terça-feira, 12 de março de 2019

Expondo a agenda Líbia: uma olhada mais de perto nos e-mails de Hillary - por Ellen Brown


Continuação do artigo: Líbia: trata-se do petróleo ou do Banco Central? - Por Ellen Brown

Ellen Brown

Os críticos há muito questionaram por que a intervenção violenta foi necessária na Líbia. Os e-mails de Hillary Clinton recentemente publicados confirmam que eram menos sobre proteger as pessoas de um ditador do que sobre dinheiro, serviços bancários, e a prevenção da soberania econômica africana.

            A breve visita da então Secretária de Estado Hillary Clinton na Líbia em outubro de 2011 foi referida pela mídia como uma “volta da vitória”. “Nós viemos, nós vimos, ele morreu!” ela cantou em uma entrevista de vídeo na CBS[1] ao ouvir sobre a captura e brutal assassinato do líder líbio Muammar el-Gaddafi.

            Mas a volta da vitória, escreve Scott Shane e Jo Becker no New York Times[2], foi prematura. A Líbia foi relegada a segundo plano pelo Departamento de Estado, “conforme o país dissolveu-se no caos, levando à guerra civil que iria desestabilizar a região, alimentando a crise de refugiados na Europa e permitindo o {chamado} Estado Islâmico estabelecer um abrigo líbio que os Estados Unidos estão agora desesperadamente conter.”

            A intervenção da OTAN/EUA foi alegadamente empreendida sobre bases humanitárias, após relatos de atrocidades em massa; mas as organizações de direitos humanos questionaram as alegações[3] depois de encontrarem falta de evidência[4]. Hoje, contudo, atrocidades verificáveis estão ocorrendo. Conforme Dan Kovalik escreveu no Huffington Post[5], “a situação dos direitos humanos na Líbia é um desastre, conforme ‘milhares de detidos [incluindo crianças] definham nas prisões sem revisão judicial adequada,’ e ‘sequestros e assassinatos seletivos são desenfreados’.”

            Antes de 2011, a Líbia tinha alcançado independência econômica, com sua própria água, sua própria comida, seu próprio petróleo, seu próprio dinheiro, e seu próprio banco estatal. Ela havia surgido sob Gaddafi a partir de uns dos mais pobres países para um dos mais ricos países na África. Educação e tratamento médico eram gratuitos[6]; ter um lar era considerado um direito humano; e os líbios participaram em um sistema original de democracia local. O país ostentava o maior sistema de irrigação, o projeto Great Man-made River, o qual trouxe água do deserto para as cidades e áreas costeiras; e Gaddafi estava embarcando num programa para espalhar este modelo através da África.

            Mas isto foi antes das forças da OTAN/EUA bombardearem o sistema de irrigação[7] e causarem o caos no país. Hoje a situação é tão terrível que o presidente Obama tem de pedir aos seus conselheiros para elaborarem opções incluindo uma nova frente militar na Líbia[8], e o Departamento de Defesa está reportadamente em prontidão com ‘o pleno espectro de operações militares requeridas.”

A volta da Secretária de Estado foi de fato prematura, se o que nós estamos falando é sobre o objetivo de intervenção humanitária declarado oficialmente. Mas seus e-mails recém-divulgados revelam outra agenda por trás da guerra da Líbia; e este, ao que parece, foi alcançado.


{Nicolas Sarkozy, que tem ancestralidade judaica e é leal à Israel, foi decisivo para minar e destruir a Líbia de Gaddafi}

Missão cumprida?

            Dos 3,000 e-mails liberados pelo servidor de e-mail privado de Hillary Clinton no final de dezembro de 2015, aproximadamente um terço foi de seu confidente próximo Sidney Blumenthal, o assessor de Clinton que ganhou notoriedade quando ele testemunhou contra Monica Lewinsky. Um destes e-mails[9], datado de 2 de abril, diz em parte:
O governo de Gaddafi detém 143 toneladas de outo, e similar quantidade em prata... Este ouro foi acumulado antes da rebelião atual e foi intencionado ser usado para estabelecer uma moeda pan-africana baseado no dinar dourado da Líbia. Este plano foi designado para fornecer aos países africanos francófonos uma alternativa para o franco francês (CFA).
            Num “comentário da fonte,” o e-mail original não mais secreto adiciona:
De acordo com os indivíduos conhecedores esta quantidade de ouro e prata é avaliada em mais que US$ 7 bilhões. Oficiais da inteligência francesa descobriram este plano logo após o início da atual rebelião começar, e isto foi um dos fatores que influenciaram a decisão do Presidente Nicolas Sarkozy a comprometer a França a atacar a Líbia. De acordo com esses indivíduos os planos de Sarkozy são conduzidos pelas seguintes questões:
Um desejo de ganhar maior parcela da produção de petróleo da Líbia, 
Aumentar a influência francesa no norte da África, 
Melhorar sua situação política interna na França, 
Fornecer aos militares franceses uma oportunidade de reafirmar sua posição no mundo,Abordar a preocupação de seus conselheiros sobre os planos de longo prazo de Gaddafi para suplantar a França como poder dominante na África francófona.
            Conspicuamente ausente é qualquer menção de preocupações humanitárias. Os objetivos são dinheiro, poder e petróleo.

{O judeu Sidney Stone Blumenthal, assessor dos Clinton, e Hillary, envolvidos na destruição do mais próspero Estado
africano, a Líbia de Muammar Gaddafi. Graças à investigação do FBI, evidências nos e-mails revelados explicitaram o interesse da globalização em destruir a Líbia usando o disfarce da palavra da moda: intervenção "humanitária".} 

Outras confirmações explosivas nos e-mails recentemente publicados são detalhadas pelo jornalista investigativo Robert Parry[10]. Eles incluem admissão de crimes de guerra rebeldes, de treinamento de operações especiais dentro da Líbia aproximadamente a partir do início dos protestos, e da Al Qaeda incorporada na oposição apoiada pelos EUA; Os temas chave da propaganda para intervenção violenta são reconhecidamente serem meros rumores. Parry sugere que esses podem ter se originado com o próprio Blumenthal. Eles incluem a bizarra alegação que Gaddafi tinha uma “política de estupro” envolvendo passar Viagra para suas tropas, uma acusação posteriormente levantada pela embaixadora dos EUA na ONU Susan Rice em uma apresentação na ONU. Parry pergunta retoricamente:
Então você acha que seria mais fácil para a administração do governo de Obama reunir apoio por trás desta “mudança de regime” explicando como o governo francês queria roubar a riqueza líbia e manter a influência neocolonial francesa sobre a África – ou iriam os americanos responder melhor aos temas de propaganda sobre Gaddafi distribuindo Viagra para suas tropas de modo que eles pudessem estuprar mais mulheres enquanto seus franco-atiradores atacavam crianças inocentes? Bingo!
    
