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| Whitney Webb |
WASHINGTON,
DC – Nas últimas semanas, a preocupação com o surgimento de um novo coronavírus
na China aumentou exponencialmente à medida que a mídia, especialistas e
funcionários do governo em todo o mundo se preocupavam abertamente com o fato
de que essa nova doença tem potencial para se transformar em uma pandemia
global.
À
medida que crescem as preocupações com o futuro do surto em curso, também
aumenta o número de teorias especulando sobre a origem do surto, muitas das
quais culpam uma variedade de atores estatais e / ou bilionários controversos.
Isso inevitavelmente levou a esforços para conter a “desinformação” relacionada
ao surto de coronavírus dos principais meios de comunicação e das principais
plataformas de mídia social.
No
entanto, embora muitas dessas teorias sejam claramente especulativas, há também
evidências verificáveis sobre o interesse recente de uma agência governamental
controversa dos EUA em novos coronavírus, especificamente aqueles transmitidos
de morcegos para humanos. Essa agência, a Agência
de Projetos de Pesquisa Avançada em Defesa do Pentágono (DARPA), começou a
gastar milhões em tais pesquisas em 2018 e alguns desses estudos financiados
pelo Pentágono foram conduzidos em laboratórios militares de armas biológicas
dos EUA que fazem fronteira com a China e resultaram na descoberta de dezenas
de novas cepas de coronavírus tão recentemente quanto em abril passado. Além
disso, os laços do principal laboratório de biodefesa do Pentágono com um
instituto de virologia em Wuhan, China – onde se acredita que o atual surto
começou – não foram relatados na mídia em inglês até o momento.
Embora
permaneça totalmente desconhecido o que causou o surto, os detalhes da recente
experimentação do DARPA e do Pentágono são claramente de interesse público,
especialmente considerando que as próprias empresas recentemente escolhidas
para desenvolver uma vacina para combater o surto de coronavírus são aliadas
estratégicas da DARPA. Não apenas isso, mas essas empresas apoiadas pelo DARPA
estão desenvolvendo vacinas controversas de DNA e mRNA para essa cepa
específica de coronavírus, uma categoria de vacina que nunca foi aprovada
anteriormente para uso humano nos Estados Unidos.
No
entanto, à medida que crescem os temores do potencial pandêmico do coronavírus,
essas vacinas devem ser lançadas no mercado para uso público, tornando
importante que o público esteja ciente das recentes experiências da DARPA sobre
coronavírus, morcegos e tecnologias de edição de genes e suas implicações mais
amplas.
Examinando
a Narrativa Recente da Arma biológica de Wuhan
Como
o surto de coronavírus passou a dominar as manchetes nas últimas semanas,
vários meios de comunicação promoveram alegações de que o epicentro relatado do
surto em Wuhan, a China também era o local de laboratórios supostamente
vinculados a um programa de guerra biológica do governo chinês.
No
entanto, após um exame mais aprofundado da fonte para essa alegação séria,
esses supostos vínculos entre o surto e um suposto programa chinês de armas
biológicas vieram de duas fontes altamente duvidosas.
Por
exemplo, o primeiro canal a reportar essa alegação foi o Radio Free Asia, o canal
de mídia financiado pelo governo dos EUA, voltado para o público asiático que
costumava ser encoberto pela CIA e nomeado pelo New York Times como uma parte essencial da “rede mundial de
propaganda”.
Embora não seja mais administrado diretamente
pela CIA, agora é administrado pelo Conselho de
Governadores de Radiodifusão (BBG), financiado pelo governo, que responde
diretamente ao Secretário de Estado Mike Pompeo, que era diretor da CIA
imediatamente antes de seu cargo atual no chefe do Departamento de Estado.
Em
outras palavras, a Radio Free Asia e
outros meios de comunicação administrados pelo BBG são meios legais para
propaganda do governo dos EUA. Notavelmente, a proibição de longa data do uso
doméstico da propaganda do governo dos EUA nos cidadãos dos EUA foi suspensa em
2013, com a justificativa
oficial de permitir que o governo “efetivamente se comunique de maneira
credível” e combater melhor a “Al-Qaeda e outras influências de extremistas
violentos.”
Voltando
ao assunto em questão, o recente relatório da Radio Free Asia sobre as supostas origens do surto vinculadas a um
centro de virologia chinês ligado ao estado citou apenas Ren Ruihong, ex-chefe
do departamento de assistência médica da Cruz Vermelha Chinesa, por esse motivo
de ter feito uma afirmação, Ruihong foi citado como especialista em vários relatórios da Radio Free Asia sobre surtos de doenças
na China, mas não foi citado como especialista por nenhum outro meio de
comunicação em língua inglesa.
Ruihong
disse à Radio Free Asia que:
“É um novo tipo de
coronavírus mutante. Eles não tornaram pública a sequência genética, porque é
altamente contagiosa… A tecnologia de engenharia genética chegou a esse ponto
agora, e Wuhan é o lar de um centro de pesquisa viral sob a égide da Academia
de Ciências da China, que é o mais alto nível de instalações de pesquisa na
China.”
