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| Israel Shamir |
Os
russos estão desapontados com a política de Trump frente à Rússia. Há muito
tempo que eles desistiram da esperança de formar uma parceria com os EUA na
construção de uma ordem mundial justa e agora estão a abandonar a esperança de
serem tratados com respeito e justiça. A última pessoa na Rússia (senão no
mundo) que ainda espera manter uma boa relação com o Sr. Trump é o Presidente
Putin.
Pode-se
compreendê-lo. Há uma grande necessidade de cooperação geopolítica e
geoeconómica entre os EUA e a Rússia, tanto na resolução da crise ucraniana
(tendo em conta os interesses da Rússia) como na interação no Ártico, nas
Caraíbas, em África e em todos os outros “pontos quentes” globais. Isso seria
cooperação internacional, não hegemonia americana, como muitos políticos dos
EUA preferem. Os EUA deveriam afastar-se do abismo da guerra nuclear, enquanto
ainda é possível. Na semana passada, os russos realizaram exercícios nucleares
de uma magnitude nunca antes vista. Os exercícios envolveram a tríade nuclear
completa da Rússia — armamento terrestre, marítimo e aéreo, de acordo com o
comunicado divulgado pela agência de notícias estatal russa RIA no Telegram.
Durante o exercício, um míssil balístico intercontinental (ICBM) Yars foi
lançado do Cosmódromo de Plesetsk e bombardeiros estratégicos Tu-95MS
realizaram ataques com mísseis de cruzeiro lançados do ar, informou o Kremlin.
Um submarino cruzador estratégico lançou um míssil balístico do Mar de Barents.
E houve também o lançamento do Burevestnik, um míssil de cruzeiro totalmente
novo com reator nuclear a bordo, capaz de voar para qualquer lugar pelo tempo
que for necessário. O Pentágono revelou estar preocupado com esses novos
desenvolvimentos e têm pedido aos russos que demonstrassem como fabricam seus
novos dispositivos, o Burevestnik e o Poseidon. É positivo que o presidente
Putin prefira a paz não guerra.
Contudo,
o presidente Putin não é um agente livre. Há uma forte pressão na política
russa por uma resposta nuclear às provocações ocidentais, que não se limite à
fronteira ocidental da Ucrânia, mas se estenda até o oeste. Por ora, Putin
prevalece, mas isso provavelmente mudará se os EUA continuarem sua trajetória
rumo à guerra e às sanções. E a invasão americana da Venezuela provavelmente
será respondida com força. Os soldados russos do Grupo Wagner supostamente já estão
lá.
Essas
declarações foram feitas recentemente por Sergey Karaganov (um proeminente
cientista político e representante honorário do Conselho de Política Externa e de Defesa) na emissora TVC, conforme
citado por um correspondente do PolitNavigator:
“Europeus – nós estamos lidando com imbecis insanos, desculpem-me, essas são palavras desagradáveis. Bem, imbecis brutalizados. Eles são realmente imbecis – a atual geração de elites europeias degeneradas, que também deixaram de temer a Deus… e têm perdido o seu medo da morte.
Este é um instinto animal que precisa ser restaurado; eles não têm mais nada, porque eles não têm função intelectual, nenhum senso de pátria, nenhum senso de gênero ou amor. Claro, estou exagerando; há pessoas maravilhosas lá. Mas é assim [aqueles que estão no círculo governante] – eles são a escória da humanidade.
Ainda não há um líder lá, figurativamente falando, nenhum ‘Hitler’. Mas, em princípio, eles estão caminhando nessa direção. E estão levando seus povos para matança. Nós devemos parar esse movimento – para salvar a nós mesmos e a esses povos, aliás. Talvez algo resulte deles algum dia, embora estejam se degradando muito rapidamente.
Eles agora estão sendo alvo de um confronto massivo com a Rússia. Aliás, nós subestimamos isso, porquê a propaganda desenfreada está transformando as massas de europeus em potenciais bucha de canhão.
Portanto, nós devemos salvá-los e, ao mesmo tempo, salvar o mundo. Essa é a nossa tarefa histórica, mas precisamos cumpri-la. Além disso, nós não temos outra opção. Ou nos destruímos e, em seguida, destruímos o mundo, ou nós vencemos e salvamos a humanidade.
O
apresentador do programa, Dmitry Kulikov, observou que, historicamente, “nós agimos
melhor quando entendemos que não temos outra opção.” Esse sentimento permeia os
círculos políticos russos. Eles repetem cada vez mais as palavras de Putin de
2018: Nós iremos para o céu, e eles
apenas morrerão.
