sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

O Lugar de Goebbels na História - Por Mark Weber


Mark Weber

Nenhum outro nome é tão firmemente associado com o termo propaganda, conjurando mentiras e enganos, que o de Joseph Goebbels. Mas a imagem popular deste homem, particularmente nos Estados Unidos, é uma caricatura bruta.

            Após seu nascimento em 1897 em Rheydt, uma cidade de médio porte na Renânia alemã, Paul Joseph Goebbels cresceu numa sólida família de classe média, tradicionalmente católica romana. Embora fisicamente inexpressivo e deficiente (uma perna era mais curta que a outra), ele era dotado de inteligência, uma língua rápida e uma voz melodiosa. Ele se destacou em seus estudos. Depois de uma educação “humanista” rigorosa no Gymnasium, ele estudou em várias universidades alemãs, recebendo um doutorado na Universidade de Heidelberg em 1921.

            Depois de uma tentativa frustrada de encontrar emprego como escritor nos grandes jornais do país, e de uma temporada de nove meses trabalhando num banco em Colônia, ele tornou-se um ativista do nascente Partido Nacional Socialista, e serviu como editor de dois periódicos do partido, o semanário Völkische Freiheit (“Liberdade Nacional”) e, posteriormente, o NS-Briefe (“Cartas NS”). Com pronunciada simpatia para as classes trabalhadoras, e mesmo alguns sentimentos pró-comunistas, durante este período ele era conhecido como um membro do partido de “esquerda.”

            Em 1926, Hitler nomeou ele Gauleiter (líder distrital) para Berlim. Ele não perdeu tempo tendo firme controle da pequena organização do partido de lá, então envolvida em rixas internas, e infundiu na organização um novo dinamismo. Goebbels lançou-se ele próprio em sua tarefa, rapidamente provando ser ele mesmo um mestre organizador e orador público. Como parte de seus incessantes esforços na mais importante cidade da Alemanha, em julho de 1927 ele inaugurou seu próprio jornal, Der Angriff (“O Ataque”). Goebbels enfrentou uma batalha difícil, porque ele visava, acima de tudo, conquistar o apoio da classe operária da população da cidade – os quais apoiavam maciçamente os partidos marxistas Social Democrata e Comunista – enquanto ao mesmo tempo não se alienando dos votos dos eleitores da classe média.

{Joseph Goebbels discursa no jardim de Lustgarten, Berlim, 1932
Fonte: Wikipedia português/ Bundesarchiv, Bild 119-2406-01 / CC-BY-SA 3.0}

            Esta estratégia foi talvez mais severamente testada durante a greve dos trabalhadores de transportes de Berlim em 1932, a qual paralisou os sistemas de transporte de ônibus, de ferrovia e de metrô. Somente os nacional-socialistas e comunistas apoiaram os trabalhadores na greve contra o governo da cidade, o qual era controlado pelo Partido Social Democrata. O resultado foi uma estranha aliança temporária “nazi-comunista” que alarmou a classe média alemã.

            Goebbels não perdeu nenhuma oportunidade para o humor, sarcasmo ou zombaria. Quando o governo Social Democrata baniu o uso dos uniformes pelos stormtroopers de camisa parda – sua milícia paramilitar de cidadãos – Goebbels zombou do banimento por ter a marcha pública de seus homens fantasiados com cartolas, chapéus de papel, e demais itens semelhantes. Outro golpe que ele dirigiu foi um “debate” com o Chanceler Heinrich Brüning. Por causa que Brüning recusou-se a participar, Goebbels “debateu” com uma cadeira vazia, respondendo – ao estilo Rush Limbaug – à uma gravação fonográfica de um discurso então proferido pelo Chanceler. Com astúcia e sarcasmo, Goebbels ironizou categoricamente seu oponente invisível – para gargalhadas do público em massa. Os Berlinenses amaram tais espetáculos audaciosos, e mostraram seu apreço nas urnas. Em maio de 1928 Goebbels foi eleito deputado para o parlamento alemão (Reichstag), e seus meses depois foi eleito para o conselho da cidade.

            Em 1929 Hitler nomeou ele como diretor de propaganda para todo o Partido Nacional Socialista. Um exigente cargo de considerável responsabilidade. A despeito da formidável e algumas vezes violenta oposição – os oradores do partido eram rotineiramente banidos, por exemplo, e a voz de Hitler não era permitida nas rádios germânicas – o movimento Nacional Socialista cresceu rapidamente durante este período. Em 1932 o partido de Hitler tinha se tornado o mais importante da Alemanha, com uma facção de longe a maior do Reichstag.

            A vasta propaganda do partido e o império editorial – supervisionado por Goebbels – incluía 120 jornais diários ou semanais regularmente lidos por cerca de um milhão de pessoas através do país. Com uma distintamente jovial liderança, o movimento Nacional Socialista era especialmente popular entre os jovens alemães. Por exemplo, no momento em que Hitler tornou-se Chanceler, os nacional-socialistas já tinham conquistado completamente o conselho de eleições dos estudantes nas universidades alemãs.

