos na Universidade de Illinois por 32 anos. Ele conhecia doze idiomas e escreveu artigos em quatro deles para publicações acadêmicas nos EUA e na Europa. Oliver obteve seu doutorado na Universidade de Illinois em 1940 e, em 1947, iniciou sua carreira de professor no departamento de Clássicos de lá. Durante o início da década de 1950 ele era tanto um membro da Guggenheim como da Fulbright.

Uma estilista brilhante e meticulosa, a escrita de Oliver pode ser elegante e erudita ou sarcástica e cortante. Entre 1955 e 1959, ele colaborou com frequência na National Review de William Buckley. Ele ajudou a organizar a sociedade anticomunista John Birch e por alguns anos serviu como membro do seu Conselho Nacional. Oliver foi um colaborador frequente do American Opinion, principal periódico da sociedade até 1966, quando renunciou após um desacordo político com o fundador Robert Welch.

            Ele era amigo e apoiador do Institute for Historical Review. De 1980 até sua morte, ele foi membro do Comitê Consultivo Editorial do Journal of Historical Review

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sexta-feira, 8 de maio de 2020

Oswald Spengler: crítica e homenagem - por Revilo Oliver


Revilo Oliver

Concebida antes da Primeira Guerra Mundial, é a obra magistral de Oswald Spengler, Der Untergang des Abendlandes (Munique, 1918)[1]. Lida neste país principalmente na tradução brilhantemente fiel de Charles Francis Atkinson, The Decline of the West (Nova Iorque, dois volumes, 1926-28), a morfologia da história de Spengler foi a grande conquista intelectual de nosso século. Qualquer que seja a nossa opinião sobre seus métodos ou conclusões, não podemos negar que ele foi o Copérnico da historionomia. Todos os escritos subsequentes sobre a filosofia da história podem ser descritos como uma crítica ao The Decline of the West.

Spengler, tendo formulado uma história universal, empreendeu uma análise das forças operando no mundo imediatamente contemporâneo. Isso ele expôs em uma obra magistral, Die Jahre der Entscheidung, da qual apenas o primeiro volume poderia ser publicado na Alemanha (Munique, 1933) e traduzido para o inglês (The Hour of Decision Nova Iorque, 1934)[2]. Bastava-se ler este brilhante trabalho, com sua análise lúcida de forças que até os observadores agudos não perceberam até 25 ou 30 anos mais tarde, e com sua previsão que eventos subsequentes agora se mostraram absolutamente corretos, para reconhecer que seu autor foi uma das grandes mentes políticas e filosóficas do Ocidente. Deve-se lembrar, no entanto, que a incrível precisão de sua análise da situação contemporânea não prova necessariamente a validade de sua morfologia histórica.

A publicação do primeiro volume de Spengler em 1918 lançou uma súbita enxente de controvérsia que continua até os dias atuais. Manfred Schroeter, em Der Streit um Spengler (Munique, 1922), pôde dar uma prévia das críticas que apareceram em pouco mais de três anos; hoje, uma mera bibliografia, se razoavelmente completa, levaria anos para compilar e provavelmente chegaria a oitocentas ou mil páginas impressas.

Spengler naturalmente provocou enxames de patetas carentes de julgamento, que ficaram particularmente irritados com sua sugestão imoral e prepóstera de que poderia haver outra guerra na Europa, quando todos sabiam que não poderia haver nada além da Paz Mundial depois de 1918, porque Papai Noel tinha acabado de trazer uma nova, boa e brilhante “Liga das Nações”. Tais caixas de diálogo “liberais” estão sempre fazendo barulho, mas ninguém com o menor conhecimento da história humana prestaram atenção nelas, exceto como sintomas.

