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sábado, 28 de março de 2026

A América já tem perdido a guerra com o Irã - por Greg Johnson

 

Greg Johnson


A América perdeu a Guerra do Irã no primeiro dia.

Pirro do Epiro foi um dos maiores generais do mundo antigo. Em 279 a.C., Pirro derrotou os romanos na Batalha de Ásculo, no sul da Itália. Mas a batalha foi tão custosa para Pirro que ele comentou que mais uma “vitória” como aquela o arruinaria. Essa é a origem do termo “vitória de Pirro”, que significa uma vitória que, na verdade, é uma derrota.

A lição aqui é que o verdadeiro vencedor não é aquele que prevalece no campo de batalha, mas sim aquele que ganha poder com a luta. Por esse critério, algumas batalhas não têm vencedores. Por esse padrão, os Estados Unidos perderam a Guerra do Irã no primeiro dia.

A maior parte do poder militar é blefe, ou seja, o poder de intimidar os outros para obter obediência sem desembainhar a espada.

Por mais de meio século, os Estados Unidos construíram um arquipélago de bases militares no Oriente Médio, oferecendo proteção às monarquias do Golfo. Em troca de quê? Os EUA não importam petróleo ou gás do Golfo, embora, como todos estamos aprendendo, as exportações do Golfo ainda afetem os preços nos Estados Unidos. O quid pro quo {contrapartida} para a proteção americana é o “petrodólar.”

Mesmo que os EUA não comprem petróleo no Golfo, as compras ainda são pagas em dólares americanos. Assim, importadores como o Japão precisam primeiro comprar dólares americanos, que os estados do Golfo usam para comprar títulos do Tesouro americano e outros ativos denominados em dólares, financiando efetivamente os empréstimos dos EUA a taxas de juros mais baixas.

O sistema do petrodólar permite que os EUA mantenham déficits orçamentários e comerciais enormes e criem crédito, garantindo uma demanda global constante por dólares. Sem o fluxo constante de petrodólares retornando aos EUA, o Tesouro teria que pagar taxas de juros mais altas para honrar a imensa dívida nacional americana. Basicamente, o sistema do petrodólar mantém o governo americano solvente.

Mas a proteção que os Estados Unidos ofereceram aos países do Golfo era pura farsa. E o Irã a tem chamado agora.

Nós tivemos amplos avisos de que uma guerra contra o Irã poderia ser desastrosa para o império americano e, em particular, para o petrodólar:

O Irã alertou os Estados Unidos de que um ataque israelense-americano desencadearia retaliação contra os países do Golfo.

O Irã também nos avisou que fecharia o Estreito de Ormuz, interrompendo as exportações de petróleo, gás e outros produtos do Golfo.

Nós sabíamos que o Irã estava comprometido com estratégias de guerra assimétrica para contrabalançar o poderio militar americano, muito maior e mais caro. Nós tivemos quatro anos para aprender sobre a guerra com drones na Ucrânia. No ano passado, vimos o Irã e seus aliados exaurirem as defesas israelenses com barragens de mísseis.

Aqueles avisos foram ignorados.

O Irã agora tem destruído bases militares e instalações de radar americanas nos países do Golfo. Os Estados Unidos também enviaram armamentos para interceptar mísseis e drones dos países do Golfo em direção a Israel, por causa que Israel Primeiro.

Além disso, o Irã tem provado aos países do Golfo que pode destruir completamente suas economias e — ao atacar suas usinas de dessalinização — torná-las inabitáveis. Em resumo, o Irã pode fazer os xeiques voltarem à era dos camelos — e os Estados Unidos não os protegerão.

Desde que a guerra começou, contudo, o Irã tem aumentado suas exportações de petróleo em mais de 25%, e o preço do petróleo mais que dobrou. Petroleiros carregados com petróleo iraniano transitam com segurança pelo Estreito de Ormuz. Em suma, os Estados Unidos deram bilhões ao Irã ao iniciarem esta guerra. Além disso, os EUA não podem se dar ao luxo de interromper as exportações iranianas, porque isso elevaria ainda mais os preços globais. De fato, os EUA suspenderam as sanções ao petróleo iraniano para reduzir os preços. Os EUA podem até estar comprando petróleo iraniano, ou seja, financiando mais drones e mísseis que têm matado soldados americanos.

