terça-feira, 9 de julho de 2019

Iraque: Uma guerra para Israel - Por Mark Weber


Mark Weber

            O bombardeio e invasão do Iraque pelos EUA em março-abril de 2003, e a ocupação que seguiu, custou mais de quatro mil vidas americanas e centenas de bilhões de dólares, e trouxe a morte de muitas dezenas de milhares de iraquianos.

            Por que o presidente Bush decidiu ir para a guerra? Em quais interesses ela foi lançada?

            Nos meses que antecederam o ataque, o presidente e outras autoridades norte-americanas alertaram repetidamente que a ameaça posada aos EUA e mundo pelo regime de Bagdá era tão grave e iminente que os Estados Unidos tinham de atuar rapidamente, invadir e ocupar o Iraque.

            Em 28 de setembro de 2002, por exemplo, Bush disse:
“O perigo para nosso país é grave e está crescendo. O regime do Iraque possui armas químicas e biológicas, está reconstruindo as instalações para fazer mais e, de acordo ao governo britânico, poderia lançar um ataque químico ou biológico em apenas 45 minutos depois da ordem ser dada... Este regime está buscando uma bomba nuclear, e com material físsil poderia construir uma dentro de uma ano.”
            Em 6 de março de 2003 o presidente Bush declarou:
“Saddam Hussein e suas armas são uma ameaça direta para este país, para nosso povo, e para todos povos livres... Eu acredito que Saddam Hussein é uma ameaça para o povo americano. Eu acredito que ele é uma ameaça para a vizinhança a qual ele vive. E eu consegui boa evidência para acreditar nisso. Ele em armas de destruição em massa... O povo americano não sabe que Saddam Hussein tem armas de destruição em massa.”
            Estas alegações eram inverdades. Conforme o mundo agora sabe, o Iraque não tinha perigosas “armas de destruição em massa,” e não posava como ameaça para os EUA. Ainda mais, sugestões alarmistas que o regime de Bagdá estava trabalhando com o a rede de terror al-Qaeda igualmente provou-se ser sem fundamento.

            Então se as razões dadas para a guerra eram inverdades, porque os Estados Unidos atacou o Iraque?

            Quaisquer que sejam as razões secundárias para a guerra, o fator crucial na decisão do Presidente Bush para atacar foi ajudar Israel. Com apoio de Israel e do lobby judaico-sionista da América, estimulado por judeus “neoconservadores” ocupando posições de alto nível em sua administração, o presidente Bush – que era já comprometido fervorosamente com Israel – resolveu invadir e subjugar um dos principais inimigos regionais de Israel.

            Isso é tão vastamente compreendido em Washington que o senador americano Ernest Hollings foi levado em maio de 2004 a reconhecer que os EUA invadiram o Iraque “para proteger Israel,” e “todo mundo” sabe disso. Ele também identificou três judeus pró-Israel em Washington que desempenharam importante papel em incitar os EUA para a guerra: Richard Perle, presidente do Conselho de Política de Defesa do Pentágono; Paul Wolfowitz, vice-secretário de Defesa; e Charles Krauthammer, colunista e autor[1].

 Os judeus Richard Perle (esquerda) e Paul Wolfowitz (direita): os homens fortes da política externa de George W. Bush na
invasão do Iraque. Foto de Perle  de Alex Wong/Getty Images e de Wolfowitz do site Voltairenet.




            Hollings se referiu à relutância covarde de seus colegas do Congresso em reconhecer a verdade abertamente, dizendo que “ninguém está disposto a levantar e dizer o que está acontecendo.” Devido às “pressões que recebemos politicamente,” ele acrescentou, membros do Congresso apoiam Israel incondicionalmente e suas políticas.

            Alguns meses antes da invasão, o aposentado general quatro estrelas dos EUA e ex-Comandante Aliado Supremo da OTAN Wesley Clarck reconheceu em uma entrevista: “Aqueles que são a favor deste ataque [dos EUA contra o Iraque] agora irão dizer a você candidamente, e privadamente, que é provavelmente verdadeiro que Saddam Hussein não é uma ameaça para os Estados Unidos. Mas eles estão com medo que em algum momento ele possa decidir se teria uma arma nuclear para usar contra Israel.[2]

            Seis meses antes do ataque, o Presidente Bush se reuniu na Casa Branca com onze membros da Câmara dos Deputados. Enquanto a “guerra contra o terrorismo está indo bem,” ele disse aos legisladores, os Estados Unidos logo terão que lidar com um perigo maior: “A maior ameaça, contudo, é Saddam Hussein e suas armas de destruição em massa. Ele pode explodir Israel e isto desengatilharia um conflito internacional.[3]

            Bush também falou candidamente sobre porque os EUA estavam indo para a guerra durante o encontro com a Casa Branca em 27 de fevereiro de 2003, apenas três semanas antes da invasão. Em uma conversa com Elie Wiesel, o bem-conhecido escritor judeu, Bush disse: “Se nós não desarmarmos Saddan Hussein, ele irá colocar uma arma de destruição em massa sobre Israel e ele irão fazer o que acham que eles têm de fazer, e nós temos de evitar isso.[4]

George W. Bush, vindo de vitória eleitoral polêmica em 2000, estava fortemente comprometido para com os interesses de Israel:
“Ao defender a liberdade e prosperidade e segurança de Israel, você também está servindo à causa da América."

Fervorosamente pró-Israel

O fervoroso apoio do presidente Bush a Israel e seu governo linha-dura é bem conhecido. Ele reafirmou isso, por exemplo, em junho de 2002 em um importante discurso sobre o Oriente Médio. Na visão de “importantes comentaristas israelenses,” reportou o London Times, o discurso era “tão pró-Israel que ele poderia ter sido escrito pelo [primeiro-ministro de Israel] Ariel Sharon.[5]” Em um discurso para os ativistas pró-Israel na convenção de 2004 da American Israel Public Affairs Committee (AIPAC), Bush disse: “Os Estados Unidos estão fortemente comprometidos, e eu estou fortemente comprometido, para a segurança de Israel como um estado judaico vibrante.” Ele também disse ao encontro: “Ao defender a liberdade e prosperidade e segurança de Israel, você também está servindo à causa da América.[6]

Condoleeza Rice, que serviu como Conselheira de Segurança Nacional do presidente Bush, e mais tarde, como sua Secretária de Estado, ecoando numa entrevista em maio de 2003 a perspectiva panorâmica do presidente, dizendo que a “segurança de Israel é a chave para a segurança do mundo.[7]


Planos de longo alcance

Os planos judaico-sionistas para a guerra contra o Iraque tinham estado em vigor por anos. No meio de 1996, um documento de política preparado para o então Primeiro Ministro de Israel Benjamin Netanyahu delineou uma grande estratégia para Israel no Oriente Médio. Intitulado “Uma ruptura limpa: Uma Nova Estratégia para Assegurar o Reino,” foi escrito sob os auspícios de um think tank {grupo de especialistas} israelense, o Instituto para Estratégia Avançada e Estudos Políticos. Especificamente, ele por um “esforço [que] pode focar em remover Saddam Hussein do poder no Iraque, um importante objetivo estratégico em seu próprio direito...[8]

            Os autores de “Uma Ruptura” limpa incluíam Richard Perle, Douglas Feith, e David Wurmser, três influentes judeus que mais tarde ocupariam posições de alto nível na administração Bush, 2001-2004: Perle como presidente do Defense Policy Board {Conselho de Política de Defesa}, Feith como Subsecretário de Defesa, e Wurmser como assistente especial para o Subsecretário de Estado para o Controle das Armas. O papel desempenhado pelos oficiais da administração Bush que estão associados com os dois maiores centros de pesquisa “neoconservadores” pró-sionistas tem vindo ao escrutínio do The Nation, o influente semanário de assuntos públicos[9]. O autor, Jason Vest, examinou as íntimas ligações entre o Jewish Institute for National Security Affairs (JINSA) {Instituto Judaico para Assuntos de Segurança Nacional} e o Center for Security Policy (CSP) {Centro para Políticas de Segurança}, detalhando as ligações entre estes grupos e vários políticos, mercadores de armas, militares, ricos judeus-americanos pró-Israel, e administrações presidenciais republicanas.

