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segunda-feira, 2 de março de 2026

Quando a Diplomacia se Torna Teologia {na verdade fanatismo religioso}: Israel e o Caso Mike Huckabee. A Erosão da Ordem Jurídica - por Laala Bechetoula

 

Laala Bechetoula

Há deslizes diplomáticos.

E há momentos que revelam uma deriva estrutural dentro da própria máquina do poder.

Quando o embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee, afirmou em fevereiro de 2026 que seria “aceitável” se Israel tomasse “toda” a terra descrita na promessa bíblica a Abraão, a observação deixou de ser um comentário isolado. Tornou-se um sinal. Expôs o que acontece quando o maximalismo teológico começa a substituir a disciplina institucional na linguagem da diplomacia oficial.

A questão não é a fé.

A questão é o mandato.

A questão é a lei.

Quando essas linhas se dissolvem, a diplomacia perde a coerência — e com ela, a credibilidade.

 

A Declaração: O Que Foi Dito

Durante uma entrevista divulgada em fevereiro de 2026, Huckabee foi questionado se Israel possuía um direito bíblico sobre as terras que se estendiam do Nilo ao Eufrates. Após breve hesitação, ele respondeu que “não haveria problema” se Israel “tomasse tudo,” antes de acrescentar que tal expansão não estava em discussão.

A reação foi imediata. Governos árabes emitiram protestos formais. Organizações regionais descreveram as declarações como desestabilizadoras. Diplomatas de todo o Oriente Médio interpretaram a declaração não como especulação teológica, mas como um sinal geopolítico.

{O político e embaixador dos EUA em Israel, Mike Huckabee (1955-) leva para a política internacional fanatismo judaico-cristão-sionista ao apelar para um desenho geopolítico baseado na Bíblia. É preciso registrar que no auge do poder europeu no século XIX o judaísmo internacional através de sua liderança maldisse as posições católicas baseadas no fanatismo religioso, mas agora que o fanatismo religioso predominante é o sionista e que o direito internacional impede a pretensão bíblica sionista, os sionistas querem abandonar o direito e pedir fanatismo na política. Não é algo novo essa contradição, faz parte da narrativa da tradição judaica, através da escritura, colocar uma lei para os judeus e uma lei para os outros povos. Ver especialmente: O peso da tradição: por que o judaísmo não é como outras religiões - por Mark Weber.}

A mídia ocidental noticiou o episódio com uma clareza incomum. A Associated Press observou que os comentários “provocaram indignação entre os governos árabes e levantaram questões sobre a neutralidade diplomática dos EUA.” O Financial Times descreveu a declaração como um “desvio extraordinário da linguagem política americana estabelecida,” enquanto o The Guardian citou diplomatas que consideraram as declarações juridicamente insustentáveis ​​e politicamente desestabilizadoras. (AP News; Financial Times; The Guardian, fevereiro de 2026)

O que se seguiu foi igualmente significativo. 

Não houve correção pública imediata por parte do Departamento de Estado dos EUA, nenhum esclarecimento por parte da Casa Branca e nenhum esforço visível para distanciar a política oficial das declarações do embaixador. Em diplomacia, o silêncio não é neutro. Ele funciona como um sinal direto por si só.

Quando um embaixador expressa publicamente uma ambição territorial expansionista fundamentada em uma narrativa sagrada, a ausência de um esclarecimento institucional imediato é interpretada no exterior não como descuido, mas como tolerância. Em regiões já atentas às mudanças na postura americana, esse silêncio adquire um significado estratégico. Sugere aquiescência ou incoerência interna — ambas com consequências para a credibilidade.

Um esclarecimento posterior do próprio embaixador enfatizou que Israel não buscava expansão territorial. Mas, a essa altura, a mensagem mais importante já havia circulado. Em diplomacia internacional, a primeira declaração estabelece o contexto; o silêncio institucional determina se esse contexto se consolida na percepção.

 

Convicção Pessoal e Mandato Institucional

A questão analítica central não é retórica.

Foi este um momento de entusiasmo pessoal — ou evidência de desvio institucional?

Embaixadores não possuem um registro privado. Quando o representante credenciado dos Estados Unidos fala publicamente, suas palavras carregam autoridade institucional, independentemente do formato. Não há um parêntese rotulado como “crença pessoal” que proteja as declarações diplomáticas de seu efeito geopolítico.

O problema não é que Huckabee tenha fortes convicções religiosas sobre Israel. A tradição americana permite convicções religiosas na vida pública. O problema é que ele expressou, em sua capacidade oficial, uma visão territorial que contradiz tanto o direito internacional de longa data quanto a estrutura política que seu cargo é obrigado a representar.

Quando o presidente Donald Trump declarou publicamente, em 2025, que não permitiria a anexação da Cisjordânia, essa posição fazia parte do mandato diplomático. Um embaixador que publicamente defende o direito bíblico a um território que se estende pelo Oriente Médio não está atuando dentro da margem de manobra política. Ele está ultrapassando-a.

 

A Arquitetura Jurídica

A proibição da aquisição de território pela força é o fundamento da ordem internacional pós-1945. Ela está codificada no Artigo 2(4) da Carta das Nações Unidas, a qual proíbe ameaças à integridade territorial ou à independência política de qualquer Estado.

Este princípio foi reafirmado repetidamente em relação a Israel e aos territórios conquistados em 1967:

A Resolução 242 do Conselho de Segurança da ONU afirma a “inadmissibilidade da aquisição de território por meio da guerra”.

A Resolução 497 declara a anexação das Colinas de Golã por Israel “nula e sem efeito”.

A Resolução 2334 afirma que os assentamentos israelenses em território ocupado “não têm validade jurídica”.

A Corte Internacional de Justiça, em seu parecer consultivo de 2004, confirmou que a Cisjordânia e Jerusalém Oriental permanecem território ocupado sob o direito internacional.

Estes não são textos simbólicos. Eles constituem a arquitetura jurídica do sistema internacional contemporâneo.

Sugerir — mesmo que hipoteticamente — que seria aceitável para um Estado soberano absorver vastos territórios com base em narrativas sagradas é legitimar retoricamente um cenário que violaria a proibição central que esses instrumentos visam fazer cumprir.

Um diplomata pode ter convicções religiosas.

Ele não pode colocá-las acima do direito internacional vinculativo ao falar em nome do Estado.

 

As Escrituras e seus Limites

Textos sagrados têm moldado civilizações. Ao longo da história, eles também foram usados ​​para justificar a expansão e a conquista. A ordem internacional moderna surgiu, em parte, para impedir que reivindicações teológicas determinassem fronteiras.

A Bíblia Hebraica referencia a uma aliança divina que promete terras desde o rio do Egito até o Eufrates (Gênesis 15:18). Contudo, a mesma tradição profética condiciona a posse à justiça e à responsabilidade moral. A terra, nesse contexto, é pactuada e condicional.

O Alcorão, da mesma forma, afirma a soberania divina sobre a terra e enfatiza a mordomia em vez do direito permanente: “A Deus pertence o domínio dos céus e da terra” (Alcorão 3:189).

Nenhum dos textos funciona como um registro de terras moderno. Quando um diplomata de uma república constitucional laica invoca uma narrativa sagrada como direito geopolítico, a questão não é a crença religiosa, mas sim a coerência institucional.

 

Lições Históricas

A prática diplomática reconhece há muito tempo que embaixadores que se manifestam além de suas atribuições causam danos institucionais. Quando declarações públicas contradizem a política oficial, elas exigem correção. Quando a correção não ocorre, o silêncio é interpretado como endosso.

O princípio é simples: embaixadores representam a política, não ideologias pessoais. A representação deve estar alinhada com o mandato.

 

Consequências Estratégicas

O Oriente Médio está passando por um realinhamento estrutural. As potências regionais estão diversificando suas alianças. A China avança por meio da diplomacia econômica. A Rússia mantém parcerias de segurança em múltiplos cenários. Os Estados do Golfo adotam estratégias de proteção através de diferentes blocos geopolíticos.

