quarta-feira, 17 de agosto de 2022

Aleksandr Solzhenitsyn, Ucrânia e os Neoconservadores - Por Boyd T. Cathey

 

Boyd D. Cathey


Em toda a histeria sobre a última cepa do vírus Coronavírus, as atividades ideológicas em frenesi (e essencialmente autoritárias e anticonstitucionais) do Comitê “Investigatório” de 6 de janeiro da Câmara e a frenética preparação para este recente Natal, um aniversário significativo foi esquecido, ou melhor, ignorado por nossa mídia, incluindo a chamada mídia “conservadora”: o nascimento em 11 de dezembro de 1918 do maior romancista e crítico social/cultural do século XX, Aleksandr Solzhenitsyn.

Solzhenitsyn, diga-se, será lembrado por muito tempo quando os nomes de fanáticos idiotas como Nancy Pelosi, Adam Schiff e outros desse tipo se tornarem palavrões imundos, simbolizando o nadir político e cultural de nossa outrora grande república.

Ainda, com todas as exclamações ejaculatórias e advertências terríveis, e as demandas subsequentes de ação “americana” e “OTAN” para frustrar a suposta “ameaça” dos russos, sob o gênio do mal Vladimir Putin, de usar tropas cossacas sedentas de sangue para invadir e conquistar Pobre e pouco democrática Ucrânia, os comentários de Solzhenitsyn pouco antes de morrer em 3 de agosto de 2008 demandam consideração.

Ninguém pode acusar o grande escritor russo de ser um defensor da violência, da agressão ou da guerra. Suas experiências, tão brutal e vividamente relatadas em seus vários romances semi-autobiográficos, dissuadem qualquer leitor desapaixonado dessa conclusão. Ele tinha visto as mandíbulas abertas do inferno amargo, e esse inferno tentou não apenas engoli-lo, mas destruí-lo e sua alma totalmente. Que o inferno soviético – o Gulag – não tenha tido sucesso, e que ele tenha emergido mais forte, um homem de fé resiliente e inquestionável, é um exemplo notável de como a verdadeira convicção religiosa e a esperança podem de fato superar até as piores provações, tanto física quanto espiritual.

Quando Solzhenitsyn veio aos Estados Unidos e fez seu famoso discurso em Harvard, em 8 de junho de 1978, foi recebido primeiro com choque, depois com um silêncio estudado e respeitoso por muitos na mídia. Pois nesse discurso ele tinha como alvo*a alguns dos atributos mais vistosos e valiosos da América:

Ele atacou a covardia moral e o egoísmo e complacência que vê no Ocidente. O materialismo, as manobras legais afiadas, uma imprensa que invade a privacidade, o “estupor da TV” e a “música intolerável”, tudo isso contribui para tornar o modo de vida ocidental cada vez menos um modelo para o mundo, disse ele. “Um declínio na coragem”, disse Solzhenitsyn, é a característica mais marcante do que ele chamou de “exaustão espiritual” do Ocidente. “As forças do mal começaram sua ofensiva decisiva, você pode sentir sua pressão, e ainda assim suas telas e publicações estão cheias de sorrisos prescritos e copos erguidos. Qual é a alegria?” “Para se defender, é preciso também estar pronto para morrer; há pouca prontidão em uma sociedade criada no culto do bem-estar material...”.

E isso foi em 1978.

Além disso, a democracia gerencial moderna e sua alardeada demanda por igualdade universal (e quimérica), imposta ao resto do mundo e modelada na experiência dos Estados Unidos, na verdade levaram ao triunfo final do totalitarismo.

Após a queda do comunismo e o fim da União Soviética, insinuou-se gradualmente que o grande escritor era agora, com o passar do tempo, talvez um pouco ultrapassado ou muito o eslavófilo ou nacionalista russo. De fato, especialistas e escritores cada vez mais esquerdistas (e neoconservadores), embora reconheçam relutantemente sua habilidade literária, o chamaram de “reacionário”, incapaz de entender a nova era globalista.

Mas os comentários de Solzhenitsyn sobre a Ucrânia feitos após a dissolução da antiga União Soviética soam verdadeiros hoje e são ainda mais prescientes agora do que quando foram feitos pouco antes de sua morte.

Eu transcrevo abaixo uma carta que ele escreveu a um amigo ucraniano, Sviatoslav Karavanski, em 1990, posteriormente publicada no jornal Zvezda, em dezembro de 1993. E sigo com trechos de uma entrevista que Solzhenitsyn deu ao The Moscow News, 28 de abril/4 de maio, 2006.

O autor Peter Rieth (em The Imaginative Conservative, 24 de agosto de 2014)*b comentou as advertências do autor russo:

“Os americanos devem tomar cautela com isso. As palavras de Solzhenitsyn fariam o presidente Reagan rolar em seu túmulo. A América em 2014 está apoiando os objetivos de Lênin, ajudando a agredir com socos a cidade de Donetsk, uma histórica cidade britânica a qual foi um bastião da resistência anti-leninista e promovendo uma visão geopolítica sonhada pelos imperialistas*c alemães, perseguida por Hitler no oeste e bolcheviques no leste. É apenas a ignorância histórica que torna isso possível...”.

Aqui estão os dois itens:

“Estimado Sr. Sviatoslav Karavanski,

“Eu o respeito profundamente por tudo o que você tem sofrido e por sua calma sob duríssima coação quando você foi obrigado a sofrer. Eu estou feliz por poder ouvir sua voz calma, mesmo embora seus compatriotas - da tribuna do Alto Comitê da URSS aos distantes jornais emigrantes - tenham concluído com base em meus escritos que sou simplesmente um crente na Grande Rússia, um chauvinista, um colonialista, um servo da tirania imperial e um ‘imperialista retardado’ (como publicado em Gomin da Ucrânia 10 de outubro de 1990). Tal cegueira e incompetência premeditadas nos fazem maravilhar espantosamente, mas também nos alertam. O que eles estão tentando esconder latindo tão alto?

“Eu posso apelar ao senhor, na esperança de entendimento mútuo, já que eles não buscaram tal entendimento mútuo comigo.

“Em consideração especificamente aos seus argumentos históricos, começando com suas reflexões sobre a invasão tártara (pelo menos em relação à Rutênia Vermelha e não à própria Rússia de Kiev), pode-se elaborar sobre esse assunto por cerca de muito tempo. Ainda, todas tais elaborações empalideceriam quando comparadas ao argumento mais forte o qual você agora falha em fazer, talvez porque ele seja tão claro: se os corações do povo da Ucrânia desejam se separar da União Soviética, então não temos nada para brigar. Tudo o que é necessário é um movimento do coração! Este foi o objetivo do meu artigo. Também escrevi sobre isso em meu Arquipélago Gulag (parte V, capítulo 2). É por isso que minha visão atual certamente não é sem precedentes. No entanto, mesmo você, bom senhor, deixou de notar que eu não tenho problemas com o separatismo ucraniano, somente com o estado fatual da Ucrânia.

“Atualmente, como as estátuas de Lenin estão sendo derrubadas na Ucrânia (como deveriam ser!), por que é que os ucranianos ocidentais de todas as pessoas naquela terra desejam que o estado da Ucrânia tenha as fronteiras feitas pelo próprio Lenin? As fronteiras que o próprio tio Lenin traçou para a Ucrânia? Pois as atuais fronteiras da Ucrânia são o resultado de Lenin buscando uma forma de compensar o povo ucraniano por consumir sua liberdade sob o domínio soviético. Assim, foi Lenin quem arbitrariamente anexou Novorossiya, o Donbas (pelo qual Lenin separou o Donbas dos contrarrevolucionários anticomunistas de Donetsk), bem como anexou partes da margem esquerda à Ucrânia. Mais tarde, Khrushchev acrescentou arbitrariamente (1954) a Crimeia à Ucrânia. E agora os nacionalistas ucranianos permanecem firmes na defesa de sua “santa” integridade territorial – das fronteiras criadas por Lênin?

“Eu escrevi em meu artigo (embora suspeite que ninguém tenha lido o que eu tinha a dizer): ‘naturalmente, se a nação ucraniana realmente deseja ir, ninguém pode ousar usar a força para impedir sua partida’. Mas perceba, por favor, quão heterogêneo é este grande território e permita que a população local decida o destino de seus distritos. E por escrever isso, sou considerado um ‘imperialista retardado?’ E aqueles que proíbem a nação de expressar sua vontade e, junto com esses democratas e amantes da liberdade, até temem essa expressão de vontade nacional por alguma estranha razão?

“Sob tais circunstâncias tão turbulentas, é impossível discutir este problema complexo através do qual nossas duas nações se uniram através de laços familiares em centenas de cidades. Há também um argumento adicional que, para minha surpresa, você faz: você afirma que a língua a qual as crianças vão falar não deve ser deixada aos “caprichos” dos pais, mas deve ser determinada pelo Estado? Você escreve que “os não-ucranianos são livres para fazer a escolha deles”. Mas você vai limitar a quantidade de suas escolas? Quanto aos ucranianos, entendo que você esteja dizendo que eles não são livres para escolher? Assim, você apoia a coerção mais uma vez?   Não senhor, esta ditadura é desnecessária. Que todas as culturas se desenvolvam de forma natural.” (Publicado em Zvezda, dezembro de 1993)

Em 2006, Solzhenistyn tornou-se muito mais pessimista, como podemos ver nesta entrevista:

WT [entrevistador]: Pessoalmente, eu acho que os três componentes básicos da civilização cristã, a civilização euro-atlântica – os Estados Unidos, a União Europeia e a Rússia – deveriam criar uma aliança estratégica uns com os outros mais cedo ou mais tarde. Se não o fizerem, então toda a nossa civilização cessará de existir. Como podemos nós salvar a nossa civilização europeia e atlântica; ela necessita ser salva?