Embora
Ruihong não tenha dito diretamente que o governo chinês estava fazendo uma arma
biológica na instalação de Wuhan, ela sugeriu que experimentos genéticos na
instalação podem ter resultado na criação desse novo “coronavírus mutante” no
centro do surto.
Com
a Radio Free Asia e sua única fonte
especulando sobre as ligações do governo chinês com a criação do novo
coronavírus, o Washington Times logo
levou muito mais longe em um relatório intitulado “Virus-hit Wuhan has two
laboratories linked to Chinese bio-warfare program” [Wuhan, atingido por
vírus, tem dois laboratórios vinculados ao programa chinês de guerra
biológica]. Esse artigo, bem como o relatório anterior da Radio Free Asia, cita uma única fonte para essa alegação, Dany
Shoham, ex-especialista em guerra militar de inteligência militar israelense.
No
entanto, ao ler o artigo, Shoham nem sequer faz a afirmação citada diretamente
na manchete do artigo, pois disse apenas ao Washington
Times que: “Certos laboratórios no instituto [Wuhan] provavelmente estão envolvidos, em termos de pesquisa e
desenvolvimento, em [armas biológicas] chinesas, pelo menos colateralmente, ainda que não seja a principal instalação do alinhamento de BW chinês (ênfase
adicionada).
Embora
as alegações de Shoham sejam claramente especulativas, ele está dizendo que o Washington Times se preocuparia em
citá-lo, especialmente devido ao papel fundamental que ele desempenhou na
promoção de falsas alegações de que os ataques de Anthrax em 2001 foram obra de
Saddam Hussein,
no Iraque. As afirmações de Shoham sobre o governo iraquiano e o Anthrax
armado, que foram usadas para sustentar o caso da invasão do Iraque em 2003, foram comprovadamente
completamente falsas, pois se descobriu que o Iraque não possuía nem as “armas
de destruição em massa” químicas nem biológicas que “especialistas” como Shoham
tinham afirmado.
Além
da própria história de Shoham de fazer alegações suspeitas, também vale a pena
notar que o empregador anterior de Shoham, a inteligência militar israelense,
tem um passado preocupante com armas biológicas. Por exemplo, no final dos anos
90, foi relatado por várias agências que Israel estava no
processo de desenvolver uma arma biológica genética que visaria árabes,
especificamente iraquianos, mas deixaria os judeus israelenses não afetados.
Dado
o passado duvidoso de Shoham e a natureza claramente especulativa de suas
reivindicações e daquelas feitas no relatório Radio Free Asia, uma passagem no artigo do Washington Times é particularmente reveladora sobre por que essas reivindicações
surgiram recentemente:
“Um sinal ameaçador,
disse uma autoridade dos EUA, é que os falsos rumores desde o início do surto
várias semanas atrás começaram a circular na Internet chinesa, alegando que o vírus faz parte de uma
conspiração dos EUA para espalhar armas biológicas. Isso pode indicar que a
China está preparando meios de propaganda para combater acusações futuras que o
novo vírus escapou de um dos laboratórios civis ou de defesa de Wuhan.
(ênfase adicionada).”
No
entanto, como visto nesse mesmo artigo, as acusações de que o coronavírus
escapou de um laboratório ligado ao estado chinês dificilmente serão acusações
futuras, já que o Washington Times e
a Radio Free Asia já fizeram essa
afirmação. Em vez disso, o que esta passagem sugere é que os relatórios da Radio Free Asia e do Washington Times foram respostas às
reivindicações que circulam na China de que o surto está ligado a um
“Conspiração dos EUA para espalhar armas biológicas.”
Embora
a maioria dos meios de comunicação de língua inglesa até o momento não tenha
examinado essa possibilidade, há evidências de apoio consideráveis que merecem
ser examinadas. Por exemplo, não apenas os militares dos EUA, incluindo seu
controverso braço de pesquisa – a Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de
Defesa (DARPA), recentemente financiaram estudos na China e nas proximidades
que descobriram novos coronavírus mutantes originários de morcegos, mas o
Pentágono também ficou recentemente preocupado sobre o uso potencial de
morcegos como armas biológicas.
Morcegos
como armas biológicas
Como
o surto de coronavírus em andamento centrado na China se espalhou para outros
países e foi responsabilizado por um número crescente de mortes, surgiu um
consenso de que esse vírus em particular, atualmente classificado como um “novo
coronavírus”, acredita-se que tenha se originado em morcegos e foi transmitido aos
seres humanos em Wuhan, na China, por meio de um mercado de frutos do mar que
também comercializava animais exóticos. Os chamados mercados
“úmidos”, como o de Wuhan, eram anteriormente culpados por surtos mortais de
coronavírus na China, como o surto de 2003 da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS).
Além
disso, um estudo preliminar sobre o coronavírus
responsável pelo surto atual descobriu que o receptor, enzima conversora de
angiotensina 2 (ACE2), não é apenas o mesmo que o usado pelo coronavírus SARS,
mas que os asiáticos orientais apresentam uma proporção muito maior de células
pulmonares que expressam esse receptor do que as outras etnias (caucasianas e
afro-americanas) incluídas no estudo. No entanto, essas descobertas são
preliminares e o tamanho da amostra é muito pequeno para tirar conclusões
definitivas desses dados preliminares.
