sexta-feira, 4 de maio de 2018

Oswald Spengler: Uma introdução para sua Vida e Idéias - por Keith Stimely


Institute for Historical Review

Relembrando Oswald Spengler  (29 de maio de 1880 – 8 de maio de 1936)


Keith Stimely
            Oswald Spengler nasceu em Blankenburg (Harz) na Alemanha central em 1880, o mais velho dos quatro filhos, e único menino. O lado materno de sua família era inteiramente inclinado artisticamente. Seu pai, que tinha originalmente sido um técnico de mineração e veio de uma longa linhagem de mineradores, foi um oficial da burocracia postal alemã, e providenciou a sua família um simples, mas confortável lar de classe média.
           
            O jovem Oswald nunca usufruiu o melhor da saúde, e sofreu de dores de cabeça e enxaquecas que foram atormentá-lo durante toda sua vida. Ele também tinha um complexo de ansiedade, embora ele não estava sem pensamentos grandiosos – o qual por causa de sua frágil constituição tinha de ser atendido apenas em devaneios. 

            Quando ele tinha dez anos a família moveu-se para a cidade universitária de Halle. Aqui Spengler recebeu uma educação ginasial clássica, estudando grego, latim, matemática e ciências naturais. Aqui também ele desenvolveu sua forte afinidade para as artes – especialmente poesia, drama e música. Ele envolveu-se em algumas criações artísticas na juventude, umas poucas as quais têm sobrevivido – elas são indicativos de um tremendo entusiasmo, mas não muito mais. Nesta época ele adentrou-se na influência de Goethe e Nietzsche, duas figuras cuja importância para Spengler o jovem e o homem não podem ser superestimadas.

            Após a morte de seu pai em 1901, Spengler, então com 21 anos, entrou na Universidade de Munique. De acordo com o costume do estudante germânico de então, depois de um ano ele avançou para outras universidades, primeiro Berlim e então Halle. Seus principais percursos de estudo foram nas culturas clássicas, matemática, e ciências físicas. Sua educação universitária foi financiada e, grande parte pela herança de uma falecida tia.

            Sua dissertação de doutorado em Halle foi sobre Heráclito, o “filósofo obscuro” da antiga Grécia cuja mais memorável linha era “Guerra é o Pai de todas as coisas”. Ele falhou em passar em seu primeiro exame por causa de “insuficientes referências” – uma característica de todos seus posteriores escritos que alguns críticos assumiram grande deleite em apontar. Todavia, ele passou num segundo exame em 1904, e então colocou-se a escrever a dissertação secundária necessária para qualificar-se como um professor escolar universitário. Isto veio a ser o Desenvolvimento do Órgão de Visão nos reinos superiores do Reino Animal. Ele foi aprovado, e Spengler recebeu seu certificado de professor.
           
            Seu primeiro posto foi na escola em Saarbrücken. Então ele moveu-se para Düsseldorf e, finalmente, Hamburgo. Ele ensinou matemática, ciências físicas, história, e literatura germânica, e por todos os relatos foi um bom e consciente instrutor. Mas seu coração não estava realmente nisso, e quando em 1911 a oportunidade apresentou-se a ele para ir “por seu próprio caminho” (sua mãe tinha morrido e deixou a ele uma herança que garantiu a ele um meio de independência financeira), ele pegou-a. E deixou a profissão de instrutor por uma boa causa. 

Explicação histórica para as atuais tendências
  
            Ele estabeleceu-se em Munique, para viver a vida de um independente erudito/filósofo. Ele começou escrevendo um livro de observações das políticas contemporâneas cujas ideias tinham preocupado-o por algum tempo. Originalmente para ser intitulado Conservador e Liberal, o livro foi planejado como uma exposição e explicação das atuais inclinações na Europa – uma acelerada corrida armamentista, o “elgolfamento” da Alemanha pela Entente, uma sucessão da crise internacional, aumento da polaridade das nações – e onde elas foram levadas. Todavia no fim de 1911 ele foi subitamente atingido pela noção que os eventos de então poderiam somente ser interpretados em termos “globais” e “cultural-total”. Ele viu a Europa como marchando para o suicídio, o primeiro passo frente ao falecimento final da cultura europeia no mundo e na história.

Oswald Spengler - foto do site Fine Art America


            A Grande Guerra de 1914 – 1918 somente confirmou em sua mente a validade das teses já desenvolvidas. Seu trabalho planejado manteve-se em amplo escopo, muito além dos limites originais.

            Spengler tinha vinculado a maioria de seu dinheiro em investimentos estrangeiros, mas a guerra tinha invalidado eles, e ele foi forçado a viver os anos da guerra em genuína pobreza. Apesar de tudo ele manteve-se em seu trabalho, frequentemente escrevendo a luz de vela, e em 1917 estava pronto para publicar. Ele encontrou grandes dificuldades em encontrar uma publicadora, parcialmente por causa da natureza do trabalho, e em parte por causa das condições caóticas prevalecentes naquele tempo. Todavia, no verão de 1918, coincidentemente com o colapso alemão, finalmente apareceu o primeiro volume de Declínio do Ocidente, subintitulado Forma e Atualidade.


Sucesso de publicação

            Nenhuma surpresa por parte de ambos Spengler e sua publicadora, o livro foi um imediato e sem precedente sucesso. Ele oferecia uma explicação racional para o grande desastre europeu, explanando ele como parte de um inevitável processo histórico. Leitores alemães especialmente acolheram isso de coração, mas o trabalho logo provou-se popular através da Europa e foi rapidamente traduzido em outras línguas.

            Historiadores profissionais, todavia, ficaram com grande ressentimento deste pretencioso trabalho de um amador (Spengler não era um historiador treinado), e o criticismo deles – particularmente dos numerosos erros de fato e da única e não apolegética “não-científica” aproximação do autor – preencheram muitas páginas. É mais fácil agora que era então descartar esta linha de rejeição-criticismo. De qualquer maneira, com vista para a validade de seu postulado do rápido declínio do Ocidente, a necessidade contemporânea spengleriana necessitava somente dizer para esses críticos: Olhe ao redor de vocês. O que vocês veem?