Derrubando o esquema financeiro global

A tentativa ameaçada de Gaddafi para estabelecer uma moeda africana independente não foi considerada levemente pelos interesses ocidentais. Em 2011, Sarkozy supostamente chamou o líder líbio de uma ameaça à segurança financeira do mundo[11]. Como poderia este muito pequeno país de seis milhões de pessoas representar tal ameaça? Primeiro alguns antecedentes.

            São os bancos, não os governos, que criam a maior parte do dinheiro nas economias ocidentais, conforme o Bank of England recentemente reconheceu. Isso vem ocorrendo por séculos, através do processo chamado de empréstimo de “reserva fracionada.” Originalmente, as reservas eram em ouro. Em 1933, o presidente Franklin Roosevelt substituiu o ouro domesticamente com reservas criadas pelo banco central, mas o ouro permaneceu como moeda de reserva internacionalmente.

            Em 1944, o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial foram criados em Bretton Woods, New Hampshire, para unificar globalmente este sistema financeiro criado por banco. Uma decisão do FMI disse que nenhum papel moeda poderia ter a base em ouro. Uma oferta de dinheiro criada privadamente como dívida a juros requer uma contínua fonte de devedores; e durante a seguinte metade do século, os mais desenvolvidos países iriam entrar em dívida com o FMI[12]. Os empréstimos vieram com restrições, incluindo políticas de “ajuste estrutural” envolvendo medidas de austeridade e privatização de ativos públicos.

            Depois de 1944, o dólar dos EUA negociou de forma intercambiável com o ouro como moeda de reserva global. Quando os EUA não mais estavam capazes de manter o dólar baseado em ouro, na década de 1970 fizeram um acordo com a OPEP para “basear” o dólar em petróleo, criando o “petrodólar”. Petróleo seria vendido somente em dólares americanos, os quais iriam ser depositados em Wall Street e outros bancos internacionais.

            Em 2001, insatisfeito com o valor cada vez menor que os dólares que a OPEP estava pagando por seu petróleo, o Iraque de Saddam Hussein quebrou o pacto e vendeu o dólar em euros. A mudança de regime seguiu rapidamente, acompanhada pela destruição generalizada do país.

            Na Líbia, Gaddafi também quebrou o pacto, mas ele fez mais do que vender seu petróleo em outra moeda.

            Assim estes desenvolvimentos são detalhados pela blogueira Denise Rhyne:
Durante décadas, a Líbia e outros países africanos tinha estado tentando criar um padrão ouro pan-africano. A Líbia de Gaddafi e outros chefes dos Estados africanos queriam uma independente “moeda forte” pan-africana. 
Sob a liderança de Gaddafi, as nações africanas tinham convocado ao menos duas vezes a unificação monetária. Os países discutiram a possibilidade de usar o dinar líbio e dirrã de prata como único dinheiro possível para comprar petróleo africano. 
Até a recente invasão dos EUA/OTAN, o dinar de ouro era emitido pelo Banco Central da Líbia (CBL). O banco líbio era 100% estatal e independente. Os estrangeiros tinham que passar pelo banco central da Líbia para fazer negócios com a Líbia. O Banco Central da Líbia emitiu o dinar, usando as 143,8 toneladas de ouro. 
A Líbia de Gaddafi (Presidente da União Africana de 2009) concebeu e financiou um plano para unificar a soberania dos Estados da África com uma moeda de ouro (Estados Unidos da África). Em 2004, um parlamento pan-africano (53 nações) estabeleceu planos para a Comunidade Econômica Africana – com uma única moeda de ouro até 2023. 
As nações africanas produtoras de petróleo estavam planejando abandonar o petro-dólar, e exigir pagamento de ouro por petróleo / gás.

Mostrando o que é possível

            Gaddafi tinha feito mais que organizar um golpe financeiro africano. Ele tinha demonstrado que independência financeira poderia ser alcançada; Seu maior projeto de infraestrutura, o Great Man – made River, estava transformando regiões áridas em um celeiro para a Líbia; e os 33$ bilhões do projeto estava sendo financiado sem juros nem dívida externa, através do próprio banco estatal da Líbia.

{Muammar al-Gaddafi: um dos maiores líderes do século XXI. O perfil dos grandes ditadores da humanidade:  liderança,
compromisso e dedicação ao Estado, e protegendo o povo contra os inimigos e tiranos da humanidade.} 


            Isso poderia explicar porque essa peça crítica de infraestrutura foi destruída em 2011. A OTAN não somente bombardeou a tubulação[13], mas finalizou o projeto bombardeando a fábrica que produz os tubos necessários para repará-la. A paralisação de um sistema de irrigação servindo até 70% da população dificilmente parece uma intervenção humanitária. Em vez disso, como o professor canadense Maximilian Forte colocou em seu livro altamente embasado Slouching Towards Sirte: Nato’s War on Libya and Africa[14]:
O objetivo da intervenção militar dos EUA era romper um padrão emergente de independência e uma rede de colaboração dentro da África que iria facilitar o aumento da autossuficiência africana. Isto está em desacordo com as ambições geoestratégicas e político econômicas das potências extracontinentais europeias, nomeadamente os EUA.
{Este é o resultado da intervenção "humanitária" dos globalistas no mais próspero país africano de então, a Líbia de Gaddafi. Foto do The New York Times }

Mistério resolvido

            Os e-mails de Hillary Clinton jogam luz em outro enigma observado pelos primeiros comentadores. Por que, dentro de semanas depois de iniciar o combate, os rebeldes montaram seu próprio banco central? Robert Wenzel escreveu[15] no The Economic Policy Journal em 2011:
Isto sugere que nós temos um pouco mais que um bando de rebeldes correndo por aí e que há algumas influências bastantes sofisticadas. Eu nunca ouvi falar de um banco central sendo criado em questão de semanas a partir de uma revolta popular.           
                 Tudo era altamente suspeito, mas como Alex Newman concluiu num artigo de novembro de 2011[16]:
Se a recuperação do banco central e o corrupto sistema monetário global estavam realmente entre as razões para a derrubada de Gadhafi... talvez nunca possa ser conhecido com certeza – ao menos não publicamente.
            Lá o assunto teria permanecido – suspeito, mas não verificado como muitas histórias de fraude ou corrupção – se não pela publicação dos e-mails de Hillary Clinton após uma investigação do FBI. Eles acrescentaram substancial peso nas suspeitas de Newman: violenta intervenção não se referia principalmente à segurança do povo. Era sobre a segurança dos bancos, dinheiro e petróleo globais[17]


Tradução e palavras entre chaves por Mykel Alexander


Notas {obs. algumas notas não foram colocadas pois os endereços virtuais foram retirados}


[1] Fonte usada por Ellen Brown: ‘Clinton on Gaddafi: We came, we saw, he died’

[2] Fonte usada por Ellen Brown: “A New Libya, With ‘Very Little Time Left’”, por Scott Shane e Jo Becker, 27/02/2016, The New York Times.