Há
dois anos, relatos da mídia começaram a discutir a
súbita preocupação do Pentágono de que os morcegos poderiam ser usados como
armas biológicas, particularmente na disseminação de coronavírus e outras
doenças mortais. O Washington Post
afirmou que o interesse do Pentágono em investigar o uso potencial de morcegos
para espalhar doenças mortais e armadas foi por causa de supostos esforços
russos para fazer o mesmo. No entanto, essas alegações sobre esse interesse
russo em usar morcegos como armas biológicas datam da década de 1980, quando a
União Soviética se engajou em pesquisas secretas envolvendo o vírus Marburg,
pesquisa que nem sequer envolvia morcegos e que terminou com o
colapso da União Soviética em 1991.
Como
muitos dos controversos programas de pesquisa do Pentágono, os morcegos como
armas biológicas foram enquadrados como defensivos, apesar do fato de que
nenhuma ameaça iminente envolvendo armas biológicas propagadas por morcegos foi
reconhecida. No entanto, cientistas independentes acusaram recentemente o
Pentágono, particularmente seu braço de pesquisa DARPA, de alegar estar
envolvido em pesquisas que dizem ser “defensivas”, mas na verdade são
“ofensivas”.
O
exemplo mais recente disso envolveu o programa “Aliados Insetos” da DARPA, que
oficialmente “visa proteger o suprimento de alimentos agrícolas dos EUA,
entregando genes protetores às plantas por meio de insetos, responsáveis pela
transmissão da maioria dos vírus vegetais “e garantir alimentos em segurança no
caso de uma grande ameaça”, de acordo com a DARPA e a mídia.
No
entanto, um grupo de cientistas independentes e respeitados revelou em uma
análise contundente do programa
que, longe de ser um projeto de pesquisa “defensivo”, o programa Aliados
Insetos tinha como objetivo criar e fornecer “nova classe de arma biológica”.
Os cientistas, escrevendo na revista Science e liderados por Richard
Guy Reeves, do Instituto Max Planck de Biologia Evolutiva na Alemanha,
alertaram que o programa da DARPA – que usa insetos como veículo para agentes
de alteração genética ambiental horizontal (HEGAAS) – revelou “uma intenção de
desenvolver um meio de entrega de HEGAA´s para propósitos ofensivos(ênfase adicionada).”
Qualquer
que seja a verdadeira motivação por trás da súbita e recente preocupação do
Pentágono sobre o uso de morcegos como veículo para armas biológicas, os
militares dos EUA gastaram milhões de dólares nos últimos anos financiando
pesquisas sobre morcegos, os vírus mortais que eles podem abrigar – incluindo
coronavírus – e como esses vírus são transmitidos de morcegos para humanos.
Por
exemplo, a DARPA gastou US $ 10 milhões em um projeto em 2018 “para desvendar as causas
complexas dos vírus transmitidos por morcegos que recentemente deram o salto
para os seres humanos, causando preocupação entre as autoridades de saúde
globais”. Outro projeto de pesquisa apoiado pela DARPA e pelo NIH viu pesquisadores da
Universidade Estadual do Colorado examinarem o coronavírus que causa a Síndrome
Respiratória do Oriente Médio (MERS) em morcegos e camelos “para entender o
papel desses hospedeiros na transmissão de doenças para humanos”. Outros
estudos financiados pelas forças armadas dos EUA, discutidos em detalhes posteriormente
neste relatório, descobriram várias novas cepas de novos coronavírus
transportados por morcegos, tanto na China quanto em países vizinhos.
Muitos
desses projetos de pesquisa recentes estão relacionados ao programa de
prevenção de ameaças patogênicas emergentes da DARPA, ou PREEMPT, anunciado oficialmente
em abril de 2018. O PREEMPT concentra-se especificamente em reservatórios de
doenças de animais, especificamente morcegos, e a DARPA até observou em seu
comunicado à imprensa no programa que “está ciente das sensibilidades de bio- idoneidade
e biossegurança que possam surgir” devido à natureza da pesquisa.
O
anúncio da DARPA para o PREEMPT veio apenas alguns meses depois que o governo
dos EUA decidiu encerrar de forma controversa uma moratória nos chamados
estudos de “ganho de função” envolvendo patógenos perigosos. O VICE News explicou os estudos de “ganho de
função” da seguinte forma:
“Conhecidos como estudos
de ‘ganho de função’, esse tipo de pesquisa é aparentemente sobre como tentar
ficar um passo à frente da natureza. Ao
criar super-vírus mais patogênicos e facilmente transmissíveis, os
cientistas são capazes de estudar a maneira como esses vírus podem evoluir e
como as alterações genéticas afetam a maneira como um vírus interage com seu
hospedeiro. Usando essas informações, os cientistas podem tentar impedir o surgimento natural dessas características,
desenvolvendo medicamentos antivirais capazes de evitar uma pandemia (ênfase
adicionada).”.