Nesse ambiente, a credibilidade americana depende fortemente da percepção de consistência no respeito ao direito internacional. Quando um enviado de alto escalão parece validar uma ampla pretensão territorial, os atores regionais interpretam o sinal como evidência de que o compromisso de Washington com as normas jurídicas é condicional.

A mediação torna-se difícil quando a neutralidade é questionada.

Os aliados recalibram suas estratégias quando a consistência se deteriora.

Os adversários exploram as contradições.

Por décadas, a diplomacia americana tem equilibrado o apoio à segurança de Israel com o endosso formal de acordos negociados no estabelecimento de arcabouços. Declarações como a de Huckabee desestabilizam esse equilíbrio, substituindo a ambiguidade estratégica pelo absolutismo ideológico.

 

A Ilusão da Força

A retórica maximalista é frequentemente confundida com força. Historicamente, ela produz o efeito oposto. Estados que fundem certeza teológica com ambição geopolítica restringem seu espaço diplomático e transformam disputas políticas em conflitos existenciais.

A liderança fundadora de Israel compreendeu que a legitimidade internacional e a sobrevivência estavam interligadas. O reconhecimento precedeu a consolidação. Substituir a diplomacia pragmática pelo maximalismo sagrado não é fortalecimento. É risco.

 

Realidade Multipolar

O sistema internacional não é mais unipolar. As potências emergentes observam atentamente a adesão do Ocidente às normas jurídicas. Quando os Estados Unidos demonstram seletividade na aplicação de princípios territoriais, isso acelera o realinhamento geopolítico.

Credibilidade é capital estratégico. Uma vez perdida, não pode ser facilmente restaurada.

Este episódio não é meramente controvérsia retórica.

Trata-se de uma quebra estrutural da disciplina diplomática.

 

Acerto de Contas Estratégico

A questão em jogo não é teologia. É integridade institucional.

Um embaixador representa a ordem constitucional de seu Estado. Essa ordem se baseia na lei, não na revelação; na soberania negociada, não em direitos sagrados. No momento em que a diplomacia oficial começa a ecoar o absolutismo civilizacional, ela deixa de funcionar como mediação e se torna alinhamento.

Os Estados podem sobreviver à controvérsia.

Eles não sobrevivem à erosão sustentada de sua credibilidade.

Se a linguagem da geografia divina substituir a linguagem do direito internacional na representação oficial, as consequências não permanecerão retóricas. Elas remodelarão alianças, enfraquecerão a mediação e acelerarão a fragmentação geopolítica.

Este episódio não deve ser descartado como uma observação isolada.

Ele deve ser compreendido como um alerta.

Porque quando a lei cede à crença na condução da diplomacia, o próprio poder começa a perder sua âncora.

E em um mundo que já caminha para a tensão multipolar, a falta de âncora não é força. É vulnerabilidade.

Tradução e palavras entre chaves por Mykel Alexander

 

Fonte: When Diplomacy Becomes Theology: Israel and The Mike Huckabee Affair. The Erosion of Legal Order, por Laala Bechetoula, 28 de fevereiro de 2026, Global Research.

https://www.google.com/search?q=Laala+Bechetoula&sourceid=chrome&ie=UTF-8

Laala Bechetoula é um jornalista e escritor argelino, analista de política argelina especializado em geopolítica do Oriente Médio, política externa ocidental e a questão palestina. É autor de The Book of Gaza Hashem: A Testament Written in Olive Wood and Ash.

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domingo, 5 de outubro de 2025

A Obsessão Judaica pelo Sangue - por David Skrbina (pseudônimo Thomas Dalton)

 

David Skrbina 


Todo o grande oceano de Netuno lavará esse sangue da minha mão?

- Shakespeare, Macbeth (Ato II, SC.2)

Sangue é uma substância tão estranha na experiência humana. Todos nós temos sangue, é claro, mas ele está escondido, por assim dizer, fora da vista e da mente. Por um lado, é o próprio fluido do corpo vivo, tão necessário quanto o ar. Sangue é vida, energia, vibração, juventude; falamos de “sangue vermelho”, “sangue quente”, “carne e sangue”, “sangue jovem”. Para contrastar, porém, ele também representa o ferimento e morte; meramente avistar sangue faz algumas pessoas desmaiarem. A única vez que a maioria de nós realmente vê sangue é quando ele está vazando de um corpo vivo (ou talvez recentemente morto), e, portanto, não é bom! Sangue visível é um sinal de perigo, de dor e talvez de morte. Não surpreendentemente, então, que a maioria das pessoas desvie a própria visão dele.

E, ainda, algumas pessoas não evitam a visão do sangue. Algumas, ao que parece, o apreciam. Algumas encontram glória nele, expiação e até mesmo salvação. De fato, algumas o vêem como sua própria ligação com o próprio Deus. De fato, os judeus são precisamente esse povo. Desde os tempos antigos, a tribo hebraica via o sangue como central tanto para suas vidas diárias quanto para sua visão de mundo mais ampla. O sangue estava sempre presente nos assuntos humanos comuns (judaicos) e era um elemento-chave no ritual religioso judaico. Tão difundido e tão importante era o uso do sangue que o judaísmo constituía um culto virtual de sangue. Stephen Geller se refere ao “culto sacrificial sanguinário” dos hebreus que é bem documentado no Antigo Testamento.[1] O judaísmo era (e permanece) uma “religião misteriosa na qual o sangue serve como uma substância física poderosa”, de acordo com David Biale.[2] O sangue é aquilo pelo qual os judeus comungam com Deus; de certa forma, o sangue é a manifestação material do próprio Deus.

Talvez o mais importante, na visão de mundo judaica, seja a ideia de que o sangue é o meio pelo qual o pecado humano é expiado e lavado. O Mal é banido e a alma humana é purificada e restaurada por meio do sangue sacrificial. Em certo sentido, o próprio mundo, e até mesmo o próprio cosmos, é purificado pelo derramamento desse sangue. Para que não duvidemos disso, precisamos apenas nos voltar para as passagens bíblicas relevantes — tanto do Antigo Testamento quanto do Novo. Conforme nós lemos (apropriadamente) no Livro de Hebreus, “sob a Lei [judaica], quase tudo é purificado com sangue, e sem derramamento de sangue não há perdão de pecados” (9:22). Este é um ponto-chave e tem implicações profundas.

Nem devemos nós acreditar que tais ‘cultos de sangue’ eram comuns naquela época. Todas as culturas humanas antigas, é claro, lidavam com sangue de uma forma ou de outra, mas para quase todas elas, o sangue era meramente de interesse periférico. Não é assim com os judeus; eles parecem ter tido um fascínio único, até mesmo uma obsessão, com o conceito e o uso do sangue. Resumindo concisamente a situação, Biale (p. 10) escreve, “os antigos israelitas foram os únicos do Oriente Próximo a fazer do sangue um elemento central em seus rituais religiosos.” E: “o papel central do sangue na religião sacerdotal da antiga Israel permanece altamente persuasivo.” O sangue era unicamente essencial para a religião judaica e para a visão de mundo judaica.

No presente ensaio, eu documentarei alguns dos principais elementos do culto de sangue judaico e, então, no final, tirarei algumas inferências plausíveis dessa situação. Desnecessário dizer que as consequências são problemáticas.

 

Sangue nas culturas antigas

Deixe-me começar delineando alguns fatos básicos sobre a natureza do sangue em sociedades antigas. Tendo pouco conhecimento detalhado da fisiologia humana, os povos antigos estavam naturalmente maravilhados com o “poder” do sangue. Era claramente necessário para a vida, e se, por algum ferimento, sangue suficiente escapasse do corpo, a morte seguia rapidamente. Isso era tão verdadeiro para os animais quanto para os humanos; todas as criaturas vivas claramente compartilhavam desse fluido que dá vida e sustenta-a.

