quarta-feira, 12 de agosto de 2026

{Genocídios soviéticos – 1.2} Katyn vs ‘Khatyn’: outra farsa soviética Por Louis FitzGibbon

 Continuação de {Genocídios soviéticos - 1.1} Massacre de Katyn — “Os 10.000 Desaparecidos” - por Louis FitzGibbon

 Louis FitzGibbon

A história, mesmo a história recente, está repleta de mentiras. Mas em grande parte porque essas falsidades aparecem na forma impressa, muitas pessoas acreditam nelas; é por essa razão que o Institute for Historical Review é tão vital. Uma dessas farsas é a de Khatyn — em contraposição a Katyn.

Em 3 de julho de 1974, o jornal britânico Daily Telegraph publicou o seguinte artigo:

CONFUSÃO ENTRE KHATYN E KATYN

A visita do presidente Nixon ao memorial na aldeia bielorrussa de Khatyn gerou a impressão equivocada de que a Rússia havia erguido um memorial para as vítimas do massacre de oficiais poloneses ocorrido durante a guerra na floresta de Katyn. Na verdade, Khatyn e Katyn são dois lugares completamente distintos; Khatyn — onde o “kh” tem som de um “h” aspirado — é uma pequena aldeia situada a cerca de 30 milhas a nordeste de Minsk, a capital da Bielorrússia.

Katyn, cuja pronúncia segue a grafia, é uma localidade situada a cerca de 15 milhas a oeste de Smolensk, uma cidade provincial na própria Rússia. Khatyn fica a cerca de 160 milhas a oeste de Katyn.

Quando Stalin e Hitler dividiram a Polônia no início da Segunda Guerra Mundial, em 1939, cerca de 240.000 oficiais e soldados poloneses caíram em mãos russas. Após a invasão da Rússia por Hitler, em junho de 1941, constatou-se o desaparecimento de 15.000 deles, e os russos negaram qualquer conhecimento sobre o seu paradeiro.

Katyn caiu em mãos alemãs no final do verão de 1941 e, no início de 1943, o exército alemão descobriu uma vala comum contendo os corpos de 4.443 oficiais e soldados poloneses.

Quando o governo polonês no exílio solicitou a criação de um tribunal internacional para determinar as circunstâncias da morte dos poloneses, Stalin rompeu relações. Após retomar Katyn, os russos conduziram sua própria investigação e afirmaram que os poloneses tinham sido executados pelos alemães.

Pesquisas posteriores realizadas por autoridades polonesas e independentes no Ocidente, bem como documentos do Foreign Office (Ministério das Relações Exteriores britânico) da época da guerra, não deixam dúvidas de que os poloneses foram executados pela polícia secreta soviética, a NKVD.

Os russos tentaram apagar Katyn dos mapas e dos livros de história. A referência ao local, presente na edição de 1953 da Enciclopédia Soviética, foi omitida na edição de 1973. Não é permitida a visitação à área e nenhum tem sido erigido.

Foi somente em 1969 que os russos anunciaram a inauguração de um “complexo memorial” no local da aldeia de Khatyn. Foi uma das 9.200 aldeias bielorrussas destruídas pelos alemães e uma das 136 em que todos os habitantes foram mortos.

Os russos parecem ter escolhido Khatyn devido à semelhança de seu nome com o de Katyn. Esperavam, assim, ocultar o fato de não terem erguido nenhum memorial às vítimas de Katyn — um crime não menos grave do que aquele cometido em Khatyn.

Há vários aspectos interessantes a notar sobre isso: o presidente Nixon foi levado pelos soviéticos a Khatyn exatamente quando o Fundo do Memorial de Katyn lutava contra a Igreja da Inglaterra pela permissão para erguer o Memorial de Katyn em Londres. A visita do presidente teve ampla repercussão, sendo o objetivo, obviamente, obscurecer a questão e levar as pessoas a se perguntarem, talvez, por que havia tanto alvoroço na Grã-Bretanha para erguer um memorial às vítimas de Katyn quando “já existia um na Rússia.”

Uma análise dos mapas soviéticos também é reveladora:

1954 – Um mapa da região de Minsk, na Grande Enciclopédia Soviética, não mostra Khatyn de forma alguma.

1956 – Um mapa da região de Smolensk, na Grande Enciclopédia Soviética, mostra Katyn.

1969 – Um grande atlas da URSS não mostra nem Khatyn nem Katyn.