Além
disso, enquanto o programa PREEMPT da DARPA e o interesse aberto do Pentágono
por armas biológicas foram anunciados em 2018, os militares dos EUA –
especificamente o Programa de Redução de Ameaças Cooperativas do Departamento
de Defesa – começaram a financiar pesquisas envolvendo morcegos e patógenos
mortais, incluindo os coronavírus
MERS e SARS, um ano antes em 2017. Um desses estudos se concentrou em
“Emergência de doenças zoonóticas por morcegos na Ásia Ocidental” e envolveu o
Lugar Center na Geórgia, identificado por ex-funcionários do governo da Geórgia, pelo governo russo e pela jornalista
investigativa Dilyana Gaytandzhieva como um laboratório
secreto de armas biológicas dos EUA.
Também
é importante ressaltar o fato de que os principais laboratórios militares dos
EUA, que envolvem o estudo de patógenos mortais, incluindo coronavírus, ebola e
outros, foram repentinamente encerrados em julho passado, depois que o Centro
de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) identificou grandes lapsos de
“biossegurança” na instalação.
A
instalação do Instituto de Pesquisas Infecciosas do Exército dos EUA (USAMRIID)
em Fort Detrick, Maryland – o principal laboratório militar dos EUA para
pesquisas de “defesa biológica” desde o final dos anos 1960 – foi forçada a
interromper
todas as pesquisas que estava conduzindo com uma série de patógenos mortais
depois que o CDC constatou que faltava “sistemas suficientes para descontaminar
as águas residuais” de seus laboratórios de mais alta segurança e falha da
equipe em seguir os procedimentos de segurança, entre outros lapsos. A
instalação contém laboratórios de biossegurança de nível 3 e 4. Embora não se
saiba se os experimentos envolvendo coronavírus estavam em andamento na época,
a USAMRIID esteve recentemente envolvida em pesquisas sustentadas
pela recente preocupação do Pentágono sobre o uso de morcegos como armas
biológicas.
A
decisão de encerrar a USAMRIID ganhou surpreendentemente pouca cobertura da
mídia, assim como a surpreendente decisão do CDC de permitir que a
instalação problemática “retome parcialmente” a pesquisa no final de novembro,
mesmo que a instalação ainda não esteja com “capacidade operacional total”. O histórico problemático
de segurança da USAMRIID nessas instalações é particularmente preocupante à luz
do recente surto de coronavírus na China. Como este relatório será revelado em
breve, isso ocorre porque a USAMRIID mantém uma parceria estreita de décadas
com o Instituto de Virologia Médica da Universidade de Wuhan, localizado no
epicentro do atual surto.
O
Pentágono em Wuhan?
Além
das recentes despesas e interesse das forças armadas dos EUA no uso de morcegos
de armas biológicas, também vale a pena examinar os estudos recentes que os
militares financiaram em relação aos morcegos e aos “novos coronavírus”, como o
que ocorreu por trás do recente surto, ocorrido em/ou nas proximidades da
China.
Por
exemplo, um estudo realizado no sul da China em 2018 resultou na descoberta de
89 “novas cepas de coronavírus de morcego” que usam o mesmo receptor que o
coronavírus conhecido como Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS). Esse
estudo foi financiado em conjunto pelo Ministério da Ciência e Tecnologia do
governo chinês, USAID – uma organização que há muito tempo é acusada de ser uma
frente da inteligência dos EUA e o Instituto Nacional de
Saúde dos EUA – os quais têm colaborado com a CIA e o Pentágono em pesquisas de doenças
infecciosas e armas biológicas.
Os
autores do estudo também sequenciaram o genoma completo de duas dessas cepas e
também observaram que as vacinas MERS existentes seriam ineficazes no
direcionamento desses vírus, levando-os a sugerir que uma outra deveria ser
desenvolvida com antecedência. Isso não ocorreu.
Outro
estudo financiado pelo governo dos EUA que descobriu ainda mais novas linhagens
de “novos coronavírus de morcegos” foi publicado apenas no ano passado.
Intitulado “Descoberta e caracterização de novas linhagens de coronavírus de
morcego do Cazaquistão”, focou-se na “fauna de
morcegos da Ásia central, que liga a China à Europa Oriental” e as novas
linhagens de coronavírus de morcego descobertas durante o estudo estavam
“intimamente relacionadas ao morcego coronavírus da China, França, Espanha e
África do Sul, sugerindo que a co-circulação de coronavírus é comum em várias
espécies de morcegos com sobreposição de distribuições geográficas”. Em outras
palavras, os coronavírus descobertos neste estudo foram identificados em
populações de morcegos que migram entre a China e o Cazaquistão, entre outros
países, e estão intimamente relacionados aos coronavírus de morcegos em vários
países, incluindo a China.
O
estudo foi totalmente financiado pelo Departamento de
Defesa dos EUA, especificamente a Agência de Redução de Ameaças de Defesa
(DTRA), como parte de um projeto que investiga vírus corona semelhantes ao
MERS, como o estudo de 2018 mencionado anteriormente. No entanto, além do
financiamento deste estudo de 2019, também vale a pena observar as instituições
envolvidas na condução desse estudo, dados seus laços estreitos com as forças
armadas e o governo dos EUA.