Na vida humana diária, o sangue geralmente fica escondido e fora de vista, como mencionado. Mas há uma série de ocasiões em que ele se torna visível. Um desses casos, é claro, é durante o ciclo menstrual mensal de uma mulher — que, notavelmente, é o sinal de que uma mulher é fértil e fisicamente capaz de ter filhos. O sangue menstrual é uma coisa boa; significa (potencial) vida futura. Os povos antigos geralmente não tinham clareza sobre o propósito da menstruação, mas sabiam que a relação sexual durante esse sangramento era geralmente improdutiva e que, se o propósito do sexo era a procriação, o sangue menstrual era um sinal de abstinência.[3]

No tópico de relação sexual, o sangue também pode aparecer durante o ato inicial de cópula da mulher, após o rompimento do tecido do hímen. No caso de um casal, esse sangue é um sinal de consumação bem-sucedida e um bom presságio para a futura família.

Sangue animal também era uma visão comum nos tempos antigos, pelo menos para o fazendeiro ou açougueiro que regularmente matava animais para obter carne. E certamente a maioria das mulheres, que faziam a maior parte da comida, tinham que trabalhar regularmente com cortes sangrentos de carne na cozinha. Como veremos, o sangue animal também passou a ter um papel central na vida religiosa judaica.

Os judeus tinham, adicionalmente, outras ocasiões para lidar com sangue. Uma era durante a circuncisão, quando o prepúcio do bebê do sexo masculino é removido cirurgicamente. À primeira vista, a circuncisão é uma parte inquestionavelmente bizarra da mutilação genital masculina. É o corte de uma cobertura de pele evoluída e biologicamente apropriada, por nada além de razões simbólicas ou ritualísticas (cultísticas). De acordo com Heródoto (por volta de 425 a.C.), o procedimento se originou no Egito e depois se espalhou para outras culturas: “Outras pessoas, a menos que tenham sido influenciadas pelos egípcios, deixam seus órgãos genitais em seu estado natural, mas os egípcios praticam a circuncisão”. Um pouco mais tarde, ele acrescenta que “os fenícios e os sírios palestinos” — que quase certamente incluem os judeus — “são os primeiros a admitir que aprenderam a prática com o Egito”.[4] Hoje, cerca de 90% dos judeus do sexo masculino e uma proporção ainda maior de homens muçulmanos são circuncidados. A taxa para homens note americanos é de cerca de 70%, enquanto na maioria das nações da Europa Ocidental, o número é mais próximo de 5%.

Além de várias referências menores, a circuncisão é mencionada em dois contextos significativos no Antigo Testamento: primeiro, em Gênesis (17:11), onde é “um sinal da aliança” entre Deus e Abraão; e segundo, em Êxodo (4:24), onde a esposa de Moisés circuncida seu filho, pega o prepúcio ensanguentado e toca o pênis de Moisés com ele — eufemisticamente chamado de seus “pés” na maioria das traduções. Ela então o chama de seu “noivo de sangue”! Uma grande conquista: excitação sexual e perversidade sangrenta, tudo em um curto incidente.

Em qualquer caso, os antigos judeus viam a circuncisão como uma marca física do judaísmo, e o sangue que era derramado durante esse processo era parte da aliança sagrada com Deus. Com o tempo, um ritual inteiro evoluiu em torno da circuncisão. O mohel (circuncisador) judeu, após a cirurgia, limpava as mãos do sangue do bebê e pendurava o pano ensanguentado na porta da sinagoga, como um sinal de “sucesso”. O mohel então colocava algumas gotas de vinho na boca do bebê, significando o sangue que foi tirado. Isso é notável; o bebê é compelido — forçado — a “beber sangue” na forma de gotas de vinho.

E pior ainda: na tradição ortodoxa conhecida como metzitzah, ainda ativa hoje, o próprio mohel suga o sangue do pênis da criança, com sua própria boca! E, de fato, o Talmude ordena tal processo.[5] Os rabinos supostamente acreditavam que sugar o sangue evitaria uma infecção. Isso é falso, em pelo menos dois aspectos: na realidade, aumenta a chance de infecção, principalmente de herpes oral, que pode ser fatal para uma criança; e segundo, é difícil acreditar que o bom rabino não tenha algum prazer sexual perverso ao sugar o pênis da criança. Além disso, é uma questão em aberto se o mohel realmente engole o sangue que ele suga; aparentemente, isso é deixado a seu próprio critério. No geral, um procedimento verdadeiramente demente.

 

A Aliança de Sangue

Além dessas considerações biológicas humanas, há duas outras circunstâncias nas quais o sangue desempenha um papel no judaísmo: em sacrifícios e como um alimento proibido. Ambos estão relacionados, mas deixe-me começar com o sacrifício de sangue. Era uma prática judaica comum sacrificar um ou mais animais a Deus como um sinal de piedade, seja em uma mesa improvisada, um altar simples ou no próprio templo principal em Jerusalém. Tais sacrifícios aparecem virtualmente desde o início da Bíblia;*1 em Gênesis (4:3–4), lemos que Caim trouxe ofertas de frutas a Deus e Abel “trouxe as primícias do seu rebanho”.

Talvez o primeiro sacrifício de sangue de maior importância ocorra no evento original da “Páscoa”. Em Êxodo 12, lemos que Deus diz a Moisés para que seu povo judeu sacrifique um cordeiro, um por família; então eles devem “pegar um pouco do sangue e colocá-lo nas duas ombreiras e na verga da casa”. Consequentemente, quando Deus (ou seu agente divino) descer sobre o Egito para matar todos os primogênitos — até mesmo os primogênitos dos animais! (12:12) — ele “passará por cima” das casas judaicas com sangue sobre elas: “Quando eu vir o sangue, passarei por cima de vocês”. Aqui, o sangue do cordeiro inocente salva os judeus da ira de Deus.

Mais tarde, nós temos um consequente segundo sacrifício. Depois que Moisés e os judeus escapam do Faraó e estão vivendo perto do Monte Sinai — presumivelmente em algum lugar na atual Península do Sinai — Deus diz a Moisés para construir um altar e então sacrificar alguns bois (plural, número desconhecido). Como lemos (Êx 24:6), Moisés coleta o sangue de boi e o divide em dois: metade é jogada contra o altar (que representa Deus), e metade é espalhada sobre os judeus: “Moisés tomou o sangue e o jogou sobre o povo, e disse: ‘Eis o sangue da aliança que o Senhor fez com vocês.’” Essa “aliança de sangue” é um marco extremamente importante; ela une os judeus a Deus, criando uma espécie de “irmandade de sangue”. Ela tenta tornar os ungidos capazes de contatar o divino, e os protege de seu poder impressionante (e evidentemente indiscriminado).[6] Mas aqui está o ponto-chave: somente por serem encharcados em sangue os judeus são salvos.

Um processo bizarro semelhante é repetido um pouco mais tarde quando o irmão mais velho de Moisés, Arão, e seus filhos, são ungidos com sangue em seu papel como sumos sacerdotes judeus. Em Êxodo 29:15, Arão e seus filhos são instruídos a matar um carneiro e espalhar seu sangue no altar, e então abater um segundo carneiro. Moisés é então orientado a “pegar parte de seu sangue e colocá-lo na ponta da orelha direita de Arão [e seus filhos]”. Da mesma forma, são esfregados seus polegares direitos e dedões do pé direito. Sangue e óleo são então aspergidos sobre as roupas de Arão e seus filhos. Mais uma vez, ser marcado por sangue e encharcado em sangue são os meios pelos quais o sumo sacerdote judeu é ungido.

 

O Banho de Sangue Levítico

Isso nos leva ao próximo “Livro de Moisés”, Levítico. Este, o mais curto dos cinco livros da Torá, é um banho de sangue literal. Sangue aparece constantemente ao longo do texto; ao todo, há cerca de 90 referências explícitas a sangue neste único e curto livro. Aqui, o culto judaico ao sangue está em sua glória total. Já no primeiro capítulo, Moisés é instruído a sacrificar um touro, “e os filhos de Arão, os sacerdotes, apresentarão o sangue, e o jogarão ao redor contra o altar” (1:5) — em outras palavras, sangue espalhado por todo lugar. E eles estão somente se aquecendo.

