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domingo, 14 de junho de 2026

A Crucificação do Logos: Um Golpe Judaico na Mentalidade Romana - por Laurent Guyénot

 

Laurent Guyénot


Em algum lugar da Ásia Menor, no final do século I d.C., dois filósofos, um estoico e um platônico, estavam sentados à beira de uma praça do mercado, cercados por uma dúzia de espectadores. Eles debatiam sobre o Logos, a Inteligência divina que governa o céu e a terra. O platônico concebia o Logos como um princípio intermediário entre Deus e o universo físico. O Logos, dizia ele, é a Mente de Deus, ou a totalidade das Formas ou Ideias existentes. O estoico considerava essas distinções arbitrárias. Como Deus é, por definição, infinito, nada está fora Dele. Portanto, o Logos não é distinto de Deus, nem da ordem ou harmonia (kosmos) do mundo. Ele citou Sêneca em Sobre os Benefícios (IV,7): “o que é a Natureza (Phusis) senão Deus e a razão divina, que permeia o universo e todas as suas partes?”. Portanto, Theos, Logos e Kosmos são três aspectos diferentes, ou apenas nomes diferentes, da mesma realidade.

Nesse momento, um judeu entre os ouvintes interrompeu os filósofos para informá-los de que o Logos, na verdade, havia descido do céu na forma do rei dos judeus, crucificado e ressuscitado em Jerusalém. Todos caíram na gargalhada.

O nome do judeu era Yohanan. Ele então começou a escrever um pergaminho que iniciava com: “No princípio era o Logos, e o Logos estava com Deus, e o Logos era Deus. Ele estava com Deus no princípio. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele; sem ele, nada do que existe teria sido feito” (João 1:1-3).

Nem em seus mais loucamente selvagens pesadelos nossos dois filósofos poderiam imaginar que, dois séculos depois, esse pergaminho se tornaria escritura sagrada oficial, e a crença de que o Logos se “fez carne” como um judeu seria declarada obrigatória em todo o Império Romano, sob pena de morte.

Mas essa é, em poucas palavras, o cerne da cristianização.

Há uma cruel ironia na apropriação cristã do Logos. Ele é comumente traduzido como “a Palavra, mas o logos grego, do qual deriva nossa palavra “lógica,” está mais próximo de “razão.” Sejam estoicos ou platônicos, os filósofos postulavam que a alma racional de cada homem era uma participação direta no Logos divino, razão pela qual os homens têm a capacidade de compreender racionalmente Deus e o universo. Quando os primeiros apologistas cristãos de língua grega culpavam os filósofos por depositarem sua fé na “razão” em vez de em Deus, eles usavam a palavra logos (Justino Mártir, Tatiano, Teófilo de Antioquia). Mas os mesmos autores adoravam Jesus e afirmavam que ele era o verdadeiro e completo Logos em si mesmo. Eles mudaram o significado de Logos tão radicalmente a ponto de afirmar que ser salvo pelo Logos requeria fé em vez de razão. O Logos, a fonte divina da razão humana, foi sequestrado por uma religião que exige que os homens abandonem sua razão em prol de uma fé cega em histórias impossíveis. “A sabedoria deste mundo é loucura aos olhos de Deus”, escreveu Paulo (1 Coríntios 3:19). “É facilmente crível porque é insensata… é certa porque é impossível”, escreveu Tertuliano (De Carne Christi 5.4). A libido sciendi dos filósofos foi condenada como uma vaidade mortal, uma concupiscência nascida da nossa corrupção ou do Diabo.

É geralmente assumido que os intelectuais cristãos que elaboraram a Cristologia do Logos, a começar pelo autor do Evangelho de João, foram discípulos dos filósofos gregos. Mas não é esse o caso: eles foram discípulos de um filósofo judeu, Filo de Alexandria, que morreu por volta de 40 d.C. Filo interpretou a Torá (e o livro do Gênesis em particular) através do platonismo médio de sua época. Mas ele o fez com o propósito de demonstrar que a sabedoria judaica era mais antiga, superior e mais pura do que a sabedoria grega — um lugar-comum na literatura judaica alexandrina. Ligando a filosofia ao Tanakh (que ele lia na tradução grega), Filo identificou o Logos como o “Anjo do Senhor” ou o “Primogênito dos Anjos”, e também o chamou de “Filho de Deus” ou “Primogênito de Deus”, bem como um “Segundo Deus” que governa o mundo em nome de seu Pai. “E muitos são os seus nomes, pois ele é chamado o Princípio, e o Nome de Deus, e a sua Palavra, e o Homem conforme a sua Imagem, e aquele que vê, isto é, Israel.” O Logos é “a Imagem de Deus”; portanto, quando Gênesis 9:6 diz que Deus criou o homem à sua própria imagem, devemos entender, argumenta Filo, que o Logos é também o Adão celestial arquetípico, do qual o Adão terreno, que vem depois, é uma cópia corruptível (um conceito que encontrou espaço na epístola de Paulo aos Romanos, capítulo 5). Filo fundiu esse conceito do Logos com a visão profética do Filho do Homem descendo do céu no Livro de Daniel (7:13). Finalmente, Filo considera Moisés como uma encarnação quase perfeita do Logos, como um novo Adão.1

Filo teve uma enorme influência em virtualmente todos os escritores cristãos, de Paulo a Justino e Orígenes. “De fato”, escreve James Royse, “a utilização cristã de Filo foi tão extensa que era inconcebível para alguns que Filo não tivesse realmente se tornado cristão; e assim encontramos histórias da conversão de Filo ao cristianismo e referências ocasionais em manuscritos ao ‘Bispo Filo’”.2 De acordo com Erwin Goodenough, não há dúvida de que Justino, por exemplo, tomou emprestada sua Cristologia do Logos de Filo: “como doutrina do Logos, ainda é reconhecidamente o Logos de Filo que Justino tem em mente, embora popularizado, diluído, intensamente personalizado e representado como encarnado no Jesus Cristo histórico”.3 Há um elemento de engano aqui, pois Justino nunca menciona o nome de Filo. Justino nasceu em Neápolis (hoje Nablus), na Samaria; Ele alegava ser gentio, mas demonstra um profundo conhecimento do judaísmo em seu Diálogo com Trifão, e há suspeitas de que ele tenha sido um dos primeiros casos de criptojudaísmo.

Seja como for, deve ficar claro, a partir das considerações acima, que a Cristologia do Logos é de inspiração judaica. Ela é helenística apenas no sentido de estar enraizada no judaísmo helenístico, o qual é um ramo do judaísmo, não do helenismo.

 

Homoousianos vs. Homoianos

Dada a influência de Filo de Alexandria na cristologia primitiva, não é surpresa que as controvérsias cristológicas tenham sido particularmente intensas em Alexandria. Foram o bispo Alexandre de Alexandria e seu jovem diácono Atanásio que impuseram sua visão no Concílio de Niceia, em 325. Concedam-me com atenção eu recontar brevemente essa história, um ponto de virada na história intelectual ocidental — um golpe judaico na mente gentia.

A principal questão discutida em Niceia foi a disputa de Alexandre com o presbítero Ário, que sustentava que o Filho era inferior ao Pai que o gerou. Alexandre e Atanásio insistiam que o Filho era coeterno com o Pai e que ambos eram da mesma ousia (uma palavra frequentemente usada por Filo, que significa “substância” ou “essência”). Para esses monoteístas monomaníacos, não bastava que Jesus fosse o Filho de Deus: ele tinha que ser “Deus verdadeiro de Deus verdadeiro,” caso contrário, os cristãos estariam adorando um segundo deus. Alexandre e Atanásio saíram vitoriosos, e Ário foi exilado por decreto imperial, juntamente com alguns seguidores que não cediam.