Solzhenitsyn: Infelizmente, os processos globais parecem estar se movendo em uma direção contrária aos seus desejos. Os Estados Unidos da América estão movendo seus exércitos de ocupação para países cada vez mais novos. Tal foi o caso da Bósnia há 9 anos. Tal foi o caso de Kosovo (onde ajudaram a estabelecer um estado islâmico no coração da Europa). Nós temos testemunhado isso nos últimos 5 anos no Afeganistão e nos últimos 3 anos no Iraque. Embora no Iraque, a ocupação não sobreviverá por muito tempo. As atividades da OTAN e, separadamente, dos Estados Unidos, não diferem, exceto em pequenos detalhes. A OTAN percebe claramente que a Rússia não é capaz de ameaçar a Aliança e, assim, a OTAN desenvolve metódica e obstinadamente o seu aparato militar da Europa Oriental ao sul da Rússia continental. Pode-se ver isso em seu apoio aberto a uma variedade de revoluções coloridas, bem como no paradoxo dos interesses do Atlântico Norte terem precedência sobre os interesses da Ásia Central. Tudo isso deixa poucas dúvidas: A OTAN está no processo de cercar a Rússia e privar a Rússia de sua independência como Estado-nação. Então, para responder à sua pergunta: não, aliar a Rússia a uma Organização do Tratado do Atlântico Norte que usa força violenta em vários cantos do nosso planeta para plantar as sementes de uma ideologia da democracia ocidental moderna não expandirá a civilização cristã, somente terminará ela.

WT [entrevistador]: Qual é a sua opinião sobre o que está acontecendo na Ucrânia. E qual é a sua opinião sobre a questão da fragmentação da nação russa (a nação mais fragmentada da Europa)? A Rússia deve levantar a perspectiva de unir todas as terras russas e da Rus {terras ancestrais de origem comum à Rússia} se as elites ucranianas virarem seu país na direção da OTAN e da U.E. {União Europeia}?

Solzhenitsyn: Os eventos na Ucrânia, desde a época do referendo em 1991, com suas opções mal formuladas, têm sido uma fonte constante de dor e raiva para mim. Eu tenho escrito e falado sobre isso muitas vezes. A opressão fanática e supressão da língua russa lá (uma língua que as pesquisas mostram ser consistentemente a língua preferida de 60% das pessoas lá) é uma metodologia bestial voltada principalmente contra as perspectivas culturais da própria Ucrânia. Os vastos territórios os quais nunca fizeram parte da Ucrânia histórica, tais como a Crimeia, Novorossiya e o inteiro sudeste, foram forçada e arbitrariamente consumidos no território da Ucrânia moderna e reféns dos desejos da Ucrânia de se juntar à OTAN. Sob a presidência de Yeltsin, nunca houve uma única reunião com o presidente ucraniano que não terminasse com a capitulação da Rússia e a aceitação de tudo o que a Ucrânia pediu. Yeltsin arrancou a frota do Mar Negro de Sebastopol; algo que nem mesmo Khrushchev fez sob a URSS. É tudo uma mentalização simples, na verdade simplória e cruel, perpetuada contra toda a história da Rússia dos séculos XIX e XX. Dadas essas circunstâncias, a Rússia nunca, de forma alguma, trairá os muitos milhões de povos de língua russa na Ucrânia. A Rússia nunca abandonará o ideal de unidade com eles.” (Moscow News, entrevista com W. T. Trietiakov publicada em 28 de abril/4 de maio de 2006)

Após o colapso da União Soviética, foi mutuamente acordado*d entre Gorbachev e o presidente George W. Bush que o estado soviético seria dissolvido e os antigos estados constituintes da União se tornariam independentes, com a condição em retorno que os Estados Unidos e a OTAN não incorporassem aqueles estados em sua aliança militar, uma ameaça óbvia para a Rússia (e para a qual não haveria agora nenhuma razão real). Mas foi exatamente isso que aconteceu, começando com o presidente Clinton e continuando sob George W. Bush, e sob Obama e Biden.

George Kennan, um dos mais distintos diplomatas americanos, disse ao The New York Times que acreditava que a expansão da OTAN*e era “o início de uma nova guerra fria… Acho que é um erro trágico. Não havia nenhuma razão para isso. Ninguém estava ameaçando ninguém. Essa expansão faria os fundadores deste país se revirarem em seus túmulos.”

E hoje a Rússia se encontra virtualmente cercada por uma OTAN armada, um governo ucraniano que maltrata e persegue*f sua grande minoria étnica russa (cerca de 30%) e que violou os termos de paz do Acordo de Minsk*g (negociado após a crise de 2014), e provocadores agentes de ONGs americanos e da União Europeia e subversão internamente e em estados associados pró-Rússia próximos (como, mais recentemente, o Cazaquistão).*h

Em 2014, funcionários do governo americano, incluindo a Secretária Adjunta de Obama para Assuntos Europeus e Eurasianos, {a judia} Victoria Nuland (esposa do conselheiro de política externa do falecido John McCain, {o judeu} Robert Kagan), foram responsáveis em grande parte por instigar o “golpe de Maidan”*i que derrubou o popularmente eleito presidente ucraniano pró-Rússia Viktor Yanukovych. Em uma mensagem telefônica secretamente gravada, Nuland declarou que o Departamento de Estado de Obama havia selecionado {o judeu}#a Arseniy Yatsenyuk para ser o novo primeiro-ministro: “Yats é o cara”, disse ela. A votação dos ucranianos seja condenada se não for aceitável para os globalistas da Foggy Bottom {região de Washington onde fica a sede do Departamento de Estado}.

Está o Departamento de Estado americano, infestado de globalistas neoconservadores, disposto – como a Inglaterra fez com a Polônia antes da eclosão da Segunda Guerra Mundial – a dar à Ucrânia a promessa de apoio militar (ilimitado) o qual poderia desencadear a conflagração mundial?

O então chamado “movimento conservador” está tão corrompido por um globalismo secular e cada vez mais anticristão que agora jorra ad libitum argumentos de política externa esquerdistas? Ao ouvir um senador Roger Wicker (R-MS) ou Lindsey Graham (R-SC), se teria de concluir assim.

Já nossas políticas extraviadas e beligerantes têm forçado a Rússia a cair nos braços da China – as duas maiores nações do mundo cujos interesses nacionais e internos divergiram acentuadamente, mas que agora se aproximam devido à insistência americana em impor nossa forma de democracia uber alles, nossa subversão interna (através das “revoluções coloridas”) nos antigos estados do Bloco Oriental e nosso zelo para ver a Rússia aceitar a pior sujeira de calha que exportamos para todo o mundo.

{Aleksandr Solzhenitsyn e Vladmir Putin}

Um ano (2007) antes de morrer, Aleksandr Solzhenitsyn deu outra entrevista, esta para a revista alemã Der Spiegel, na qual ele disse:

“[Vladimir] Putin herdou um país saqueado e selvagemente desnorteado, com um povo pobre e desmoralizado…. E ele começou a fazer o que era possível, uma restauração lenta e gradual. Esses esforços não foram percebidos, nem apreciados, imediatamente. De qualquer forma, é difícil encontrar exemplos na história em que as medidas de um país para restaurar sua força foram atendidas favoravelmente por outros governos. Putin nos dá esperança e busca restaurar a tradição cristã da Rússia. Isso eu aplaudo.” [The Washington Post, 5 de agosto de 2008]

Mais uma vez, a mídia americana e o estabelecimento político consolidado ignoraram amplamente sua declaração, assim como nossa nação ignorou as advertências de Lee Congdon, do ex-embaixador Jack Matlock, de Paul Craig Roberts, de Tucker Carlson, do falecido Stephen Cohen e outros. E agora somos nós que temos criado as condições para conflitos desnecessários, miséria e conflagração global.

Tradução e palavras entre chaves por Mykel Alexander


Notas

*a Fonte utilizada por Boyd T. Cathey: Solzhenitsyn Says West Is Failing as Model for World, Lee Lescaze, 9 de junho de 1978, The Washington Post.

https://www.washingtonpost.com/archive/politics/1978/06/09/solzhenitsyn-says-west-is-failing-as-model-for-world/69e9fb6c-60d6-41f3-9022-606631a60e35/?noredirect=on

 *b Fonte utilizada por Boyd T. Cathey:

*d Fonte utilizada por Boyd T. Cathey: Washington Hawks Already Hacking Away at Ukraine Peace Deal, por Edward Lozansky, 17 de fevereiro de 2015, Russia Insider.

https://russia-insider.com/en/politics/2015/02/17/3572?utm_source=Russia+Insider+Daily+Headlines&utm_campaign=925bd06bc6-Russia_Insider_Daily_Headlines11_21_2014&utm_medium=email&utm_term=0_c626db089c-925bd06bc6-212251253&ct=t(Russia_Insider_Daily_Headlines11_21_2014)

 *e Fonte utilizada por Boyd T. Cathey: Washington Hawks Already Hacking Away at Ukraine Peace Deal, por Edward Lozansky, 17 de fevereiro de 2015, Russia Insider.

https://theimaginativeconservative.org/2014/03/ukraine-and-the-neoconservatives-wrecked-reagans-peace.html:

 *g Fonte utilizada por Boyd T. Cathey: Washington Hawks Already Hacking Away at Ukraine Peace Deal, por Edward Lozansky, 17 de fevereiro de 2015, Russia Insider.