Os
autores do estudo são afiliados ao Instituto de Pesquisa para Problemas de
Segurança Biológica do Cazaquistão e/ou à Universidade de Duke. O Instituto de
Pesquisa para Problemas de Segurança Biológica, embora oficialmente faça parte
do Centro Nacional de Biotecnologia do Cazaquistão, recebeu milhões do governo
dos EUA,
a maioria proveniente do Programa de Redução de Ameaças Cooperativas do Pentágono. É o
depósito oficial
do governo do Cazaquistão de “infecções altamente perigosas de animais e aves,
com uma coleção de 278 cepas patogênicas de 46 doenças infecciosas”. Faz parte
de uma rede de “laboratórios de armas biológicas”, financiados pelo
Pentágono, em todo o país da Ásia Central, que faz fronteira com os dois
principais estados rivais dos EUA – China e Rússia.
O
envolvimento da Universidade de Duke com este estudo também é interessante, uma
vez que a Duke é um parceiro importante do programa Pandemic Prevention Platform (P3 – Plataforma de Prevenção
Pandêmica) da DARPA, que oficialmente visa
“acelerar drasticamente a descoberta, integração, testes pré-clínicos e
fabricação de contramedidas médicas contra doenças infecciosas”. A primeira
etapa do programa Duke / DARPA envolve a descoberta de vírus potencialmente
ameaçadores
e o “desenvolvimento de métodos para apoiar a propagação viral, para que o vírus possa
ser usado em estudos posteriores”.
A
Universidade de Duke também tem parceria com a Universidade de
Wuhan da China, com sede na cidade onde o atual surto de coronavírus começou, a
qual resultou na abertura da Universidade de Duke Kunshan (DKU), com sede na
China em 2018. Notavelmente, a Universidade Wuhan da China – além de sua
parceria com a Duke – também inclui um Instituto de Virologia Médica de vários
laboratórios que trabalha em estreita colaboração com o Instituto de Pesquisa
Médica do Exército dos EUA para Doenças Infecciosas desde a década de 1980,
segundo seu site.
Como observado anteriormente, as instalações da USAMRIID nos EUA foram
encerradas em julho passado por falhas no cumprimento dos procedimentos de
biossegurança e descarte adequado de resíduos, mas foi autorizada a retomar
parcialmente algumas experiências no final de novembro.
A
história sombria do Pentágono sobre a guerra de germes
As
forças armadas dos EUA têm um passado preocupante por terem usado a doença como
arma durante tempos de guerra. Um exemplo envolveu o uso de guerra de germes
pelos EUA durante a Guerra da Coréia, quando atacou a Coréia do Norte e a China lançando insetos e
ratazanas portadores de uma variedade de patógenos – incluindo peste bubônica e
febre hemorrágica – de aviões no meio da noite. Apesar da montanha de
evidências e do testemunho dos soldados dos EUA envolvidos nesse programa, o
governo e as forças armadas dos EUA negaram as alegações e ordenaram a destruição
da documentação relevante.
No
período pós-Segunda Guerra Mundial, surgiram outros exemplos de pesquisas nos
EUA com o objetivo de desenvolver armas biológicas, algumas das quais receberam
recentemente a atenção da mídia. Um exemplo disso ocorreu em julho passado,
quando a Câmara dos Deputados dos EUA exigiu informações das forças
armadas dos EUA sobre seus esforços anteriores para armamento de insetos e
doença de Lyme entre 1950 e 1975.
Os
EUA alegam que não perseguem armas biológicas ofensivas desde 1969 e isso foi
ainda mais apoiado pela ratificação da Convenção de Armas Biológicas (BWC), que entrou em
vigor em 1975. No entanto, existem extensas evidências de que os EUA continuaram
a pesquisar e desenvolver secretamente essas armas nos anos que se seguiram,
muitas das quais foram realizadas no exterior e terceirizadas para empresas
privadas, mas ainda assim financiadas pelas forças armadas dos EUA. Vários
pesquisadores, incluindo Dilyana Gaytandzhieva, documentaram como os EUA produzem
vírus, bactérias e outras toxinas mortais em instalações fora dos EUA – muitos
deles na Europa Oriental, África e Sul da Ásia – em clara violação da BWC.
Além
da pesquisa das próprias forças armadas, o controverso think tank {grupo de
pensadores} neoconservador, o agora defunto Projeto
para um Novo Século Americano {Project for a New American Century} (PNAC),
promoveu abertamente o uso de uma arma biológica geneticamente modificada
específica para cada raça como uma “ferramenta politicamente útil”. No que é
sem dúvida o documento mais controverso do think tank {grupo de pensadores},
intitulado “Reconstruindo as defesas da América”, há algumas passagens
que discutem abertamente a utilidade das armas biológicas, incluindo as
seguintes frases:
“[…] o combate
provavelmente ocorrerá em novas dimensões: no espaço, no ‘espaço cibernético’ e
talvez no mundo dos micróbios […] formas avançadas de guerra biológica que
podem ‘atingir’ genótipos específicos que podem transformar a guerra biológica
da qualificação de terror em uma ferramenta politicamente útil”.
