Mostrando postagens com marcador antropologia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador antropologia. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 13 de abril de 2026

{Tributo a James Watson (1928-2025)} - Doze Livros Desconhecidos e Suas Verdades Raciais Suprimidas - parte 14 final {Ron Keeva Unz} - por Ron Keeva Unz

 Continuação de {Tributo a James Watson (1928-2025)} - Doze Livros Desconhecidos e Suas Verdades Raciais Suprimidas - parte 13 {Richard D. Fuerle} - por Ron Keeva Unz

Ron Keeva Unz


Livros desconhecidos que restaurariam a realidade da raça

De acordo com uma citação ligeiramente retrabalhada, amplamente atribuída ao famoso escritor de ficção científica Philip K. Dick, “A realidade é o que permanece mesmo quando você para de acreditar nela”.

Por aproximadamente os últimos cem anos, a esmagadora maioria de nossas elites intelectuais e políticas se recusou a aceitar esse princípio crucial. Em vez disso, eles têm parecido acreditar que a realidade de importantes questões raciais deveria se conformar à sua estrutura ideológica, e não o caminho da volta contrária. Exatamente esse mesmo tipo de recusa teimosamente dogmática em aceitar a realidade acabou levando à decadência e ao colapso da União Soviética cerca de três gerações após sua fundação.

De volta a 2017, eu fui entrevistado por telefone por uma ou duas horas por uma jornalista do New York Times, focada em temas políticos relacionados a questões raciais que repentinamente começaram a dominar as manchetes nacionais. Ela pareceu muito cética quanto à validade científica do conceito de raça e ficou bastante surpresa quando lhe disse que afirmar que “raça não existe” era praticamente o mesmo que afirmar que “gravidade não existe”.

            Eu salientei que seu colega de longa data, Nicholas Wade, um premiado jornalista científico, havia publicado um livro inteiro alguns anos antes sobre a ciência da raça. Além disso, apenas algumas semanas antes de nossa conversa, seu próprio jornal havia dedicado toda a primeira seção64 de sua prestigiosa Week in Review a uma longa exposição da inegável realidade científica da raça, escrita por David Reich, um renomado professor de Genética da Universidade Harvard e do Broad Institute.

Mas, a despeito desses pontos, ela ainda parecia bastante cética, presumivelmente refletindo as opiniões uniformemente contrárias de seus colegas jornalistas. Três anos depois, durante os protestos do movimento Black Lives Matter em 2020, James Bennet, o respeitado editor de Opinião do The New York Times, foi repentinamente purgado65 por ser considerado insuficientemente “politicamente correto.” Portanto, eu suspeito que, daqui para frente, suas crenças não serão mais abaladas por qualquer informação científica discordante publicada em seu próprio jornal.

Os doze livros quase desconhecidos que eu tenho apresentado acima diferem em muitos aspectos. Alguns foram escritos por jornalistas ou pesquisadores profundamente comprometidos com a causa antirracista. Outros foram escritos por acadêmicos renomados de algumas das nossas instituições acadêmicas mais prestigiosas, que buscaram apresentar os fatos científicos de forma imparcial, da melhor maneira possível. E alguns foram escritos por leigos engajados, que buscavam informar o mundo sobre questões e ideias que consideravam importantes.

Alguns destes trabalhos foram publicados por editoras importantes e atraíram muita atenção inicialmente, enquanto outras foram essencialmente autopublicadas e recebidas com quase absoluto silêncio. Mas hoje, todas essas obras importantes são quase igualmente desconhecidas.

Há três anos, eu publiquei por conta própria Race and Ethnicity in America {Raça e Etnicidade na América}, minha própria coletânea de ensaios sobre esses temas. Embora eu achasse que muitos dos meus textos eram muito bons, poucos envolviam o tipo de pesquisa original encontrada nos outros doze livros. Meu ranking de vendas atual na Amazon é bem baixo, em torno de 500.000, o que dificilmente me surpreende.

Mas, embora o ranking de vendas atual do meu livro seja baixo, quase todos os outros livros têm rankings piores, geralmente muito, muito piores. Parece haver poucas ou nenhuma venda atual desses importantes volumes escritos por acadêmicos e jornalistas renomados sobre um tema absolutamente crucial, e em alguns casos, nem mesmo exemplares estão disponíveis.

Para um país cuja ideologia dominante parece obcecada por raça, é uma grande tragédia que tantos livros importantes, capazes de revelar e esclarecer adequadamente essas questões subjacentes, permaneçam hoje quase totalmente desconhecidos.

Tradução e palavras entre chaves por Mykel Alexander

Notas

64 Fonte utilizada por Ron Keeva Unz: How Genetics Is Changing Our Understanding of ‘Race’, por David Reich, 23 de março de 2018, The New York Times.

https://www.nytimes.com/2018/03/23/opinion/sunday/genetics-race.html

65 Fonte utilizada por Ron Keeva Unz: James Bennet Resigns as New York Times Opinion Editor - A. G. Sulzberger noted “a significant breakdown in our editing processes” before the publication of an Op-Ed by a United States senator calling for a military response to civic unrest, por Marc Tracy, 07 de junho de 2020, The New York Times.

https://www.nytimes.com/2020/06/07/business/media/james-bennet-resigns-nytimes-op-ed.html

Fonte: American Pravda: Twelve Unknown Books and Their Suppressed Racial Truths, por Ron Keeva Unz, 17 de novembro de 2025, The Unz Review – An Alternative Media Selection.

https://www.unz.com/runz/american-pravda-twelve-unknown-books-and-their-suppressed-racial-truths/

Sobre o autor: Ron Keeva Unz (1961 -), de nacionalidade americana, oriundo de família judaica da Ucrânia, é um escritor e ativista político. Possui graduação de Bachelor of Arts (graduação superior de 4 anos nos EUA) em Física e também em História, pós-graduação em Física Teórica na Universidade de Cambridge e na Universidade de Stanford, e já foi o vencedor do primeiro lugar na Intel / Westinghouse Science Talent Search. Seus escritos sobre questões de imigração, raça, etnia e política social apareceram no The New York Times, no Wall Street Journal, no Commentary, no Nation e em várias outras publicações.