 *i Fonte utilizada por Boyd T. Cathey:

https://www.britannica.com/place/Ukraine/The-Maidan-protest-movement

 #a Nota de Mykel Alexander: Arseniy Yatsenyuk é mais um dos exemplos em que a origem judaica de um indivíduo ocupando uma posição importante é atenuada para evitar adentrar em assuntos polêmicos, especialmente envolvendo a questão judaica:

“No passado, Yatsenyuk ocupou vários cargos de alto nível, incluindo chefe do banco central do país, o Banco Nacional da Ucrânia, ministro das Relações Exteriores e presidente do parlamento.

Ele minimizou suas origens judaico-ucranianas, possivelmente por causa da prevalência do antissemitismo no coração de seu partido na Ucrânia ocidental.

- Who exactly is governing Ukraine?, por Harriet Salem, 04 de março de 2014, The Guardian:

https://www.theguardian.com/world/2014/mar/04/who-governing-ukraine-olexander-turchynov

 


Fonte: Aleksandr Solzhenitsyn, Ukraine and the Neoconservatives, por Boyd D. Cathey, 07 de janeiro de 2022, The Unz Review – An alternative media selection.

https://www.unz.com/article/aleksandr-solzhenitsyn-ukraine-and-the-neoconservatives/

Sobre o autor: Boyd D. Cathey (1950-), americano, tem doutorado em história europeia pela Universidade Católica de Navarra, Pamplona, Espanha, onde foi Richard Weaver Fellow, e mestrado em história intelectual pela Universidade de Virgínia (como Jefferson Fellow). Foi assistente do falecido filósofo Russell Kirk e secretário estadual da Divisão de Arquivos e História da Carolina do Norte. Foi de entre 1984-1999 editor sênior do The Southern Partisan, uma publicação trimestral conservadora; entre 1989-2003 fez parte do conselho editorial do Journal of Historical Review. Foi co-editor do livro The Conservative Perspective: A View from North Carolina (1988).

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domingo, 14 de agosto de 2022

{Retrospectiva 2004 - Ocidente-Ucrânia... e o judaísmo internacional} Ucrânia à beira do precipício - Por Israel Shamir

 

Israel Shamir


Meio ano atrás, no último dia de maio, cheguei a uma antiga cidade ucraniana, minúscula e tranquila, com sua antiga igreja de Nossa Senhora da Intercessão, olhando para um rio lento de sua margem alta, e eu fui arrebatado por uma enxurrada de jovens donzelas, frescas e em seus dezesseis anos, comemorando sua formatura do ensino médio em um parque sob um céu azul quente e aberto, usando faixas brancas e guirlandas de flores em seus cabelos dourados, e aventais cerimoniais brancos em cima de roupas escuras e impiedosas saias curtas deixando abertos seus joelhos graciosos acima de meias brancas altas e tops escuros sem mangas exibindo braços e cotovelos delicados, olhos azuis brilhando na sombra de álamos pretos. Meu amigo grego também ficou calado e pensativo, e me disse com a voz abafada: as meninas ucranianas são as mais bonitas; nós não temos nada assim em nossa parte do mundo.

Essa imagem me veio à mente quando imagens totalmente diferentes da Revolução Laranja fluíram das telas de televisão; e a desintegração da Ucrânia tornou-se uma questão de semanas, senão de dias. Este país em suas atuais fronteiras surgiu muito recentemente, em 1991; as chances são de que a Ucrânia seja dividida entre o Ocidente e o Oriente; com ou sem guerra civil. A importante conquista de Stalin, que trouxe de volta a Ucrânia Ocidental ao rebanho ortodoxo de seu longo cativeiro sob o jugo ocidental, foi desfeita. É possível que a fronteira entre as duas partes se desloque mais para leste, onde estava no início do século XVII. Geopoliticamente, é uma catástrofe adicional (além da Iugoslávia desmembrada) para os russos e para a Ortodoxia Oriental. As forças ocidentais avançarão para o leste e ameaçarão a Rússia das posições que perderam na longa série de guerras que começaram com a Guerra da Livônia de Ivan IV e terminaram com a partição da Polônia no século XVIII. Para a geopolítica, a ideologia desempenha apenas um papel subserviente no confronto e cooperação de longo prazo das civilizações. Os ortodoxos, o ocidente e o islamismo são três grandes constantes; desse ponto de vista, os ortodoxos perderam e o Ocidente ganhou no jogo de séculos. O ganhador líquido são os EUA que realizaram seu sonho molhado expresso por Brzezinski {também judeu e Conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos durante a presidência de Jimmy Carter, entre 1977 e 1981, além de articulador da política internacional}: romper com a Ucrânia, pois a Rússia não pode ser uma superpotência sem a Ucrânia.

Na Ucrânia, os EUA obtiveram a vitória que lhes escapou no Iraque. No entanto, a identificação dos EUA com o Ocidente está longe de ser perfeita. Carl Schmitt preferiu ver a Inglaterra e os EUA como uma força “atlântica” do Mar que se opõe às forças continentais da Europa Ocidental, da Rússia e do mundo islâmico. Na minha opinião, a força “Atlântica” é tão religiosamente fundamentada quanto as outras três; eu a chamei de “civilização neo-judaica”. A Ucrânia, juntamente com outros estados do Leste Europeu, apresentará um posto avançado “neo-judaico” americano, a chamada “Nova Europa,” flanqueando a Europa de mentalidade independente do Oriente e a Rússia do Ocidente. A Europa Ocidental apoiou os EUA em seu confronto com o Oriente (A Guerra Fria), mas a Nova Europa manterá para sempre a velha Europa Ocidental no cerco. Assim, a vitória dos EUA na Ucrânia é motivo de grande preocupação para os europeus e para os russos, bem como para o mundo islâmico.

Para o povo da Ucrânia, o futuro é sombriamente deprimente e assustador. O candidato pró-americano à presidência Victor Yushchenko é um devoto da economia neoliberal; um defensor da privatização total e da venda forçada de ativos ucranianos para empresas norte-americanas por seus dólares que em breve serão dignos de nada. Na parte da Ucrânia que ele será bem sucedido em manter (se houver), uma nova colônia americana será estabelecida, onde as tropas americanas ameaçarão Moscou e controlarão a lucrativa rota do petróleo. Eles poderiam aprender sobre seu destino a partir de um livro incrível Confessions of an Economic Hit Man (2004), no Brasil publicado como Confissões de um Assassino Econômico} de John Perkins, um autodenominado “perito matador econômico” – um profissional de inteligência dos EUA que enganou países ao redor do mundo em trilhões de dólares. Em uma entrevista, Perkins explicou seu trabalho:[1]

“Nosso trabalho é construir o império americano. Para criar situações em que o maior número possível de recursos flua para este país [os EUA], para nossas corporações e nosso governo, e de fato temos sido muito bem-sucedidos. Construímos o maior império da história do mundo. Este império, diferente de qualquer outro na história do mundo, foi construído principalmente através da manipulação econômica, da trapaça, da fraude, da sedução das pessoas para o nosso modo de vida. Damos aos países dívidas que eles não podem pagar, a maior parte volta para os Estados Unidos, o país fica com a dívida mais muitos juros, e eles basicamente se tornam nossos servos, nossos escravos.”

O apoio americano a Yushchenko significa que Yushchenko concordou em fazer sua vontade, transformar o povo da Ucrânia em escravos americanos. Yushchenko também é apoiado pelo Banco Mundial e pelo FMI. A “doutrina de mercado” neoliberal promovida pelo Banco Mundial matou milhões de russos, africanos, latino-americanos cujos governos seguiram seu desenho técnico. A Ucrânia também teve seu quinhão de “economia de mercado” e sua população está decrescendo rápida e constantemente. Yushchenko pressionou pelo neoliberalismo quando era primeiro-ministro; agora ele prometeu empurrar ainda mais forte para isso.

As forças pró-americanas na Europa Ocidental, o predador de ontem, também querem receber uma parte dos despojos, como escreveu a observadora alemã Susanne Scheidt:

“Se Yushchenko se apossar do governo, ele garantirá que o programa de privatização elaborado pelo Banco Mundial continue conforme o planejado. Em nome deste programa, os bancos alemães têm planejado grandes investimentos na Ucrânia que equivalem a uma aquisição de serviços públicos ucranianos, redes e transporte de gás. A gigante alemã Ruhrgas AG já assinou um acordo com Yushchenko para importar gás através do corredor ucraniano de investidores americanos no Azerbaijão, enquanto o atual governo ucraniano sempre tem sempre se recusado a assinar tal acordo”.

