Mostrando postagens com marcador genocídio branco. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador genocídio branco. Mostrar todas as postagens

sábado, 9 de maio de 2026

{Limpeza étnica dos alemães no leste europeu após a Segunda Guerra Mundial} O Legado Feio e Esquecido de Potsdam - por Bradley Brewer

 

Bradley Brewer

            Para os americanos, a Segunda Guerra Mundial é tudo o que há de grandioso na América. Ela representa a bravura, o sacrifício, a fortaleza e a compaixão americanas. Afinal, foi uma guerra que valeu a pena lutar e que não podia ser evitada no Pacífico e na Europa. Nenhuma nação, por mais virtuosa que seja, emerge da guerra e do processo de paz ilesa, física ou ideologicamente, incluindo os Estados Unidos.

Em 2 de agosto de 1945, a Conferência de Potsdam veio a sua conclusão. Realizada em Potsdam, Alemanha, pelos Estados Unidos, Grã-Bretanha e União Soviética, a conferência teve como objetivo discutir planos para a ocupação da Alemanha e a distribuição de reparações. Questões territoriais, como a localização da fronteira ocidental da Polônia, foram brevemente debatidas, mas as discussões foram adiadas até que uma conferência de paz definitiva pudesse ser agendada. As negociações sobre questões territoriais podem ter sido adiadas, mas o destino de milhões de alemães foi decidido com a inclusão do Artigo XIII na versão final do Acordo de Potsdam. O Artigo XIII determinava que as populações minoritárias alemãs da Checoslováquia, Polônia e Hungria (este artigo trata apenas da Checoslováquia e da Polônia) fossem transferidas para a Alemanha de forma ordenada e humana, sob a direção do Conselho de Controle Aliado, composto por representantes dos Três Grandes Aliados.

O Artigo XIII foi criado por uma razão. A retirada do exército alemão na primavera de 1945 deixou a maior parte da Checoslováquia e toda a Polônia ocidental ocupadas pelas forças armadas da União Soviética. E dentro desse território recém-conquistado viviam milhões de alemães, muitos dos quais residiam nos Sudetos da Checoslováquia e nos territórios poloneses recém-adquiridos ao longo da linha Oder-Neisse (Brandemburgo, Danzig, Silésia, Pomerânia e Prússia Oriental) desde o século XIV. Ao longo dos anos, as relações entre alemães, checos e poloneses tornaram-se bastante tensas e, uma vez terminada a guerra, cidadãos e funcionários governamentais de ambas as nações aproveitaram a oportunidade para se livrarem, de forma espontânea e brutal, do que consideravam uma minoria alemã problemática dentro de suas respectivas fronteiras. Ao fazer isso, os governos checoslovaco e polonês buscaram expulsar o máximo possível de alemães e apresentar aos Aliados um fait accompli {fato consumado} em uma futura conferência de paz. As expulsões descontroladas que duraram de maio a junho de 1945 viram organizações governamentais, independentes e militares expulsarem 750.000 alemães dos Sudetos da Checoslováquia e entre 200.000 e 1.300.000 alemães da Polônia. No entanto, esses números são estimativas e os totais variam dependendo do estudo.

            A implementação do Artigo XIII tinha era suposto trazer as expulsões selvagemente desenfreadas sob controle. O Secretário de Estado dos Estados Unidos, James F. Byrnes, desejava implementar medidas que desacelerassem a transferência de alemães, tornando-a em sua natureza menos aleatória e violenta. Byrnes também era pragmático e compreendia que a expulsão de alemães jamais seria completamente interrompida, mas poderia ao menos ser monitorada pelos Aliados, de modo que o foco dos checos e poloneses se concentrasse na expulsão dos alemães, e não na busca por vingança pelas atrocidades de guerra cometidas pelos nazistas. Após a implementação de detalhes logísticos para tornar as expulsões o mais ordenadas e humanas possível, elas começaram em 25 de janeiro de 1946. Tanto na Checoslováquia quanto na Polônia, as expulsões pós-Potsdam pouco diferiram das expulsões brutais de 1945, visto que os alemães expulsos eram conduzidos a centros de concentração onde eram roubados, sofriam abusos físicos e, em seguida, amontoados em vagões de trem e enviados para a Alemanha, onde chegavam em estado de “privação física e espiritual”, segundo o historiador alemão Theodor Schieder. No entanto, as condições melhoraram no verão de 1946, após regulamentos do Conselho de Controle Aliado terem sido plenamente implementados. Quando as expulsões cessaram no final de 1947, cerca de 1.415.135 alemães dos Sudetos, originários da Checoslováquia, haviam sido expulsos para a Zona de Ocupação dos Estados Unidos, juntamente com 750.000 para a zona russa e 1.500.000 para a zona britânica.

Para os Estados Unidos (e a Grã-Bretanha), o Artigo XIII era pretendido estabelecer alguma ordem no processo de expulsão, o que era uma solução mais atraente para o problema da minoria alemã do que as alternativas mais prováveis: o caos incontrolável ou uma provável guerra contra a União Soviética e a Polônia, algo que os Aliados não desejavam, visto que haviam lutado contra um inimigo comum com os soviéticos. Na prática, o Artigo XIII legitimou as expulsões que, antes de Potsdam, eram realizadas sem qualquer base legal ou consideração sobre como tais expulsões impactariam o cenário demográfico e político europeu. A legitimidade conferida ao Artigo XIII pelos Aliados ocidentais deu respeitabilidade legal ao ato de transferência populacional por expulsão forçada, o que, na realidade, era limpeza étnica. Assim, os Estados Unidos foram cúmplices na legalização do maior episódio de limpeza étnica ocorrido no século XX, quando entre 12.000.000 e 16.000.000 de alemães foram expulsos de suas pátrias históricas na Europa centro-oriental, da primavera de 1945 ao final de 1947.


A aprovação dos Estados Unidos à expulsão de alemães é, ao mesmo tempo, explicável e inexplicável. Era explicável porque a expulsão dos alemães provavelmente aconteceria independentemente da participação dos Estados Unidos, e, ao participarem do processo, os oficiais de ocupação americanos tinham algum controle sobre quando, onde e como as expulsões tomariam lugar, mas não o controle total da situação. Por outro lado, a aprovação das expulsões pelos Estados Unidos era inexplicável, e parecia que a remoção de grandes contingentes de alemães de suas pátrias históricas contrariava a base ideológica de moralidade e justiça sobre a qual os Estados Unidos foram fundados e contrariava nossos objetivos de guerra declarados. Em guerras, onde a realidade e a ideologia geralmente colidem, a conquista da paz é mais complexa do que o estabelecer do conflito.

Tradução e palavras entre chaves por Mykel Alexander

 


Fonte: The Ugly and Forgotten Legacy of Potsdam, por Bradley Brewer, 09 de agosto de 2015, HISTORY NEWS NETWORK.

https://www.historynewsnetwork.org/article/the-ugly-and-forgotten-legacy-of-potsdam

Sobre o autor: Bradley Brewer (1967-2020) recebeu seu doutorado pela Universidade Estadual do Mississippi em História, com especialização em História Moderna Europeia, concluído em 2015 e tornou-se professor na mesma universidade.

___________________________________________________________________________________ 

Relacionado, leia também:

História alemã a partir de uma nova perspectiva - Revisado por Charles E. Weber

As origens da Segunda Guerra Mundial - Por Georg Franz-Willing

Hitler queria Guerra? - Por Patrick Joseph Buchanan

Desnacionalização da Economia {Por que a economia no Nacional-Socialismo Alemão (nazismo) foi odiada pelos Aliados?} - Por Salvador Borrego

A declaração judaica de guerra contra a Alemanha nazista - O boicote econômico de 1933 - por Matthew Raphael Johnson

Por que os EUA preferiram se aliar com a URSS contra a Alemanha e não com a Alemanha contra a URSS? – por Salvador Borrego

Quem ganhou? Quem perdeu? Segunda Guerra Mundial - por Patrick Buchanan

As mentiras sobre a Segunda Guerra Mundial - Paul Craig Roberts


quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Imigração: o racismo antibranco - por François Bousquet

 

François Bousquet


As coisas na Europa ainda não chegaram ao ponto em que se encontram na África do Sul, onde ruralistas brancos são espoliados e assassinados aos milhares. Aqui não, por enquanto … Porém as vexações, os insultos e as agressões que sofrem os brancos pelo simples fato de serem brancos, isso já chegou à Europa, isso já é parte do cotidiano ― pelo menos na França, na Inglaterra, na Alemanha, na Itália … Nesses países não há o freio relativo da imigração hispano-americana que há na Espanha, a qual não deixa de ser em boa parte de cultura branca.

Sobre tão candente e aterrorizante questão, François Bousquet realizou na França ampla pesquisa de campo. Ele fala disso nesta entrevista, como também no seu último livro ― Le racisme anti-blanc (Editions de La Nouvelle Librairie). 

 

Vossia decidiu começar sua investigação sobre o racismo contra os brancos citando sondagem do portal de videojogos "jeuxvideos.com", que frequentei muito, aliás. Qual é a razão dessa escolha?

 

François Bousquet: esses foros de debate no ciberespaço são a trilha sonora de uma geração: a de uma juventude branca, masculina, não necessariamente marginal, mas sem espaço legítimo de expressão. Deve-se entender esses cibercentros como caixas de ressonância para tudo o que a mídia do estabilismo não repercute: a voz de uma França, uma juventude que vive em contato direto com o racismo antibranco nos pátios das escolas, nos estádios, nos pontos de ônibus escolares, nas ruas que as elites metropolitanas nunca pisam. Trata-se de foros que lançam debates sobre temas proibidos, embora presentes no dia-a-dia dos adolescentes brancos. Estão repletos de testemunhos. Também nessas plataformas é que esses jovens, amiúde isolados, descobrem que não são os únicos a sofrer com uma imigração extraeuropeia que impõe sua própria lei sobre os nativos. A mídia dominante, controlada pelos "bolchechiques" [N. do T.: no original: "pihoprogres"] e a velharada de 68 [N. do T: no original: "boomers"], censura veladamente tudo quanto não pertença ao seu círculo, ao passo que os telegrupos oferecem lócus de reconhecimento, com seus códigos e seu léxico americêntrico: a mofa, o sarcasmo, a ausência de filtros … Temos aí o nosso "Trump’s Troll Army". O resultado: há mais possibilidades de tomar o pulso de uma geração aí do que na Radio France ou na France Télévisions, mídias que há muito abafam qualquer voz discordante do discurso principalista. 

 

Os relatos que vossia colheu são de uma violência quase bárbara e revelam que o racismo antibranco não é fenômeno recente. Os testemunhos de sua pesquisa abarcam quase meio século, e uma das declarações mais duras de seu livro é também uma das mais antigas. Penso em Sébastien, nascido em 1976, que cresceu nos bairros conflituosos de Evry. "Eu só tinha 7 ou 8 anos, mas já sabia que me perseguiam porque sou branco", ele diz. Esse depoimento, de meado dos anos oitentas, já anunciava o destino que esperava as populações brancas nos grandes condomínios submetidos à transfusão racial. Naquela época, que forças contribuíam para que esse fenômeno fosse escamoteado?

 

François Bousquet: tais forças não apenas silenciaram isso que se passava como também tornaram possível sua ocorrência, ao modular o discurso público durante cinco décadas, abstraindo dele o problema. Seria preciso remontar a muitos anos para reconstruir a história disso, mas os anos setentas marcam uma etapa decisiva. Qual é a condição prévia para a construção de um homem novo? Ora, é a desconstrução do homem antigo. Isso é exatamente o que ocorreu naquele tempo, tanto na cultura popular quanto na erudita: minou-se metodicamente a autoestima dos franceses, reduzindo-os a uma caricatura de gabachos infames e congenitamente racistas. Tomemos como exemplo disso as seguintes porcarias: Dupont Lajoie (1975), filme infamatório antifrancês; La vie devant soi, de Émile Ajar/Romain Gary, história piegas premiada com o Goncourt de 1975 em que uma sobrevivente do "Holocausto" cria com amor o pequeno e agradecido Mohammad ― compare-se isto com o que se passou com Mireille Knoll, também sobrevivente do "Holocausto", assassinada en 2018 em Paris por seu vizinho Yacine Mihoub, que gritava "Alá akbar!"; Lily (1977), canção de propaganda por muito tempo ensinada nas escolas, que de forma sentimentaloide ― no estilo de Pierre Perret ― inculcava nos franceses a ideia de que os próprios franceses não passavam de ser malandros e racistas; ou, no âmbito universitário, um livro tão questionável como La France de Vichy (1972), do historiador ameringlês Robert Paxton, que demoniza retrospectivamente nosso país. Os exemplos poderiam ser multiplicados. Todo esse tipo de lixo foi o que formou e envenenou a mentalidade predominante na cultura em que vivemos.