            Em 1922 Spengler emitiu uma edição revisada do primeiro volume contendo correções menores e revisões, e um ano após viu o aparecimento do segundo volume, subintitulado Perspectivas da História Mundial. Ele posteriormente permaneceu satisfeito com o trabalho e todos seus posteriores trabalhos e pronunciamentos são somente ampliações sobre o tema que ele estabeleceu em Declínio do Ocidente.


Uma aproximação direta

            A ideia básica e componentes essenciais de Declínio do Ocidente não foram difíceis de compreender ou delinear. (De fato, é a grande simplicidade do trabalho que foi demasiada para seus críticos profissionais). Primeiro, porém, uma adequada compreensão requer um reconhecimento da especial abordagem da história por Spengler. Ele mesmo chama isso a abordagem “fisiognomonista[1]” – procurar as coisas diretamente na face ou no coração, intuitivamente, mais que estritamente cientificamente. Também frequentemente o real significado das coisas é obscurecido por uma máscara de “fatos” cientificamente mecânicos. Portanto a cegueira dos historiadores profissionais de “tipo científico”, cuja grande carência de imaginação veem somente o visível.
           
            Utilizando sua abordagem fisiognomonista, Spengler era confiante de sua habilidade para decifrar os enigmas da história – mesmo, enquanto ele afirma em Declínio a primeira sentença, para predeterminar a história.

            A seguir estão seus postulados básicos:

            1. A visão “linear” da história deve ser rejeitada, em favor da visão cíclica. A história até agora, especialmente a história ocidental, tem sido vista como uma progressão “linear” do baixo para o alto, como degraus numa escada – uma ilimitada evolução vertical. A história ocidental é assim vista como um desenvolvimento progressivo: Grécia →  Roma →  Medieval → Renascimento → Moderno, ou Antigo → Medieval → Moderno. Este conceito, Spengler insistiu é somente produto do ego do homem Ocidental – como se tudo no passado apontasse para ele, existiu de modo que ele pudesse existir como uma ainda mais perfeita forma.

            Este “esquema insípido e sem significado” pode ser substituído por um esquema, agora discernível, o de uma vantajosa visão de anos e de um maior e mais fundamental conhecimento do passado: a noção da história como movendo-se em ciclos definidos, observáveis, e – exceto em situações menores – não relacionados.


'Altas Culturas'

            2. Os movimentos cíclicos da história não são aqueles das meras nações, estados, raças, ou mesmo eventos, mas das Altas Culturas. A história registrada nos dá oito de tais “altas culturas”: a indiana, a babilônica, a egípcia, a chinesa, a mexicana (maia e asteca), a árabe (ou “mágica”), a clássica (Grécia e Roma), e a europeia-ocidental.

            Cada cultura tem como marca distinta um “símbolo primário”. O símbolo egípcio, por exemplo, foi o “Caminho” ou “Trilha”, a qual pode ser vista na preocupação dos antigos egípcios – na religião, arte e arquitetura (as pirâmides) – com as sequenciais passagens da alma. O símbolo primário da cultura clássica foi a preocupação com o “momento – presente”, que é, a fascinação com o próximo, o pequeno, o “espaço” de imediata e lógica visibilidade: nota-se aqui a geometria euclidiana[2], os estilos bi-dimensional de pintura clássica e escultura em relevo (você nunca irá ver o ponto de fuga no fundo, isto é, onde há cenário em tudo), e especialmente: a carência de expressão facial dos bustos e estátuas gregas, significando nada atrás ou além do que a expressão de vislumbre.

            O símbolo primário da cultura ocidental é a “Alma Faustiana” (da história do Doutor Fausto), simbolizando o alcance vertical para nada menos que o “Infinito”. Isto é basicamente um trágico símbolo, porque ela busca o que ela mesma sabe que é inalcançável. Isso é exemplificado, por exemplo, pela arquitetura Gótica (especialmente o interior das catedrais góticas, com suas linhas verticais e parecendo alturas sem um teto).

            O “símbolo primário” atua em tudo numa cultura, manifestando-se ele mesmo na arte, ciência, técnica e politica. Cada símbolo-alma de uma cultura expressa-se ele próprio especialmente na arte, e cada cultura tem uma forma de arte que é mais representativa de seu próprio símbolo. Na clássica, eles foram a escultura e drama. Na cultura ocidental, depois da arquitetura na era gótica, a grande forma representativa foi a música – na verdade a mais que perfeita expressão da alma faustiana, transcendendo como ela faz os limites da visão para o “ilimitado” mundo do som.

           
Desenvolvimento 'orgânico'

            3. As altas culturas são coisas “vivas” – orgânica na natureza – e podem passar através dos estágios de nascimento – desenvolvimento – plenitude – declínio – morte. Daqui uma “morfologia” da história. Todas as anteriores culturas têm passado através destes distintos estágios, e a cultura ocidental não pode ser uma exceção. De fato, seu presente estágio no processo de desenvolvimento orgânico pode ser localizado.

            A destacada marca d'agua[3] de uma Alta Cultura é a fase de plenitude – chamada a fase da “cultura”. O início do declínio e decadência numa Cultura é o ponto de transição entre a fase da “cultura” e a fase da “civilização” que inevitavelmente sucede.

            A fase de “civilização” testemunha drásticas reviravoltas sociais, movimentos de massas das pessoas, guerras contínuas e crises constantes. Tudo isto toma lugar junto com o crescimento das grandes “megalópolis” – gigantescos centros urbanos e suburbanos que minam a alma, força, intelecto e vitalidade das regiões adjacentes. Os habitantes destes conglomerados urbanos – agora o grosso da população – são massas materialistas sem raízes, sem almas e sem deus, que amam nada mais que pão e circo. Destes procedem os sub-humanos “selvagens-urbanos” – os atores protagonistas de uma cultura que está morrendo.

            Com a fase da civilização vem a domínio do dinheiro e de suas ferramentas gêmeas, a Democracia e a Imprensa. Dinheiro manda sobre o caos, e somente o Dinheiro tira proveito disso. Mas os verdadeiros portadores da cultura – os homens cujas almas estão ainda junto com a Alma da Cultura – estão indignados e repelidos pelo poder do Dinheiro e dos “selvagens-urbanos” abaixo deste último, e atuam para quebrar este poder, conforme são compelidos a fazer isso – e conforme a Alma da Cultura de Massas compele finalmente o fim da ditadura do dinheiro. Assim a fase da civilização conclui com a Era do Cesarismo[4], na qual grande poder vem nas mãos de um grande homem, ajudado pelo caos do recém morto Poder do Dinheiro. O advento dos Césares traz a marca do retorno da Autoridade e do Dever, da Honra e “Sangue”, e o fim da democracia.