Isso
é realmente lamentável, pois Putin e Trump têm em comum inimigos reais, a
saber, os líderes da Grã-Bretanha, França, Alemanha, União Europeia e a
intelectualidade ultraliberal apátrida. Será possível que um homem adulto, um
presidente dos EUA, se deixe levar por bajulações da pior espécie, proferidas
por figuras como Keith Starmer, Macron, Friedrich Merz e outros? Ele não
entende que o desprezam? O que eles querem? Será que Fritz (o chanceler alemão
Friedrich Merz) e Ursula guardam boas lembranças da sopa russa gratuita que os
soldados russos serviram aos alemães em 1945, e talvez sonhem em prová-la
novamente? Será que Starmer espera distrair seus eleitores para que se esqueçam
de seu apoio ao genocídio em Gaza e aos hooligans israelenses? Será que Macron
acha melhor enviar franceses para morrer na Ucrânia para que não se juntem aos
Coletes Amarelos? Será que o sueco Ulf Kristersson acha melhor manter a
venerável tradição de hospedar a força de ocupação russa pelo menos uma vez por
século? Qual desses planos se encaixa na visão de Trump?
Podemos
nos perguntar: por que o presidente Trump moveria um dedo para ajudar Vladimir
Zelensky, o homem que apoiou o candidato do Partido Democrata durante a eleição
presidencial dos EUA e desempenhou um papel no início do processo de
impeachment contra Donald Trump?
Caso
Trump tenha se esquecido, o enviado russo Dmitriev lembrou ao público americano
(em sua entrevista com a jornalista Lara Logan) que Zelensky fez campanha em
apoio a Kamala Harris, que representou o Partido Democrata na eleição de 2024 e
foi a principal rival de Trump. ‘Não vamos nos esquecer disso’, acrescentou.
Dmitriev observou então que Zelensky foi um dos fatores que influenciaram o
início do primeiro processo de impeachment contra o então presidente dos EUA.
A
investigação que precedeu o impeachment do presidente dos EUA, Donald Trump,
começou em 24 de setembro de 2019, por iniciativa da presidente da Câmara dos
Representantes dos EUA, Nancy Pelosi. O impeachment foi desencadeado por uma
declaração de um informante anônimo (provavelmente o próprio Zelensky) que
alegou que, em julho de 2019, Trump pressionou Vladimir Zelensky para obter
vantagens políticas pessoais. Segundo o relato anônimo, Trump exigiu que Kiev
investigasse as atividades de Hunter Biden, filho do ex-vice-presidente Joe
Biden, em troca de fornecer à Ucrânia ajuda financeira e militar.
Após
essas alegações virem à tona, a Casa Branca foi obrigada a publicar um
memorando contendo a transcrição da conversa telefônica entre Trump e Zelensky.
O documento mostrou que Trump de fato pediu ao presidente ucraniano que “olhasse
para” o assunto envolvendo a família Biden. Ao mesmo tempo, uma semana antes da
referida conversa, Trump havia ordenado a suspensão da ajuda militar à Ucrânia.
Representantes do Partido Democrata interpretaram essa decisão como uma
possível tentativa de pressionar Kiev para obter uma investigação que
beneficiasse Trump. O próprio presidente foi forçado a negar publicamente essas
alegações.
Em
31 de outubro de 2019, a Câmara dos Representantes dos EUA aprovou uma
resolução para iniciar formalmente o processo de impeachment. Em 18 de
dezembro, ocorreram os debates finais, durante os quais dois artigos de
impeachment contra Trump foram votados: abuso de poder e obstrução de uma
investigação do Congresso. Ambos os artigos foram aprovados, resultando no
impeachment do presidente, tornando-o o terceiro chefe de Estado na história
dos EUA a ser alvo de tal decisão pela Câmara dos Representantes.
Em
15 de janeiro de 2020, foi realizada uma votação para enviar a acusação ao
Senado, onde os artigos de impeachment foram enviados no dia seguinte. Após
analisar o caso, em 5 de fevereiro de 2020, o Senado absolveu Donald Trump de
ambas as acusações. E agora Trump quer ajudar o homem que o montou nessa
bagunça?