 

Na década seguinte, tudo isso redundou na criação do SOS Racisme e da sua religião dos "amigos" ("Touche pas à mon pote!") ["Não mexa com o meu amigo!"]. Entrementes, os últimos brancos dos subúrbios eram trucidados (literalmente). Eis aí o teor do que conta Sébastien, que em meado dos anos oitentas estava perdido no Parc aux Lièvres [Parque das Lebres] de Évry, onde resistia à assimilação reversa como um dos últimos brancos. E quando ligava o televisor, topava com o meloso concerto dos amigos na Place de la Concorde ou com os tremolos humanitários de [Daniel] Balavoine cantando "Aziza", enquanto na vida real levava muita porrada na cabeça com monopatins e era perseguido como uma lebre por ser branco. Essa é a grande mentira de Estado do antirracismo: de toda a perseguição que se passava com os brancos nas ruas, nada era passado na televisão. 

 

Um de seus capítulos intitula-se "A teoria do grã-branco e a construção social do pequeno branco". Como o grande branco permite que se exerça o racismo contra o pequeno branco?

 

François Bousquet: o que ocorre é o seguinte: no imaginário progressista, há dois tipos de brancos: os "grandes" e os "pequenos". Os primeiros são a elite globalizada, repleta de títulos, que vive nos centros urbanos e nas zonas gentrificadas. Os segundos são caricaturados, menosprezados, invisibilizados. O primeiro tipo demoniza o segundo, atribuindo-se o papel de antirracista, quando na realidade é ele o mais eficiente agente do racismo contra os brancos. Por quê? Porque ao construir a figura repulsiva do "pequeno branco" — como campônio chovinista e grosseiro — legitima socialmente as agressões e o desprezo a que está sujeito. O grande branco lava mais branco. Esse branco dá parte de postura virtuosa denunciando suposto "privilégio branco" que na verdade só tem a ver com ele mesmo, enquanto faz que o "pequeno branco" tenha sobre si todo o peso do pecado ocidental. Ao sacrificar a maioria branca no altar das minorias santificadas, ele cria uma assimetria de que se beneficia: reforça seu capital cultural denegrindo aqueles já sem capital simbólico. Esse menoscapo social é que permite a prática do racismo antibranco, sempre e quando dirigido contra o único branco mau: o pequeno, nunca o grande. Destarte, travestido de figurino virtuoso, o grande branco alimenta o ódio contra os "pequenos pequenos". 

 

"A maioria dos jovens com quem conversei nunca havia questionado sua identidade até que passou a sofrer o racismo antibranco", vossia escreveu. Para explicar tal mecanismo, vossia retomou a interpretação de Gilles-William Goldnadel [advogado e censor judeu]. Ele sustenta que o superego inculpador deles não lhes permitia pensar em si mesmos como brancos (vergonha do "holocausto", do colonialismo, da escravidão …). Então, dada a culpa inculcada nos europeus, eles só poderão ganhar consciência étnica se sofrerem a violência racista?

 

François Bousquet: esse é o grande paradoxo da França e da Europa: todos os povos da terra têm conciência de sua identidade, a não ser nós mesmos. Ou melhor: somos proibidos de tê-la. Os outros são estimulados a se proclamar árabes, africanos, muçulmanos, transexuais, "quires" ou seja lá o que for … Mas os europeus não podem ser … europeus! Se intentam assumir sua condição de brancos, são denunciados como autores de uma lista de crimes "imprescritíveis". Esse tipo de repressão impede-os de alcançar a consciência de si mesmos. O resultado: só descobrem quem são tomando porrada no meio da cara. Obtive essa informação da maioria dos meus entrevistados na investigação que fiz. Nenhum deles era militante, ninguém se atribuía nenhuma identidade. Nem sequer tinham pensado nisso. Num belo dia, porém, isso caiu em cima deles na forma de agressão. Foi a violência sofrida o que lhes obrigou ao autorreconhecimento e à reação, mas ainda com certo sentimento de culpa. Assim se passa porque a única consciência identitária permitida é a consciência infeliz, culpável, etnomasoquista. Trata-se de suicídio étnico, pois bem se sabe que o povo privado do direito de amar a si mesmo está fadado a desaparecer.

 

No capítulo "A farsa da mescla", vossia escreve que "o separatismo não é tendência, é mecânica". Os homens não se mesclam. Quando podem, fogem dos bairros tomados de imigrantes. Até as áreas ditas "multiculturais" têm o espaço público segregado: "cinquenta metros de um lado, a progressia chique; cinquenta metros do outro, o Paristão". Como vossia explica que os mais progressistas são os que menos convivem com a diversidade?

 

François Bousquet: a mescla é a grande farsa da nossa época. Celebram-na nos estúdios de televisão, ensinam-na nas escolas, invocam-na como esconjuro moral. Na vida cotidiana, porém, ninguém acredita nela, principalmente aqueles que fizeram da diversidade um dogma. Os apóstolos mais fervorosos da convivência são os defensores de um distanciamento social que não ousa dizer sem nome. Os alteristas afagam a diversidade com a mão esquerda, mas na hora de escolher a escola de seus filhos ou assinar um contrato para dar de aluguel a sua casa, eles a apedrejam com a mão direita. A distribuição de vagas escolares converte-se numa estratégia de evasão reservada aos iniciados. E quem conhece melhor o sistema ― e os jeitinhos de levar vantagem nele — do que os progressistas? No terreno, a mescla não resiste à realidade. O multiculturalismo pode ser vivido, no máximo, como experiência musical, gastronômica ou turística, mas nunca como vida cotidiana compartida. Nas redes sociais, as pessoas trocam receitas orientais, mostram suas fotos em espetáculos de rap, exaltam a alogenização, mas em outros âmbitos vivem entre a gente de sua igualha. A fronteira está em toda parte: na rua, numa estação do metrô, no preço dos imóveis. De um lado, a progressia festiva; de outro, o Paristão; a distância física entre ambos não chega a cinquenta ou cem metros, mas a distância social é enorme. A segregação parece não existir, mas predomina nas decisões tocantes aos aspectos mais importantes da vida: a habitação, o trabalho, a escola dos filhos. O universalismo republicano nunca funcionou, a não ser quando se tratava de assimilar os próximos: italianos, espanhóis, portugueses. 

 

No momento da agressão, muitas vítimas ignoravam o caráter racista da violência sofrida. Era como se o racismo antibranco fosse alguma coisa impossível, inconcebível. Que consequências psicológicas sofrem as vítimas do racismo antibranco diante do seu não reconhecimento?

 

François Bousquet: as consequências são as de uma dupla negação, se me permite a expressão. Em primeiro lugar, ocorre a negação oficial, imposta pelo discurso dominante "explicando" que não há nem pode haver nenhum racismo contra os brancos. Em segundo lugar, ocorre a negação da parte das próprias vítimas, mais insidiosa, que funciona como mecanismo de defesa imunodeficiente. Explico melhor: para muitos, o primeiro impacto do racismo antibranco vem de não compreenderem o que estão vivendo. A violência sofrida é de natureza racial, mas esta é uma palavra que as vítimas estão proibidas de pronunciar. Foi-lhes ensinado que nenhum branco pode ser vítima do racismo. Assim, as vítimas brancas do racismo ficam sem palavras para verbalizar o que se passa com elas, ficam sem ferramentas conceituais para entender o fenômeno. A negação impede que o discurso seja confrontado com a realidade, e com isso o sentimento é recalcado no mais profundo do inconsciente. Assim se passou com Nicolas, cujo testemunho eu recolhi. Estudou num instituto em Crépy-en-Valois, a uma hora de trem de Paris. Durante um ano, suportou humilhações, golpes e insultos por ser branco. Mas o mais terrível não é isso. Ainda pior foi que acabou abraçando a causa de seus verdugos, chegando ao ponto de se integrar no mundo deles e adotar seus códigos, sua linguagem, sua cultura. Isso eu ouvi dele. Renegou completamente tudo o que ele mesmo era pela paz social, ou seja, por uma forma de tranquilidade interior que não podia questionar. Essa é a síndrome de Estocolmo em sua versão multicultural, que chamo de síndrome de Estocolmistão. Para esses adolescentes, a sobrevivência passa pelas leis da imitação. Adotam as normas culturais impostas pelo ocupante. Sabem que resistir implica se expor. O processo é tremendamente perverso: produz reféns que, para não sofrerem mais, passam ao autoconvencimento de que eles mesmos escolheram a sua condição. Isso dura até que um acontecimento ― no caso de Nicolas foram os atentados de 2015 ― rompe o véu da mentira. Mas a que preço? Dez anos, vinte anos perdidos, às vezes mais. Nicolas conseguiu se libertar de sua prisão psicossocial, mas quantos serão os que não conseguem? 

 

O transporte escolar, o trajeto para o trabalho ou colégio, a universidade, os centros de acolhimento, os vestiários, os centros de formação … o racismo antibranco evidencia-se em todo espaço de convivência … Burlar o processo formal de atribuição de vagas escolares não parece suficiente para escapar às agressões. Até Aurore Bergé, titular do ministério de Luta contra a Discriminação, conta que "cuspiram" nela e a xingaram de "francesa suja". Que branco pode escapar hoje em dia ao racismo contra os brancos?

 

François Bousquet: quem pode escapar ao racismo contra os brancos? Ninguém, a julgar pelo que se passou com Aurore Bergé, ministra "vitalícia" do macronismo. Não obstante, ela mesma se nega a ver nisso uma forma de racismo antibranco ― ao contrário de Sophie Primas (porta-voz do Governo). Aurore Bergé não é nenhuma exceção. Quantos "bolchechiques", agredidos ou humilhados, preferem buscar desculpas para os seus agressores? Os esquerdistas festivos sempre recitam os mantras politicamente corretos do besteirol miserabilista: a guetização, a pobreza, a discriminação, como se os imigrantes tivessem direito a uma espécie de imunidade moral e gozassem de permissão para agredir com total impunidade.

 

O racismo antibranco não caiu do céu. Ele é subproduto do desequilíbrio demográfico sem precedentes, suscitado pela imigração massiva e contínua, que transforma as maiorias em minorias no seu próprio território, bairro após bairro, escola após escola. Enquanto durar a recusa de barrar a imigração torrencial, o racismo contra os brancos seguirá prosperando. Não se trata de acidente, senão do sintoma de uma sociedade fragmentada, fraturada, abandonada a uma guerra de todos contra todos, estando a maioria de ontem convertida nos párias de hoje. Que é o multiculturalismo? uma sociedade sem coerência, sem projeto comum, sem futuro, ou seja, o multiculturalismo é a própria ausência de sociedade. O mesmo é dizer que vivemos num paiol de pólvora. Enquanto continuarmos sem atacar o problema da imigração, o tabu seguirá existindo. Romper com a censura exige abrir a caixa-preta da imigração massiva, uma política demográfica antinacional que as elites sacralizaram nos últimos quarenta anos. 

 

Os seus entrevistados falaram de situações de violência extrema, de racismo quase instintivo da parte de grupos ou até indivíduos que agridem franceses pacíficos, isolados, inocentes. Para além das interpretações "revanchistas" versando a escravidão, a colonização, quais os móbiles do racismo antibranco?