Outro grande apoiador de Yushchenko é um grupo de oligarcas judeus russos expulsos da Rússia por Putin. Extremamente rico, sonhando com vingança, odiando a Rússia de Putin, essa gangue offshore de Berezovsky, Gusinsky e outros ex-produtores de petróleo da Yukos fornecem uma grande parte do apoio financeiro à revolução laranja. Eles também pagam pelos serviços de especialistas em relações públicas israelenses russos que organizam o show em Kiev. Eles são apoiados pela rede da poderosa comunidade judaica ucraniana; enquanto atrás deles está George Soros, o magnata internacional judeu que bombeia ativamente dinheiro e capacidades organizacionais para as forças laranja de Yushchenko. Essas forças externas contam com jovens locais que receberam treinamento e conselhos de especialistas que já organizaram golpes similares na Geórgia, Sérvia e Romênia.

Os adeptos internos de Yushchenko consistem em dois grupos bastante diferentes. O maior são os nacionalistas da Galícia {ou Galichina}, na Ucrânia Ocidental. Enquanto a Galícia é uma bela terra com suas próprias tradições, a amizade com os russos não é uma delas. Durante séculos, a Galícia pertenceu à Polônia ou ao Império Austro-Húngaro; sua religião é o cristianismo uniata; sua língua está a meio caminho entre o polonês e a língua falada em Kiev. A Galícia tem uma forte tendência nacionalista; durante a Segunda Guerra Mundial, eles formaram uma divisão da SS lutando do lado alemão. Hoje em dia, eles formam a base para grupos como o Svoboda (antigo Partido Nacional Socialista Ucraniano), UNA e UNSO, que veneram Bandera, o nacionalista ucraniano e defensor de Hitler. Hoje eles estão unidos em apoio a Yushchenko.

Eles não se importam que Yushchenko seja apoiado pelos oligarcas judeus; os oligarcas também não se importam com eles. Soros até os financiou. Assim é para o antissemitismo: os judeus lembram-se de mencioná-lo apenas quando lhes convém. Na minha opinião, o nacionalismo é muitas vezes usado como queijo na ratoeira. Bandera, o nacionalista, apoiou Hitler, mas Hitler nem sequer pensou em estabelecer um Estado ucraniano forte; ele apenas usou os nacionalistas ucranianos para minar a Rússia. A mesma coisa aconteceu em todos os lugares: os nacionalistas bretões apoiaram Hitler porque pensavam que ele estabeleceria uma Bretanha independente. Eles ficaram desapontados, pois Hitler achou que eles eram desnecessários depois que ele assumiu a França. Os nacionalistas árabes minaram o Império Otomano a serviço do Ocidente apenas para se verem vendidos aos sionistas. Agora os nacionalistas ucranianos cometem o mesmo erro novamente – eles apoiam os EUA; mas eventualmente eles vão perder, pois os EUA não precisam de uma Ucrânia forte e independente.

Outro grupo de apoiadores de Yushchenko é liberal, relativamente rico e pró-ocidente. Muitas pessoas, especialmente na capital Kiev, encontram sua vivência conectada com o Ocidente. Há dezenas de banqueiros e empresários riquíssimos, milhares daqueles que trabalham em ONGs, recebem bolsas de Soros ou da C.E. {Comunidade Europeia}, há pequenos importadores, guloseimas de luxo; existem dezenas de milhares de jovens aspirantes e estudantes que ainda esperam “fazer isso” na sociedade capitalista competitiva. Nós sabemos que ficarão desapontados, apenas como tem acontecido em tantos países; o Ocidente não vai esperar que milhões de ucranianos educados tomem seu lugar no topo. Mas na Ucrânia, como na Rússia, há milhões que ainda acreditam no sonho americano, e os Estados Unidos gastam muito dinheiro para manter esse sonho vivo.

O futuro da Ucrânia pode ser esterilmente árido: as lindas garotas que vi nas margens do rio Dnepr serão enviadas para os bordeis de Tel Aviv e Istambul; seus namorados lutarão pela América no Iraque e em outros lugares, suas minas de carvão serão privatizadas, vendidas por amendoins e fechadas.

A Ucrânia pode ser livre em união com a Rússia – ou escrava do Ocidente e dos judeus. Qualquer que seja o resultado final das eleições – e isso será contestado – o leste da Ucrânia provavelmente se juntará à Rússia; A Ucrânia Ocidental será ocupada pela Polônia ou permanecerá um toco de estado “independente”.

Ainda há chance de repetir a vitória de Chaves ou o Milagre de Minsk, onde Lukashenko {Presidente da Bielorrússia} conseguiu derrotar os agentes locais de Soros e Berezovsky {ambos judeus}, pois eles não são invencíveis; mas Yanukovich não é feito de material implacável, severo e disciplinado; Putin não é um político ousado, e o mundo eslavo ortodoxo se sente perdido. Talvez seja por isso que dezenas de milhares de russos vieram espontaneamente visitar o túmulo de Joseph Stalin em 21 de dezembro, no jubileu de 125 anos do grande homem que restaurou a fortuna da Rússia, repeliu os ataques ocidentais e uniu a Ucrânia.

Tradução e palavras entre chaves por Mykel Alexander

 

Fonte: Ukraine on the Brink, por Israel Shamir, 26 de dezembro de 2004, The Unz Review – An alternative media selection.

https://www.unz.com/ishamir/ukraine-on-the-brink/

Sobre o autor: Sobre ou autor: Israel Shamir (1947-) é um internacionalmente aclamado pensador político e espiritual, colunista da internet e escritor. Nativo de Novosibirsk, Sibéria, moveu-se para Israel em 1969, servindo como paraquedista do exército e lutou na guerra de 1973. Após a guerra ele tornou-se jornalista e escritor. Em 1975 Shamir juntou-se a BBC e se mudou para Londres. Em 1977-1979 ele viveu no Japão. Após voltar para Israel em 1980 Shamir escreveu para o jornal Haaretz e foi porta-voz do Partido Socialista Israelense (Mapam). Sua carreira literária é muito elogiada por suas próprias obras assim como por suas traduções. Vive em Jaffa (Israel) e passa muito tempo em Moscou (Rússia) e Estocolmo (Suécia); é pai de três filhos.

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quinta-feira, 11 de agosto de 2022

Um olhar crítico sobre os “pogroms” {alegados massacres sobre os judeus} poloneses de 1914-1920 - por Andrew Joyce {academic auctor pseudonym}

 

Andrew Joyce
{academic auctor pseudonym}


“Relatos judeus tendiam ao exagero.”

William Hagen, Anti-Jewish Violence in Poland, 1914–1920, página 173.

 

“Todos os métodos de propaganda malévola são uma ameaça da qual a Polônia sofre notavelmente.”

Major General Edgar Jadwin, Exército dos EUA, 1920

 

Anti-Jewish Violence in Poland, 1914–1920

William W. Hagan

Cambridge University Press, 2018


Eu, recentemente, tive a boa fortuna de ler Anti-Jewish Violence in Poland, 1914–1920, de William Hagen, publicado em Cambridge, um dos livros mais interessantes que li sobre as relações judaico-europeias desde o trabalho de John Doyle Klier, publicado em Oxford, sobre os pogroms czaristas. É sempre revigorante ver estudiosos da herança europeia abordarem esse assunto, que foi dominado por muito tempo por acadêmicos judeus oferecendo uma abordagem unilateral, lacrimosa e carregada de propaganda. Agora com oitenta anos, Hagen, como Klier antes dele, começou a publicar seu trabalho mais incisivo sobre os judeus somente no crepúsculo profundo de sua carreira. Também ecoando o trabalho de Klier sobre os pogroms, Anti-Jewish Violence in Poland, de Hagen, oferece um olhar sem medo ou hesitação diante dos perigos ou dificuldades sobre as causas do atrito interétnico, muitas vezes usando material de origem novo ou anteriormente ignorado, bem como uma abordagem equilibrada e cuidadosa da verdadeira extensão do conflito de qualquer violência que ocorreu. O resultado é um texto que não tenta apenas chegar ao fundo do que exatamente aconteceu, mas também por que aconteceu. O ensaio a seguir é um trabalho híbrido envolvendo uma revisão parcial da obra de Hagen e alguns de meus próprios pensamentos e pesquisas sobre o assunto.


 

Contexto

O texto de Hagen oferece forte apoio ao argumento de Kevin MacDonald em Separation and Its Discontents de que o antissemitismo é um fenômeno reativo intimamente relacionado ao domínio judaico em certas esferas da vida pública, especialmente a economia. De fato, em Separation and Its Discontents MacDonald cita em várias ocasiões o único trabalho anterior de Hagen sobre antissemitismo, um artigo premiado em 1996 publicado no Journal of Modern History.[1] O foco em fatores socioeconômicos em ambas as obras indica que o entendimento de Hagen sobre o antissemitismo tem sido estabelecido há algum tempo.