Contudo, muitos bispos que haviam sido coagidos a assinar o Credo Niceno posteriormente se retrataram. Por iniciativa do bispo Eusébio de Nicomédia, surgiu um consenso para rejeitar o uso do termo aristotélico e não evangélico ousia, declarando, em vez disso, que o Filho era simplesmente “similar” (homoios) ao Pai — embora ainda admitindo, contrariamente a Ário, que o Filho existia desde toda a eternidade. Mas o fanático Atanásio — descrito por Harold Drake como “apaixonado, eloquente e implacável”, e como possuidor de “habilidades de um lutador implacável e político de rua” — havia sucedido Alexandre como bispo de Alexandria três anos após Niceia, e não faria concessões.4 Em 335, Constantino, cansado de sua arrogância e violência (ele foi acusado de instigar tumultos e assassinatos), exilou-o em Trier — o mais longe possível de sua base egípcia. Constantino recebeu o batismo de Eusébio de Nicomédia e morreu pouco depois, em 337. Ele foi sucedido por seus três filhos, dos quais restavam apenas dois três anos depois: Constâncio governou o Oriente e Constante o Ocidente, a partir de Milão.

Atanásio tomou vantagem da morte de Constantino para retornar furtivamente a Alexandria e reunir seus partidários, mas foi novamente banido por Constâncio, que manteve a ortodoxia homoiana (ou homoeana) de seu pai. Contudo, refugiou-se em Roma e obteve o apoio do bispo Júlio (ainda não “papa”), que se ressentia de ser marginalizado das discussões que agitavam a parte grega do Império.

Quando Constante foi vítima de um golpe em 350, Constâncio derrotou o “usurpador” e restaurou a unidade do Império. Um concílio foi convocado em Sírmio (hoje na Sérvia) em 357, que afirmou que “o Pai é maior que o Filho em honra, dignidade, esplendor, majestade e no próprio nome do Pai, como o próprio Filho testemunhou: ‘Aquele que me enviou é maior do que eu’.” Em 360, Constâncio presidiu pessoalmente um concílio em Constantinopla, o qual emitiu a seguinte declaração:

Quanto ao termo “essência” (ousia), que foi adotado pelos pais sem a apropriada reflexão e, por ser desconhecido do povo, causou ofensa, porque as Escrituras não o contêm, resolveu-se que fosse removido e que no futuro não se fizesse qualquer menção a ele, visto que as Sagradas Escrituras em nenhum lugar mencionam a essência do Pai e do Filho. Nem se deve usar o termo “hipóstase” em relação ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Declaramos que o Filho é semelhante (homoios) ao Pai, como declaram e ensinam as Sagradas Escrituras.5

Após a morte de Constâncio e o breve reinado de seu primo “apóstata” Juliano (361–63), o Império foi novamente dividido entre dois irmãos, Valentiniano e Valente, que se contentaram com as decisões do Concílio de Constantinopla de 360.

Mas o partido niceno permaneceu influente. De suas cidades de exílio (ele foi exilado cinco vezes), Atanásio escreveu e distribuiu inúmeras cartas atacando os homoianos, a quem sempre chamava de “arianos” (injustamente, já que “não há evidências de que o cristianismo homoiano tivesse qualquer ligação direta com os ensinamentos de Ário”, de acordo com Peter Heather).6 Seu tratado mais influente, a Carta sobre os Decretos do Concílio de Niceia, é uma defesa do concílio em 32 capítulos. O partido niceno reconquistou o poder sob o jovem imperador do Ocidente, Gratiano (367–383), que nomeou Teodósio para o Oriente.

Esse foi o fim do período de 40 anos de ortodoxia imperial homoiana. Gratiano e Teodósio declararam o cristianismo niceno a única forma legal de cristianismo (Édito de Tessalônica, 380). Atanásio foi canonizado e todos os seus inimigos foram expurgados. O credo homoiano foi chamado de “blasfêmia de Sírmio”, e a fórmula homoousiana foi confirmada e complementada no Concílio de Constantinopla convocado por Teodósio em 381.

A triunfante Igreja Nicena tornou-se rica e poderosa. Esta foi a época de Ambrósio, Jerônimo, Agostinho, Paulino de Nola, Martinho de Tours, Prisciliano de Ávila e outros autores prolíficos cuja literatura se tornou patrimônio sagrado da Igreja, enquanto os escritos de seus oponentes foram vítimas de expurgo cultural. Sobre os clérigos vitoriosos, Peter Brown escreve:

Esses homens eram ultras. Eles eram conhecidos por sua lealdade inabalável ao Credo Niceno. [...] Eles estavam preparados para rejeitar a instituição eclesiástica estabelecida por Constantino e seu filho Constâncio II como uma tirania antiquada e arrogante. [...] Embora fossem poucos em número, destacavam-se por suas conexões com pessoas ricas e poderosas.7

 

A Cristianização do Conhecimento

Essa história é o antecedente de fundo para uma profunda transformação na estrutura cognitiva dos europeus. Essa transformação é o tema do livro de Mark Letteney, The Christianization of Knowledge in Late Antiquity: Intellectual and Material Transformations {A Cristianização do Conhecimento na Antiguidade Tardia: Transformações Intelectuais e Materiais} (Cambridge UP, 2023).

Letteney analisa o pensamento e documenta as intrigas dos radicais cristãos liderados por Atanásio de Alexandria. Como nós acabamos de ver, eles foram marginalizados pelo já idoso Constantino, seus filhos e seus sucessores, para só reconquistarem o favor imperial sob Graciano e Teodósio. Por último, eles conseguiram expurgar a Igreja de seus inimigos e impor não apenas seu dogma, mas também seu conceito de verdade e seu método para encontrá-la: “um conjunto de práticas escolares concebidas para a disputa teológica tornou-se generalizado e central do final do século IV até meados do século V, como resultado do domínio cristão niceno”.8 A agregação e a destilação de tradições autorizadas, em vez do uso da razão, tornaram-se o procedimento padrão para a aquisição de conhecimento, mesmo em assuntos seculares. “A cristianização do império não afetou apenas o discurso público sobre o que poderia ser verdade, mas também a maneira como os estudiosos buscavam provar seus argumentos”, segundo Letteney. “Os cristãos nicenos, ao ascenderem a posições de poder, mudaram a forma como toda uma cultura escolástica abordava a criação, a verificação e a disseminação de fatos”. Em poucas décadas, “a cultura livresca cristã tornou-se a cultura livreira romana”.9

{Atanásio I de Alexandria (296-373 d.C.), retratado na imagem, foi um dos luminares do cristianismo e do catolicismo. De sua liderança o fanatismo cristão contribuiu para dar continuidade ao processo de corrupção do conceito racional do logos e espírito gregos cujo início coube ao judeu Fílon de Alexandria (15 a.C.-50 d.C.), e que em última instãncia influiu no fanatismo ocidental até a atualidade.} 

O novo método consistia em subordinar a verdade à autoridade. No fundamento do conhecimento estão as escrituras. Por serem declaradas inspiradas por Deus, elas são, por definição, “a verdade”. Então, vêm as interpretações das Escrituras feitas pelos primeiros Padres da Igreja, que precisam ser reunidas e classificadas, um processo que Letteney chama de “agregação”. As interpretações que são aprovadas como “inspiradas pelo Espírito Santo” são as que devem ser consideradas confiáveis. Estas, por sua vez, precisam ser sintetizadas em fórmulas dogmáticas, que são promulgadas e tornadas juridicamente vinculativas. Se, como inevitavelmente acontece, essas fórmulas dogmáticas estiverem sujeitas a interpretações conflitantes, novas vozes autorizadas precisam afirmar sua interpretação correta. E assim por diante. “A assunção de que agregação, destilação e promulgação são ferramentas acadêmicas centrais se espalhou a partir do Concílio de Niceia, primeiro entre os cristãos e, eventualmente, por todo o espectro da produção acadêmica da Era Teodosiana.”10

O que é irônico — e despercebido por Letteney — é que o grupo niceno, a força motriz dessa corrupção do logos humano, era também o grupo com o argumento escritural mais fraco: é óbvio que os homoianos estavam certos ao acusar os homoousianos de violarem os Evangelhos ao tornarem Jesus plenamente Deus. O método cristão triunfante de obter conhecimento foi, desde o início, uma cultura de engano.