 

François Bousquet: não devemos aceitar o pensamento vitimista da escravidão, da colonização, que reduz o racismo antibranco a uma vingança histórica. Tal esquema interpretativo, difundido pelo discurso da descolonização, é um engano intelectual. Aqueles que entrevistei na minha pesquisa dão prova disso. O branco é molestado nas ruas, nas escolas, nos estádios, sem que a vítima tenha provocado nada. A agressão antibranca é gratuita, impulsiva, bestial. O verdadeiro motor desse ódio não está no passado, não é o passivo do passado, é o ressentimento. Nietzsche expôs o fulcro da questão. O ressentimento é a paixão das almas malnascidas. É um ódio macerado no fracasso e dirigido contra aqueles percebidos como superiores, não porque o sejam necessariamente, mas porque encarnam uma imagem invejada que não nos atrevemos a reconhecer. O ressentimento deseja o que odeia e odeia o que deseja. Nisso consiste a triste paixão das sociedades multiculturais. Nasce da comparação. Não se alimenta da colonização (isso já passou), mas se nutre do fracasso, do aqui e agora, a começar do fracasso na escola. Desse insucesso escolar nos primeiros anos surge a raiva que só se extravasa na violência racial gratuita. 

 

Em "Séance de lynchage; la tombe du collégien inconnu" [Sessão de linchamento: o túmulo do colegial desconhecido], vossia retira vários cadáveres do armário midiático. Aponta o artigo do Le Monde intitulado "O fantasma do racismo antibranco", que relata a violência inaudita de hordas suburbanas contra estudantes que protestavam contra a lei Fillon em 2005. No ano seguinte, os jovens franceses voltaram a apanhar dos "bandidos" alógenos quando protestavam contra o CPE [Contrato de Primeiro emprego]. Vossia cita Patrick Buisson, que acusou Nicolas Sarkozy, então ministro do Interior e rival de Villepin, de haver permitido que "bandos de negros e árabes agredissem os jovens brancos e ter, ao mesmo tempo, avisado fotógrafos da Paris Match que incidentes graves poderiam ocorrer". Assim, há vinte anos, o famoso diário e o futuro presidente da França tinham consciência da existência do racismo antibranco. Como explica essa tomada de consciência tão passageira quanto oportunista dessas elites francesas? [Com o longo preâmbulo dessa pergunta, o entrevistador parece sugerir que, quando foi conveniente como tática de luta política, as elites chegaram a reconhecer e manipular o racismo antibranco contra os seus rivais.]

 

François Bousquet: vossia tem razão: a lucidez midiática e política de 2005 e 2006 foi tão breve quanto oportunista: não passou de dois artigos em Le Monde e uma reportagem em Paris Match. Nada mais. Depois disso, o caso foi encerrado como o esquife de um cadáver. Desde então, silêncio sepulcral. O abafador é o "racismo estrutural", que falseia o estudo do conflito étnico, impedindo que se leve em conta o racismo antibranco. O tal "racismo sistêmico" é logro teórico (mais um!): supõe que todas as estruturas sociais ― escola, polícia, administração etc. ― estão atravessadas de racismo inconsciente, mas onipresente, sempre em benefício dos brancos. Não obstante, devemos considerar o que se passa na realidade do espaço público. Quem controla os bairros hoje? Quem controla as ruas? Quem impõe a lei nos vestiários, nos institutos, nos estádios, no transporte coletivo? Serão os "dominantes", os "opressores" brancos, assim como fantasia a turma da Faculdade de Ciências Políticas? NÃO! Se algo há de "estrutural" é o antirracismo alçado à condição de religião de Estado, antirracismo que classifica as vítimas segundo critérios étnicos, que fabrica hierarquias memoriais, que cancela os brancos das estatísticas para provar os seus preconceitos. Nesse sentido, pode-se dizer que o único racismo estrutural existente é o racismo contra os brancos.

 Tradução por Chauke Stephan Filho

____________________________

Fonte: El Manifiesto | Autor: François Bousquet | Título original (espanhol): La gran sustitución lleva al gran racismo antiblanco | Data de publicação: 1.o de junho de 2025 | Versão brasileira e tradução: Chauke Stephan Filho.

 

Sobre o autor: François Bousquet (1968-) é jornalista, ensaísta e editor francês formado em Letras. Foi editor-chefe da revista Éléments desde setembro de 2017. Foi jornalista de diversas revistas, incluindo Le Figaro Magazine, Valeurs actuelles e Le Spectacle du Monde. Entre julho de 2018 e maio de 2024, também dirigiu a livraria La Nouvelle Librairie em Paris, da qual é um dos principais cofundadores. Suas obras e ensaios concentram-se em tradicionalismo e crítica ao multiculturalismo.

___________________________________________________________________________________

Relacionado, leia também:

{Tributo a James Watson (1928-2025)} - Doze Livros Desconhecidos e Suas Verdades Raciais Suprimidas - parte 1 {Lothrop Stoddard e Edward A. Ross}- por Ron Keeva Unz (Demais partes na sequência do próprio artigo)

A Sabedoria dos Antigos: Cidades-Estado Gregas como Estados-étnicos - Por Guillaume Durocher {academic auctor pseudonym}

Biopolítica, racialismo, e nacionalismo na Grécia Antiga: Uma visão sumária - Por Guillaume Durocher {academic auctor pseudonym}

A noção de diversidade racial na academia alemã e na legislação nacionalsocialista - parte 2 - Por Tomislav Sunić

A noção de diversidade racial na academia alemã e na legislação nacionalsocialista -  parte 1 - Por Tomislav Sunić

A cultura ocidental tem morrido uma morte politicamente correta - Paul Craig Roberts

Raça e Crime na América - Por Ron Keeva Unz

Judeus, comunistas e o ódio genocida nos "Estudos sobre a branquitude” - Por Andrew Joyce, Ph.D., {academic auctor pseudonym}

Harvard odeia a raça branca? – Por Paul Craig Roberts

Migrantes: intervenções “humanitárias” geralmente fazem as coisas piores – Entrevista com Alain de Benoist

Monoteísmo x Politeísmo – por Tomislav Sunić

Politeísmo e Monoteísmo - Por Mykel Alexander

Oswald Spengler: crítica e homenagem - por Revilo Oliver

Noções de cultura e civilização em Oswald Spengler - Por Mario Góngora

Oswald Spengler: Uma introdução para sua Vida e Idéias - por Keith Stimely

Para quem há história? - por Mykel Alexander

O peso da tradição: por que o judaísmo não é como outras religiões, por Mark Weber

Deus, os judeus e nós – Um Contrato Civilizacional Enganoso - por Laurent Guyénot

Sionismo, Cripto-Judaísmo e a farsa bíblica - parte 1 - por Laurent Guyénot

O truque do diabo: desmascarando o Deus de Israel - Por Laurent Guyénot - parte 1

O Gancho Sagrado - O Cavalo de Tróia de Jeová na Cidade dos Gentios {os não-judeus} - por Laurent Guyénot - parte 1


quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

Dresden: Morte vinda de cima - por Tomislav Sunić

 

Tomislav Sunić


O que se segue abaixo é a tradução em inglês do meu discurso em alemão, que eu deveria fazer em 13 de fevereiro de 2013, por volta das 19h, no centro de Dresden. A comemoração das vítimas de Dresden em 13 de fevereiro de 1945 foi organizada pelo “Aktionsbündnis gegen das Vergessen[1] (comitê de ação contra o esquecimento), deputados do NPD e autoridades da assembleia estadual[2] local em Dresden. Havia 3.000 manifestantes antifa de esquerda. A cidade estava sitiada, isolada em seções por 4.000 policiais de choque. A maior parte dos participantes nacionalistas, aproximadamente 1.000, que haviam chegado anteriormente à estação central, foram separados e impedidos de se juntar ao nosso grupo no local original da reunião. Por volta das 23h, quando o evento estava praticamente encerrado, a polícia de choque permitiu que nosso pequeno grupo de organizadores e palestrantes marchasse pelas barricadas até a estação central. Éramos aproximadamente 40 — a maioria oficiais locais do NPD. Em 14 de fevereiro, enquanto ainda estava em Dresden, eu forneci mais informações como convidado no programa de rádio RBN de Deanna Spingola: Hour 1, Hour 2.[3]

 

Melhoria Humana pelo Bombardeio Terrorista

Dresden é somente um único símbolo do crime Aliado, um símbolo discutido involuntariamente pelos políticos estabelecidos. A destruição de Dresden e suas vítimas são banalizadas na historiografia convencional e retratadas como “danos colaterais na luta contra o mal absoluto — o fascismo.” O problema, contudo, está no fato de que não houve apenas um bombardeio de uma Dresden, mas também muitos bombardeios de inúmeras outras Dresdens em todos os cantos da Alemanha e em todas as partes da Europa. A topografia da morte, marcada pelos antifascistas, é uma questão muito problemática para seus descendentes, de fato.

Na “luta pela memória histórica” de hoje, nem todas as vítimas têm direito aos mesmos direitos. Algumas vitimizações devem ser as primeiras da lista, enquanto outras estão destinadas ao oblívio. Nossos políticos estabelecidos estão em pé de guerra quando se trata de erguer monumentos para povos e tribos, especialmente aqueles que já foram vítimas dos europeus. Um número crescente de dias de comemoração, um número crescente de dias de compensação financeira aparecem em nossos calendários de parede. Uns sobre os outros, os políticos estabelecidos europeu e americano prestam homenagem às vítimas não europeias. Raramente, quase nunca, eles comemoram as vítimas de seus próprios povos que sofreram sob os melhoradores comunistas e liberais do mundo. Os europeus e especialmente os alemães são vistos como perpetradores malignos, que são, portanto, obrigados a rituais perpétuos de expiação.

Dresden não é apenas uma cidade alemã, ou o símbolo de um destino alemão. Dresden também é o símbolo universal de inúmeras cidades alemãs e europeias, croatas, húngaras, italianas, belgas e francesas que foram bombardeadas pelos Aliados Ocidentais, ou para o que importa, que foram plenamente bombardeadas. O que me conecta a Dresden me conecta também a Lisieux, um lugar de peregrinação na França, bombardeado pelos Aliados em junho de 1944; também a Monte Cassino, um lugar de peregrinação italiano, bombardeado pelos Aliados em fevereiro de 1944. Em 10 de junho de 1944, em Lisieux, uma pequena cidade que havia sido dedicada a Santa Teresa, 1.200 pessoas foram mortas, o mosteiro beneditino foi completamente queimado, com 20 freiras nele. Enumerar uma lista das cidades culturais europeias bombardeadas exigiria uma biblioteca inteira — desde que esta biblioteca não fosse novamente bombardeada pelos melhoradores do mundo. Desde que os livros e os documentos dentro dela não estejam confiscados.

Na França, durante a Segunda Guerra Mundial, cerca de 70.000 civis encontraram a morte[4] sob as bombas democráticas anglo-americanas, o número relutantemente mencionado pelos historiadores estabelecidos. De 1941 a 1944, 600.000 toneladas de bombas foram lançadas na França; 90.000 prédios e casas foram destruídos.

Os políticos estabelecidos frequentemente usam a palavra “cultura” e “multicultura”. Mas seus antecessores militares se destacaram na destruição de diferentes locais culturais europeus. Igrejas e museus europeus tiveram que ser destruídos, tendo em vista que esses lugares não podiam ser atribuídos à categoria de cultura humana. Mais ao sul, em Viena, em março de 1945, o Burgtheater foi atingido pelos bombardeiros americanos; mais a oeste, no norte da Itália, a ópera La Scala em Milão foi bombardeada, assim como centenas de bibliotecas por toda a Europa Central. Mais ao sul, na Croácia, as antigas cidades de Zadar e Split foram bombardeadas em 1944 pelos melhoristas do mundo ocidental e esse panorama de horror não teve fim. A cidade cultural croata Zadar, na costa do Adriático, foi bombardeada pelos Aliados em 1943 e 1944. Políticos e turistas alemães frequentemente passam férias na costa croata; no entanto, ao longo da costa, há muitas valas comuns de soldados alemães. Na ilha croata de Rab, onde os nudistas alemães gostam de se divertir, há uma desproporcionalmente enorme vala comum[5] contendo os ossos de centenas de alemães que foram assassinados pelos iugo-comunistas. Diplomatas alemães na Croácia não demonstraram nenhum esforço para construir monumentos para aqueles soldados martirizados.