Anti-Jewish Violence in Poland de Hagen abre dando voz a alguns contemporâneos poloneses fascinantes, abrindo uma avenida de discussão muitas vezes fechada em histórias judaicas lacrimosas que se concentram de modo pesadamente predominantemente no sofrimento putativo dos judeus, em vez das experiências difíceis daqueles entre os quais viveram. Um dos exemplos mais interessantes é a exploração de Hagen das obras de Jan Słomka, prefeito Habsburgo polonês de Dzików e autor de From Serfdom to Self-Government: Memoirs of a Polish Village Mayor. As memórias de Słomka oferecem uma visão das origens da antipatia polonesa em relação aos judeus e descrevem os judeus como “exploradores cínicos das fraquezas e ignorância dos aldeões cristãos”. Imitando as táticas empregadas no sistema de tavernas russo, os comerciantes judeus na Polônia costumavam usar álcool para arrastar os camponeses para dívidas e mantê-los lá. Słomka explicou como os judeus

começariam na época da colheita a comprar provisões dos fazendeiros, pagando-os principalmente com vodka: e estas eles venderiam durante o período de fome com grande lucro. Eles colocavam as coisas em dias de mercado em sacos; e ao redor desses sacos vagava uma multidão faminta... comprando grãos em potes ou medidas de litro.

Słomka era abstêmio e castigava seus compatriotas poloneses por beberem sem se preocuparem ou pensarem nas consequências e pela falta de premeditação que lhes permitiu cair nas mãos de judeus que estavam sistematicamente “levando à falência o campesinato emancipado e executando a hipoteca de suas minúsculas fazendas”. Em sua própria cidade de Dzików, Słomka observou que a maior parte da terra já esteve em mãos de judeus e só foi “comprada de volta com muito trabalho”. Os judeus, de acordo com Słomka, “nunca quiseram cultivar o solo, eles preferiram viver de sua inteligência, lucrar com o comércio das terras que os camponeses tiveram que pagar [em compensação por receber propriedades pós-emancipação]”. Para os judeus, é claro, foi uma estratégia muito bem-sucedida. Na década de 1860, Słomka viu como as casas de prestígio que circundam a praça central de seu principal distrito comercial, Tarnobrzeg, passaram para mãos judaicas.[2]

Hagen coloca as preocupações de Słomka no contexto de um discurso polonês mais amplo sobre uma lenta espoliação nacional realizada por judeus. Słomka é um escritor particularmente interessante porque se concentra tanto nas fraquezas polonesas quanto na competência estratégica judaica. Słomka, por exemplo, ficou irado porque os poloneses rurais deixaram de desenvolver uma perspicácia nos negócios que lhes permitiria pelo menos competir com os judeus em um nível étnico, em vez de simplesmente agir como vítimas propensas ou passivas de exploração econômica não respondida. Słomka foi mais tarde pleno de elogios quando tal resposta se materializou, na forma de cooperativas que surgiram na década de 1880. Devido em parte ao aumento da assistência do sacerdócio e aristocratas simpatizantes, a década testemunhou a criação de um número significativo desses consórcios de marketing e varejo de base étnica que derrotaram a estratégia econômica dos judeus, muitas vezes via boicote, e permitiram o fornecimento dos “aldeões com suas necessidades compradas com prejuízo dos mercadores judeus”.[3] Um efeito colateral da crescente conscientização entre os poloneses de que eles estavam envolvidos em uma competição étnica de várias frentes com os judeus levou alguns a se envolverem em pequenas violências e roubos, que Słomka condenou como inúteis. Słomka acreditava que “a luta contra o capital judaico era uma disputa … de moralidade, autocontrole e força de vontade”.[4]

Hagen demonstra a uniformidade do pensamento polonês sobre os judeus comparando as visões do relativamente ignorante e rural Słomka com as do acadêmico mais cosmopolita Franciszek Bujak, autor do panfleto de 1919 “A Questão Judaica na Polônia”. Como Słomka, Bujak argumentou que o antissemitismo polonês era em grande parte resultado do domínio socioeconômico judaico e da exploração das classes mais baixas. Na verdade, Bujak argumentou que era errado focar nas atitudes polonesas, já que

Nós podemos falar com mais verdade sobre o antipolinismo judaico do que sobre o antissemitismo polonês, que não é um movimento agressivo que se manifesta em atos consequentes, mas apenas uma reação psíquica contra os danos sofridos pela nação polonesa a partir da parte deles [judeus].

Bujak posicionou que o clã judaico lhes dava certas vantagens sobre os poloneses confiantes e sugeriu que a exploração resultante foi agravada pelo biblicamente baseado senso de superioridade e adesão a um sistema de moralidade dupla dos judeus. Quando os judeus decidiam deixar a vida de explorador que morava no gueto, eles invariavelmente assimilavam somente “de maneira intrusiva” na sociedade polonesa, onde eles “viraram rumo ao radicalismo e a revolução” como resultado de sua “inclinação à análise e à crítica”. Para Bujak, como para Słomka, a solução para o sucesso estratégico judaico era que os poloneses aumentassem seu senso de etnocentrismo e cooperação étnica e se engajassem em um processo de exclusão étnica – um boicote social, político e econômico aos judeus. Bujak via a perspectiva de violência como um fracasso moral e estratégico por parte dos poloneses.

A única dissidência significativa dessa visão predominante aparece nos escritos do linguista e eslavista Jan Baudouin de Courtenay. Baudouin pensava que os esforços de exclusão estavam fadados ao fracasso, dada a natureza profundamente enraizada do envolvimento judaico na vida polonesa, o qual se estendia até mesmo ao psicológico:

Eu reconheço o poder dos judeus, ou seja, o poder da influência da tradição judaica na mentalidade de outros grupos humanos. Pois na base de nosso pensamento, nossas crenças sobre assuntos fundamentais, encontramos uma fonte judaica [o Antigo e o Novo Testamento]. Somos nós mesmos senão judeus “modificados”. Princípios de ‘impiedade’, falta de perdão, prontidão para exterminar, elevado ao nível ideológico – tudo isso absorvemos de monumentos literários [a Bíblia cristã] de ascendência judaica. Graças à “judaização” de nosso pensamento, mesmo aqueles que se precipitam em ataques indiscriminados contra os judeus chamam-se servos dele nascido em Belém e professam Jeová, Deus de Israel.

As soluções propostas por Baudouin não poderiam ter sido mais representativas dos extremos. Por um lado, ele sugeriu uma tentativa de sufocar os judeus com amor e tolerância na esperança de que se tornassem excelentes aliados da nação polonesa. Por outro, refletiu sobre as perspectivas de “extermínio, expulsão, fome”. Suas ideias, no entanto, eram muito minoritárias, e a posição do novo estado polonês era permitir tacitamente a lenta exclusão dos judeus de suas posições anteriores de influência enquanto condenava todas e quaisquer instâncias de violência.

 

Violência e exagero

Hagen tem uma excelente seção olhando para o lento acúmulo de provocações verbais e físicas entre as duas populações. Ao contrário dos textos de autoria judaica sobre o antissemitismo histórico, Hagen não é tímido quando se trata de incluir informações que destroem o mito dos judeus como vítimas passivas e inocentes do ódio irracional europeu. Ouvimos falar de judeus insultando aldeões poloneses com “as ruas são suas, as casas são nossas” e “as chaves das igrejas serão nossas”. Com a violência física sendo uma estratégia extremamente perigosa para uma população minoritária, tais provocações são emblemáticas do caráter retórico, financeiro e abstrato muito mais comum da agressão judaica histórica. Diante dessa agressão, os europeus ao longo da história muitas vezes confiaram na facilidade e simplicidade de sua superioridade numérica na forma de variedades de respostas de “força física” que variam de brincadeiras e vandalismo a boicotes, despejos em pequena escala e expulsões em massa. Bem onde neste espectro os eventos de 1914-1920 caem é a principal preocupação do texto de Hagen.

{o jurista judeu Arthur Lehman
 Goodhart (1891-1978), neto de um
fundador da casa bancária
Lehman Brothers e autor de 
fraudulento documento de 
política externa americana 
sobre a questão judaica}.

Uma das principais fontes centrais de Hagen para sua investigação da violência antijudaica na Polônia entre 1914 e 1920 é um livro bastante duvidoso de 1920, Poland and Its Minority Races, produzido por Arthur Lehman Goodhart, um acadêmico e advogado judeu. As origens do livro estão em uma série de protestos contra “assassinato de judeus por atacado na Polônia” organizado por grupos judeus em várias cidades americanas em 1919. Embora o governo polonês negasse que tais atrocidades tivessem ocorrido, e apesar da falta de evidências objetivas claras, a agitação americana-judaica foi suficiente para o presidente Wilson nomear uma pequena comissão “para verificar os fatos”. Uma comissão também foi enviada pela Grã-Bretanha, no contexto de protestos semelhantes em Londres, liderada pelo diplomata sênior Sir Horace Rumbold. A comissão americana era composta por Goodhart e Henry Morgenthau (infame autor do Plano Morgenthau)*a e por dois não-judeus, o oficial do exército americano Edgar Jadwin e seu colega Homer H. Johnson. Embora não mencionada em detalhes por Hagen, a diferença étnica entre os judeus Goodhart e Morgenthau, por um lado, e os anglo-saxões Jadwin e Johnson, por outro, resultou em dois relatos diferentes (o primeiro afirmando mais ou menos a propaganda de atrocidades e o este último negando enfaticamente, ou pelo menos a qualificando pesadamente) sobre o retorno do grupo aos Estados Unidos, com o Comitê Nacional Polonês da América até mesmo publicando “The Jadwin and Johnson Report” como um documento inteiramente separado.[5] Ambos os textos de Goodhart e documento produzido pelo Comitê Nacional Polonês estão disponíveis na íntegra em archive.org e podem ser lidos na íntegra aqui#a e aqui.#b