            Com isto chega o estágio “imperialista” da civilização, na qual os Césares com seus bandos de seguidores enfrentam uns aos outros pelo controle da terra. As grandes massas ficam sem compreender e indiferentes; a megalópolis lentamente começa a se despovoar, e as massas gradualmente “retornam para a terra”, ocupando-se então elas mesmas com as mesmas tarefas que seus ancestrais fizeram séculos antes. O tumulto dos eventos continua acima de suas cabeças. Agora, em meio a todo o caos dos tempos de então, ocorre a vinda de uma “segunda religiosidade”; um longo retorno dos velhos símbolos da fé da cultura. Fortificada assim, as massas num tipo de contentamento resignado, enterram suas almas e seus esforços no solo do qual eles e a cultura deles surgiu, e contra este antecedente a morte da Cultura e a civilização que ela criou é jogada fora.


Predizíveis ciclos de vida.
  
            Cada período de vida de uma Cultura pode ser visto durar aproximadamente mil anos: O clássico existiu de 900 a.C até 100 d.C; o árabe (hebráico-semítico / cristã-islâmica) de 100 a.C até 900 d.C; o ocidental de 1000 d.C até 2000 d.C. Todavia, este período é o ideal, no sentido que um período ideal de vida do homem é de 70 anos, embora ele possa nunca alcançar esta idade, ou possa viver muito além dela. A morte de uma Cultura pode de fato ser desenvolvida por além de centenas de anos, ou ela pode ocorrer instantaneamente por causa de forças externas – como no caso do súbito final da cultura mexicana.
           
            Também, embora cada cultura tenha sua Alma única e é em essência uma entidade especial e separada, o desenvolvimento do ciclo de vida é paralelo em todos eles: Para cada fase do ciclo em dada cultura, e para todos grandes eventos afetando elas naturalmente, existe uma contraparte na história de cada outra cultura. Assim, Napoleão, quem inaugurou a fase do Ocidente, encontra sua contraparte em Alexandre da Macedônia, que fez o mesmo pelo período clássico. Por isso a “contemporaneidade” de todas as altas culturas.

            No mais simples esboço estes são os essenciais componentes da teoria de ciclos-culturais históricos. Em umas poucas sentenças pode ser assim resumida: 
A história humana é o registro cíclico da ascensão e queda de independentes Altas Culturas. Estas culturas são na realidade superformas de vida, isto é, elas são orgânicas na natureza, e como todos organismos devem passar através das fases de nascimento – vida – morte. Embora entidades separadas em si mesmas, todas Altas Culturas experimentam desenvolvimento paralelo, e eventos e fases em qualquer uma encontra seus eventos e fases correspondentes nas outras culturas. E é possível do ponto de vista do século vinte colher do passado o significado da história cíclica, e assim predizer o declínio e queda do Ocidente. 
            Desnecessário dizer, que tal teoria – embora anunciada precursoramente no trabalho de
Giambattista Vico[5] e no do russo Nikolai Danilevsky[6] no século XIX, bem como em Nietzsche – estava destinada a abalar as fundações do mundo intelectual e semi-intelectual. Fê-lo em pouco tempo, parcialmente devido ao momento afortunadamente apropriado, e em parte devido ao brilho (embora não sem falhas) com o qual Spengler apresentou tal teoria[7].


Estilo Polêmico

            Existem livros mais fáceis de ler que Declínio – existem também mais difíceis – mas uma grande razão para sua aparição como um sucesso popular sem precedentes (para tal tipo de trabalho) foi a mesma razão da sua rejeição pela crítica instruída: o estilo. Desprezando o tipo de “erudição” que exigiram somente cuidadas e judiciosas afirmações – todas embasadas por notas de rodapé – Spengler deu livre passagem para suas opiniões e julgamentos. Muitas passagens são no estilo de uma polêmica, da qual nenhuma discordância pode ser tolerada.

            Para ser exato, os dois volumes de Declínio, não importa o estilo opinativo e metodologia incomum, são essencialmente uma justificação das ideias apresentadas, retiradas da história das diferentes Altas Culturas. Ele utilizou o método comparativo o qual, naturalmente, é apropriado se de fato todas as fases de uma Alta Cultura são contemporâneas com suas respectivas fases em qualquer outra cultura. Nenhum homem possivelmente poderia ter um igualmente compreensivo conhecimento de todas as culturas pesquisadas, portanto, o tratamento de Spengler é desigual, e ele gasta relativamente pouco tempo nas culturas mexicana, indiana, egípcia, babilônica, e chinesa – concentrando-se na árabe, clássica e ocidental, especialmente estas últimas duas. A mais valiosa porção do trabalho, como mesmo seus críticos reconhecem, é sua delineação do desenvolvimento paralelo das culturas clássica e ocidental.

            O vasto conhecimento de Spengler nas artes permitiu ele colocar erudita ênfase na importância delas no simbolismo e significado interno de uma cultura, e as passagens nas formas de arte são geralmente consideradas como estando entre as mais provocantes. Também de levantar as sobrancelhas é um capítulo (o primeiro, após a introdução) sobre “O Significado dos Números”, no qual ele asseverou que mesmo matemáticos – supostamente o mais autorizado “universalmente” campo de conhecimento – tem um diferente significado em diferentes culturas: números são relativos para as pessoas que usam eles.

            “A Verdade” é também relativa, e Spengler admitiu que o que era verdadeiro para ele pode não ser para outro – mesmo outro totalmente da mesma cultura e era. Assim o maior avanço de Spengler pode talvez ser sua postulação da não universalidade das coisas, a “diferença” ou distinção de diferentes povos e culturas (a despeito de seu destino final comum) – uma ideia que está começando a ganhar espaço no Ocidente moderno, a qual começou neste século[8] supremamente confiante da sabedoria e possibilidade de fazer o mundo ao redor à sua imagem.