Recentemente, a chamada comunidade democrática demonstrou grande preocupação com a limpeza étnica e a destruição na antiga Iugoslávia. Também estava bastante ocupada em levar os perpetradores iugoslavos e sérvios à justiça no tribunal de Haia. Mas esses perpetradores sérvios e iugoslavos já tinham um modelo perfeito em predecessores comunistas e em seus aliados anglo-americanos. No final de 1944 e início de 1945, houve limpezas étnicas massivas de alemães nas áreas comunistas iugoslavas. Em maio de 1945, centenas de milhares de croatas em fuga, a maioria civis, renderam-se às autoridades aliadas inglesas perto de Klagenfurt, no sul da Caríntia, apenas para serem entregues[6] nos dias seguintes aos bandidos perversos comunistas iugoslavos.

Eu poderia falar por horas sobre os milhões de alemães[7] deslocados da Silésia, Pomerânia, Sudetos e região do Danúbio. Em vista do fato de que essas vítimas não se enquadram na categoria de perpetradores comunistas, por enquanto não vou atribuí-las aos melhoradores do mundo ocidental. Em retrospectiva, porém, podemos observar que os melhoradores do mundo ocidental nunca teriam sido capazes de completar seu trabalho de melhoria do mundo sem a ajuda dos bandidos perversos comunistas, os chamados antifascistas. Claramente, a maior migração em massa na história europeia, da Europa Central e Oriental, foi obra dos comunistas e do Exército Vermelho[8], mas nunca teriam seus crimes gigantescos contra os civis alemães e outras nações da Europa Central ocorridos sem a ajuda deliberada dos melhoradores do mundo ocidental. Bem, ainda estamos lidando com padrões duplos ao comemorar os mortos da Segunda Guerra Mundial.

O que estava passando pela mente daqueles que melhoravam o mundo durante os bombardeios de cidades europeias? Aqueles pilotos democráticos tinham boa consciência porque sentiam sinceramente que tinham que executar uma missão democrática ordenada por Deus. Suas missões de destruição eram conduzidas em nome dos direitos humanos, da tolerância e da paz mundial. De acordo com suas atitudes messiânicas, lá embaixo e abaixo na Europa Central — sem mencionar aqui em Dresden — não viviam seres humanos, mas uma variedade peculiar de monstros sem cultura. Consequentemente, para permanecerem fiéis ao seu dogma democrático, aqueles samaritanos aerotransportados sempre tiveram boa consciência para bombardear os monstros abaixo.


{A cidade alemã de Dresden após o bombardeio dos Aliados em 1945}

Como o grande estudioso alemão de direito internacional, Carl Schmitt, nos ensinou, há um problema perigoso com o direito internacional moderno e a ideologia dos direitos humanos. Assim que alguém declara seu oponente militar um “monstro” ou “um inseto”, os direitos humanos deixam de se aplicar a ele. Este é o principal componente do Sistema moderno. Da mesma forma, assim que algum intelectual europeu, ou um acadêmico, ou um jornalista expressa criticamente dúvidas sobre os mitos do Sistema, ele corre o risco de ser rotulado como um “radical de direita”, “um fascista” ou “um monstro”. Como um monstro, ele não é mais humano e, portanto, não pode ter direito legal à proteção da ideologia dos direitos humanos. Ele é condenado ao ostracismo e profissionalmente calado. O Sistema se gaba hoje de sua tolerância para com todas as pessoas e todas as nações da Terra, mas não para com aqueles que são inicialmente rotulados como monstros ou extremistas de direita, ou fundamentalistas. Aos olhos dos melhoradores do mundo, os civis alemães que estavam neste local em fevereiro de 1945 não eram humanos, mas um tipo bizarro de inseto que precisava ser aniquilado junto com sua cultura material. Tal mentalidade encontramos hoje entre os benfeitores do mundo, especialmente em seu engajamento militar no Iraque ou Afeganistão.

Nós somos frequentemente criticados por exagerar as vítimas de Dresden para banalizar os crimes fascistas. Isso é um absurdo. Essa tese pode ser facilmente revertida. Os historiadores e formadores de opinião do estabelecidos, 70 anos após a guerra, precisam renovar para sempre o perigo fascista para encobrir seus próprios fracassos econômicos catastróficos e seus próprios crimes de guerra.

Além disso, os historiadores estabelecidos não desejam nos dizer que cada vitimização no Sistema multicultural é propensa a conflitos; cada vitimização insiste em sua própria singularidade e prospera às custas de outras vitimizações. Isso apenas aponta para a fraqueza do Sistema multicultural, levando, em última análise, à balcanização, à guerra civil e ao colapso do Sistema. Um exemplo: a atual atmosfera vitimológica no Sistema multicultural de hoje leva cada tribo, cada comunidade e cada imigrante não europeu a acreditar que apenas sua vitimização é importante e única. Este é um fenômeno perigoso porque cada vitimização está em competição com a vitimização do Outro. Essa mentalidade de vitimização não conduz à paz. Ela leva à violência multiétnica e torna o conflito futuro inevitável.

Com a atual banalização e negação dos crimes liberais-comunistas contra o povo alemão, infligidos antes, durante e depois da Segunda Guerra Mundial, não pode haver clima de compreensão mútua e reconciliação, mas apenas uma atmosfera de falsos mitos e vitimizações conflitantes, por meio das quais cada pessoa e cada tribo se concebe como uma vítima de seu respectivo vizinho.

O exemplo clássico é novamente o colapso do antigo estado da Iugoslávia, um estado artificial no qual, por cinquenta anos, diferentes povos foram vítimas de historiadores e propaganda comunistas, com o povo croata sendo demonizado como uma “nação nazista”. Em 1991, após o fim do comunismo, o resultado não foi um entendimento interétnico mútuo, mas ódio mútuo e uma guerra terrível na qual cada lado chamou o outro de “fascista”. O que nos espera em breve aqui na U.E. {União Europeia} não é uma utopia exótica e multicultural, mas um ciclo balcânico de violência e guerras civis.

Caros senhores e senhoras, caros amigos. Não caiamos como presas de ilusões. Dresden deve servir como um sinal de alerta contra todas as guerras, bem como um lugar para comemorar as vítimas inocentes. Mas Dresden pode se tornar amanhã um símbolo de catástrofes titânicas. O que nos espera nos próximos anos, já podemos imaginar. Alguns de vocês, alguns de nós, com uma memória histórica mais longa, sabem bem que um mundo chegou ao fim. A era do liberalismo está morta há muito tempo. Os tempos que se aproximam serão ruins. Mas esses tempos chegando e que se aproximam oferecem a todos nós uma chance.

Tradução e palavras entre chaves por Mykel Alexander

 Notas:


[2] Fonte utilizada por Tomislav Sunić:

https://www.npd-dresden.de/

[7] Fonte utilizada por Tomislav Sunić: Alfred-Maurice de Zayas, A Terrible Revenge: The Ethnic Cleansing of the East European Germans.

https://www.librarything.com/author/zayasalfredmauricede

[8] Fonte utilizada por Tomislav Sunić: James Bacque, Crimes and Mercies: The Fate of German Civilians Under Allied Occupation, 1944-50.

_________________________________________________________________________________

Relacionado, leia também: 

AUSCHWITZ E O SILÊNCIO DE HEIDEGGER - OU “PEQUENOS DETALHES” - parte 1 - por Roger Dommergue Polacco de Menasce (Demais partes na sequência do próprio artigo)










Migrantes: intervenções “humanitárias” geralmente fazem as coisas piores – Entrevista com Alain de Benoist

Campos de Concentração Nacional-Socialistas {nazistas}: lenda e realidade - parte 1 - precedentes e funções dos campos - por Jürgen Graf (demais partes na sequência do próprio artigo).

A noção de diversidade racial na academia alemã e na legislação nacionalsocialista - parte 1 - Por Tomislav Sunić

A noção de diversidade racial na academia alemã e na legislação nacionalsocialista - parte 2 - Por Tomislav Sunić

Judeus, comunistas e o ódio genocida nos "Estudos sobre a branquitude” - Por Andrew Joyce, Ph.D., {academic auctor pseudonym}

quinta-feira, 2 de janeiro de 2025

Traga seus mortos ... De volta ao altar da família - por Laurent Guyénot

 

Laurent Guyénot


Uma lição da Ásia

Os asiáticos não mostram nenhum sinal de desejo coletivo de morte. Eles geralmente têm orgulho de sua etnia e nacionalidade. Isso, eu argumentarei, tem muito a ver com sua atitude geral em relação aos seus ancestrais. A adoração aos ancestrais é uma parte essencial das tradições asiáticas e, embora tenha recuado nas grandes cidades, ainda é amplamente praticada. Os antropólogos preferem falar de “veneração aos ancestrais”; os mortos não são deificados, mas recebem respeito e gratidão, e espera-se que guiem e protejam os vivos — ou os repreendam quando fazem o mal. Honrar os ancestrais é considerado não apenas um costume religioso, mas um dever moral, porque é uma extensão da piedade filial, que é vista unanimemente no Oriente como a base da moralidade: sua piedade filial significa que você herda a piedade filial de seus pais, etc.

Na China, apesar de décadas de doutrinação comunista, a veneração aos ancestrais ainda é muito comum. Ela encontra apoio no confucionismo, que enfatiza a piedade filial e o respeito pelos ancestrais (embora Confúcio tivesse pouco a dizer sobre a existência de espíritos). As pessoas participam de oferendas rituais aos mortos, independentemente de sua outra afiliação religiosa. Os católicos continuam relutantes, apesar do fato de que em 1939, a Igreja retirou sua proibição oficial pronunciada em 1707, fingindo que a veneração aos ancestrais não era religiosa, afinal, e, portanto, tolerada.

{Sacrifício ancestral de Tong kin, em Qiantong, Zhejiang (Wikipedia)}


A veneração aos ancestrais é “um dos elementos que compõem a identidade cultural do Vietnã”. Não importa se eles se identificam como budistas, cristãos ou qualquer outra coisa, quase todas as famílias vietnamitas, ricas ou pobres, têm um altar ancestral em casa. Em todos os lugares do Oriente, mas no Vietnã mais do que em qualquer outro lugar, o amor aos ancestrais e o amor à nação estão organicamente ligados, porque os ancestrais são aqueles que construíram a nação e protegeram sua integridade territorial ao através dos séculos.

“Os serviços rituais para os ancestrais têm uma longa e rica história na Coreia, e ainda são uma parte importante da vida tradicional da aldeia.” Esses rituais, às vezes chamados de Jesa, são praticados durante todo o ano, para ancestrais até a quinta geração. Alguns católicos participam de ritos ancestrais, mas os protestantes evangélicos não. Muitos coreanos ocasionalmente se envolvem em xamanismo, que lida principalmente com conflitos entre os vivos e os mortos (os bons e os maus). Mesmo na Coreia do Norte, de acordo com estimativas recentes, 16% da população total acredita no xamanismo.

No Japão, apesar da criminalização das tradições nacionais pós-Segunda Guerra Mundial, a maioria das pessoas mantém um grau de veneração em relação aos seus mortos, mesmo que eles aleguem não ter religião. Nobushige Hozumi, que escreveu para ocidentais um livro intitulado Ancestor-Worship and Japanese Law em 1901, dissipa o preconceito ocidental de que os ancestrais são adorados por medo. O amor, não o medo, é o fundamento antropológico do culto aos ancestrais. É simplesmente uma continuação dos laços familiares.

{Culto dos ancestrais no Japão}


Até o final do século XIX, havia três níveis de adoração aos ancestrais no Japão, explica Hozumi: família, clã e nação. Cada família honra seus próprios ancestrais, aqueles que são lembrados direta ou indiretamente, ao longo de três, quatro gerações ou às vezes mais. Os mortos são honrados individualmente nos aniversários de sua morte, mas também coletivamente em certas datas festivas, que são ocasiões para reuniões familiares. Monges budistas ou sacerdotes xintoístas podem intervir em alguns ritos, dependendo da família.