À medida que se tornou procedimento padrão, isso foi transposto para todos os domínios do conhecimento. A partir de então, “afirmações de verdade universal passaram a ser baseadas em uma compilação de fontes e na agregação de opiniões anteriores sobre o assunto em questão”.11

Essa estrutura de conhecimento peculiarmente cristã não permaneceu por muito tempo restrita ao domínio dos teólogos. Uma maneira de pensar sobre a verdade — incluindo um interesse fundamental na própria verdade universal como uma busca digna e valiosa — extrapolou o ambiente rarefeito das disputas teológicas e alcançou outros domínios do conhecimento. Através de toda a paisagem ideológica e intelectual do império teodosiano, estudiosos buscaram verdades universais em suas próprias áreas de especialização, utilizando um método de agregação, destilação e promulgação que foi inicialmente concebido para resolver uma complexa disputa teológica. Tanto estudiosos cristãos quanto tradicionalistas adotaram esse método em obras de direito, história e outros campos. … A proliferação de um regime escolástico que começou como uma ferramenta teológica em domínios “seculares” é um aspecto da cristianização. Isso nos mostra como os modos de pensamento dominantes podem ser transportados de um campo de investigação para outro.12

Como exemplo da mentalidade moldada pelo totalitarismo niceno, Letteney menciona o monge Vicente de Lérins, da Gália, que morreu por volta de 445. Ele escreveu para si mesmo dois lembretes sobre “como e por qual regra certa (digamos, geral e comum) eu poderia distinguir a verdade da fé católica da falsidade da heresia depravada”. Examinando o campo de “homens eminentes em santidade e em conhecimento”, ele chegou à conclusão de que poderia detectar a heresia e permanecer puro em sua própria fé com referência a dois recursos: primeiro, a “autoridade da lei divina” e “segundo, a tradição da comunidade católica”.13

Isso pode ser contrastado com a maneira como os filósofos não cristãos conduziam sua própria busca pela verdade, confiando em seu acesso direto ao Logos. Letteney toma como exemplo o neoplatônico Proclo, “um dos poucos tradicionalistas francos na órbita da corte de Teodósio II”. Ele inicia suas Dez Questões sobre a Providência, escritas por volta da morte de Teodósio II (c. 450), com uma apologia que parece uma crítica direta à metodologia cristã:

Interroguemo-nos, então, se isso não for problema, e levantemos questões no segredo de nossa mente e, assim, tentemos nos exercitar na resolução desses problemas. Não faz diferença se discutirmos o que foi dito por pensadores anteriores ou não. Contanto que digamos o que corresponde à nossa própria visão, podemos parecer dizer e escrever essas visões como se fossem nossas.14

Proclo é o último platônico cujas obras sobreviveram. Quando o imperador Justiniano fechou a Academia em 529, os membros restantes buscaram proteção sob o rei persa Cosroes I, levando consigo todos os pergaminhos preciosos que conseguiram encontrar. As obras do próprio Proclo provavelmente teriam desaparecido se não fosse por um de seus discípulos do final do século V ou início do século VI, que astutamente escreveu sob o pseudônimo de Dionísio, o Areopagita, apropriando-se da identidade de um personagem convertido por Paulo em Atenas, conforme Atos 17:34, enganando assim os guardiões da ortodoxia cristã com seus próprios critérios de verdade. Durante a Idade Média, esse corpus pseudo-dionisíaco foi considerado como tendo quase autoridade apostólica e, por incorporar um grande número dos princípios metafísicos de Proclo, permitiu que ele se passasse por um proto-cristão e que sua obra fosse contrabandeada para bibliotecas cristãs.


A Distinção Mosaica versus a Distinção Socrática

Letteney observa que o novo conceito paradigmático e a prática da verdade impostos pelos literatos cristãos são contundentemente semilares à mentalidade talmúdica que se desenvolveu no mundo judaico durante o mesmo período (o Talmude Palestino foi compilado na Galileia entre o final do século IV e o início do século V). Essa observação surge quase como uma reflexão tardia para Letteney, e em vez de investigar as causas dessa semelhança, ele simplesmente a considera como evidência de “como uma estrutura de conhecimento peculiarmente teodosiana influencia o Talmude Palestino”.

Ao situar o Talmude Palestino em seu contexto escolástico teodosiano, nós podemos reconhecê-lo como um projeto particularmente romano e teodosiano. A correlação sugere que as práticas desenvolvidas dentro de um império cristão, oferecendo práticas intelectuais cristianizadas em todo o panorama escolástico, passaram a influenciar até mesmo a produção acadêmica de “rabinos [que] proclamavam seu afastamento da cultura romana normativa em cada linha que escreviam”, como Seth Schwartz argumenta corretamente.15

Eu duvido que Letteney tenha compreendido corretamente qual das duas estruturas cognitivas — judaica ou cristã — influenciou a outra. Descrever o Talmud como um “projeto particularmente romano” é forçar a credulidade. Teoricamente, é possível que os autores do Talmud tenham sido influenciados por controvérsias doutrinárias cristãs durante a era teodosiana, uma vez que, segundo Jacob Neusner, “o judaísmo como o conhecemos nasceu no encontro com o cristianismo triunfante”.16 No entanto, Letteney está se referindo aqui a uma tradição literária judaica conhecida como midrash, que se desenvolveu nas escolas de Rabi Ismael e Rabi Akiva no início do século II, um período em que os apologistas cristãos ainda usavam métodos exegéticos judaicos, como ilustrado pelo Diálogo com Trifão, o Judeu de Justino de Nablus (c. 160).

Naquele período, o cristianismo estava apenas começando a se desvencilhar de sua matriz judaica, e o processo ainda não havia terminado na era teodosiana. Até o final do século IV, como nos lembra Rodney Stark, as comunidades cristãs ainda “continham muitos membros de ascendência judaica relativamente recente, que mantinham laços familiares e de associação com judeus não cristãos e que, portanto, ainda conservavam um aspecto distintamente judaico em seu cristianismo”.17 João Crisóstomo, que se tornou arcebispo de Constantinopla em 397, queixou-se de que os cristãos ainda estavam imitando os judeus. Assim, se o método argumentativo da intelectualidade nicena é tão semelhante ao Talmude, isso apenas confirma que o cristianismo não apenas nasceu, mas cresceu em um ambiente intelectual judaico, e que a “cristianização do conhecimento” foi, na verdade, uma judaização do espírito ocidental. Pode-se argumentar que a rejeição do compromisso homoiano pelos ultraconservadores nicenos surgiu de uma obsessão monoteísta judaica: era imperativo que Cristo e Deus fossem um, para que a adoração cristã não fosse dirigida a algum outro ser que não Deus.