Tem mais, o Irã está permitindo que outros petroleiros deixem o Golfo, desde que paguem um pedágio ao Irã e que suas cargas não sejam compradas em dólares. Assim que esta guerra terminar e suas próprias indústrias de exportação voltarem a funcionar, os estados do Golfo se perguntarão por que estão aceitando petrodólares novamente se não estão recebendo nada em troca. Mas sem o petrodólar, os Estados Unidos darão passos gigantescos rumo à insolvência total.

Então, vamos fazer um balanço. Mesmo que os Estados Unidos destruam completamente o Irã no campo de batalha e Trump declare vitória, os Estados Unidos estarão mais fortes e mais seguros?

A economia global está quebrada e afundada.

Haverá fome no Terceiro Mundo.

Mais migrantes e refugiados se dirigirão para a Europa.

A Pax Americana pode estar em ruínas. Eu detesto o império americano e, a longo prazo, ele precisa ser desmantelado. Mas, a curto prazo, nós começaremos a sentir sua falta quando conflitos começarem a surgir em lugares dos quais você nunca ouviu falar. Além disso, há outras coisas que eu quero fazer primeiro, e prefiro me desvincular do império de forma cuidadosa e deliberada, em vez de vê-lo simplesmente colapsar.

O petrodólar pode estar em ruínas. É um sistema fundamentalmente injusto que precisa ser substituído, mas, enquanto isso, haverá muito sofrimento. Novamente, os Estados Unidos têm problemas mais urgentes, e eu prefiro desmantelar o petrodólar de forma deliberada, em vez de vê-lo simplesmente colapsar.

O pior de tudo é que a esquerda quase certamente retornará ao poder nos Estados Unidos, o que significa que o que restou das conquistas positivas de Trump — fechamento de fronteiras, deportações, revogação de iniciativas anti-brancos — será revertido.

Então não, a América não ficará mais forte e segura por causa desta guerra. Nós perdemos. Nós perdemos no primeiro dia. Porque a única maneira de vencer esta guerra era não tê-la começado. Além disso, este resultado era totalmente previsível. Havia pessoas no Pentágono, até mesmo na Casa Branca, que sabiam disso. Então, por que a guerra aconteceu?

A resposta simples é que esta guerra nunca teve como objetivo beneficiar os Estados Unidos. Ela nunca teria acontecido se tivéssemos priorizado os interesses dos Estados Unidos. Tudo se resumia a beneficiar Israel, às custas dos Estados Unidos e do resto do mundo. Isso é tão óbvio que até o New York Times está noticiando.

De acordo com pesquisas da Liga Antidifamação, os judeus sabem que seu poder nos Estados Unidos está diminuindo. Seus apoiadores são, em sua maioria, da geração Baby Boomer, que está chegando aos 80 anos e começando a falecer. Assim, Netanyahu e sua equipe estavam com pressa de espremer uma última guerra dos Estados Unidos, antes de descartarem o que restava da casca seca.

Então, quem são os vencedores da Guerra do Irã?

Israel está sendo devastado pela retaliação iraniana, mas conta com a reconstrução de tudo às custas dos EUA, e também tem um limiar bastante baixo para vencer esta guerra. Para que os EUA se sentissem bem com esta guerra, precisariam ver o Irã transformado em uma democracia liberal. Israel simplesmente quer ver o Irã destruído, como aconteceu com o Iraque e a Síria. Isso é fácil de alcançar. Se Israel estiver apenas menos devastado que o Irã, será relativamente mais poderoso e seguro.

A Rússia está vencendo porque os preços do petróleo e do gás estão subindo, as sanções à exportação estão sendo suspensas e o material que poderia estar ajudando a Ucrânia está sendo desviado para a Guerra do Irã.

A China é a maior vencedora. Como a China é a principal rival global dos EUA, ela se torna mais forte e mais segura simplesmente por não fazer nada, enquanto os EUA desperdiçam sua riqueza e poder no Golfo. Quando tudo isso terminar, a China parecerá uma aliada e parceira comercial muito mais confiável.

Francamente, Trump parece ter enlouquecido. Ainda assim, ele tem bom senso suficiente para perceber a enrascada em que se meteu. Mas não vê nenhuma saída. Israel continuará a intensificar a guerra até que alguém em Washington tenha a coragem de dizer “não”, o que provavelmente exigirá a remoção de Netanyahu do poder.