 ___________________________________________________________________________________

Relacionado, leia também:

A Sabedoria dos Antigos: Cidades-Estado Gregas como Estados-étnicos - Por Guillaume Durocher {academic auctor pseudonym}

Biopolítica, racialismo, e nacionalismo na Grécia Antiga: Uma visão sumária - Por Guillaume Durocher {academic auctor pseudonym}

A noção de diversidade racial na academia alemã e na legislação nacionalsocialista - parte 2 - Por Tomislav Sunić

A noção de diversidade racial na academia alemã e na legislação nacionalsocialista -  parte 1 - Por Tomislav Sunić

A cultura ocidental tem morrido uma morte politicamente correta - Paul Craig Roberts

Raça e Crime na América - Por Ron Keeva Unz

Judeus, comunistas e o ódio genocida nos "Estudos sobre a branquitude” - Por Andrew Joyce, Ph.D., {academic auctor pseudonym}

Harvard odeia a raça branca? – Por Paul Craig Roberts

Migrantes: intervenções “humanitárias” geralmente fazem as coisas piores – Entrevista com Alain de Benoist

Monoteísmo x Politeísmo – por Tomislav Sunić

Politeísmo e Monoteísmo - Por Mykel Alexander

Oswald Spengler: crítica e homenagem - por Revilo Oliver

Noções de cultura e civilização em Oswald Spengler - Por Mario Góngora

Oswald Spengler: Uma introdução para sua Vida e Idéias - por Keith Stimely

Para quem há história? - por Mykel Alexander

O peso da tradição: por que o judaísmo não é como outras religiões, por Mark Weber

Deus, os judeus e nós – Um Contrato Civilizacional Enganoso - por Laurent Guyénot

Sionismo, Cripto-Judaísmo e a farsa bíblica - parte 1 - por Laurent Guyénot

O truque do diabo: desmascarando o Deus de Israel - Por Laurent Guyénot - parte 1

O Gancho Sagrado - O Cavalo de Tróia de Jeová na Cidade dos Gentios {os não-judeus} - por Laurent Guyénot - parte 1


sexta-feira, 10 de abril de 2026

{Tributo a James Watson (1928-2025)} - Doze Livros Desconhecidos e Suas Verdades Raciais Suprimidas - parte 13 {Richard D. Fuerle} - por Ron Keeva Unz

 Continuação de {Tributo a James Watson (1928-2025)} - Doze Livros Desconhecidos e Suas Verdades Raciais Suprimidas - parte 12 {Gregory Cochran, Henry Harpending e Nicholas Wade} - por Ron Keeva Unz

Ron Keeva Unz


Richard D. Fuerle e Erectus Walks Amongst Us

            Embora todos esses livros sobre importantes questões raciais sejam provavelmente quase desconhecidos hoje em dia, na época de sua publicação, quase todos os seus autores eram pesquisadores científicos ou jornalistas muito respeitáveis, e a maioria deles havia inicialmente atraído significativa atenção da mídia predominante ou até mesmo se tornado grandes best-sellers. Contudo, eu expliquei que esse não era o caso de outra obra, mais longa do que quase todas as outras e muito mais controversa.

A maioria dos americanos contemporâneos, jovens ou idosos, tem vivido a vida inteira sob uma forma de condicionamento psicológico que os leva a sofrer uma espécie de reação alérgica a ideias que se enquadram em certas categorias específicas. Alguns dos gatilhos mais notáveis ​​incluem tópicos relacionados a raça, etnia e sexo, e o contato com esse material proibido pode ser uma experiência dolorosa, com o desconforto diminuindo gradualmente apenas após repetidas exposições. Um dos assuntos mais aterrorizantes para um ser humano é a natureza da humanidade.

Muitos das dúzias livros já discutidos neste longo artigo se enquadram nessas categorias perturbadoras e, em alguns casos, seu conteúdo me causou considerável desconforto quando os li pela primeira vez, há dez, quinze ou vinte anos, independentemente de eu ter concluído, no final, que grande parte de sua análise estava equivocada. Mas sempre que penso no livro mais controverso que já li, um único candidato óbvio me vem à mente: uma obra antropológica autopublicada.

Eu não me lembro das circunstâncias exatas de como o livro chegou ao meu conhecimento, talvez enquanto navegava pelos comentários de algum site ou blogueiro alternativo em 2008. Acabei clicando em um botão na Amazon e o recebi alguns dias depois, com um débito de US$ 18,00 no meu cartão de crédito. A obra já está esgotada há muito tempo, e as cópias físicas difíceis mais baratas agora são vendidas por US$ 900.

O autor era um indivíduo inteiramente desconhecido para mim, aparentemente um ativista libertário de longa data e uma espécie de polímata, com diplomas de graduação e pós-graduação em matemática, física, química, economia e direito. Ele alegava ter passado quatro anos escrevendo o livro, após vários anos de longas discussões online nas quais ele e um ou mais colaboradores haviam gradualmente desenvolvido a maioria das ideias básicas e realizado grande parte da pesquisa. Tais alegações parecem plausíveis, visto que o texto finalizado tem cerca de 200.000 palavras e é complementado por uma vasta gama de ilustrações, gráficos e tabelas, além de mais de 1.200 notas de rodapé detalhadas, a maioria delas substanciais e muitas bastante extensas. A bibliografia contém mais de 1.000 entradas.

A escrita em si era bastante funcional, embora pouco elegante, e a obra parecia se encaixar confortavelmente na estrutura evolucionista fornecida pelas teorias raciais de Coon, da década de 1960, e pela análise r/K de Rushton, da década de 1990, embora eu ainda não tivesse me deparado com as primeiras na época.

Eu não tenho sério conhecimento em antropologia, mas os primeiros capítulos, que abordavam genética e evolução, pareceram-me bastante corretos em sua descrição detalhada desses fundamentos científicos, e os argumentos apresentados nos capítulos posteriores foram plausíveis, ainda que frequentemente revolucionários em suas implicações. Mas, muito mais do que Coon ou Rushton, Richard D. Fuerle pretendia revolucionar completamente a história evolutiva do Homo sapiens.