Idade dos Césares

            Mas foi sua colocação do atual Ocidente em seu esquema histórico que levantou o maior interesse e a maior polêmica. Spengler, conforme o título que seu trabalho sugere, viu o Ocidente como condenado para a mesma eventual extinção que todas as outras Altas Culturas tinham enfrentado. O Ocidente, ele disse, estava agora no meio de sua fase de “civilização”, a qual tinha começado a grosso modo, com Napoleão. A vinda dos Césares (o qual Napoleão foi somente um prenúncio) estava, talvez, somente a décadas de distância. Ainda Spengler não aconselhou qualquer tipo de tipo de suspiro e resignação ao destino, ou a aceitação satisfatória da derrota vindoura e morte. Num ensaio posterior, Pessimismo? (1922), ele escreveu que o homem do Ocidente deve ainda ser homem, e diz que todos eles podem imaginar as imensas possibilidades ainda abertas para eles. Acima de tudo, eles devem abraçar um imperativo absoluto: A destruição do Dinheiro e democracia, especialmente no campo das políticas, esse grande e todo abrangente campo de atuação.

           
Socialismo 'Prussiano'

            Depois da publicação do primeiro volume de Declínio, os pensamentos de Spengler viraram cada vez mais para a política contemporânea na Alemanha. Depois de experimentar a revolução bávara e a decorrente República Soviética Bávara, de curta duração, ele escreveu um sintético volume intitulado Prussianismo e Socialismo. Seu tema era um trágico mal entendimento dos conceitos ali tratados: Conservadores e socialistas, ao invés de manterem-se em embate, deveriam unirem-se sob a bandeira de um verdadeiro socialismo. Isto não era a abominação marxista-materialista disse ele, mas essencialmente a mesma coisa que o Prussianismo: um socialismo da comunidade germânica, baseada em seu único trabalho ético, disciplina e hierarquia orgânica, ao invés de “Dinheiro”. Este socialismo “prussiano” ele contrastou agudamente com ambas ética do capitalismo da Inglaterra e o “socialismo” de Marx (!), cujas teorias chegaram ao “capitalismo para o proletariado”.
           
            Em suas propostas de estado corporativo Spengler antecipou os fascistas, embora ele nunca foi um, e seu “socialismo” era essencialmente aquele dos Nacionalsocialistas (mas sem o racialismo cultural popular). Sua avaliação inicial de uma corporação para a qual o Estado teria controle direcional mas não a propriedade ou responsabilidade direta sobre vários segmentos da economia soaram muito parecidos com a posterior revisão favorável da economia Nacional Socialista feita por Werner Sombart[9] no livro que este escreveu chamado Uma Nova Filosofia Social [Princeton Univ. Press, 1937; original em alemão como Deutscher Sozialismus (1934)].

            Prussianismo e Socialismo não encontrou com uma reação favorável dos críticos ou do público – embora o público tinha sido, à princípio, interessadíssimo em aprender as visões de Spengler. A mensagem do livro foi considerada “visionária” e excêntrica – e também cortou através de muitas linhas partidárias. Os anos de 1920 – 23 viram Spengler recuar numa preocupação com a revisão do primeiro volume de Declínio do Ocidente, e a conclusão do segundo volume. Ele ocasionalmente deu palestras, e escreveu alguns ensaios, somente uns poucos dos quais têm sobrevivido.


Envolvimento Político

            Em 1924, seguindo o irrompimento social-econômico da terrível inflação, Spengler entrou na briga política num esforço para trazer o general do Reichswehr[10] Hans von Seekt para o poder como um líder do país. Mas o esforço veio a ser totalmente ineficaz. Spengler provou-se totalmente inefetivo em política prática. Foi a velha história do pretenso “rei-filósofo”, que era mais filósofo que rei (ou fazedor de reis).

            Depois de 1925, no início do muito breve período de tranquilidade no início da República de Weimar, Spengler devotou a maioria de seu tempo para suas pesquisas e escritos. Ele estava particularmente preocupado que ele tinha deixado uma importante lacuna em seu grande trabalho – o da pré-história do homem. Em Declínio do Ocidente ele tinha escrito que o homem pré-histórico foi basicamente sem uma história, mas ele reviu sua opinião. Seu trabalho no assunto foi somente fragmentário, mas 30 anos depois de sua morte uma compilação foi publicada sob o título de Período Inicial da História do Mundo.
                                                                       
            Sua principal tarefa como ele via-a, todavia, foi um grande e todo englobado trabalho em sua metafísica – do qual Declínio do Ocidente tinha somente dado insinuações. Ele nunca finalizou isto, embora Questões Fundamentais, sua principal coleção de aforismos no assunto, foi publicado em 1965.

            Em 1931 ele publicou o Homem e a Técnica, um livro que refletiu sua fascinação com o desenvolvimento e utilização, passada e futura, da técnica. O desenvolvimento da avançada tecnologia é único no Ocidente, e ele predisse onde isso iria chegar. Homem e a Técnica é um trabalho racialista, embora não no sentido “germânico” estreito. Mais ainda ele adverte o europeu ou as raças brancas do perigo e pressão das raças exteriores de outras cores. Ele predisse um tempo quando os povos de cor da terra iriam utilizar a tecnologia do Ocidente para destruir o Ocidente.


Reservas sobre Hitler

            Existe muito no pensamento de Spengler que permite-se caracterizar ele como um tipo de “proto-nazi”: Sua chamada para o retorno da Autoridade, seu ódio da “decadente” democracia, sua exaltação do espírito do “Prussianismo,” sua ideia da guerra como essencial para a vida. Todavia, ele nunca juntou-se ao partido Nacionalsocialista, a despeito das repetidas solicitações de luminares Nacionalsocialistas como Gregor Strasser[11] e Ernst Hanfstängl[12]. Ele via os Nacional Socialistas como imaturos, fascinados com bandas de marcha e slogans patrióticos, brincando com o brinquedo do poder, mas sem perceber a significância filosófica e novos imperativos da época. De Hitler ele teria supostamente dito que a Alemanha necessitava de um herói, não um tenor heroico. Ainda, ele votou em Hitler contra Hindenburg[13] na eleição de 1932. Ele encontrou Hitler em pessoa somente uma vez, em julho de 1933, mas Spengler saiu indiferente da longa discussão deles.