Infelizmente, críticas muito mais inteligentes à Spengler foram motivadas pela insatisfação emocional com suas conclusões. Em um artigo na Antiquity de 1927, o erudito R.S. Collingwood, de Oxford, chegou ao ponto de afirmar que os dois volumes de Spengler não haviam lhe dado “uma única ideia genuinamente nova” e que ele “ própria havia a realizado há muito tempo” – e, é claro, rejeitou – mesmo as análises detalhadas de Spengler de culturas individuais. Conforme um breve olhar no trabalho de Spengler será suficiente para mostrar, essa afirmação é menos plausível do que uma alegação de saber tudo o que está contido na Décima Segunda Edição da Encyclopaedia Britannica. Collingwood, o autor do Speculum Mentis e outras obras filosóficas, deve ter sido atormentado por ressentimentos emocionais tão fortes que ele não podia ver o quão vaidosa, arrogante e improvável sua vaidade pareceria para a maioria dos leitores.

Agora é um truísmo que o “pessimismo” e o “fatalismo” de Spengler tenham sido um choque insuportável para as mentes alimentadas na ilusão do século XIX de que tudo ficaria cada vez melhor para sempre e sempre. A interpretação cíclica da história de Spengler afirmava que uma civilização era um organismo com um tempo de vida definido e fixo, passando da infância à senescência e morte por uma necessidade interna comparável à necessidade biológica que decreta o desenvolvimento do organismo humano da imbecilidade infantil à senil decrepitude. Napoleão, por exemplo, era a contraparte de Alexandre no mundo antigo.

Oswald Spengler

Nós estávamos agora, portanto, em uma fase da vida civilizacional em que as formas constitucionais são suplantadas pelo prestígio dos indivíduos. Em 2000, seremos “contemporâneos” com a Roma de Sulla, o Egito da Décima Oitava Dinastia e a China na época em que os “Estados contendores” foram soldados em um império. Isso significa que enfrentamos uma era de guerras mundiais e, o que é pior, guerras civis e proscrições, e que por volta de 2060 o Ocidente (se não for destruído por seus inimigos alienígenas) se unirá sob o domínio pessoal de um César ou Augusto. Essa não é uma perspectiva agradável.


Grandeza ou otimismo

A única questão perante nós, no entanto, é se Spengler está correto em sua análise. Os homens racionais consideram irrelevante o fato de que suas conclusões não são encantadoras. Se um médico informar que você tem sintomas de arteriosclerose, ele pode ou não estar certo em seu diagnóstico, mas é absolutamente certo que você não pode se rejuvenescer dando um tapa na cara dele.

Penso que todo observador desapegado de nosso tempo concorda que o “pessimismo” de Spengler despertou emoções que impossibilitam a consideração racional. Estou inclinado a acreditar que o nível moral de seu pensamento foi um obstáculo maior. Seu “fatalismo” não era do tipo consolador que permite que os homens levantem as mãos e se esquivem de responsabilidades. Considere, por exemplo, as linhas finais de seus Men and Technics (Nova Iorque, 1932)[3]:
O perigo já é tão grande, para todo indivíduo, toda a classe, toda o povo, que nutrir qualquer ilusão que seja é deplorável. O tempo não deixa ele mesmo ser interrompido; não há questão de recuo prudente ou renúncia sábia. Somente os sonhadores acreditam que há uma saída. Otimismo é covardia.
Nós nascemos neste tempo e devemos bravamente seguir o caminho para o fim destinado. Não há outro caminho. Nosso dever é manter a posição perdida, sem esperança, sem resgate, como aquele soldado romano cujos ossos foram encontrados em frente a uma porta em Pompéia, que, durante a erupção do Vesúvio, morreu em seu posto porque se esqueceram de liberá-lo. Isso é grandeza. É isso que significa ser um raça-pura. O fim honroso é a única coisa que não pode ser tirada de um homem.
Agora, se o prognóstico austero e severo que está por trás dessa conclusão é ou não correto, nenhum homem apto a viver o presente pode ler essas linhas sem sentir seu coração elevado pelo grande ethos de uma cultura nobre – a força espiritual do Ocidente que pode conhecer tragédia e não ter medo. E, simultaneamente, esse pronunciamento afronta à histeria o epiceno homúnculo entre nós, os covardes que esperam apenas fugir com segurança na escuridão e se infiltrar na decadência de uma cultura infinitamente além da compreensão deles.