{O político judeu Henry Morgenthau Jr
(1891-1967), homem central da 
política dos EUA no século XX e da 
política e economia mundial. Autor 
de fraudulento documento da 
política externa americana
sobre a questão judaica.}

Desde o início, Hagen é cético em relação aos relatos judaicos contemporâneos que alegavam tiroteios em massa espontâneos. Ele abre o livro deixando claro que o registro documental tem “lacunas ou pontos cegos” e “sem dúvida ocorreu um exagero… Procurei vários relatos para minimizar o viés”.[6] Mais tarde, ele argumenta que “a animosidade carregada de ressentimento coloriu muitos desses relatos [judaicos], que tendiam, em uma atmosfera carregada de paranoia e histeria coletiva, a exagerar as perdas judaicas”.[7] Ele até cita uma breve, mas reveladora observação do próprio Henry Morgenthau, que, embora promovendo propaganda de atrocidades, admitiu uma vez que “também não há dúvida de que alguns dos líderes judeus [na Polônia] tinham exagerado”.[8]

 

Padrões de Propaganda

Em 1920, o Comitê Nacional Polonês da América publicou uma declaração descrevendo as origens da propaganda de atrocidades contra a Polônia:

Desde o primeiro momento, quando no início de novembro de 1918, a Polônia recuperou sua independência, dia após dia, mês após mês, notícias de terríveis pogroms judaicos se espalharam por todo o mundo. … Esta notícia encontrou mais crédito porque ninguém a contradisse. E ninguém poderia contradizê-lo. O governo polonês não podia, porque não havia governo polonês. … E assim as notícias de extremamente terríveis ‘pogroms’ penetravam por toda parte, espalhando-se sistematicamente por Berlim e Viena, e por agências especiais em Estocolmo e Copenhague, que diariamente forneciam às organizações sionistas meios e influência suficientes para publicá-la em todo o mundo. E a notícia foi assustadora. Ela falava de milhares de judeus não apenas espancados e roubados, mas assassinados e queimados vivos. Como esses fatos foram confirmados por “testemunhas oculares”, não é de admirar que tenham despertado a indignação geral. E quando o Sr. Israel Cohen, o secretário da Organização Sionista de Londres, depois de investigar o assunto no local publicou em jornais ingleses e em uma reunião no Queen's Hall em Londres que tais atrocidades haviam ocorrido na Polônia em 130 cidades, reuniões de indignação e procissões fúnebres começaram em todo o mundo.[9]

O semanário judeu de Chicago, The Sentinel, relatou em 23 de julho de 1920 que:

Os poloneses são loucos de ódio aos judeus e estão ocupados em pogroms. ... Os ultrajes perpetrados pela velha Rússia contra os judeus são brincadeira de criança em comparação com os crimes terríveis perpetrados pelo governo polonês e pelo povo polonês contra os judeus. … Os representantes poloneses no exterior sabem que nem a Inquisição espanhola cometeu tantos crimes contra os judeus como a Polônia está cometendo agora. … A Polônia, nascida no crime e no pecado, afundará em um mar de crime e pecado.

Jornais na América também foram inundados com histórias lúridas escritas por judeus locais alegando ter conhecimento em primeira mão do que estava acontecendo na Polônia. Uma “testemunha ocular” afirmou ter contado 2.300 cadáveres. Um “Charles Golosman” teve uma carta publicada no New York Globe em 18 de agosto de 1920 na qual ele escreve sobre “massacres de judeus pelos militares poloneses” e adiciona:

Um pogrom sangrento foi organizado em minha própria cidade natal, Bobruisk, com todas as casas saqueadas e as mulheres terrivelmente devastadas a céu aberto em plena luz do dia pelas bestas polonesas sedentas de sangue. Meu próprio povo pode ter se tornado vítima das mãos de algum assassino polonês.

Esse relato das origens midiáticas do mito do pogrom, e de fato tudo o que foi discutido até agora, é notavelmente consistente com as descobertas de Klier sobre os pogroms russos da década de 1880.#c Assim como a agitação contra a Polônia, na década de 1880 o Ocidente foi abalado por massivos protestos judaicos contra “a matança em massa de judeus” no império russo e (refletindo o livro de Goodhart) a produção de livros e panfletos sobre os putativos maus tratos da Rússia aos judeus. Isso seguiu, na Rússia como na Polônia, um campesinato cada vez mais assertivo ou classe baixa que começou a agir contra a exploração econômica judaica por meio de cooperativas ou outros métodos não violentos. A propaganda de atrocidades pode, portanto, ser vista como uma tentativa de vingar ou melhorar uma perda de influência judaica em uma determinada nação. Em ambos os casos, os governos ocidentais (Grã-Bretanha na década de 1880, América em 1919) enviaram delegações oficiais para descobrir a verdade da situação. Em ambos os casos (por unanimidade no caso da Grã-Bretanha, e com opiniões divididas no grupo americano) os relatos resultantes lançam grandes dúvidas sobre a narrativa judaica.

Depois de muitos anos pesquisando arquivos e revisando relatórios contemporâneos produzidos por todos os lados, Klier concluiu que os relatos judaicos deveriam ser tratados com “extrema cautela”, que alguns eram “totalmente contrariados pelos registros arquivísticos” e que algumas alegações de pogroms são anexadas a cidades onde é certo que “não houve pogroms significativos e nenhuma fatalidade”. Klier observou que enquanto a narrativa de atrocidades judaicas dominava o discurso cultural através do poder da mídia, quase nenhuma agência governamental a levava a sério depois de investigada. A investigação do governo britânico, publicada como um “Livro Azul”, apresentou, para usar suas próprias palavras, “um relato de eventos em grande divergência com o oferecido pelo The Times”. O aspecto mais notável do British Blue Book é a negação direta do estupro em massa, um dispositivo de propaganda prolífico. Em janeiro de 1882, o investigador cônsul-geral Stanley se opôs a todos os detalhes contidos nos relatórios publicados pelo The Times, mencionando em particular os infundados “relatos de violação de mulheres”. Ele afirmou ainda que suas próprias investigações revelaram que não houve incidentes de estupro durante o pogrom de Berezovka, que a violência era rara e que grande parte da perturbação estava restrita a danos materiais. Em relação aos danos materiais em Odessa, Stanley estimou isso ser cerca de 20.000 rublos e rejeitou totalmente a alegação judaica de que os danos atingiram mais de um milhão de rublos.

O Vice-Cônsul Law, outro investigador independente, relatou que ele havia visitado Kiev e Odessa, e só pôde concluir que “eu não deveria estar inclinado a acreditar em qualquer história de mulheres ultrajadas nessas cidades”. Outro investigador, o Coronel Francis Maude, visitou Varsóvia e disse que “não podia dar nenhuma importância” aos relatos de atrocidades provenientes daquela cidade. Em Elizavetgrado, em vez de ruas inteiras serem arrasadas, descobriu-se que uma pequena cabana havia perdido o teto. As acusações de intenção assassina entre as massas eram simplesmente infundadas e infundadas pelas evidências.

 

O que aconteceu na Polônia?

Embora claro em sua expressão de ceticismo, uma fraqueza crucial do texto de Hagen é que ele mostra uma vontade de dar algum crédito a narrativas de atrocidades judaicas extravagantes e desacreditadas sobre assassinatos em massa por multidões de camponeses ou soldados poloneses, e não faz pleno uso de contra-narrativas convincentes, como a produzida por Jadwin e Johnson, ou pelo National Polish Committee of America, um grupo que muito cuidadosamente compilou e publicou uma variedade de relatórios independentes sobre eventos na Polônia. (Hagen cita o relatório do NPC {National Polish Committee of America} duas vezes em seu livro, mas de outra forma demonstra pouca evidência de tê-lo realmente lido.) O texto de Hagen também não incorpora outro material valioso, como o testemunho do Coronel C.A. Gaskill, funcionário da Administração de Socorro do Exército dos EUA e consultor técnico na Polônia entre 1919 e 1921. Gaskill e Jay P. Moffatt, Secretário da Legação Americana em Varsóvia, ambos testemunharam que os judeus estavam envolvidos em atividades de franco-atiradores contra tropas polonesas em vários locais importantes e que os oficiais poloneses realmente emitiram ordens contra retaliações mesmo quando as baixas polonesas resultaram de ataques judeus.[10] Considero imperativo que Hagen tenha notado em algum lugar em seu livro que os judeus estavam ativos na maioria das zonas de guerra relevantes como combatentes guerrilheiros, particularmente durante a guerra polaco-soviética de 1918-1921, na qual muitos judeus poloneses eram guerrilheiros soviéticos, e que Jadwin e Johnson concluíram suas próprias investigações argumentando que a Polônia foi vítima de uma campanha internacional de difamação orquestrada pela mídia:

