sexta-feira, 31 de julho de 2026

{EUA, Grã-Bretanha e a aliança com Stalin} Lidando com o Diabo - por Eric Margolis

 

Eric Margolis


{As considerações do autor do artigo, contudo, baseiam-se em narrativas de campos de extermínio alemães ao invés de campos de concentração alemães}

Crimes do passado continuam a invadir a política atual. A Alemanha acaba de inaugurar um novo memorial para as vítimas judaicas da perseguição nazista. Os armênios exigem que a Turquia admita que os massacres da era otomana foram um genocídio. O Japão está sendo fustigado em fogo novamente por seus vizinhos asiáticos por negar as atrocidades cometidas durante a guerra. No entanto, o maior crime da história moderna — e o genocídio mais sangrento — tem praticamente desaparecido da nossa memória coletiva. Esta semana [em 2007] marca o 70º aniversário do Grande Terror na União Soviética, período em que dezenas de milhões de pessoas foram assassinadas ou aprisionadas.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, ao menos reconheceu pela primeira vez o que deu o termo de crimes soviéticos “colossais”, ao comparecer a uma cerimônia em um local de execuções perto de Moscou, onde a polícia secreta soviética fuzilou 20.000 “inimigos do povo.” Foi interessante observar Putin — ex-chefe do serviço de segurança FSB — denunciando crimes de seus predecessores diretos, a KGB e a NKVD. Tratava-se do mesmo Putin que, recentemente, classificou o colapso da União Soviética como uma “tragédia.” Ainda assim, nós aplaudimos seu reconhecimento — tardio — dos crimes da era comunista.

O terror soviético teve início na década de 1920, quando Lênin ordenou o extermínio de cossacos e opositores dos bolcheviques. Em seguida, vieram os católicos da Rússia Branca e aqueles que resistiam ao comunismo nos Estados Bálticos e na Moldávia. Stalin então ordenou a liquidação de dois milhões de pequenos agricultores, conhecidos como “kulaks.”

Entre 1932 e 1933, Stalin desencadeou um genocídio contra os agricultores ucranianos que defendiam sua independência. De seis a sete milhões de ucranianos foram fuzilados ou morreram de fome em uma crise de inanição provocada pela NKVD. O homem que comandou esse genocídio — Lazar Kaganovich, a versão soviética do principal executor nazista Adolf Eichmann — foi condecorado como Herói da União Soviética e morreu pacificamente em Moscou, em 1991. Nem ele nem quaisquer outros oficiais sobreviventes que tenham cometido assassinatos em massa e tortura jamais foram processados ​​por seus crimes.

{O judeu Lazar Moiseyevich Kaganovich (1893-1991) deu continuidade ao ódio do messianismo judaico ao povo russo, em sua posição de genocida, com alto cargo soviético no governo de J. Stalin}

Quando os burocratas do Partido Comunista demoravam a obedecer às ordens de Stalin para transformar a União Soviética de uma sociedade rural atrasada em uma potência industrial moderna, “Koba” — como ele era chamado — ordenava ao NKVD que fuzilasse 700.000 membros do partido. A partir de então, suas ordens eram prontamente cumpridas. Quase toda a hierarquia do partido e das forças armadas foi executada durante os Grandes Expurgos de 1937-1938, que culminaram nos notórios Processos de Moscou. Somente entre 1934 e 1941, cerca de sete milhões de vítimas foram enviadas para o sistema de campos de concentração conhecido como “Gulag,” incluindo quase um milhão de poloneses, centenas de milhares de lituanos, letões e estonianos, e metade da inteira população chechena e inguche. Seguiram-se os alemães do Volga, os tártaros da Crimeia, os bashkires e os calmucos. O Gulag de Stalin não precisava de câmaras de gás: o frio, as doenças e a exaustão pelo trabalho matavam 30% dos prisioneiros a cada ano.

{L. Kaganovich e J. Stalin}

Até hoje, historiadores russos e estrangeiros não têm certeza sobre o número de vítimas de Lênin e Stalin. As estimativas variam de 20 a 40 milhões de mortes entre 1922 e 1953 — não incluindo as mortes da guerra.

Stalin cometeu seus piores crimes muito antes de as grandes atrocidades de Hitler começarem a avançar. A Alemanha não iniciou a Segunda Guerra Mundial sozinha, como a maioria acredita. A Alemanha e a URSS o fizeram em conjunto ao invadir a Polônia em 1939; em seguida, Stalin invadiu a Finlândia. Dois anos depois, a Grã-Bretanha e a URSS invadiram o Irã, que era neutro. A história, de fato, continua sendo a propaganda dos vitoriosos.

Se nós continuamos demandando que a Alemanha e o Japão admitam a culpa pelos eventos das décadas de 1930 e 1940, não seria hora de os Estados Unidos, a Grã-Bretanha e o Canadá admitirem sua própria culpa por terem se aliado a Stalin, um criminoso monstruoso que matou mais de quatro vezes o número de vítimas de Hitler?