Os capítulos 4 e 5 despendem muito esforço discutindo o chatat, ou “oferta pelo pecado”. O termo aparece mais de uma dúzia de vezes, cada uma conectada ao sacrifício de sangue. A lição aqui, mais uma vez, é que, para os judeus, seu pecado só pode ser expiado por meio de sangue. O capítulo 16 também está repleto de referências à “oferta pelo pecado” e à subsequente “espargimento de sangue”. De interesse especial no capítulo 17 é a proibição de comer sangue, repetida brevemente no capítulo 19; abordarei essa questão momentaneamente. Além disso, não tenho espaço aqui para examinar os detalhes das dezenas de citações de sangue em Levítico; o leitor é convidado a ler esse livro por si mesmo, a fim de sentir o gostinho da obsessão judaica.

Os dois livros finais da Torá são Números e Deuteronômio. Nenhum deles fala muito sobre sacrifício de sangue — pelo menos, da variedade animal. Aqui, nesses dois livros, nos voltamos para o abate humano. Números (31) é famoso pelo chamado Massacre Midianita: Por ordem de Deus, o exército de Moisés mata os cinco reis midianitas e todos os homens adultos. Eles então capturam todas as mulheres e crianças e as levam de volta ao acampamento israelita. Moisés decide que era uma política ruim manter todos esses cativos, então ele ordena que seus homens matem todas as mulheres, todos os meninos e todas as meninas não virgens — as virgens, eles guardam para si. E não é um número pequeno; em 31:32, lemos que os intrépidos israelitas reivindicaram 32.000 (!) virgens. Portanto, os abatidos devem ter excedido 100.000 por um número razoável. Nada como outro bom derramamento de sangue.

Mas talvez haja uma lição valiosa aqui para os judeus, afinal: Matem e matem os goyim {não-judeus} inocentes — que são pouco mais que animais — e espalhem seu sangue pelas areias. Deus ficará muito satisfeito. Então reivindiquem suas jovens garotas como seu prêmio sexual. Acho que podemos ver muitos ecos aqui nos dias modernos.

Deuteronômio é similarmente cheio de massacres e matanças de toda sorte. A palavra ‘destruído’ aparece mais de duas dúzias de vezes, junto com uma variedade de sinônimos coloridos. Certamente as areias do deserto da Judeia ficaram vermelhas de sangue. De particular destaque é o massacre dos cananeus no Livro 7: “você deve destruí-los completamente; não fará aliança com eles, e não mostrará misericórdia para com eles.” Isto, de um Deus “todo-bom.”

Espere um minuto, alguns podem dizer. E aquela coisa de “Não matarás”? Sim, de fato — e aquilo? É o famoso item nº 6 no Grande Dez dos mandamentos, que aparece em Êxodo 20. Notoriamente, não há elaboração; apenas quatro palavras claras, “Você não deverá matar”.

Muitas pessoas, incluindo muitas pessoas inteligentes, passaram muito tempo se intrigando com a aparente contradição de uma Bíblia na qual “Não matarás” é seguido logo por histórias de matança em massa de animais e humanos. Mas, na verdade, não há contradição alguma aqui. Nesse aspecto, a Bíblia é perfeitamente consistente. Basta perceber que o Antigo Testamento foi escrito por judeus, sobre judeus e para judeus. Afinal, é a “Bíblia judaica”. Tudo nela diz respeito a interações com outros judeus, a menos que seja especificamente declarado o contrário. A proibição de matar se aplica (seletivamente) apenas a outros judeus: a “seu irmão”, “seu vizinho”, o judeu. O mandamento não se aplica (obviamente) a animais, e não se aplica aos não judeus: os gentios, os “goyim”, o estrangeiro, as “nações”, conforme o caso. Nesse sentido, os gentios não são melhores do que os animais; e, de fato, há muitas passagens talmúdicas que implícita e explicitamente equiparam os não judeus aos animais. Para tais seres, nenhum mandamento se aplica. Eles podem ser usados, abusados, comprados, vendidos, explorados, espancados ou mortos — tudo a serviço das necessidades e interesses judaicos.

 

Salvação Cristã pelo Sangue

Uma réplica comum a tudo isso por judeus e seus simpatizantes é que, afinal, os cristãos são “salvos” e purificados pelo sangue também — o sangue de Jesus. Todos nós fazemos isso! Então, deve estar tudo bem — ou assim isso está implicado. E, de fato, é verdade que os cristãos reivindicam a salvação por meio do sangue de Cristo. Mas essa situação apenas implica ainda mais os judeus, sem mencionar a condenação da tolice cristã.

A questão, é claro, é que o movimento “cristão” inicial foi inteiramente concebido e conduzido por judeus étnicos.[7] Presumindo que ele existiu, o próprio Jesus era um judeu étnico, assim como seus 12 discípulos. Seu defensor mais famoso, Paulo de Tarso, era um judeu étnico, assim como os escritores anônimos posteriores dos Evangelhos. Como Nietzsche corretamente observou, no Novo Testamento, “nós estamos entre os judeus”.[8]

Há cerca de 10 passagens no Novo Testamento onde é explicitamente declarado que os cristãos são salvos pelo sangue de Jesus. Três dessas citações podem ser encontradas nas cartas de Paulo: Em Romanos, ele escreve sobre a salvação “pela redenção que há em Cristo Jesus, a quem Deus propôs como expiação, mediante a fé, no seu sangue” (3:25). E novamente: “Portanto, visto que agora somos justificados pelo sangue [de Jesus], muito mais seremos salvos por ele da ira de Deus” (5:9); isso, incidentalmente, é uma transposição exata do mito da Páscoa dos judeus para termos cristãos. Então, em Colossenses, Paulo explica como todos nós podemos viver em “paz pelo sangue da sua cruz [de Jesus]” (1:20).

Em outro lugar no Novo Testamento, o escritor anônimo de Efésios promete que “vocês, que antes estavam longe, foram aproximados pelo sangue de Cristo” (2:13). E o igualmente anônimo Hebreus (9:6–18) oferece uma discussão estendida sobre o assunto, indicando um conhecimento claro das práticas judaicas:

Feitos esses preparativos, os sacerdotes [judeus] vão continuamente para a tenda externa, realizando seus deveres rituais; mas na segunda só entra o sumo sacerdote, e ele apenas uma vez por ano, e não sem levar sangue que ele oferece por si mesmo e pelos erros do povo. ...

Mas quando Cristo apareceu como sumo sacerdote…entrou uma vez por todas no Santo Lugar, não tomando sangue de bodes e bezerros, mas o seu próprio sangue, assegurando assim uma eterna redenção. Pois se a aspersão dos contaminados com o sangue de bodes e touros e com as cinzas de uma novilha os santifica, quanto à purificação da carne, quanto mais o sangue de Cristo…purificará a vossa consciência.

Nosso autor então resume os eventos de Levítico, para o benefício do leitor não judeu:

Portanto, nem mesmo a primeira aliança foi ratificada sem sangue. Pois quando todos os mandamentos da Lei foram declarados por Moisés a todo o povo, ele tomou o sangue de bezerros e bodes, com água, lã escarlate e hissopo, e aspergiu tanto o próprio livro quanto todo o povo, dizendo: “Este é o sangue da aliança que Deus ordenou a vocês”. E da mesma forma ele aspergiu com o sangue tanto a tenda quanto todos os vasos usados ​​na adoração.

“De fato”, ele acrescenta, “sob a Lei [Judaica], quase tudo é purificado com sangue, e sem derramamento de sangue não há absolvição de pecados.” Como eu mencionei acima, isso acerta em cheio: sem sangue, não há salvação. Os cristãos têm a vantagem nominal de não ter que derramar mais sangue, porque Jesus (supostamente) cobriu a todos para sempre; mas os judeus devem repetir seu sacrifício ritual sobre uma base regular. Sem sangue, sem salvação.