            Suas visões sobre os Nacionalsocialistas e a direção que a Alemanha deveria adequadamente tomar veio à tona no final de 1933, em seu livro Anos de Decisão [tradução de Die Jahre der Entscheidung]. Ele começou-o afirmando que ninguém poderia olhar a frente para a revolução Nacionalsocialista com maior anseio que ele. No curso de seu trabalho, porém, ele expressou (algumas vezes em forma velada) suas reservas sobre o novo regime. Germanófilo embora ele certamente era, no entanto, ele via os Nacionalsocialistas como muito estreitamente de caráter alemão, e não suficientemente europeu.

            Embora ele continuou o tom racialista de o Homem e a Técnica, Spengler depreciou o que ele via como a exclusividade do conceito de raça do Nacionalsocialismo. Na face de perigos estrangeiros, o que deve ser enfatizado é a unidade das várias raças europeias, não a fragmentação delas. Além de um reconhecimento fatual do “perigo de cor” e a superioridade da civilização branca, Spengler repetiu seu próprio “não-materialista” conceito de raça (o qual ele tinha já expressado em Declínio do Ocidente): Certos homens – de qualquer ancestralidade – tem “raça” (um tipo de força de vontade), e estes são os fazedores da história.

            Prevendo uma segunda guerra mundial. Spengler avisou na obra Anos de Decisão que os nacionalsocialistas não estavam suficientemente vigilantes das poderosas forças hostis fora do país que iriam mobilizar-se para destruir eles, e a Alemanha. Seu mais direto criticismo foi formulado neste jeito: “E os nacionalssocialistas acreditam que eles podem permitirem-se ignorar o mundo ou opor-se a ele, e construir os seus castelos no ar sem criar uma possivelmente silenciosa, mas palpável, reação do exterior”. Finalmente, mas depois que o livro já tinha alcançada uma vasta circulação, as autoridades proibiram a continuação da distribuição do livro.

            Oswald Spengler, logo após predizer que em uma década não existiria mais um Reich Germânico, morreu de um ataque do coração em 8 de maio de 1936, em seu apartamento em Munique. Ele foi até sua morte convencido que ele tinha estado certo, e que os eventos se desenrolavam em cumprimento pleno do que ele tinha escrito em Declínio do Ocidente. Ele estava certo que ele viveu no período de crepúsculo de sua cultura – a qual a despeito de seus pronunciamentos sombrios e augúrios, ele amou e cuidou dela profundamente até o fim.

Tradução por Mykel Alexander


Notas


[1] Nota do tradutor: Fisiognomonista procede da fisiognomonia do grego phusiognōmonia, ‘fisionomia, arte de julgar alguém por sua aparência, sua fisionomia’. Ver Dicionário Houaiss, Editora Objetiva, Rio de Janeiro, 2001, 1ª Edição.

[2] Nota do tradutor: Refere-se ao matemático Euclides de Alexandria, cerca de 300 a.C. (Sir Thomas Hearth, A History of Greek Mathematics, Vol. I – From Thales to Euclid, cap. 11 Euclid). Exemplar da Editora Dover, 1981.

[3] Nota do tradutor: Keith Stimely, fez uma analogia da característica que é a marca de fundo que permeia toda uma cultura, como se fosse a Marca d'água de tal cultura.

[4] Nota do tradutor: Cesarismo, referente ao governo de Imperadores inaugurado por um processo iniciado por Júlio César e consumado por seu sucessor Otávio Augusto, foi um termo que difundiu-se no século XIX, de vaga exatidão, mas com a conotação geral de governo tirânico ou mesmo usurpador acrescido de uma aprovação das massas em decorrência do carisma do governante. O termo cesarismo foi tornando-se sinônimo de oposição dos governos republicanos que iam se formando no século XIX, opostos às monarquias europeias que ainda vigoravam, e as origens modernas do termo procedem do resgate da figura de Júlio César durante o século XVI no período renascentista. (Peter Baehr, Caesarism, Charisma and Fate, Transaction Publishers, 2008, páginas 11-13).
     
      É fundamental registrar que a visão de um governante autoritário como sendo necessariamente ruim é um fenômeno moderno da globalização e das democracias atuais. Em todas grandes civilizações a centralização do poder esteve presente quase sempre nos momentos de maior esplendor cultural e civilizatório. Do mesmo modo a centralização de poder também deixou marcas de exploração entre os povos, marcando a decadência de uma época. A diferença da mentalidade moderna e contemporânea para a tradicional das grandes civilizações é que nestas a figura que centralizava o poder podia ser tanto boa para seu povo, exemplo grego do monarca da realeza (como exposto por Platão na obra O Político e na obra a República), como podia ser ruim para o povo, quando recebia a denominação de Tirano (como exposto por Platão na República), num outro exemplo, em Roma o ditador era um cargo utilizado para enfrentar situações de ameaças externas ou sedições internas, não uma posição ocupada por um explorador do povo, embora tal posto de poder próximo do poder absoluto vigorava não temporariamente, mas sim definitivamente em outros Estados latinos vizinhos  (ver Oxford Classical Dictionary, vocábulo Dictator, página 276 da edição de 1953 pela Oxford Clarendon Press), por outro lado, eis o problema, na concepção moderna usa-se indistintamente as palavras realeza, tirano e ditador com uma conotação de serem necessariamente ruins para o povo, sendo que somente corresponde necessariamente à exploração do povo o termo tirano. Também, da mesma maneira como houveram césares bons, houveram césares ruins na história de Roma, de modo que a palavra cesarismo, assim como as palavras realeza e ditador, foi corrompida pelas manipulações dos tempos modernos e contemporâneos. 

[5] Nota do tradutor: (Giambattista Vico (1668 – 1744) foi um jurisconsulto, historiador, filósofo e pedagogo italiano. Sua obra Ciência Nova (de 1744, edição definitiva, intitulada originalmente como Scienza Nuova) foi uma das mais importantes obras de filosofia da história (Ver introdução de Antônio M. Barbosa de Melo, Editora Calouste Gulbenkian, Lisboa, 2005).

[6]  Nota do tradutor: Nikolay Yakovlevich Danilevsky (1822 – 1885) – Foi um historiador, filósofo, naturalista, físico, matemático e economista russo. Trabalhou no Departamento de Agricultura do Estado. Argumentou pela identidade racial e cultural russa e teve marcante influência sobre Oswald Spengler. (Ver Encyclopaedia Britannica – on-line, consulta em 04/05/2018 – 01:56).