            Em 30 janeiro de 1933, o Presidente Paul von Hindenburg nomeou Hitler como Chanceler, confiando no veterano da Primeira Guerra Mundial de 43 anos de idade para governar uma nação devastada economicamente e a beira de guerra civil. Seis semanas após a “tomada de poder” nacional-socialista, Goebbels, com então 35 anos de idade, foi nomeado “Ministro de Propaganda e Esclarecimento Popular do Reich.” Nesta posição, e como presidente da “Câmara de Cultura do Reich” (Reichskulturkammer), ele exerceu vasto controle sobre as rádios, filmes, jornais, imprensa periódica e publicação de livros germânicos, bem como da vida cultural da nação.

{Famosa foto de Goebbels, durante discurso em 1934 em Berlim
Fonte Wikipedia em espanhol / Bundesarchiv, Bild 102-17049 / Georg Pahl / CC-BY-SA 3.0}

            Durante os primeiros anos da Segunda Guerra Mundial, 1939 a 1942, o trabalho de Goebbels como Ministro de Propaganda era relativamente fácil. Com uma sequência quase ininterrupta de vitórias militares germânicas e do Eixo, manter a moral do público não era difícil. Seu maior desafio veio durante os dois anos finais da Guerra, com os exércitos alemães sofrendo cada vez mais terríveis reveses militares, suas grandes cidades desmoronando em ruínas sobre a crescente tempestade de bombas inglesas e americanas, e com a derrota total iminente. Foi durante este período que Goebbels mais dramaticamente provou suas habilidades como um mestre modelador da opinião pública. Apesar da situação que piorava drasticamente – tanto na frente de batalha quanto no próprio território – em grande parte ele foi bem-sucedido em manter a moral pública, a confiança na liderança de Hitler, e mesmo a esperança.

            Embora o historiador alemão Helmut Heiber pinte um retrato altamente crítico e geralmente com omissões importantes na biografia que escreveu, Goebbels (New York, Hawthorn, 1972), ao mesmo tempo, ele reconhece os talentos e pontos fortes de Goebbels.

            Ele observa: 
[Goebbels] foi capaz, até o último minuto, de encorajar e explorar uma confiança cega em Hitler e seu gênio. Na verdade, um dos fenômenos do Terceiro Reich que mesmo em sua agonia a massa do povo germânico permaneceu dócil e fiel a bandeira de Hitler... Apesar de tudo o que tinham experimentado, eles mantiveram a fé. [p. 133].
            Após a grande derrota em Stalingrado no início de fevereiro de 1943, Goebbels foi o primeiro oficial a reconhecer abertamente a seriedade do perigo que encarou a nação e a Europa, e francamente, admitiu que a Alemanha poderia perder a guerra.

            Provavelmente o mais bem conhecido discurso de seus tempos de guerra, foi o brilhantemente elaborado discurso “Total War” de 18 de fevereiro de 1943. Magistralmente entregue para um grande público no salão Sportpalast em Berlim, ele foi transmitido pela rádio nacional e seus trechos foram mostrado no semanário “Deutsche Wochenschau”. Falando do pós-batalha da catástrofe de Stalingrado, Goebbels salientou a dura verdade que uma catastrófica derrota era uma real possibilidade, e concluiu com um apelo vibrante para a mobilização nacional. (A economia nacional da Alemanha estava ainda operando em grande parte em bases de tempos de paz, com fábricas produzindo uma grande gama de bens não essenciais). Uma enorme faixa proclamou o slogan do comício “Guerra total, a mais curta das guerras.”

            A franqueza de Goebbels e mesmo a coragem lhe renderam uma medida de admiração popular. Escreve Heiber:
Ele compreendeu o valor de admitir os revezes e mesmo, de vez em quando, erros; sua disponibilidade para ser assim “cândido” foi um tipo de sinal infalível em sua audiência - “Olhe, eu levo você a sério. Vamos ser francos um com o outro” - e lhe permitiu enredá-los ainda mais. O resultado foi que posteriormente, depois de 1943, depois que ele pegou emprestado o tema de Churchill “sangue, suor e lágrimas”, as pessoas estavam prontas para acreditar no raio de esperança o qual ele astutamente deixou brilhar através da coloração sombria de seus discursos; [p. 134]
“Conforme outros influentes nazis começaram a rastejarem para suas conchas,” comenta Heiber, “Goebbels ousaria aparecer perante uma multidão e não somente ganhar a atenção, mas mesmo levantar a fé e a esperança...” [p. 134]
            Conforme a guerra se arrastava, os artigos editoriais da primeira página nos periódicos semanais com Das Reich desempenhavam cada vez mais um importante papel em sustentar a moral pública. Eles foram amplamente reproduzidos e rotineiramente lidos nas rádios. “Seus artigos no Das Reich,” reconhece Heiber, “eram de fato excelentes, brilhantemente escritos, e cheio de ideias brilhantes...” [p. 235]

            Heiber também observa:
Os artigos de Goebbels eram cuidadosamente elaborados mais de uma semana antes de aparecerem, escritos em excelente, polido alemão, estilisticamente agradável de bom gosto em seu conteúdo; frequentemente eles pareciam iluminados pela elevada sabedoria de um grande pensador. Muitos dos títulos de seus artigos eram reminiscentes de tratados filosóficos: “Sobre o Significado da Guerra”, “A Natureza Essencial das Crises”, “Sobre o Trabalho do Espírito”, “Sobre Falar e sobre Ser Silencioso”, “A Indispensabilidade da Liberdade”, “Sobre o Dever Nacional na Guerra”. … Eles eram todos muito bem ponderados e muito sólidos. Estes artigos causaram impressão, e Goebbels sabia disso. [p. 252]
            Infelizmente, pouco do que Goebbels escreveu e disse durante os últimos anos de guerra – quando ele estava no auge de seus poderes – tem sido traduzido para o inglês.