Na ausência disso, Trump deve simplesmente esperar e rezar, daí suas mentiras frenéticas e improvisações.

{O presidente dos D. Trump se perde cada dia mais em mentiras e improvisações}

Com o que ele está contando? Ele não pode ir à bancarrota para sair desse problema.

Trump tem 79 anos. Como qualquer outro gastador de sua geração, ele provavelmente se consola com a ideia de que estará morto antes que os Estados Unidos enfrentem as consequências totais de sua insensatez.

Enquanto isso, ele está postando sobre negociações imaginárias para manipular os mercados de ações e commodities, enquanto seus amigos judeus lucram bilhões com a volatilidade.

Basicamente, ele se juntou à pilhagem.

Eu desisti de ter esperança de que nós sejamos governados por pessoas que se importam com o futuro da América. Mas se existe alguém na Casa Branca que ao menos se importa com o próprio futuro, Trump precisa ser destituído do poder.

E é melhor que isso aconteça logo. De preferência antes que Trump transforme as tropas terrestres americanas em bucha de canhão para drones iranianos. Como manter uma autoimagem positiva é o objetivo primordial de todo narcisista, Trump começará a culpar as pessoas ao seu redor conforme a situação piorar. Em um certo ponto, as coisas virão abaixo num “Trump ou nós.”

Tradução e palavras entre chaves por Mykel Alexander

 


Fonte: America Has Already Lost the Iran War, por Greg Johnson, 27 de março de 2027, Counter Currents.

https://counter-currents.com/2026/03/america-has-already-lost-the-iran-war/

Sobre o autor: Greg Johnson é americano, tem Ph.D. em Filosofia da Catholic University of America, e é editor do site Counter Currents Publishing.

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sexta-feira, 6 de março de 2026

De Ajax à Fúria Épica - Por que um golpe de Estado em 1953 e décadas de sanções levaram diretamente à guerra de Trump contra o Irã - por José Alberto Niño

 

José Alberto Niño


Nas primeiras horas da manhã de 28 de fevereiro de 2026, os Estados Unidos e Israel lançaram um ataque militar conjunto massivo contra o Irã.[1] O Pentágono denominou-o Operação Fúria Épica.[2] Israel chamou sua parte de Operação Leão Rugidor. Bombardeiros B-2, caças F-22 e F-35 americanos atacaram alvos em Teerã, Isfahan, Qom, Karaj, Kermanshah e Bushehr. Grupos de ataque de porta-aviões liderados pelo USS Abraham Lincoln e pelo USS Gerald R. Ford realizaram incursões a partir do Mar Arábico e do Mediterrâneo Oriental. O presidente Donald Trump anunciou os ataques em um vídeo de oito minutos gravado em Mar-a-Lago, declarando que o objetivo era a mudança de regime.[3]

O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, foi morto nos ataques.[4] Milhares de membros da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) foram mortos ou feridos. O Irã retaliou com ataques de mísseis e drones contra Israel e bases americanas no Golfo Pérsico, espalhando o conflito para a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos, o Catar, o Bahrein e o Kuwait.

O mundo reagiu com uma mistura de horror, celebração e condenação. O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, condenou[5] os ataques em uma sessão de emergência do Conselho de Segurança, alertando que “a ação militar acarreta o risco de desencadear uma série de eventos que ninguém pode controlar na região mais volátil do mundo” e acusando[6] Washington e Tel Aviv de “desperdiçar uma oportunidade para a diplomacia” que estava em andamento por meio das negociações nucleares mediadas por Omã. O Ministério das Relações Exteriores da Rússia chamou[7] os ataques como um “ato premeditado e não provocado de agressão armada”. O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez,[8] rejeitou “a ação militar unilateral dos Estados Unidos e de Israel”. Iranianos na diáspora[9] dançaram nas ruas de Los Angeles agitando bandeiras do Leão e do Sol anteriores a 1979, ao lado de bandeiras americanas e israelenses.

E a imprensa corporativa americana, como sempre faz, cobriu o espetáculo da guerra sem jamais parar para fazer a pergunta que deveria preceder cada bomba lançada por um avião americano.

A pergunta de um milhão de dólares: Como nós chegamos aqui?