[7] Nota do tradutor: É preciso registrar que Giambattista Vico, Nikolai Danilevsky e Friedrich Nietzsche são apenas precursores contemporâneos de concepções cíclicas da história, pois estas já existiam nas civilizações tradicionais, como Mesopotâmia, Índia, Maia, Irã, Grécia e Roma, e mesmo nos povos arcaicos pré-históricos. Uma obra fundamental e introdutória ao tema é O Mito do Eterno Retorno de Mircea Eliade.  

[8] Nota do tradutor: Século XX.

[9] Nota do tradutor: Werner Sombart (1863 – 1941) foi um dos maiores nomes da sociologia nos séculos XIX e XX, graduado em Direito e Economia.

[10] Nota do tradutor: Reichswehr era a organização militar alemã de 1919 até 1935.

[11] Nota do tradutor: Gregor Strasser (1892 – 1934) foi um nacionalsocialita (nazista) morto por traição na chamada Noite das facas longas (Dominique Venner, O Século de 1914, Editora Civilização, Porto, 2009, página 316).

[12] Nota do tradutor: Ernst Franz Sedgwick Hanfstaengl (1887 – 1975) foi um importante nacionalsocialista (nazista) que colaborou com ascensão do movimento, era relativamente íntimo de Hitler, e que deserdou para os EUA em 1937 (Peter Conradi, O Pianista de Hitler, José Olympo Editora, São Paulo, 2009).

[13] Nota do tradutor: Refere-se ao marechal e herói alemão da Primeira Guerra Mundial Paul von Hindenburg (1847 – 1934).



Bibliografia:

Dakin, Edwin F. Today and Destiny: Vital Excepts from the Decline of the West of Oswald Spengler. New York: Alfred A. Knopf, 1962

Fennelly, John F. Twilight of the Evening Lands: Oswald Spengler a Half Century Later. New York: Brookdale Press, 1972.

Fischer, Klaus P. History and Prophecy: Oswald Spengler and the Decline of the West. Durham: Moore, 1977 [New York: P. Lang, 1989]

Hughes, H. Stuart. Oswald Spengler: A Critical Estimate. New York: Scribner's, 1952 [edição revisada, 1962].

Oliver, Revilo P. “The Shadow of Empire: Francis Parker Yockey After Twenty Years,” American Mercury (Houston), Junho 1966.

Spengler, Oswald. Aphorisms. Chicago: Gateway/ Henry Regnery, 1967.

Spengler, Oswald. The Decline of the West (Vol. 1, “Form and Actuality”; Vol. 2, “Perspectives of World History”). New York: Alfred A. Knopf, 1926 e 1928.

Spengler, Oswald. The Hour of Decision. New York: Alfred A. Knopf, 1934.

Spengler, Oswald. Man and Technics. New York: Alfred A. Knopf, 1932.

Spengler, Oswald. Selected Essays. Chicago: Gateway/ Henry Regnery, 1967.

Yockey, Francis Parker. Imperium: The Philosophy of History and Politics. Noontide Press, 1962.




Informação Bibliográfica:

Keith Stimely, Oswald Spengler: An Introduction to his Life and Ideas, The Journal for Historical Review, Vol.17 nº 2, Páginas 2 e seguintes.


Sobre o autor: Keith Stimely nasceu em 9 de abril de 1957, em Connecticut, mas cresceu e foi educado na Costa Oeste. Ele estudou na San Jose State University e na Universidade de Oregon, onde ele graduou-se em 1980 com um bacharel em História. (Este ensaio foi escrito em dezembro de 1978 para uma aula de história na Universidade de Oregon). Stimely então juntou-se ao Exército dos EUA, servindo como um oficial da reserva. Seu interesse em história revisionista começou no ensino médio, e em 1980 ele palestrou na segunda conferência do Institute for Historical Review (Pomona College). Ele juntou-se à equipe do Journal for Historical Review em junho de 1982, e serviu como seu editor chefe de fevereiro de 1983 até fevereiro de 1985. Ele compilou a 1981 Revisionist Bibliography (não mais em catálogo), e foi um talentoso artista e pianista. Ele morreu em Portland, Oregon, em 19 de dezembro de 1992.

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Hitler por Winston Churchill


Winston Churchill

Abaixo seguem extrações de citações de Winston Churchill antes da eclosão da Segunda Guerra Mundial que foram publicadas na época nos livros Great Contemporaries de 1937, Step by Step de 1939, e na revista Strand Magazine em novembro de 1935.







“It is not possible to form a just judgment of a public figure who has attained the enormous dimensions of Adolf Hitler until his life-work as a whole is before us. Although no subsequent political action can condone wrong deeds, history is replete with examples of man who have risen to power by employing stern, grim, and even frightful methods, but who, nevertheless, when their life is revealed as a whole, have been regarded as great figures whose lives have enriched the story of mankind. So may it be with Hitler.
“Não é possível formar um julgamento justo de uma figura pública que tenha atingido a enorme dimensão de Adolf Hitler até a obra de sua vida como um todo estar diante de nós. Embora nenhuma ação política subsequente pode tolerar atos errados, a história está repleta com exemplos de homens que têm chegado ao poder através do emprego de métodos severos, desagradáveis, e mesmo assustadores, mas que, no entanto, quando a vida deles se revelaram como um todo, têm eles sido vistos como grandes figuras cujas vidas têm enriquecido a história da humanidade. Assim seja com Hitler.


“When the terrible German armies, which had held half Europe in their grip, recoiled on every front, and sought armistice from those upon whose lands even then they still stood as invaders; when the pride and will-power of Prussian race broke into surrender and revolution behind the fighting lines; when that Imperial Government, which had been for more than fifty months the terror of almost nations, collapsed ignominiously, leaving its loyal faithful subjects defenseless and disarmed before the wrath of the sorely-wounded, victorious Allies; then it was that one corporal, a former Austrian house-painter, set out to regain all.
In the fifteen years that have followed this resolve he has succeeded in restoring Germany to the most powerful position in Europe, and not only has he restored the position of his country, but he has even, to a very large extent, reversed the results of the Great War (…) the vanquished are in process of become the victors, and the victors the vanquished. When Hitler began, Germany lay prostrate at the feet of the Allies. He {Sir John Simon, então Secretário de Relações Exteriores da Inglaterra entre 1935 e 1937} may yet see the day when what is left of Europe will be prostate at the feet of Germany. Whatever else may be thought about these exploits, they are certainly among the most remarkable in the whole history of the world.