Então, nós podemos ver o que está acontecendo aqui: Um grupo de judeus, liderados por Paulo, transpôs o costume judaico de “salvação pelo sangue” para um contexto cristão, usando o sangue muito real da (provável) crucificação real de um rabino judeu mortal, Jesus, no lugar do sangue de animais. Paulo usou a prática judaica bizarra e sádica de salvação pelo sangue para atrair os gentios ingênuos e supersticiosos, e cruelmente prometer a eles a libertação de todos os pecados e uma vida eterna que nunca poderia ser confirmada. Em certo sentido, ele impôs a obsessão judaica pelo sangue ao resto da humanidade não judaica — ou pelo menos, àqueles que poderiam ser enganados para acreditar nele.

 

Acusação de Sangue?

Isso nos traz talvez à questão mais controversa sobre sangue com os judeus: a noção do abate ritual judaico de pessoas, também chamado de “libelo de sangue”. Que os judeus abatiam animais ritualmente era de conhecimento comum, mas a ideia de que eles também poderiam abater humanos era uma afirmação singularmente problemática, que remonta a mais de dois milênios. A referência mais antiga desse tipo vem de 300 a.C., quando o filósofo Teofrasto escreveu que os judeus “agora sacrificam vítimas vivas... tanto de outros seres vivos [ou seja, animais e não judeus] quanto de si mesmos”.[9] Mais tarde, em 168 a.C., o rei selêucida Epifânio saqueou o templo judaico em Jerusalém, apenas para encontrar um grego sendo mantido cativo para sacrifício. Por volta do ano 100 d.C., Damócrito escreveu que os judeus “capturavam um estrangeiro e o sacrificavam” uma vez a cada sete anos. E a História Romana de Dião Cassio (115 d.C.) explica que os judeus “comiam a carne de suas vítimas, faziam cintos para si mesmos com suas entranhas, [e] se ungiam com seu sangue” — o que agora deve soar familiar. Os judeus também “usavam peles [humanas] como vestimenta, e muitas eles serravam em dois, da cabeça para baixo” — o que era esperado, suponho, de um culto de sangue.

Por volta de 300 d.C., os principais cristãos estavam condenando abertamente a fixação judaica em sangue e sacrifício. João Crisóstomo, em 387, escreveu: “Você não estremece ao entrar no mesmo lugar com homens possuídos [por exemplo, judeus], ​​que têm tantos espíritos imundos, que foram criados em meio a matança e derramamento de sangue?”[10] À medida que a Idade Média descia sobre a Europa, os judeus cada vez mais se mudavam para o território cristão, desenvolvendo uma reputação de explorar e abusar de seus anfitriões. Como também ocorreu no Império Romano, muitos judeus também estavam envolvidos com o tráfico de escravos brancos, algo que enfureceu particularmente muitos cristãos.

Mas foi o libelo de sangue — isto é, o assassinato de cristãos, especialmente jovens — que produziu um tumulto. O primeiro caso desse tipo ocorreu em 1144 em Norwich, Inglaterra, onde um jovem rapaz, William, foi supostamente assassinado por alguns judeus locais. Um monge beneditino, Thomas de Monmouth, mais tarde argumentou que os judeus escolheram coletivamente matar ritualmente uma criança por ano, como uma espécie de oferenda a Deus, em troca de seu retorno à Terra Santa. Notavelmente, no caso de William, não houve acusação de qualquer uso do sangue do rapaz.

Isso mudou em 1235, quando três dúzias de judeus foram acusados ​​do assassinato ritual de cinco meninos em Fulda, Alemanha. Os moradores locais alegaram que os judeus extraíram e consumiram seu sangue. No final, 34 judeus foram executados pelo crime, e o verdadeiro “libelo de sangue” estava a caminho da notoriedade pública. Isso foi seguido por um incidente semelhante envolvendo uma jovem em Pforzheim, Alemanha, em 1267, e com o jovem Rudolph de Berna (Suíça) em 1294, que foi decapitado e teve seu sangue drenado. Tais crimes se repetiram periodicamente ao longo dos anos, aproximadamente uma vez por década, em média, culminando no caso particularmente notório de Simão de Trento (hoje, Trento, Itália), em 1475. Em tais casos, o sangue cristão era alegado como necessário para rituais judaicos místicos, para remédios judaicos e na preparação de alimentos sacramentais como matzá.

As acusações de libelo de sangue continuaram, intermitentemente, pelos quatro séculos seguintes, apenas para acelerar no final dos anos 1800. Biale (p. 126) explica que cerca de 100 dessas acusações ocorreram apenas nos 30 anos entre 1880 e 1910. O libelo de sangue, ao que parece, realmente tocou o coração do homem comum.

Os judeus, é claro, sempre negaram tais crimes, pelo menos inicialmente; muitos mais tarde “confessaram” sob tortura. Seu argumento central era este: os judeus são proibidos de comer sangue. E eles podiam citar as escrituras para justificar sua defesa. Em Gênesis 9:4, lemos que Deus dá a Noé e sua família todos os seres vivos como alimento, exceto “você não comerá carne com sua vida, isto é, seu sangue”. Então, no infame Levítico, Deus diz a Moisés: “você não comerá sangue algum, seja de ave ou de animal, em qualquer de suas habitações. Qualquer um que comer qualquer sangue, essa pessoa será eliminada de seu povo”. (“Eliminado” é geralmente tomado como um eufemismo para “morto”.) Também é encontrado em Lv 19:26: “Você não comerá nenhuma carne com o sangue nela”. Mas a declaração mais enfática vem em Lv 17:10, onde Deus fala o seguinte:

Se algum homem da casa de Israel ou dos estrangeiros que peregrinam entre eles comer algum sangue, eu porei o meu rosto contra essa pessoa que comer sangue, e a eliminarei do meio do seu povo. Porque a vida da carne está no sangue; e eu os dei para coloca-lo sobre o altar, para fazer expiação pelas suas almas; porque é o sangue que faz expiação, por causa da vida. Portanto, eu disse aos filhos de Israel: Nenhuma pessoa entre vocês comerá sangue, nem qualquer estrangeiro que peregrina entre vocês comerá sangue. … Pois a vida de toda criatura é o seu sangue; portanto, eu disse aos filhos de Israel: Vocês não comerão o sangue de nenhuma criatura, porque a vida de toda criatura é o seu sangue; quem o comer será eliminado.

A mesma proibição é brevemente repetida mais tarde, em Deuteronômio (“Somente tenha cuidado de não comer o sangue, porque o sangue é a vida; e você não comerá a vida com a carne”; 12:23).

Até aqui, tudo bem — exceto por um pequeno problema: nada disso se aplica ao sangue humano. As passagens de Gênesis e Deuteronômio claramente dizem respeito à carne animal. Em Levítico, todo o contexto gira em torno de animais sacrificiais, tipicamente pássaros, ovelhas ou gado. O sangue, como vimos, era usado para propósitos cerimoniais, mas seria natural para alguém — os sacerdotes, talvez, ou suas famílias — comer o animal sacrificado; a menos que o cadáver fosse queimado, ele simplesmente seria desperdiçado. Mas o sangue estava fora dos limites, para ser usado apenas para propósitos sacramentais, ainda que bizarros.