1971 – Um mapa da região de Minsk, na Grande Enciclopédia Soviética, mostra Khatyn, mas não Katyn.

Uma reflexão avançando mais mostra que, em 1954 — isto é, após a divulgação das conclusões da comissão especial dos EUA (de 1952) —, não há sinal de Khatyn; enquanto mesmo, em 1956, Khatyn também não é mostrada. Em 1969, nenhum dos dois locais consta no atlas, ao passo que, em 1974, Katyn foi apagada e Khatyn passou a figurar. Pode-se supor, portanto, que, embora os soviéticos tenham ignorado Katyn por duas décadas, eles posteriormente “corrigiram” isso produzindo Khatyn e obliterando Katyn. Vale notar que, no alfabeto cirílico, o “K” é escrito da mesma forma que no nosso alfabeto, enquanto o “X” representa o som de “kh”, como nós o lemos no Ocidente.

Isso pode somente ser que esse extraordinário truque é um artifício para remover a Katyn real e substituí-la por Khatyn, numa tentativa — ainda que desajeitada — de distrair e confundir ainda mais o mundo quanto à localização de crimes em massa cometidos pelos soviéticos, atribuindo, em vez disso, um suposto crime à Alemanha nazista.

Visitantes da Rússia são levados aos milhares para conhecer o “complexo memorial” em Khatyn. Lá eles podem adquirir um livreto bem produzido, disponível em seis idiomas; A versão em inglês começa com estas palavras: “É o único no mundo, este monte lúgubre de mármore negro. E o fogo — línguas carmesins de chamas — arde onde poderia crescer mais uma bétula, farfalhando alegremente... e que jamais existam outros cemitérios assim na Terra!”

Essas palavras piedosas contrastam estranhamente com o uso atual de napalm e gás venenoso contra simples membros de tribos muçulmanas no Afeganistão!

Em resumo, Khatyn é apenas uma invenção dos soviéticos — tal como a “détente {termo para amenização de tensões nucleares na Guerra Fria}”, que engana tanta gente, mas na qual as pessoas querem acreditar, pois elas temem a verdade.

Talvez seja oportuno aqui referir um dos Hadiths (ditos do Profeta Maomé) compilados pelo Imam an-Nawawi (1233–1277), no qual se relata: “Quem de vós presenciar uma ação maligna, que a mude com a própria mão; se não for capaz de fazê-lo, então com a língua; e se não for capaz de fazê-lo, com o coração — e essa é a forma mais fraca de fé.”

Tradução e palavras entre chaves por Mykel Alexander

 

Katyn vs ‘Khatyn’: Another Soviet Hoax, por Louis FitzGibbon, The Journal for Historical Review, Vol.1, Nº 3, Fall, 1980.

https://ihr.org/journal/v01p230_FitzGibbon.html

Sobre o autor: Louis Theobald Dillon FitzGibbon (1925-2003) foi um oficial naval inglês, pesquisador e ativista humanitário. Seu trabalho após o serviço na marinha focaram na denúncia de crimes de guerra soviéticos no Ocidente e na defesa de refugiados e minorias. Ele exerceu o cargo de Secretário-Geral do Conselho Britânico para Auxílio aos Refugiados (British Council for Aid to Refugees). Ele também realizou diversas missões na África Oriental a serviço do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, atuando especialmente em questões da Somália. Seus esforços de pesquisa e pressão pública são amplamente creditados por forçar o governo soviético posteriormente admitir oficialmente a culpa pelos crimes de Katyn. Ainda, ele foi um dos idealizadores e secretário honorário do comitê responsável pela construção do Monumento de Katyn no cemitério de Gunnersbury, em Londres, inaugurado em 1976. Entre seus escritos estão: Katyn: A Crime without Parallel, 1971; The Katyn Cover Up, 1972, Unpitied and Unknown, 1975; Katyn: Triumph of Evil, 1975; The Betrayal of the Somalis, 1982; The Evaded Duty, 1985.

Embora os fatos sobre o massacre estejam hoje bem estabelecidos, durante a década de 1970 seus esforços em prol da justiça e da verdade histórica foram considerados controversos, pois muitas pessoas ainda endossavam a alegação das potências Aliadas, feita durante a Segunda Guerra Mundial, de que os hediondos assassinatos do período de guerra haviam sido perpetrados por autoridades alemãs.

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