 “Quando os terríveis exércitos alemães {na Primeira Guerra Mundial}, que haviam ocupado metade da Europa em suas garras, recuaram em todos os frontes, e procuraram o armistício daqueles cujas terras eles ainda se mantinham como invasores; quando o orgulho e força de vontade da raça prussiana quebrou-se em rendição e com a revolução por trás de suas linhas de defesa; quando aquele governo imperial, o qual tinha sido por mais que cinquenta meses o terror de quase todas nações, colapsou ignominiosamente deixando seus súditos fiéis indefesos e desarmados perante a ira dos penosamente feridos, aliados vitoriosos; foi então que um cabo, um ex-pintor de casas austríaco, colocou-se para reganhar tudo.
Em quinze anos que tem seguido esta determinação ele tem conseguido restaurar a Alemanha para a mais poderosa posição na Europa, e não somente tem ele restaurado a posição de seu país, mas ele tem mesmo, em grande medida, revertido os resultados da {Primeira} Grande Guerra (...) os vencidos estão em processo de tornarem-se vitoriosos, e os vitoriosos os vencidos. Quando Hitler começou a Alemanha estava prostrada aos pés dos Aliados. Ele {Sir John Simon, então Secretário de Relações Exteriores da Inglaterra} pode ainda ver o dia quando o que resta da Europa irá estar prostrado aos pés da Alemanha. Qualquer outra coisa que pode ser pensado sobre estas façanhas, eles certamente estão entre as mais notáveis de toda a história do mundo.


“While all these formidable transformations were occurring in Europe, Corporal Hitler was fighting his long, wearing battle for the German heart. The story of that struggle cannot be read without admiration for the courage the perseverance, and the vital force which enabled him to challenge, defy, conciliate, or overcome, all the authorities or resistances which barred his path. He, and the ever increasing legions who worked with him, certainly showed at this time, in their patriotic ardour and love of country, that was nothing they would not do or dare, no sacrifice of life, limb or liberty that they would not make themselves or inflict upon their opponents. The riotous meetings, the fusillade at Munich, Hitler’s imprisonment, his various arrests and trials, his conflict with Hidenburg, his electoral campaign, von Papen’s tergiversation, Hitler’s conquest of Hindenburg, Hindenburg’s desertion of Brüning – all these were the milestones upon that indomitable march which carried the Austrian-born corporal to the life-dictatorship of entire German nation of nearly seventy million souls, constituting the most industrious, tractable, fierce and martial race in the world.
“Enquanto todas estas formidáveis transformações estão ocorrendo na Europa, o cabo Hitler estava lutando contra o tempo, engajado em batalha pelo coração da Alemanha. A história desta batalha não pode ser lida sem admiração pela coragem e perseverança, e a força vital a qual habilitou ele desafiar, resistir, conciliar, ou superar todas autoridades ou resistências as quais barravam sua trilha. Ele, e as crescentes legiões que trabalharam com ele, certamente mostraram neste momento, no ardor patriótico e amor deles pelo país, que não existia nada que eles não fariam ou ousariam, nenhum sacrifício de vida, integridade física ou liberdade que eles não iriam passar eles mesmos ou infligir nos oponentes deles. Os tumultuosos comícios, o fuzilamento em Munique {onde morreram 16 membros do partido de Hitler em 1923}, a prisão de Hitler, suas várias prisões e julgamentos, seu conflito com Hindenburg {Marechal alemão herói da Primeira Guerra Mundial e Presidente da Alemanha entre 1925 e 1934}, sua campanha eleitoral, a tergiversação de von Papen {Chanceler da Alemanha em 1932}, a conquista de Hindenburg por Hitler, a deserção de Hindenburg em relação a Brüning {Chanceler da Alemanha entre 1930 e 1932} – todas eles foram os marcos sobre essa marcha indomável a qual levou o cabo austríaco para a vida de ditador da inteira nação alemã com aproximadamente setenta milhões de almas, constituindo a mais industrial, tratável, feroz e marcial raça no mundo.


“That is where we are today, and the achievement by which the tables have been completely turned upon the complacent, feckless, and purblind victors deserves to be reckoned a prodigy in the history of the world, and a prodigy which is inseparable from the personal exertions and life-thrust a single man.
“Isto é onde estamos hoje, e as realizações pelas quais as tabelas têm sido completamente viradas sobre os complacentes, irresponsáveis, e míopes vitoriosos merecem ser avaliados como um prodígio na história do mundo, e um prodígio o qual é inseparável dos esforços pessoais e da vida de um único homem.


“Those who have met Herr Hitler face to face in public business or on social terms have found a highly competent, cool, well informed functionary with an agreeable manner, a disarming smile, and few have unaffected by a subtle personal magnetism. Nor is this impression merely the dazzle of power. He exerted it on his companions at every stage in his struggle. Even when his fortunes were in the lowest depths.” 

“Aqueles que têm se encontrado com Herr Hitler cara a cara em negócios públicos ou em termos sociais têm encontrado um funcionário altamente competente, coloquial, bem informado, com uma agradável maneira, um sorriso irresistível, e poucos têm sido não afetados por um sutil magnetismo. Nem é meramente esta impressão o deslumbramento de poder. Ele exerceu isso sobre seus companheiros em cada fase de sua luta. Mesmo quando sua fortuna estava nas mais baixas profundezas.”
Winston Churchill, Great Contemporaries;
 Editora Richard Clay and Company, LTD, Grã-Bretanha, edição de 1941;
 capítulo Hitler and his choice, escrito em 1935 e publicado na
 Strand Magazine em novembro de 1935. Na versão em livro algumas partes
foram retiradas mas não foram nenhuma das aqui expostas.


“One may dislike Hitler’s system and yet admire his patriotic achievement. If our country were defeated I hope we should find a champion as indomitable to restore our courage an lead us back to our place among the nations.”
“Pode-se não gostar do sistema de Hitler e ainda admirar suas realizações patrióticas. Se nosso país fosse derrotado eu espero que nós possamos encontrar um campeão tão indomável para restaurar nossa coragem e levar-nos de volta para nosso lugar entre as nações.”

Winston Churchill, Step by Step – 1936 – 1939;
 Editota MacMillan & CO, LTD, 5ª edição, 1942;
 capítulo Friendship with Germany, escrito em 17 de setembro de 1937
 e publicado em livro pela primeira vez em junho de 1939.