Tradicionalmente, “Cada clã tem um deus-clã ou ‘Uji-gami’ que é o epônimo daquela comunidade em particular.” Como cada clã ocupava um determinado território, os ancestrais do clã tendiam a se fundir com divindades tutelares. O santuário principal do clã também era o santuário da divindade padroeira da terra. A adoração dos ancestrais do clã era a mais importante até o século XIX, porque a unidade original da sociedade japonesa não era a família, mas o clã, cada clã sendo legalmente representado por seu chefe. “A adoração de ancestrais comuns e as cerimônias a eles conectadas mantinham a aparência de uma descendência comum entre um grande número de parentes amplamente dispersos que estavam tão distantes uns dos outros que, sem esse vínculo, teriam se afastado do intercurso familiar.”

No nível nacional, havia o culto da linhagem imperial. Não era um culto ao imperador, mas sim a participação da nação no culto aos ancestrais do próprio imperador, na suposição mítica de que os ancestrais imperiais são os ancestrais de toda a nação. Esse culto nacional também estava associado a uma forma de monoteísmo, já que Amaterasu O-Mikami, “a Grande Deusa da Luz Suprema” era considerada a ancestral primordial, a mãe do primeiro imperador. Ela é representada pelo sol que uma vez irradiou na bandeira japonesa.

Eu não tenho nenhuma especialização em antropologia asiática, mas eu acho que não há debate sobre o fato de que a veneração aos ancestrais é uma tradição que persiste até hoje em todo o Oriente, apesar do ataque da modernidade e da influência cultural do individualismo ocidental. Tendo conhecido uma família japonesa intimamente por vinte e cinco anos, eu tive a oportunidade de observar que mesmo os japoneses urbanos ocidentalizados mantêm um senso muito mais forte de lealdade e dívida para com seus pais e ancestrais do que o europeu médio. Parece-me fazer parte de sua constituição mental. Se isso afeta os padrões éticos que eles geralmente seguem dentro de sua família, sua comunidade e sua nação é algo que dificilmente precisa ser demonstrado.

Nós, europeus, somos fundamentalmente diferentes? Nosso cérebro, por alguma razão evolutiva, é programado de forma diferente e simplesmente incapaz de funcionar neste modo holístico e transgeracional? A história nos informa claramente que não é assim.

 

Para onde foram todos os nossos ancestrais?

Um grande livro de antropologia histórica sobre os arianos — indo-europeus, se você preferir — é The Aryan Household, its Structure and its Development, de William Hearn (1879). “No mundo arcaico”, ele escreve, “a sociedade implicava união religiosa. ... Comunidade de adoração era, de fato, o único modo pelo qual, nos primeiros tempos, os homens eram reunidos e mantidos juntos... . A refeição comum preparada no altar era o sinal visível externo da comunhão espiritual entre a divindade e seus adoradores.”1 A associação religiosa mais fundamental para os arianos sempre foi a família, englobando os vivos e os mortos. O culto aos mortos estruturou a sociedade do nível familiar para cima. Ele persistiu por muito tempo após a cristianização. Triin Laidoner escreve em Ancestor Worship and the Elite in Late Iron Age Scandinavia:

O fato de que as leis dos séculos XIII e XIV frequentemente mencionam os sacrifícios e ofertas aos túmulos e que os ancestrais eram claramente a espinha dorsal da ordem social e das normas econômicas e legais mostra que as tradições relativas aos ancestrais estavam tão profundamente estabelecidas na Escandinávia primitiva que sobreviveram muito depois da conversão ao cristianismo, e até mesmo na era moderna.2a

O culto aos ancestrais não era apenas uma religião doméstica, porque se estendia aos cultos públicos de grandes homens, aqueles a quem os gregos chamavam de heróis. Lewis Richard Farnell definiu o herói como “uma pessoa cuja virtude, influência ou personalidade era tão poderosa em sua vida ou através das circunstâncias peculiares de sua morte que seu espírito após a morte é considerado de poder sobrenatural, reivindicando ser reverenciado e propiciado.”3 Não havia uma separação clara entre os mortos domésticos e os heróis adorados em um nível mais público.4

De fato, não havia fronteira entre o reino dos deuses e o reino dos mortos. De acordo com o grande historiador islandês Snorri Sturluson (1179-1241), o deus do norte Freyr era originalmente um rei sueco adorado após sua morte por causa dos benefícios que ele continuou a conceder ao seu povo. Quando Freyr morreu, ele foi colocado em seu túmulo, mas foi alegado que ele ainda estava vivo, então os suecos cuidaram dele trazendo-lhe oferendas. Como as colheitas foram boas por três anos após sua morte, os suecos o fizeram o deus do mundo e o adoraram por boas colheitas e paz (Sturluson, História dos Reis da Noruega, I, 10). A escola de mitologia comparativa do século XIX costumava interpretar essas histórias como casos de homens inventando uma origem humana para seus deuses (um processo que eles chamavam de evemerismo, embora seja exatamente o oposto do que Evêmero sugeriu no século IV a.C.). Mas a antropologia histórica agora abraça a antiga teoria que vê a transformação dos “grandes mortos” em deuses como uma tendência geral entre todos os povos.

Há mesmo um amplo espectro de argumentos a favor da teoria abrangente de que a cultura evoluiu a partir de ritos funerários.5 Foi para os seus mortos que os homens construíram as suas primeiras habitações de pedra.6 Foi para imortalizar os seus mortos que eles moldaram as suas primeiras imagens,7 contaram as suas primeiras histórias épicas e os seus mitos do outro mundo,8 ou representaram o seu primeiro drama.9

A teoria de que a veneração dos ancestrais é a raiz primária da religião tem sido defendida por Numa Denis Fustel de Coulanges em sua obra magistral The Ancient City: A Study of the Religion, Laws, and Institutions of Greece and Rome {A Cidade Antiga}, publicada em 1864: “Esta religião dos mortos parece ser a mais antiga que tem existido entre esta raça de homens. Antes que os homens tivessem qualquer noção de Indra ou de Zeus, eles adoravam os mortos.” Entre os antigos gregos e romanos, a família era a principal instituição religiosa:

A geração estabeleceu um vínculo misterioso entre o infante, que nasceu para a vida, e todos os deuses da família. De fato, esses deuses eram sua família — eram de seu sangue. A criança, portanto, recebeu em seu nascimento o direito de adorá-los e oferecer-lhes sacrifícios; e mais tarde, quando a morte o tivesse deificado, ele também seria contado, por sua vez, entre esses deuses da família. Mas devemos notar esta peculiaridade — que a religião doméstica era transmitida apenas de homem para homem... .

Fora da casa, ali de fácil alcance, em um campo vizinho, há uma tumba — o segundo lar desta família. Lá, várias gerações de ancestrais repousam juntas; a morte não os separou. Eles permanecem agrupados nesta segunda existência e continuam a formar uma família indissolúvel. Entre a parte viva e a parte morta da família, há apenas esta distância de alguns passos que separa a casa do tumba. Em certos dias, que são determinados para cada um por sua religião doméstica, os vivos se reúnem perto de seus ancestrais; eles oferecem a eles a refeição fúnebre, derramam leite e vinho para eles, colocam bolos e frutas, ou queimam a carne de uma vítima para eles. Em troca dessas ofertas, eles pedem proteção; eles chamam esses ancestrais de seus deuses, e pedem que eles tornem os campos férteis, a casa próspera, e seus corações virtuosos.

Há uma conexão óbvia entre cuidar dos ancestrais e a esperança de uma vida feliz após a morte, porque todos esperam ser bem-vindos por seus ancestrais ao deixar este mundo. Isso era representado nas procissões funerárias romanas, onde era costume carregar a imagem do recém-falecido; do mausoléu da família, as imagens dos membros familiares mortos vinham ao seu encontro no meio do caminho, para recebê-lo e acompanhá-lo até o túmulo da família.

{Arte retratando o culto romano dos ancestrais: dois espíritos tutelares flanqueiam o gênio ancestral de uma família (Wikipedia)}

Porque todo homem esperava que seus descendentes masculinos assegurassem a seus manes paz e felicidade, “toda família deve perpetuar-se para sempre. Era necessário para os mortos que os descendentes não morressem... Todos, portanto, tinham interesse em deixar um filho depois de si, convencidos de que sua felicidade imortal dependia disso. Era até mesmo um dever para com aqueles ancestrais cuja felicidade não poderia durar mais do que a família durou.” Outra consequência foi a aversão ao adultério. “Pois a primeira regra do culto era que o fogo sagrado deveria ser transmitido de pai para filho, e o adultério perturbava a ordem de nascimento... o filho nascido de adultério era um estranho. Se ele fosse enterrado no túmulo, todos os princípios da religião eram violados, o culto era profanado, o fogo sagrado se tornava impuro; toda oferta no túmulo se tornava um ato de impiedade. . . e não havia mais felicidade divina para os ancestrais.”

Por outro lado, porque “a família antiga era uma associação religiosa e não natural”, era possível ser integrado à família por ritual religioso. É por isso que “a esposa era contada na família somente após a cerimônia sagrada do casamento a ter iniciado no culto”. Da mesma forma, “um filho adotivo era contado como um filho real, porque, embora não tivesse laços de sangue, tinha algo melhor — uma comunidade de culto”. Até mesmo o escravo se tornava parte da família por meio de uma cerimônia que “tinha certa analogia com as do casamento e da adoção. Sem dúvida, significava que o recém-chegado, um estranho no dia anterior, deveria doravante ser um membro da família e compartilhar de sua religião... É por isso que o escravo era enterrado no local de sepultamento da família”.

Em conclusão, o culto aos ancestrais era central nas tradições grega, romana, alemã e celta. Por que então o culto aos mortos é tão estranho para nós, sua posteridade? Por que nossa sacralização do indivíduo parece uma imagem invertida dos valores holísticos do sangue de nossos ancestrais distantes? Tendo estabelecido que os indo-europeus já foram adoradores de ancestrais, assim como os asiáticos, precisamos entender por que e como, diferentemente dos asiáticos, abandonamos completamente o que antes constituía a substância de nosso tecido social. O que aconteceu?

 

O Deus Falante Versus os Mortos-Vivos

Redbad (ou Radbod) foi o rei da Frísia de ao redor de 680 até sua morte em 719. Ele é considerado o último governante independente da Frísia antes da dominação franca. De acordo com uma lenda registrada pela primeira vez na Vida do missionário franco Wulfram, Redbad havia sido persuadido a aceitar o batismo e já havia colocado um pé na pia batismal, quando ele pensou melhor e perguntou a Wulfram: “Eu me juntarei aos meus ancestrais no além?”   Wulfram disse a ele sem rodeios que isso estava fora de questão, já que seus ancestrais, não tendo sido batizados, estavam todos no Inferno, enquanto Redbad se juntaria às fileiras dos abençoados no Céu. Redbad então retraiu o pé e declarou que preferia estar com seus ancestrais no Inferno do que passar a eternidade no Céu com um bando de mendigos santos. Logo após a morte de Redbad, no entanto, os frísios foram batidos e batizados, e não se ouviu mais falar de sua independência nacional.

Esta história ilustra o choque cultural que o cristianismo significou para nossos ancestrais pagãos. O problema não foi a introdução de um novo culto, especialmente porque o compartilhamento ritual de pão e vinho em homenagem a um herói deificado não era particularmente exótico. Teria sido bom se os missionários tivessem aderido ao princípio de Jesus de que “na casa de meu Pai há muitas moradas”, uma delas sendo especialmente preparada por Jesus para aqueles que o amam (João 14:2-4).#1 Mas um redator fez Jesus se contradizer ao acrescentar: “Ninguém vem ao Pai a não ser por mim” (14:6), e o cristianismo obedeceu a essa regra. É o culto de um deus ciumento, a mesma divindade “teoclástica” que falou na Torá.10 A conversão ao cristianismo significou a destruição de todos os outros cultos e, em particular, o rompimento do vínculo que unia os indo-europeus a seus ancestrais.

O choque chegou aos romanos no início da década de 390, quando Teodósio, nascido na Fenícia,11 tendo assumido o controle do Ocidente após sua misteriosa ascensão no Oriente, emitiu uma lei abrangente proibindo todos os cultos não cristãos — exceto aqueles dos judeus. Os oficiais e magistrados do palácio imperial foram proibidos de honrar seus Lares com fogo, seus Genius com vinho ou seus Penates com incenso. É difícil imaginar uma política mais agressiva contra a vida orgânica dos gentios, e é difícil entender como a elite romana se submeteu a ela, antes de impô-la ao povo. A sociedade romana deve ter sido muito corrompida e muito degenerada para ter sucumbido a esse golpe criptojudaico — mais ou menos como os franceses de hoje se submetendo ao batismo forçado da vacina trinitária (as três doses da Pfizer).