Este ponto elementar parece passar desapercebido por todos que, mesmo hoje, tentam defender os judeus contra a “mentira antissemita” da libelo de sangue. Mas houve alguns intelectuais perceptivos (e corajosos) que entenderam esta questão corretamente e falaram sobre ela. Um deles foi o estudioso alemão de religião e hebraico, Erich Bischoff (1867–1937). O livro de Bischoff de 1929, O livro de Shulchan Aruch, foi a primeira, e ainda única, crítica erudita do texto judaico central conhecido como Shulchan Aruch, que é uma versão condensada do muito maior Talmude.[11] Em um exame de uma parte do Shulchan — o “Orach Chayim” — nós encontramos a seguinte passagem dessinteressada:

Se alguém come algo que você mergulha em um dos seguintes líquidos como condimento — a saber, Jàjin [vinho], debâsch [mel], schèmen [óleo], chèleb [leite], tal [orvalho], dâm [sangue] e màjjim [água] — então deve molhar as mãos… (Orach Chayim 158, 4)

Em seu comentário que se segue (66), Bischoff é enfático: “O consumo de sangue é permitido no Shulchan Aruch!” Ele observa que o autor do Shulchan, Joseph Karo, “parece não pensar nada sobre isso” — quase como se fosse um evento comum. Bischoff continua: “O Antigo Testamento… apenas proíbe o consumo de sangue de gado e pássaros — principalmente aqueles usados ​​para sacrifícios. … O Antigo Testamento permite outros consumos de sangue” (ibid.).

Como apoio adicional, Bischoff cita o influente estudioso judeu Maimônides:

Quem deliberadamente come tanto sangue quanto uma azeitona, perdeu sua salvação. … A culpa ocorre apenas com o sangue de animais e pássaros, sejam domésticos ou selvagens, sejam limpos ou impuros. Por outro lado, não há dívida no sangue de peixes, gafanhotos, répteis, anfíbios e sangue humano. (Jad Chasakah, VI,1)

Não há “dívida” nessas últimas criaturas precisamente porque elas não são mencionadas no Antigo Testamento; o que quer que não seja proibido é permitido — um antigo preceito judaico.

Se desejarmos uma confirmação mais recente, podemos recorrer a um estudioso judeu renegado, Ariel Toaff. Seu livro altamente controverso Passovers of Blood (2007, edição original*2) apresenta um caso muito forte de que o uso de sangue humano, tanto úmido quanto seco, era uma prática judaica regular na Idade Média — e talvez ainda seja hoje.[12] Seu Capítulo 6 é especialmente relevante aqui; Toaff examina o uso de sangue durante a circuncisão e comenta sobre vários casos, até mesmo “receitas”, envolvendo o uso de sangue humano. Em um compêndio judaico, ele diz, “nós encontraremos uma ampla gama de receitas que fornecem a ingestão oral de sangue, tanto humano quanto animal” (156). Outras formulações se referem a coisas como “uma pena de galinha embebida em sangue menstrual”, “sangue seco de coelho”, “sangue seco de uma virgem tendo seu primeiro período menstrual” e o genérico “sangue de crianças” (ibid). O compêndio sobre o assunto de Toaff “enfatizou ainda mais as propriedades prodigiosas do sangue humano, naturalmente, sempre seco e preparado na forma de coalhada ou pó, como o ingrediente principal dos elixires afrodisíacos”. E, finalmente, Toaff cita um réu judeu no julgamento de Simão de Trento, Israel Wolfgang, que declarou, para registro, “não há proibição [rabínica] contra se beneficiar utilmente dos corpos mortos de gentios” (p. 159). Claro que não — eles são meros animais, afinal.

 

E no Novo Testamento

Mas, assim como no sacrifício de sangue, o apologista judeu tem outra tática defensiva aqui: ‘os cristãos também o fazem’. Ou seja, os cristãos também comem sangue — o sangue de Cristo. Esse procedimento tem um nome: a Eucaristia.[13] É um sacramento no catolicismo e na maioria das denominações protestantes, algo da mais alta importância. Nele, os paroquianos consomem metaforicamente (comem) o corpo de Cristo, na forma de pão ou hóstia, e bebem seu sangue, na forma de vinho ou suco. Novamente, à primeira vista, essa é uma cerimônia bizarra e até patológica: “comer o corpo” e “beber o sangue”, mesmo que  simbolicamente, de seu salvador morto há muito tempo. Quão doentio é isso?

De onde poderia ter vindo uma ideia tão revoltante? Ah, espere, nós sabemos: dos judeus. Não sabemos se o judeu Jesus realmente a criou, ou se foi inventada na mente distorcida do judeu Paulo, mas, independentemente disso, era claramente de origem judaica. E agora podemos ver o porquê — a longa tradição judaica de usar sangue sacrificial (aqui, o “Cordeiro de Deus”) para ungir a si mesmo, para se ligar a Deus e para formar uma aliança. Tudo se encaixa na soteriologia judaica. Os judeus eram proibidos de beber sangue sacrificial (animal), mas agora, com os gentios, eles podiam consumir sangue sacrificial (humano), simbolicamente. Deixe para os judeus transformar os gentios crédulos em canibais (simbólicos) e bebedores de sangue (simbólicos).

A Eucaristia, como parte da Última Ceia, tem uma base bíblica, aparecendo duas vezes com Paulo (ambas as vezes em 1 Coríntios) e uma vez em cada um dos quatro Evangelhos. A primeira, e cronologicamente mais antiga,[14] ocorrência é em Paulo; em 1 Cor 10:16, onde ele escreve: “O cálice da bênção que abençoamos, não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos, não é a comunhão do corpo de Cristo?” Então, no próximo capítulo, nós encontramos a única citação direta de Jesus em qualquer lugar em Paulo:

[Jesus] disse: “Isto é o meu corpo, que é dado por vós. Fazei isto em minha memória”. Da mesma forma, depois da ceia, tomou o cálice, dizendo: “Este cálice é a nova aliança no meu sangue. Fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em minha memória”. (11:24–25)[15]

Assim, Jesus chama explicitamente isso de “aliança de sangue”, exatamente como esperaríamos de um rabino judeu.

A Eucaristia aparece então de forma quase idêntica nos três primeiros Evangelhos:

Marcos 14:26: “Isto é o meu sangue da aliança, que é derramado por muitos.”

Mateus 26:28: “Este é o meu sangue da aliança, que é derramado por muitos para o perdão dos pecados.”

Lucas 22:20: “Este cálice é a nova aliança no meu sangue, derramado em favor de vocês.”

Curto e direto ao ponto. Mas o último Evangelho escrito, João, inexplicavelmente tem uma citação muito mais extensa:

Em verdade, em verdade eu vos digo: se não comerdes a carne do Filho do homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. Aquele que come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. Porque a minha carne é verdadeiramente comida, e o meu sangue é verdadeiramente bebida. Aquele que come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim, e eu nele. (Jo 6,53-56)

Como é que este Evangelho, escrito por volta do ano 95 d.C., cerca de 65 anos (!) após a crucificação, pôde citar com tantos detalhes as palavras de Cristo, quando nem Paulo nem os outros Evangelhos puderam fazê-lo? Isso deixa alguém altamente desconfiado, para dizer o mínimo. Em todo caso, não encontramos mais nenhuma “aliança” explícita aqui; agora, é apenas uma orgia de comer carne e beber sangue, acompanhada de vagas promessas de vida eterna.

Em suma: Na Eucaristia vemos como os cristãos gentios foram enganados a adotar uma tradição judaica de alianças de sangue e receitas de sangue, embora os gentios não tivessem história cultural de tal coisa. É reconhecido que o sangue não é nem de longe tão central no cristianismo quanto no judaísmo, mas ainda assim, é altamente importante. Dentro do catolicismo, a Eucaristia foi oficialmente chamada de “a fonte e o ápice de toda a vida cristã”.[16] Bons cristãos em todos os lugares: bebam esse sangue!