Quando deparei-me com um amplo e contínuo arcabouço teórico de afirmações em um assunto muito além da minha área de especialização, eu naturalmente recorro a resenhas e comentários, que me fornecem um ponto de partida útil, sejam eles favoráveis ​​ou críticos. Mas, com a única exceção de uma resenha bastante favorável e abrangente63 (versão em PDF)64 de Jared Taylor, com quase 6.000 palavras, não havia nenhuma outra. Nenhum dos muitos blogueiros racialistas se dignou a abordar esse material, privando-me, assim, dos extensos debates em seções de comentários que normalmente teriam assistido a minha compreensão.

Deparando-me com esse dilema, eu decidi contatar um eminente acadêmico que eu conhecia, com grande experiência exatamente nesse assunto, e perguntei, com cautela, se ele já tinha ouvido falar da obra. Por coincidência, ele havia recebido um exemplar recentemente, mas não se dera ao trabalho de lê-lo, e, ao saber do meu contato, resolveu fazê-lo. Alguns dias depois, ele me enviou uma mensagem dizendo que já havia lido mais da metade do livro e que estava tão impressionado com a vasta quantidade de informações importantíssimas que ele continha, que planejava mantê-lo em sua estante para usá-lo como fonte de referência padrão. Então, um ou dois dias depois, ele me disse que, após terminar o livro, ficou absolutamente horrorizado com as teorias apresentadas pelo autor. Por isso, evitei tocar nesse assunto no futuro.

Eu recentemente reli meu antigo exemplar de Erectus Walks Amongst Us e o volume do material e a abrangência das ideias me impressionaram tanto agora quanto há doze anos. Meu conhecimento em antropologia pouco melhorou ao longo dos anos, então minha breve análise do conteúdo não deve ser levada muito a sério e pode apenas demonstrar minha profunda ignorância sobre o assunto. Voar às cegas é sempre um comportamento arriscado.

A estrutura evolucionária humana proposta por Fuerle parece seguir, em linhas gerais, a de Coon, apresentando diversos argumentos de que, ao contrário da ortodoxia moderna, as diferentes raças humanas, na verdade, são anteriores ao surgimento do próprio Homo sapiens, tendo evoluído em populações geograficamente separadas de nossos ancestrais Homo erectus. Como exemplo das evidências apresentadas, ele observa que os primeiros erectóides que habitavam a Ásia possuíam incisivos em forma de pá, assim como os asiáticos modernos, o que parece improvável de ter sido mera coincidência.

Mas a tese central de Fuerle é que nossa estrutura dominante de origem africana — a noção de que o Homo sapiens evoluiu primeiro na África e depois se espalhou pelo mundo — deveria ser substituída por um modelo de origem eurasiática, e alguns de seus argumentos parecem razoáveis.

Ele argumenta que o conjunto de características físicas africanas parece ser adaptado ao calor, enquanto as dos asiáticos são adaptadas ao frio, com a raça caucasiana permanecendo mais generalizada, então sugere, com base em fundamentos teóricos, que uma população humana adaptada ao calor teria menos probabilidade de evoluir facilmente para variedades adaptadas ao frio e generalizadas, muito menos fazê-lo em tão pouco tempo quanto os 60.000 anos atualmente estimados. Além disso, o ambiente relativamente estável da África teria muito menos probabilidade de fornecer os severos desafios ambientais necessários para o surgimento de uma nova espécie, especialmente uma com inteligência muito superior à de seus predecessores eretoides.

Segundo a teoria atual sobre as origens africanas, o Homo sapiens migrou da África para a Eurásia justamente durante o período em que este continente foi assolado por uma severa era glacial, que criou condições de vida muito difíceis em comparação com a África, sua terra natal menos afetada. Isso parece implausível. Além disso, o homem de Neandertal já havia ocupado a Europa e partes da Ásia por centenas de milhares de anos, certamente estando bem adaptado às condições locais e possuindo um cérebro maior que o do Homo sapiens. Portanto, parece improvável que um pequeno número de intrusos humanos adaptados à África pudesse tê-los deslocado facilmente.

Entretanto, o modelo contrário de Fuerle sobre a evolução humana argumenta que a sapiência foi alcançada pela primeira vez em algum lugar do continente eurasiático, muito maior que a África e também sob uma pressão seletiva muito mais intensa. E durante a era glacial que cobriu o globo há 60.000 anos, pequenos grupos de Homo sapiens primitivos foram impelidos para o clima mais hospitaleiro da África, em vez de fugirem dele.

Não muito depois da publicação do livro de Fuerle, a antropologia foi abalada pela descoberta de que o DNA não africano continha pequenos elementos neandertais,65 demonstrando que as duas espécies diferentes haviam se cruzado, pelo menos em alguma medida, durante as dezenas de milhares de anos em que coexistiram na Europa e em partes da Ásia. De fato, Cochran e Harpending chegaram a sugerir que essa introgressão neandertal poderia ter envolvido genes cruciais para o sucesso do Homo sapiens, talvez fornecendo características bem adaptadas às condições ambientais locais e, portanto, sujeitas a uma forte pressão seletiva positiva. Alguns anos depois, pequenos traços de DNA de outros hominídeos pré-humanos66 foram encontrados em algumas das populações atuais do Sudeste Asiático, remanescentes de uma espécie chamada Denisovanos.

Todas essas descobertas de DNA residual têm demonstrado que as espécies não são tão rigidamente separadas umas das outras quanto nossos livros didáticos de biologia básica costumavam afirmar. De fato, inúmeras espécies animais podem acasalar e gerar descendentes férteis com facilidade, embora normalmente não o façam em condições naturais. Fuerle enfatizou repetidamente esse ponto em seu livro, muito antes que essas ondas de pesquisa de DNA tivessem estabelecido firmemente o caso em relação aos seres humanos. Por exemplo, o Homo neanderthalensis sempre foi classificado como distinto da nossa espécie, mas alguns agora podem argumentar que se tratava simplesmente de uma raça diferente de Homo sapiens e que deveria ser chamado de Homo sapiens neanderthalensis.