Claro, pessoas ordinárias continuaram a rezar para seus ancestrais em casa por muito tempo: elas eram chamadas de pagani, isto é, “gente do campo”, camponeses.

Mas o assalto continuou. Em particular, “o cristianismo fez uma ruptura muito clara com as crenças e costumes que prevaleciam na sociedade antiga em relação aos falecidos”, explica o medievalista Michel Lauwers. Agostinho, outro cartaginês, compôs por volta de 422 um tratado “sobre o cuidado com os mortos” para afirmar que os ritos funerários tradicionais são inúteis, e que até mesmo o local e a maneira como os mortos eram enterrados eram irrelevantes: “Os fiéis não perdem nada ao serem privados do sepultamento, assim como os descrentes não ganham nada ao recebê-lo”. Em outro tratado, o Enchiridion, ele lamentou que os cristãos persistissem em adorar seus mortos, às vezes com banquetes ostentosos, mas admitiu que os funerais cristãos são uma “consolação” para os vivos.12

E assim, em vez de tentar erradicar o culto aos ancestrais, a Igreja se esforçou para estabelecer seu próprio monopólio como único mediador para as ofertas das pessoas aos seus mortos: os cristãos foram informados de que poderiam contribuir para a salvação dos falecidos pagando missas ou dando esmolas que a Igreja passaria para os necessitados. A ideia de que os vivos poderiam ajudar a aliviar os sofrimentos dos mortos comuns deu origem à doutrina do Purgatório e a uma importante fonte de renda para a Igreja.13

Embora os vivos pudessem, através da intercessão exclusiva da Igreja, ajudar seus mortos sofredores, o inverso não era verdade. Somente os santos, os “mortos muito especiais” que haviam sido oficialmente admitidos no Céu, podiam conceder bênçãos aos vivos — mas não aos seus descendentes, já que, sendo castos, eles não tinham nenhum.14 Os mortos ordinários, consumidos pela dor, nada podiam fazer por seus parentes mortais, e quaisquer sinais que alguém pudesse receber deles eram, na realidade, truques do diabo. Todos os ritos, histórias ou crenças que não faziam parte do livro didático clerical foram proibidos e lentamente recuados para o folclore de criaturas de fadas, de maneiras que eu tenho documentado em meu livro La Mort féerique (com base em minha tese de doutorado em antropologia medieval).15 Ao erodir consideravelmente os laços de solidariedade entre os mortos e os vivos, o catolicismo gradualmente transformou a “morte solidária” em “morte solitária”, nas palavras de Philippe Ariès.16

Além disso, a doutrina do pecado original, uma pedra angular do cristianismo estabelecida por Paulo, implica que nossa genealogia biológica está infectada, e que precisamos ser purificados dela ao nascer de novo “pelo sangue de Cristo”, por meio do batismo (Efésios 2:11-13). Dessa maneira, nossos ancestrais foram declarados nossos inimigos, dos quais Jesus nos salvou. A ênfase do próprio Jesus na salvação pessoal na verdade vem com uma forte hostilidade aos laços de sangue: “Se alguém vem a mim e não odeia seu próprio pai e mãe, mulher e filhos, irmãos, irmãs e até a própria vida, não pode ser meu discípulo.” (Lucas 14:26).17

Aplicando esse comando à risca, os santos ou a hagiografia cristã cortaram seus laços familiares e renunciaram a todas as responsabilidades e posses mundanas. Uma das obras literárias mais conhecidas da Idade Média foi a Vida de Santo Antônio, o pai do monasticismo. Antônio nasceu de pais ricos. Depois de ouvir durante a missa Mateus 19:21 (“Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que possuis e dá aos pobres; e vem, segue-me, e terás um tesouro nos céus”), ele “saiu imediatamente da igreja, e deu as posses dos seus antepassados ​​aos aldeões”, vendeu o resto e deu o dinheiro aos pobres, e comprometeu a irmã a um convento. Então ele foi para o deserto e viveu sozinho pelo resto da vida.

Claro, homens santos vivendo vidas ascéticas solitárias existem em países não cristãos, sendo a Índia um bom exemplo. Mas Louis Dumont, um indianista, mostrou que o cristianismo difere das tradições indianas de uma forma fundamental. Os indianos admitem e aprovam que alguns indivíduos abandonam sua existência social para buscar a iluminação, desde que esses indivíduos não desafiem a ordem social e sua dinâmica holística, mas permaneçam como exceções que confirmam a regra. O cristianismo, de acordo com Dumont, perturbou esse equilíbrio civilizacional ao declarar que a santidade é a única vida perfeita, o único caminho reto para o céu, e que a salvação deste mundo é o chamado de todo cristão. Por ver a salvação como uma busca individual, a purificação dos pecados pessoais, o cristianismo lançou as bases para o individualismo ocidental moderno.18

Santos que morreram passivamente por seu credo substituíram heróis que morreram lutando por suas comunidades. O poder debilitante do cristianismo não escapou aos romanos pagãos que, após o saque de Roma pelos visigodos de Alarico em 410, culparam os cristãos por terem trazido uma maldição sobre Roma ao proibir o antigo culto dos deuses penate. Agostinho escreveu A Cidade de Deus como uma resposta a essa acusação. Seu primeiro ponto é que a miséria sofrida pelos romanos foi uma bênção que os aproximou de Deus. Quanto às virgens que foram estupradas, suas almas não foram contaminadas, a menos que experimentassem algum prazer, então nenhum dano foi feito a elas (Livro I, capítulo 10). Edward Gibbon ecoou a opinião dos romanos pagãos de que os cristãos, com seus olhos focados na Cidade de Deus, causaram a queda do Império Romano:

Este desrespeito indolente, ou mesmo criminoso, pelo bem-estar público, os expôs ao desprezo e às reprovações dos pagãos que perguntavam com muita frequência qual seria o destino do império, atacado de todos os lados pelos bárbaros, se toda a humanidade adotasse os sentimentos pusilânimes da nova seita. A esta pergunta insultuosa, os apologistas cristãos deram respostas obscuras e ambíguas, pois eles não estavam dispostos a revelar a causa secreta de sua segurança; a expectativa de que, antes que a conversão da humanidade fosse realizada, a guerra, o governo, o império romano e o próprio mundo não existiriam mais.19

 

O Fim do Paganismo Católico

Pode ser que a história de Redbad seja irrelevante hoje, já que o cristianismo é agora a religião de nossos ancestrais europeus por até vinte gerações ou mais. É verdade que a Igreja Católica incorporou a identidade europeia por mais de um milênio e, em 1920, Hilaire Belloc ainda podia proclamar “A Igreja é a Europa: e a Europa é a Igreja” (Europe and the Faith, 1920). Mas o catolicismo dos meus avós tinha pouco em comum com o catolicismo de hoje. O primeiro diferia do último como um corpo vivo de carne e osso difere de um esqueleto.

A carne era, na verdade, em grande parte pagã.20 De fato, a tese de que o exclusivismo cristão destruiu as tradições cultuais europeias deve ser temperada por uma antítese: esse mesmo exclusivismo era, na prática, um inclusivismo até certo ponto. A Igreja abraçou as tradições que não conseguiu sufocar. Assim, James Russel escreve sobre The Germanization of Early Medieval Christianity {A Germanização do Cristianismo Medieval Primitivo}21, e também nós podemos falar de “celticização” na Irlanda e na Bretanha. O culto à Virgem Mãe é uma apropriação cristã de cultos mais antigos. Parece que o culto aos ancestrais não foi muito afetado pela cristianização antes da Reforma Gregoriana: a arqueologia mortuária na Gália mostra que, do quinto ao oitavo século, os mortos eram enterrados com roupas, joias, restos de animais, cerâmica, moedas e armas.22

Esse paganismo disfarçado, que era sem dúvida a melhor parte do catolicismo, sobreviveu até a década de 1950, quando 80% da população da França ainda vivia em comunidades de vilarejos. O Concílio do Vaticano II declarou guerra ao paganismo católico, como a Reforma havia feito antes. A partir daí começou o colapso da prática religiosa e, com ela, a dissolução da paróquia da vila. Claro, o Vaticano II não foi o único fator; tratores tornaram a ajuda mútua menos essencial, e pesticidas provaram ser mais eficientes do que água benta. Mas foi o Vaticano II que privou os camponeses de defesas espirituais contra as devastações da modernidade.

Uma nova geração de padres esclarecidos, de origem pequeno-burguesa, mirava os costumes populares rurais como “vestígios do paganismo”. Não mais ritos agrários de bênção de sementes e colheitas! O catolicismo deixou de ser “a religião dos santos”, celebrado em orações, peregrinações e festivais. Muitas estátuas foram removidas das absides onde se aninhavam. Os santos, com certeza, eram uma pálida imitação de heróis pagãos, mas o culto de suas relíquias diferia pouco e cumpria o mesmo propósito.23

O milagroso era visto com a testa franzida. Maria, a beneficiária favorita das orações populares, cuja adoração era tão enraizada que Notre-Dame d'Aqui nunca foi confundida com Notre-Dame de Alhures, foi minimizada, e a piedade mariana suspeita de impureza. “Que os fiéis se lembrem”, transmitiu Paulo VI em novembro de 1964, “que a verdadeira devoção não consiste em um movimento estéril e efêmero de sentimentalismo, nem em vã credulidade”. Por séculos, o ícone da Mãe de Deus foi a figura hipostasiada da maternidade, e as políticas natalistas sempre puderam contar com Maria como uma aliada segura. A taxa de natalidade caiu junto com a frequência à igreja após o Vaticano II (novamente, não foi o único fator).

O sentimento religioso foi racionalizado. O antigo catolicismo popular festivo tinha pouco conteúdo dogmático. Mas agora que a névoa misteriosa do latim se dissipou, as pessoas que tinham sido educadas em escolas seculares eram obrigadas a declarar todos os domingos que acreditavam literalmente que Jesus nasceu de uma virgem e ressuscitou após a morte. A recitação do credo em vernáculo foi, eu acho, um dos piores golpes para o catolicismo: homens de honra não gostam de ser solicitados a mentir, especialmente perante Deus.24

É ilógico, contudo, ver o Vaticano II como uma traição ao cristianismo. Os clérigos que lideraram o Concílio eram os dignos herdeiros dos pais da Igreja, aqueles intelectuais urbanos apaixonados pela última moda judaica e com a intenção de destruir, no estilo bíblico, todos os falsos deuses dos gentios. O Vaticano II foi simplesmente o último ataque contra as tradições religiosas europeias. A Igreja limpou tudo o que tinha até então mantido da “veneração dos mortos”, o que não era muito, mas era melhor do que nada.

Agora que os europeus não são mais gratos aos seus mortos, a piedade filial em si está ultrapassada — até mesmo ridicularizada —, as uniões conjugais não são da conta dos pais, a procriação é “meu corpo, minha escolha”, e os mais velhos, não tendo nada a esperar além do túmulo, não querem mais morrer, preferindo prolongar sua solidão com uma injeção periódica de sangue jovem. As crianças têm apenas o Dia das Mães para expressar ritualmente a piedade filial. Adicionando insulto à injúria, o Halloween, aquela zombaria satânica do antigo festival celta dos mortos, agora está profanando até mesmo o nosso Dia dos Mortos católico.

Nosso instinto singênico {de criação conforme outros foram criados}, e de fato toda a nossa substância antropológica, foi corroída por dois mil anos de “salvação” cristã, com seu coquetel mortal de individualismo e universalismo. Somente pessoas cuja mente foi doutrinada pelo cristianismo por muitas gerações podem ser tornadas tão vulneráveis ​​quanto nós à acusação de racismo, a ponto de acolher invasores hostis em nome de princípios morais universalistas, e não ousar denunciá-los quando estupram nossos filhos.*1 Nós devemos perdoar.