Esse contraste é em si mesmo um dado muito significativo para uma estimativa da condição atual de nossa civilização…


Três pontos de crítica

As críticas a Spengler, portanto, para que não pareçam meras discussões sobre detalhes, devem lidar com as principais premissas. Agora, até onde posso ver, a tese de Spengler pode ser contestada em três pontos realmente fundamentais, a saber:

          (1) Spengler considera cada civilização como uma entidade fechada e isolada, animada por uma ideia dominante, ou Weltanschauung, que é sua “alma”. Por que devem as ideias, ou conceitos, as criações impalpáveis ​​da mente humana, passar por uma evolução orgânica como se estivessem vivendo um protoplasma, que, como substância material, está compreensivelmente sujeito a alterações químicas e, portanto, leis biológicas? Essa objeção lógica não é conclusiva: os homens podem observar as marés, por exemplo, e até prever, sem poder explicar o que as causa. Mas quando devemos deduzir as leis históricas das quatro das cinco civilizações das quais temos algum conhecimento bastante preciso, não temos repetições suficientes de um fenômeno para calcular sua periodicidade com segurança, se não sabemos por que isso acontece.

          (2) Uma dificuldade muito mais grave surge do fato histórico que nós temos já mencionados. Por cinco séculos, pelo menos, os homens do Ocidente consideraram a civilização moderna como um renascimento ou prolongamento da antiguidade greco-romana. Spengler, como a própria base de sua hipótese, considera o mundo clássico como uma civilização distinta e alheia à nossa – uma civilização que, como a egípcia, viveu, morreu, e agora se foi. Era dominada por uma Weltanschauung completamente diferente e, consequentemente, os homens instruídos da Europa e da América, que durante cinco séculos acreditavam na continuidade, estavam apenas sofrendo de uma ilusão ou alucinação.

Mesmo se admitirmos que, no entanto, ainda estamos diante de um fenômeno histórico único. As civilizações egípcia, babilônica, chinesa, hindu e árabe (“magiana”) são todas consideradas por Spengler (e outros proponentes de uma estrutura orgânica da cultura) como organismos únicos e não relacionados: cada um surgiu sem derivar seus conceitos de outra civilização (ou, alternativamente, vendo seus próprios conceitos nos registros de uma civilização anterior), e cada um morreu sem deixar descendência (ou, alternativamente, nenhuma civilização subsequente pensava em ver neles seus próprios conceitos). Simplesmente não há paralelo ou precedente para o relacionamento (real ou imaginário) que liga a cultura greco-romana à nossa.

Desde que Spengler escreveu, uma grande descoberta histórica complicou ainda mais a questão. Sabemos agora que os povos micênicos eram gregos, e é virtualmente certo que os elementos essenciais de sua cultura sobreviveram à desintegração causada pela invasão dórica e foram a base da cultura grega posterior. (Para um bom resumo, veja Leonard R. Palmer, Mycenaeans and Minoans, Londres, 1961). Portanto, temos uma sequência que, até onde sabemos, é única:

Micênico → Idade das Trevas → Greco-Romano → Idade das Trevas → Moderno. Se essa é uma civilização, ela tem tido uma vida criativa muito mais longa do que a de qualquer outra que até agora apareceu no mundo. Se for mais de uma, as inter-relações formam uma exceção à lei geral de Spengler e sugerem a possibilidade de que uma civilização, se morrer por algum tipo de processo quase biológico, pode, em alguns casos, ter um poder quase biológico de reprodução.