{Richard D. Fuerle (1941-2014) foi uma acadêmico americano que obteve três diplomas pela Universidade de Pittsburgh: bacharelado em matemática, bacharelado em direito e mestrado em economia. Aos 50 anos, ele obteve mais dois bacharelados, em física teórica e química. Como estudioso da ciência ele desenvolveu trabalhos de antropologia que propunham antecedentes de miscigenação entre seres humanos e hominídeos em algumas regiões da Terra em tempos imemoráveis. Descobertas genéticas nos anos posteriores a 2000 endossaram as propostas de Richard D. Fuerle.}
 

Quando nós consideramos as populações maiores do continente africano subsaariano, aqueles que vivem no Chifre da África parecem ser exceções parciais, tanto geneticamente quanto fisicamente, possuindo ancestralidade mista de povos de ambos os lados: negros africanos e caucasianos do Oriente Médio, sendo, em alguns aspectos, mais próximos destes últimos, exceto no que diz respeito à cor da pele. Hibridização semelhante é bastante comum no mundo, principalmente na Ásia Central, onde caucasianos e asiáticos convivem há milhares de anos. Portanto, nossa hibridização com neandertais é apenas um exemplo extremo disso.

A ciência inevitavelmente avança e, nas últimas décadas, a análise do DNA humano revisou substancialmente nossa árvore genealógica das populações mundiais, fornecendo resultados quantitativos muito mais sólidos e precisos do que as análises rudimentares produzidas por gerações passadas de antropólogos físicos. Se excluirmos as pequenas populações locais de aborígenes australianos, pigmeus africanos e alguns outros grupos minoritários, a humanidade tem sido tradicionalmente dividida em três mega-raças: caucasoides, mongoloides e negroides, e isso permanece válido até hoje. Mas a análise genética revelou que os dois primeiros grupos se agrupam muito mais, enquanto o último é um caso atípico considerável. Assim, em uma primeira aproximação, a humanidade está geneticamente dividida em eurasiáticos e africanos, e Fuerle apresenta o argumento provocativo de que, se os africanos não fossem uma raça viva e fossem conhecidos apenas por seus ossos e DNA, provavelmente teriam sido classificados como uma espécie separada dos eurasiáticos.

Em uma passagem reveladora citada na extensa resenha de Taylor,67 Fuerle enfatiza que as diferenças fenotípicas entre eurasiáticos e africanos parecem seguir um padrão consistente:

[V]irtualmente todas as diferenças raciais entre africanos e eurasiáticos residem em características primitivas; existem poucas, ou nenhuma, característica africana que seja mais moderna do que as características eurasiáticas. As evidências provêm de uma grande variedade de características muito diferentes: tecido ósseo, tecido mole, fisiologia, comportamento, inteligência, realizações e genes. E, mais importante, todas as evidências são consistentes. Não é o caso de os genes dizerem que os negros são modernos e os ossos dizerem que são primitivos. Todas as evidências apontam para a mesma coisa…

Esse padrão notável de características africanas é facilmente explicado pelo modelo de Fuerle sobre as origens humanas. Se o Homo sapiens evoluiu primeiro na Eurásia e pequenos grupos dessa nova espécie entraram na África há cerca de 60.000 anos, eles podem ter se hibridizado naturalmente com os hominídeos locais daquele continente, assim como outros membros primitivos de sua espécie fizeram com os neandertais ou denisovanos. Mas, como as populações locais preexistentes eram muito maiores, uma parcela muito maior da ancestralidade genética atual pode ter vindo dessas outras fontes.

No início deste ano, uma análise do genoma africano revelou68 que até 19% do DNA parece ter origem em “populações fantasmas” de hominídeos pré-humanos arcaicos que outrora floresceram naquele continente. Embora esses resultados científicos não tenham recebido a atenção da mídia que mereceriam, eles parecem representar uma confirmação experimental impressionante das notáveis ​​previsões que Fuerle havia apresentado em um livro publicado doze anos antes. Nossos livros didáticos de história explicam que, há um século, a expedição de Eddington para observar o eclipse solar de 1919 forneceu confirmação experimental para as previsões da Teoria da Relatividade Geral, elevando Einstein à fama internacional e, indiretamente, levando à sua concessão do Prêmio Nobel de 1921. Às vezes, me pergunto se essas recentes descobertas sobre o DNA deveriam ser consideradas sob uma luz semelhante.

Fuerle morreu em 2014, aos 73 anos, sem, portanto, presenciar essa aparente confirmação de sua hipótese. Eu suspeito que ele tenha terminado seus dias bastante decepcionado com a quase total falta de reconhecimento que seu livro autopublicado em 2008 havia alcançado, especialmente considerando os muitos anos de esforço investidos em sua produção. Além daquela longa resenha no boletim informativo69 da American Renaissance, sua obra não recebeu nenhuma discussão substancial em nenhum outro lugar e aparentemente caiu no desvanecimento.

Em seu prefácio, ele tinha descrito o livro como a principal contribuição de seus últimos anos para as gerações futuras e autorizou qualquer pessoa a publicá-lo ou copiá-lo livremente, sem pagar direitos autorais, prometendo também disponibilizá-lo em breve em formato HTML em um site, o que fez alguns meses depois. Posteriormente, lançou uma versão em PDF,70 com as importantíssimas notas de rodapé vinculadas a esse site. Ao longo dos anos, eu visitei o site ocasionalmente, mas quando o verifiquei há alguns anos, descobri que a propriedade do URL havia expirado algum tempo após sua morte, portanto o site não estava mais disponível. Como consequência, as versões em PDF ainda em circulação não têm acesso às notas de rodapé, o que compromete seriamente o valor do texto.

Felizmente, as páginas do site estavam salvas no Archive.org e consegui copiá-las para um local em nosso próprio site,71 incluindo todas as imagens associadas. Também produzi uma versão modificada do PDF72 na qual as notas de rodapé estão novamente ativas, agora apontando para esta cópia disponível.

Aqueles interessados ​​podem agora ler a obra e decidir por si mesmos o quanto minha ignorância em antropologia prejudicou minha avaliação do livro.