A coloração, a supressão e a invenção de notícias, a suborno de jornais por muitos métodos diferentes, e o envenenamento por influências secretas dos instrumentos que afetam a opinião pública, em suma, todos os métodos de propaganda malévola são uma ameaça da qual a Polônia é um notável sofredor. Isso se aplica à ambas propagandas em casa e a partir do exterior.[11]

Embora Morgenthau e Goodhart estivessem muito felizes em repetir histórias lúridas de fuzilamentos em massa de civis, Jadwin e Johnson ofereceram um relatório que tem uma sensação totalmente diferente e, em suas próprias palavras, oferece “conclusões diferentes daquelas do Sr. Morgenthau”. Em termos de detalhes, a maioria dos relatos oficiais parece concordar que apenas cerca de 348 judeus podem ser confirmados como tendo morrido de violência em áreas relevantes entre 1914 e 1920, mas isso é esclarecido no relatório oficial britânico sobre a violência, escrito por Sir Horace Rumbold. Rumbold apontou que, mesmo que aceitemos esse número de 348, apenas 18 dessas mortes teriam ocorrido em território polonês real, com o restante ocorrendo em zonas de guerra estabelecidas, onde as baixas civis entre todos os grupos étnicos e nacionais eram lugar comum.[12] Nessas zonas de guerra, de acordo com Jadwin, alguns tiroteios foram resultado de táticas de guerrilha de civis judeus conhecidos por serem simpáticos aos bolcheviques. Em uma cidade, soldados poloneses que entraram foram alvejados de uma “certa casa de reunião na qual os judeus se congregavam”, resultando na execução de cinco homens judeus.[13] O capitão P. Wright, membro da equipe de investigação britânica, resumiu as circunstâncias das mortes de judeus como envolvendo não o preconceito polonês, mas “apenas a expressão de uma animosidade mútua”, e que esses “excessos tinham sido muito pequenos”.[14]

Um paralelo muito moderno para a incorporação dessas mortes na zona de guerra na propaganda de atrocidades seria declarar uma fatalidade por arma de fogo uma “morte por Covid”, desde que o cadáver possa produzir um teste PCR positivo. Neste caso, temos um “assassinato antissemita por poloneses” simplesmente porque um judeu morre violentamente em qualquer lugar perto da Polônia e sob quaisquer condições, incluindo guerra ativa. Goodhart inclui até o testemunho de uma mãe judia que relatou a morte “antissemita” de seu filho à comissão americana, embora admitisse que seu filho era membro da milícia bolchevique:

Tentei explicar a ela que havia uma diferença entre o caso de um homem assassinado a sangue frio e a morte de seu filho, baleado enquanto lutava pelos bolcheviques. Ela simplesmente não conseguia entender a diferença e continuou repetindo “Ele era um menino tão bom”.[15]

Uma vez que as missões britânica e americana concluíram que a violência contra os judeus nunca foi endossada ou encorajada pelas autoridades polonesas e, portanto, significava que não poderia ser tecnicamente classificada como um pogrom, pode-se dizer que uma crise diplomática internacional e uma campanha de propaganda em massa sobre “massa assassinatos” em 130 cidades, envolvendo em alguns casos valas comuns de 2.300 cadáveres, foi provocada pelas mortes violentas de apenas 18 judeus sobre um período de seis anos. Jadwin, além disso, argumentou que apenas cinco mortes de judeus poderiam ser confirmadas como resultado da violência da multidão “desde o estabelecimento de um governo estável na República”.[16] O capitão Wright declarou explicitamente que “embora os pogroms em Cracóvia tenham sido relatados, esse não foi o caso”, e que qualquer violência contra judeus no território polonês era “pequena e trivial”.[17]

 

Motivações

Naturalmente, a campanha foi sobre vingança de forma mais geral, e mais em termos de perda de poder econômico e influência do que as 18 (ou 5) mortes. O próprio Rumbold concluiu que a violência e o antagonismo entre os grupos provavelmente eram inevitáveis, dada a situação econômica dos judeus: “é natural que o separatismo tenha se manifestado”. Rumbold observou que a consciência relativamente recente dos poloneses de que eles poderiam se engajar em suas próprias estratégias econômicas de base étnica, e a natureza improdutiva da população judaica, era a verdadeira fonte de animosidade: “A competição entre os poloneses e a população judaica começou . … O movimento cooperativo está se tornando muito forte e, sem dúvida, será um fator importante no desenvolvimento das relações econômicas na Polônia, de modo que indiretamente afetará a posição do pequeno comerciante judeu”.[18] Jadwin e Johnson foram igualmente insistentes que havia fatores econômicos por trás de qualquer tensão interétnica, e eles estavam convencidos de que questões religiosas desempenhavam um papel insignificante no desenvolvimento de atitudes antijudaicas:

Nós estamos convencidos de que as diferenças religiosas como tais desempenham um papel muito pequeno, e que a nação polonesa está disposta à tolerância religiosa e ao autocontrole nos desacordos religiosos. … A relação do judeu com a eventual disposição política desses territórios ainda é um elemento irritante. Esses mesmos problemas são, em certa medida, inerentes a todos os outros países onde o caráter e os hábitos judaicos desenvolvem uma solidariedade racial, necessariamente acompanhada de uma confusa mistura econômica e social com os outros elementos da população.[19]

Há algumas indicações de que a campanha de propaganda de atrocidades contra a Polônia foi explicitamente projetada para proteger os interesses judaicos, impedindo que territórios contestados fossem concedidos aos poloneses (então operando as cooperativas camponesas contra os judeus) em tratados de paz. Goodhart, por exemplo, menciona líderes judeus em Bialystok que lhe disseram que “se Bialystok fosse entregue aos poloneses, os comerciantes judeus seriam arruinados, porque o boicote polonês entraria em vigor”.[20]  Manchar a reputação polonesa internacionalmente com acusações de assassinato em massa e fuzilamentos em massa poderia, assim, ter a intenção de influenciar a decisão das principais potências internacionais em decidir a alocação do território disputado, potencialmente impedindo que os judeus fossem absorvidos por um estado onde seriam forçados a abandonar estratégias econômicas étnicas improdutivas baseadas na exploração em massa.

Finalmente, apesar das enormes diferenças econômicas e religiosas entre a Alemanha, Polônia, Hungria e Romênia, durante a década de 1930, deve-se notar que todos esses países desenvolveram políticas em que os judeus foram excluídos do emprego no setor público, foram colocadas cotas na representação judaica nas universidades e nas profissões, e boicotes organizados pelo governo a negócios e artesãos judeus foram encenados. Do artigo de Hagen de 1996:

[O antissemitismo foi] um fenômeno regional amplo, e não . . . [um] conjunto de histórias limitadas nacionalmente. Nessa visão, a ideologia e a política antissemita moderna tanto na Alemanha quanto na Polônia figuram como patologias da formação da classe média ou, em uma formulação alternativa, como acompanhamentos do aburguesamento em um cenário, não parecido com o da Europa Ocidental e do Sul, onde uma relativamente grande (ou muito grande) população judaica urbana economicamente muito significativa parecia constituir um impedimento para o avanço cristão. Em ambos os países, o antissemitismo serviu para justificar ataques a empreendimentos de negócios de propriedade de judeus ou ocupadas por judeus em práticas médicas, jurídicas e outras práticas profissionais, bem como posições burocráticas, que eram amplamente vistos como bloqueadores do caminho da mobilidade ascendente para aspirantes não-judeus à respeitabilidade e segurança burguesa. Em ambos os países, a violência antissemita mais ou menos esporádica fomentada por organizações políticas da direita radical, particularmente na década de 1930, suscitou considerável apoio ou aceitação popular, refletindo uma ampla, embora normalmente latente, hostilidade aos judeus. . . . Políticas similares também estavam sendo implementadas na Hungria e na Romênia, as outras grandes pátrias dos judeus da Europa Central. (Hagen 1996, páginas 360, 361).

 

Conclusão

Os pogroms poloneses fabricados de 1914-20 oferecem um vislumbre notável dos padrões estabelecidos décadas antes no império russo. O padrão básico parece ser que as tentativas por parte de uma população majoritária de proteger seus interesses como grupo étnico, especialmente economicamente, resultarão na utilização da influência da mídia para criar uma narrativa de atrocidade exagerada sobre aquele estado ou localidade, muitas vezes envolvendo acusações de tiroteios em massa e valas comuns. Por causa de seu entrincheiramento na consciência popular por meio de comunicações de massa, essas narrativas são incrivelmente difíceis de fazer a reviravolta, mesmo com relatórios oficiais do governo altamente críticos. O mito do pogrom russo é um excelente exemplo, visto que foi repetido durante a farsa polonesa (The Sentinel: “Os ultrajes perpetrados pela velha Rússia contra os judeus são brincadeira de criança em comparação com os crimes terríveis perpetrados pelo governo polonês e o povo polonês contra os judeus”). A realidade, é claro, era que as “atrocidades” russas e polonesas eram igualmente infundadas e fraudulentas. E, no entanto, olhe com bastante atenção hoje, e você certamente verá alguma personalidade judia do Twitter inevitavelmente reivindicando um parente distante assassinado nos pogroms russos. Essas são ficções profundamente arraigadas que são internalizadas pelos judeus e de alguma forma geram medo, antipatia e agressão contra a maioria das populações brancas que sempre são ditas terem o mesmo potencial para a violência em massa.