[3] Fonte usada por Ellen Brown: “Amnesty questions claim that Gaddafi ordered rape as weapon of war”, por Patrick Cockburn, 24/06/2011, Independent.

[4] Fonte usada por Ellen Brown: “The Top Ten Myths in the War Against Libya”, por Maximilian Forte, 31/08/2011, Counter Punch.

[5] Fonte usada por Ellen Brown: “Clinton Emails on Libya Expose The Lie of ‘Humanitarian Intervention’”, por Dan Kovalik, 22/01/2016 e atualização em 22/01/2017, Huffington Post.

[6] Fonte usada por Ellen Brown: “Libya: From Africa’s Wealthiest Democracy Under Gaddafi to Terrorist Haven After US Intervention”, por Garikai Chengu, 20/10/2015, Counter Punch.

[7] Fonte usada por Ellen Brown: “War Crime: NATO Deliberately Destroyed Libya’s Water Infrastructure”, por Nafeez Ahmed, 30/05/2015, Truthout.

[8] Fonte usada por Ellen Brown: “Obama Readies to Fight in Libya, Again”, por Jack Smith, 05/02/2016, Counter Punch.

[9] Fonte usada por Ellen Brown: “Clinton Email Shows that Oil and Gold Were Behind Regime Change In Libya”, por George Washington, 09/01/2016, Zero Hedge.

[10] “What Hillary Knew about Libya”, por Robert Parry, 13/01/2016, Common Dreams.

[11] Fonte usada por Ellen Brown: “Gadhafi’s Gold-money Plan Would Have Devastated Dollar”, por Alex Newman, 11/11/2011, The New American.

[13]Fonte usada por Ellen Brown:  “War Crime: NATO Deliberately Destroyed Libya’s Water Infrastructure”, por Nafeez Ahmed, 30/05/2015, Truthout.

[14] Fonte usada por Ellen Brown: “In his Ceasefire review, Dan Glazebrook examines Maximilian Forte's withering indictment of liberal humanitarianism and its collusion in imperialist designs on Africa, as seen in NATO's Libya campaign of 2011.”, por Dan Glazebrook, 22/04/2013, Ceasefire.

[15] Fonte usada por Ellen Brown: “Libyan rebels form central bank”, por Robert Wenzel,  Economic Policy Journal.

[16] Fonte usada por Ellen Brown: “Gadhafi’s Gold-money Plan Would Have Devastated Dollar”, por Alex Newman, 11/11/2011, The New American.

[17] Nota do Tradutor Com Gaddafi a Líbia ocupava em 2010 a 54 ª posição no Índice de Desenvolvimento Humano. É fundamental registrar que entre um ano e outro são poucos países que mudam de posição no ranking mundial, e ainda assim isso ocorre geralmente em uma ou duas posições, mas no caso da Líbia, de 2010 para 2011 ela desceu 10 posições após a alegada intervenção humanitária, e agora ocupa a 108ª posição, descendo desde a queda de Gaddafi surreais 54 posições.



http://hdr.undp.org/en/countries/profiles/LBY (consulta em 11/03/2019 - referente a setembro de 2018).


Desenvolvimento 1990 – 2017: http://hdr.undp.org/en/data



Sobre a autora: Ellen Brown é advogada e presidente do Public Banking Institute, http://PublicBankingInstitute.org . No último de seus onze livros, ela mostra como um cartel privado tem usurpado o poder de criar dinheiro do próprio povo, e como nós, o povo podemos obtê-lo de volta. Seus websites são: http://webofdebt.com e http://ellenbrown.com .


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quinta-feira, 7 de março de 2019

Guillaume Faye 1949-2019 - Ex-príncipe herdeiro da Nova Direita Francesa


John Bruce Leonard
Editorial Arktos

É com grande tristeza que soubemos do falecimento esta noite (7 de março) de Guillaume Faye. Embora homens de seu calibre e coragem nunca podem viver tempo suficiente, seu nome não irá desaparecer com seu portador: Faye será lembrado por muito tempo na qualidade, visão, amplitude e vivacidade de suas palavras. Seu trabalho tem educado alguns dos melhores dos jovens de hoje, que podem vir a viver as catástrofes que ele anteviu e tentou nos alertar contra.

            Faye sacrificou muitas coisas, inclusive no fim sua própria saúde, pela futuro da Europa. Seu trabalho foi incansável e ele nunca poupou ele próprio. Então ele pode descansar em paz.

            Guillaume Faye nasceu em 1949 e recebeu um Ph.D. em Ciência Política do Institut d’estudes politiques de Paris. Ele foi um dos principais organizadores da Nova Direita Francesa GRECE (Groupement de recherche et d’etudes pour la civilisation europeenne) durante os anos da década de 1970 e 1980, e ao mesmo tempo cultivou sua carreira como um jornalista, particularmente nos noticiários revistas Figaro e Paris-Match. Em 1986 ele deixou o GRECE após entrar em desacordo com a direção do grupo, o qual ele achou que estava se tornando excessivamente acadêmico e menos engajado com os problemas reais confrontando a Europa. Por mais que uma década, ele trabalhou como locutor da estação de rádio francesa Skyrock, e no programa Telematin o qual ia ao ar na France 2 TV. Ele retornou ao campo da filosofia política em 1998 quando um número de seus novos ensaios foi coletado e publicado no volume Archeofuturism, o qual tinha também sido publicado em inglês pela Arktos. Desde então ele tinha produzido uma série de livros os quais têm desafiado e revigorado os leitores da Europa e América do Norte.

Guillaume Faye

            Seus livros têm se tornado leitura obrigatória para os direitistas e identitários europeus, indiferente se eles concordam ou discordam com suas ideias. Durante a última década, Faye esteve acostumado à controvérsia, tendo publicado livros sobre imigração, o ‘choque das civilizações’, e a questão da relação da direita com o islamismo e o sionismo. Ele também publicou um jornal mensal, J’ai Tout Compris (Eu compreendi tudo!). Ele é muito influente sobre o movimento identitário, e rejeita a ideologia comunitária é pró-Terceiro Mundo propagada pelos seus ex-colegas do GRECE. Ele [era] também um frequente contribuinte para o grupo Terre et Peuple (Terra e Povo), e ainda [dava] palestras e [escrevia] frequentemente. Arktos tem também publicado seus livros Why We Fight, o qual é um manifesto em forma de um dicionário para revolucionários identitários do Ocidente, e Convergence of Catastrophes, que é uma visão geral de muitas crises que Faye acredita que a humanidade irá ter de confrontar no futuro próximo. Arktos está publicando uma série contínua de seus trabalhos em inglês.