            Os membros do JINSA e CSP, observa Vest, “têm ascendido para poderosos postos do governo, onde... eles têm conseguido tecer uma série de questões – apoio para defesa antimísseis nacional, oposição à tratados de controle de armas, fomento de sistemas inúteis de defesa, auxílio de armas à Turquia e unilateralismo americano em geral – numa linha dura, com apoio à direita israelense em seu núcleo... Em nenhuma questão é a linha dura JINSA/CSP mais evidente que em sua campanha implacável por guerra – não apenas com o Iraque, mas ‘guerra total’, conforme Michael Ledeen, um dos mais influentes membros do JINSA em Washington, colocou... Para esta tripulação, ‘mudança de regime’ por quaisquer meios necessários no Iraque, Irã, Síria, Arábia Saudita e Autoridade Palestina é um imperativo urgente.”

            Samuel Francis, autor, editor e colunista, também analisou o papel “neoconservador” em fomentar a guerra[10]. “Minha própria resposta,” ele escreveu, “é que a mentira [que um Iraque massivamente armado posou como uma grave e iminente ameaça para os EUA] foi fabricado pelos neoconservadores na administração cuja primeira lealdade é para Israel e seu interesses e os quais quiseram que os EUA esmagassem o Iraque porque ele era a maior ameaça potencial para Israel na região. Eles são conhecidos por terem estado forçando a guerra com o Iraque desde no mínimo 1996, mas eles não puderam fazer um caso efetivo para isso até depois de 11 de setembro de 2001...”

            No rescaldo dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, “neoconservadores” ardentemente pró-sionistas na administração Bush – que por anos procuraram uma guerra no Oriente Médio para reforçar a segurança de Israel na região – exploraram a tragédia para pressionar sua agenda. Nisto eles foram apoiados pelo governo israelense, o qual foi também pressionou a Casa Branca para atacar o Iraque.

            “A liderança militar e política [israelense] anseia pela guerra no Iraque,” relatou um diário israelense proeminente, Haaretz, em fevereiro de 2002[11]. O correspondente em Jerusalém para o The Guardian, o respeitado diário britânico, reportou em agosto de 2002: “Israel sinalizou sua decisão ontem para colocar pressão pública sobre o Presidente George Bush para prosseguir com um ataque sobre o Iraque, mesmo embora ele acredita que Saddam Hussein possa bem retalhar atacando Israel.[12]

            Três meses antes da invasão dos EUA, o bem informado jornalista Robert Novak reportou que o primeiro-ministro Sharon estava dizendo aos líderes políticos americanos que “a maior ajuda dos EUA para Israel iria ajudar a derrubar o regime de Saddam Hussein no Iraque.” Além disso, adicionou Novak, “esta visão é amplamente compartilhada dentro da administração Bush, e é uma das principais razões porque as forças dos EUA hoje estão se reunindo para a guerra.[13]

            As agências de espionagem de Israel eram “plenas parceiras” com os EUA e Grã-Bretanha em produzir avaliações exageradas pré-guerra da habilidade do Iraque para guerrear, um ex-oficial sênior militar israelense tinha reconhecido. Shlomo Bron, um general brigadeiro nas reservas do exército israelense, e um pesquisador sênior no maior think tank israelense, disse que a inteligência fornecida por Israel desempenhou um papel significante em apoiar os EUA e Grã-Bretanha no caso para fazer guerra. As agências de inteligência israelenses, ele disse, “superestimaram mal a ameaça iraquiana a Israel e reforçaram a crença americana e britânica de que as armas [de destruição em massa] existiam.[14]

            O papel do lobby pró-Israel em pressionar para a guerra tem sido cuidadosamente examinado por dois proeminentes estudiosos americanos, John J. Mearsheimer, professor de ciência política na Universidade de Chicago, e Stephen M. Walt, professor de assuntos internacionais na Universidade de Harvard[15]. Em um artigo de 81 páginas, “The Israel Lobby and U.S. Foreingn Policy,” {O Lobby de Israel e a Política Externa dos EUA} eles escreveram:
“A pressão de Israel e do Lobby [pró-Israel] não foi o único fator atrás da decisão de atacar o Iraque em março de 2003, mas foi crítico. Alguns americanos acreditam que esta foi uma guerra por petróleo, mas existe dificilmente qualquer evidência direta para apoiar esta alegação. Ao invés, a guerra foi motivada em boa parte por um desejo de fazer Israel mais segura... Dentro dos Estados Unidos, a principal força motriz por trás da guerra do Iraque era um pequeno bando de neoconservadores, muitos com íntimas ligações com o Partido Likud de Israel. Em adição, líderes das principais organizações do lobby emprestaram suas vozes para a campanha pela guerra.”
            Importantes membros do lobby pró-Israel realizaram o que os professores Mearshiemer e Walt chamam “uma implacável campanha de relações públicas para ganhar apoio para invadir o Iraque. Uma parte chave desta campanha foi a manipulação da informação de inteligência, para fazer com que Saddam parecesse uma ameaça iminente.”

            Para alguns líderes judeus, a guerra do Iraque é parte de um esforço de longo alcance para instalar regimes amigáveis à Israel através do Oriente Médio. Norman Podhoretz, um proeminente escritor judeu e um ardente apoiador de Israel, foi por anos editor de Commentary, o influente periódico mensal. Na edição de setembro de 2002 ele escreveu:
“Os regimes que ricamente merecem ser derrubados e substituídos não se limitam aos três membros desatacados do eixo do mal [Iraque, Irã e Coréia do Norte]. No mínimo, o eixo deve se estender à Síria e Líbano e Líbia, bem como ‘amigos’ da América como a família real saudita e o Egito de Hosni Mubarak, junto com a Autoridade Palestina, seja liderada por Arafat ou um de seus capangas.”
            Patrick J. Buchanan, o bem conhecido escritor e comentarista, e ex-diretor de Comunicações da Casa Branca, tem sido direto na identificação daqueles que pressionaram pela guerra[16]:
“Nós acusamos que uma cabala de polemistas e funcionários públicos buscam enredar nosso país em uma série de guerras que não são do interesse da América. Nós acusamos eles de conspirarem com Israel para dar ignição àquelas guerras e destruir os Acordos de Oslo. Nós acusamos eles de deliberadamente danificar as relações dos EUA com todos estados do mundo árabe que desafiam Israel ou apoiam o direito do povo palestino a uma pátria própria. Nós acusamos eles de ter alienado amigos e aliados em todo o mundo islâmico e ocidental através da arrogância, ímpeto desenfreado, e belicosidade deles...
“Cui Bono? Para que benefício estas intermináveis guerras numa região que retém nada vital para a América, exceto o petróleo, a qual os árabes devem vender-nos para sobreviver? Quem iria se beneficiar de uma guerra de civilizações entre o Ocidente e o Islã?
“Resposta: uma nação, um líder, um partido. Israel, Sharon, Likud.”
            Uri Avnery – um jornalista e premiado escritor israelense, e três vezes membro do parlamento de Israel – vê  guerra no Iraque como uma expressão de imensa influência judaica e poder. Em um ensaio escrito algumas semanas depois da invasão dos EUA, ele escreveu[17]:
“Quem são os vencedores? Eles são os chamados neocons, ou neoconservadores. Um grupo compacto, quase todos daqueles membros são judeus. Eles detêm as posições-chave na administração Bush, bem como no pensamento de think-tanks que desempenham importante papel em formular a política americana e nas páginas dos jornais influentes... A imensa influência deste grande grupo judeu decorre de sua estreita aliança com fundamentalistas cristãos da extrema-direita, que nos dias atuais controlam o Partido Republicano de Bush... Parece que tudo isso é bom para Israel. América controla o mundo, nós controlamos a América. Nunca antes os judeus exerceram uma influência tão imensa no centro do poder mundial.”
            Na Grã-Bretanha, um membro veterano da Câmara dos Comuns da Grã-Bretanha, em maio de 2003 declarou abertamente que os judeus haviam assumido o controle da política externa dos Estados Unidos, e tinham sido bem-sucedidos em empurrar os EUA para a guerra. “Uma cabala judaica assumiu o governo nos Estados Unidos e formou uma profana aliança com fundamentalistas cristãos,” disse Tam Dalyell, um deputado do Partido Trabalhista e membro da Câmara há mais tempo que todos. “Há muita influência judaica nos Estados Unidos,” ele adicionou[18].