A exceção se torna ainda mais notável se, diferentemente de Spengler, considerarmos fundamentalmente importante o conceito de autogoverno, que pode estar presente até nos tempos micênicos (ver L.R. Palmer, Mycenaeans and Minoans). Democracias e repúblicas constitucionais são encontradas apenas no mundo greco-romano e no nosso; essas instituições parecem ter sido incompreensíveis para outras culturas.

(3) Para todos os fins práticos, Spengler ignora diferenças hereditárias e raciais. Ele até usa a palavra “raça” para representar uma diferença qualitativa entre os membros do que deveríamos chamar de mesma raça, e nega que essa diferença seja, em qualquer extensão significativa, causada pela hereditariedade. Ele considera as raças biológicas plásticas e mutáveis, mesmo em suas características físicas, sob a influência de fatores geográficos (incluindo o solo, que se diz afetar o organismo físico através dos alimentos) e do que Spengler chama de “uma força cósmica misteriosa” que nada tem a ver com biologia. A única unidade real é cultural, isto é, as ideias e crenças fundamentais compartilhadas pelos povos que formam uma civilização. Assim, Spengler, que faz aquelas sujeitas ao crescimento e decaimento quase biológico, estranhamente rejeita como insignificante os achados da ciência biológica concernente aos organismos vivos.

É verdade, é claro, que o homem é em parte um ser espiritual. Disso, as pessoas que têm fé religiosa não precisam de garantia. Outros, a menos que estejam determinados a negar cegamente as evidências diante de nós, devem admitir a existência de fenômenos do tipo descrito por Franz E. Winkler, MD, em Man the Bridge Between Two Worlds (Nova Iorque, Harper, 1960) e, é claro, por muitos outros escritores. E todo historiador sabe que nenhuma das culturas superiores poderia existir, se os seres humanos fossem meramente animais.

Mas também é verdade que a ciência da genética, fundada pelo padre Mendel há apenas um século e quase totalmente negligenciada até os primeiros anos do século XX, determinou leis biológicas que só podem ser negadas negando a realidade do mundo físico. Toda pessoa educada sabe que a cor dos olhos de um homem, a forma dos lóbulos das orelhas e todas as outras características fisiológicas são determinadas por fatores hereditários. É virtualmente certo que a capacidade intelectual também é produzida por herança, e há uma quantidade razoável de evidências que indicam que mesmo as capacidades morais são igualmente inatas.

O poder de intervenção do homem no desenvolvimento das qualidades herdadas parece ser inteiramente negativo, fornecendo assim outra prova melancólica de que a engenhosidade humana pode facilmente destruir o que nunca pode criar. Qualquer tolo com uma faca pode, em três minutos, tornar a mulher mais bonita para sempre horrível, e um de nossos “especialistas em saúde mental”, mesmo sem usar uma faca, pode destruir rápida e permanentemente o melhor intelecto. E parece que intervenções menos drásticas, por meio da educação e outro controle do ambiente, podem perverter ou deformar temporariamente ou mesmo permanentemente, mas são impotentes para criar capacidades que um indivíduo não herdou de ancestrais próximos ou mais remotos.

Os fatos estão fora de questão, embora a Polícia Secreta na Rússia Soviética e os esquadrões de cuspidores “liberais” nos Estados Unidos tenham conseguido manter esses fatos longe do público em geral nas áreas que controlam. Mas nenhuma quantidade de terrorismo pode alterar as leis da natureza. Para uma exposição legível da genética, veja Nature e Fate’s Man, de Garrett Hardin (Nova Iorque, Rinehart, 1959)[4], que está sujeita apenas à reserva de que as leis da genética, como as leis da química, são verificadas por observação todos os dias, enquanto a doutrina da evolução biológica é necessariamente uma hipótese que não pode ser verificada por experimento.