 Joseph Goebbels - Foto AKV -

            Uma das maiores realizações de Goebbels nos tempos de guerra foi sua exploração da história do massacre de Katyn. Em abril de 1943, os alemães descobriram em Katyn, próximo de Smolensk na parte ocupada da Rússia, uma cova coletiva de milhares oficiais poloneses que tinham sido feito prisioneiros dos soviéticos em 1939, e baleados pela polícia secreta soviética em abril de 1940. Sob as ordens de Goebbels, os jornais alemães e revistas devotaram grande atenção na história, dando a elas semanas de cobertura detalhada, frequentemente na primeira página dos jornais e revistas. Seu tratamento astuto da história contribuiu significantemente para uma maior derrota política dos Aliados – o rompimento nas relações entre o governo soviéticos e o governo polonês no exílio. (Enquanto isso, os jornais oficiais americanos e britânicos apoiaram a mentira soviética que os alemães eram os responsáveis pela atrocidade.)
  
            Em adição a este trabalho como chefe propagandista da nação, durante a guerra Goebbels assumiu ainda maiores responsabilidades organizacionais e de decisões políticas, desempenhando um cada vez maior importante papel em manter o maquinário social e industrial da nação funcionando. Em fevereiro de 1942 Hitler confiou-lhe com especial autoridade para supervisionar a assistência para as pessoas assoladas pelos ataques aéreos aliados – um posto imbuído com uma importância como nunca antes, conforme os bombardeamentos aéreos sobre a Alemanha intensificavam-se regularmente.

            No verão de 1944, Hitler nomeou ele “Plenipotenciário do Reich para a Mobilização da Guerra Total.” Assim, durante os meses de catástrofe final da Guerra, Goebbels – junto com o Ministro de Armamentos Albert Speer – dirigiu os recursos humanos e materiais para a máxima produção de guerra, enquanto simultaneamente continuavam de alguma forma a operar a energia elétrica da nação e os recursos hidráulicos, sistemas de transportes e de telefone, abastecimento de alimentos e de combustível, escolas públicas, radiodifusão e publicação da imprensa diária. Esta façanha organizacional de manter os serviços essenciais sociais e da comunidade funcionando, enquanto ao mesmo tempo mantinham uma produção de armamentos num crescente ainda maior – apesar dos devastadores bombardeamentos aéreos e uma situação militar piorando cada vez mais – é um feito sem paralelo histórico.
“Nós temos nos tornado um povo na defensiva,” escreveu Goebbels no Das Reich de 11 de fevereiro de 1945 – onze semanas antes do fim. “Nós trabalhamos e nós lutamos, nós vagamos, nós deixamos nossos lares, nos sofremos e suportamos, e nós fizemos tudo isso com um silêncio digno o qual, no fim, irá levantar a admiração do mundo inteiro. A Europa pode muito bem-estar feliz que ela ainda possui um povo como tal. Hoje este povo é a salvação da Europa. Amanhã, portanto, ele irá ser o orgulho da Europa.”
            Seu discurso final, transmitido sobre o que restava de uma rede de comunicações esfarrapada foi emitido em 19 de abril de 1945. Conforme ele tinha feito em cada ano desde 1933, ele falou na véspera do aniversário de Hitler. Mesmo nesta ocasião, quando o terrível fim era reluzentemente óbvio para todos, Goebbels ainda falava com eloquência, paixão controlada, francamente reconhecendo a suprema gravidade da situação enquanto inspirava esperança. Ele não tinha perdido suas habilidades de despertar seus compatriotas com fervor bem como uma certa nobreza aparente. 

“Não se deixe você mesmo ficar desconcertado pelos clamores mundiais que irão agora começar,” ele encorajou em um carta escrita para seu enteado apenas alguns dias antes de sua morte. “Haverá um dia, quando todas as mentiras irão entrar em colapso sobre o próprio peso delas, e a verdade irá triunfar novamente.” Em seu testamento final escrito apenas algumas horas antes de  findar sua vida, Hitler nomeou Goebbels como seu sucessor como Chanceler – um tributo para a inalterável lealdade mesmo no amargo fim. Mas Goebbels manteve esta vazia posição por apenas algumas poucas horas. Depois ele e sua esposa tiveram seus seis filhos colocados à morte, e com as tropas soviéticas apenas a algumas centenas de metros de distância, no entardecer de 1° de maio de 1945, Joseph e Magda Goebbels colocaram um fim em suas vidas no pátio exterior do Füherbunker.