Tradução e palavras em colchetes por Mykel Alexander   


Os livros de Guillaume Faye publicados pela Arktos são:

A Global Coup, 2017

Understanding Islam, 2016

Archeofuturism 2.0, 2016

The Colonisation of Europe, 2016

Sex and Deviance, 2014

Convergence of Catastrophes, 2012

Why We Fight, 2011

Archeofuturism, 2010




Editor: John Bruce Leonard estudou Filosofia, Letras, e Idiomas em um currículo universitário baseado exclusivamente nos grandes livros da Tradição Ocidental. Após obter sua graduação em Artes Liberais, ele mudou-se permanentemente para a Itália, onde ele nutre sua preocupação com a herança e o futuro da Europa. Ele juntou-se a Arktos em 2017.

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domingo, 17 de fevereiro de 2019

A Agenda de Hollywood, e o poder atrás dela - Por Mark Weber


Mark Weber
Texto do discurso pronunciado na conferência sobre “Hollywoodismo” em Teerã, Irã, em 6 de fevereiro de 2013

            No último setembro, durante minha visita ao Irã, um incidente ocorreu que ressalta a importância de nosso encontro aqui esta semana.

            Talvez oito de nós – homens e mulheres de vários diferentes países que estavam assistindo a conferência “New Horizon” - estavam sentados juntos para uma refeição em uma grande mesa redonda no topo da Torre Milad, muito acima da Teerã central. Conforme as conversas se voltavam para os costumes e estilo de vida em nossos diferentes países, um dos mais jovens iranianos em seus 20 anos comentou, quase de passagem, que os americanos são delgados e magros. Fiquei surpreso por isto, e respondi dizendo que, conforme os dados, os americanos são as pessoas mais obesas no mundo. Perguntei a ele porque ele pensou que os americanos são delgados e magros. Bem, ele respondeu, é assim que eles aparecem nos filmes americanos.

            Agora, este jovem homem não era estúpido ou tolo. E o que as pessoas pensam sobre a média de peso dos americanos não é uma questão criticamente importante. Mas sua observação foi outro lembrete da tremenda influência global de Hollywood, e de quão enganoso seu imaginário pode ser.

            Durante uma das conversas frente a frente com os iranianos, fui surpreendido pelo tanto que tem sido estranhamente idealizada a impressão dos EUA e da sociedade americana baseada na visão dos filmes americanos e televisão. Isto é especialmente notável dado que, nos Estados Unidos, pelo menos, somos informados que os iranianos odeiam a América. Na verdade, parece que frequentemente as mais hostis visões dos EUA e dos americanos é pelas pessoas nos países que são supostos “amigos” dos EUA, e que uma visão muito mais positiva dos Estados Unidos pode algumas vezes ser encontrada em países que são supostos inimigos da América.

            Se mesmo muitos iranianos, os quais se poderia supor que seriam particularmente céticos da imagem hollywoodiana e da propaganda, podem ser tão facilmente seduzidos ou enganados, quão mais facilmente influenciadas e enganadas podem ser as pessoas nos países que estão sobre a direta sombra de Washington, Nova Iorque e Hollywood.

            Bem, nós certamente temos muito trabalho para expurgarmo-nos.

            Todos compreendem que os filmes americanos e televisão, e, mais amplamente, os meios de comunicação americanos, têm um importante papel em formar a imagem, valores e comportamentos, de muitas milhões de pessoas ao redor do mundo, especialmente, é claro, na minha terra natal, os Estados Unidos. Mas mesmo muitos daqueles que prontamente reconhecem esta influência parecem não compreender completamente o formidável poder por trás de Hollywood, ou a pré-disposição e agenda daqueles que exercem esse poder.

            Em setembro, durante minha primeira visita ao Irã, eu estava um pouco surpreso que em uma sessão da conferência “New Horizon”, uns poucos participantes se opuseram a descrever Hollywood como “controlada pelo sionismo” ou “dominada pelo sionismo”. A discussão tornou-se tão acalorada que uma sessão especial foi programada para um debate deste assunto e, esperançosamente, alcançar um consenso sobre isso. Esta questão não é algo periférico ou acadêmico. A consciência sobre quem detém o poder em Hollywood é essencial para a compreensão da pré-disposição, ideologia e agenda daqueles que exercem tal grande influência.

            Durante uma entrevista para a televisão em 1996, o ator Marlon Brando falou sem rodeios sobre o assunto. Ele disse “Eu estou muito zangado com alguns judeus... Eles sabem perfeitamente bem quais são as responsabilidades deles... Hollywood é mandada por judeus. Ela é possuída por judeus, e eles devem ter uma maior sensibilidade sobre as questões das pessoas que estão sofrendo.[1]

{An Empire of their Owm, How the Jews invented Hollywood, livro de Neil Gabler sobre a criação e desenvolvimento  pelos judeus patriarcas dos estúdios de vanguarda de Hollywood: Universal, Fox, MGM e Paramount no século XX}
            Por fazer estes comentários, as vozes sionistas nos EUA rapidamente e severamente denunciaram o ator veterano. Ele foi asperamente repreendido, por exemplo, pela “Liga Anti-Difamação”, um dos mais poderosos e influentes grupos judaico-sionistas nos EUA. A ADL chamou as observações de Brando de “calúnia”. Na verdade, declarações, pelo menos dos não judeus, que afirmam a dominação judaica ou sionista de Hollywood são rotineiramente denunciadas pela ADL e similares grupos, como infundado discurso “antissemita”, e intolerável ofensivo discurso de “ódio”[2].
           
            Mas qual é a realidade na questão? Estava Marlon Brando dizendo a verdade? Quão preciso é isso para descrever Hollywood – e, de modo geral, os meios de comunicação dos EUA – como judaicamente ou sionistamente controlados?