Embora
numerosos membros da PNAC tenham se destacado no governo George W. Bush, muitos
de seus membros mais controversos voltaram a ter destaque político no governo
Trump.
Vários
anos após a publicação de “Reconstruindo as defesas da América” {Rebuilding Americas Defenses}, a Força
Aérea dos EUA publicou um documento intitulado “Biotecnologia: patógenos
geneticamente modificados” {Biotechnology: Genetically Engineered Pathogens}, que contém a
seguinte passagem:
“O grupo JASON, composto
por cientistas acadêmicos, atuou como consultor técnico do governo dos EUA. O
estudo deles gerou seis grandes classes de patógenos geneticamente modificados
que podem representar sérias ameaças à sociedade. Isso inclui, mas não se limita a, armas biológicas binárias, genes
projetados, terapia genética como arma, vírus furtivos, doenças que trocam
hospedeiros e doenças projetadas. (Ênfase adicionada)”
As preocupações com os experimentos do Pentágono com
armas biológicas chamaram a atenção da mídia, particularmente depois que foi
revelado em 2017
que a DARPA era a principal financiadora da controversa tecnologia “gene
drive“, que tem o poder de alterar permanentemente a genética de populações
inteiras, enquanto alveja outras para extinção. Pelo menos dois dos estudos da
DARPA usando essa tecnologia controversa foram classificados e “focados na potencial
aplicação militar da tecnologia de acionamento de genes e no uso de
acionamentos de genes na agricultura”, de acordo com relatos da mídia.
A
revelação veio depois que uma organização chamada ETC Group obteve mais de
1.000 e-mails sobre o interesse dos militares na tecnologia como parte de uma
solicitação da Lei de Liberdade de Informação (FOIA). O co-diretor do grupo
ETC, Jim Thomas, disse que essa tecnologia pode ser
usada como arma biológica:
“Os drives de genes são
uma nova tecnologia poderosa e perigosa. As possíveis armas biológicas podem
ter impactos desastrosos sobre a paz, a segurança alimentar e o meio ambiente,
especialmente se forem mal utilizados sobre todo esse campo.”
Embora
a motivação exata por trás do interesse das forças armadas por essa tecnologia
seja desconhecida, o Pentágono foi aberto sobre o fato de que está dedicando
grande parte de seus recursos à contenção do que considera as duas maiores
ameaças à hegemonia militar dos
EUA: Rússia e China. A China foi citada como a maior ameaça dos dois por várias
autoridades do Pentágono, incluindo John Rood, o principal conselheiro de
política de defesa do Pentágono, que descreveu a China como a maior ameaça ao
“nosso modo de vida nos Estados Unidos” no Aspen Security Forum em julho
passado.
Desde
que o Pentágono começou a “redesenhar” suas políticas e
pesquisas para uma “guerra longa” com a Rússia e a China,
as forças armadas russas acusaram as forças armadas dos EUA
de coletar DNA dos russos como parte de um programa
secreto de armas biológicas, uma acusação que o Pentágono tem veementemente
negado. O major-general Igor Kirillov, chefe da unidade de proteção contra
radiação, química e biológica das forças armadas russas que fez essas
alegações, também afirmou que os EUA estavam desenvolvendo essas armas em
estreita proximidade com as fronteiras da Rússia e da China.
A
China também acusou as forças armadas dos EUA de colherem DNA de cidadãos
chineses com más intenções, como quando 200.000 agricultores chineses foram usados em 12
experimentos genéticos sem consentimento informado. Essas experiências foram
conduzidas
por pesquisadores de Harvard como parte de um projeto financiado pelo governo
dos EUA.
Darpa
e seus parceiros escolhidos para desenvolver vacina contra coronavírus
Na
quinta-feira passada [23/1/2020], a Coalizão de Inovações em Preparação para
Epidemias {Coalition for Epidemic Preparedness Innovations} (CEPI) anunciou que
financiaria três programas separados para promover o desenvolvimento de uma
vacina para o novo coronavírus responsável pelo surto atual.
O
CEPI – que se descreve como “uma parceria de organizações públicas, privadas,
filantrópicas e civis que financiará e coordenará o desenvolvimento de vacinas
contra ameaças de alta prioridade à saúde pública” – foi fundada em 2017 pelos
governos da Noruega e Índia, juntamente com o Fórum Econômico Mundial e a
Fundação Bill e Melinda Gates. Seu financiamento maciço e conexões estreitas
com organizações públicas, privadas e sem fins lucrativos o posicionaram para
poder financiar a criação rápida de vacinas e distribuí-las amplamente.
O
recente anúncio do CEPI revelou que iria financiar duas empresas farmacêuticas
– Inovio Pharmaceuticals e Moderna Inc. -, bem como a Universidade de
Queensland, na Austrália, que se tornou parceira do CEPI no início do ano
passado. Notavelmente, as duas empresas farmacêuticas escolhidas têm laços
estreitos e / ou parcerias estratégicas com a DARPA e estão desenvolvendo
vacinas que, de forma controversa envolvem material genético e / ou edição de
genes. A Universidade de Queensland também tem laços com a DARPA, mas esses
laços não estão relacionados à pesquisa de biotecnologia da universidade, mas
sim à engenharia
e ao desenvolvimento de mísseis.