 

O Pecado Que Deu Início a Tudo

A resposta honesta não começa em 2026, mas em 1953, quando a CIA e a inteligência britânica derrubaram[10] o governo democraticamente eleito do primeiro-ministro Mohammad Mossadegh em uma operação secreta chamada Operação Ajax.[11] O crime de Mossadegh foi nacionalizar a indústria petrolífera do Irã, que era controlada e explorada pela Anglo-Iranian Oil Company, antecessora da British Petroleum. O governo Eisenhower, convencido por Londres de que Mossadegh estava se aproximando dos soviéticos, autorizou a CIA a organizar protestos nas ruas, subornar oficiais militares e arquitetar um golpe que substituiu um líder eleito pelo povo pelo autocrático Xá Mohammad Reza Pahlavi. O Xá governou por 26 anos[12] com a ajuda da SAVAK, uma força policial secreta treinada e organizada pela CIA,[13] até que a Revolução Iraniana de 1979 o depôs do poder e instaurou a República Islâmica.

{O presidente Harry S. Truman (1884-1972) cumprimentando o primeiro-ministro Mohammed Mossadegh (1882-1967) do Irã. (Crédito da imagem dos políticos: Harry S. Truman Library). ‘O Pecado Que Deu Início a tudo: A resposta honesta não começa em 2026, mas em 1953, quando a CIA e a inteligência britânica derrubaram o governo democraticamente eleito do primeiro-ministro Mohammad Mossadegh em uma operação secreta chamada Operação Ajax. O crime de Mossadegh foi nacionalizar a indústria petrolífera do Irã, que era controlada e explorada pela Anglo-Iranian Oil Company, antecessora da British Petroleum. O governo Eisenhower, convencido por Londres de que Mossadegh estava se aproximando dos soviéticos, autorizou a CIA a organizar protestos nas ruas, subornar oficiais militares e arquitetar um golpe que substituiu um líder eleito pelo povo pelo autocrático Xá Mohammad Reza Pahlavi. O Xá governou por 26 anos com a ajuda da SAVAK, uma força policial secreta treinada e organizada pela CIA, até que a Revolução Iraniana de 1979 o depôs do poder e instaurou a República Islâmica.'}

Nenhum político americano articulou as consequências desse pecado original com mais persistência ou coragem do que o ex-congressista Ron Paul, do Texas.[14] No plenário da Câmara dos Representantes, em debates presidenciais, em livro após livro, Paul retornava ao mesmo ponto com a obstinação de um homem que acreditava que a verdade importava, mesmo quando ninguém queria ouvi-la. “Nós começamos tudo em 1953, quando demos um golpe de Estado, instalamos o Xá, e a reação veio em 1979”, disse[15] Paul a Rick Santorum durante um debate presidencial republicano. “Isso continua acontecendo porque simplesmente nós não cuidamos dos nossos próprios negócios.”

 

73 Anos de Escalada

O catálogo de ações americanas contra o Irã desde 1953 não é uma lista de incidentes isolados. Trata-se de um padrão tão consistente, tão implacável e tão crescente que se assemelha menos a uma política externa e mais a um cerco em câmera lenta que abrange quase meio século da existência da República Islâmica e mais de sete décadas desde o golpe original.

Após a crise dos reféns de 1979, o governo Carter congelou mais de US$ 8 bilhões em ativos iranianos[16] e cortou[17] todas as relações diplomáticas com a recém-formada República Islâmica. O governo Reagan designou[18] o Irã como um Estado patrocinador do terrorismo em 1984 e, em seguida, forneceu ajuda econômica, inteligência e tecnologia de dupla utilização ao Iraque de Saddam Hussein durante a Guerra Irã-Iraque,[19] mesmo depois de a CIA ter confirmado que o Iraque estava usando armas químicas contra soldados e civis iranianos. Em 1987 e 1988, a Marinha dos EUA lançou a Operação Earnest Will,[20] a maior operação naval de comboios desde a Segunda Guerra Mundial, seguida pela Operação Praying Mantis,[21] que destruiu quase metade da frota operacional do Irã em um único dia. Em 3 de julho de 1988, o USS Vincennes abateu o voo 655 da Iran Air,[22] um avião de passageiros civil, matando todas as 290 pessoas a bordo.