            Um dos mais reconhecidos e experientes observadores de Hollywood é Michael Medved, um muito bem conhecido autor judeu e comentador político que é também um proeminente crítico de filmes. Sobre este assunto, ele escreveu: “não faz nenhum sentido tentar negar a realidade do poder judaico e sua proeminência na cultura popular. Qualquer lista de produtores executivos influentes em cada um dos grandes estúdios de cinema irá resultar numa maioria pesada de nomes reconhecidamente judeus.[3]

            Uma pessoa que tem cuidadosamente estudado este assunto é Jonathan J. Goldberg, editor do influente semanário da comunidade judaica Forward. Em seu livro de 1996, intitulado Jewish Power, ele escreveu:[4]
“Em alguns setores chave dos meios de comunicação, notavelmente entre os executivos dos estúdios de Hollywood, os judeus são numericamente tão dominantes que chamar estes negócios de controlados pelos judeus é pouco mais que uma observação estatística... 
“Hollywood no fim do século vinte é ainda uma indústria com um pronunciado tom étnico. Virtualmente todos os principais executivos dos maiores estúdios são judeus. Escritores, produtores, e em menor grau diretores, são desproporcionalmente judaicos – um recente estudo mostrou números tão altos como 59 por cento entre os filmes de maior bilheteria. 
 “O peso agregado de muitos judeus em uma das mais lucrativas e importantes indústrias dá aos judeus de Hollywood uma grande quantidade de poder político.” 
            Outra pessoa que tem comentado com alguma autoridade neste assunto é Joel Stein, um produtor judaico de Hollywood, e um escritor para a revista Time e outros periódicos. Numa coluna que apareceu em dezembro de 2008 no Los Angeles Times, ele escreveu: “Como um judeu orgulhoso, eu gostaria que a América conhecesse sobre nossas realizações. Sim, nós controlamos Hollywood... Eu não me importo se os americanos pensam que nós estamos comandando os meios de comunicação e de notícias. Hollywood, Wall Street ou o governo. Eu apenas me preocupo que nós consigamos nos manter controlando eles[5].”

Joel Stein, “How Jewish is Hollywood?”, Los Angeles Times, 19 de dezembro de 2008.

            Vários anos atrás, o Bispo Desmond Tutu da África do Sul, que foi premiado em 1984 com o Prêmio Nobel da Paz, disse a uma audiência em Washington: “... Vocês sabem tão bem como eu que, de alguma maneira, o governo israelense está colocado num pedestal [nos EUA], e criticá-lo é ser imediatamente apelidado de antissemita... As pessoas estão com medo neste país, de dizer que o errado é errado por causa que o lobby judaico é poderoso – muito poderoso.[6]

            O Bispo Tutu falou a verdade. Embora os judeus representam apenas dois ou três por cento da população dos EUA, eles exercem imenso poder e influência – vastamente mais que qualquer outro grupo étnico ou religioso.

            Como um autor judaico e cientista político o professor Benjamin Ginsberg tem assinalado[7]
“Desde a década de 1960, os judeus passaram a exercer considerável influência na economia, cultura, vida política e intelectual americana. Os judeus desempenharam um papel central na finança americana durante a década de 1980, e eles estavam entre os principais beneficiários das reorganizações e fusões de companhias. Hoje, embora pouco mais de dois por cento da população é judaica, quase a metade de seus bilionários são judeus. Os principais executivos das três maiores redes de televisão e os quatro maiores estúdios de cinema são judeus, assim como os proprietários das principais cadeias de jornais e o principal jornal, o New York Times...  O papel e influência dos judeus na política americana é igualmente assim... 
 “Os judeus são somente três por cento da população da nação e compreendem onze por cento do que este estudo define como elite da nação. Contudo, os judeus constituem mais que 25 por cento da elite de jornalistas e editores, mais que 17 por cento dos líderes de importantes organizações voluntárias e de interesse público, e mais que 15 por cento dos melhores empregados civis.” 
            Dois escritores judeus bem conhecidos, Seymour Lipset e Earl Raab, chegaram a isso no livro deles de 1995, Jews and the New American Scene. Eles escreveram[8]
“Durante as últimas três décadas os judeus [nos Estados Unidos] perfizeram acima de 50 por cento entre os principais duzentos intelectuais... 20 por cento dos professores nas principais universidades...[9] 40 por cento dos sócios das principais firmas de advocacia em Nova Iorque e Washington... 59 por cento dos diretores, escritores, e produtores dos 50 filmes de maior bilheteria de 1965 até 1982, e 58 por cento dos diretores, escritores, e produtores em duas ou mais séries de televisão do horário nobre.” 
              Este poder intimidante não é um fenômeno novo ou recente. Trinta anos atrás, o judeu-americano antissionista Alfred M. Lilienthal – a quem eu conhecia bem, e para quem eu uma vez trabalhei – tratou disto em seu detalhado estudo, intitulado The Zionist Connection. Ele escreveu[10]
“A extensão e profundidade a qual a judiaria organizada alcançou – e atinge – nos EUA é realmente fascinante... O componente mais eficaz da conexão judaica é provavelmente o do controle da mídia... Judeus, endurecidos por séculos de perseguição[11], subiram aos lugares de primordial importância no mundo dos negócios e das finanças... A riqueza e sagacidade judaica exercem um poder sem precedentes na área de finanças e investimento bancário, desempenhando um papel importante em influenciar as medidas políticas dos EUA frente ao Oriente Médio... Nas grandes áreas metropolitanas, a conexão judaico-sionista permeia completamente a afluente financeira, comercial, e círculos sociais, de entretenimento e artísticos.” 
            Em 1972, durante um encontro privado na Casa Branca, o presidente Richard Nixon e o Reverendo Billy Graham, o evangelista cristão mais conhecido da nação, conversaram juntos francamente sobre o controle judaico nos meios de comunicação. A conversa secreta deles, gravada, não foi tornada pública até trinta anos depois. Durante a conversa, Graham disse: “Este estrangulamento tem de ser quebrado ou o país vai para o ralo.” O presidente respondeu dizendo: “Você acredita nisso?” Graham respondeu: “Sim, senhor.” E Nixon disse: “Oh, rapaz. Eu também. Eu não posso jamais dizer isso, mas eu acredito nisso.[12]

            Até o presidente Nixon, supostamente o homem mais poderoso no mundo, acreditando que a América estava, como ele colocou “indo para o ralo” a não ser que ele considerasse como quebrado o “estrangulamento” judaico nos meios de comunicação dos EUA, estava com medo de falar publicamente sobre o assunto. Tão poderoso como ele era, o Presidente Nixon temia um poder ainda maior que ele próprio.