Resumo

        Por muitos anos, os presidentes americanos de ambos partidos têm sido firmemente comprometidos com Israel e sua segurança. Esta arraigada política é uma expressão do domínio judaico-sionista sobre a vida política e cultural da América. Foi um fervoroso apoio a Israel – compartilhado pelo presidente Bush, funcionários de alto-grau do governo e aproximadamente o inteiro Congresso dos EUA – que se mostrou crucial na decisão para invadir e subjugar um dos maiores inimigos de Israel.

            Enquanto a não provocada invasão dos EUA ao Iraque pode ter ajudado Israel, assim como aqueles que queriam e planejavam para a guerra esperavam, isso tem sido uma calamidade para a América e o mundo. Isso tem custado muitas dezenas de milhares de vidas e centenas de bilhões de dólares. Ao redor do mundo, tem gerado desconfiança inigualável e hostilidade frente aos EUA. Nos países árabes e muçulmanos, isso alimentado intenso ódio aos EUA, e tem trazido novos recrutas para as fileiras dos terroristas antiamericanos.  

            Os americanos têm já pago um alto preço pelo comprometimento de sua nação para como Israel. Nós iremos pagar um preço cada vez mais alto – não apenas em dólares ou prestígio internacional, mas nas vidas de jovens homens desperdiçados para interesses de um Estado estrangeiro – até que a posse do judaico-sionismo sobre a vida política dos EUA seja finalmente quebrada.

Tradução e palavras entre chaves por Mykel Alexander


Notas


[1] Nota do autor: Observações de Ernest F. Hollings, 20 de maio 2004. Congressional Record - Senate, May 20, 2004, páginas S5921-S5925. Ver também: M. Weber, "’Iraq Was Invaded to Secure Israel,’ Says Senator Hollings..."

[2] Nota do autor: The Guardian (Londres), 20 de Agosto de 2002.

[3] Nota do autor: Bob Woodward, Plan of Attack (Simon & Schuster, 2004), página 186. Ver também página 188.

[4] Nota do autor: Bob Woodward, Plan of Attack (Simon & Schuster, 2004), página 320.

[5] Nota do autor: R. Dunn, "Sharon Could Have Written Speech," The Times (Londres), 26 de junho de 2002.

[6] Nota do autor:  Discurso de Bush para a convenção AIPAC, Washington, DC, 18 de maio 2004.

[7] Nota do autor: A. S. Lewin, "Israel's Security is Key to Security of Rest of World," Jewish Press (Brooklyn, NY), 14 de maio de 2003. Entrevista de Rice com o diário israelense Yediot Aharnonot é citada.

[8] Nota do autor: Texto postado em  http://www.israeleconomy.org/strat1.htmVer também: J. Bamford, A Pretext for War (Doubleday, 2004), páginas 261-269; B. Whitaker, "Playing Skittles with Saddam," The Guardian (Grã-Bretanha), 3 de setembro de 2002.

[9] Nota do autor:  J. Vest, "The Men From JINSA and CSP," The Nation, 2 de setembro de 2002

[10] Nota do autor:  S. Francis, "Weapons of Mass Deception: Somebody Lied," coluna 6 de fevereiro de 2004

[11] Nota do autor:  A. Benn, "Background: Enthusiastic IDF Awaits War in Iraq," Haaretz, 17 de fevereiro de 2002. Citado em J. J. Mearsheimer, Stephen M. Walt, "The Israel Lobby and U.S. Foreign Policy," março de 2006, página 30, e página 68, nota de rodapé 146.

[12] Nota do autor:  Jonathan Steele, "Israel Puts Pressure on US to Strike Iraq," The Guardian (Londres), 17 de agosto de 2002.

[13] Nota do autor:  Robert Novak, "Sharon's War?," coluna de 26 de dezembro de2002.

[14] Nota do autor: L. King, "Ex-General Says Israel Inflated Iraqi Threat," Los Angeles Times, 5 de dezembro de 2003.; Ver também J. J. Mearsheimer, Stephen M. Walt, "The Israel Lobby and U.S. Foreign Policy," março de 2006, página 29, e página 67, nota de rodapé 142.

[15] Nota do autor: John J. Mearsheimer, Stephen M. Walt, "The Israel Lobby and U.S. Foreign Policy,"  março de 2006, páginas 29, 30, 32.(http://ksgnotes1.harvard.edu/Research/wpaper.nsf/rwp/RWP06-011/$File/rwp_06_011_walt.pdf). Uma versão mais curta apareceu no London Review of Books, 23 de março de 2006. (http://www.lrb.co.uk/v28/n06/mear01_.html). Os dois autores deram sequência em seu artigo em um detalhado livro, The Israel Lobby and U.S. Foreign Policy (New York: Farrar, Straus, Giroux: 2007).

[16] Nota do autor: P. J. Buchanan, "Whose War?," The American Conservative, 24 de março de 2003. 

[17] Nota do autor: Uri Avnery, "The Night After," CounterPunch, 10 de abril de 2003

[18] Nota do autor: F. Nelson, "Anger Over Dalyell's 'Jewish Cabal' Slur," The Scotsman (Edinburgo), 5 de maio de 2003; M. White, "Dalyell Steps Up Attack On Levy," The Guardian (Londres), 6 de maio 2003.




Escrito e publicado pela primeira vez em novembro de 2004. Texto revisado em março de 2008 e junho de 2016. # 2018


Sobre o autor: Mark weber é um historiador americano, escritor, palestrante e analista de questões atuais. Ele estudou história na Universidade de Illinois (Chicago), na Universidade de Munique (Alemanha), e na Portland State University. Ele possui um mestrado em História Europeia da Universidade de Indiana. Desde 1995 ele tem sido diretor do Institute for Historical Review, um centro independente de publicações, educação e pesquisas de interesse público, no sul da Califórnia, que trabalha para promover a paz, compreensão e justiça através de uma maior consciência pública para com o passado.

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quinta-feira, 6 de junho de 2019

As mentiras sobre a Segunda Guerra Mundial - Paul Craig Roberts


Paul Craig Roberts

           No imediato período posterior de uma guerra a história não pode ser escrita. O lado perdedor não tem ninguém para falar por isto. Os historiadores do lado vencedor são constrangidos por anos de propaganda de guerra que demonizou o inimigo enquanto obscurecia os crimes do lado vitorioso. As pessoas querem usufruir o bem-estar sobre a vitória delas, não aprender que o lado delas foi responsável pela guerra ou que a guerra poderia ter sido evitada, exceto pelas agendas ocultas dos líderes delas. Os historiadores são também constrangidos pela indisponibilidade de informação. Para esconder erros, corrupção e crimes, os governantes trancam documentos por décadas. Memórias de participantes não são ainda escritas. Diários são perdidos ou retidos por medo de punição elo praticado. É dispendioso e consome tempo localizar testemunhas, e convencê-las responder questões, especialmente aquelas que estão do lado perdedor. Qualquer relato que desafia o “relato feliz” requer uma grande quantidade confirmação dos documentos oficiais, entrevistas, cartas, diários, e memórias, e mesmo isso não será suficiente. Para a história da Segunda Guerra Mundial na Europa, estes documentos podem estar espalhados desde a Nova Zelândia e Austrália através do Canadá e EUA passando por Grã-Bretanha e Europa até a Rússia. Um historiador no rastro da verdade enfrenta longos anos de extenuante investigação e desenvolvimento da perspicácia para julgar e assimilar a evidência que ele descobre em uma imagem verdadeira do que aconteceu. A verdade é sempre imensamente diferente da propaganda de guerra do vencedor.

            Conforme relatei recentemente, Harry Elmer Barnes foi o primeiro historiador americano a fornecer uma história da Primeira Guerra Mundial que foi baseada em fontes primárias. Seu relato verídico diferiu tão substancialmente da propaganda de guerra que ele foi chamado de todo nome no livro[1].