Há mais que isso, os campos de concentração de Stalin já operavam uma década antes dos da Alemanha. O assassinato de milhões de ucranianos e povos bálticos ocorreu seis ou sete anos antes da Segunda Guerra Mundial. O ingênuo Franklin Roosevelt, que chamava Stalin de “Tio Joe”, e o mais astuto Winston Churchill sabiam que estavam aliados ao maior assassino em massa desde Genghis Khan. Eles usaram um demônio maior para combater outro, menor e menos perigoso — e depois pagaram o preço ao entregar metade da Europa ao Império Soviético. Deveríamos nos lembrar disso quando os atuais belicistas neoconservadores se põem a exaltar poeticamente as glórias da Segunda Guerra Mundial — e clamam por uma Terceira Guerra Mundial contra o mundo muçulmano.

{W. Churchill (1874-1965), F. D. Roosevelt (1882-1945) e J. Stalin (1878-1953) juntos. Contrariando as opiniões das denominadas esquerda e direita, nem esquerda se aliou com o fascismo e nem direita se aliou com o fascismo, mas sim esquerda (URSS) e direita (EUA e Grã-Bretanha) se aliaram, como doutrinas modernas e antitradicionais, contra o nacional-socialismo alemão (o vulgo nazismo) e contra os nacionalismos do mundo, da Itália, passando por Romênia, e chegando até o Brasil}.

As potências ocidentais deveriam praticar o que pregam com tanta moralidade à Alemanha, ao Japão e, mais recentemente, à Turquia, ao menos pedindo desculpas por sua sórdida colaboração com Stalin. Uma colaboração que foi tão imoral quanto teria sido um acordo com Hitler — algo que Stalin temia há muito que eles fizessem — para destruir a União Soviética.

Tradução e palavras entre chaves por Mykel Alexander

 

Fonte: Dealing With the Devil, por Eric Margolis, foi publicado pela primeira vez no Khaleej Times em 4 de novembro de 2007, um jornal diário de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Republicado pelo Institute for Historical Review.

https://ihr.org/other/MargolisDealing

Sobre o Autor: Eric S. Margolis, (1943-) judeu de Nova York, é um jornalista e autor respeitado internacionalmente. Durante 27 anos, até 2010, foi editor colaborador da rede de jornais Toronto Sun, no Canadá, onde assinava uma coluna regular. Também colaborou regularmente com o Huffington Post até 2017. Escreveu para outros jornais, e seus textos foram publicados em veículos como The New York Times, The Times (Londres) e The American Conservative. Participou diversas vezes como especialista em assuntos internacionais de programas em emissoras de televisão e rádio como CNN, Fox, CBC e NPR. Como correspondente de guerra, Margolis cobriu conflitos ao redor do mundo, incluindo no Afeganistão, na Caxemira, no Paquistão, em El Salvador e em Angola.

Ele possui formação de Relações Internacionais pela School of Foreign Service da Universidade de Georgetown e pela Universidade de Genebra (Suíça) e pelo programa de MBA da Universidade de Nova York. É autor de dois livros: War at the Top of the World: The Struggle for Afghanistan, Kashmir, and Tibet (1999) e American Raj: The West and the Muslim World (2008). Há décadas, Margolis e sua esposa, Dana, atuam como defensores dos direitos dos animais.

__________________________________________________________________________________

Relacionado, leia também:

Sobre a influência do judaico bolchevismo (comunismo-marxista) na Rússia ver:

Revisitando os Pogroms {alegados massacres de judeus} Russos do Século XIX, Parte 1: A Questão Judaica da Rússia - Por Andrew Joyce {academic auctor pseudonym}.  Parte 1 de 3, as demais na sequência do próprio artigo.


Mentindo sobre o judaico-bolchevismo {comunismo-marxista} - Por Andrew Joyce, Ph.D. {academic auctor pseudonym}

Os destruidores - Comunismo {judaico-bolchevismo} e seus frutos - por Winston Churchill

A liderança judaica na Revolução Bolchevique e o início do Regime soviético - Avaliando o gravemente lúgubre legado do comunismo soviético - por Mark Weber

Líderes do bolchevismo {comunismo marxista} - Por Rolf Kosiek

Wall Street & a Revolução Russa de março de 1917 – por Kerry Bolton

Wall Street e a Revolução Bolchevique de Novembro de 1917 – por Kerry Bolton

Os banksters financiaram a Revolução de Outubro {do judaico-bolchevismo-comunismo} - por Freeman

Esquecendo Trotsky (7 de novembro de 1879 - 21 de agosto de 1940) - Por Alex Kurtagić

{Retrospectiva Ucrânia - 2014} Nacionalistas, Judeus e a Crise Ucraniana: Algumas Perspectivas Históricas - Por Andrew Joyce, PhD {academic auctor pseudonym}

Nacionalismo e genocídio – A origem da fome artificial de 1932 – 1933 na Ucrânia - Por Valentyn Moroz


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Os comentários serão publicados apenas quando se referirem ESPECIFICAMENTE AO CONTEÚDO do artigo.

Comentários anônimos podem não ser publicados ou não serem respondidos.