A administração Clinton impôs um embargo comercial quase total em 1995[23] e sancionou a Lei de Sanções ao Irã e à Líbia em 1996, punindo até mesmo empresas estrangeiras que faziam negócios com Teerã. George W. Bush classificou o Irã como parte de um “Eixo do Mal” em 2002,[24] sabotando a cooperação diplomática secreta que estava em andamento desde a invasão do Afeganistão. O Congresso aprovou a Lei de Apoio à Liberdade do Irã em 2006,[25] destinando US$ 10 milhões para financiar “grupos pró-democracia” que se opunham ao governo iraniano e declarando[26] explicitamente a política dos EUA de “apoiar uma transição para a democracia no Irã”.

Durante os governos Bush e Obama, a arma cibernética Stuxnet[27] foi utilizada para destruir aproximadamente 1.000 centrífugas nucleares iranianas, o primeiro caso conhecido de um ataque cibernético causando destruição física a infraestrutura crítica.[28] Barack Obama expandiu as sanções financeiras a um nível que devastou a economia do Irã,[29] aplicando bilhões em multas a bancos europeus por fazerem negócios com Teerã.[30] Em seguida, negociou o acordo nuclear JCPOA {Joint Comprehensive Plan of Action/Plano de Ação Conjunto Global} em 2015, oferecendo um raro momento de contenção diplomática, apenas para Donald Trump se retirar do acordo[31] em 2018 e impor o que seu governo chamou de “pressão máxima”.

O primeiro mandato de Trump resultou em mais de 1.500 sanções contra o Irã[32] e entidades estrangeiras que negociavam com o país, teve como alvo pessoal o Líder Supremo Khamenei,[33] designou a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) como uma Organização Terrorista Estrangeira[34] (a primeira vez que um ramo das forças armadas de um governo estrangeiro recebeu tal classificação) e culminou[35] no assassinato do General Qasem Soleimani em janeiro de 2020.

Joe Biden recusou-se a suspender as sanções[36] sem o consentimento prévio do Irã, sancionou[37] a polícia da moralidade por causa dos protestos em Mahsa Amini e permitiu que o JCPOA {Joint Comprehensive Plan of Action/Plano de Ação Conjunto Global} expirasse oficialmente em outubro de 2025.[38] O segundo mandato de Trump reimpôs a pressão máxima, impôs tarifas de 25%[39] a qualquer país que negociasse com o Irã e, em junho de 2025, ordenou a Operação Martelo da Meia-Noite,[40] o primeiro ataque militar direto dos EUA em solo iraniano, enviando bombardeiros furtivos B-2 para lançar bombas antibunker[41] nas instalações nucleares de Fordow, Natanz e Isfahan.

E então chegou o dia 28 de fevereiro, com os Estados Unidos lançando a operação militar mais devastadora contra o Irã na história, matando seu Líder Supremo e chamando-a de libertação.

Em que ponto uma nação que fez tudo isso para e se pergunta se o problema não estaria mais perto de casa do que imagina? E melhor ainda, se pergunta quem é o verdadeiro soberano que dita essas políticas? Essas são as perguntas difíceis que precisam ser feitas e respondidas se quisermos que haja qualquer aparência de sanidade na tomada de decisões da política externa americana.

 

Como seria a redenção?

Se há um caminho para sair desse ciclo, ele começa com a honestidade. Ele começa com o reconhecimento de que o governo dos Estados Unidos tem sido o agressor em sua relação com o Irã durante a maior parte do último século. Ele começa com o reconhecimento de que sanções não são diplomacia, mas guerra econômica; que mudança de regime não é libertação, mas imperialismo; e que o povo americano nunca recebeu uma explicação honesta sobre por que seu governo trata um país de 90 milhões de pessoas do outro lado do planeta como um inimigo existencial.

As prescrições políticas não são complicadas. Elas são simplesmente impensáveis ​​dentro da atual ordem política. Remover todas as bases militares americanas do Golfo Pérsico e do Oriente Médio em geral. Encerrar todas as sanções contra o Irã, unilateralmente e sem pré-condições. Restabelecer as relações diplomáticas rompidas em 1980. Tratar o Irã da mesma forma que os Estados Unidos tratam dezenas de outras nações cuja política interna Washington pode considerar questionável, mas cuja soberania, no entanto, respeita. Parar de subsidiar e armar governos na região cujos interesses divergem dos do povo americano. E, acima de tudo, abandone a fantasia de que o governo dos Estados Unidos tem o direito, a sabedoria ou a competência para ditar o futuro político de uma civilização que já era antiga antes mesmo do nascimento da América.