Como eu expliquei, após a publicação do notável livro de Fuerle, o conteúdo provou-se tão excepcionalmente controverso que, com exceção de uma resenha notável, nenhum dos muitos escritores racialistas na internet se dispôs a reconhecer sua existência e discuti-lo, situação que persistiu nos anos que seguiram.

Mas, em preparar este artigo, eu descobri que, após 17 anos, esse embargo intelectual finalmente foi quebrado. No início deste ano, um escritor do Substack, que frequentemente aborda questões de raça e QI, publicou um artigo extremamente longo e abrangente, resumindo e analisando criticamente o livro de Fuerle capítulo por capítulo. Sua análise citou diversos artigos e descobertas científicas relacionadas, muitas delas publicadas após o lançamento do livro. Embora as 37.000 palavras possam parecer intimidantes, aproximadamente um terço delas corresponde à lista de referências, tornando o corpo do texto, com suas 25.000 palavras, um tanto mais acessível.

Tradução e palavras entre chaves por Mykel Alexander


Notas:

64 Fonte utilizada por Ron Keeva Unz: link quebrado.

https://www.unz.com/wp-content/uploads/2020/10/AmRen-ErectusWalksReview.pdf

65 Fonte utilizada por Ron Keeva Unz: Signs of Neanderthals Mating With Humans, por Nicholas Wade, 06 de maio de 2010, The New York Times.

https://www.nytimes.com/2010/05/07/science/07neanderthal.html

66 Fonte utilizada por Ron Keeva Unz: DNA Turning Human Story Into a Tell-All, por Alanna Mitchell, 30 de janeiro de 2012, The New York Times.

https://www.nytimes.com/2012/01/31/science/gains-in-dna-are-speeding-research-into-human-origins.html

68 Fonte utilizada por Ron Keeva Unz: Who were the ghost people of Africa? DNA reveals ancient Africans bred with new unknown race of humans just 50,000 years ago, por Danyal Hussain e Joe Pinkstone, fevereiro de 2020, The Daily Mail.

https://www.dailymail.co.uk/sciencetech/article-7997861/New-study-shows-ghost-DNA-modern-day-population-west-Africa.html

71 Fonte utilizada por Ron Keeva Unz:

https://www.unz.com/text/ErectusWalks/index.html

Fonte: American Pravda: Twelve Unknown Books and Their Suppressed Racial Truths, por Ron Keeva Unz, 17 de novembro de 2025, The Unz Review – An Alternative Media Selection.

https://www.unz.com/runz/american-pravda-twelve-unknown-books-and-their-suppressed-racial-truths/

Sobre o autor: Ron Keeva Unz (1961 -), de nacionalidade americana, oriundo de família judaica da Ucrânia, é um escritor e ativista político. Possui graduação de Bachelor of Arts (graduação superior de 4 anos nos EUA) em Física e também em História, pós-graduação em Física Teórica na Universidade de Cambridge e na Universidade de Stanford, e já foi o vencedor do primeiro lugar na Intel / Westinghouse Science Talent Search. Seus escritos sobre questões de imigração, raça, etnia e política social apareceram no The New York Times, no Wall Street Journal, no Commentary, no Nation e em várias outras publicações.

 ___________________________________________________________________________________

Relacionado, leia também:

A Sabedoria dos Antigos: Cidades-Estado Gregas como Estados-étnicos - Por Guillaume Durocher {academic auctor pseudonym}

Biopolítica, racialismo, e nacionalismo na Grécia Antiga: Uma visão sumária - Por Guillaume Durocher {academic auctor pseudonym}

A noção de diversidade racial na academia alemã e na legislação nacionalsocialista - parte 2 - Por Tomislav Sunić

A noção de diversidade racial na academia alemã e na legislação nacionalsocialista -  parte 1 - Por Tomislav Sunić

A cultura ocidental tem morrido uma morte politicamente correta - Paul Craig Roberts

Raça e Crime na América - Por Ron Keeva Unz

Judeus, comunistas e o ódio genocida nos "Estudos sobre a branquitude” - Por Andrew Joyce, Ph.D., {academic auctor pseudonym}

Harvard odeia a raça branca? – Por Paul Craig Roberts

Migrantes: intervenções “humanitárias” geralmente fazem as coisas piores – Entrevista com Alain de Benoist

Monoteísmo x Politeísmo – por Tomislav Sunić

Politeísmo e Monoteísmo - Por Mykel Alexander

Oswald Spengler: crítica e homenagem - por Revilo Oliver

Noções de cultura e civilização em Oswald Spengler - Por Mario Góngora

Oswald Spengler: Uma introdução para sua Vida e Idéias - por Keith Stimely

Para quem há história? - por Mykel Alexander

O peso da tradição: por que o judaísmo não é como outras religiões, por Mark Weber

Deus, os judeus e nós – Um Contrato Civilizacional Enganoso - por Laurent Guyénot

Sionismo, Cripto-Judaísmo e a farsa bíblica - parte 1 - por Laurent Guyénot

O truque do diabo: desmascarando o Deus de Israel - Por Laurent Guyénot - parte 1

O Gancho Sagrado - O Cavalo de Tróia de Jeová na Cidade dos Gentios {os não-judeus} - por Laurent Guyénot - parte 1


domingo, 11 de setembro de 2022

As raízes da civilização {resultado de acidentes ou da força criadora?} - por Alain de Benoist

 

Alain de Benoist


            A grande revolução cultural teve lugar há 35.000 anos. Se não mesmo mais cedo. “Parece”, escreve o professor Marshack, “que numa época tão recuada, durante o período glacial[1], o caçador da Europa ocidental usava já um sistema de notação evoluído e complexo, cuja tradição poderia já então remontar a vários milhares de anos. Esta notação procedia de uma técnica cognitiva, crono-factorizada e crono-factorizante”

            Trata-se, provavelmente, de uma das mais importantes descobertas do século em matéria de pré-história[2].

            Tudo começou no inicio dos anos sessenta. Alexander Marshack, sólido, jovial, encarregado de investigação no Museu Peabody de tecnologia e de arqueologia da Universidade de Harvard, interroga-se sobre o problema das “origens”. Procurava determinar a natureza dos processos mentais que poderiam ser os do homem dos tempos recuados.