            A verdade é raramente bem-vinda. David Irving, sem qualquer dúvida o melhor historiador da parte europeia da Segunda Guerra Mundial, aprendeu sob grandes expensas próprias, que desafiadores de mitos não ficam impunes. No entanto, Irving perseverou. Se você quer escapar das mentiras sobre a Segunda Guerra Mundial que ainda direcionam nosso desastroso curso, você somente necessita estudar dois livros de David Irving: Hitler’s War e o primeiro volume de sua biografia de Churchill, Churchill’s War: The Struggle for Power

            Irving é o historiador que passou décadas rastreando diários, sobreviventes, e demandando a liberação de documentos oficiais. Ele é o historiador que encontrou o diário de Rommel e os diários de Goebbels, o historiador que conseguiu entrar nos arquivos soviéticos, e assim por diante. Ele está familiarizado com mais fatos reais sobre a Segunda Guerra Mundial que o resto dos historiadores combinado. O famoso estudioso britânico da história militar, Sir John Keegan, escreveu no Times Literary Supplement: “Dois livros destacam-se da vasta literatura da Segunda Guerra Mundial: The Struggle for Europe de Chester Wilmot, publicado em 1952, e Hitler’s War de David Irving.

            Apesar de muitos elogios, hoje Irving é demonizado e tem que publicar seus próprios livros.

            Irei evitar a história de como isto veio a ocorrer, mas, sim, você adivinhou, foram os sionistas. Você simplesmente não pode dizer nada que altera a imagem propagandista de história deles.

            A seguir, eu vou apresentar qual é a minha impressão de ler estes dois trabalhos magistrais. O próprio Irving é muito escasso em opiniões. Ele apenas fornece os fatos de documentos oficiais, registros interceptados, diários, cartas e entrevistas.

            A Segunda Guerra Mundial foi a guerra de Churchill, não a de Hitler. Irving fornece fatos documentados do qual o leitor não pode evitar esta conclusão. Churchill conseguiu sua guerra, pela qual ele ansiava, por causa do Tratado de Versalhes que despojou a Alemanha de seu território alemão e injustamente e irresponsavelmente impôs humilhação sobre a Alemanha.

            Hitler e a Alemanha Nacional Socialista (nazi é a referência para Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães) são as entidades mais demonizadas da história. Qualquer pessoa que encontre qualquer bem em Hitler ou na Alemanha é instantaneamente demonizada. A pessoa se torna um pária independentemente dos fatos. Irving está muito consciente disso. Toda vez que seu relato fatual de Hitler começa a mostrar uma pessoa muito diferente da imagem demonizada, Irving se vale de alguma linguagem negativa acerca de Hitler.

            Similarmente para Winston Churchill. Toda vez que o relato fatual demonstra uma pessoa muito diferente do ícone adorado, Irving se vale de alguma linguagem apreciativa.

            Isto é o que um historiador tem de fazer para sobreviver dizendo a verdade.

            Para ser claro, no que segue, eu estou meramente relatando o que parece para mim ser a conclusão dos fatos documentados apresentados nestes dois trabalhos de estudo. Eu estou meramente relatando o que eu compreendo ter a pesquisa de Irving estabelecido. Você lê os livros e chega a sua própria conclusão.

            A Segunda Guerra Mundial foi iniciada pela declaração britânica e francesa de guerra sobre a Alemanha, não por uma blitzkrieg surpresa da Alemanha. A derrota total e colapso dos exércitos britânicos e franceses foi o resultado da Grã-Bretanha declarar uma guerra pela qual a Grã-Bretanha estava despreparada para lutar e da tolice da França presa por um tratado com os britânicos, que rapidamente deserdaram seu aliado francês, deixando a França sob a misericórdia da Alemanha.

            A misericórdia da Alemanha era substancial. Hitler deixou uma grande parte da França e das colônias francesas não ocupadas e seguras da guerra sob um governo semi-independente sob Petain. Por seu serviço em proteger uma aparência de independência francesa, Petain foi sentenciado à morte por Charles de Gaulle depois da guerra por colaboração com a Alemanha, uma acusação injusta.

            Na Grã-Bretanha Churchill estava fora do poder. Ele imaginou que uma guerra o colocaria de volta no poder. Nenhum britânico poderia igualar a retórica e discursos de Churchill. Ou determinação. Churchill desejava poder, e ele queria para reproduzir os incríveis feitos militares de deu ilustre ancestral, o Duque de Marlborough, cuja biografia Churchill estava escrevendo e que derrotou após anos de luta militar o poderoso Rei Sol da França, Luís XIV, o governante da Europa.

            Em contraste ao aristocrata britânico, Hitler era um homem do povo. Ele atuou para o povo alemão. O Tratado de Versalhes tinha desmembrado a Alemanha. Partes da Alemanha foram confiscadas e dadas para França, Bélgica, Dinamarca, Polônia e Tchecoslováquia.  Conforme a Alemanha não tinha realmente perdido a guerra, sendo ocupante do território estrangeiro quando a Alemanha concordou com um armistício enganoso, a perda de aproximadamente 7 milhões alemães para a Polônia e Tchecoslováquia, onde os alemães foram abusados, não foi considerado uma saída justa.

            O programa de Hitler era colocar a Alemanha de volta junta novamente. Ele foi bem-sucedido até sem guerra até chegar à Polônia. As demandas de Hitler eram justas e realistas, mas Churchill, financiado pelo Grupo Focus, com dinheiro judaico, colocou tal pressão sobre o primeiro ministro Chamberlain que Chamberlain interveio nas negociações polaco-alemãs e emitiu uma garantia britânica para a ditadura militar polonesa se a Polônia recusasse a liberar território e populações alemãs.

            Os britânicos não tinham maneira de honrar a garantia, mas a ditadura militar polonesa carecia de inteligência para perceber isso. Consequentemente, a ditadura polonesa recusou o pedido da Alemanha.

            A partir deste erro de Chamberlain e da estúpida ditadura polonesa, surgiu o acordo Ribbentrop/Molotov que a Alemanha e a União Soviética dividiriam a Polônia entre eles mesmos. Quando Hitler atacou a Polônia, a Grã-Bretanha e infelizes franceses declararam guerra à Alemanha por causa da não aplicável garantia britânica. Mas os britânicos e franceses foram cuidadosos em não declarar guerra à União Soviética por ocupar a parte oriental da Polônia.

            Assim, a Grã-Bretanha foi responsável pela Segunda Guerra Mundial, primeiro por estupidamente interferir nas negociações germano-polacas, e, segundo, declarando guerra à Alemanha.

            Churchill estava focado na guerra com a Alemanha, na qual ele pretendia por anos precedendo a guerra. Mas Hitler não queria qualquer guerra com a Grã-Bretanha ou com a França, e nunca pretendeu invadir a Grã-Bretanha. A ameaça de invasão foi uma quimera conjurada por Churchill para unir a Inglaterra atrás dele. Hitler expressou sua visão que o Império Britânico era essencial para a ordem no mundo, e que na sua ausência os europeus perderiam sua supremacia mundial. Após o desbarato alemão sobre os exércitos francês e inglês, Hitler ofereceu uma extraordinariamente generosa paz à Grã-Bretanha. Ele disse que não queria nada da Grã-Bretanha, mas apenas o retorno das colônias alemãs. Ele comprometeu as forças armadas alemãs em defesa do Império Britânico, e disse que iria reconstituir ambos estados polonês e tcheco e deixá-los-ia aos seus próprios critérios. Ele disse a seus associados que a derrota do Império Britânico não faria nada pela Alemanha e tudo pela Rússia bolchevique e Japão.