O fator raça

Também está fora de dúvida que as raças da humanidade diferem muito na aparência física, na suscetibilidade para doenças específicas e na capacidade intelectual média. Há indícios de que elas diferem também na organização nervosa e, possivelmente, nos instintos morais[5]. Seria um milagre se não fosse assim, pois, como é sabido, as três raças primárias eram distintas e separadas no momento em que homens inteligentes apareceram pela primeira vez neste planeta, e assim permanecem desde então. As diferenças são tão pronunciadas e estáveis ​​que os proponentes da evolução biológica acham cada vez mais necessário postular que as diferenças remontam a espécies que precederam o aparecimento do homo sapiens. (Veja a edição nova e revisada de The Story of Man, do Dr. Carleton S. Coon, Nova Iorque, Knopf, 1962).[6]

Que tais diferenças existam é sem dúvida deplorável. Certamente é deplorável que todos os homens morram, e há pessoas que consideram deplorável a existência de diferenças, tanto anatômicas quanto espirituais, entre homens e mulheres. No entanto, nenhuma quantidade de mentiras combinadas de “liberais” e nenhuma quantidade de decretos da Gangue Warren [Suprema Corte] mudará, no mínimo, as leis da natureza.

Agora, sabemos muito sobre genética, tanto individual quanto racial, e essas incertezas permitem estimativas muito diferentes da importância relativa de fatores biologicamente determinados e conceitos culturais no desenvolvimento de uma civilização. Nosso único argumento aqui é que é altamente improvável que fatores biológicos não tenham nenhuma influência sobre a origem e o curso das civilizações. E na medida em que eles influenciam, a teoria de Spengler é defeituosa e provavelmente enganosa.


Insights profundos

Poder-se-ia adicionar alguns pontos menores às três objeções expostas acima, mas serão suficientes para mostrar que a historionomia spengleriana não pode ser aceita como uma certeza. É, contudo, uma grande formulação filosófica que coloca questões de extrema importância e aprofunda nossa percepção da causalidade histórica. Nenhum estudante de história precisou de Spengler para lhe dizer que um declínio da fé religiosa necessariamente enfraquece os laços morais que tornam possível a sociedade civilizada. Porém, a demonstração de Spengler de que esse declínio parece ter ocorrido em um ponto definido no desenvolvimento de várias civilizações fundamentalmente diferentes com, é claro, religiões radicalmente diferentes nos fornece dados que devemos levar em consideração quando tentamos verificar as verdadeiras causas do declínio. E sua posterior observação que o declínio era eventualmente seguido por uma varredura do reavivamento da crença religiosa é igualmente significante.  

Por mais errado que ele possa estar em relação a algumas coisas, Spengler nos deu insights profundos sobre a natureza de nossa própria cultura. Mas, para ele, nós poderíamos ter ficado acreditando que nossa grande tecnologia era apenas uma questão de economia – de tentar fazer mais coisas mais baratas. Mas ele nos mostrou, penso eu, que nossa tecnologia tem um significado mais profundo – que, para nós, os homens da civilização ocidental, responde a certa necessidade espiritual inerente a nós, e que derivamos de seus triunfos como a satisfação análoga àquela que é derivada de boa música ou grande arte.

Oswald Arnold Gottfried Spengler (29 de Maio de 1880 - 8 de Maio de 1936)

E Spengler, acima de tudo, tem nos forçado a investigar a natureza da civilização e a nos perguntar por que meios – se houver – podemos consertar e preservar os longos e estreitos diques que sozinhos nos protegem do vasto e turbulento oceano de barbárie eterna. Por isso, nós devemos sempre honrá-lo.

Tradução de Leonardo Campos via Sentinela .
Revisão de Mykel Alexander

Apêndice

Revilo Oliver sobre História

O desenvolvimento de uma filosofia da história funcional é a tarefa mais urgente e difícil do pensamento do século XX.

O futuro sempre se parecerá com o passado, porque a natureza humana não muda.