O que Letteney chama de “cristianização do conhecimento”, o egiptólogo alemão Jan Assmann consideraria um efeito da “distinção mosaica”, que significa “a ideia de uma Verdade exclusiva e enfática que separa Deus de tudo o que não é Deus e, portanto, não deve ser adorado”.18 Em The Price of Monotheism, Assmann contrapõe a distinção mosaica ao que ele chama de “distinção parmenidiana”, em referência ao seu suposto pioneiro Parmênides, no século VI a.C., ou mais simplesmente a “distinção socrática”, em homenagem ao seu defensor mais famoso. Com esse termo, Assmann se refere ao conceito revolucionário de conhecimento introduzido pelos gregos, difundido pela conquista de Alexandre e adotado pelos romanos:

Ao traçar uma linha divisória entre o “pensamento selvagem” — os modos tradicionais e míticos de produção do mundo — e o pensamento lógico, que se submete ao princípio da não contradição, essa restrição ao pensamento coloca a cognição, a validação e o conhecimento em um patamar completamente novo. O novo conceito de conhecimento introduzido pelos gregos não é menos revolucionário em sua natureza do que o novo conceito de religião introduzido pelos judeus e representado pelo nome de Moisés. Ambos os conceitos são caracterizados por um impulso sem precedentes à diferenciação, à negação e à exclusão.

Mas há mais em disputa do que uma mera analogia entre esses dois conceitos: eles são, em si mesmos, modos de cognição incompatíveis, e dessa incompatibilidade surgiu a oposição entre fé e razão que se tornou constitutiva da cultura cristã heleno-judaica.

O novo conceito [grego] de conhecimento tem como seu corolário o fato de se definir em contraposição a um contraconceito igualmente novo, o de “fé”. Fé, nesse novo sentido, significa considerar algo como verdadeiro, algo que, mesmo que eu não possa estabelecer sua veracidade em bases científicas, ainda assim reivindica uma verdade de altíssima autoridade. Conhecimento não é idêntico à fé, pois diz respeito a uma verdade que é meramente relativa e refutável, mas ainda assim determinável e criticamente verificável; fé não é idêntica ao conhecimento, pois diz respeito a uma verdade que é criticamente não verificável, mas ainda assim absoluta, irrefutável e revelada. Antes dessa distinção, não existiam nem o conceito de conhecimento que é constitutivo da ciência, nem o conceito de fé que é constitutivo da religião revelada. Conhecimento e fé, e portanto ciência e religião, eram uma e a mesma coisa.”19

Se Letteney tivesse lido Assmann, ele talvez tivesse percebido que o novo conceito de verdade e conhecimento promovido pelo partido niceno e contraposto ao logos grego não era, de fato, um conceito novo, mas sim a introdução na cultura romana da antiga mentalidade judaica. Ele teria então reconhecido que, se os talmudistas e os Padres nicenos pensavam de maneira semelhante, era porque estes últimos eram fundamentalmente judeus em sua estrutura mental.

A distinção socrática é o fundamento da cultura helenística, que por sua vez é a matriz da civilização romana. A distinção mosaica é “o fundamento da identidade de Israel”20, mas o cristianismo também se baseia nela. A distinção mosaica é o “ciúme” do Deus hebraico, que não foi domesticado pela paternidade no cristianismo. A luta era dirigida tanto contra o Deus cósmico dos filósofos quanto contra os deuses antropomórficos dos templos (sobre o monoteísmo filosófico greco-romano, ver Peter Van Nuffelen e Stephen Mitchell, eds., One God: Pagan Monotheism in the Roman Empire, 1–4th cent. A.D., Cambridge UP, 2010).

Mesmo embora tréguas e até alianças tenham sido forjadas durante a Idade Média entre a teologia cristã e a filosofia grega (com base em Aristóteles), o resultado a longo prazo dessa luta foi privar a filosofia do direito de abordar questões metafísicas de forma autônoma. Infelizmente, a filosofia respondeu entrando em guerra, não apenas contra a teologia, mas contra a própria ideia de Deus. Esta é, a meu ver, uma das grandes tragédias do Ocidente.

 

A Ressurreição Judaica

O fundamento judaico do cristianismo vai além do Concílio de Niceia, é claro. Não é falso dizer que, como homem nascido de um Pai divino e imortalizado pela morte, Jesus se enquadra na categoria dos heróis ou semideuses gregos; mas, se examinarmos a versão cristã, descobriremos alguma coisa de longe mais judaica.

O que torna a fé cristã fundamentalmente judaica é a sua própria essência, a mensagem central que os missionários judeus pregaram aos gentios nos dois primeiros séculos. Em uma palavra: ressurreição (anastasis). “Se não há ressurreição dos mortos, também Cristo não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, a nossa pregação é inútil, e a fé que vocês têm é inútil” (1 Coríntios 15:13-14). A ressurreição dos mortos é uma crença judaica que surgiu por volta do século II a.C., mas está essencialmente enraizada na antropologia materialista da Torá. De acordo com Gênesis 3, a morte foi resultado da desobediência de Adão e Eva, e não parte da “natureza” humana, como pretendido por Deus. Homens e mulheres foram criados por Deus fisicamente imortais, mas tornaram-se mortais pela transgressão dos primeiros ancestrais, e nenhuma imortalidade espiritual foi introduzida para compensar a mortalidade física. A morte significa simplesmente dar o último suspiro e “voltar ao pó” (Gênesis 3:19). Segue-se, portanto, que uma vida após a morte só pode ser imaginada como uma ressurreição do corpo. Isso acontecerá nos Últimos Dias, quando a maldição do Jardim do Éden será revertida e a morte vencida. Esse tema não aparece em nenhum lugar das escrituras hebraicas antes do Livro de Daniel, em termos ambíguos: “Dos que dormem na terra do pó, muitos ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e desgraça eterna” (12:2). A ressurreição dos mortos no fim dos tempos tornou-se um tema central do judaísmo farisaico.

Paulo era fariseu. Embora ele escrevesse em grego, usando conceitos gregos, ele entendia Gênesis 3 literalmente: “pois por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, e assim a morte se espalhou por toda a humanidade” (Romanos 5:12). Paulo proclamava que Jesus havia vencido a morte por meio de sua ressurreição, de modo que os cristãos também poderiam ressuscitar quando Cristo retornasse. Como ele esperava que isso acontecesse muito em breve, garantiu aos seus convertidos que, se ainda estivessem vivos nessa época, viveriam para sempre. Sua declaração mais explícita sobre esse assunto encontra-se em 1 Tessalonicenses 4:14-17.

Nós cremos que Jesus morreu e ressuscitou, e que da mesma forma Deus trará, mediante Jesus, os que nele adormeceram. Podemos afirmar isso com base no próprio ensinamento do Senhor: que nós, os que estivermos vivos para a vinda do Senhor, de modo nenhum teremos vantagem sobre os que adormeceram. Ao sinal da voz do Arcanjo e do toque da trombeta de Deus, o próprio Senhor descerá do céu; os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro, e somente depois disso nós, os que estivermos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, para o encontro com o Senhor nos ares. Assim estaremos para sempre com o Senhor.

Como Paulo indica claramente, você não pode saber isso apenas pela razão. Você sabe isso pela autoridade das Escrituras. Visto que a Ressurreição é a própria essência da fé cristã, ela representou o golpe mortal para o logos greco-romano, o verdadeiro milagre da evolução humana. Ao aceitar a Ressurreição judaica, Roma vendeu sua alma ao deus judaico da irracionalidade.