 

Algumas Consequências

Vários pontos importantes decorrem disso tudo. Primeiro, não devemos pensar que o culto de sangue judaico era algo que só existia nos tempos antigos, ou que os sacrifícios de sangue cessaram quando o templo de Jerusalém foi destruído pelos romanos em 70 d.C. Os guardiões do judaísmo não são nada se não fixados no passado. Para eles, para os judeus ortodoxos, os Haredi e os Dati, eles são seguidores literais do Antigo Testamento, do Talmude e do Shulchan Aruch. Se você acha que os cristãos fundamentalistas são absolutistas obstinados, você ainda não encontrou um judeu Haredi. Os judeus ortodoxos tratam seus documentos sagrados como se tivessem sido escritos ontem, e eles esperam que tais escritos durem pela eternidade. Sacrifício animal, tratar gentios como cães, explorar não judeus, enganá-los e matá-los, abuso sexual infantil, afrodisíacos de sangue, circuncisão oral, banhos de sangue... o pacote completo. O culto de sangue judaico veio para ficar — tanto tempo enquanto houver judeus.

Segundo, não adianta argumentar que esses judeus ortodoxos compreendem apenas 10% ou 20% da população judaica total e que, portanto, toda essa maldita coisa religiosa não se aplica à maioria secular. Não é bem assim. Os sentimentos descritos acima se aplicam, em maior ou menor grau, a quase todos os judeus. O judaísmo, conforme documentado nos vários textos, não é como uma religião qualquer. É mais como um guia para viver como judeu em um mundo em grande parte não judeu. Isso é absolutamente verdadeiro para o Talmude e o Shulchan, que são explicitamente manuais para a vida diária. Estes, por sua vez, dependem do Antigo Testamento, que é, em si mesmo, principalmente sobre interações sociais (judeus e gentios), com um pouco de “cobertura teológica” no topo. Sim, grande parte do Antigo Testamento envolve palavras que “Deus diz”, mas isso é pouco mais do que uma abreviação literária para “palavras pelas quais os bons judeus devem viver suas vidas.” Como foi argumentado em outro lugar, Jeová é realmente apenas um substituto[2]  para o próprio povo judeu. É como a pequena voz sentada no seu ombro, dizendo o que fazer. Os textos sagrados do judaísmo são apenas uma destilação, fixada para sempre, de judeus dizendo a si mesmos como agir para ser bem sucedido e prosperar.

Por isso, é “cozido” dentro de todos os judeus, não importa o quão seculares e esclarecidos eles afirmem ser. Há um sentido real, eu acho, em que é efetivamente genético: valores e mentalidade judaicos inculcados tão profundamente que ressoam com todos os judeus, em um nível biológico, e são passados ​​para as gerações futuras. A fixação com sangue é um aspecto importante dessa herança biológica judaica.

E daí? alguns podem dizer. Por que nos importamos com o que os judeus religiosos fazem em suas sinagogas, ou com o que os judeus seculares pensam em seus corações? Na verdade, faz uma enorme diferença, precisamente por causa da influência que tais judeus têm na sociedade americana e ocidental.

Este não é o lugar para elaborar — eu encaminharia os leitores para a compilação recente dos meus próprios escritos, The Steep Climb: Essays on the Jewish Question (2023) — mas deixe-me simplesmente declarar o óbvio: judeus, interesses judaicos, valores judaicos e pensamento judaico dominam completamente grandes setores da sociedade ocidental. Precisamos apenas mencionar as altas finanças; Hollywood; mídia em geral; o governo federal; e academia. Os judeus possuem ou controlam até 50 por cento dos estimados US$ 140 trilhões em riqueza pessoal nos EUA. Eles fornecem de 25 a 50 por cento, ou mais, do financiamento de campanha em nível federal; sem surpresa, os judeus são altamente super-representados no gabinete de Biden e em cargos de nível de gabinete, incluindo os cargos mais poderosos e influentes (Departamentos de Estado, Justiça, Segurança Interna, Tesouro; Chefe de Gabinete. (Biden também tem parentes e netos judeus, e Kamala Harris é casada com um judeu.) Não mais do que um punhado de congressistas democratas e republicanos tem coragem de enfrentar o AIPAC e o lobby judeu em geral. Os judeus também têm um domínio sobre Hollywood, a produção cinematográfica americana, a indústria musical e a mídia de notícias; veja a reação a Ye (Kanye West). Quanto à academia, esqueça; na última verificação, as oito escolas da Ivy League tinham sete presidentes judeus. E quase todas as principais universidades americanas, públicas ou privadas, têm regentes judeus, chanceleres judeus, colaboradores judeus e/ou reitores judeus, sem mencionar a super-representação massiva em muitas disciplinas, especialmente nas ciências sociais e humanas.



Considere isto: Por que, por exemplo, temos tanto sangue e derramamento de sangue em nossos filmes populares? A violência gratuita é onipresente nos filmes americanos, em praticamente todos os gêneros. Raramente é necessário contar uma história; então, por que ela está lá? Sabemos o porquê: escritores, diretores e produtores judeus. A fixação judaica em sangue se materializa em suas narrativas na tela grande. Para os judeus, isso é de alguma forma gratificante, satisfatório, prazeroso — enquanto para a maioria das pessoas normais, o sangue e o derramamento de sangue são repulsivos e grotescos. E pior: os judeus são aclimatados[3]  a todo o sangue profundamente e, portanto, não são incomodados por ele; mas os não judeus comuns ficam enojados e horrorizados. Para muitas pessoas, especialmente crianças, adolescentes e jovens, todo esse sangue é psicologicamente prejudicial. Pessoas normais não são psiquicamente capazes de processar tais representações profusas de violência sangrenta; elas se tornam insensíveis, retraídas e deprimidas. Isso prejudica as relações interpessoais e prejudica sua capacidade de se comunicar abertamente. Isso os torna medrosos, desconfiados e cabreiros.[17]

Por que nós, nos Estados Unidos, achamos tão fácil iniciar uma ação militar agressiva e violenta ao redor do mundo? Por que nossos setores políticos e da mídia aparentemente têm tanto deleite com o massacre de pessoas em terras distantes? Por que a Secretária de Estado judia-americana Madeline Albright declarou em 1996 que as sanções americanas ao Iraque, que mataram cerca de 500.000 crianças iraquianas, “valeram a pena”? Por que o atual orçamento militar americano excede US$ 1,25 trilhão por ano, levando em conta todos os aspectos de nossa suposta “defesa”? Nós sabemos o porquê.

Por que os palestinos são colocados em uma situação impossível e intolerável por seus suzeranos israelenses? Por que eles são periodicamente massacrados como ovelhas? Por que a guerra inútil e invencível na Ucrânia está sendo promovida e sustentada, derramando grandes quantidades de sangue gentio? Nós sabemos o porquê.

A sede de sangue e o fascínio pelo sangue dos judeus têm implicações infinitas. Devemos sempre lembrar da verdade judaica central aqui: sem sangue, sem salvação. Para a maioria das pessoas, o derramamento de sangue é um mal; para os judeus, é um precursor necessário para a salvação e o “sucesso”. Para a maioria das pessoas, matar é errado; para os judeus, matar — desde que não seja um judeu — é uma coisa boa. “Sem derramamento de sangue, não há perdão”, disse o escritor judeu de Hebreus. Enquanto os judeus estiverem no comando, enquanto eles derem as ordens, sangue será derramado. Esta é uma constante em um mundo turbulento.

Ao contemplar a sede de sangue e a obsessão judaica pelo sangue, eu não posso deixar de lembrar o aviso de Shakespeare em Macbeth:

Onde estamos, há punhais nos sorrisos dos homens. O mais próximo em sangue, o próximo mais sangrento. (Ato II, sc. 3)

“Onde nós estamos”, no mundo de hoje: os judeus estão sorrindo; eles estão no topo. Infelizmente, “há punhais nos sorrisos [de tais] homens”. Eles são todos sorrisos, gentilezas e bom humor. Mas não os deixe chegar muito perto — “o mais próximo em sangue, o próximo mais sangrento”.

Eu encerro com as palavras do próprio Macbeth: “Voltem; minha alma já está carregada demais / Com o sangue de vocês” (Ato V, sc. 8). Quão apropriado. Poderíamos reformular essas palavras hoje da seguinte forma: “Voltem, judeus; nossas almas já estão carregadas demais com o sangue de vocês.”