            Winston Churchill manteve as ofertas de paz de Hitler como segredo conforme ele poderia e foi bem-sucedido em seus esforços para bloquear qualquer paz. Churchill queria guerra, em grande parte, parece, para sua própria glória. Franklin Delano Roosevelt secretamente encorajou Churchill em sua guerra, mas sem fazer qualquer compromisso em nome da Grã-Bretanha. Roosevelt sabia que a guerra iria alcançar seu próprio objetivo de levar a Grã-Bretanha à bancarrota e destruir o Império Britânico, e que o dólar americano herdaria a poderosa posição da libra britânica de ser a moeda reserva vigorando no mundo. Uma vez que Churchill tinha enredado a Grã-Bretanha na guerra, ela não poderia vencer por si própria, FDR começou a distribuir ajuda em troca de preços extremamente altos – por exemplo, 60 destroieres americanos desatualizados e em grande parte inúteis para as bases navais britânicas no Atlântico. FDR atrasou o Lend-Lease até que a desesperada Grã-Bretanha tivesse entregue US$ 22 bilhões de ouro britânico mais US$ 42 milhões em ouro que a Grã-Bretanha tinha na África do Sul. Então começou a venda forçada de investimentos britânicos mares afora. Por exemplo, a empresa de posse britânica Viscose Company, a qual valia US$ 125 milhões em 1940, que não tinha débitos e detinha US$ 40 milhões em títulos do governo, foi vendida para a Casa Morgan por US$ 37 milhões. Foi um tal ato de roubalheira que os britânicos acabaram conseguindo cerca de dois terços do valor da empresa para entregar a Washington em pagamento de munições de guerra. A ajuda americana estava também “condicionada à Grã-Bretanha desmantelar o sistema de preferência imperial ancorada no acordo de Ottawa de 1932.” Para Cordell Hull, o auxílio americano foi “uma faca para abrir a casca de ostra, o Império.” Churchill viu isso vindo, mas ele estava longe demais para fazer qualquer coisa a não ser pleitear com FDR: Seria errado, Churchill escreveu para Roosevelt, se “a Grã-Bretanha fosse despojada de seus bens vendáveis de modo que após a vitória ser feita com nosso sangue, a civilização salva, e o tempo ganho para os Estados Unidos estarem plenamente armados contra todas as eventualidades, nós devêssemos ficar despojados até o osso.”

              Um longo ensaio poderia ser escrito sobre como Roosevelt despiu a Grã-Bretanha de seus bens e poder mundial. Irving escreve que em uma era de gângsteres estadistas, Churchill não estava na liga de Roosevelt. A sobrevivência do Império Britânico não era uma prioridade para FDR. Ele considerava Churchill como um alvo de influência – pouco confiável e bêbado a maior parte do tempo. Irving relata que a política de DSR era pagar apenas o suficiente para dar a Churchill “o tipo de apoio que uma corda dá a um homem enforcado.” Roosevelt buscou “sua subversão do Império através da guerra.” Eventualmente Churchill percebeu que Washington estava em guerra com a Grã-Bretanha mais impetuosamente que estava Hitler. A grande ironia era que Hitler tinha oferecido a Churchill paz e a sobrevivência do Império. Quando ficou tarde demais, Churchill chegou à conclusão que o conflito com a Alemanha era uma guerra “muito desnecessária”. Pat Buchanan também vê isso nesta maneira também[2].

            Hitler proibiu o bombardeio de áreas civis de cidades britânicas. Foi Churchill que iniciou este crime de guerra, mais tarde emulado pelos americanos. Churchill manteve o bombardeio de civis alemães em segredo do povo britânico e trabalhou para impedir a Cruz Vermelha do monitoramento de ataques aéreos de modo que ninguém soubesse que ele estava bombardeando áreas residenciais civis, não de produção para guerra. O propósito do bombardeamento de Churchill – primeiro as bombas incendiárias para colocar tudo em chamas, e então altos explosivos para impedir os bombeiros de controlar os incêndios – foi provocar um ataque alemão sobre Londres, o qual Churchill calculou que iria ligar o povo britânico à ele e criaria simpatia nos EUA pela Grã-Bretanha que ajudaria Churchill a puxar os Estados Unidos para a guerra. Um ataque britânico assassinou 50,000 pessoas em Hamburgo, e um subsequente ataque sobre Hamburgo causou a morte de 40.000 civis. Churchill também ordenou que gás venenoso fosse adicionado ao bombardeio incendiário nas áreas residenciais civis alemãs e que Roma fosse bombardeada até às cinzas. A força Área Britânica recusou ambas ordens. No final da guerra, os britânicos e americanos destruíram a bela cidade barroca de Dresden, queimando e sufocando 100,000 pessoas no ataque. Depois de meses de bombardeios incendiários sobre a Alemanha, incluindo Berlim, Hitler cedeu aos seus generais e respondeu na mesma moeda. Churchill foi bem-sucedido. A história veio a ser “a Blitz de Londres,” não a blitz britânica na Alemanha.

            Como Hitler na Alemanha, Churchill assumiu a direção da guerra. Ele funcionava mais como um ditador que ignorou os serviços armados que como um ministro aconselhado pelos líderes militares do país. Ambos líderes podiam estar corretos nas avaliações dos oficiais comandantes deles, mas Hitler era um estrategista de guerra muito melhor que Churchill, para quem nada funcionava. A desventura de Churchill na Primeira Guerra Mundial em Gallipoli era então adicionada na introdução das tropas britânicas na Noruega, Grécia, Creta, Síria – todas falhas e decisões ridículas – e o fiasco de Dakar. Churchill também se virou sobre a França, destruindo a frota francesa e vida de 1.600 marinheiros por causa de seu medo pessoal, infundado, que Hitler iria violar seu tratado com a França e confiscar a frota. Qualquer desses percalços churchillianos poderia ter resultado em um voto de não confiança, mas com Chamberlain e Halifax fora do caminho, não havia liderança alternativa. De fato, a carência de liderança é razão pela qual nem o gabinete nem os militares poderiam resistir a Churchill, uma pessoa de determinação de ferro.

            Hitler também era uma pessoa de determinação de ferro, e ele desgastou a si próprio e a Alemanha com sua determinação. Ele nunca queria a guerra com a Inglaterra e França. Isso foi atividade de Churchill, não de Hitler. Como Churchill, que tinha o povo britânico atrás dele, Hitler tinha o povo alemão atrás dele, porque ele se pois de pé pela Alemanha e tinha reconstruído a Alemanha do estupro e ruína do Tratado de Versalhes. Mas Hitler, não um aristocrata como Churchill, mas de origens baixas e ordinárias, nunca teve a lealdade de muito dos oficiais militares prussianos aristocráticos, aqueles com “von” antes do nome deles. Ele estava aflito com traidores na Abwehr, sua inteligência militar, incluindo seu diretor, o almirante Canaris. Na frente russa no último ano, Hitler foi traído por generais que abriram avenidas para os russos para dentro da indefesa Berlim.

            Os piores erros de Hitler foram sua aliança com a Itália e sua decisão de invadir a Rússia. Ele também se enganou ao permitir os britânicos irem para Dunquerque. Ele os deixou ir porque não queria arruinar a chance de terminar a guerra ao humilhar os britânicos pela derrota do inteiro exército deles. Mas com Churchill não existia chance para paz. Ao não destruir o exército britânico, Hitler impulsionou Churchill, que transformou a evacuação em britânicos heroicos que sustentaram a vontade de lutar.

            Não é claro por que Hitler invadiu a Rússia. Uma possível razão é a informação pobre ou intencionalmente enganosa da Abwehr sobre a capacidade militar russa. Hitler mais tarde disse aos seus associados que ele nunca teria invadido se ele tivesse conhecido o enorme tamanho do exército russo e a extraordinária capacidade dos soviéticos de produzir tanques e aeronaves[3]. Alguns historiadores têm concluído que a razão de Hitler ter invadido a Rússia era que ele concluiu que os britânicos não concordariam em terminar a guerra porque eles esperavam a Rússia entrar na guerra ao lado da Grã-Bretanha. Portanto, Hitler decidiu impedir essa possibilidade conquistando a Rússia. Um russo tem escrito que Hitler atacou porque Stalin estava preparando para atacar a Alemanha[4]. Stalin teria consideráveis forças bem avançadas, mas faria mais sentido para Stalin esperar até o Ocidente devorar a si próprio em mútua sangria, dando passo adentro depois e pegando tudo que ele queria. Ou talvez Stalin estava posicionando-se para ocupar parte da Europa Oriental afim de colocar mais espaço entre a União Soviética e Alemanha.

             Qualquer que tenha sido a razão para a invasão, o que derrotou Hitler foi o mais precoce dos invernos russos em 30 anos. Parou tudo em seus caminhos antes do bem planejado e bem-sucedido cerco pudesse ser completado. O rigoroso inverno que imobilizou os alemães deu tempo para Stalin se recuperar.