 

A civilização europeia como um palimpsesto

Geralmente falando, não houve filosofia independente durante a Idade Média, visto que a filosofia (incluindo a “filosofia natural”, hoje chamada de “ciência”) era considerada subordinada à teologia. Isso era especialmente verdadeiro no Ocidente, onde a erudição helenística não exercia o mesmo contrapeso que no Oriente. Na primeira metade do século IX, o bispo Amalário de Metz foi questionado sobre suas visões heterodoxas por uma comissão chefiada pelo teólogo Floro de Lyon: “Perguntaram-lhe onde havia lido essas coisas. Então ele, com bastante contenção na fala, respondeu que não as havia tirado das escrituras, nem dos ensinamentos transmitidos pelos Padres universais, nem mesmo de hereges, mas sim que as havia lido em sua própria mente (in suo spiritu)”. Ao que os padres reunidos responderam em uníssono: “Eis, de fato, o espírito do erro (spiritus erroris)!”21

Era, na realidade, o espírito da filosofia. Esse espírito jamais morreu. A filosofia simplesmente caiu em um sono profundo. “Tendo cutucado o dedo na teologia cristã, a filosofia adormeceu por cerca de mil anos até ser despertada pelo beijo de Descartes”, escreveu Anthony Gottlieb em O Sonho da Razão.22 A alegoria é excelente, exceto por Descartes no papel de Príncipe Encantado: a Academia Platônica de Florença foi criada quase dois séculos antes de seu Discurso sobre o Método. Foi o Renascimento que despertou a Bela Adormecida greco-romana e fundou a civilização ocidental.*1

A despeito do que os cristãos costumam ouvir, o conflito entre a Igreja e a Academia (ou seja, a Filosofia) durante o Renascimento não foi, de forma alguma, um conflito entre a crença em Deus e ateísmo. O ateísmo era quase inexistente nos debates do século XV, assim como na Antiguidade. O ateísmo ganhou algum terreno no século seguinte, mas humanistas como Erasmo e Thomas More o consideravam pior do que o fanatismo religioso. Os cientistas acreditavam em Deus, e isso ainda se verificava no século XVII: Isaac Newton, o maior gênio científico de sua época, era intensamente religioso.

Contudo, a ideia de Deus defendida por esses homens de saber estava movendo-se cada vez mais da doutrina cristã e aproximava-se da filosofia grega: não se tratava do Deus de Moisés, que profere regras, mandamentos e dogmas arbitrários, mas do Deus de Platão, dos estoicos e de Cícero, cujo Logos governava o mundo e inspirava a razão humana. A vida do matemático francês Blaise Pascal é uma ilustração dramática dessa tensão dialética entre duas ideias de Deus. Pascal era um gênio de grande renome. Mas, em 1654, aos 31 anos, teve uma experiência mística e renunciou ao “Deus dos filósofos” em favor do Deus dos Evangelhos. Deixou de contribuir para a ciência e morreu de uma doença neurológica aos 39 anos. Pascal personifica a luta entre a Razão e a Revelação, tema central do drama ocidental.

Outra boa metáfora para isso é o Palimpsesto de Arquimedes.*2 Trata-se de um livro de orações copiado em pergaminho em Constantinopla, no século XIII, em grego. Em 1906, o estudioso dinamarquês Johan Ludvig Heiberg encontrou, sob o texto visível, duas obras de Arquimedes que se acreditava perdidas, e a única edição original grega sobrevivente de sua obra Sobre os Corpos Flutuantes. Arquimedes de Siracusa (c. 287–c. 212)! Nenhum outro gênio helenístico se compara a ele. “Foi uma passagem de Arquimedes que levou Copérnico à hipótese do universo heliocêntrico”, lembra-nos Louis Rougier em The Genius of the West,*3 e “foi Arquimedes quem ensinou Leonardo da Vinci, Benedetti e Galileu a usar a matemática em seus estudos da natureza”.23 Pense nisso: monges condenando ao esquecimento eterno obras de Arquimedes, e a ciência moderna trazendo-as de volta à vida.

A civilização ocidental é um palimpsesto: o que foi reescrito ainda pode ser recuperado: somos fundamentalmente greco-romanos, não judaico-cristãos.

Tradução e palavras entre chaves por Mykel Alexander




Notas:

1 Nota de Laurent Guyénot: Philo, On the Confusion of Tongues 146, and On Flight and Finding, 101, citado e resumido a partir de Jean Daniélou, Philo of Alexandria, Cascade Books, 2014, pp. 134, 169, 67, 123, 167 e Marija Todorovka, “The concepts of the Logos in Philo of Alexandria”, Živa Antika 65 (2015), pp. 37-56.

2 Nota de Laurent Guyénot: James R. Royse, The Spurious Texts of Philo of Alexandria: A Study of Textual Transmission and Corruption, Brill, 1991, p. 1.

3 Nota de Laurent Guyénot: Erwin R. Goodenough, The Theology of Justin Martyr, Frommann, 1923, p. 175.

4 Nota de Laurent Guyénot: Harold Drake, Constantine and the Bishops: The Politics of Intolerance, John Hopkins UP, 2000, p. 4.

5 Nota de Laurent Guyénot: Timothy D. Barnes, Athanasius and Constantius: Theology and Politics in the Constantinian Empire, Harvard UP, 1993, p. 148.

6 Nota de Laurent Guyénot: Peter Heather, Christendom: The Triumph of a Religion, Knopf, 2023, Penguin Books, p. 158.

7 Nota de Laurent Guyénot: Peter Brown, Through the Eye of a Needle: Wealth, the Fall of Rome, and the Making of Christianity in the West, 350-550 AD, Princeton UP, 2014, p. 50.

8 Nota de Laurent Guyénot: Mark Letteney, The Christianization of Knowledge in Late Antiquity: Intellectual and Material Transformations, Cambridge UP, 2023, p. 101.

9 Nota de Laurent Guyénot: Mark Letteney, The Christianization of Knowledge in Late Antiquity: Intellectual and Material Transformations, pp. 12, 5, 99.

10 Nota de Laurent Guyénot: Mark Letteney, The Christianization of Knowledge in Late Antiquity: Intellectual and Material Transformations, p. 122.

11 Nota de Laurent Guyénot: Mark Letteney, The Christianization of Knowledge in Late Antiquity: Intellectual and Material Transformations, p. 91.

12 Nota de Laurent Guyénot: Mark Letteney, The Christianization of Knowledge in Late Antiquity: Intellectual and Material Transformations, pp. 225–226.

13 Nota de Laurent Guyénot: Mark Letteney, The Christianization of Knowledge in Late Antiquity: Intellectual and Material Transformations, p. 89.

14 Nota de Laurent Guyénot: Mark Letteney, The Christianization of Knowledge in Late Antiquity: Intellectual and Material Transformations, p. 118.

15 Nota de Laurent Guyénot: Mark Letteney, The Christianization of Knowledge in Late Antiquity: Intellectual and Material Transformations, p. 218.

16 Nota de Laurent Guyénot: Jacob Neusner, Judaism and Christianity in the Age of Constantine, University of Chicago Press, 1987, p. ix.

17 Nota de Laurent Guyénot: Rodney Stark, The Rise of Christianity: A Sociologist Reconsiders History, Princeton UP, 1996, p. 65.

18 Nota de Laurent Guyénot: Jan Assmann, Of God and Gods: Egypt, Israel, and the Rise of Monotheism, The University of Wisconsin Press, 2008, p. 1.

