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| Philip Giraldi |
Há
um grupo de bilionários judeus americanos que aparentemente está fazendo o
possível para impedir o avanço das negociações com o Irã, acreditando
erroneamente que estão agindo em benefício de Israel. E eles também parecem
contar com o apoio da Casa Branca, que, ao mesmo tempo, afirma desejar o
sucesso das negociações. Essa relação peculiarmente estranha está sendo
debatida em um tribunal de Manhattan,[1]
onde o Departamento de Justiça busca extinguir um processo que, segundo ele,
pode revelar a hipocrisia do governo em lidar com informações confidenciais,
enquanto simultaneamente envia jornalistas e denunciantes para a prisão sob a
acusação de terem feito o mesmo.
O
poder e a riqueza dos grupos anti-Irã, bem como seu acesso privilegiado ao
governo dos Estados Unidos, fazem com que uma política de distensão com o Irã,
que seria uma decisão óbvia considerando os interesses tanto americanos quanto
iranianos, avance aos trancos e barrancos, com o Congresso americano e grande
parte da mídia firmemente alinhados para impedir o processo. O Comitê de
Assuntos Públicos Israelo-Americano (AIPAC) e sua fundação educacional
afiliada, que se concentraram na “ameaça iraniana” nos últimos três anos,
possuem um orçamento combinado de mais de US$ 90 milhões, enquanto o Washington
Institute for Near East Policy {Instituto de Washington para Políticas do
Oriente Próximo} (WINEP), derivado do AIPAC, dispõe de US$ 8,7 milhões.
Os
esforços do Instituto Americano de Empresas (AEI) são mais diversificados, mas
uniformemente alinhados com uma postura agressiva em relação ao Oriente Médio.
Seu orçamento é de US$ 45 milhões. Entre os doadores/apoiadores
multimilionários identificados[2]
para o AIPAC, AEI e WINEP estão Sheldon Adelson, da Las Vegas Sands, Paul
Singer, do fundo de hedge Elliot Management, e Bernard Marcus, da Home Depot.
{Velório do judeu sionista e rei dos jogos de azar Sheldon Adelson (1933-2021) em Israel: B. Netanyahu, líder judeu-sionista e Primeiro Ministro de Israel, presta suas condolências antes do funeral em Israel (crédito da imagem: The Times of Israel, 15 de janeiro de 2021, https://www.timesofisrael.com/sheldon-adelsons-coffin-arrives-in-israel-ahead-of-funeral-in-jerusalem/ )}
Outros
think tanks de direita, incluindo o Heritage Foundation e o Hudson Foundation,
em Washington, também apoiam a pressão implacável contra o Irã. Até mesmo o mais
centrista Brookings Institute, adota uma postura pesada[3] em
relação à política do Oriente Médio, em virtude do seu Instituto Saban,
financiado pelo bilionário israelense-americano Haim Saban. E há ainda as
principais organizações judaicas, como a Liga Antidifamação (ADL), a Conference
of Presidents of Major Jewish Organizations {Conferência de Presidentes das
Principais Organizações Judaicas} (COPHO) e o American Jewish Congress {Congresso
Judaico Americano} (AJC), todas com vastos recursos e acesso incomparável à
Casa Branca, ao Congresso e à mídia.
{O bilionário judeu sionista Haim Saban (1944-) exerce enorme influência nos EUA (sendo um grande doador dos democratas) a favor de Israel e contra o Irã, frequentemente indo mesmo contra os interesses americanos. Crédito da foto: The Times of Israel}
Todos
os grupos pró-Israel e anti-Irã utilizam táticas de pressão no Capitólio e têm
sido eficazes em dominar o debate político. Das 36 testemunhas externas[4]
convocadas para depor em sete audiências no Senado sobre o Irã desde 2012, somente
uma pode ser considerada sensível às preocupações iranianas. O enorme esforço
de lobby permite que os grupos anti-Irã definam as políticas concretas,
apresentem seus projetos de lei no Congresso e, eventualmente, vejam suas
propostas aprovadas com maiorias esmagadoras tanto na Câmara quanto no Senado.
É a democracia em ação se aceitarmos que o governo popular deve ser guiado por
dinheiro e grupos de pressão, em vez de interesses nacionais.
Menos
conhecido é o grupo {United Against Nuclear Iran}[5] Unidos
Contra o Irã Nuclear (UANI), que tem um orçamento de quase US$ 2 milhões. O
UANI {Unidos Contra o Irã Nuclear} está envolvido no processo judicial em Nova
York. O grupo, que de alguma forma obteve o status de isenção fiscal “educacional”
501(c)(3), que, entre outras coisas, lhe permite ocultar seus doadores, tem
escritórios no Rockefeller Center, na cidade de Nova York. Ele atua no
Capitólio, fornecendo “testemunhos de especialistas” sobre o Irã para comissões
do Congresso, incluindo “ajuda” na elaboração de leis. Em uma audiência da
Comissão de Relações Exteriores do Senado sobre o Irã, em julho, todas as três
testemunhas externas[6]
eram do UANI {Unidos Contra o Irã Nuclear}. O grupo também atua na mídia, mas
talvez seja mais conhecido por suas iniciativas de “nome e vergonha”, nas quais
denuncia empresas que, segundo ele, fazem negócios com Teerã em violação às
sanções dos EUA.