Tradução por Dignus {academic auctor pseudonym - studeo liber ad collegium}

Revisão e palavras entre chaves por Mykel Alexander

Notas

[1] Nota de David Skrbina (pseudônimo Thomas Dalton): S. Geller (1992), “Blood Cult”, Prooftexts 12(2): 101.

[2] Nota de David Skrbina (pseudônimo Thomas Dalton): Blood and Belief (2007), p. 9.

[3] Nota de David Skrbina (pseudônimo Thomas Dalton): As chances ótimas de gravidez ocorrem no meio do ciclo da mulher, e não no final, quando o sangue aparece. Não é impossível que a concepção ocorra durante a menstruação, mas é muito improvável.

[4] Nota de David Skrbina (pseudônimo Thomas Dalton): Histórias, 36 e 104.

[5] Nota de David Skrbina (pseudônimo Thomas Dalton): “Aprendemos na Mishná que se suga o sangue da ferida após a circuncisão ser realizada no Shabat. Rav Pappa disse: ‘Um artesão que não suga o sangue após cada circuncisão é um perigo para a criança que está sendo circuncidada, e nós o removeremos de sua posição como circuncisador’.” Seder #2 (Moed), Tractate Shabbat, 133b,14 (texto de www.sefaria.org).

*1 Nota de Mykel Alexander: Embora em idioma português possuímos a versão traduzida da Bíblia que é vertida diretamente do hebraico, do aramaico e do grego para o português, publicada como Bíblia de Jerusalém (1ª edição, 2002, 12ª reimpressão, 2017, Paulus, São Paulo), da École biblique de Jérusalem (Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém), as opções dos tradutores ao português mitigaram muito o teor de violência das passagens, sendo assim a versão traduzida no artigo foi mantida vindo direto das passagens em inglês, para não minimizar o teor de hostilidade contido no Antigo Testamento contra os não-judeus bem como a ambição de domínio universal das lideranças da tradição judaica. Ainda, a divindade judaica que é traduzida como Yahweh, por fins didáticos, foi colocada na forma simplificada de Jeová.

[6] Nota de David Skrbina (pseudônimo Thomas Dalton): A frase “aliança de sangue” ocorre outra vez na Bíblia, em Zacarias (“Quanto a ti também, por causa do sangue da minha aliança contigo, libertarei os teus cativos do poço sem água”; 9:11)

[7] Nota de David Skrbina (pseudônimo Thomas Dalton): Para uma elaboração, veja meus vários ensaios em The Steep Climb: Essays on the Jewish Question (2023).

[8] Nota de David Skrbina (pseudônimo Thomas Dalton): Antichrist, sec. 44.

[9] Nota de David Skrbina (pseudônimo Thomas Dalton): Para esta e as citações seguintes, veja meu livro Eternal Strangers (2020).

[10] Nota de David Skrbina (pseudônimo Thomas Dalton): Homilias sobre os judeus, I.VI.7.

[11] Nota de David Skrbina (pseudônimo Thomas Dalton): Há muito tempo fora de catálogo em alemão, o livro foi lançado recentemente em uma primeira tradução para o inglês: The Book of the Shulchan Aruch (2023; Clemens & Blair). As citações usadas referem-se a esta nova edição.

*2 Nota de Mykel Alexander: Uma abordagem sobre a obra de Ariel Toaff e sobre a repercussão dela pode ser obtida em:

- As Páscoas Sangrentas do Dr. Toaff, por Israel Shamir, 23 de março de 2025, World Traditional Front.

https://worldtraditionalfront.blogspot.com/2025/03/as-pascoas-sangrentas-do-dr-toaff-por.html

- Páscoas Sangrentas do Dr. Toaff – Acompanhamento, por Israel Shamir, 24 de julho de 2025, World Traditional Front.

https://worldtraditionalfront.blogspot.com/2025/07/pascoas-sangrentas-do-dr-toaff.html

[12] Nota de David Skrbina (pseudônimo Thomas Dalton): A edição original de 2007, em seu idioma original italiano, foi rapidamente retirada de circulação, para ser substituída por uma edição mais suave, “revisada”, no ano seguinte. No entanto, uma tradução em inglês da edição original de 2007 foi publicada em 2020 pela Clemens & Blair; as citações a seguir referem-se a esta edição.

[13] Nota de David Skrbina (pseudônimo Thomas Dalton): A palavra “Eucaristia” deriva do grego eukharistos, que significa “bom” (eu-) + “favor” (kharistos) — em outras palavras, uma “ação de graças”. Não tem nada a ver com a palavra “Cristo”, aliás.

[14] Nota de David Skrbina (pseudônimo Thomas Dalton): Faríamos bem em lembrar que as cartas de Paulo são tradicionalmente datadas entre 50 e 70 d.C. A Primeira Epístola aos Coríntios provavelmente foi composta por volta de 53 d.C., enquanto os Evangelhos foram escritos entre 70 (Marcos) e 95 d.C. (João). Paulo não sabia nada sobre os Evangelhos porque eles não existiam na sua época.

[15] Nota de David Skrbina (pseudônimo Thomas Dalton): O fato de que esta é a única citação de Jesus em todas as cartas de Paulo é surpreendente. É quase como se Paulo não tivesse ideia do que Jesus realmente disse durante seu ministério. Mas isso é inconcebível se a história de vida de Paulo for verdadeira. Ele fica feliz em citar e referenciar o Antigo Testamento ad nauseum, mas citar Jesus? Não, não é necessário…

[16] Nota de David Skrbina (pseudônimo Thomas Dalton): Lumen Gentium (1964), II.11.

[17] Nota de David Skrbina (pseudônimo Thomas Dalton): Há uma pesquisa abundante sobre isso. Para alguns exemplos, veja: Browne e Hamilton-Giachritsis (2005), “The Influence of Violent Media on Children and Adolescents: A public-Health Approach.” Lancet, vol. 365, pp. 702-710. Anderson, C. et al (2003). “Exposure to violent media: The effects of songs with violent lyrics on aggressive thoughts and feelings.” Journal of Personality and Social Psychology, Vol. 84, No. 5. And Krahe, B., et al (2011). “Desensitization to media violence: Links with habitual media violence exposure, aggressive cognitions, and aggressive behavior.” Journal of Personality and Social Psychology, Vol. 100, No. 4.





Fonte: The Jewish Blood-Obsession, por Thomas Dalton {pseudônimo de : David Skrbina}, 19 de fevereiro de 2023, The Unz Review – An Alternative Media Selection.

https://www.unz.com/article/the-jewish-blood-obsession/

Sobre o autor: David Skrbina, pseudônimo Thomas Dalton, (1960-) é professor sênior de filosofia na Universidade de Michigan em Dearborn. Suas áreas de pesquisa incluem filosofia da mente, filosofia da tecnologia e ética ambiental. Ele é autor de Panpsychism in the West (MIT Press—2ª edição, 2017) e editor de Mind That Abides: Panpsychism in the New Millennium (2009; John Benjamins). Também é autor do livro recente The Metaphysics of Technology (2015; Routledge) e editou uma série de quatro livros didáticos para cursos de graduação em filosofia. O Dr. Skrbina foi professor visitante de filosofia na Michigan State University, na Eastern Michigan University e na Universidade de Gent, na Bélgica. Também tem escrito ou editado vários livros e artigos sobre política, história e religião, com foco especial no nacional-socialismo na Alemanha. Seus trabalhos incluem uma nova série de traduções de Mein Kampf e os livros Eternal Strangers (2020), The Jewish Hand in the World Wars (2019) e Debating the Holocaust (4ª edição 2020). Mais recentemente, ele editou uma nova edição da obra clássica de Rosenberg, Mito do Século XX, um novo livro de charges políticas, Pan-Judah!, e a crítica definitiva Unmasking Anne Frank. Todas essas obras estão disponíveis em www.clemensandblair.com.

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Páscoas Sangrentas do Dr. Toaff – Acompanhamento - por Israel Shamir

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