            Contrário à crença popular, Goebbels foi um bem sucedido propagandista não porque ele foi um mestre da “Grande Mentira,” mas mais como resultado de sua fidelidade para fatos e a verdade. Como observa o biógrafo Heiber:
“Goebbels estava certamente apto para celebrar sua política de informações como sendo não somente superior aos inimigos em seu caráter monolítico, mas também devido a uma ‘seriedade e credibilidade’ a qual ‘simplesmente não pode ser ultrapassada.’ A jactância pode ser feita com alguma justificação: Vendo com amplitude, Goebbels predicou, a melhor propaganda é aquela a qual serve nada mais que a verdade.” [p. 254]
“As reais mentiras de Goebbels, suas mentiras conscientes, sempre se referiam a meros detalhes...”, escreve Heiber. “As mentiras de Goebbels eram mais na natureza daqueles equívocos e evasões pelo qual os porta-vozes governamentais em todos os lugares buscam ‘proteger’ o 'interesse nacional'.” [ps. 134, 135]
            É também comum imaginar que, embora habilidoso, Goebbels era pouco mais que um astuto resmungão que conquistou o apoio de seus compatriotas por apelas para as bases sentimentais de inveja, vingança, vaidade e arrogante orgulho. Esta visão, a qual implicitamente humilha os alemães como uma nação de deficientes emocionais e mentais, é especialmente difundida nos Estados Unidos. Se ele pensa sobre tudo isso, o típico americano imagina que se ele vivesse na Alemanha do Terceiro Reich, ele não iria engolir as “óbvias” mentiras de Goebbels.

{Joseph Goebbels (29 de Outubro de 1897 – Berlim, 1 de Maio de 1945)
 Fonte Wikipedia em português / Bundesarchiv, Bild 183-1989-0821-502 / CC-BY-SA 3.0}

            Tal ponto de vista é baseado em ignorância. Em seu clássico estudo, Propaganda (New York: Alfred A. Knopf, 1968; Vintage, 1973 [p. 54]), o acadêmico Jacques Ellul apontou que a imagem pós-guerra de Goebbels é ela própria uma propaganda de distorção:
“Nela permanece o problema da reputação de Goebbels. Ele vestiu o título de Grande Mentiroso (concedido pela propaganda Anglo-Saxônica) e ainda ele nunca parou de lutar para a propaganda ser tão acurada quanto possível. Ele preferiu ser cínico e brutal do que ser pego em uma mentira. Ele costumava dizer: “Todos devem saber qual é a situação.” Ele era sempre o primeiro a anunciar os eventos desastrosos ou situações difíceis, sem esconder nada O resultado foi uma crença geral entre 1939 e 1942 que os comunicados alemães não somente eram mais concisos, claros e menos confusos, mas eram mais verdadeiros que os comunicados Aliados (opiniões americanas e neutras) – e, além disso, que os alemães publicavam todas as notícias dois ou três dias antes dos Aliados. Tudo isto é tão verdade que depositar o título de Grande Mentiroso em Goebbels pode ser considerado completamente um sucesso de propaganda.”

Tradução e palavras entre chaves por Mykel Alexander






Fonte: The Journal of Historical Review, Janeiro-Fevereiro de 1995 (Vol. 15, N° 1), páginas 19 – 21.


Sobre o autor: Mark weber é um historiador americano, escritor, palestrante e analista de questões atuais. Ele estudou história na Universidade de Illinois (Chicago), na Universidade de Munique (Alemanha), e na Portland State University. Ele possui um mestrado em História Europeia da Universidade de Indiana. Desde 1995 ele tem sido diretor do Institute for Historical Review, um centro independente de publicações, educação e pesquisas de interesse público, no sul da Califórnia, que trabalha para promover a paz, compreensão e justiça através de uma maior consciência pública para com o passado.

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quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

Petróleo ou 'o Lobby' {judaico-sionista} um debate sobre a Guerra do Iraque


Mark Weber



Um debate-entrevista, organizado pelo irmão Nathanael Kapner em abril de 2008, sobre os motivos e forças por trás da guerra liderada pelos EUA em 2003 contra o Iraque.

            Stephen Zunes[1], professor de Política e Estudos Internacionais na Universidade de São Francisco, e Mark Weber[2], diretor do Institute for Historical Review, apresentam visões diferentes sobre os motivos por trás da fatídica decisão de bombardear, invadir e ocupar o Iraque.

Irmão Nathanael (IN): Quem é primariamente para se culpar pela guerra do Iraque?

Weber: Quaisquer que sejam as razões secundárias para a guerra, o fator crucial na decisão para atacar o Iraque foi ajudar Israel. Com apoio de Israel e do lobby judaico-sionista da América, e aguilhoados por judeus neoconservadores de alto nível na administração Bush, o presidente Bush e o vice-presidente Chebey, que eram há fervorosamente comprometidos com Israel, resolveram invadir e subjugar um dos principais chefes regionais inimigos de Israel.

            Conforme o senador dos EUA Ernst Hollings disse em maio de 2004, os EUA invadiram o Iraque “para proteger Israel” e “todos” em Washington sabem disso. No mínimo em duas ocasiões, o próprio presidente Bush reconheceu a importância de derrubar o regime de Saddam Hussein no Iraque porque ele era uma ameaça para Israel. Eu tenho exposto isto e muito mais evidências em numerosos ensaios e palestras. Veja, por exemplo, “Iraque: Uma guerra para Israel.”

IN: Por que, Dr. Zunes, você diz que o lobby judaico não é diretamente responsável pela invasão dos EUA no Iraque?

