| William B. Lindsey |
A
próxima “testemunha” era o Dr. Rudolf Diels que, devido aos interrogatórios em
curso para o Tribunal de Nuremberg, não pôde estar presente no Tribunal de
Curiohaus. Sua declaração juramentada — também em inglês — foi apresentada em
substituição ao seu comparecimento. Essa manobra foi usada repetidamente por
aqueles dedicados ao serviço inquestionável a “um único mestre”,26 por causa de sua eficácia em proteger
do contrainterrogatório pela defesa as testemunhas consideradas fracas ou não
confiáveis pela acusação. Foi somente muito mais tarde que a defesa conseguiu
forçar o comparecimento de tais “testemunhas” para o contrainterrogatório.
A
declaração juramentada do Dr. Diels parece ser a origem alemã da famosa
expressão “É melhor você tomar cuidado ou vai subir pela chaminé!”. Isso se
referia às ameaças de morte seguidas de cremação feitas aos prisioneiros pelos
guardas dos campos de concentração. Diels jurou que, “em sua opinião”,
operações de gaseamento (presumivelmente matando seres humanos) eram discutidas
praticamente em toda a Alemanha. A revelação de que o Zyklon B era fabricado em
Hamburgo foi uma novidade para o Dr. Tesch que, como usuário, teria ficado
feliz em saber da existência de um fornecedor próximo. (É claro que não havia
nenhuma fábrica desse tipo em Hamburgo.)
Antes
de ser preso pela Gestapo, primeiro em março e novamente em agosto de 1944, o
Dr. Diels tinha sido presidente da Câmara de Comércio de Colônia e Hanôver e,
posteriormente, chefe da Divisão de Transporte Marítimo da Fábrica Hermann
Göring. Seu depoimento, assim como o de Wilhelm Hoettl, exala o desejo de
fornecer aos seus captores as provas que eles tanto buscavam. É uma curiosa
mistura do que as autoridades de ocupação já sabiam ou acreditavam saber e do
que não passa de fofoca comum — tanto que Stirling, o advogado britânico,
protestou por ter que ouvir tudo aquilo. A declaração juramentada do Dr. Diels
foi útil ao Tribunal Militar Britânico, contudo, para “estabelecer” o argumento
de que alemães como o Dr. Tesch e Herr Weinbacher (nenhum dos quais Diels
conhecia) não poderiam deixar de saber que judeus estavam sendo mortos com gás
Zyklon B.
Longe
de ser de conhecimento comum na Alemanha que pessoas estavam sendo gaseadas,
como Diels alegou, a grande maioria dos alemães ficou horrorizada com as
acusações das Nações Unidas e protestou que nunca tinham ouvido falar de tais
atos até depois do cessar-fogo, quando começaram a ouvir as transmissões das
Nações Unidas. Eles ficaram, como mencionado anteriormente, ainda mais
horrorizados ao saber que os mesmos inimigos, após meros trinta anos, poderiam
novamente acreditar que eles eram capazes de tais atos. Visto que a British
Broadcasting Corporation (BBC) tinha estado transmitindo essas acusações
regularmente por muitos meses antes do fim da guerra, os alemães que tinham “conhecimento
geral” do gaseamento antes do fim da guerra provavelmente obtiveram esse “conhecimento”
da BBC! Isso pode explicar, pelo menos em parte, as dificuldades do Dr. Diels
com a Gestapo, já que as autoridades alemãs, que gravavam e monitoravam
regularmente as transmissões de propaganda das Nações Unidas,27 verificando sua precisão quando
julgavam necessário, geralmente equiparavam o conhecimento do conteúdo dessas
transmissões ao fato de tê-las escutado ilegalmente ou de ter se associado com
pessoas que tinham.
A
declaração juramentada de Diels foi seguida pelo depoimento de vários empregados
da Tesch und Stabenow. Entre eles estavam o Padre Biagini e Frau. Uenzelmann,
mencionados previamente em relação ao depoimento de Sehm. Os outros
estenotipistas também foram questionados sobre o relatório de viagem
supostamente visto por Sehm, mas nenhum deles o havia digitado, visto ou ouvido
falar dele. Além dos funcionários de escritório, também foram ouvidos
trabalhadores de campo que haviam realizado fumigações por contrato em
Auschwitz e outros campos supervisionados pela SS. Nenhuma evidência foi
apresentada, no entanto, que corroborasse a visão de que a Tesch und Stabenow
fosse algo além de uma firma de controle de pragas respeitada, confiável,
movimentada e bem administrada.