Por
exemplo, os principais financiadores da Inovio Pharmaceuticals incluem a DARPA
e a Agência de Redução de Ameaças à Defesa do Pentágono (DTRA) e a empresa recebeu
milhões de dólares em doações da DARPA, incluindo uma doação de US $ 45 milhões para desenvolver uma
vacina contra o ebola. A Inovio é especializada na criação de imunoterapias de
DNA e vacinas de DNA, que contêm DNA geneticamente modificado que faz com que
as células do destinatário produzam um antígeno e podem alterar permanentemente
o DNA de uma pessoa. A Inovio desenvolveu anteriormente uma vacina de DNA para
o Zika vírus, mas até o momento nenhuma vacina de DNA foi aprovada para uso em
seres humanos nos Estados Unidos. Recentemente, a Inovio também recebeu mais de
US $ 8 milhões
das forças armadas dos EUA para desenvolver um pequeno dispositivo intradérmico
portátil para entrega de vacinas de DNA desenvolvidas em conjunto pela Inovio e
USAMRIID.
No
entanto, a concessão do CEPI para combater o coronavírus pode mudar isso, pois
financia especificamente os esforços da Inovio para continuar desenvolvendo sua
vacina de DNA para o coronavírus que causa MERS. O programa de vacinas MERS da
Inovio começou em 2018 em parceria com o CEPI em um acordo no valor de
US $ 56 milhões. A vacina atualmente em desenvolvimento usa “a plataforma DNA
Medicines da Inovio para fornecer genes antigênicos sintéticos otimizados para
as células, onde são traduzidos em antígenos proteicos que ativam o sistema
imunológico de um indivíduo” e o programa é uma parceria com o Instituto de
Pesquisa Médica do Exército dos EUA para doenças infecciosas (USAMRIID ) e o
NIH, entre outros. Atualmente, esse programa está sendo testado no Oriente
Médio.
A
colaboração da Inovio com as forças armadas dos EUA em relação às vacinas de
DNA não é novidade, pois seus esforços anteriores para desenvolver uma vacina
de DNA para os vírus Ebola e Marburg também fizeram parte do que o CEO da
Inovio, Dr. Joseph Kim, chamou de “programa ativo de
biodefesa” que “obteve várias doações do Departamento de Defesa, Agência de
Redução de Ameaças de Defesa (DTRA), Instituto Nacional de Alergia e Doenças
Infecciosas (NIAID) e outras agências governamentais”.
O
interesse do CEPI em aumentar seu apoio a esse programa específico do MERS
parece estar em desacordo com a alegação de que isso combaterá o atual surto de
coronavírus, uma vez que o MERS e o novo coronavírus em questão não são
análogos e os tratamentos para certos coronavírus têm se mostrado ineficazes contra outras cepas.
Também
é importante notar que a Inovio Pharmaceuticals foi a única empresa selecionada
pelo CEPI com acesso direto ao mercado farmacêutico chinês por meio de sua
parceria
com a chinesa ApolloBio Corp., que atualmente possui uma licença exclusiva para
vender produtos de imunoterapia com DNA fabricados pela Inovio para clientes
chineses.
A
segunda empresa farmacêutica selecionada pelo CEPI para desenvolver uma vacina
para o novo coronavírus é a Moderna Inc., que desenvolverá uma vacina para o
novo coronavírus de interesse em colaboração com o NIH dos EUA e que será
financiada inteiramente pelo CEPI. A vacina em questão, em oposição à vacina de
DNA da Inovio, será uma vacina de RNA mensageiro (mRNA). Embora diferentes de
uma vacina de DNA, as vacinas de mRNA ainda usam material genético “para
direcionar as células do corpo para produzir proteínas intracelulares, de
membrana ou secretadas”.
Os
tratamentos de mRNA da Moderna, incluindo suas vacinas de mRNA, foram
amplamente desenvolvidos usando uma doação de US $ 25 milhões da DARPA e, muitas vezes,
é uma aliança estratégica com a DARPA em press releases. Os esforços de pesquisa
passados e em andamento de Moderna incluíram o desenvolvimento de
vacinas de mRNA adaptadas ao DNA único de um indivíduo, bem como um esforço malsucedido
de criar uma vacina de mRNA para o Zika vírus, financiada pelo governo dos EUA.
As
vacinas de DNA e mRNA envolvem a introdução de material genético estranho e
manipulado nas células de uma pessoa e estudos anteriores descobriram que essas vacinas
“possuem imprevisibilidade significativa e vários riscos potenciais
prejudiciais inerentes” e que “existe conhecimento inadequado para definir a
probabilidade de eventos não intencionais ou as consequências de modificações
genéticas”. No entanto, o clima de medo em torno do surto de coronavírus pode
ser suficiente para o setor público e privado desenvolver e distribuir esses
tratamentos controversos devido ao medo do potencial epidêmico do surto atual.