Qualquer mudança genuína em direção a uma política externa não intervencionista permanece inatingível sem também reconhecer o verdadeiro soberano da vida política americana: a comunidade judaica organizada. A atual classe dominante funciona essencialmente como um instrumento para a expansão da influência geopolítica desse coletivo. Entidades como o AIPAC[42] {American Israel Public Affairs Committee/Comitê de Assuntos Públicos Israelo-Americano} e o WINEP[43] {Washington Institute for Near East Policy/Instituto de Washington para Política do Oriente Próximo} efetivamente transformaram o aparato de segurança nacional dos Estados Unidos em um sistema de segurança privada, concebido para realizar as fantasias ao estilo do Antigo Testamento de um judaísmo global.

Os eventos de 28 de fevereiro de 2026 não foram anômalos; foram o ponto final previsível de sete décadas de hostilidade institucionalizada. Esta última etapa de escalada é o resultado direto de uma agenda judaico-aceleracionista[44] defendida por Donald Trump. A menos que os Estados Unidos desmantelam a configuração de poder supremacista judaica que se entrincheirou na burocracia federal, o ciclo de guerra perpétua permanecerá ininterrupto. Enquanto esse nexo de influência persistir, o império judaico-americano continuará a se banquetear com a vitalidade da América branca, deixando apenas ruína em seu rastro.

Tradução e palavras entre chaves por Mykel Alexander

 Notas


[5] Fonte utilizado por José Alberto Niño:

https://news.un.org/en/story/2026/02/1167062

[10] Fonte utilizado por José Alberto Niño:

https://www.britannica.com/event/1953-coup-in-Iran

[11] Fonte utilizado por José Alberto Niño:

https://nsarchive2.gwu.edu/NSAEBB/NSAEBB435/

[14] Fonte utilizado por José Alberto Niño:

https://www.mohammadmossadegh.com/news/ron-paul/

[15] Fonte utilizado por José Alberto Niño:

https://www.ontheissues.org/2024/Ron_Paul_Foreign_Policy.htm

[17] Fonte utilizado por José Alberto Niño:

https://www.cfr.org/timelines/us-relations-iran

[18] Fonte utilizado por José Alberto Niño:

https://www.wilsoncenter.org/article/irans-islamist-proxies

[19] Fonte utilizado por José Alberto Niño:

https://www.cfr.org/timelines/us-relations-iran

[20] Fonte utilizado por José Alberto Niño:

https://en.wikipedia.org/wiki/Operation_Earnest_Will

[21] Fonte utilizado por José Alberto Niño:

https://en.wikipedia.org/wiki/Operation_Praying_Mantis

[22] Fonte utilizado por José Alberto Niño:

https://www.cfr.org/timelines/us-relations-iran

[24] Fonte utilizado por José Alberto Niño:

https://www.cfr.org/timelines/us-relations-iran

[27] Fonte utilizado por José Alberto Niño:

https://spectrum.ieee.org/the-real-story-of-stuxnet

[33] Fonte utilizado por José Alberto Niño:

https://iranprimer.usip.org/resource/timeline-us-sanctions

[36] Fonte utilizado por José Alberto Niño:

https://iranprimer.usip.org/blog/2020/nov/09/joe-biden-iran

[37] Fonte utilizado por José Alberto Niño:

https://home.treasury.gov/news/press-releases/jy0969

[43] Fonte utilizado por José Alberto Niño:

https://www.washingtoninstitute.org/policy-analysis/israel

Fonte: From Ajax to Epic Fury - Why a 1953 coup and decades of sanctions led straight to Trump’s war on Iran, por José Alberto Niño, 04 de março de 2026, The Unz Review – An Alternative Media Selection.

https://www.unz.com/jnino/from-ajax-to-epic-fury/

Sobre o autor: José Alberto Niño tem formação acadêmica com Bacharelado em Ciência Política e Governo pela University of Texas em Austin (2009-2013), Mestrado em Estratégia Internacional e Política Comercial, Universidade do Chile (2014-2016).

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Um olhar direto sobre o lobby judaico - por Mark Weber

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Quem são os Palestinos? - por Sami Hadawi

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Resenha de GENOCIDE IN THE HOLY LAND {GENOCÍDIO NA TERRA SANTA}, Rabbi Moshe Schonfeld, Neturei Karta dos EUA - por Bezalel Chaim

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