            Uma característica de poder antiético ou ilegítimo é o padrão de mentiras e engano. Por mais de 70 anos um dos principais pilares da Hollywood judaica tem sido a Metro Goldwyn Mayer. A familiar marca do leão que ruge desta grande empresa cinematográfica e de televisão aparece no início da MGM films. Em torno do leão que ruge, símbolo da marca, estão as palavras, em latim, “Ars Gratia Artis,” o que significa “arte em prol da arte.” Este lema é suposto que sugere que, pelo menos para Hollywood e MGM, filmes e produções de televisão são feitos, ou deveriam ser feitos, somente para promover a arte ou cultura para o próprio bem delas.

            Na verdade, este lema da MGM – esta liberal palavra de ordem – é uma mentira. Para a MGM, assim como para todos de Hollywood, “arte”, ou, mais precisamente, filmes e programas de televisão, são produzidos e comercializados não para o bem da “arte” ou “cultura”, mas, acima de tudo, para o bem do dinheiro e dos lucros – mas também para promover os interesses, ideologia e objetivos daqueles que controlam e mandam em Hollywood. Uma importante e socialmente nociva consequência da furiosa corrida de Hollywood por dólares é a produção de filmes e programas de televisão destinados aos maiores mercados possíveis, e que, portanto, frequentemente se rebaixam para agradar ao mais baixo do nível cultural. Isto é suficientemente ruim. Mas em adição, Hollywood tem um longo histórico de transformar filmes que são feitos para objetivos mais ideológicos, étnicos ou políticos.

            Um bom exemplo é “Exodus”, um épico de 1960 sobre a fundação do Estado de Israel. Ele é baseado em um romance best-selling de mesmo nome, escrito por Leon Uris, um ardente judeu sionista. O produtor e diretor do filme foi um imigrante judeu, Otto Preminger. Com uma memorável partitura musical, e estrelando atores tão proeminentes como Paul Newman[13] e Eva Marie Saint, o filme foi um enorme sucesso.

            No filme, e no livro o qual é baseado, os judeus são retratados como possuidores de uma mente elevada, sensíveis, idealistas, criativos e corajosos. Os britânicos são mostrados como cínicos e bastante ignorantes. E os árabes palestinos, na medida que eles são representados, são retratados como traiçoeiros, cruéis e assassinos. Para toda uma inteira geração de americanos, incluindo eu mesmo como um jovem, junto com outros milhões em outras nações, o filme “Exodus” foi talvez o fator mais importante em moldar nossa visão do Sionismo e do conflito Palestina-Israel.

            Durante a segunda metade do último século, um dos artistas de entretenimento mais populares da América era Steve Allen. Ele era também um talentoso e notável músico, compositor e escritor. Em 1992 – cerca de vinte anos atrás – ele disse: “Todo o mundo – esquerda, direita e meio – está perfeitamente consciente que nós estamos num período de colapso cultural e moral. Mas algumas pessoas não querem admitir que a mídia popular tem parte de responsabilidade nisto.[14]” Allen estava certo. Poucas pessoas, eu acho, irão negar que Hollywood tem desempenhado um papel maior em rebaixar, e mesmo corromper, o nível cultural dos Estados Unidos, e, para certa extensão, de grande parte do resto do mundo.

            Michael Medved, o autor judeu americano e crítico de cinema que mencionei anteriormente, teve um olhar crítico nesta questão num livro de 1992, amplamente discutido, intitulado Hollywood vs. America. Enquanto Hollywood continua produzir trabalhos de brilhantismo técnico, deslumbrante trabalho de câmeras, efeitos especiais estonteantes, cenários impressionantes, habilidosa edição, e roteiro criativo, o grande problema do centro cultural de entretenimento da América é o que Medved chama de “doença da alma.” Hollywood hoje, ele diz, é uma “fábrica de veneno”, onde o que ele chama de “padrão de honrar a feiura” tem tornado-se “difundido”. “Os mais influentes líderes da indústria do entretenimento”, segue Medved, demonstram o que ele descreve como “preferência pela perversidade”. “Um dos sintomas da corrupção e colapso de nossa cultura popular”, ele escreve, “é a insistência que nós examinamos somente a superfície de qualquer obra de arte ou entretenimento. O politicamente correto, noção adequadamente liberal é que nunca devemos cavar mais fundo – considerar se um dado trabalho é verdadeiro, ou bom, ou espiritualmente nutritivo – ou avaliar seu impacto na sociedade em geral[15].”

             Aqueles que defendem Hollywood, e o “American way of life”, irão algumas vezes argumentar que – qualquer base ou perversão que as produções de Hollywood possam ter – elas não representam a Hollywood institucional ou “oficial”. Uma distinção, eles dizem, deve ser feita entre as poucas produções reconhecidamente deploráveis – um pequeno número de “maçãs podres” – por um lado, e a Hollywood institucional ou “oficial” em outro. Pelo quão válido este argumento possa ser, não existe nenhuma dúvida também de que Hollywood, como uma instituição, muitas vezes sanciona e promove um etos {modo de ser} que é degradado, degenerado e inumano.

            Não há expressão mais reconhecidamente universal ou prestigiosa da Hollywood “oficial” que a cerimônia da Academia, um evento altamente divulgado anualmente, o qual a elite de Hollywood homenageia a si mesmo e dá reconhecimento para o que eles consideram como pessoas e produções extraordinárias do ano anterior. Na cerimônia do Oscar de 2006, a Hollywood institucional concedeu a sua maior honra para melhor canção original num filme à uma música de rap – se tal estilo de som mesmo merece ser chamado de música – intitulada “It's Hard Out Here for a Pimp[16]”, sobre os lamentos e angústias de um homem que ganha a vida com o dinheiro trazido de suas prostitutas.