            Por causa da Aliança de Hitler com Mussolini, que carecia de uma efetiva força de combate, os recursos necessários para a frente de combate russo foram duas vezes drenados para resgatar a Itália. Por causa das desventuras de Mussolini, Hitler teve de drenar tropas, tanques e aeronaves da invasão russa para resgatar a Itália na Grécia e no norte da África, e ocupar Creta. Hitler fez este erro por lealdade a Mussolini. Mais tarde na guerra quando os contra-ataques russos estavam empurrando os alemães para fora da Rússia, Hitler teve que desviar recursos militares preciosos para resgatar Mussolini de ser preso e ocupar a Itália para impedir sua rendição. A Alemanha simplesmente carecia de recursos militares e força humana para lutar em uma frente russa de 1600 quilômetros, e também na Grécia e Norte da África, ocupar parte da França, e defender homens contra a invasão americana-britânica da Normandia e Itália.

            O exército alemão era uma força de combate magnífica, mas estava sobrecarregado por muitas frentes, muito pouco equipamento, e comunicações descuidadas. Os alemães nunca pegaram apesar de muitas evidências que os britânicos podiam ler sua criptografia. Assim, os esforços para abastecer Rommel no norte da África foram impedidos pela marinha britânica.

            Irving nunca diretamente aborda em nenhum livro o Holocausto. Ele documenta o massacre de muitos judeus, mas o quadro que emerge da evidência fatual é que o holocausto do povo judeu era diferente da história oficial sionista.

            Nenhum plano alemão, ou ordens de Hitler, ou de Himmler ou de qualquer outra pessoa jamais foram encontradas para um holocausto organizado por gás e cremação de judeus. Isto é extraordinário, pois um uso massivo de recursos e transporte iria ter requerido organização, orçamento e recursos massivos. O que os documentos mostram é o plano de Hitler para realocar os judeus europeus para Madagascar após o fim da guerra. Com o sucesso inicial da invasão na Rússia, este plano foi alterado para enviar os judeus europeus para os bolcheviques judeus na parte oriental da Rússia que Hitler deixaria para Stalin. Existem ordens documentadas dadas por Hitler que impedem massacres de judeus. Hitler disse repetidamente que “o problema judaico[5]” seria resolvido depois da guerra.

            Parece que a maioria dos massacres sobre judeus foram cometidos por administradores políticos alemães dos territórios ocupados do leste para os quais judeus da Alemanha e França foram enviados para realocação. Ao invés de lidar com a inconveniência, alguns dos administradores os alinharam e atiraram em trincheiras abertas. Outros judeus foram vítimas dos aldeões russos que há muito sofriam com os administradores judaico-bolcheviques.

            Os “campos da morte” eram, de fato, campos de trabalho. Auschwitz, por exemplo, hoje um museu do Holocausto, foi um local da fábrica de borracha artificial essencial para a Alemanha. A Alemanha estava desesperada por uma força de trabalho. Uma significante porcentagem do trabalho alemão de produção para a guerra tinha sido liberada para o Exército para preencher os buracos nas linhas alemãs da frente de batalha russa. Os locais de produção de guerra, tais como Auschwitz, tinham como força de trabalho refugiados deslocados de seus lares pela guerra, judeus para serem deportados depois do fim da guerra, e qualquer um mais que pudesse ser forçado ao trabalho. A Alemanha desesperadamente necessitava qualquer força de trabalho que ela pudesse conseguir.

            Cada campo tinha crematórios. O propósito deles não era exterminar populações, mas eliminar os mortos pelo flagelo do tifo, mortes naturais, e outras doenças. Refugiados eram de todas as partes, e eles traziam doenças e germes com eles. As horríveis fotos de massas de corpos mortos esqueléticos que são ditas serem evidência do extermínio organizado dos judeus são de fato de internos dos campos que morreram de tifo e de fome nos últimos dias da guerra quando a Alemanha estava desorganizada e desprovido de remédios e alimentos para os campos de trabalho. Os grandes e nobres vitoriosos ocidentais eles mesmos bombardearam os campos de trabalho e contribuíram para as mortes dos internos.

            Os dois livros sobre os quais eu tenho relatado totalizam 1.663 páginas, e existem dois mais volumes da biografia de Churchill. Esta massiva e historicamente documentada informação parecia provável de ir parar no porão da história, por ser inconsistente tanto para com a auto justificação do Ocidente como para o capital humano dos historiadores da corte. Os fatos são muito caros para serem conhecidos. Mas os historiadores têm começado a adicionar suas próprias contas as informações descobertas por Irving. É preciso um bravo historiador para elogiá-lo, mas eles podem citá-lo e plagiá-lo.

Pese a todas polêmicas que seu nome traz, todavia, Irving deu um novo impulso às pesquisas
 históricas sobre as referidas temáticas, que não poderiam mais se sustentar seriamente
 esquivando-se com a falta de rigor investigativo que haviam se habituado antes dos trabalhos
 de Irving.

            É incrível quanto poder os sionistas obtiveram do Holocausto. Norman Finkelstein chama isso de Industria do Holocausto. Existe uma ampla evidência que judeus junto com muitos outros sofreram, mas sionistas insistem que foi uma experiência única limitada aos judeus.

            Em sua introdução de Hitler’s War[6] relata que apesar das vendas amplas de seu livro, o elogio inicial dos historiadores e o fato de que o livro era leitura obrigatória nas academias militares de Sandhurst à West Point, “eu tive minha casa destruídas por bandidos, minha família aterrorizada, meu nome manchado, meus publicadores bombardeados, e eu mesmo preso e deportado pela minúscula e democrática Áustria – um ato ilegal, decidiram seus tribunais, pelo qual os culpados ministeriais foram punidos; a pedido de acadêmicos descontentes e cidadãos influentes [sionistas], nos anos subsequentes, eu fui deportado do Canadá (em 1992), e recusado a entrar na Austrália, Nova Zelândia, África do Sul e outros países civilizados ao redor do mundo. Grupos afiliados internacionalmente circularam cartas para os bibliotecários, pedindo para este livro ser retirado das prateleiras deles.”

            Tanto pelo livre pensamento e verdade no mundo ocidental. Nada é tão pouco considerado no Ocidente como o livre pensamento, livre expressão, e verdade. No Ocidente as explicações são controladas para avançar as agendas dos grupos de interesse dominantes. Conforme Irving tem aprendido, ai de qualquer um que ficar no caminho.

Tradução por Mykel Alexander


Notas


[1] Fonte utilizada pelo autor: “The Lies That Form Our Consciousness and False Historical Awareness”, Paul Craig Roberts – Institute for Political Economy, 09/05/2019
Nota do tradutor: Em português: “As mentiras que formam nossa consciência e a falsa consciência histórica - por Paul Craig Roberts”, Paul Craig Roberts, World Traditional Front, 05/06/2019.

[2] Fonte utilizada pelo autor: Patrick J. Buchanan, Churchill, Hitler, and “The Unnecessary War”: How Britain Lost Its Empire and the West Lost the World, Crown Forum, 2008, primeira edição.

Nota do tradutor: ver “Hitler queria Guerra? - Por Patrick Joseph Buchanan”, World Traditional Front, 02/09/2018. 
https://worldtraditionalfront.blogspot.com/2018/09/hitler-queria-guerra-por-patrick-joseph.html

[3] Nota do tradutor: O jornalista mexicano Salvador Borrego, que acompanhou passo a passo o início, desenvolvimento e conclusão da Segunda Guerra Mundial, observou que, conforme também menciona Paul Craig Roberts, o serviço secreto alemão (Abwehr) estava infiltrado, um nome infiltrado é justamente o Almirante Wilhelm Canaris, e que em muitos setores a desinformação contaminava os relatórios alemães, de modo que a Alemanha, com 145 divisões preparadas para enfrentar a URSS, estimou menor, 300 divisões, do que era de fato o exército soviético com 460 divisões, na ocasião do início da guerra germano-soviética em 1941. Ver Salvador Borrego, Derrota Mundial (esta obra saiu já em várias edições desde os anos da década 1950), subcapítulo “Carne de Cañón para Frenar el Golpe Contra la URSS”.
A partir dos anos da década 1980, Vladimir Bogdanovich Rezun (nome de pena Viktor Suvorov), da Academia Diplomática Militar russa escreveu várias obras corroborando as pesquisas de Salvador Borrego.