            “Dentro dos limites da evolução da espécie”, observa ele, “o cérebro permaneceu uma constante desde há cem a duzentos mil anos”. Não há, pois “progresso da humanidade” mas uma transformação continua do mundo por um homem que se mantém o mesmo desde os mais recuados tempos. Se o fenômeno humano se constitui como um todo, a “cultura” é tão antiga quanto ele.

            “Pus então, como hipótese, que o homem anterior ao período histórico, o homem do período glacial, não diferia grandemente do homem contemporâneo. O que acima de tudo diferia eram os fatos, as ideia e as relações inculcadas no seu cérebro, mas não a sua maneira de funcionar, nem seus hábitos, as suas capacidades ou a sua inteligência.”

            Por outras palavras, o Homo sapiens[3] teria sido algo mais do que um “fabricante de utensílios”, capaz unicamente de reconhecer e de empregar formas. Ele teria consciência das noções de “depois” de símbolo e de tempo. O autor qualifica tal fato com um termo: as suas atividades teriam já sido “crono-factorizadas” (time-factored)

            Mas era ainda imprescindível fundamentar devidamente tal hipótese. Alexander Marshack pensa tê-lo conseguido. Decifrando ossos gravados.

Alexander Marshack 
 

As “frases” lunares

            Até aqui, os especialistas em pré-história, quando da descoberta de sinais gravados, contentavam-se com falar em “motivos decorativos” ou “marcas de caça” Parecia, contudo, conveniente uma mais cuidada análise.

            Entre 1965 e 1970, o professor Marshack estudou mais de um milhar de objetos pré-históricos, provenientes de nove países da Europa, tendo-os submetidos a minuciosa análise: fotográfica, moldagem, decalques e exames ao microscópio. Os resultados ultrapassaram todas as expectativas, detalhes houve que apareceram e que jamais tinham sido notados.

            Sobre a maioria dos objetos os coches, os pontos e as estrias que se encontravam dispostos em linhas ou em grupos apareceram como tendo sido gravados “em momentos diferentes, sob ângulos diferentes e com pontas diferentes sobre as quais tinham sido exercidas pressões diferentes”. Certos signos revelam a marca de um só golpe, outros, a de vários. As técnicas variam igualmente: simples golpes, em movimentos parcialmente torneados de utensílios, buracos largos e pouco profundos, buracos profundos e estreitos, etc. Torna-se difícil falar de coincidência. Constata-se uma bem precisa intenção. Qual? 

            “Essas marcas”, indica Marshack, “não foram feitas no mesmo momento, com o mesmo ritmo, o mesmo pensamento ou o mesmo utensílio. Pode-se, pois, dizer que são ‘crono-factorizadas’”...

            Prosseguindo os seus trabalhos, Marshack apercebeu-se de que, igualmente, as marcas se não encontravam dispostas ao acaso. Encontra-se, geralmente um numero múltiplo de vinte e nove ou trinta, o que deixa imediatamente entrever uma relação com os meses do ciclo lunar (o mais fácil de observar). Ora, no interior de uma mesma “sequencia”, os “subgrupos” de signos gravados correspondem exatamente as diferentes fases da lua. Obtém-se, assim, o que Marshack chama “uma frase lunar quase perfeita até nas suas próprias subdivisões.”

            No seu livro, abundante mente ilustrado, Marshack dá inumeráveis exemplos de tais “frases” e apresenta esquemas verificados por computadores.

            Cita, igualmente, peças características: o osso de la Marche (21 cm) cujas cento e vinte e uma marcas correspondem acerca de sete meses lunares; o osso de abri-Blanchard, na Dordonha, que apresenta, na sua face principal, uma linha dupla de sessenta e nove cúpulas arredondadas, para o traçado das quais se mudou de ponta vinte e quatro vezes; o galet de Barma Grande, etc.

 

Grandes caçadores

            O homem da pré-história dispunha, pois, de um “caderno de apontamentos das estações e das luas”. Sistema de anotação comum a todo o paleolítico[4] superior europeu, e de uma técnica já bem mais amadurecida do que a de certos sistemas encontrados já em épocas históricas, nomeadamente entre os índios da América do Norte.

            Na segunda parte do livro, o professor Marshack aproxima este sistema de notação das gravuras rupestres. Mais especialmente das representações de animais, de silhuetas femininas e de símbolos vulgares próprios do período aurignaciano[5]. O exame microscópico demonstra que estas figuras foram igualmente compostas em diversos períodos, que são, pois, igualmente “crono-factorizadas”. O que permite situa-las num contexto “dramático-narrativo” e ritual.

            Comentando estas descobertas, Henri de Saint-Blanquat escreveu em Sciences et Avenir: “as representações de animais podem, à sua maneira, trazer um testemunho. Um dos cavalos que se podem ver sobre o osso de la Marche revela, quando bem examinado, possuir três orelhas e três olhos, duas crinas e duas linhas por meio de três pontas diferentes, tal como os três olhos e as duas crinas. A estratigrafia das marcas demonstra que duas das orelhas foram gravadas após uma das crinas. Tudo se passa como se o cavalo tivesse sido “empregue” diversas vezes, a cada “utilização” correspondendo uma adição de órgão a gravura”.

            “Suponhamos”, acrescenta Marshack, “que um primeiro mês conta a história de um herói lunar que se faz devorar por qualquer espírito animal. Esta história poderia ser própria de uma estação do ano. Um segundo mês poderia, então, contar as aventuras do mesmo herói com qualquer outro animal sazonal ou qualquer espírito divino. A anotação poderia então sublinhar um momento narrativo ou simbólico destas aventuras, etc”

            Originada no ritmo essencialmente sazonal da vida no paleolítico, vê-se assim desenharem-se os contornos de uma religião de grandes caçadores, em que os ritos de fertilidade, por exemplo, seriam associados aos “antepassados” animais do clã: o mamute, a rena, o bisonte ou rinoceronte.         