            Aqui está uma porção das letras desta canção de rap – estas são as linhas menos ofensivas – a qual irei tentar passar num inglês que é mais compreensível que o original: 
“It's blood sweat and tears when it come down to a lick. I'm tryin' to get rich 'fore I leave up out it. I'm tryin' to have thangs but it's hard for a pimp. So I'm prayin' and I'm hopin' to God I don't slip, yeah. [É sangue, suor e lágrimas quando ele chegou até uma lambida. Eu estou tentando ficar rico antes de sair disso. Estou tentando ganhar a boa, mas isso é difícil para um cafetão. Então estou rezando para Deus e esperando não vacilar sim!
 “Man, it seems like I'm duckin' dodgin' bullets everyday. Niggaz hatin' on me cause I got, girls on the tray. But I gotta stay paid, gotta stay above water. Couldn't keep up with my girls, that's when things got harder [Cara, parece que estou escapando de tretas todos os dias. Os manos me odeiam porquê eu tenho as meninas na bandeja. Mas tenho que ter as coisas pagas, de ficar acima da água. Não poderia me manter com minhas garotas, que é quando as coisas ficam mais difíceis
 “North Memphis where I'm from, I'm 7th street bound. Where people all the time end up lost and never found. Man, these girls think we prove thangs, leave a big head. They come hopin' every night, they don't end up bein' dead. [Do norte de Memphis é de onde sou, ligado à rua 7. Onde as pessoas sempre terminam perdidas e nunca encaminhadas. Cara, estas garotas pensam que nós vivemos o máximo, que se dane essas estúpidas. Elas vem esperando que todas as noites, elas não terminem sendo mortas.]
 “Wait I got a snow bunny, and a black girl too. You pay the right price, and they'll both do you. That's the way the game goes, gotta keep it strictly pimpin'. Gotta keep my hustle tight, makin' change off these women, yeah” [Espere, eu tenho uma branquinha, e uma garota negra também. Você paga o preço justo, e elas irão ambas para você. Esta é a forma como o jogo segue, tem que se segurar na malandragem. Tenho de manter a minha ideia firme, fazendo meus corres hoje, fazendo a mulherada me dar dinheiro, sim
            É isso o que Hollywood quer dizer por “Arte em prol da arte”? É isto realmente um exemplar produto da cultura americana? É esta a música de uma sociedade saudável? O que diz isto a nós sobre Hollywood? E o que diz isso sobre a América?

            Posteriormente à honra prestigiosa de Hollywood para “It's Hard Out Here for a Pimp”, nenhuma figura política importante ou jornal de ponta levantou voz de protesto ou vergonha. Isto porquê hoje na América, esta canção de rap é vista não como ultrajante ou perversa, mas ao invés é abraçada como aceitável e digna de elogiosa expressão da cultura dos EUA.

            Outro exemplo da noção de distinção cultural de Hollywood é um filme muito rentável nos cinemas e vastamente aclamado em 2009 intitulado “Inglorious Basterds.” Nesta produção absurdamente fantasiosa, o ator Brad Pitt interpreta um judeu tenente do Exército dos EUA que lidera um time de oito judeus do exército americano cuja missão atrás das linhas inimigas é matar tantos alemães quanto possível, e matar eles do modo mais cruel, doloroso e hediondo possível[17]. Cada membro do time, ele diz com prazeroso orgulho, deve coletar 100 escalpos “nazi”, e ele diz a eles que nenhum prisioneiro irá ser pego -           isto, cada soldado alemão capturado deve ser assassinado. Em uma cena dramática, um sargento do exército dos EUA, que chama a si mesmo de “Urso judeu”, mata um prisioneiro de guerra por golpear sua cabeça com um taco de beisebol.

            Esta glorificação vil de um bando de vingativos judeus sádicos foi honrada pela Hollywood institucional com múltiplos prêmios, incluindo um Oscar e oito indicações ao Oscar. Anos de condicionamento pelos cineastas de Hollywood e educadores americanos têm preparado as audiências para aprovar e mesmo aplaudir a violência sádica destes criminosos em uniforme militar dos EUA, porquê as vítimas são, afinal, os malignos “nazis” que merecem ser mortos nos modos mais hediondos e cruéis possíveis. Ao longo dos anos, Hollywwod e os funcionários públicos americanos têm trabalhado juntos para estigmatizar japoneses, alemães, árabes e outros como dispensáveis, malignos sub-humanos que merecem ser erradicados como vermes. 

            Hollywood e Washington parecem sempre estar a procura por novas nações e nacionalidades para alvos como “mal”, e, portanto, dignas de erradicação. Não muito tempo atrás, você vai lembrar, um presidente americano proclamou o Irã ser um “eixo do mal”, e seu sucessor, o atual presidente dos EUA, diz ao mundo que ao lidar com o Irã, “todas as opções estão na mesa” – o que é um meio indireto de ameaçar o Irã com bombardeamento, invasão, guerra e mesmo obliteração nuclear.

            Filmes americanos e televisão, junto com o resto dos meios de comunicação de massa dos EUA, desempenham um importante papel na formação de premissas básicas sobre a vida e sobre o mundo, na definição dos padrões étnicos e sociais, e para delinear os limites do que é politicamente possível. Junto com o ainda muito formidável poder financeiro, econômico e militar da América, Hollywood e seus produtos têm real impacto nas vidas de milhões, não somente nos EUA, mas ao redor do globo.

{No The New York Times de 26/02/2016, artigo de Haeyoun Park, Josh Keller e Josh Williams, afirma-se que Hollywood é governada por brancos, e não por minorias, conforme o contexto geral que este artigo pertence, e mostrou-se 20 dos principais nomes que decidem os filmes e como serão abordados, todavia, o fato é que dos alegados 19 brancos, 15 são na verdade judeus. Da esquerda para direita: 1º Toby Emmerich, judeu (New Line Cinema); 2º Kevin Feige (Marvel Studio);  3º Jon Feltheimer, judeu (Lionsgate); 4º Jim Gianopulos (20th Century Fox); 5º Brad Gray, judeu (Paramount Pictures); 6º Alan Horn, judeu (Walt Disney Studios); 7º Robert Allen Igger, judeu (The Walt Disney Company); 8º Jeffrey Katzenberger, judeu (Dreamwork Animation); 9º Kathleen Kennedy (Lucas Filmes); 10º Sue Kroll, judia, (Warner Bros Pictury); 11º Donna Langley, judia (Universal Pictures); 12º John Lasseter (Pixar); 13º Michael Lynton, judeu (Sony Entertaiment); 14º   Rob Moore, judeu (Paramount Pictures); 15º Thomas Edgar Rothman, judeu (Sony Picture Motion Picture Group); 16º Jeff Shell, judeu (Universal Film Entertainment Group); 17º Stacey Snider, judia (20th Century Fox); 18º Steven Spilberg, judeu (Amblin Partner); 19º Harvey Weinstein, judeu (The Weinstein Company); 20º Kevin Tsujihara (Warner Bros. Entertainment). O que agrava a desinformação pela desonestidade de não especificar que não  era a maioria branca que predomina nessa lista de Hollywood, mas sim uma minoria judaica é que o The New York Times é uma mídia há muito tempo em posse judaica de Arthur Ochs Sulzberger Sr.,  depois na posse de  Arthur Ochs  Sulzberger Jr., e atualmente sob direção de Arthur Gregg Sulzberge, de ascendência judaica }
            Junto com o resto dos meios de comunicação dominados pelo judaismo-sionismo, Hollywood sensacionaliza e distorce os eventos atuais, sistematicamente falsifica a história, promove “entretenimento” desvalorizado e perverte os padrões culturais, e faz possível o controle judaico-sionista na vida política americana, permitindo assim as guerras de Israel e décadas de opressão aos palestinos.