19 Nota de Laurent Guyénot: Jan Assmann, The Price of Monotheism, Stanford UP, 2010, pp. 13-14.

20 Nota de Laurent Guyénot: Jan Assmann, The Price of Monotheism, p. 1.

21 Nota de Laurent Guyénot: Florus of Lyon, Opuscula adversus Amalarium, 119.82a, citado em  Patrick J. Geary, Before France and Germany: The Creation and Transformation of the Merovingian World, Oxford UP, 1988, kindle l. 32. Geary, however, translates “in his own heart”, onde o texto latino diz n suo spiritu. https://la.wikisource.org/wiki/Opuscula_adversus_Amalarium

22 Nota de Laurent Guyénot: Anthony Gottlieb, The Dream of Reason: A History of Western Philosophy from the Greeks to the Renaissance, W.W. Norton & Co, 2016,, p. 359.

*1 Fonte utilizada por Laurent Guyénot: The Renaissance Genius, por Laurent Guyénot, 12 de março de 2025, The Unz Review – Na Alternative Media Selection.

https://www.unz.com/article/the-renaissance-genius/

*2 Fonte utilizada por Laurent Guyénot:

https://en.wikipedia.org/wiki/Archimedes_Palimpsest

23 Nota de Laurent Guyénot: Louis Rougier, The Genius of the West, Nash Publishing, 1971 uma edição abreviada da versão francesa, Le Génie de l’Occident, 1969). Fala de um holocausto de livros, pp. 65-66.

https://archive.org/details/geniusofwest0000roug/page/n3/mode/2up

The Crucifixion of the Logos: A Jewish Coup on the Roman Mind, por Laurent Guyénot, 18 de maio de 2026, The Unz Review – Na Alternative Media Selection.

https://www.unz.com/article/the-crucifixion-of-the-logos-a-jewish-coup-on-the-roman-mind/

Sobre o autor: Laurent Guyénot (1960-) possuí mestrado em Estudos Bíblicos e trabalho em antropologia e história das religiões, tendo ainda o título de medievalista (PhD em Estudos Medievais em Paris IV-Sorbonne, 2009) e de engenheiro (Escola Nacional de Tecnologia Avançada, 1982).

Entre seus livros estão:

LE ROI SANS PROPHETE. L'enquête historique sur la relation entre Jésus et Jean-Baptiste, Exergue, 1996.

Jésus et Jean Baptiste: Enquête historique sur une rencontre légendaire, Imago Exergue, 1998.

Le livre noir de l'industrie rose – de la pornographie à la criminalité sexuelle, IMAGO, 2000.

Les avatars de la réincarnation: une histoire de la transmigration, des croyances primitives au paradigme moderne, Exergue, 2000.

Lumieres nouvelles sur la reincarnation, Exergue, 2003.

La Lance qui saigne: Métatextes et hypertextes du Conte du Graal de Chrétien de Troyes, Honoré Champion, 2010.

La mort féerique: Anthropologie du merveilleux (XIIᵉ-XVᵉ siècle), Gallimard, 2011.

JFK 11 Septembre: 50 ans de manipulations, Blanche, 2014.

Du Yahvisme au sionisme. Dieu jaloux, peuple élu, terre promise: 2500 ans de manipulations, Kontre Kulture, Kontre Kulture, 2016. Tem edição em inglês: From Yahweh to Zion: Jealous God, Chosen People, Promised Land...Clash of Civilizations, Sifting and Winnowing Books, 2018.

Petit livre de - 150 idées pour se débarrasser des cons, Le petit livre, 2019.

“Our God is Your God Too, But He Has Chosen Us”: Essays on Jewish Power, AFNIL, 2020.

Anno Domini: A Short History of the First Millennium AD, 2023.

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Relacionado, leia também sobre a questão judaica, cristianismo e a tradição europeia ver:

{O verdadeiro e original Natal} Feliz Dia do Sol Invencível! - por Laurent Guyénot

O Gancho Sagrado - O Cavalo de Tróia de Jeová na Cidade dos Gentios {os não-judeus} - por Laurent Guyénot - parte 1 (demais duas partes na sequência do próprio artigo)

O Solstício de Inverno: Símbolo da antiguidade da civilização europeia – por David Duke

Traga seus mortos ... De volta ao altar da família - por Laurent Guyénot

Êxodo recorrente: Identidade judaica e Formação da História - Por Andrew Joyce, Ph.D., {academic auctor pseudonym}

O truque do diabo: desmascarando o Deus de Israel - Por Laurent Guyénot - parte 1

Jesus o judeu - por Thomas Dalton Ph.D. {academic auctor pseudonym}

O Império Falido - A origem medieval da desunião europeia - parte 1 - por Laurent Guyénot (demais duas partes na sequência do próprio artigo)

Sangue diluído {pelo cristianismo em geral, e pelo papado medieval em especial} - por Laurent Guyénot

A Sabedoria dos Antigos: Cidades-Estado Gregas como Estados-étnicos - Por Guillaume Durocher {academic auctor pseudonym}

Biopolítica, racialismo, e nacionalismo na Grécia Antiga: Uma visão sumária - Por Guillaume Durocher {academic auctor pseudonym}

O mundo dos indo-europeus - Por Alain de Benoist

Monoteísmo x Politeísmo – por Tomislav Sunić

Politeísmo e Monoteísmo - Por Mykel Alexander

Israel vs. Direito Internacional: Quem vencerá? - por Laurent Guyénot

O Evangelho de Gaza - O que devemos aprender com as lições bíblicas de Netanyahu - por Laurent Guyénot

A Psicopatia Bíblica de Israel - por Laurent Guyénot

Israel como Um Homem: Uma Teoria do Poder Judaico - parte 1 - por Laurent Guyénot (Demais partes na sequência do próprio artigo)

 O peso da tradição: por que o judaísmo não é como outras religiões - por Mark Weber

Sionismo, Cripto-Judaísmo e a farsa bíblica - parte 1 - por Laurent Guyénot (as demais partes na sequência do próprio artigo)


sexta-feira, 13 de março de 2026

Tradicionalismo religioso contra as forças encarnadas em EUA e Israel - por Raphael Machado

 

Raphael Machado


A altivez e os sucessos do Irã contra as forças satânicas do Capital encarnado nos EUA e Israel demonstram, sem sombra de dúvidas, a superação do marxismo como tecnologia política de luta anti-imperialista e sua substituição pelas forças do tradicionalismo religioso.

Hoje, todo anti-imperialismo que não se guie pela adesão a um tradicionalismo religioso fede a mofo e naftalina; é relíquia do século XX. Escolasticismo acadêmico para idosos caducos e universitários performáticos.

A “cruzada” ortodoxa da Rússia catecôntica, abençoada pelo Patriarcado de Moscou, contra as hordas selvagens e degeneradas do otanismo pseudo-ucraniano, já havia dado o sinal disso. O Irã confirma aquilo já indicado pela Rússia.

Não é nenhum país marxista a vanguarda, hoje, mas a “teocracia” da República Islâmica do Irã, com sua base neoplatônica, e a “sinfonia de poderes” da Terceira Roma catecôntica entre o autokrator Putin e o Patriarcado.

 


Sobre o autor: Raphael Machado é graduado em Direito e é um estudioso das tradições universais.


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Relacionado, leia também:

Nova era da humanidade onde o Grande Jogo está aberto - a tradição universal humana contra o fanatismo judaico-cristão-islâmico - por Mykel Alexander

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O ódio ao Irã inventado pelo Ocidente serve ao sonho sionista de uma Grande Israel dominando o Oriente Médio - por Stuart Littlewood

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Oswald Spengler: crítica e homenagem - por Revilo Oliver

Noções de cultura e civilização em Oswald Spengler - Por Mario Góngora

Oswald Spengler: Uma introdução para sua Vida e Idéias - por Keith Stimely

Para quem há história? - por Mykel Alexander

O peso da tradição: por que o judaísmo não é como outras religiões, por Mark Weber

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Sionismo, Cripto-Judaísmo e a farsa bíblica - parte 1 - por Laurent Guyénot

O truque do diabo: desmascarando o Deus de Israel - Por Laurent Guyénot - parte 1

O Gancho Sagrado - O Cavalo de Tróia de Jeová na Cidade dos Gentios {os não-judeus} - por Laurent Guyénot - parte 1


segunda-feira, 2 de março de 2026

Quando a Diplomacia se Torna Teologia {na verdade fanatismo religioso}: Israel e o Caso Mike Huckabee. A Erosão da Ordem Jurídica - por Laala Bechetoula

 

Laala Bechetoula

Há deslizes diplomáticos.