Se, como nossos ancestrais distantes acreditavam e como os asiáticos ainda acreditam, a lembrança ritual das gerações passadas é a chave para construir famílias, comunidades e nações com alma, então é altamente significativo que nós, europeus ocidentais, tenhamos agora o vínculo ancestral mais fraco do mundo, enquanto nossos inimigos mortais têm um vínculo incomparavelmente forte, que remonta a cem gerações.

 

A Cultura do Clã Semítico

No judaísmo, em oposição ao cristianismo, a exclusividade do culto significa pureza racial. Conforme Kevin MacDonald observa, “Adorar outros deuses é como ter relações sexuais com um alienígena — um ponto de vista que faz muito sentido na suposição de que o deus israelita representa a fonte genética israelita racialmente pura.”25 Mesmo para judeus comprometidos não religiosos, não há comando maior do que a endogamia. O casamento misto é, “de um ponto de vista biológico, um ato de suicídio”, escreveu Benzion Netanyahu, pai do primeiro-ministro israelense.26 Martin Buber escreveu que os judeus fazem do sangue “o estrato mais profundo e potente de [seu] ser”. O judeu percebe “que confluência de sangue o tem produzido... Ele sente nessa imortalidade das gerações uma comunidade de sangue.”27

Paradoxalmente, o culto aos ancestrais no sentido estrito sempre tem sido banido no judaísmo. A proibição remonta à Bíblia.28 É consistente com a negação da imortalidade individual na antropologia bíblica. Essa negação, bem conhecida pelos estudiosos, levou Schopenhauer a escrever: “A verdadeira religião dos judeus, conforme apresentada e ensinada em Gênesis e todos os livros históricos até o final de Crônicas, é a mais grosseira de todas as religiões porque é a única que não tem absolutamente nenhuma doutrina de imortalidade, nem mesmo um traço dela.”29 Mas de outro ponto de vista, a negação da imortalidade individual é vantajosamente compensada pela crença na imortalidade nacional. “Os judeus que têm uma compreensão mais profunda do judaísmo”, escreveu Harry Waton, “sabem que a única imortalidade que existe para o judeu é a imortalidade no povo judeu. Cada judeu continua a viver no povo judeu, e continuará a viver enquanto o povo judeu viver.”30 Assim, Moses Hess protestou contra a tentativa do judaísmo reformado de imitar o conceito cristão da alma individual: “Nada é mais estranho ao espírito do judaísmo do que a ideia da salvação do indivíduo.” Para Hess e muitos sionistas depois dele, a essência do judaísmo, e a fonte da força do povo judeu, é a crença no destino de Israel como um ser coletivo com uma vida e uma alma. Como escrevi em “Israel como um homem”:*2

Um indivíduo tem apenas algumas décadas para cumprir o seu destino, enquanto uma nação tem séculos, até milénios. Jeremias pode assegurar aos exilados da Babilônia que em sete gerações eles retornarão a Jerusalém (“Carta de Jeremias”, em Baruque 6:2). Sete gerações na história de um povo não são diferentes de sete anos na vida de um homem. Enquanto o goy {isto é, o não judeu} espera o seu tempo na escala de um século, o povo eleito vê muito mais longe. A orientação nacional da alma judaica injeta em qualquer projeto coletivo uma força espiritual e uma resistência com as quais nenhuma outra comunidade nacional pode competir.

Isso se aplica ao projeto judaico de destruir Esaú, também conhecido como Roma ou a raça branca. Quem quiser destruir uma raça tem apenas que destruir a piedade filial em uma geração, e essa geração terminará o trabalho de dentro. Isso foi alcançado nos anos 60, mas começou reeducando as crianças alemãs a odiarem seus pais e avós por apoiarem Adolf Hitler. Como eu argumentei em “A desnazificação acabará algum dia?”,*3 quebrar essa maldição é uma grande batalha. Os alemães podem tomar como exemplo Monika Schaefer.*4

Nossos senhores judeus, que sempre acreditaram que “Tudo é raça — não há outra verdade,”31 agora estão nos fazendo lavagem cerebral com o dogma de que raça não existe; e a Igreja Católica, é claro, concorda. Nós estamos completamente desarmados contra o Poder Judaico, mas também contra o impulso invasivo de árabes e africanos altamente clânicos. Ao contrário do cristianismo, o Islã nunca travou guerra contra solidariedades étnicas e clânicas, e o exemplo de Maomé é significativo a esse respeito. No século XIV, o historiador Ibn Khaldoun fez um retrato vívido da cultura de sangue árabe, que “torna as tropas compostas por árabes (do deserto) tão fortes e tão formidáveis; cada lutador tem apenas um pensamento, o de proteger sua tribo e sua família... O dano causado a um de nossos pais, os ultrajes que eles sofrem, parecem-nos tantos ataques a nós mesmos.” Para os árabes, Ibn Khaldoun insiste, a liderança sempre pertence a um clã, nunca a um indivíduo:

Uma família que se fez respeitar e temer pela sua unidade e pelo seu espírito de corpo, e que é constituída por indivíduos pertencentes a uma raça cujo sangue é puro e cuja reputação é intacta, coloca-se por esta irmandade de sentimentos, numa posição muito vantajosa e alcança grande sucesso. Se, juntamente com isto, esta família conta com várias figuras ilustres entre os seus antepassados, exerce ainda mais influência.32

Eu não estou dizendo que ser cristão hoje é prejudicial ao seu senso de parentesco. Não é, obviamente, pois o cristianismo há muito se tornou um reduto do conservadorismo. Mas não há nada na fé cristã que seja inerentemente favorável à solidariedade racial — ou às diferenças de gênero, nesse caso. O Deus cristão, que conhece apenas indivíduos — diferentemente do Deus judeu, que conhece apenas tribos e nações —, será de pouca ajuda nas lutas que virão.

Por outro lado, Darwin também não nos salvará. Os “realistas raciais” darwinianos estão gravemente enganados se pensam que sua teoria pode incutir nas massas o amor por sua raça — ou qualquer tipo de significado para suas vidas. Eu tenho explicado em “Sangue e Alma: Um ensaio em Metagenética”*5 por que considero o darwinismo não apenas uma ciência ultrapassada, mas um desastre cultural. Ser um darwinista consistente significa acreditar que os humanos são seres puramente materiais, montagens aleatórias de moléculas autorreplicantes, evoluídas de bactérias unicelulares por uma série indefinida de acidentes químicos. Além disso, outra “verdade” indiscutível do darwinismo, e sua principal mensagem para as massas, é que nossos ancestrais eram macacos africanos. Como então o paradigma darwinista pode nos ajudar a reconstruir um relacionamento vertical com nossos ancestrais? A veneração dos ancestrais significa falar com seus ancestrais para expressar gratidão e pedir proteção e orientação, mas um darwinista encheu sua mente com a certeza absoluta de que seus ancestrais mortos não têm existência. Assim como o cristianismo não pode ser uma solução para o problema que ele criou, o darwinismo não pode ser uma solução para a mentalidade materialista e individualista que ele contribui muito para amplificar. Eu só posso aqui repetir a profecia de Nietzsche de que, se as ideias de Darwin fossem “impostas às pessoas da maneira louca de sempre por mais uma geração, ninguém precisaria se surpreender se essas pessoas se afogassem em seus pequenos e miseráveis ​​cardumes de egoísmo e se petrificassem em sua busca egoísta”. Note que Nietzsche não condenou a teoria da evolução, apenas sua redução darwiniana a mutações aleatórias. Ele era mais ou menos um vitalista, como Schopenhauer que denunciou a estupidez de reduzir “a Natureza orgânica... a um mero jogo casual de forças químicas”.33

Em conclusão, eu espero ter demonstrado que uma visão geral histórica e antropológica muito básica é suficiente para chegar às conclusões objetivas de que, primeiro, a veneração aos ancestrais foi, e ainda é na Ásia, uma base espiritual vital para as sociedades orgânicas e, segundo, que a destruição da religião ancestral romano-germânica pelo cristianismo agora deixa a raça branca totalmente indefesa na guerra antropológica travada contra ela.

Eu não estou sugerindo que se famílias suficientes convidassem seus ancestrais para almoçar, elas poderiam salvar nossa civilização. A Dança Fantasma não salvou os Sioux em 189034. E em 1854, o chefe Seattle dos Suquamishs adoradores de ancestrais teve que se render, dizendo:

Mais umas poucas luas, mais uns poucos invernos, e nenhum dos descendentes das poderosas hostes que uma vez se moveram sobre esta vasta terra ou viveram em lares felizes, protegidos pelo Grande Espírito, permanecerão para lamentar sobre os túmulos de um povo outrora mais poderoso e esperançoso do que o seu. ... E quando o último Homem Vermelho tiver perecido, e a memória da minha tribo tiver se tornado um mito entre os Homens Brancos, estas praias fervilharão com os mortos invisíveis da minha tribo... O Homem Branco nunca estará sozinho. Que ele seja justo e lide gentilmente com meu povo, pois os mortos não são impotentes. Mortos, eu disse? Não há morte, somente uma mudança de mundos.

Mas eu imagino um quadro do mundo ocidental vindouro como um caos social e moral onde a sobrevivência, a sanidade e a felicidade dependerão da capacidade de construir clãs saudáveis ​​e fortes, o que supõe uma fundação religiosa que sustente a sacralidade do sangue e do parentesco, e a lealdade aos ancestrais — com ou sem cristianismo.

Caso você se pergunte se eu mesmo pratico a veneração dos ancestrais, a resposta é: sim, de alguma forma. Eu gostaria de compartilhar com você como me ver — e meus pais — como membros de uma comunidade de almas em luta, deu à minha vida uma dimensão adicional. Mas essa é uma história muito pessoal. Eu só posso recomendar o experimento.

Tradução e palavras entre chaves por Mykel Alexander

 

Notas:

1 Nota de Laurent Guyénot: William Hearn, The Aryan Household, its Structure and its Development, 1879, páginas 26-29.

2 Nota de Laurent Guyénot: Triin Laidoner, Ancestor Worship and the Elite in Late Iron Age Scandinavia: A Grave Matter, Routledge, 2020.

3 Nota de Laurent Guyénot: Lewis Richard Farnell, Greek Hero Cults and Ideas of Immortality (1921) Adamant Media Co., 2005, página 343. Outra importante obra clássica sobre o assunto é Erwin Rohde, Psyche: The Cult of Souls and the Belief in Immortality among the Greeks, 1925.

4 Nota de Laurent Guyénot: Martin P. Nilsson, Greek Popular Religion, Columbia UP, 1940. Nilsson mostra que os heróis eram os sujeitos das histórias de fantasmas, como outros mortos. Mais recentemente, Carla Antonaccio, em An Archaeology of Ancestors: Tomb Cult and Hero Cult in Early Greece (Rowman and Littlefield, 1995), mostrou que na época em que os Evangelhos foram escritos, a Grécia estava “saturada de heróis” (página 1).

5 Nota de Laurent Guyénot: Jan Assmann, Mort et Au-delà dans l’Égypte ancienne, Rocher, 2003.

6 Nota de Laurent Guyénot:  Pierre Deffontaines, Géographie et religions, Gallimard, 1948.

7 Nota de Laurent Guyénot: Hans Belting, Pour une anthropologie des images, Gallimard, 2004.

8 Nota de Laurent Guyénot: Frands Herschend, “Material Metaphors – some Late Iron Age and Viking Examples,” em Margaret Clunies Ross, ed., Old Norse Myths, Literature and Society, University Press of Southern Denmark, 2003, páginas 40-65.

9 Nota de Laurent Guyénot: Máscaras mortuárias eram usadas para fazer os mortos falarem, como ainda foi relatado sobre os funerais de César por Apiano de Alexandria (2.146-147).