O
testemunho de Wilhelm Bahr é interessante desde que, como auxiliar de
saneamento da SS no campo de concentração de Neuengamme, ele, juntamente com
outros dezenove, participou do breve curso de três dias do Dr. Tesch sobre
fumigação com Zyklon B, utilizando para treinamento as câmaras de fumigação
para roupas do hospital da SS em Oranienburg. Essas câmaras de fumigação padrão
tinham um volume de dez metros cúbicos e comportavam de 40 a 50 peças de roupa
por carga.28 Essas eram as roupas normalmente de
cerca de 25 a 30 pessoas. Uma câmara de fumigação desse tamanho exigia uma lata
de 200 gramas29 de Zyklon B para
atingir a concentração de gás necessária de 20 gramas de gás Zyklon B por metro
cúbico de ar.30
Bahr
testemunhou que o Dr. Tesch não o treinou, nem aos seus colegas,
especificamente para matar seres humanos, mas que ele, Bahr, agindo sob ordens
do Dr. von Bergmann (presumivelmente um médico), matou 200 prisioneiros de guerra
russos com gás Zyklon B em Neuengamme, em 1942, despejando cinco ou seis latas
de Zyklon B (presumivelmente latas de 200 gramas) numa caserna através de um
buraco no telhado. Em adição, ele afirmou que ele tinha visto o nome de Tesch
und Stabenow nos rótulos das latas de Zyklon B que ele utilizou em Neuengamme,
aparentemente tanto para operações de fumigação como para o único assassinato
confessado de prisioneiros de guerra russos.31
Bahr foi a única testemunha que confirmou a presença de Zyklon B, encomendado
através de Tesch und Stabenow, no local de uma alegada operação de matança em
massa. Este local, contudo, era Neuengamme, e não Auschwitz.
É
um raciocínio tortuoso, de fato, que responsabiliza o Dr. Tesch (e, ainda mais
ilogicamente, Herr Weinbacher) pelos supostos assassinatos de 200 russos,
mortos por um homem que confessa o crime, mas testemunha que o Dr. Von Bergmann
o ordenou a cometê-lo e que o Dr. Tesch não o treinou para tal. Se acreditarmos
que Bahr de fato matou os russos, o Dr. Tesch e Herr Weinbacher certamente não
teriam responsabilidade alguma. Mas, novamente, foi tudo o que o Tribunal
Militar Britânico necessitava para estabelecer firmemente na mente dos
discípulos do “Holocausto” a imagem mental do sádico funcionário da SS
despejando Zyklon B, a mando de Tesch e Stabenow, através de aberturas no teto,
em uma câmara repleta de vítimas russas,
inocentes e miseráveis! (Uma variação posterior ocasional sobre este tema
principal alega que o Zyklon B foi adicionado através de aberturas nas
paredes.)
O próprio Unterscharführer (Cabo) Wilhelm Friedrich Bahr aguardava julgamento por crimes de guerra perante um posterior Tribunal Militar Britânico.32 Sem dúvida, ele tinha conhecimento da gravidade das acusações contra ele e de que sua única chance de sobrevivência residia em cooperar com seus captores. Até o momento, eu não tenho descoberto seu destino subsequente.
Tradução
e palavras entre chaves por Mykel Alexander
26 Nota de William B. Lindsey: TMWC
{Trial of Major War Criminals}, Vol. III, p. 551.
27 Nota de William B. Lindsey:
German Federal Archives (Bundesarkiv),
Koblenz, West Germany.
28 Nota de William B. Lindsey: Em
seu apelo, na tentativa de salvar a vida de Herr Weinbacher, o Dr. Stumme
demonstrou que, com base nos depoimentos prestados durante o julgamento, teriam
sido necessários 1.000 kg de gás Zyklon B para fumigar 200.000 uniformes de uma
só vez!
29 Nota de William B. Lindsey: As
latas de maior tamanho (ver nota 9) destinavam-se a câmaras de fumigação
maiores ou à fumigação de casernas.
30 Nota de William B. Lindsey: O
desenvolvimento da câmara de fumigação com Zyklon B estendeu-se pelas duas
Guerras Mundiais e dependeu quase inteiramente do perigo de epidemias de tifo
maculoso, transmitido por piolhos. Essas câmaras eram, portanto, conhecidas e
denominadas “câmaras de desinfestação com cianeto de hidrogênio” (“Blausaeure-Entlausungs-kammer”).