A
UANI está sendo processada[7]
pelo bilionário grego Victor Restis, que foi exposto pela própria organização
em 2013. Restis alega que a exposição foi fraudulenta e realizada para
prejudicar seus negócios, e entrou com uma ação exigindo que a UANI {Unidos
Contra o Irã Nuclear} e o bilionário Thomas Kaplan entreguem documentos e
detalhes sobre os relacionamentos de doadores da UANI {Unidos Contra o Irã
Nuclear} que, segundo ele, estão ligados ao caso. Kaplan, residente em Nova
York, fez sua fortuna inicial com exploração e desenvolvimento de energia. Mais
recentemente, ele tem se envolvido com o comércio de metais preciosos. Sua
esposa, Daphne, é israelense, e seu envolvimento[8] em
diversas instituições filantrópicas judaicas, tanto nos EUA quanto em Israel,
gerou comparações com o controverso e falecido negociador de commodities Marc
Rich, que teria trabalhado[9] em
estreita colaboração com o governo israelense em diversos projetos.
O
Departamento de Justiça gostaria que o processo contra a UANI {Unidos Contra o
Irã Nuclear} fosse arquivado, pois está ciente de que os documentos descritos
como “de aplicação da lei” incluem informações privilegiadas e sigilosas do
Departamento do Tesouro relacionadas a indivíduos e empresas que foram
investigados por violação de sanções. Passar documentos relacionados à inteligência
ou à aplicação da lei para uma organização privada é ilegal, mas a única
preocupação aparente do Departamento de Justiça é que essa atividade possa ser
exposta. Não há indícios de que o Departamento vá processar a UANI {Unidos
Contra o Irã Nuclear} por ter obtido as informações, e talvez se deva presumir
que a fonte do vazamento seja o próprio Departamento do Tesouro.
Quem
ou o que forneceu os documentos a um grupo de defesa privado que também é uma
fundação isenta de impostos, apoiada por empresários proeminentes com interesses
no Oriente Médio, não está totalmente claro, mas Restis presume que a verdade
virá à tona se ele conseguir obter as provas. O processo alega que a UANI {Unidos
Contra o Irã Nuclear} intimida seus alvos difamando suas práticas comerciais,
além de exigir tanto um exame[10]
de seus livros contábeis quanto uma auditoria realizada por um de seus próprios
contadores, seguida de revisão por um “conselho independente.”
Kaplan
é citado nominalmente no processo por parecer ser a figura influente por trás
da UANI {Unidos Contra o Irã Nuclear}. Ele uma vez se gabou:[11] “Nós
(a UANI) temos feito mais para trazer o Irã de calcanhares do que qualquer outra
iniciativa do setor privado.” Kaplan também emprega como diretor ou executivo
em seis de suas empresas o Diretor Executivo da UANI {Unidos Contra o Irã
Nuclear}, Mark Wallace, e teria arranjado[12] a
nomeação de Gary Samore, presidente do Centro Belfer de Harvard, para o cargo
de Diretor Executivo.
Kaplan
é um concorrente comercial de Restis, cujos advogados aparentemente buscam
demonstrar duas coisas: primeiro, que o governo dos EUA tem fornecido
informações, por vezes apenas parcialmente verificadas, à UANI {Unidos Contra o
Irã Nuclear} para auxiliar em seu programa de “nome e vergonha”; e segundo, que
a própria UANI {Unidos Contra o Irã Nuclear} é financiada por interesses
comerciais partidários, como os de Kaplan, bem como por fontes estrangeiras, o
que aparentemente implica Israel. Ou até mesmo o serviço de inteligência
israelense Mossad. Meir Dagan, ex-chefe do Mossad, faz parte do conselho
consultivo da UANI {Unidos Contra o Irã Nuclear}, que também inclui o
ex-senador Joseph Lieberman e o ex-diplomata sênior Dennis Ross, ambos
frequentemente acusados de favorecer interesses israelenses e que podem ter
fácil acesso a informações geradas pelo governo dos EUA.
E
então há o Muhadedin-e-Khalq, o grupo terrorista iraniano que assassinou pelo
menos seis americanos e agora auxilia o governo israelense[13]
no assassinato de cientistas iranianos, uma definição clara do que constitui
terrorismo. O grupo figurou na lista de organizações terroristas do
Departamento de Estado de 1997 até 2012, quando a Secretária de Estado Hillary
Clinton o retirou da lista em resposta às demandas de aliados de Israel no
Congresso, bem como de um grande grupo de ex-funcionários do governo, muitos
dos quais receberam altos honorários do grupo para atuarem como defensores.