[4] Nota do tradutor: O mesmo Salvador Borrego também chegou a mesma conclusão, conforme ele mesmo observou. A URSS tinha em 1939 65 divisões na frente ocidental na direção da Alemanha, em 1940 o número de divisões soviéticas aumentou para 153 divisões. Em 1941 a URSS possuía 160 divisões nas fronteiras em direção à Alemanha, mais 140 divisões situadas na retaguarda mais profundamente, além das reservas complementares que somavam cerca de 100 divisões, e a incessante produção militar que se ocupava em alimentar as fileiras soviéticas, as quais alcançariam 500 divisões se Hitler, com suas 145 divisões na frente soviética não iniciasse a invasão. Ver Salvador Borrego, Derrota Mundial, subcapítulo “La más grande lucha em la historia de las armas”. 

[5] Nota do tradutor: Logo em 1933, no ano que Adolf Hitler entra no poder, as lideranças da Alemanha de Hitler entraram num acordo com as lideranças judaicas sobre um esforço mútuo de ambas partes para encontrar um território para formar o Estado judaico. Ver “Zionism and the Third Reich”, Mark Weber, em The Journal of Historical Review, Julho-Agosto de 1993 (Vol. 13, Nº. 4), páginas 29-37.

 Todavia, as relações deterioraram principalmente por correntes judaicas contrárias com o projeto sionista moderno original, o do judeu Theodor Herzl, pois seria um Estado que acolheria os judeus do mundo, não mais os judeus ocupando os importantes postos nas diversas nações em que vivem, condição conhecida como Diáspora. Ver “Conversa direta sobre o sionismo - o que o nacionalismo judaico significa”, Mark Weber, em World Traditional Front, 19/05/2019.

[6] Ver “A Guerra de Hitler”, David Irving, em World Traditional Front, 20/04/2019.




Fonte: Paul Craig Roberts – Institute for Political Economy, 13/05/2019

Sobre o autor: Paul Craig Roberts (1939 – ) licenciou-se em Economia no Instituto Tecnológico da Geórgia e doutorou-se na Universidade da Virgínia. Como pós-graduado frequentou a Universidade da Califórnia, a Universidade de Berkeley e a Faculdade Merton, da Universidade de Oxford. De 1981 a janeiro de 1982 é nomeado Secretário de Estado do Tesouro para a política econômica da gestão de Ronald Reagan. Foi Distinto Investigador do Instituto Cato entre 1993 e 1996. Foi também Investigador Sênior do Instituto Hoover.


Entre seus livros estão: The New Color Line: How Quotas and Privilege Destroy Democracy (1995);The Tyranny of Good Intentions: How Prosecutors and Bureaucrats Are Trampling the Constitution in the Name of Justice (2000, e segunda edição 2008); How America was Lost. From 9/11 to the Police/Warfare State (2014).
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Hitler por Winston Churchill

A Guerra de Hitler - por David Irving

Hitler queria Guerra? - Por Patrick Joseph Buchanan

quarta-feira, 5 de junho de 2019

As mentiras que formam nossa consciência e a falsa consciência histórica - por Paul Craig Roberts


Paul Craig Roberts

            Minha geração associou distopias, tais como 1984 de George Orwell com a União Soviética, um país no qual explicações eram controladas e criticismo sobre Stalin colocaria uma pessoa num Gulag. Nós pensamos dos Estados Unidos e nossa vida aqui muito diferentemente. Mas com a passagem do tempo a diferença entre a vida na União Soviética no século XX e a vida no mundo ocidental de hoje está desaparecendo. Hoje, o jornalista Julian Assange está passando pelo mesmo tipo de tortura e terror de Estado como qualquer dissidente soviético, se não pior. A mídia ocidental é tão controlada como a mídia soviética, com a imprensa, TV, e rádio pública servindo como um ministério de propaganda para o governo e para o interesse de grupos que controlam o governo. A mídia social, tal como Facebook e Twitter estão sistematicamente negando suas plataformas àqueles que expressam visões que não apoiam a ordem dominante de suas agendas… Tem se tornado fácil se livrar da garantia de liberdade de expressão da Primeira Emenda conforme a mídia não tem a habilidade nem a intenção de exercê-la.

            Foi um erro para minha geração associar a memória de Orwell e história falsificada somente com distopias fictícias ou reais. A história falsificada estava ao redor de nós. Nós apenas não sabíamos o suficiente para identifica-la. O que a vida e a aprendizagem têm me ensinado é que a história tende a ser sempre falsificada, e historiadores que insistem na verdade sofrem por isso. Tem sido estabelecido que muitos antigos historiadores não são confiáveis, porque eles eram “historiadores da corte” que buscavam benefícios materiais escrevendo para agradar um governante. No meu tempo muitos historiadores têm escritos para a venda de livros por encantar o público com histórias de vitórias gloriosas sobre inimigos demonizados, que justificavam todos os filhos, netos, irmãos, pais, tios, maridos, amigos, e primos que foram sacrificados para o bem dos lucros de armamentos capitalistas. Nenhum publicador queria um relato verdadeiro que ninguém compraria por causa de um retrato da inutilidade das mortes dos entes queridos. Todo mundo, ou quase isso, quer pensar que suas perdas foram para uma causa nobre e que “valeu a pena.”

            Com poucas exceções, historiadores de idioma inglês têm colocado a culpa de ambas guerras mundiais sobre a Alemanha. Isto é história falsa. A primeiro historiador real da Primeira Guerra Mundial, ou que foi chamado na época a Grande Guerra ou a Guerra Mundial, foi Harry Elmer Barnes. Barnes foi professor de Sociologia Histórica no Smith College e William Bayard Cutting Fellow em História na Universidade de Columbia. Seu livro, The Genesis of World War, foi publicado em 1926 por Alfred A. Knopf em Nova Iorque.

            Ao invés de cobrir, conforme esperado, os crimes e traições dos aliados contra a Alemanha, Barnes disse a verdade. O Kaiser alemão, um parente das famílias reais britânica e russa, era conhecido ao redor do mundo como um pacificador, elogiado pelo New York Times por esse papel. É um fato conhecido e indiscutível que o governo alemão atuou pela paz até que a Alemanha, o último poder a se mobilizar, tinha de se mobilizar ou ser invadido por Rússia e França, que eram aliados com a Grã-Bretanha contra a Alemanha. Nunca antes na história tem a própria potência que foi última a se mobilizar sido culpada por começar uma guerra. Mas os fatos nunca atrapalharam os historiadores da corte.

            A gênese da guerra foi o desejo por Constantinopla por parte de dois ministros do czar russo e do presidente francês pelo território da Alsácia-Lorena, perdido para a Alemanha em 1870 na guerra franco-prussiana. Estes esquematizadores usaram a resposta da Áustria ao assassinato do arquiduque austríaco na Sérvia, a qual eles provavelmente orquestraram, para declarar guerra conforme a Alemanha era a protetora do Império Austro-Húngaro.

            O presidente norte-americano Woodrow Wilson assegurou um armistício para a Guerra Mundial, a qual tinha destruído sem sentido algum milhões de vidas, ao prometer a Alemanha que se concordasse com armistício, não haveria perdas territoriais para a Alemanha e nenhuma reparação. Quando a Alemanha concordou com o armistício, era a Alemanha que ocupava os territórios do campo oposto. Não havia tropas estrangeiras em território alemão.

            Tão logo que a Alemanha desengajou-se, a Grã-Bretanha colocou em vigor um bloqueio alimentar que forçou os alemães famintos a se submeterem ao explorador Tratado de Versalhes que violava cada promessa que o presidente Wilson tinha feito.

            Algumas pessoas inteligentes, incluindo o mais famoso economista do século XX, John Maynard Keynes, disseram que o Tratado de Versalhes, um exercício para cobrir quem causou a guerra, garantiu uma guerra futura. E eles, não o ávido sistema corrupto, estavam certos.

O Historiador Harry Elmer Barnes (1889-1968)
Primeiro revisionista dos EUA
            Por seus esforços em dizer a verdade, Harry Elmer Barnes foi declarado pelos historiadores da corte ser um agente alemão pago para escrever uma falsa história. Conforme a voz de Barnes estava em grande desvantagem numérica, a história da Grande Guerra permaneceu, para a maioria, falsificada através do século XX.