E há momentos que revelam uma deriva estrutural dentro da própria máquina do poder.

Quando o embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee, afirmou em fevereiro de 2026 que seria “aceitável” se Israel tomasse “toda” a terra descrita na promessa bíblica a Abraão, a observação deixou de ser um comentário isolado. Tornou-se um sinal. Expôs o que acontece quando o maximalismo teológico começa a substituir a disciplina institucional na linguagem da diplomacia oficial.

A questão não é a fé.

A questão é o mandato.

A questão é a lei.

Quando essas linhas se dissolvem, a diplomacia perde a coerência — e com ela, a credibilidade.

 

A Declaração: O Que Foi Dito

Durante uma entrevista divulgada em fevereiro de 2026, Huckabee foi questionado se Israel possuía um direito bíblico sobre as terras que se estendiam do Nilo ao Eufrates. Após breve hesitação, ele respondeu que “não haveria problema” se Israel “tomasse tudo,” antes de acrescentar que tal expansão não estava em discussão.

A reação foi imediata. Governos árabes emitiram protestos formais. Organizações regionais descreveram as declarações como desestabilizadoras. Diplomatas de todo o Oriente Médio interpretaram a declaração não como especulação teológica, mas como um sinal geopolítico.

{O político e embaixador dos EUA em Israel, Mike Huckabee (1955-) leva para a política internacional fanatismo judaico-cristão-sionista ao apelar para um desenho geopolítico baseado na Bíblia. É preciso registrar que no auge do poder europeu no século XIX o judaísmo internacional através de sua liderança maldisse as posições católicas baseadas no fanatismo religioso, mas agora que o fanatismo religioso predominante é o sionista e que o direito internacional impede a pretensão bíblica sionista, os sionistas querem abandonar o direito e pedir fanatismo na política. Não é algo novo essa contradição, faz parte da narrativa da tradição judaica, através da escritura, colocar uma lei para os judeus e uma lei para os outros povos. Ver especialmente: O peso da tradição: por que o judaísmo não é como outras religiões - por Mark Weber.}

A mídia ocidental noticiou o episódio com uma clareza incomum. A Associated Press observou que os comentários “provocaram indignação entre os governos árabes e levantaram questões sobre a neutralidade diplomática dos EUA.” O Financial Times descreveu a declaração como um “desvio extraordinário da linguagem política americana estabelecida,” enquanto o The Guardian citou diplomatas que consideraram as declarações juridicamente insustentáveis ​​e politicamente desestabilizadoras. (AP News; Financial Times; The Guardian, fevereiro de 2026)

O que se seguiu foi igualmente significativo. 

Não houve correção pública imediata por parte do Departamento de Estado dos EUA, nenhum esclarecimento por parte da Casa Branca e nenhum esforço visível para distanciar a política oficial das declarações do embaixador. Em diplomacia, o silêncio não é neutro. Ele funciona como um sinal direto por si só.

Quando um embaixador expressa publicamente uma ambição territorial expansionista fundamentada em uma narrativa sagrada, a ausência de um esclarecimento institucional imediato é interpretada no exterior não como descuido, mas como tolerância. Em regiões já atentas às mudanças na postura americana, esse silêncio adquire um significado estratégico. Sugere aquiescência ou incoerência interna — ambas com consequências para a credibilidade.

Um esclarecimento posterior do próprio embaixador enfatizou que Israel não buscava expansão territorial. Mas, a essa altura, a mensagem mais importante já havia circulado. Em diplomacia internacional, a primeira declaração estabelece o contexto; o silêncio institucional determina se esse contexto se consolida na percepção.

 

Convicção Pessoal e Mandato Institucional

A questão analítica central não é retórica.

Foi este um momento de entusiasmo pessoal — ou evidência de desvio institucional?

Embaixadores não possuem um registro privado. Quando o representante credenciado dos Estados Unidos fala publicamente, suas palavras carregam autoridade institucional, independentemente do formato. Não há um parêntese rotulado como “crença pessoal” que proteja as declarações diplomáticas de seu efeito geopolítico.

O problema não é que Huckabee tenha fortes convicções religiosas sobre Israel. A tradição americana permite convicções religiosas na vida pública. O problema é que ele expressou, em sua capacidade oficial, uma visão territorial que contradiz tanto o direito internacional de longa data quanto a estrutura política que seu cargo é obrigado a representar.

Quando o presidente Donald Trump declarou publicamente, em 2025, que não permitiria a anexação da Cisjordânia, essa posição fazia parte do mandato diplomático. Um embaixador que publicamente defende o direito bíblico a um território que se estende pelo Oriente Médio não está atuando dentro da margem de manobra política. Ele está ultrapassando-a.

 

A Arquitetura Jurídica

A proibição da aquisição de território pela força é o fundamento da ordem internacional pós-1945. Ela está codificada no Artigo 2(4) da Carta das Nações Unidas, a qual proíbe ameaças à integridade territorial ou à independência política de qualquer Estado.

Este princípio foi reafirmado repetidamente em relação a Israel e aos territórios conquistados em 1967:

A Resolução 242 do Conselho de Segurança da ONU afirma a “inadmissibilidade da aquisição de território por meio da guerra”.

A Resolução 497 declara a anexação das Colinas de Golã por Israel “nula e sem efeito”.

A Resolução 2334 afirma que os assentamentos israelenses em território ocupado “não têm validade jurídica”.

A Corte Internacional de Justiça, em seu parecer consultivo de 2004, confirmou que a Cisjordânia e Jerusalém Oriental permanecem território ocupado sob o direito internacional.

Estes não são textos simbólicos. Eles constituem a arquitetura jurídica do sistema internacional contemporâneo.

Sugerir — mesmo que hipoteticamente — que seria aceitável para um Estado soberano absorver vastos territórios com base em narrativas sagradas é legitimar retoricamente um cenário que violaria a proibição central que esses instrumentos visam fazer cumprir.

Um diplomata pode ter convicções religiosas.

Ele não pode colocá-las acima do direito internacional vinculativo ao falar em nome do Estado.

 

As Escrituras e seus Limites

Textos sagrados têm moldado civilizações. Ao longo da história, eles também foram usados ​​para justificar a expansão e a conquista. A ordem internacional moderna surgiu, em parte, para impedir que reivindicações teológicas determinassem fronteiras.

A Bíblia Hebraica referencia a uma aliança divina que promete terras desde o rio do Egito até o Eufrates (Gênesis 15:18). Contudo, a mesma tradição profética condiciona a posse à justiça e à responsabilidade moral. A terra, nesse contexto, é pactuada e condicional.

O Alcorão, da mesma forma, afirma a soberania divina sobre a terra e enfatiza a mordomia em vez do direito permanente: “A Deus pertence o domínio dos céus e da terra” (Alcorão 3:189).

Nenhum dos textos funciona como um registro de terras moderno. Quando um diplomata de uma república constitucional laica invoca uma narrativa sagrada como direito geopolítico, a questão não é a crença religiosa, mas sim a coerência institucional.