As questões sociais e políticas de nossos dias são todas principalmente problemas históricos. Para pensar sobre eles racionalmente, devemos começar consultando o registro da experiência humana no passado. E logo percebemos que, se soubéssemos o suficiente sobre a história – e a entendêssemos -, nós teríamos as respostas para todas as nossas perguntas.

Nenhum homem vive o suficiente para contemplar com seus próprios olhos um padrão de mudança na sociedade. Ele é como ao mosquito que nasce à tarde e morre ao pôr do sol, e que, portanto, por mais inteligente que seja, nunca poderia descobrir, ou mesmo suspeitar, que dia e noite alternam regularmente. Ao contrário do mosquito, no entanto, o homem pode consultar a experiência das relativamente poucas gerações de sua espécie que o precederam durante o período comparativamente breve de cerca de cinco mil anos em que os seres humanos tiveram o poder de deixar registros para a instrução de sua posteridade.

Tradução de Leonardo Campos via Sentinela.
Revisão de Mykel Alexander


Notas


[1] Nota de Mykel Alexander: Em português foi publicado pela editora Zahar (várias edições) como A Decadência do Ocidente, porém apenas numa edição resumida.

[2] Nota de Mykel Alexander: Em português foi publicado como Anos de Decisão – A Alemanha e a evolução histórico-mundial, Edições Meridiano, Porto Alegre, 1941, tradução de Herbert Caro.

[3] Nota de Mykel Alexander: Em português foi publicado como O Homem e a Técnica, Guimarães Editora, Lisboa, 1993 (ao menos duas edições), tradução do alemão ao português por João Botelho e prefácio de Luis Furtado.

[4] Nota de Mykel Alexander: Sobre a influência da genética na humanidade ver especialmente o trabalho mais recente de Nicholas Wade, Uma herança incômoda, Editora Três Estrelas, São Paulo, 2016. Tradução do original em inglês por Pedro Sette-Câmara.

[5] Nota de Mykel Alexander: Novamente, sobre a influência da genética na humanidade ver Nicholas Wade, Uma herança incômoda, Editora Três Estrelas, São Paulo, 2016. Tradução do original em inglês por Pedro Sette-Câmara.

[6] Nota de Mykel Alexander: Em português foi publicado como a história do homem, Editora Itatiaia, Belo Horizonte, 1960, traduzido do inglês ao português por Milton Amado. Contudo esta tradução não procede da edição revisada de 1962, mas certamente da primeira edição de 1954.




Fonte: Este ensaio, originalmente escrito e publicado em 1963, é da antologia America's Decline: The Education of a Conservative (1982), páginas 193-200. Apareceu no The Journal of Historical Review, março-abril de 1998 (Vol. 17, nº 2), páginas 10-13.

Sobre o autor: Revilo P. Oliver (1910-1994) foi um estudioso americano de estatura internacional, ensinou Clássicos na Universidade de Illinois por 32 anos. Ele conhecia doze idiomas e escreveu artigos em quatro deles para publicações acadêmicas nos EUA e na Europa. Oliver obteve seu doutorado na Universidade de Illinois em 1940 e, em 1947, iniciou sua carreira de professor no departamento de Clássicos de lá. Durante o início da década de 1950 ele era tanto um membro da Guggenheim como da Fulbright.

Uma estilista brilhante e meticulosa, a escrita de Oliver pode ser elegante e erudita ou sarcástica e cortante. Entre 1955 e 1959, ele colaborou com frequência na National Review de William Buckley. Ele ajudou a organizar a sociedade anticomunista John Birch e por alguns anos serviu como membro do seu Conselho Nacional. Oliver foi um colaborador frequente do American Opinion, principal periódico da sociedade até 1966, quando renunciou após um desacordo político com o fundador Robert Welch.

         Ele era amigo e apoiador do Institute for Historical Review. De 1980 até sua morte, ele foi membro do Comitê Consultivo Editorial do Journal of Historical Review.

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