Zunes: Enquanto o então chamado “lobby judaico,” o American Israel Public Affairs Committee (AIPAC) inegavelmente tem influenciado votos congressistas em relação as preocupações palestino-israelenses e outras questões, ele não tem desempenhado um papel importante no lobby para apoio da Invasão dos EUA no Iraque. Alguns dos mais fortes apoiadores de Israel no Congresso estavam entre os mais ásperos críticos da invasão. Existe de longe mais poderosos interesses com uma estaca no que acontece na região do Golfo Pérsico do que o AIPAC. Estes incluem as companhias de petróleo, a indústria de armas, e outros grupos de interesses especiais. De fato, os interesses nos estados ricos em petróleo do Golfo Pérsico têm existido[3] por muitas décadas e mesmo pré-datam o estabelecimento do Israel moderno.

IN: Qual é sua resposta a isto, Sr. Weber?

Weber: Os planos judaico-sionistas para a guerra contra o Iraque tinham estado em vigor por anos, mesmo antes de George W. Bush se tornar presidente. O ataque de 11 de setembro de 2001 serviu como útil pretexto para colocar aqueles planos em operação. Existe abundante evidência para mostrar que durante os meses anteriores à invasão de março de 2003, Israel e seus apoiadores nos EUA incitaram e encorajaram a administração Bush para ir à guerra.

Certamente, os conglomerados consolidados político-empresariais dos EUA procuram assegurar e promover seus interesses ao tentar impor uma pax americana global, conforme o Dr. Zunes tem apontado. Mas não existe evidência direta que as companhias de petróleo dos EUA forçaram a guerra com o Iraque. De fato, os conglomerados consolidados político-empresariais dos EUA se opuseram a invasão do Iraque. Nos meses anteriores ao ataque, aposentadas figuras militares de alta patente dos EUA, e proeminentes ex-oficiais de Washington tais como Brent Scowcroft e Zbigniew Brzezinki, se manifestaram contra o ataque ao Iraque.

            Dois proeminentes estudiosos dos assuntos internacionais, John Mearsheimer e Stephen Walt, têm escrito:
“A pressão de Israel e o lobby [pró-Israel] foi não o único fator por trás da decisão de atacar o Iraque em março de 2003, mas foi crítico. Alguns americanos acreditam que essa foi uma ‘guerra por petróleo’, mas existe dificilmente quaisquer evidências diretas para apoiar essa alegação. Ao invés, a guerra foi motivada em boa parte por um desejo de fazer Israel mais segura... Dentro dos Estados Unidos, a principal força motriz por trás da guerra foi um pequeno bando de neoconservadores, muitos com íntimas ligações ao Partido Likud de Israel. Em adição, líderes chave das principais organizações do Lobby deram voz a campanha pela guerra.”
IN: Por que, Dr. Zunes, você mantém que o lobby judaico e os neocons desempenharam somente um papel secundário na política dos EUA no Oriente Médio?

Zunes: Existem documentos e relatórios de planejamento estratégico de think tanks de direita com laços estreitos com a Casa Branca, que provam que a invasão e ocupação dos EUA no Iraque foi parte de um esforço para criar uma Pax Americana no Oriente Médio.
Dr. Stephen Zunes

O Iraque é o único país árabe que combina reservas significativas de petróleo, uma população considerável e um suprimento de água adequado para manter uma política externa e doméstica independente. Isto, em efeito, é o que faz do Iraque uma ameaça percebida aos interesses americanos porque o desejo de Saddam Hussein de criar uma capacidade de dissuasão por meio do desenvolvimento de armas de destruição em massa foi visto como intolerável.

Caso os Estados Unidos (como ainda é esperado pelo governo Bush, mas agora pareça altamente improvável) acabem controlando o Iraque, bases militares permanentes irão então ser estabelecidas.

O Iraque, como um estado vassalo americano, controlaria a segunda maior reserva de petróleo do mundo, e os EUA teriam uma enorme influência sobre os vizinhos imediatos do Iraque - Irã, Arábia Saudita, Síria e Turquia, entre outros. Israel seria um parceiro júnior nesse esforço.

Em relação aos neoconservadores, o notório artigo “Clean Break” de Feith / Wurmser foi um apelo a Israel para romper com o processo de paz liderado pelos EUA e as restrições percebidas às ações israelenses pelo governo dos EUA, sob a liderança dos mais moderados da administração Clinton, não um apelo aos Estados Unidos para tomarem iniciativas arriscadas a mando de Israel.

Similarmente, o artigo demonstra como, mais que ser um caso dos israelenses levarem os neoconservadores a pressionar os Estados Unidos para mudarem suas políticas para uma posição mais rígida, foram os neoconservadores americanos pressionando Israel a mudar suas políticas para uma posição mais rígida. Veja meu artigo: “A invasão do Iraque nos EUA: não a culpa de Israel e seus apoiadores”[4].

IN: Vamos mudar para outro tópico: vocês dois prevêem uma possível reação antijudaica elevando-se de um decorrente e cada vez mais caro papel dos EUA no Iraque?

Weber: Os americanos têm já pago um preço alto pela aliança dos EUA com Israel. Mas nos próximos anos nós iremos sem dúvida pagar um preço cada vez mais alto em dólares desperdiçados, prestígio internacional perdido e vidas americanas desperdiçadas.

No curto prazo, não prevejo nenhum aumento significativo no sentimento antijudaico, mesmo que a situação no Iraque piore. Mas isso poderia mudar rapidamente se, por exemplo, os EUA se envolverem em uma guerra regional contra o Irã em nome de Israel. Essa guerra teria consequências terríveis e provavelmente geraria uma fúria antijudaica generalizada, especialmente se a economia dos EUA vacilar.