Entre os americanos pagos para defender o grupo[14]
estavam os ex-diretores da CIA James Woolsey e Porter Goss, o prefeito de Nova
York Rudolph Giuliani, o ex-governador de Vermont Howard Dean, o ex-diretor do
FBI Louis Freeh e o ex-embaixador das Nações Unidas John Bolton. Os promotores
do Muhadedin-e-Khalq no congresso e em outros lugares alegavam ser motivados
principalmente pelo fato de o Muhadedin-e-Khalq ser um inimigo do regime atual
em Teerã, embora seu virulento antiamericanismo e histórico terrorista o tornem
um símbolo um tanto improvável para a “resistência iraniana”.
Os
apoiadores do Muhadedin-e-Khalq também ignoram[15] o
fato de que o grupo é administrado como um culto, executa rotineiramente
dissidentes internos e praticamente não tem apoio político dentro do Irã. Mas
esses são os métodos da corrupta classe política de Washington, que idolatra
uma organização que deveria evitar. O braço político do Muhadedin-e-Khalq está
localizado em Paris e há muito se presume que seja financiado pelo governo
israelense e por pelo menos alguns dos mesmos bilionários, possivelmente
incluindo seus homólogos israelenses, que apoiam a agenda anti-Irã nos Estados
Unidos.
Os
negociadores iranianos aceitaram que seu país deveria ter apenas capacidades
limitadas de enriquecimento de urânio, juntamente com um rigoroso regime de
inspeção, mas as negociações em Genebra se arrastam indefinidamente, enquanto
os Estados Unidos continuam a hesitar, levantando novas objeções regularmente,
apesar das alegações de que operam de boa fé e buscam uma solução. Que um
acordo esteja ao alcance é inegavelmente verdade e seria até mesmo benéfico
para Israel, pois eliminaria a opção nuclear regional, tornando muito menos
provável outra guerra inútil e devastadora. Mas os homens que assinam os
cheques não veem as coisas dessa maneira e, infelizmente, são eles que, com
muita frequência, pagam a banda e ditam o tom.
Tradução
e palavras entre chaves por Mykel Alexander
Notas:
[1] Fonte utilizada por Philip
Girald:
http://www.nytimes.com/2014/08/19/us/billionaire-named-in-suit-against-anti-iran-group.html?_r=0
[2] Fonte utilizada por Philip
Girald:
http://www.thenation.com/article/180664/how-anti-iran-lobby-machine-dominates-capitol-hill
[3] Fonte utilizada por Philip
Girald:
[4] Fonte utilizada por Philip
Girald:
http://www.thenation.com/article/180664/how-anti-iran-lobby-machine-dominates-capitol-hill
[5] Fonte utilizada por Philip
Girald:
[6] Fonte utilizada por Philip
Girald:
[7] Fonte utilizada por Philip
Girald:
http://www.nytimes.com/2014/08/19/us/billionaire-named-in-suit-against-anti-iran-group.html?_r=0
[8] Fonte utilizada por Philip
Girald:
http://www.tabletmag.com/jewish-news-and-politics/23723/prodigal-son
[9] Fonte utilizada por Philip
Girald:
http://www.breitbart.com/Big-Government/2014/03/24/Clinton-s-Marc-Rich-Pardon-the-Tell-Tale-Cable
[10] Fonte utilizada por Philip
Girald:
[11] Fonte utilizada por Philip
Girald:
http://www.lobelog.com/uani-silver-futures-and-confrontation-with-iran/
[12] Fonte utilizada por Philip
Girald:
[13] Fonte utilizada por Philip
Girald:
[14] Fonte utilizada por Philip
Girald:
http://www.alternet.org/story/154938/seymour_hersh%3A_us_training_iranian_terrorists_in_nevada
[15] Fonte utilizada por Philip
Girald:
Fonte: Billionaires Make
War on Iran - And the United States Government is Helping, por Philip Giraldi, 26
de agosto de 2014, The Unz Review – An alternative media selection.
https://www.unz.com/pgiraldi/billionaires-make-war-on-iran/
Sobre o autor: Philip Giraldi (1946 –) é um ex-agente de
contraterrorismo, agente da Cia e da inteligência militar dos EUA. Concluiu seu
BA na Universidade de Chicago, com Mestrado e PhD na Universidade de Londres,
em História Europeia. Atualmente é colunista, comentador televisivo e Diretor
Executivo do Council for the National Interest. Escreveu artigos para as
revistas e jornais The American Conservative magazine, The Huffington
Post, e Antiwar.com para a rede midiática Hearst Newspaper. Foi entrevistado pelos jornais e revistas Good Morning
America, 60 Minutes, MSNBC, Fox News Channel, National Public Radio, a Canadian
Broadcasting Corporation, a British Broadcasting Corporation, al-Jazeera,
al-Arabiya, Iran Daily, Russia Today, Veterans Today, Press TV. Foi
conselheiro de política internacional para a campanha de Ron Paul em 2008.
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