Diante da absoluta necessidade de tais câmaras e de um agente fumigante letal
(sempre escasso) em tempos de guerra, foi projetada a câmara de desinfestação
DEGESCH. Ela permitia a introdução segura da lata selada de Zyklon B, no
tamanho necessário para o volume da câmara de fumigação. A porta de entrada era
selada hermeticamente e a lata aberta por um parafuso operado externamente, que
perfurava a lata soldada dentro da câmara selada, permitindo que os grânulos de
Zyklon B caíssem sobre uma superfície aquecida (o “Vergasergeraet”
[“Gasificador”] ou “fogão”, no jargão dos discípulos do “Holocausto”),
garantindo a evaporação do cianeto de hidrogênio líquido dos grânulos. Um
ventilador de circulação fazia circular a mistura de ar/Zyklon B dentro da
câmara para misturar os gases. Isso impedia a estratificação do gás, já que o
gás Zyklon B é mais leve que o ar (e não mais pesado, como tantas vezes
erroneamente afirmado ou implicado pelos propagandistas do “Holocausto”), e fazia
certo que a mistura necessária de 20 g de Zyklon B por metro cúbico de ar
penetrasse através da inteira câmara de fumigação, incluindo as peças de roupa
a serem desinfetadas. Com o ventilador de circulação, a fumigação podia ser
concluída em uma hora. Sem um sistema como esse, todo o procedimento exigia
pelo menos 16 horas — de preferência 24 horas. Após a fumigação, o sistema de
circulação expelida a mistura tóxica por uma chaminé e arejava as roupas
fumigadas antes que as portas herméticas da câmara fossem abertas e as roupas
desinfestadas e fumigadas fossem removidas para serem recuperadas por seus
proprietários.
As vantagens de tais câmaras eram óbvias e substanciais. No verão de 1943, 552 câmaras de fumigação ou desinfestação com Zyklon B e sistemas de circulação haviam sido construídas em 226 locais diferentes. Outras cem mais tinham sido construídas sem sistemas de circulação e estavam sendo usadas, a despeito do tempo de fumigação mais longo. Quase metade dessas câmaras de desinfestação foram construídas entre janeiro de 1942 e abril de 1943. A indústria de munições tinha 249 dessas câmaras em operação regular ou em construção, já que no verão de 1943 tornou-se obrigatório inspecionar regularmente os trabalhadores estrangeiros durante a guerra para garantir que eles estivessem e permanecessem livres de vermes. (Emil Wuestinger, “Vermehrter Einsatz von Blausaeure-Entlausungskammern,” [“Aumento do uso de câmaras de despiolhamento de cianeto de hidrogênio”], Gesundheits-Ingenieur, Jahrgang 67, Heft 7, pp. 179-80.)
31 Nota de William B. Lindsey: A
Tesch und Stabenow começou a usar seus próprios rótulos distintos no Zyklon B
encomendado através de seus escritórios em 1942.
32 Nota de William B. Lindsey: WO
235/165, Case 145, Vols. I-VII, January-March 1946.
Zyklon B, Auschwitz, and Bruno Tesch, por William B. Lindsey, The Journal of Historical Review, Fall 1983 (Vol. 4, nº 3), páginas 261-303.
https://ihr.org/journal/v04p261_Lindsey.html
Sobre o autor: William B. Lindsey (19??-1993) obteve seu diploma de bacharel em ciências pela Universidade do Texas e seu doutorado em Química pela Universidade de Indiana. Trabalhou como químico pesquisador profissional em uma grande corporação por 31 anos. Como químico profissional tinha grande interesse na história da Segunda Guerra Mundial, ele tinha particular curiosidade pelas alegações de assassinatos em massa de judeus em “câmaras de gás” em Auschwitz-Birkenau, utilizando gás cianeto de hidrogênio do Zyklon B, um inseticida e pesticida comercial. Consequentemente, realizou diversas visitas de inspeção aos locais na Polônia onde supostamente ocorreram os “campos de extermínio” da guerra, incluindo Auschwitz, Auschwitz-Birkenau e Majdanek. Foi membro da comissão editorial do The Journal of Historical Review desde 1983. Em fevereiro de 1985, ele testemunhou no julgamento do Holocausto em Toronto, conduzido pelo editor germano-canadense Ernst Zündel. Lindsey foi reconhecido pelo tribunal como perito em cianeto de hidrogênio. Sua atuação baseou-se em um exame minucioso das câmaras de gás em Auschwitz, Birkenau e Majdanek, e em seus anos de experiência.
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