Zunes: Como eu tenho apontado muitas vezes, a política externa dos EUA deseja estabelecer uma Pax Americana, isto é, hegemonia em todo o Oriente Médio, usando o Iraque como um estado vassalo. Mas, como outras potências que têm tentado controlar o Oriente Médio, tais esforços de hegemonia inevitavelmente irão gerar sua própria resistência. Com os próprios Estados Unidos do outro lado do globo, Israel pode se tornar um alvo mais fácil para aqueles que resistem a esse esforço americano hegemônico no coração do Oriente Médio.

Em outras palavras, como um outro lado da situação atual, onde o apoio dos EUA a Israel tem levado a um aumentado antiamericanismo no mundo árabe-islâmico, o apoio de Israel à invasão e ocupação americana do Iraque exacerbará inevitavelmente os sentimentos anti-israelenses e antijudaicos.

As consequências desastrosas da invasão seriam uma grande oportunidade para os americanos preocupados demonstrarem que essa tragédia foi resultado da influência indevida de empresas de petróleo, contratantes militares, ideólogos de direita e influência corporativa excessiva nas iniciativas políticas de nosso governo.

Isso poderia urgir demandas por reformas radicais muito necessárias no sistema político e econômico. Aqueles que confiariam na tática consagrada pelo tempo de “culpar os judeus” desviariam a atenção dos problemas reais e iriam, de fato, ser uma distração perigosa.

Tradução e palavras entre chaves por Mykel Alexander


Notas


[1] Fonte usada pela edição do IHR: http://stephenzunes.org/

[2] Fonte usada pela edição do IHR: http://www.ihr.org/other/weber_bio.html

[3] Nota do tradutor: ver especialmente: “O ódio ao Irã inventado pelo Ocidente serve ao sonho sionista de uma Grande Israel dominando o Oriente Médio”, por Stuart Littlewood, 14 de julho de 2019 em World Traditional Front.
Publicado originalmente em inglês em American Herald Tribune, 25 de junho de 2019.

[4] Fonte usada pela edição do IHR: “The U.S. Invasion of Iraq: Not the Fault of Israel and Its Supporters”, por Stephen Zunes, 3 de janeiro de 2006, editado por John Gershman, Foreing Policy in Focus.







Sobre o autor: Mark weber é um historiador americano, escritor, palestrante e analista de questões atuais. Ele estudou história na Universidade de Illinois (Chicago), na Universidade de Munique (Alemanha), e na Portland State University. Ele possui um mestrado em História Europeia da Universidade de Indiana. Desde 1995 ele tem sido diretor do Institute for Historical Review, um centro independente de publicações, educação e pesquisas de interesse público, no sul da Califórnia, que trabalha para promover a paz, compreensão e justiça através de uma maior consciência pública para com o passado.

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terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Os judeus da América estão dirigindo as guerras da América - Por Philip Girald


Eles não deveriam se recusar eles mesmos quando lidando com o Oriente Médio?

17 de setembro de 2017


ATUALIZAÇÃO: Na manhã de 21 de setembro, Phil Giraldi foi demitido por telefone pelo The American Conservative[1], onde ele colaborava regularmente por catorze anos. Foi-lhe dito que “os judeus da América estão conduzindo as guerras da América” era inaceitável. A gerência e o conselho do TAC parecem ter esquecido que a revista foi lançada com um artigo do fundador Pat Buchanan, intitulado “Whose War?”[2], Que em grande parte fez as mesmas alegações de Giraldi sobre o impulso dos judeus por outra guerra, nesse caso com o Iraque. Buchanan foi difamado e denunciado como antissemita por muitas das mesmas pessoas que agora estão atacando Giraldi de maneira semelhante.

Philip Girald

            Falei recentemente em uma conferência sobre o partido da guerra na América onde mais tarde um senhor idoso veio até mim e perguntou, “Por que ninguém nunca fala honestamente sobre o gorila de seiscentos quilos na sala? Ninguém tinha mencionado Israel nessa conferência e nós todos sabemos que os judeus americanos com todo seu dinheiro e poder estão apoiando toda guerra no Oriente Médio por Netanyahu? Não devemos começar a chama-los e não deixá-los escapar com isso?”

             Foi uma questão combinada com um argumento que eu tenho ouvido muitas vezes antes e minha resposta é sempre a mesma: qualquer organização que aspira ser ouvida na política externa sabe que tocar na conexão sobre Israel e os judeus americanos garante uma rápida viagem para a obscuridade. Grupos judaicos e doadores individuais de bolso fundo não somente controlam os políticos, eles possuem e comandam a mídia e indústrias do entretenimento, significando que ninguém irá ouvir sobre ou do partido infrator nunca mais novamente. Eles são particularmente sensíveis à questão da assim chamada “dupla lealdade,” particularmente conforme a própria expressão é em si mesma um tanto um logro, desde que é bem claro que alguns deles somente tem real lealdade a Israel.