As narrativas de atrocidades permanecem sendo um importante dispositivo estratégico, e a tática é visível mesmo em pequena escala em eventos como Charlottesville. Os eventos reais de Charlottesville são, sob qualquer consideração, para emprestar as palavras do capitão Wright, “pequenos e triviais”, envolvendo não mais violência e vandalismo mesquinhos do que qualquer outro grande protesto dos últimos anos (sem dúvida muito menos), e uma morte de causa ambígua. E, no entanto, Charlottesville não adotou o ar de um “Kishinev” da maneira como foi transformado, via propaganda, em uma espécie de pogrom, perpetrado por uma multidão branca enfurecida? O jornalista David Greenberg relatou sobre “o cerco de uma sinagoga de Charlottesville durante o tumulto da direita em 2017” durante um artigo alarmante sobre “Os Pogroms Esquecidos da América” {“America’s Forgotten Pogroms”}#d. Mas pela presença da tecnologia de gravação moderna, pode-se facilmente imaginar que histórias teriam emergido de Charlottesville de todas as maneiras de assassinatos e assaltos.

Como nota final, devo dizer que estamos todos perfeitamente cientes das tentativas rastejantes em toda a Europa e no resto do Ocidente de silenciar qualquer questionamento dessa narrativa de atrocidade judaica. Em nossa tentativa de defender a posição ocidental, faríamos bem em começar com a abordagem de qualquer bom advogado de defesa – criticar a credibilidade do acusador. Olhando para os casos russo e polonês, vemos um registro de verdade ou fabricação? Há motivos para acreditar em tais narrativas ou pedir por mais perguntas?

Concluirei com observações feitas por Rupert Hughes no New York Times Book Review, 18 de julho de 1920:

Têm todos esquecido a procissão em Nova Iorque e em outras cidades onde as expressões enlutadas foram usadas e as endechas foram cantadas pelas multidões massacradas dos pogroms poloneses? Alguém se desculpou com a Polônia por acusá-la de rivalizar com a Turquia, na Armênia? Eu não tenho visto as desculpas.

Tradução e palavras entre chaves por Mykel Alexander

Notas

[1] Nota de Andrew Joyce {academic auctor pseudonym}: Hagen, William W. “Before the ‘Final Solution’: Toward a Comparative Analysis of Political Anti-Semitism in Interwar Germany and Poland.” The Journal of Modern History 68, nº 2 (1996): páginas 351–81. MacDonald cita este trabalho nas páginas 53 e 55 da edição paperback de Separation and Its Discontents.

 [2] Nota de Andrew Joyce {academic auctor pseudonym}: William W. Hagan, Anti-Jewish Violence in Poland, 1914–1920, Cambridge University Press, 2018. Página 14.

 [3] Nota de Andrew Joyce {academic auctor pseudonym}: William W. Hagan, Anti-Jewish Violence in Poland, 1914–1920, Cambridge University Press, 2018. Página 14.

 [4] Nota de Andrew Joyce {academic auctor pseudonym}: William W. Hagan, Anti-Jewish Violence in Poland, 1914–1920, Cambridge University Press, 2018. Página 18.

 *a Nota de Mykel Alexander: Sobre o plano Morgenthau ver:

- The Morgenthau Plan and the Problem of Policy Perversion, por Prof. Anthony Kubek, The Journal of Historical Review, outono de 1989 (Vol. 9, nº 3), páginas 287-303. (Tradução ao português por Mykel Alexander para ser publicada).

http://www.ihr.org/jhr/v09/v09p287_Kubek.html

 [5] Nota de Andrew Joyce {academic auctor pseudonym}: The Jews in Poland: Official Reports of the American and British Investigating Missions · Volume 1, National Polish Committee of America, 1920, página 11.

 #a Fonte utilizada por Andrew Joyce {academic auctor pseudonym}: The Jews in Poland: official reports of the American and British Investigating Missions, 1920, Chicago : National Polish Committee of America.

https://archive.org/details/cu31924028644783

 #b Fonte utilizada por Andrew Joyce {academic auctor pseudonym}: Poland and the minority races, Arthur Lehman Goodhart, Editora Allen, Londres, 1920.

https://archive.org/details/polandminorityra00gooduoft

 [6] Nota de Andrew Joyce {academic auctor pseudonym}: Nota de Andrew Joyce {academic auctor pseudonym}: William W. Hagan, Anti-Jewish Violence in Poland, 1914–1920, Cambridge University Press, 2018. Página xvii.

 [7] Nota de Andrew Joyce {academic auctor pseudonym}: Nota de Andrew Joyce {academic auctor pseudonym}: William W. Hagan, Anti-Jewish Violence in Poland, 1914–1920, Cambridge University Press, 2018. Página 124.

 [8] Nota de Andrew Joyce {academic auctor pseudonym}: Nota de Andrew Joyce {academic auctor pseudonym}: William W. Hagan, Anti-Jewish Violence in Poland, 1914–1920, Cambridge University Press, 2018. Página 359.

 [9] Nota de Andrew Joyce {academic auctor pseudonym}: The Jews in Poland: Official Reports of the American and British Investigating Missions · Volume 1, National Polish Committee of America, 1920, página 55.

 #c Fonte utilizada por Andrew Joyce {academic auctor pseudonym}: Revisitando os Pogroms {alegados massacres de judeus} Russos do Século XIX, Parte 2: Mito e os pogroms russos: inventando atrocidades, por Andrew Joyce {academic auctor pseudonym}, 06 de abril de 2022, World Traditional Front.

http://worldtraditionalfront.blogspot.com/2022/04/revisitando-os-pogroms-alegados_6.html

 [10] Nota de Andrew Joyce {academic auctor pseudonym}: New York Times, 2 de julho de 1920.

 [11] Nota de Andrew Joyce {academic auctor pseudonym}: The Jews in Poland: Official Reports of the American and British Investigating Missions · Volume 1, National Polish Committee of America, 1920, página 18.

 [12] Nota de Andrew Joyce {academic auctor pseudonym}: The Reports of the British Mission, incluído em The Jews in Poland: Official Reports of the American and British Investigating Missions · Volume 1, National Polish Committee of America, 1920, página 19

 [13] Nota de Andrew Joyce {academic auctor pseudonym}: The Jadwin and Johnson Report, The Jews in Poland: Official Reports of the American and British Investigating Missions · Volume 1, National Polish Committee of America, 1920, página 15.

 [14] Nota de Andrew Joyce {academic auctor pseudonym}: Reporte do Captain P. Wright em The Jews in Poland: Official Reports of the American and British Investigating Missions · Volume 1, National Polish Committee of America, 1920, página 33.

 [15] Nota de Andrew Joyce {academic auctor pseudonym}: Poland and the minority races, Arthur Lehman Goodhart, Editora Allen, Londres, 1920. Página 52.

https://archive.org/details/polandminorityra00gooduoft

 [16] Nota de Andrew Joyce {academic auctor pseudonym}: The Jews in Poland: Official Reports of the American and British Investigating Missions · Volume 1, National Polish Committee of America, 1920, página 10.

 [17] Nota de Andrew Joyce {academic auctor pseudonym}: The Jews in Poland: Official Reports of the American and British Investigating Missions · Volume 1, National Polish Committee of America, 1920, página 47.

 [18] Nota de Andrew Joyce {academic auctor pseudonym}: The Jews in Poland: Official Reports of the American and British Investigating Missions · Volume 1, National Polish Committee of America, 1920, página 20.

 [19] Nota de Andrew Joyce {academic auctor pseudonym}: The Jews in Poland: Official Reports of the American and British Investigating Missions · Volume 1, National Polish Committee of America, 1920, páginas 13 & 17.

 [20] Nota de Andrew Joyce {academic auctor pseudonym}: Poland and the minority races, Arthur Lehman Goodhart, Editora Allen, Londres, 1920. Página 45.

https://archive.org/details/polandminorityra00gooduoft

 #d Fonte utilizada por Andrew Joyce {academic auctor pseudonym}: America’s forgotten pogroms, David Greenberg, 04 de novembro de 2018, Politico.


Fonte: A Critical Look at the Polish ‘Pogroms’ of 1914–1920, por Andrew Joyce {academic auctor pseudonym}, 03 de Janeiro de 2022, The Occidental Observer.

https://www.theoccidentalobserver.net/2022/01/03/a-critical-look-at-the-polish-pogroms-of-1914-1920/#_ftn20

Sobre o autor: Andrew Joyce é o pseudônimo de um acadêmico PhD em História, especializado em filosofia, conflitos étnicos e religiosos, imigração, e maior autoridade na atualidade em questão judaica. Ele compõe o editorial do The Ocidental Quarterly e é contribuinte regular do The Occidental Observer, e assessor do British Renaissance Policy Institute.

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Relacionado, leia também:

Sobre a influência do judaico bolchevismo (comunismo-marxista) na Rússia ver:

Revisitando os Pogroms {alegados massacres de judeus} Russos do Século XIX, Parte 1: A Questão Judaica da Rússia - Por Andrew Joyce {academic auctor pseudonym}.  Parte 1 de 3, as demais na sequência do próprio artigo.


Mentindo sobre o judaico-bolchevismo {comunismo-marxista} - Por Andrew Joyce, Ph.D. {academic auctor pseudonym}

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