            De passagem, Marshack afasta as interpretações “sexuais” ou psicanalíticas com as quais se satisfazem certos especialistas da pré-história. “A magia da fecundidade”, escreve, “não é senão uma das formas de participação na história e no mito que envolve a gravidez e o nascimento (...). A própria vulva é, ate um certo ponto, um símbolo não sexual, isto é, não copulador e não erótico, representando as histórias de processos que incluem o nascimento e a morte, a menstruação e os ciclos crono-factorizados ligados a natureza”        

            Ate onde remonta no tempo este sistema de anotação? É difícil sabê-lo. Marcas encontradas no osso de Pech-de-Lazé (-230.000 anos), o mais antigo dos ossos gravados ate hoje descobertos – foi encontrado em 1968, perto de Salat, pelo pré- historiador François Bordes – abrem perspectivas fantásticas ainda a explorar.

            A tradição, em todo o caso, manteve-se até o mesolítico e ao neolítico. Talvez até mesmo ao dealbar da História. A propósito de um calendário lunar gravados no alvião de Urgerlose (Dinamarca), Alexander Marshack escreve:

“Este calendário poderia explicar a presença de uma tradição de notação e de observação na Europa setentrional e central numa época em que as longínquas culturas agrícolas do sul praticavam uma tradição regional diferente. Poderia explicar a origem das varas-calendários e dos calendários rúnicos descobertos no norte da Europa na moderna era histórica. É igualmente possível que esta tradição europeia não seja de todo estranha aos extremamente tardios alinhamentos megalíticos de Stonehenge[6].”

 

Um papel revolucionário

 

Pré-história e escrita constituíam-se, até então, como termos contraditórios. Mas a linguística e a arqueologia haviam-nos já permitido franquear o muro que nos separava dos “milênios silenciosos”. Marschack vem-nos, agora, falar das “raízes da ciência e da escrita”.

 “Teríamos então”, faz notar Saint-Blanquat, “algo de semelhante a uma pré-escrita, uma notação pré-numérica, em suma, os alicerces sobre os quais, muito mais tarde, puderam ser edificadas a escrita verdadeira e a verdadeira numeração”.

 “Esta capacidade de anotar e de simbolizar”, acrescenta, “parece, de momento, pertencer apenas às culturas europeias do paleolítico superior (...). As antigas culturas europeias poderiam, assim, ter desempenhado um papel relativamente dinâmico, conformador e revolucionário em relação aos desenvolvimentos culturais posteriores”.

Tendo isto em conta, o homem pré-histórico surge a nossos olhos sob uma luz diferente. O hominídio primitivo, acocorado junto a fogueira, talhando o sílex ao longo do dia, apaga-se, para deixar lugar a um homem “acabado”, na posse de um conhecimento prático do tempo, do lugar, da direção, dos limites do seu território, capaz de descrever as suas experiências e de as exprimir por símbolos. Um homem, diz Marshack, de um “nível de evolução e de sofisticação a que se poderia dar o nome de proto-moderno”.

            A hominização surge, assim. Como ligada ao sentimento da diferença na duração. O “facto humano” caracteriza-se pela aparição de uma percepção “de dois andares”: o homem é um animal consciente de ter consciência. A dimensão histórica é, por excelência, a dimensão humana.

            À simples noção do homem fabricante de utensílios, diretamente derivada dos trabalhos de Darwin sobre a seleção natural e a luta pela vida, vem-se agora acrescentar a ideia de “homem crono-factorizante”. A arqueologia estava a correr sérios riscos de se tornar em “mania de colecionador” (Glyn Daniel). Mas eis que agora devem uma ciência auxiliar de etno-sociologia .

* * *

            “Les Racine de la Civilization”, ensaio de Alexander  Marshack, Plon, 415 paginas. {Originalmente publicado em inglês, 1972, como The Roots of Civilization

* * *

            Desde 1970 que as teses do professor Marshack não tem deixado de suscitar apaixonados arrebates. Após o aparecimento de “Racine de la Civilisation” nos Estados Unidos (“the Roots of Civilization: The Cognitive Beginnings of Mans First Art, Symbol and Notation”. Mac Grarc-Hill, New York, 1972),  a polemica estendeu-se a diversas disciplinas, enquanto que a imprensa assegurava à obra vasta publicidade (conf., nomeadamente “The New Post”, 16 de Maio de 1972; “the Washington Post” 17 de Abril de 1972; “Mosaic”, outono de 1972; Antiquity”, Dezembro de 1972; “The Bosnton Globe”, 2 de Dezembro de 1972; News-week”, 18 de Dezembro 1972). Numerosos especialistas, tal como Alan L. Movius Jr., da Universidade de Harvard, e Gerald S. Hawkins (autor de “Stonehenge Decoded”), do Smithsonian Astrophysical Observatory deram-se por convencidos. “Não é apenas a antropologia, mas toda a concepção do passado do homem que se encontra posta em questão”, observou Lewis Munmford, autor de “La Cité dans l’Histoire” (Seuil, 1972). “Um documento revolucionário”, acrescentou o professor Carlton S. Coon (“The Origin  f Races”, “The Living Races of Man”).

            Em Novembro de 1972, Alexander Marshack apresentou uma importante comunicação ao congresso antropológico de Toronto. Publicou igualmente uma atualização dos trabalhos em três artigos de primordial importância: “Cognitive Aspects of Upper Paleolithic Engravin” (in “Current Anthropology”, Junho-Outubro de 1972) e “Exploring The Mind of Ice Age Man” (in “National Geographic Magazine”, Janeiro de 1975).

            Em França, onde procedeu ao estudo de numerosas estações pré-históricas (Pech-Merl, Cougnac, Noaux, etc), Marshack publicou, em 1970, uma monografia, de caráter assaz técnico, que infelizmente passou quase desapercebida: “Notações nas gravuras do paleolítico superior” (Imprimerie Delmas, 6 place Saint-Christoly, 33000 Bordeaux). Sobre o acolhimento reservado a “Racines de la Civilisation”, podemos reportamo-nos ao artigo de Henri de Saint-Blanquat, em “Sciences et Aveir” (“um pithecanthope dessinateur”, Fevereiro de 1973) e no “Monde” de 27 de Dezembro de 1972. Cf. igualmente a interessante obra de Maxime Gorce, “Les Pré-Êcritures et l’Evolution dês Civilisations” (Klincksieck , 1974).