Não
só isso, mas a política de Trump de armar a Europa e fornecer ajuda militar à
Ucrânia vai contra os interesses dos EUA. Forçar os membros europeus da OTAN a
aumentarem os gastos com defesa em dois por cento e depois em cinco por cento
transformará, em um futuro próximo, a U.E. {União Europeia} em um monstro
militar comparável ao Terceiro Reich. Uma U.E. {União Europeia} militarmente
forte romperia imediatamente sua dependência econômica dos Estados Unidos,
tanto em termos de petróleo e gás quanto de tecnologia. E então começaria a
impor sua própria agenda a outros países, incluindo os próprios Estados Unidos.
O caminho de Trump rumo à militarização da Europa é suicida para o futuro dos
Estados Unidos. É como alimentar o crocodilo que os países da coalizão
anti-Hitler pareciam ter destruído para sempre em 1945.
Poderíamos
entender as decisões de Trump se a criação de um pequeno Estado ucraniano fosse
uma jogada vencedora para o Ocidente. Mas não é. É como alimentar uma máquina
caça-níqueis em um dos cassinos pertencentes ao benfeitor de Trump, Sheldon
Adelson. Você coloca dinheiro nela e ela toca música alegre, faz barulho,
figuras coloridas se movem na tela; depois – nada. Coloque mais dinheiro, você
certamente ganhará a próxima rodada, diz o crupiê. Um homem sábio não jogaria
dinheiro bom fora, mas um jogador jogaria, até o último centavo. O atoleiro
ucraniano da OTAN é como um cassino em Kiev[1] –
eles dizem que você está prestes a ganhar muito, basta investir mais cem
bilhões! Bilhões foram para o ralo sem nada a mostrar, exceto mais palácios em
Miami para o Sr. Zelensky e seus amigos.
A
reforma da ala leste da Casa Branca por Trump não é um projeto qualquer – o
chamado “Salão de Baile Trump” é apenas uma fachada para a construção de um abrigo
antibombas secreto e um bunker presidencial. Mas por quanto tempo ele
conseguiria ficar lá sob uma chuva de mísseis Oreshnik e outros mísseis russos?
Eles atingirão o bunker mais profundo e o destruirão.
Não,
a única salvação para os Estados Unidos é uma aliança honesta com a Rússia e a
transformação da Ucrânia, de trampolim militar da Europa, em uma “ponte de
cooperação” entre o Ocidente e o Oriente. Graças a Deus, isso ainda é possível.
A
expansão da OTAN nunca tem beneficiado a Europa. Sempre foi uma forma de manter
as tropas americanas em atividade durante a Guerra Fria. A OTAN foi
deliberadamente expandida para manter a pressão sobre a Rússia. Isso sempre
colocou a Europa em risco, e nunca houve qualquer benefício correspondente para
o europeu médio. Agora, com os EUA prestes a reduzir drasticamente suas tropas
na Europa, as nações europeias estão à beira de administrar a OTAN sozinhas.
Será que a Europa realmente quer recriar a Guerra Fria e se tornar um campo de testes
para os novos mísseis de cruzeiro russos? Estão realmente preparadas para
enfrentar um inimigo tão implacável à sua porta? Será que a Europa realmente
quer transformar em inimigo um país europeu que detém a maior parte dos
recursos naturais da Europa, incluindo gás natural, petróleo, carvão, paládio,
alumínio e minério de ferro? Como essa inimizade poderia beneficiar a família
europeia média?
E
o presidente Trump será lembrado pelo genocídio em Gaza, que não foi impedido
por sua paz de 3.000 anos (que durou apenas dois dias!), por sua submissão aos
palhaços europeus e a Bibi Netanyahu; e agora por conduzir os EUA ao Armagedom
final.
Tradução
e palavras entre chaves por Mykel Alexander
The Russian Regret, por
Israel Shamir, 29 de outubro de 2025, The
Unz Review – Na Alternative Media Selection.
https://www.unz.com/ishamir/the-russian-regret/
Sobre o autor: Israel
Shamir (1947-) é um internacionalmente aclamado pensador político e espiritual,
colunista da internet e escritor. Nativo de Novosibirsk, Sibéria, moveu-se para
Israel em 1969, servindo como paraquedista do exército e lutou na guerra de
1973. Após a guerra ele tornou-se jornalista e escritor. Em 1975 Shamir
juntou-se a BBC e se mudou para Londres. Em 1977-1979 ele viveu no Japão. Após
voltar para Israel em 1980 Shamir escreveu para o jornal Haaretz e
foi porta-voz do Partido Socialista Israelense (Mapam). Sua carreira literária
é muito elogiada por suas próprias obras assim como por suas traduções. Vive em
Jaffa (Israel) e passa muito tempo em Moscou (Rússia) e Estocolmo (Suécia); é
pai de três filhos.