            Mais recentemente, alguns especialistas, incluindo eu mesmo, tem estado alertando[3] de uma guerra iminente com o Irã. Para ser certo, o urgido para atacar o Irã vem de muitos quadrantes, incluindo generais no governo, que sempre pensam primeiro em termos de solução de problemas através da força, de um governo saudita obcecado com medo de uma hegemonia iraniana, e, é claro, de Israel própria. Mas o que faz o motor da guerra funcionar é fornecido pelos judeus americanos que têm tomado para eles próprios a onerosa tarefa de começar uma guerra com um país que não ameaça os Estados Unidos. Eles têm sido muito cuidadosos em fingir a ameaça iraniana, tanto que aproximadamente todos congressistas republicanos e a maioria dos congressistas democráticos bem como muito da mídia parece estar convencido que o Irã precisa ser tratado com firmeza, mais definitivamente usando as forças armadas dos EUA, e quanto mais cedo melhor.

            E enquanto eles estão fazendo isso, a questão que aproximadamente todos os que nutrem ódio ao Irã são judeus, de alguma forma tem saído de vista, como se isso não importasse. Mas isso deve importar. Um recente artigo no New Yorker[4] sobre a interrupção da iminente guerra com o Irã sugere que a atual geração de “falcões do Irã” pode ser uma força de moderação considerando as opções políticas dadas as lições aprendidas do Iraque. O artigo faz citações conforme os linha-dura em relação ao Irã David Frum, Max Boot, Bill Kristol e Bret Stephens.

{David Frum, Max Boot, Bill Kristol e Bret Stephens. Os quatro judeus  são destacados por Philip Girald por 
inundarem a mídia americana de modo a colocar a população americana, em especial, mas também a população
 ocidental, que bebe de tais fontes, contra o Irã. Fotos retiradas da Wikipedia em inglês em 08/01/2020}

            Daniel Larison, do The American Conservative tem uma boa resenha[5] da peça do New Yorker intitulada “Sim, falcões do Irã querem conflito com o Irã,” a qual identifica os quatro acima citado falcões pelo nome antes de descrever eles como “... Quem é Quem no pensamento da consistente política externa piolhenta. Se eles estivessem estado certos sobre qualquer grande questão da política externa nos últimos 20 anos, seria uma novidade para o mundo inteiro. Cada um deles odeia o acordo nuclear com o Irã com paixão, e eles tem argumentado em favor da ação militar do Irã em um ponto ou outro. Existe zero evidência que qualquer um deles iria se opor em atacar o Irã.”

            E eu adicionaria uns poucos nomes mais, Mark Dubowitz, Michael Ledeen e Reuel Marc Gerecht da Foundation for Defense of Democraices; Daniel Pipes do Middle East Forum; John Podhoretz da revista Commentary; Elliot Abrams do Council on Foreign Relations; Meyrav Wurmser do Middle East Media Research Institute; Kimberly Kagan do Institute for Study of War; e Frederick Kaganm Danielle Pletka e David Wurmser do American Enterprise Institute. E voce pode também jogar no funil organizações inteiras como o The American Israel Public Affairs Committee (AIPAC), o Washington Institute for Near East Policy (WINEP) e o Hudson Institute. E sim, eles são todos judeus, e a maioria deles se auto descreveria como neoconservadores {NEOCON – a linha que pertence o governo Bolsonaro e as Igrejas Evangélicas}. E devo acrescentar que somente um dos nomeados indivíduos já serviu em qualquer ramo das forças armadas americanas – David Wurmser esteve uma vez na reserva da Marinha. Estes indivíduos constituem, em grande parte, uma cabala de santimoniais articuladores guerreiros de gabinetes  que preferem pensar pesado enquanto deixam os outros lutarem e morrerem.

            Portanto, é seguro dizer que muito da agitação para fazer alguma coisa sobre Irã vem de Israel e dos judeus americanos. Na verdade, eu opinaria que a maioria da fúria do Congresso sobre o Irá vem da mesma fonte, com a AIPAC regando nossos Solons {refere-se ao célebre político grego Solon que é sinônimo de sabedoria legislativa} no Potomac {uma cidade modelo americana} com “fichas técnicas” explicando como o Irã é digno de aniquilação porque ele tem prometido “destruir Israel,” o que é tanto uma mentira e uma impossibilidade conforme Teerã não tem recursos para realizar tal tarefa. As mentiras da AIPAC são recolhidas e reproduzidas por uma mídia prestativa a isto, onde aproximadamente todo “especialista” que fala sobre Oriente Médio na televisão e rádio ou que é entrevistado para reportagens de jornais é judeu.






{É preciso agradar os judeus americanos e de Israel! Discursos dos candidatos dos EUA em 2016, 21 de março, em Washington na convenção da AIPAC. Hillary e Trump prometeram defender Israel, diferindo apenas nos meios. New York Times, 21 de março de 2016. montagem usando foto do New Yorker (Trump) e do New York Times (Hilary)}

Pode-se também acrescentar que os neocons como grupo foram fundados por judeus e são em grande parte judeus, daí seu apego universal ao estado de Israel. Eles ganharam destaque pela primeira vez quando obtiveram vários cargos de segurança nacional durante o governo Reagan e sua ascensão foi completada quando ocuparam cargos de chefia no Pentágono e na Casa Branca sob George W. Bush. Lembre-se por um momento: Paul Wolfowitz, Doug Feith e Scooter Libby. Sim, todos os judeus e todos os conduítes de informações falsas que levaram a uma guerra que se espalhou e destruiu efetivamente grande parte do Oriente Médio. Exceto Israel, é claro. Philip Zelikow, também judeu, em um momento de candura, admitiu [6] que a Guerra do Iraque, em sua opinião, foi travada por Israel.