#1 Nota de Mykel Alexander: Para as passagens bíblicas deste artigo será usada a versão traduzida publicada como Bíblia de Jerusalém (1ª edição, 2002, 12ª reimpressão, 2017, Paulus, São Paulo), da École biblique de Jérusalem (Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém), a qual é vertida diretamente do hebraico, do aramaico e do grego para o português, de modo que nos textos do Antigo Testamento a divindade judaica é traduzida como Yahweh, mas, por fins didáticos, usarei a forma simplificada de Jeová. É preciso registrar que, ao menos a edição em português, a tradução da Bíblia de Jerusalém atenua muito através da escrita o impacto da violência, crueldade e agressividade o teor das passagens bíblicas, especialmente as do Antigo Testamento

10 Nota de Laurent Guyénot: A expressão é de Jan Assmann, Of God and Gods: Egypt, Israel, and the Rise of Monotheism, University of Wisconsin Press, 2008.

11 Nota de Laurent Guyénot: Teodósio nasceu e cresceu na Hispania Carthaginensis, onde seu pai (que morreu em Cártago) era um poderosos senhor de terras. Fenícios ibéricos são prováveis ancestraos dos judeus sefarditas.

12 Nota de Laurent Guyénot:  Michel Lauwers, La Mémoire des ancêtres. Le souci des morts. Morts, rites et société au Moyen Âge (Diocèse de Liège, XIe-XIIIe siècles), Beauchesne, 1997, página 79.

13 Nota de Laurent Guyénot: Dominique Iogna-Prat, Ordonner et exclure. Cluny et la société chrétienne face à l’hérésie, au judaïsme et à l’islam, 1000-1150, Aubier, 1998.

14 Nota de Laurent Guyénot: Peter Brown, The Cult of the Saints: Its Rise and Function in Latin Christianity, University of Chicago Press, 1981

15 Nota de Laurent Guyénot: Laurent Guyénot, La Mort féerique. Anthropologie du merveilleux (XIIe – XVe siècle), Gallimard, 2011.

16 Nota de Laurent Guyénot: Philippe Ariès, L’Homme devant la mort, tome 1: Le Temps des gisants, Seuil, 1977.

17 Nota de Laurent Guyénot: Esta é uma radicalização de Mateus 10:37: “Ninguém que prefira filho ou filha à mim é digno de mim.”

18 Nota de Laurent Guyénot:  Louis Dumont, Essays on Individualism: Modern Ideology in Anthropo­logical Perspective, University of Chicago Press, 1992, páginas 23-59.

19 Nota de Laurent Guyénot: Edward Gibbon, The History of the Decline and Fall of the Roman Empire, vol. I, capítulo XV, parte 5, em:

https://ccel.org/ccel/gibbon/decline/decline.iii.xlviii.html

20 Nota de Laurent Guyénot: Bernadette Filotas, Pagan Survivals: Superstitions and Popular Cultures in Early Medieval Pastoral Literature, Toronto, Pontifical Institute of Mediaeval Studies, 2005.

21 Nota de Laurent Guyénot: James C. Russel, The Germanization of Early Medieval Christianity: a Sociohistoric Approach to Religious Transformation, Oxford University Press, 1994, página vi.

22 Nota de Laurent Guyénot:  Bonnie Effros, Merovingian Mortuary Archaeology and the Making of the Early Middle Ages, University of California Press, 2003.

23 Nota de Laurent Guyénot: Apesar do que Peter Brown afirmou em The Cult of the Saints, muitos santos locais na Europa eram heróis ou divindades pré-cristãs com uma nova biografia.

24 Nota de Laurent Guyénot: Esta seção sobre o Vaticano II extrai de Patrick Buisson, La Fin d’un monde, Albin Michel, 2001. Buisson escreve, página 228: “a escolha da Igreja em favor de uma luta implacável contra as superstições acabou fomentando a descristianização ao desencarnar a vida religiosa, ao privá-la daquilo que a tornava uma expressão do sensível e do sentimental — uma persistência de estruturas mentais arcaicas.”

*1 Fonte utilizada por Laurent Guyénot: Pizzagate, 02 de dezembro de 2016, The Unz Review – An Alternative Media Selection.

https://www.unz.com/article/pizzagate/

25 Nota de Laurent Guyénot: Kevin MacDonald, A People That Shall Dwell Alone: Judaism as a Group Evolutionary Strategy, Praeger, 1994, kindle 2013, e. 2557-58.

26 Nota de Laurent Guyénot: Benzion Netanyahu, The Founding Fathers of Zionism (1938)Balfour Books, 2012, kindle ed, e. 2203–7.

27 Nota de Laurent Guyénot: citado por Brendon Sanderson in his review of Geoffrey Cantor and Mark Swetlitz’s Jewish Tradition and the Challenge of Darwinism, em:

https://www.theoccidentalobserver.net/2019/08/25/review-jewish-tradition-and-the-challenge-of-darwinism/

28 Nota de Laurent Guyénot: Deuteronômio proíbe a atividade de “presságio, oráculo, advinhação ou magis, ou que pratique encantamentos, que interrogue espíritos ou advinhos, ou ainda que invoque os mortos; pois quem pratica essas coisas é abominável a Jeová {…}” (18:10-12). Levítico confirma: “Não vos voltareis para os necromantes nem consultareis os advinhos, pois lhes vos contaminariam. Eu sou Jeová vosso Deus.” (19:31). Quem quebrar essa regra deve ser morto (20:6-7 e 27). Isaías condena aqueles que consultam “os espíritos e os adbinhos, cochichadores e balbuciadores” ou “os mortos em favor dos vivos” (8:19). Jeová castiga seu povo que lhe “provoca de frente sem cessar, sacrificando nos jardins, queimando incenso sobre lajes, que habita nos sepulcros, passando a noite mps escanhinhos {…} (65:3-4). Leia Susan Niditch, Ancient Israelite Religion, Oxford University Press, 1997.

29 Nota de Laurent Guyénot: Arthur Schopenhauer, Parerga and Paralipomena (1851), Oxford UP, 1974, vol. 1, páginas 125-126. Ele repetiu, no vol. 2, página 301: “E assim, a este respeito, nós vemos a religião dos judeus ocupar o lugar mais baixo entre os dogmas do mundo civilizado, o que está totalmente de acordo com o fato de que é também a única religião que não tem absolutamente nenhuma doutrina de imortalidade, nem mesmo tem qualquer traço dela.”

30 Nota de Laurent Guyénot: Harry Waton, A Program for the Jews and an Answer to All Anti-Semites: A Program for Humanity, 1939 (archive.org), página 133.

*2 Fonte utilizada por Laurent Guyénot: Israel como Um Homem: Uma Teoria do Poder Judaico - parte 1, por Laurent Guyénot, 28 de dezembro de 2023, World Traditional Front. (Demais partes na sequência do próprio artigo).

https://worldtraditionalfront.blogspot.com/2023/12/israel-como-um-homem-uma-teoria-do.html

*3 Fonte utilizada por Laurent Guyénot: Will the Denazification Ever End? - Not until the “Vernichtung” of the Whites, por Laurent Guyénot, 06 de setembro de 2020, The Unz Review – An Alternative Media Selection.

https://www.unz.com/article/will-the-denazification-ever-end/

*4 Fonte utilizada por Laurent Guyénot:

https://www.dailymotion.com/video/x5kf5wo

31 Nota de Laurent Guyénot: Sidonia, o alter ego de Disraeli, em Coningsby (1844).

32 Nota de Laurent Guyénot: Ibn Khaldoun, Les Prolégomènes, traduits en français et commentés par William MacGuckin, 1863, part I, páginas 281-283, leia em:

 http://classiques.uqac.ca/classiques/Ibn_Khaldoun/Ibn_Khaldoun.html

*5 Fonte utilizada por Laurent Guyénot: Blood and Soul - An Essay in Metagenetics, por Laurent Guyénot, 27 de março de 2021, The Unz Review – An Alternative Media Selection.

https://www.unz.com/article/blood-and-soul/

33 Nota de Laurent Guyénot: As citações completas estão no meu artigo “Sangue e Alma: Um ensaio em Metagenética”.

https://www.unz.com/article/blood-and-soul/

34 Nota de Laurent Guyénot: Interessantemente, o antropólogo Weston La Barre usou a Dança Fantasma como símbolo da teoria de que o relacionamento com os ancestrais mortos é a base das sociedades tradicionais (The Ghost Dance: The Origins of Religion, 1970).

Fonte: Bring Out Your Dead ...Back on the Family Altar, por Laurent Guyénot, 22 de outubro de 2021, The Unz Review – An Alternative Media Selection.

https://www.unz.com/article/bring-out-your-dead/

Sobre o autor: Laurent Guyénot (1960-) possuí mestrado em Estudos Bíblicos e trabalho em antropologia e história das religiões, tendo ainda o título de medievalista (PhD em Estudos Medievais em Paris IV-Sorbonne, 2009) e de engenheiro (Escola Nacional de Tecnologia Avançada, 1982).

Entre seus livros estão:

LE ROI SANS PROPHETE. L'enquête historique sur la relation entre Jésus et Jean-Baptiste, Exergue, 1996.

Jésus et Jean Baptiste: Enquête historique sur une rencontre légendaire, Imago Exergue, 1998.

Le livre noir de l'industrie rose – de la pornographie à la criminalité sexuelle, IMAGO, 2000.

Les avatars de la réincarnation: une histoire de la transmigration, des croyances primitives au paradigme moderne, Exergue, 2000.

Lumieres nouvelles sur la reincarnation, Exergue, 2003.

La Lance qui saigne: Métatextes et hypertextes du Conte du Graal de Chrétien de Troyes, Honoré Champion, 2010.

La mort féerique: Anthropologie du merveilleux (XIIᵉ-XVᵉ siècle), Gallimard, 2011.

JFK 11 Septembre: 50 ans de manipulations, Blanche, 2014.

Du Yahvisme au sionisme. Dieu jaloux, peuple élu, terre promise: 2500 ans de manipulations, Kontre Kulture, Kontre Kulture, 2016. Tem edição em inglês: From Yahweh to Zion: Jealous God, Chosen People, Promised Land...Clash of Civilizations, Sifting and Winnowing Books, 2018.

Petit livre de - 150 idées pour se débarrasser des cons, Le petit livre, 2019.

“Our God is Your God Too, But He Has Chosen Us”: Essays on Jewish Power, AFNIL, 2020.

Anno Domini: A Short History of the First Millennium AD, 2023.

 __________________________________________________________________________________

Relacionado, leia também sobre a questão judaica, cristianismo e a tradição europeia ver:

Êxodo recorrente: Identidade judaica e Formação da História - Por Andrew Joyce, Ph.D., {academic auctor pseudonym}

O truque do diabo: desmascarando o Deus de Israel - Por Laurent Guyénot - parte 1

Jesus o judeu - por Thomas Dalton Ph.D. {academic auctor pseudonym}

O Gancho Sagrado - O Cavalo de Tróia de Jeová na Cidade dos Gentios {os não-judeus} - por Laurent Guyénot - parte 1 (demais duas partes na sequência do próprio artigo)

O Império Falido - A origem medieval da desunião europeia - parte 1 - por Laurent Guyénot (demais duas partes na sequência do próprio artigo)

Sangue diluído {pelo cristianismo em geral, e pelo papado medieval em especial} - por Laurent Guyénot

A Sabedoria dos Antigos: Cidades-Estado Gregas como Estados-étnicos - Por Guillaume Durocher {academic auctor pseudonym}

Biopolítica, racialismo, e nacionalismo na Grécia Antiga: Uma visão sumária - Por Guillaume Durocher {academic auctor pseudonym}

O mundo dos indo-europeus - Por Alain de Benoist

O Solstício de Inverno: Símbolo da antiguidade da civilização europeia – por David Duke

Monoteísmo x Politeísmo – por Tomislav Sunić

Politeísmo e Monoteísmo - Por Mykel Alexander

Israel vs. Direito Internacional: Quem vencerá? - por Laurent Guyénot

O Evangelho de Gaza - O que devemos aprender com as lições bíblicas de Netanyahu - por Laurent Guyénot

A Psicopatia Bíblica de Israel - por Laurent Guyénot

Israel como Um Homem: Uma Teoria do Poder Judaico - parte 1 - por Laurent Guyénot (Demais partes na sequência do próprio artigo)

 O peso da tradição: por que o judaísmo não é como outras religiões - por Mark Weber

Sionismo, Cripto-Judaísmo e a farsa bíblica - parte 1 - por Laurent Guyénot (as demais partes na sequência do próprio artigo)