 

Lições Históricas

A prática diplomática reconhece há muito tempo que embaixadores que se manifestam além de suas atribuições causam danos institucionais. Quando declarações públicas contradizem a política oficial, elas exigem correção. Quando a correção não ocorre, o silêncio é interpretado como endosso.

O princípio é simples: embaixadores representam a política, não ideologias pessoais. A representação deve estar alinhada com o mandato.

 

Consequências Estratégicas

O Oriente Médio está passando por um realinhamento estrutural. As potências regionais estão diversificando suas alianças. A China avança por meio da diplomacia econômica. A Rússia mantém parcerias de segurança em múltiplos cenários. Os Estados do Golfo adotam estratégias de proteção através de diferentes blocos geopolíticos.

Nesse ambiente, a credibilidade americana depende fortemente da percepção de consistência no respeito ao direito internacional. Quando um enviado de alto escalão parece validar uma ampla pretensão territorial, os atores regionais interpretam o sinal como evidência de que o compromisso de Washington com as normas jurídicas é condicional.

A mediação torna-se difícil quando a neutralidade é questionada.

Os aliados recalibram suas estratégias quando a consistência se deteriora.

Os adversários exploram as contradições.

Por décadas, a diplomacia americana tem equilibrado o apoio à segurança de Israel com o endosso formal de acordos negociados no estabelecimento de arcabouços. Declarações como a de Huckabee desestabilizam esse equilíbrio, substituindo a ambiguidade estratégica pelo absolutismo ideológico.

 

A Ilusão da Força

A retórica maximalista é frequentemente confundida com força. Historicamente, ela produz o efeito oposto. Estados que fundem certeza teológica com ambição geopolítica restringem seu espaço diplomático e transformam disputas políticas em conflitos existenciais.

A liderança fundadora de Israel compreendeu que a legitimidade internacional e a sobrevivência estavam interligadas. O reconhecimento precedeu a consolidação. Substituir a diplomacia pragmática pelo maximalismo sagrado não é fortalecimento. É risco.

 

Realidade Multipolar

O sistema internacional não é mais unipolar. As potências emergentes observam atentamente a adesão do Ocidente às normas jurídicas. Quando os Estados Unidos demonstram seletividade na aplicação de princípios territoriais, isso acelera o realinhamento geopolítico.

Credibilidade é capital estratégico. Uma vez perdida, não pode ser facilmente restaurada.

Este episódio não é meramente controvérsia retórica.

Trata-se de uma quebra estrutural da disciplina diplomática.

 

Acerto de Contas Estratégico

A questão em jogo não é teologia. É integridade institucional.

Um embaixador representa a ordem constitucional de seu Estado. Essa ordem se baseia na lei, não na revelação; na soberania negociada, não em direitos sagrados. No momento em que a diplomacia oficial começa a ecoar o absolutismo civilizacional, ela deixa de funcionar como mediação e se torna alinhamento.

Os Estados podem sobreviver à controvérsia.

Eles não sobrevivem à erosão sustentada de sua credibilidade.

Se a linguagem da geografia divina substituir a linguagem do direito internacional na representação oficial, as consequências não permanecerão retóricas. Elas remodelarão alianças, enfraquecerão a mediação e acelerarão a fragmentação geopolítica.

Este episódio não deve ser descartado como uma observação isolada.

Ele deve ser compreendido como um alerta.

Porque quando a lei cede à crença na condução da diplomacia, o próprio poder começa a perder sua âncora.

E em um mundo que já caminha para a tensão multipolar, a falta de âncora não é força. É vulnerabilidade.

Tradução e palavras entre chaves por Mykel Alexander

 

Fonte: When Diplomacy Becomes Theology: Israel and The Mike Huckabee Affair. The Erosion of Legal Order, por Laala Bechetoula, 28 de fevereiro de 2026, Global Research.

https://www.google.com/search?q=Laala+Bechetoula&sourceid=chrome&ie=UTF-8

Laala Bechetoula é um jornalista e escritor argelino, analista de política argelina especializado em geopolítica do Oriente Médio, política externa ocidental e a questão palestina. É autor de The Book of Gaza Hashem: A Testament Written in Olive Wood and Ash.

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“Grande Israel”: O Plano Sionista para o Oriente Médio O infame "Plano Oded Yinon". - Por Israel Shahak - parte 1 - apresentação por Michel Chossudovsky (demais partes na sequência do próprio artigo)

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Conversa direta sobre o sionismo - o que o nacionalismo judaico significa - Por Mark Weber

Judeus: Uma comunidade religiosa, um povo ou uma raça? por Mark Weber

Controvérsia de Sião - por Knud Bjeld Eriksen

Sionismo e judeus americanos - por Alfred M. Lilienthal

Um olhar direto sobre o lobby judaico - por Mark Weber

Antissemitismo: Por que ele existe? E por que ele persiste? - Por Mark Weber

Por trás da Declaração de Balfour A penhora britânica da Grande Guerra ao Lord Rothschild - parte 1 - Por Robert John {as demais 5 partes seguem na sequência}

A cultura do engano de Israel - por Christopher Hedges

A Crítica de Acusação de Antissemitismo: A legitimidade moral e política de criticar a Judiaria - por Paul Grubach

Táticas do Lobby Judaico na Supressão da Liberdade de Expressão - por Tony Martin

Argumentos contra O PROJETO DE LEI nº 192 de 2022 (PL 192/2022) que propõe criminalizar o questionamento do alegado HOLOCAUSTO, o que, por consequência, inclui criminalizar também quaisquer exames críticos científicos refutando a existência do alegado HOLOCAUSTO – por Mykel Alexander

Liberdade para a narrativa da História - por Antonio Caleari

A mentira a serviço de “um bem maior” - Por Antônio Caleari

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Quem são os Palestinos? - por Sami Hadawi

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Memorando para o presidente {Ronald Reagan, tratando da questão Palestina-Israel} - quem são os palestinos? - por Issah Nakheleh

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{Retrospectiva 2023 - Genocídio em Gaza} - Morte e destruição em Gaza - por John J. Mearsheimer

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{Retrospectiva 1946 – terrorismo judaico-sionista} - O Ataque ao Hotel Rei David em Jerusalém - por W. R. Silberstein

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Será que Israel acabou de experimentar uma “falha de inteligência” ao estilo do 11 de Setembro? Provavelmente não. Aqui está o porquê - por Kevin Barrett

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Estranhezas da Religião Judaica - Os elementos surpreendentes do judaísmo talmúdico - parte 1 - Por Ron Keeva Unz

Ex-rabino-chefe de Israel diz que todos nós, não judeus, somos burros, criados para servir judeus - como a aprovação dele prova o supremacismo judaico - por David Duke

Grande rabino diz que não-judeus são burros {de carga}, criados para servir judeus - por Khalid Amayreh

{Massacres sobre os alauítas após a queda da Síria de Bashar Hafez al-Assad} - por Raphael Machado

Mudança de Regime na Síria: mais um passo em direção ao “Grande Israel” - por Alan Ned Sabrosky

Guerra de agressão não declarada dos EUA-OTAN-Israel contra a Síria: “Terrorismo da al-Qaeda” para dar um golpe de Estado contra um governo secular eleito - por Michael Chossudovsky

Por que querem destruir a Síria? - por Dr. Ghassan Nseir

Sionismo e o Terceiro Reich - por Mark Weber

O Mito do extermínio dos judeus – Parte 1.1 {nenhum documento sequer visando o alegado extermínio dos judeus foi jamais encontrado} - por Carlo Mattogno

O que é ‘Negação do Holocausto’? - Por Barbara Kulaszka