Acrescente à insensatez um embaixador judeu dos EUA em Israel que se identifique com os elementos colonizadores israelenses de direita, um negociador chefe nomeado pela Casa Branca que é judeu e um genro judeu que também está envolvido na formulação da política do Oriente Médio. Alguém está fornecendo um ponto de vista alternativo ao apoio eterno e acrítico a Benjamin Netanyahu e seu regime cleptocrático de bandidos racistas? Eu acho que não.

Existe um par de correções simples para o envolvimento dominante dos judeus americanos em questões de política externa, nos quais eles têm um interesse pessoal devido à sua etnia ou vínculos familiares. Primeiro de tudo, não os coloque em posições de segurança nacional envolvendo o Oriente Médio, onde eles estarão potencialmente em conflito. Em vez disso, preocupem-se com a Coréia do Norte, que não possui uma minoria judaica e não estava envolvida no holocausto. Esse tipo de solução era, de fato, uma política relativa à posição de embaixador dos EUA em Israel. Nenhum judeu foi nomeado para evitar qualquer conflito de interesses antes de 1995, um entendimento que foi violado por Bill Clinton (você não sabia!) Que nomeou Martin Indyk para o cargo. Indyk nem era um cidadão americano na época e teve que ser naturalizado rapidamente antes de ser aprovado pelo congresso.

Os judeus americanos que são fortemente apegados a Israel e de alguma forma se encontram em cargos políticos importantes que envolvem o Oriente Médio e que realmente possuem alguma integridade no assunto devem se recusar, assim como qualquer juiz faria se estivesse presidindo um caso em que ele tinha um interesse pessoal. Qualquer americano deve ser livre para exercer os direitos da primeira emenda para debater possíveis opções relacionadas a políticas, incluindo abraçar posições que prejudicam os Estados Unidos e beneficiam uma nação estrangeira. Mas se ele ou ela estiver em condições de realmente criar essas políticas, deverá se intrometer e tirar a bunda da fora da geração de políticas para aqueles que não têm bagagem pessoal.

Para aqueles judeus americanos que não têm nenhum pingo de integridade, a mídia deverá exigir que os rotule na parte inferior da tela da televisão sempre que aparecerem, por exemplo, Bill Kristol é “judeu e um franco defensor do estado de Israel”. Seria uma espécie de etiqueta de advertência em uma garrafa de veneno de rato – traduzindo-se aproximadamente como “ingerir mesmo a menor dosagem de absurdos vomitados por Kristol é por sua conta e risco.”

Como nenhuma das opções é provável de acontecer, a única alternativa para os cidadãos americanos que estão cansados de ter os interesses de segurança nacional de seu país assaltados por um grupo que está sob a sob o poder de um governo estrangeiro é se tornarem mais assertivos sobre o que está acontecendo. Acenda um pouco de luz na escuridão e reconheça quem está sendo enganado e por quem. Chame assim. E se os sentimentos de alguém estão feridos, muito ruim. Não precisamos de uma guerra com o Irã porque Israel quer que um e alguns judeus americanos ricos e poderosos estão felizes em entregar. Sério, não precisamos disso.

Tradução e palavras entre chaves por Mykel Alexander


Notas


[1] Fonte usada pelo editor do The Unz Review – Na alternative mídia selection: “About Us”, The American Conservative.

[2] Fonte usada pelo editor do The Unz Review – Na alternative mídia selection: “Whose War?”, por Patrick Buchanan, 24 de março de 2003, The American Conservative.

[3] Fonte usada pelo autor: “Iran, Again - Will Israel start a new war?”, por Philip Girald, 29 de Agosto de 2017, The Unz Review – An alternative mídia selection.

[4] Fonte usada pelo autor: “HOW IRAQ WAR HAWKS CAN HELP STOP TRUMP FROM GOING TO WAR WITH IRAN”, por Jon Finer, Jeff Prescott, e Robert Malley, 1 de setembro de 2017, New Yorker.

[5] Fonte usada pelo autor: “Yes, Iran Hawks Want Conflict With Iran”, por Daniel Larison, 1 de setembro de 2017, The American Conservative.

[6] Fonte usada pelo autor: “IRAQ: War Launched to Protect Israel – Bush Adviser”, por Emad Mekay, 29 de março de 2004, Interpress Service.




Fonte: America's Jews Are Driving America's Wars - Shouldn't they recuse themselves when dealing with the Middle East?, por Philip Girald, 17 de setembro de 2017,  The Unz Review – An alternative mídia selection.


Sobre o autor: Philip Giraldi (1946 –) é um ex-agente de contraterrorismo, agente da Cia e da inteligência militar dos EUA. Concluiu seu BA na Universidade de Chicago, com Mestrado e PhD na Universidade de Londres, em História Europeia. Atualmente é colunista, comentador televisivo e Diretor Executivo do Council for the National Interest. Escreveu artigos para as revistas e jornais The American Conservative magazineThe Huffington Post, e Antiwar.com para a rede midiática Hearst NewspaperFoi entrevistado pelos jornais e revistas Good Morning America60 MinutesMSNBCFox News ChannelNational Public Radio, a Canadian Broadcasting Corporation, a British Broadcasting Corporational-Jazeeraal-ArabiyaIran DailyRussia TodayVeterans TodayPress TVFoi conselheiro de política internacional para a campanha de Ron Paul em 2008.

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