            Barnes foi vingado em 2014 quando Christopher Clark na Universidade de Cambridge, publicou The Sleepwalkers: How Europe Went to War in 1914. Clark adicionou à evidência de Barnes que a Grande Guerra resultou de um plano de dois ministros do governo russo e do presidente da França para roubar territórios cobiçados da Alemanha e Turquia.

            Mas uma centena de anos depois da guerra, quem está ao redor para se importar? Todas as pessoas que morreram na guerra bem como suas famílias enlutadas que sofreram com a trama de três homens maus, estão mortas e se foram. A consciência do mundo tem já sido distorcida por um século de falsa história, uma falsa história que preparou a Alemanha para a culpa novamente, esta vez para a Segunda Guerra Mundial.

            Fique ligado, as mentiras sobre a Segunda Guerra são mesmo maiores.

Tradução por Mykel Alexander



Fonte: Paul Craig Roberts – Institute for Political Economy, 09/05/2019



Sobre o autor: Paul Craig Roberts (1939 – ) licenciou-se em Economia no Instituto Tecnológico da Geórgia e doutorou-se na Universidade da Virgínia. Como pós-graduado frequentou a Universidade da Califórnia, a Universidade de Berkeley e a Faculdade Merton, da Universidade de Oxford. De 1981 a janeiro de 1982 é nomeado Secretário de Estado do Tesouro para a política econômica da gestão de Ronald Reagan. Foi Distinto Investigador do Instituto Cato entre 1993 e 1996. Foi também Investigador Sênior do Instituto Hoover.

Entre seus livros estão: The New Color Line: How Quotas and Privilege Destroy Democracy (1995);The Tyranny of Good Intentions: How Prosecutors and Bureaucrats Are Trampling the Constitution in the Name of Justice (2000, e segunda edição 2008); How America was Lost. From 9/11 to the Police/Warfare State (2014).

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domingo, 2 de junho de 2019

Judeus: Uma comunidade religiosa, um povo ou uma raça? por Mark Weber


Mark Weber

            A definir “judeu” nunca tem sido simples. É ele alguém que pratica o judaísmo, a religião judaica, ou é ele identificado por sua ascendência? Enquanto muitos americanos assumem que os judeus são essencialmente um grupo religioso, os próprios judeus tomam por admitido que a comunidade deles é muito mais étnica-nacional do que é religiosa.

            Benjamin Netanyahu, que tem servido como Primeiro Ministro de Israel, francamente vê os judeus como membros de um grupo racial. Falando para uma reunião de quase mil judeus no Sul da Califórnia, ele disse: “Se Israel não tivesse vindo à existência após a Segunda Guerra Mundial [sic] eu estou certo que a raça judaica não teria sobrevivido.” (Daily Pilot, Newport Beach / Costa Mesa, 8 de fevereiro, 2000, primeira página).

            O líder israelense passou a exortar sua audiência: “Eu me posto diante de vocês e digo que vocês que devem fortalecer seu compromisso para com Israel. Vocês devem tornarem-se líderes e levantarem-se como judeus. Nós devemos estar orgulhosos de nosso passado, sermos confiantes de nosso futuro.” (Similares apelos diretos por não-judeus para orgulho racial étnico são, naturalmente, rotineiramente condenados como “racistas” ou “neonazistas.”).

            Ecoando Netanyahu, um jornal influente da comunidade judaica com um público de alcance nacional referiu-se aos judeus como um grupo racial. Um editorial intitulado “Alguma outra raça” em 17 de março de 2000, edição do semanário de Nova Iorque Foward instigou os leitores a preencherem um formulário do censo do governo federal. Prosseguindo ele sugere: “... na questão oito [do formulário, a qual pergunta sobre raça], você deve considerar fazer mais que um membro de nosso redaktzia [redação editorial] tem feito: verificando o formulário: 'alguma outra raça' e escrevendo a palavra 'Judeu'.”

            Charles Bronfman, um proeminente patrocinador dos $210 milhões do projeto “Birthright Israel” para “auto consciência” dos judeus americanos, expressou um sentimento similar. Ele é co-presidente da poderosa companhia Seagram, e irmão de Edgar Bronfman, presidente do Congresso Mundial Judaico. “Você pode viver uma vida perfeitamente decente não sendo judeu,” disse Charles Bronfman, “mas eu acho que você está perdendo muito – perdendo o tipo de sentimento que você tem quando você sabe [que] através do mundo existem pessoas que de algum modo ou outro tem o mesmo tipo de DNA que você tem.” (“Project Reminds Young Jews of Heritage,” The Washington Post, 17 de janeiro de 2000, página A 19).

            Theodor Herzl, o fundador do movimento sionista moderno, enfatizou em seu livro seminal Der Judenstaat (“O Estado Judeu”), publicado em 1896, que os judeus envolta do mundo constituem um Volk, isto é, um povo ou nacionalidade, com interesses diferentes daqueles dos não-judeus entre os quais eles vivem. Em acordo a isso figuras políticas israelenses e os líderes da comunidade judaica nos Estados Unidos rotineiramente falam do “povo judeu”.

            Consistente com isso, os líderes judeus expressam alarme que muitos judeus estão se casando com não judeus (uma atitude que é denunciada como “racista” se expressada por não-judeus). Charles S. Liebman, um professor na Universidade Bar-llan em Israel, direta e francamente declara que o casamento interracial “viola as mais básicas normas de judaísmo [e] ameaça a sobrevivência judaica.” (Los Angeles Times, 17 de abril, 2000).

            Por décadas um pequeno número de judeus americanos – notavelmente Alfred Lilienthal, autor de Zionist Connection, e o Rabino Elmer Berger, líder do Conselho Americano para o Judaísmo – trabalharam duro para convencer companheiros judeus a rejeitar o nacionalismo judaico (Sionismo), e ao invés, ver a eles mesmos como um grupo religioso. Surpreendentemente, porém, os judeus têm rejeitado tais apelos. De fato, algumas das mais proeminentes personalidades judaicas do século passado – incluindo Albert Einstein, Ilya Ehrenburg, e o Primeiro Ministro de Israel, David Ben-Gurion – têm sido não-religiosas[1].

            Como uma questão de básica política estatal, a atividade de Israel encoraja a imigração de judeus – definidos por ascendência – de todo o mundo, enquanto ao mesmo tempo desencorajam fortemente o assentamento por não-judeus, mesmo proibindo imigração de não-judeus que nasceram no que é agora Israel.

Tradução por Mykel Alexander



Nota


[1]    Nota do tradutor: A relação de Albert Eistein com a religião sempre foi motivo de polêmica dada a popularidade e uso da imagem deste cientista, contudo, o parecer religioso dele não se encontra nem no extremo materialista ou no ateísmo e nem no extremo do fanatismo religioso, na verdade se encontrando mais próximo das correntes tradicionais não abraâmicas, tais como as que combinam religião, ciência e filosofia presentes entre hindus, chineses e greco-romanos por exemplo, se termos em conta as afirmações abaixo emitidas por Einstein:

“Não posso imaginar um Deus pessoal que influencia diretamente a ação das pessoas... Minha religiosidade consiste em uma humilde admiração do espírito infinitamente superior que se revela no pouco que compreendemos de nosso próprio mundo. A profunda convicção na presença de um poder superior, que aparece no universo incompreensível, forma minha ideia de Deus”, disse Einstein em carta de 1927, publicada em seu obituário no Times, em 1955.

Fonte: “Ateu, agnóstico, religioso? Entenda relação de Einstein com Deus - Carta em que cientista escreveu sobre assunto no fim da vida foi leiloada por R$ 11 milhões”, O Globo, 05/12/2018 - 15:57 / Atualizado em 05/12/2018 - 16:06.



Fonte: Este item levemente editado pelo próprio autor, foi primeiro publicado no Jornal do Institute of Historical Review, Março-Abril 2000 (Vol. 19, nº 2), página 63.



Sobre o autor: Mark weber é um historiador americano, escritor, palestrante e analista de questões atuais. Ele estudou história na Universidade de Illinois (Chicago), na Universidade de Munique (Alemanha), e na Portland State University. Ele possui um mestrado em História Europeia da Universidade de Indiana. Desde 1995 ele tem sido diretor do Institute for Historical Review, um centro independente de publicações, educação e pesquisas de interesse público, no sul da Califórnia, que trabalha para promover a paz, compreensão e justiça através de uma maior consciência pública para com o passado. 

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