            Os trabalhos do professor Marshack inscrevem-se no quadro de uma reavaliação geral da antiguidade e da importância das culturas pré e proto-históricas da Europa ocidental e setentrional, que se desenvolveu, sobretudo, nos países anglo-saxônicos a partir dos anos 1965-1970. As obras-chaves sobre este assunto são a de Colin Renfrew (“Before Civilization”, “The Emergence of Civilization”), sobre a cronologia e as datações: de Alexander Thom (“Megalithic Luna Observatories”, “Megalithic Sites in Britain”), sobre a astronomia pré-histórica; e de John Daytoin (“Minerals, Metals Glaizing and Man”), sobre a tecnologia e a metalografia

            Colin Renfrew e Alexander Marshack estavam presentes no IX Congresso da União Internacional das Ciências Pré-Históricas e Proto-Históricas, que teve lugar em Nice entre os dias 15 e 18 de setembro de 1976.

Notas e palavras entre chaves por Mykel Alexander

Notas

[1] Nota de Mykel Alexander: “Período de arrefecimento do globo terrestre e de alargamento das massas glaciares. (...) Durante as glaciações, os territórios cobertos pelos gelos não puderam ser ocupados pelo homem. As zonas que rodeavam as calotas glaciares (...) permitiam, apesar da pobreza da sua vegetação, a subsistência de certas espécies animais. Explorando a caça, os caçadores (...) conseguiam sobreviver nas regiões submetidas a este clima (...)”.  Michel Brézillon, Dicionário de Pré-História. Edições 70, edição de 1990. Vocábulo Glaciações.

Os períodos glaciares vão desde antes de 650.000 anos até 10.000 anos. Entre cada período glaciar há os períodos de interglaciações. 

[2] Nota de Mykel Alexander: Período da humanidade que vai “desde os tempos mais recuados até ao aparecimento dos primeiros testemunhos escritos. Na ausência de textos, funda-se essencialmente na interpretação dos vestígios materiais que chegaram até nós.”  Michel Brézillon, Dicionário de Pré-História. Edições 70, edição de 1990. Vocábulo Pré-História. 

[3] Nota de Mykel Alexander: “Em 1735, Carl Linneu (...) situou, no seu Systema Naturae, o homem ao lado das outras espécies animais. Incluiu-o no gênero Homo com os antropoides (v. Primatas) e precisou a espécie como sapiens. Quando foram descobertas as outras formas antropídeos, a denominação de Lineu foi reservada apenas às formas modernas (...) Michel Brézillon, Dicionário de Pré-História. Edições 70, edição de 1990. Vocábulo Homo sapiens. 

[4] Nota de Mykel Alexander: O Paleolítico é o período arqueológico da era geológica quartenária a qual é caracterizada pela presença do homem e pela instabilidade climática, em especial as glaciações.

A era quartenária tem uma duração estimada, conforme o autor, entre 500.000 e 2 milhões de anos. As subdivisões adotadas pelos historiadores são o Paleolítico (a Idade da Pedra Lascada), o Neolítico (a idade da Pedra Polida), o período dos metais (as Idades do Cobre, do Bronze e de Ferro), e o período histórico.

“O termo foi criado por J. Lubbock em 1865, para designar a ‘Idade da Pedra Lascada’, por oposição ao Neolítico ou ‘Idade da Pedra Polida’”. O Paleolítico é dividido em Paleolítico Antigo ou Inferior, Paleolítico Médio, e em Paleolítico Superior. “O em Paleolítico Antigo ou Inferior, tem início com o aparecimento das primeiras indústrias humanas há, por certo, mais de um milhão de anos.”  Fonte utilizada: Michel Brézillon, Dicionário de Pré-História. Edições 70, edição de 1990. 

[5] Nota de Mykel Alexander: Um período do Paleolítico Superior. Fonte utilizada: Michel Brézillon, Dicionário de Pré-História. Edições 70, edição de 1990. 

[6] Nota de Mykel Alexander: Importante monumento situado na Inglaterra (na região de Salisbury) e pertencente ao final do período Neolítico. Fonte utilizada: Michel Brézillon, Dicionário de Pré-História. Edições 70, edição de 1990; vocábulo Stonehenge.

 

Fonte: Nova Direita Nova Cultura – Antologia crítica das ideias contemporâneas; Editora Afrodite, 1981, Lisboa – Portugal. Capítulo As raízes da civilização.

Sobre o autor: Alain de Benoist (1943 –) é um acadêmico e jornalista francês formado em Direito (Universidade de Paris, especializado em Direito Constitucional) e Filosofia (Universidade de Sorbonne, especializado em Sociologia e História das Religiões). De vasta obra literária, escreveu mais de 60 livros assim como ultrapassou a marca de 4500 artigos escritos, 50 teses universitárias, e 140 reportagens, e na atualidade é uma das mais respeitadas autoridades sobre a cultura ocidental. Por quatro anos foi editor da revista semanal L'Observateur europée, depois foi editor da L'Echo de la presse et de la publicité's, em 1969 assumiu o cargo de editor da Nouvelle Ecole, cargo que ocupa até hoje, e desde 1988 tem sido editor da revista Krisis.

Dentre seus livros foram traduzidos para português:

Nova Direita Nova Cultura – Antologia crítica das ideias contemporâneas; Editora Afrodite, 1981, Lisboa – Portugal.

Comunismo e nazismo – 25 reflexões sobre o totalitarismo no século XX (1917 – 1989), Editora Hugin, 1989, Lisboa – Portugal.

Odinismo e Cristianismo no Terceiro Reich – a Suástica contra a Irminsul – Editora Antagonista, 2009, Portugal; capítulo A fábula de um “paganismo nazi”.

Para Além dos Direitos Humanos – defender as liberdades – Editora Austral, Porto Alegre, 2013.

___________________________________________________________________________________

Relacionado, leia também:

O mundo dos indo-europeus - Por Alain de Benoist

Politeísmo e Monoteísmo - Por Mykel Alexander

Monoteísmo x Politeísmo – por Tomislav Sunić