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Neoconservadores, Ucrânia, Rússia e a luta ocidental pela hegemonia global - por Kevin MacDonald
Os Neoconservadores versus a Rússia - Por Kevin MacDonald
Sobre a restauração tradicional russa ver:
{Retrospectiva Rússia 2011} – Dissidentes judeus miram Putin - por Daniel W. Michaels
{Retrospectiva 2014} – Ucrânia: o fim da guerra fria que jamais aconteceu - Por Alain de Benoist
Aleksandr Solzhenitsyn, Ucrânia e os Neoconservadores - Por Boyd T. Cathey
Crepúsculo dos Oligarcas {judeus da Rússia}? - Por Andrew Joyce {academic auctor pseudonym}
Sobre a Guerra russo-ucraniana ver:
Quem Causou a Guerra da Ucrânia? - por John J. Mearsheimer
{Retrospectiva Guerra OTAN/Ucrania x Rússia} - Destinada a perder – A contraofensiva da Ucrânia em 2023 - primeira parte - por John J. Mearsheimer (segunda parte na sequência do próprio artigo)
{Retrospectiva 2023 – EUA, OTAN e Rússia no conflito na Ucrânia} – O mundo é seu - por Israel Shamir
{Retrospectiva 2023} - A escuridão à frente: para onde se encaminha a guerra na Ucrânia - primeira parte - resumo até junho de 2023 - por John J. Mearsheimer (segunda parte na sequência do próprio artigo)
{Retrospectiva 2023} - Guerra e Propaganda no Conflito Rússia-Ucrânia - por Ron Keeva Unz
{Retrospectiva 2023 – guerra na Ucrânia} – Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse: Na Ucrânia
{Retrospectiva conflito na Ucrânia – 2014-2022} - parte 1 - por Eric Margolis (demais partes na sequência do próprio artigo)
{Retrospectiva 2022 – conflito na Ucrânia} Para entender a guerra - por Israel Shamir
{Retrospectiva 2022 – maio e início da penúria europeia} Guerra da Ucrânia - Por Israel Shamir
{Retrospectiva 2022 – Guerra Ucrânia/OTAN x Rússia} - É possível realmente saber o que aconteceu e está acontecendo na Ucrânia? – parte 1 - por Boyd D. Cathey e demais partes por Jacques Baud (ex-funcionário da ONU e OTAN)
John Mearsheimer, Ucrânia e a política subterrânea global - por Boyd D. Cathey
Retrospectiva 2022 sobre a crise na Ucrania - por John J. Mearsheimer
Como os Estados Unidos Provocaram a Crise na Ucrânia - por Boyd d. Cathey
{Retrospectiva 2014} – Ucrânia: o fim da guerra fria que jamais aconteceu - Por Alain de Benoist
Aleksandr Solzhenitsyn, Ucrânia e os Neoconservadores - Por Boyd T. Cathey
A Guerra de Putin - por Gilad Atzmon
{Retrospectiva 2014} O triunfo de Putin - O Gambito da Crimeia - Por Israel Shamir
{Retrospectiva 2014} A Revolução Marrom na Ucrânia - Por Israel Shamir
Sobre a influência do judaico bolchevismo (comunismo-marxista) na Rússia ver:
Revisitando os Pogroms {alegados massacres de judeus} Russos do Século XIX, Parte 1: A Questão Judaica da Rússia - Por Andrew Joyce {academic auctor pseudonym}. Parte 1 de 3, as demais na sequência do próprio artigo.
Os destruidores - Comunismo {judaico-bolchevismo} e seus frutos - por Winston Churchill
Líderes do bolchevismo {comunismo marxista} - Por Rolf Kosiek
Wall Street & a Revolução Russa de março de 1917 – por Kerry Bolton
Wall Street e a Revolução Bolchevique de Novembro de 1917 – por Kerry Bolton
Esquecendo Trotsky (7 de novembro de 1879 - 21 de agosto de 1940) - Por Alex Kurtagić
{Retrospectiva Ucrânia - 2014} Nacionalistas, Judeus e a Crise Ucraniana: Algumas Perspectivas Históricas - Por Andrew Joyce, PhD {academic auctor pseudonym}
Nacionalismo e genocídio – A origem da fome artificial de 1932 – 1933 na Ucrânia - Por Valentyn Moroz