            Hoje não existe tarefa mais importante ou urgente que claramente identificar e combater efetivamente este poder judaico-sionista.

            Quero enfatizar aqui que lidar candidamente com esta realidade não é, como alguns dizem, “antissemitismo” ou “ódio”. Nós não devemos, e nós não desejamos danos a qualquer pessoa por causa de sua ancestralidade, antecedentes étnicos, origem ou crenças privadas. Ao mesmo tempo, nós não devemos – nós não podemos – permitir calúnias ou xingamentos maliciosos que nos impeçam de afirmar a verdade e de fazer o que é certo.

            Nós estamos reunidos aqui esta semana em uma conferência que reúne homens e mulheres de diversas nacionalidades, raças e culturas, e com um amplo alcance de visões políticas e religiosas. Mas independentemente de nossos antecedentes, nacionalidade ou visão do mundo, e independentemente da paixão particular ou causa que move cada um de nós, nós compartilhamos um sentido de responsabilidade para o futuro de nossas próprias nações, e do mundo.

            Estamos envolvidos em uma grande e global batalha – na qual dois distintos e irreconciliáveis lados se confrontam – uma luta mundial que coloca um arrogante e malévolo poder que sente ordenado a governar sobre outros, em um lado, e todas as outras nações do outro. É uma batalha não meramente por justiça ou bem-estar das pessoas desta ou daquela nação, mas uma grande e histórica luta pela alma e futuro da própria humanidade.

Tradução e palavras entre chaves por Mykel Alexander


Notas


[1]    Entrevista com Larry King, CNN network, 5 de abril de 1996. “Brando Remarks, “Los Angeles Times, 8 de abril, 1996, p. F4 (O). Um curto tempo depois Brando foi obrigado a se desculpar por seus comentários.

[2]    Abraham H. Foxman, Never Again?: The Threat of the New Anti-Semitism (Harper San Francisco, 2003), p. 251.

[3]    M. Medved, “Is Hollywood Too Jewish?”, Moment, Vol. 21, N° 4 (1996), p. 37.

[4]    Jonathan Jeremy Goldberg, Jewish Power: Inside the American Jewish Establishment (Addison-Wesley, 1996), pp. 280, 287-288. Ver também pp. 39-40, 290-291.

[5]    J. Stein, “How Jewish is Hollywood?”, Los Angeles Times, 19 de dezembro de 2008.

[6]    D. Tutu, “Apartheid in the Holy Land,” The Guardian (Britain), 29 de abril de 2002.

[7]    Benjamin Ginsberg, The Fatal Embrace: Jews and the State (University of Chicago, 1993), pp. 1, 103.

[8]    Seymour Martin Lipset and Earl Raab, Jews and New American Scene (Harvard Univ. Press, 1995), pp. 26-27.

[9]    Nota do tradutor: Muitos de tais acadêmicos e publicistas judeus são continuadores e difusores de correntes de pensamento subversivas não apenas aos paradigmas ocidentais, mas sim subversivos a todas culturas tradicionais, especialmente aos indo-europeias e extremo-orientais para citar somente duas. Entre as correntes subversivas podem-se elencar o marxismo, psicanálise, Escola de Frankfurt, feminismo, igualitarismo e liberalismo. A obra The Culture of Critique: An Evolutionary Analysis of Jewish Involvement in Twentieth-Century Intellectual and Political Movement, de Kevin MacDonald aborda a relação de tais correntes com suas origens judaicas.

[10]  A  Lilienthal, The Zionist Connection (New York: Dodd, Mead, 1978), p. 206, 209, 212, 218, 228, 229. Ver também: M. Weber, “A Straight Look at the Jewish Lobby.”

[11]  Nota do tradutor: Como tais perseguições contra os judeus fazem parte da história deles, inclusive contada por historiadores judaicos célebres como Heirich Graetz e Simon Dubnow, para citar dois dos principais, fica a reflexão para o leitor, do porquê em culturas, povos e épocas tão diferentes, o anti-judaísmo se desenvolveu. Na narrativa judaica a regra é que todos os povos em que houve atrito com os judeus estavam errados sempre, por outro lado, nestes atritos estavam certos os judeus sempre. Mas devemos perguntar: como é possível que seja assim de sempre o judeu estar certo e sempre todos os outros povos, das mais diversas origens estarem errados?

[12]  “Nixon, Billy Graham Make Derogatory Comments About Jews on Tapes,” Chicago Tribune, 1° de março de  2002 (ou 28 de fevereiro de 2002)
 ( http://www.fpp.co.uk/online/02/02/Graham_Nixon.html );
 “Billy Graham Apologizes for ’72 Remarks,” Associated Press, Los Angeles Times, 2 de março de 2002. “Graham Regrets Jewish Slur,” BBC News, 2 de março de 2002.
 ( http://news.bbc.co.uk/2/hi/americas/1850077.stm) A conversação aparentemente ocorre em 1 de fevereiro de 1972.

[13]  Nota do tradutor: O próprio Paul Newman possuía ascendência judaica.       http://www.jewishjournal.com/hollywoodjew/item/paul_newman_hollywoods_most_famous_half_jew_dies_at_83_20080928 .

[14]  Michael Medved, Hollywood vs. America (Harper Collins, 1992), parte posterior da sobrecapa.

[15]  M. Medved, Hollywood vs. America (1992), pp. 11, 25, 26, 21.

[16]  Nota do tradutor: O que pode ser traduzido como: É difícil aqui na rua para um cafetão, ou então É difícil aqui fora para um cafetão.

[17] Nota do tradutor: Este filme foi feito na Alemanha, no famoso estúdio Babelsberg, fundado pelo judeu Jules Greenbaum no início do século XX, a frente judaica no cinema surgia simultaneamente na Europa, com toda força na Alemanha pré-Hitler, e em Hollywood. E Inglorious Basterds foi nos EUA distribuído pela The Weinstein Company, cujo famoso coproprietário, Harvey Weinstein, foi descoberto ser o centro do maior escândalo de estupros e assédios de Hollywood. Ver “Harvey Weinstein time line: How the scandal unfolded”, 10/01/2019, BBC.
  



Sobre o autor:

Mark weber é um historiador americano, escritor, palestrante e analista de questões atuais. Ele estudou história na Universidade de Illinois (Chicago), na Universidade de Munique (Alemanha), e na Portland State University. Ele possui um mestrado em História Européia da Universidade de Indiana. Desde 1995 ele tem sido diretor do Institute for Historical Review, um centro independente de publicações, educação e pesquisas de interesse público, no sul da Califórnia, que trabalha para promover a paz, compreensão e justiça através de uma maior consciência pública para com o passado.



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