No
entanto, as terapias sendo desenvolvidas por Inovio, Modern e Universidade de
Queensland estão alinhadas com os objetivos da DARPA em relação à edição de
genes e tecnologia de vacinas. Por exemplo, em 2015, o geneticista do DARPA,
coronel Daniel Wattendorf, descreveu como a agência estava
investigando um “novo método de produção de vacinas [que] envolveria dar ao
corpo instruções para produzir certos anticorpos. Como o corpo seria seu
próprio biorreator, a vacina poderia ser produzida muito mais rapidamente que
os métodos tradicionais e o resultado estaria num nível mais alto de proteção.”
De
acordo com relatos da mídia sobre as declarações de
Wattendorf na época, a vacina seria desenvolvida da seguinte forma:
“Os cientistas colhem
anticorpos virais de alguém que se recuperou de uma doença como gripe ou Ebola.
Depois de testar a capacidade dos anticorpos de neutralizar vírus em uma placa
de Petri, eles isolariam o mais eficaz, determinariam os genes necessários para
produzir esse anticorpo e então codificariam muitas cópias desses genes em um
fragmento circular de material genético – DNA ou RNA, que o corpo da pessoa
usaria como um livro de receitas para montar o anticorpo.”
Embora
Wattendorf tenha afirmado que os efeitos dessas vacinas não seriam permanentes,
a DARPA vem promovendo modificações permanentes nos genes como forma de
proteger as tropas americanas de armas biológicas e doenças infecciosas. “Por
que a DARPA está fazendo isso? [Proteger] um soldado no campo de batalha contra
armas químicas e biológicas, controlando seu genoma – fazendo com que o genoma
produza proteínas que protejam automaticamente o soldado de dentro para fora”,
disse o então diretor da DARPA Steve Walker (agora com Lockheed Martin) em
setembro,
do projeto conhecido como “Genes Seguros”.
Conclusão
A
pesquisa conduzida pelo Pentágono, e especificamente pela DARPA, levantou
continuamente preocupações, não apenas no campo de armas biológicas e
biotecnologia, mas também nos campos de nanotecnologia, robótica e vários
outros. A DARPA, por exemplo, vem desenvolvendo uma série de projetos de
pesquisa perturbadores, que variam de microchips que podem criar e excluir
memórias do cérebro humano a softwares de urnas
eletrônicas
que estão repletos de problemas.
Agora,
quando o medo do atual surto de coronavírus começa a atingir o pico, as
empresas com vínculos diretos com a DARPA têm a tarefa de desenvolver sua
vacina, cujos impactos humanos e ambientais a longo prazo são desconhecidos e
permanecerão desconhecidos até o momento em que a vacina for esperada para ir
ao mercado dentro de algumas semanas.
Além
disso, a DARPA e a história passada do Pentágono com armas biológicas e seus
experimentos mais recentes sobre alterações genéticas e tecnologias de
extinção, bem como morcegos e coronavírus nas proximidades da China, foram
amplamente deixados de fora da narrativa, apesar das informações estarem
disponíveis ao público. Também ficaram de fora da narrativa da mídia os
vínculos diretos da Universidade de Duke, da USAMRIID e da DARPA, em parceria
com a cidade de Wuhan, incluindo seu Instituto de Virologia Médica.
Embora
muita coisa sobre as origens do surto de coronavírus permaneça desconhecida,
vale a pena detalhar os laços militares dos EUA com os mencionados estudos e
instituições de pesquisa, pois essa pesquisa – embora justificada em nome de
“segurança nacional” – tem o potencial assustador de resultar em ações não
intencionais de consequências que alteram o mundo. A falta de transparência
sobre esta pesquisa, como a decisão da DARPA de classificar sua controversa
pesquisa sobre extinção genética e o uso da tecnologia como arma de guerra,
compõem essas preocupações. Embora seja importante evitar ao máximo a
especulação imprudente, é da opinião desta autora que as informações deste
relatório sejam de interesse público e que os leitores devem usá-las para obter
suas próprias conclusões sobre os tópicos discutidos aqui.
Tradução
por André Marques
Escritos
entre chaves por Mykel Alexander
Notas
Fonte utilizada pela autora: “Inovio
Awarded up to $56 Million from CEPI to Advance DNA Vaccines Against Lassa Fever
and MERS”, por Rachel Grant,
11 de abril de 2018, CEPI.
Fonte: Bats, Gene Editing and Bioweapons: Recent Darpa
Experiments Raise Concerns Amid Coronavirus Outbreak, por Whitney Webb, 30 de
janeiro de 2020, The Unz Review: An
Alternative Media Selection
Fonte em português: Morcegos,
edição de genes e armas biológicas: experimentos recentes da DARPA suscitam
preocupações em meio ao surto de coronavírus, por Whitney Webb, 20 de março de
2020, O Sentinela – mídia crítica
independente.
Sobre a autora: Whitney
Webb é jornalista da MintPress News baseada no Chile. Ela contribuiu para
vários meios de comunicação independentes, incluindo Global Research, EcoWatch,
Instituto Ron Paul e 21st Century Wire, entre outros. Ela fez várias aparições
na rádio e na televisão e é a vencedora do Prêmio Serena Shim de Integridade
Desaprometida no Jornalismo em 2019.
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