“We must learn to draw from misfortune the means of future strength. There must not be lacking in our leadership something of the spirit of that Austrian corporal who, when all had fallen into ruins about him, and when Germany seemed to have sunk for ever into chaos, did not hesitate to march forth against the vast array of victorious nations, and has already turned the tables so decisively upon them. It is the hour, not for despair, but for courage and rebuilding; and that is the spirit which should rule our minds.”
“Nós temos de aprender a elaborar do infortúnio os meios da futura força. Não deve carecer em nossa liderança algo do espírito daquele cabo austríaco que, quando tudo tinha caído em ruínas sobre ele, e quando a Alemanha parecia ter afundado para sempre no caos, não hesitou em marchar a frente contra a vasta gama de nações vitoriosas, e tem já virado o jogo tão decisivamente sobre elas. Essa é a hora, não para desespero, mas para coragem e reconstrução; e este é o espírito o qual deve reger nossas mentes.”
Winston Churchill, Step by Step – 1936 – 1939;
 Editota MacMillan & CO, LTD, 5ª edição, 1942;
 capítulo France after Munich, escrito em 04 de outubro de 1938
 e publicado em livro pela primeira vez em junho de 1939.



Pesquisa, tradução e palavras entre chaves por Mykel Alexander















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sexta-feira, 13 de abril de 2018

Por que querem destruir a Síria? - por Dr. Ghassan Nseir


Dr. Ghassan Nseir
Vocês políticos do mundo, que bebem o sangue e comem a carne das crianças da Síria para fortalecer suas economias decadentes, para capacitar as suas fábricas de armas e para juntar dinheiro. Vocês que dançam sobre os pedaços dos corpos das crianças, que destroem suas casas, me dêem um motivo ético e humano para justificar o que vocês estão fazendo?

por Dr. Ghassan Nseir, Embaixador Chefe da Missão da Embaixada da Síria


Por que querem destruir a Síria?

Darei a vocês alguns motivos:

1- Porque ela possui dez mil anos de civilização.

2- Porque nela nasceu o alfabeto, a civilidade, a filosofia e a ciência que se espalhou pelo mundo.

3- Porque muitos povos viveram em seu território, como os Cananeus, os Acadianos, os Hititas, os Assírios, os Aramaicos, os Siríacos, os Gregos e os Romanos.

4- Porque nela estão as verdadeiras raízes da história. Raízes que não são passíveis de adulteração.

5- Porque de suas entranhas nasceu o cristianismo, mais precisamente em Damasco, e se espalhou para o mundo através do Apóstolo Paulo.

6- Porque dela saíram os imperadores para Roma (Sete imperadores).

7- Porque dela saíram os papas para Roma (Cinco papas).

8- Porque nela nasceram os santos, como João Damasquino.

9- Porque ela formou os cientistas, médicos e astrônomos.

10- Porque seu povo transmitiu aos outros povos a ciência e a filosofia, através de seus tradutores (Os siríacos).

11- Porque ela disseminou o Islã tolerante e civilizado e não o terrorista.

12- Porque nela se avizinham as mesquitas, as igrejas e as sinagogas.

13- Porque ela mandou suas missões de educadores para os países do Golfo Arábico, para que ensinassem àqueles povos a ciência e a cultura, assim como o fez no Iémen, na Argélia, no Marrocos e na Mauritânia.

14- Porque ela abriu sua única universidade para todos os árabes.

15- Porque ela defendeu a causa palestina e ficou do lado da resistência durante toda a sua trajectória, dando-lhe apoio com dinheiro, armas e posições.

16- Porque ela abrigou os refugiados palestinos e deu a eles todos os direitos dos sírios, excepto o direito à nacionalidade.

17- Porque nela o ensino é obrigatório até o 2º. Grau e gratuito em todas as etapas até a universidade.
18- Porque acredita no Pan-Arabismo como uma união econômica, política e cultural.

19- Porque ela oferece a assistência e os cuidados médicos gratuitamente a todos os seus cidadãos.

20- Porque suas crianças vivem seguras, assistidas e saudáveis.

21- Porque ela não aceita a subserviência às mobilizações dos países imperialistas.

22- Porque ela impediu a divisão do Líbano e se opôs à invasão americana do Iraque.

23- Porque ela deu suporte e apoio à resistência libanesa e forte retaguarda em suas batalhas contra a ocupação israelense.

24- Porque ela recebeu milhões de refugiados iraquianos e não os colocou em barracas e nem em acampamentos. Assim como recebeu os libaneses na guerra de Julho de 2006.

25- Porque é o único país milenar entre os países árabes.

26- Porque ela desenvolveu suas capacidades econômicas e a sua auto-suficiência e se aproximou muito dos países desenvolvidos, com sua infra-estrutura e seus recursos humanos.

27- Porque nela estão as sedes das igrejas cristãs orientais.

28- Porque possui a única cidade onde seus moradores falam a língua de Jesus Cristo, que é a cidade de Maalula.

29- Porque ela combate o racismo sionista e as ambições expansionistas e colonialistas de Israel e a negação dos direitos legítimos do povo palestino.

Vocês políticos do mundo, que bebem o sangue e comem a carne das crianças da Síria para fortalecer suas economias decadentes, para capacitar as suas fábricas de armas e para juntar dinheiro. Vocês que dançam sobre os pedaços dos corpos das crianças, que destroem suas casas, que expulsam as pessoas e que tornam crianças órfãs, me deem um motivo ético e humano para justificar o que vocês estão fazendo?

Tudo isso para servir a Israel? Qual é o serviço que tem como preço vítimas, morte e destruição?

Síria acusa Israel de ataque aéreo nos arredores de Damasco

E vocês jornalistas que influenciam a opinião pública? Não chegou a hora de honrar sua profissão, fazer análises objetivas e apresentar a verdade? Ou será que vocês foram alugados por dinheiro e venderam a sua consciência profissional (se é que já existiu!)? Vocês tem uma responsabilidade com a história, porque vocês têm os meios de adulterar os fatos e vocês também estão negociando o sangue e a carne das crianças. Vocês se aproveitam da confiança das pessoas para engana-las.

Será que não chegou a hora de despertar a sua consciência? Vocês não têm filhos?



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